Alcanena

município de Portugal
Disambig grey.svg Nota: Para a freguesia, veja Alcanena (freguesia). Para a vila, veja Alcanena (vila).

Alcanena é um município português que pertence ao distrito de Santarém, na província do Ribatejo, região do Centro (NUTS II) e sub-região do Médio Tejo (NUTS III), com 13 868 habitantes (2011).

Alcanena
Município de Portugal
Vista de Alcanena.JPG
Vista de Alcanena

Brasão de Alcanena Bandeira de Alcanena

Localização de Alcanena

Gentílico Alcanenense
Área 137,33 km²
População 20 604 hab. (2011)
Densidade populacional 150  hab./km²
N.º de freguesias 7
Presidente da
câmara municipal
Fernanda Asseiceira (PS)
Fundação do município
(ou foral)
8 de Maio de 1914
Região (NUTS II) Centro
Sub-região (NUTS III) Médio Tejo
Distrito Santarém
Província Ribatejo
Orago São Pedro
Feriado municipal Quinta-feira de Ascensão
Código postal 2380-037 Alcanena
Sítio oficial http://www.cm-alcanena.pt

O município de Alcanena foi criado pela Lei nº 156 de 8 de Maio de 1914, tendo a vila de Alcanena como sua sede.[1]

O município de Alcanena, com 127,33 km² de área[2] e 13 868 habitantes (2011),[3][4] está subdividido em 7 freguesias.[5] O município é limitado a nordeste pelo município de Ourém, a este por Torres Novas, a sul e sudoeste por Santarém e a noroeste pelos municípios de Porto de Mós e da Batalha.

LocalizaçãoEditar

Povoação portuguesa do distrito e diocese de Santarém, com 3.505 habitantes (dados de 1987). Sede de concelho e de comarca, fica a SO da serra de Aire e a 3Km dos chamados "Olhos de Água", as nascentes do rio Alviela. O concelho, constituído por 10 freguesias, conta com 13.989 habitantes (dados de 1987). Possui próspera indústria de curtumes. Minde, povoação pertencente ao concelho, é centro de indústria têxtil e a sua população usa um falar especial, o minderico. Fica na sua área a lagoa de Minde que mede 4Km de comprimento e 2Km de largura.

Quadro HistóricoEditar

Retomando à época de dominação árabe, a região onde hoje se encontra o concelho de Alcanena caracterizava-se pela debilidade dos solos em termos agrícolas (aptos somente para as culturas de sequeiro, cevada, trigo e oliveira). Situada no imenso maciço calcário estremanho, entalada entre as serras dos Candeeiros e de Aire, e os planaltos de Stº António e de S. Mamede, os povos desta região dedicavam-se sobretudo à pastorícia, ao comércio e à criação de bichos de seda, entre outras actividades.[6]

Sobre a origem do nome Alcanena existem diversas versões, tendo todas,no entanto, como base o artigo árabe "Al". As duas versões mais prováveis são "Cabaga Seca", do termo árabe "Alcalina" e "Lugar Sombreado", do termo árabe "Al-Kinan".

Pertencendo até ao ínício do séc. XX ao concelho de Torres Novas, a sua história dilui-se na deste concelho, pelo menos até à altura em que, por via da implantação progressiva e dinâmica das indústrias de curtumes (e mais tarde de malhas), esta região se começa a destacar, não só no distrito mas também em todo o país.Eram os finals do séc. XVIII:

"Sendo a indústria de curtumes uma das mais velhas actividades conhecidas do homem, cedo se radicou no concelho de Alcanena, com métodos muito próprios,em que a técnica vinha em sucessão de pais para filhos, com a utilização de materiais curtientes tradicionais da região. Os próprios utensílios eram característicos e mesmo exclusivos.

A data mais antiga ou talvez a única que se revela em edifício fabril é a de 1792. 0 referido edifício ostenta um brasão representando as armas nacionais, acompanhado de uma inscrição que diz ser uma fábrica de sola com previlégio Real do governo Pombalino(...)"(1).

O progressivo desenvolvimento da indústria de solas, pelarias para calçado, maquinaria e vestuário, atraiu à região um grande número de industriais, tendo-se feito, progressivamente, uma reconversão industrial, baseada na modernização das técnicas de fabrico e das máquinas industriais. Esta modernização tem vindo a acabar com a maior parte dos pequenos produtores da região de Alcanena, colocando-a na vanguarda da produgão do género a nível nacional.

A par deste desenvolvimento das indústrias de curtumes e de malhas, assistiu-se ultimamente à implantação de diversas unidades de fabrico e montagem de máquinas (e ainda reparação) do apoio àquelas.

A indústria têxtil (especialmente implantada na região da freguesia de Minde) fez parte intrínseca da história do concelho de Alcanena, a par da de curtumes. Desde os tempos mais remotos, a produção de mantas, alforges, tapetes e carpetes veio tornando popular esta região. A maior parte das feiras em todo o país eram percorridas por vendedores de mantas de Minde. Célebre ficou o "calão míndrico", vocabulário utilizado por estes vendedores ambulantes a fim de não serem entendidos senão entre si.

A partir de meados do presente século iniciou-se a fabricação de maIhas exteriores, facto que trouxe a esta região novos focos de desenvolvimento. Segundo reza a história, esta indústria foi trazida para Portugal por cidadãos polacos instalados em Lisboa por altura da 2a grande guerra. Entretanto, começara a ser difícil a aquisição de matéria prima - lãs - para os trabalhos tradicionais, problema que estaria ultrapassado para as malhas. Por volta de 1942, nasceu a primeira fábrica de malhas, a "Sociedade Industrial de Malhas Mindense".

O concelho de Alcanena é de fundação recente. Foi criado em 1914 com a desanexação de algumas freguesias de Torres Novas e Santarém, tendo tido para os alcanenenses o mesmo valor e significado que quatro anos antes a implantação da República.

PopulaçãoEditar

Número de habitantes [7]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
6 015 6 908 8 100 8 759 9 670 10 207 11 122 12 897 14 087 14 773 13 180 14 287 14 373 14 600 13 868

Concelho de Alcanena criado pela lei nº 156, de 08/05/1914, com lugares desanexados do concelho de Torres Novas (Fonte: INE)

(Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste concelho à data em que os censos se realizaram.)

Número de habitantes por Grupo Etário [8]
1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
0-14 Anos 3 327 3 677 4 148 3 888 3 996 3 230 3 136 2 732 2 092 1 863
15-24 Anos 1 659 1 915 2 292 2 529 2 310 2 045 2 186 2 035 2 054 1 351
25-64 Anos 4 321 4 595 5 392 6 410 7 071 6 380 6 927 7 202 7 493 7 360
= ou > 65 Anos 739 880 945 1 078 1 396 1 525 2 038 2 404 2 961 3 294
> Id. desconh 6 17 17

(Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no concelho à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)

PolíticaEditar

Eleições autárquicasEditar

Data % V % V % V % V % V % V % V
PS PSD APU/CDU CDS AD IND PSD-CDS
1976 34,20 2 25,18 1 19,86 1 17,35 1
1979 36,29 3 AD 18,26 1 AD 42,89 3
1982 44,87 3 14,32 1 35,70 3
1985 33,20 3 18,64 1 13,33 1 24,87 2
1989 54,80 5 30,15 2 8,73 -
1993 46,55 4 39,79 3 9,94 -
1997 51,54 4 21,36 2 13,53 1 8,28 -
2001 19,32 1 10,58 1 6,11 - 3,00 - 57,81 5
2005 27,16 2 18,08 1 8,10 - 4,07 - 37,88 4
2009 45,59 4 PSD-CDS 6,43 - PSD-CDS 25,91 2 16,81 1
2013 42,73 4 6,90 - 14,80 1 29,25 2
2017 55,36 5 9,12 - 29,92 2

Eleições legislativasEditar

Data %
PS PSD CDS PCP UDP AD APU/

CDU

FRS PRD PSN B.E. PAN PàF L IL CH
1976 37,96 20,91 17,13 14,53 1,03
1979 30,74 AD AD APU 1,18 43,29 19,28
1980 FRS 0,70 44,66 16,40 31,31
1983 38,71 25,80 13,57 0,60 16,15
1985 24,56 29,09 12,19 0,73 14,59 13,88
1987 27,80 46,72 5,16 CDU 0,70 10,33 4,33
1991 29,78 50,55 4,03 8,44 0,68 1,75
1995 43,16 33,00 11,04 0,50 8,54 0,23
1999 43,51 30,65 10,31 9,88 0,31 1,42
2002 34,43 41,09 9,36 8,66 2,23
2005 41,25 29,63 8,44 8,90 6,22
2009 32,74 28,83 11,66 8,80 11,11
2011 22,46 41,35 12,20 8,88 6,11 0,79
2015 30,15 PàF PàF 9,88 8,54 1,31 40,63 0,46
2019 34,33 27,75 5,30 7,96 9,65 2,05 0,88 1,08 0,75

FreguesiasEditar

 
Freguesias do concelho de Alcanena.

O concelho de Alcanena está dividido em 7 freguesias:

PatrimónioEditar

CulturaEditar

GeminaçõesEditar

Alcanena possui acordos de geminação com:[9]

Referências

  1. Diário do Governo de 8 de Maio de 1914, I Série, nº 70, [1]
  2. Instituto Geográfico Português (2013). «Áreas das freguesias, municípios e distritos/ilhas da CAOP 2013». Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013. Direção-Geral do Território. Consultado em 28 de novembro de 2013. Arquivado do original (XLS-ZIP) em 9 de dezembro de 2013 
  3. INE (2012). Censos 2011 Resultados Definitivos – Região Centro. Lisboa: Instituto Nacional de Estatística. p. 120. ISBN 978-989-25-0184-0. ISSN 0872-6493. Consultado em 27 de julho de 2013 
  4. INE (2012). «Quadros de apuramento por freguesia» (XLSX-ZIP). Censos 2011 (resultados definitivos). Tabelas anexas à publicação oficial; informação no separador "Q101_CENTRO". Instituto Nacional de Estatística. Consultado em 27 de julho de 2013 
  5. Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013.
  6. in "Moderna Enciclopédia Universal", ed. Círculo de Leitores
  7. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  8. INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros
  9. [2]
 
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Ligações externasEditar