Alcochete

município de Portugal
Disambig grey.svg Nota: Para a freguesia de Alcochete, veja Alcochete (freguesia). Para a vila de Alcochete, veja Alcochete (vila) .

O município de Alcochete[1] é um município português do distrito de Setúbal, pertencente à Área Metropolitana de Lisboa com sede na vila homónima de Alcochete.[2]

Alcochete
Município de Portugal
Alcochete 2013-3.jpg
Vista da Vila de Alcochete

Brasão de Alcochete Bandeira de Alcochete

Localização de Alcochete

Gentílico Alcochetano
Área 128,36 km²
População 17 569 hab. (2011)
Densidade populacional 136,9  hab./km²
N.º de freguesias 3
Presidente da
câmara municipal
Fernando Pinto (PS)
Fundação do município
(ou foral)
17 de Janeiro de 1515
Região (NUTS II) Área Metropolitana de Lisboa
Sub-região (NUTS III) Área Metropolitana de Lisboa
Distrito Setúbal
Província Extremadura
Orago São João Baptista
Feriado municipal 24 de junho
Código postal 2890
Sítio oficial Câmara Mun. de Alcochete

Este município com 128,36 km² de área[3] e 17 569 habitantes, [4][5] tendo a vila de Alcochete cerca de 10 700 habitantes, está subdividido em 3 freguesias.[1] O município é limitado a norte pelo município de Benavente, a este e sudeste por Palmela, a sudoeste pela área principal do município do Montijo e a noroeste pelo estuário do Tejo.

Alcochete é sede da Reserva Natural do Estuário do Tejo, possuindo numerosas salinas onde nidificam diversas espécies de aves aquáticas.

Apesar do nome, o Campo de Tiro de Alcochete localiza-se no município de Benavente, perto do Porto Alto e de Samora Correia.

O rei D. Manuel I nasceu em Alcochete em 1469.

HistóriaEditar

Acredita-se que Alcochete terá origem Árabe, principalmente devido a dois factos: A origem do nome Al caxete que poderá significar o forno e pela localização da Igreja Matriz, edificada no século XIV e que, segundo a tradição da época, foi construída sobre um templo árabe.

No entanto a primeira ocupação humana documentada refere-se à presença Romana, através de achados de um centro de olaria onde eram fabricadas ânforas e outros artefactos para acondicionamento e transporte de alimentos. À ocupação romana, sucedeu a ocupação árabe, sendo o topónimo o legado mais visível, desenvolvendo estes na região a agricultura: sistemas de rega por canais e citrinos.

Com a reconquista cristã, Alcochete foi integrada no termo da Ordem de Santiago, sendo destes tempos o desenvolvimento da actividade da extracção do sal, exportado para o sul da América por via marítima.

 
Casa coberta com azulejos verdes em Alcochete, um exemplo típico de arquitectura local.

As constantes pestes (peste negra, v.g.) na capital do Reino, levaram a realeza e a nobreza dos séculos XIV e XV a instalarem-se em Alcochete, nomeadamente o Rei D. João I (finais do século XIV) e o Infante D. Fernando, duque de Beja, (meados do século XV), tendo na vila de Alcochete nascido em 1469 o Infante D. Manuel, posteriormente rei.

A 17 de Janeiro de 1515, Alcochete recebe foral concedido pelo rei D. Manuel I, num diploma conjunto que renova o foral de Aldeia Gallega do Ribatejo (de 1514) e confirma a categoria de Vila que Alcochete havia adquirido ao longo do século XV.

São deste período de esplendor as obras de reconstrução da Igreja Matriz, as pinturas sacras da Capela de Nossa Senhora da Vida e da Igreja da Misericórdia.

Nos séculos XVI a XIX, desenvolve-se no concelho a agricultura, a criação de gado, nomeadamente o gado bravo, instalam-se na vila os Rattons (Jácome Ratton) e atinge grande desenvolvimento a extracção do sal e os transportes marítimos entre as margens do Tejo.

 
Ponte cais de Alcochete, reconstruída em 2006.

Politicamente, as modas do último quartel do século XIX, com exacerbados movimentos municipalistas centralistas e descentralistas, levaram à perda da autonomia municipal de Alcochete a favor do município da Aldeia Galega (hoje Montijo) e em 15 de Janeiro de 1898 à restauração dessa mesma autonomia municipal.

A história de Alcochete no século XX é de heroísmo humano, de resistência ao regime (o Estado Novo), de greves, de prisões, mas também de estagnação e quase apagamento, mesmo que a partir dos anos 60 se tenham instalado em Alcochete algumas indústrias (papel de alumínio, pneus e embalagens metálicas). Os transportes ferroviários, rodoviários e a ponte sobre o Tejo (Ponte 25 de Abril actualmente) acabaram com a actividade dos transportes marítimos; o sal-gema substituiu o sal marinho; a poluição do Rio Tejo acabou com a abundância de espécies piscícolas.

A Ponte Vasco da Gama, a explosão urbanística e demográfica que lhe sucederam, assim como o complexo desportivo do Sporting Club de Portugal lançaram Alcochete mais uma vez para a ribalta dos acontecimentos e da história.

PopulaçãoEditar

Número de habitantes [6]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
4 286 4 517 4 997 6 088 6 502 6 175 6 656 6 658 7 864 9 270 10 410 11 246 10 169 13 010 17 569

(Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.)

Número de habitantes por Grupo Etário [7]
1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
0-14 Anos 2 116 2 188 2 126 1 929 1 917 2 259 2 385 2 855 2 699 1 758 2 115 3 332
15-24 Anos 1 241 1 299 1 229 1 362 1 161 1 603 1 535 1 420 1 667 1 669 1 596 1 736
25-64 Anos 2 686 2 528 2 855 2 996 3 097 3 750 4 589 5 325 5 682 5 284 7 299 9 963
= ou > 65 Anos 240 287 323 365 453 580 761 810 1 198 1 458 2 000 2 538
> Id. desconh 14 11 18 22 28

(Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)

FreguesiasEditar

 
Freguesias do município de Alcochete.

O município de Alcochete está dividido em 3 freguesias:[1]

PatrimónioEditar

 
Igreja matriz de Alcochete
  • Igreja de São João Batista (Alcochete), igreja matriz, uma construção marcadamente em estilo gótico, com três naves, sendo que a torre sineira e a porta lateral sul são de estilo manuelino.
  • Igreja da Misericórdia, interior de uma só nave, profusamente decorada.
  • Capela de Nossa Senhora da Vida, interior também de uma só nave, albergando no seu interior a imagem de Nossa Senhora da Vida, de grande devoção entre as classes piscatórias.
  • Ermida de Nossa Senhora dos Matos, próximo do Samouco.
  • Capela de Santo António da Ussa, estranha capelinha na Herdade da Barroca d’Alva, que imita um zigurate.
  • Ruínas do Convento de São Francisco, nesta freguesia.
  • A Ponte Cais, é o ex-líbris da vila de Alcochete.
  • O Edifício dos Paços do Concelho, edifício a imitar o estilo neoclássico, de linhas sóbrias, no Largo de São João.
  • Edifício do Lar Barão de Samora Correia, no Rossio ou Largo com o mesmo nome.
  • Palacete do Marquês de Soydos, no Largo com o mesmo nome.

FestasEditar

A principal festa de Alcochete é a Festa do Barrete Verde e das Salinas, que decorre no segundo fim-de-semana de Agosto e tem a duração de sete dias. Na Páscoa realiza-se a Festa do Círio dos Marítimos, com início no Sábado de Aleluia e prolongando-se por mais três dias, até Terça-feira.

PolíticaEditar

Eleições autárquicasEditar

Data % V % V % V % % V
PS APU/CDU PSD CDS PSD-CDS
1976 45,85 3 43,51 2
1979 25,29 1 54,73 4 12,99 -
1982 34,97 2 49,70 3 AD AD
1985 36,75 2 57,89 3
1989 35,88 2 47,47 3 13,77 -
1993 35,10 2 48,91 3 10,63 - 2,15 -
1997 38,69 2 50,42 3 6,61 - 1,44 -
2001 47,34 4 37,35 3 PSD-CDS PSD-CDS 10,15 -
2005 34,69 3 46,25 4 10,46 - 2,11 -
2009 30,76 2 52,42 5 9,35 - 1,94 -
2013 16,79 1 53,45 5 8,02 - 13,61 1
2017 34,41 3 32,12 2 PSD-CDS PSD-CDS 23,65 2

Eleições legislativasEditar

Data %
PCP PS PSD CDS UDP APU/

CDU

AD FRS PRD PSN B.E. PAN PàF L CH IL
1976 45,47 31,61 6,74 2,93 2,07
1979 APU 23,88 AD AD 4,30 48,23 18,63
1980 FRS 2,82 44,73 19,70 27,15
1983 34,28 9,95 3,20 1,88 46,61
1985 18,80 12,61 2,86 1,92 38,81 21,03
1987 CDU 20,41 27,92 1,54 1,77 33,64 10,08
1991 30,40 31,37 2,11 27,25 0,81 1,77
1995 47,62 16,23 5,61 1,17 24,63 0,15
1999 47,62 15,19 5,07 25,60 0,20 2,43
2002 43,14 24,33 6,64 19,01 3,38
2005 45,25 16,10 4,22 20,29 8,84
2009 34,66 17,09 9,29 19,49 12,74
2011 23,84 28,03 13,81 18,34 6,43 1,29
2015 33,06 PàF PàF 17,25 12,42 1,64 26,67 1,16
2019 37,21 17,59 4,80 13,53 10,16 3,97 1,32 2,14 1,64

Personalidades alcochetanasEditar

GeminaçõesEditar

A vila de Alcochete é geminado com a seguinte cidade:[8]

Referências

  1. a b c Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013.
  2. INE (2013). Anuário Estatístico da Região Lisboa 2012 (PDF). Lisboa: Instituto Nacional de Estatística. p. 26. ISBN 978-989-25-0216-8. ISSN 0872-8984. Consultado em 29 de novembro de 2014 
  3. Instituto Geográfico Português (2013). «Áreas das freguesias, municípios e distritos/ilhas da CAOP 2013». Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013. Direção-Geral do Território. Consultado em 28 de novembro de 2013. Arquivado do original (XLS-ZIP) em 9 de dezembro de 2013 
  4. INE (2012). Censos 2011 Resultados Definitivos – Região Lisboa (PDF). Lisboa: Instituto Nacional de Estatística. p. 98. ISBN 978-989-25-0185-7. ISSN 0872-6493. Consultado em 15 de abril de 2014 
  5. INE (2012). «Quadros de apuramento por freguesia» (XLSX-ZIP). Censos 2011 (resultados definitivos). Tabelas anexas à publicação oficial; informação no separador "Q101_LISBOA". Instituto Nacional de Estatística. Consultado em 27 de julho de 2013 
  6. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  7. INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros
  8. http://www.anmp.pt/anmp/pro/mun1/gem101l0.php?cod_ent=M2890

Ligações externasEditar

 
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