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Benguela (província)

É uma das 18 províncias de Angola, localizada na região central do país.
Benguela
Localidade de Angola Angola
(Província)
Angola - Benguela.svg

Localização de Benguela em Angola.
Dados gerais
Fundada em 1617 (402 anos)
Gentílico benguelino
Município(s) Baía Farta, Balombo, Benguela, Bocoio, Caimbambo, Catumbela, Chongoroi, Cubal, Ganda e Lobito
Características geográficas
Área 39.827 km²
População 2.477.595[1] hab. (2018)

Dados adicionais
Prefixo telefónico +244
Sítio [1]
Projecto Angola  • Portal de Angola

Benguela é uma das 18 províncias de Angola, localizada na região central do país. Tem como capital a cidade e município de Benguela.

Segundo as projeções populacionais de 2018, elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatística, conta com uma população de 2.477.595 habitantes e uma área de 39.827 km², sendo a província mais populosa da faixa central da nação.[1][2]

A província é constituída pelos seguintes municípios: Baía Farta, Balombo, Benguela, Bocoio, Caimbambo, Catumbela, Chongoroi, Cubal, Ganda e Lobito.

EtimologiaEditar

O termo "Benguela" seria de origem umbunda, de raíz original nos termos "venga" ou "mbenga", do verbo "okuvenga" ou "okuvengela" que em português significa "sujar, turvar ou sujar-lhe", significado associado à água do rio Catumbela; pode significar também "escuro ou opaco", relacionado à floresta fechada anteriormente circundante à baía das Vacas.[3]

Ainda existe a teoria que associa ao topónimo "Mbegela", nome de um rei do primitivo reino de Benguela, que existiu de maneira independente até à véspera dos primeiro contactos com os portugueses, quando tornou-se vassalo. Em todo o caso, "Benguela" foi um nome aportuguesado e fortemente convencionado, de maneira que os termos originais são estranhos na contemporaneidade.[3]

HistóriaEditar

Depois das comunidades pré-históricas, a difusão etnolinguística banta, em virtude do tráfico de escravos, veio criar as premissas institucionais que permitiram a instalação, entre 1615 e 1975, de povos doutras regiões do continente ou doutros continentes, como sejam portugueses, holandeses, franceses brasileiros, árabes, judeus e senegalenses.

A partir de 1578, deu-se a fixação portuguesa na região da província de Benguela, perto da actual Porto Amboim. A fixação portuguesa marcou o início da exploração da região sul de Angola.[3]

Capitania e reinoEditar

 Ver artigo principal: Reino de Benguela

Em 1615 o reino de Benguela, até então uma pequena entidade política ovimbunda com domínio sobre a região da baía das Vacas, torna-se vassalo de Portugal, anexando várias ombalas do litoral e interior próximo. A constituição desse reino expandido vinha como resposta ao contexto vigente e necessidade na época, então identificada pela coroa lusa, de fazer a ligação por terra entre a costa ocidental africana e Moçambique, visando a fortificação e consolidação do reino de Portugal. Mesmo com o reino de Benguela anexando várias ombalas, a organização política dos ovimbundos no litoral sempre foi mais fraca do que aquela observada no Planalto Central de Angola.[3]

Por essa altura, Angola ficou geograficamente estruturada por "quatro reinos" principais e uma miríade de estados satélites, sendo os principais o reino do Congo, o reino de Angola, o reino Lunda e o de Benguela (até então o único vassalo de Portugal), este último com regime administrativo de tipo autónomo, sob liderança conjunta de um rei local. Criou-se em 1617 oficialmente a "capitania de Benguela",[4] para servir de entidade administrativa colonial junto ao reino de Benguela, tendo um governador com a função de capitão-tenente.[3] Montado o arcabouço político-militar, os representantes coloniais massacraram e submeteram à escravidão as populações vandombe de Cingongo (cujo sistema sociopolítico, por serem povos pastores, era instável) e edificaram um presídio.[5]

Contudo, não se verificaria a possibilidade da exploração da região como se previu, nem a localização da cidade foi a mais favorável, pela existência de pântanos e de um subsolo cujo principal recurso era o cobre, de qualidade aquém da esperada. Nestas condições, emergindo entre quintalões mercantis, desenvolveu-se um entreposto comercial, alimentado pelos armadores negreiros, que tomou a designação de Ombaca, do qual se ergueu a configuração arquitectónica da capital provincial de Benguela. Até ao século XIX a rota saída de Ombaca interligava-se com o resto do sertão através do reino Bailundo ou passando por Caconda, Quiaca, Quipeio, Huambo e Sambú, tendo em vista alcançar os trabalhadores covongos, que eram importantes guias sertanejos e tropeiros do Bié, que davam acesso ao resto de África.

Século XIXEditar

 Ver artigo principal: Distrito de Benguela
 
Assentamento da linha de decauville na fazenda Boa Vista, na província de Benguela, em 1910.

O "distrito de Benguela" foi criado em substituição à "capitania de Benguela" em 1779, como resposta às pretensões coloniais francesas, britânicas e belgas em Angola, com jurisdição sobre todo o sul da colônia;[4] a partir de 19 de abril de 1849, Angola passou a contar com 3 distritos: Luanda, Benguela e Moçâmedes. Mais tarde foram criadas em Benguela as vilas do Bocoio, do Balombo e da Ganda.[6]

Em 1885, as diversas potências europeias colonizadoras assinaram os acordos da Conferência de Berlim nos quais foram estabelecidos os tratados com vista a delimitar os vários territórios de África. Além da progressiva definição da fronteira de Angola, através de acordo pontuais com os países colonizadores vizinhos, os acordos previam a instalação de um governo efectivo do território, o que implicou uma intensificação da ocupação militar e um aumento dos incentivos à fixação de agricultores no interior do país, sob pena de perda do reconhecimento do direito à colónia pelos restantes países europeus, essencialmente França, Holanda, Alemanha, Bélgica e Inglaterra.[6]

A industrialização regional iniciada no final do século XIX, com as fábricas de açúcar, o porto do Lobito e o Caminho de Ferro de Benguela, foi atraindo uma mão-de-obra variada de diferente partes do mundo. Com a mudança das estratégias de penetração europeia, a partir de meados do século XIX, assistiu-se a uma escalada de conflitos em todo o território angolano, excepto em Cabinda, por respeito aos tratados de protecção assinados com os portugueses. A província de Benguela chegou a ser a base de operações da Segunda Guerra Luso-Ovimbundo.[7]

A fundação da cidade do Lobito em 1913 teve uma motivação diferente, uma vez que ocorreu como resposta á geopolítica internacional, através do investimento na área dos transportes, que se traduziu na construção do Caminho de Ferro de Benguela e do porto do Lobito, para ligar o interior de África á Europa colonizadora. A queda de cotação internacional do sisal mudou o rumo de Benguela. A reconversão da actividade económica foi feita através de uma aposta na pesca. A costa de Benguela é muito rica em recursos piscatórios e o desenvolvimento da actividade pesqueira levou ao crescimento da população residente.

Século XXEditar

A partir de 1940 povos de outras origens, como os alemães, cabo-verdianos e são-tomenses fluíram em grande escala para a região. As populações de origem europeia emigravam por causa da guerra, esse mesmo motivo fazia as populações do interior do país migrarem para o litoral.[8]

No processo que levou a independência de Angola, a província foi área de grandes conflitos tornando-se mais intensos com a aproximação de novembro de 1975 quando, durante a operação Savana, a Força de Defesa da África do Sul tomou as principais cidades da província e as entregou às tropas da UNITA. Durante o ano de 1976 o MPLA e Cuba, inseridos na operação Carlota, conseguem recuperar parcialmente a província benguelina.[9]

GeografiaEditar

A província de Benguela limita-se [8] norte com a província do Cuanza Sul, a leste com a província do Huambo a sudeste com a província da Huíla, a sudoeste com a província do Namibe e a oeste com o Oceano Atlântico

DemografiaEditar

A grande maioria da população pertence hoje à etnia dos ovimbundos, mas os diferentes grupos — mundombes, muanhas, gandas, lumbos, quilengues — foram em geral "umbundizados" apenas no século XIX.[10][11] Como consequência da Guerra Civil Angolana e do êxodo rural que esta desencadeou, muitos ovimbundos de outras regiões, nomeadamente da província do Huambo, migraram para as cidades de Benguela e do Lobito que, como todas as grandes cidades de Angola, cresceram enormemente nas últimas décadas.

A principal língua falada na província é o português, sendo registrado a variante dialeto benguelense, um dos quatro que há dentro do português angolano.[5][12] Já entre as tradicionais a presença maior é da língua umbunda.[13]

EconomiaEditar

 
Falésias da praia de Baía Azul, na baía da Caota, na província de Benguela.

Agropecuária e extrativismoEditar

O setor agropecuário da província de Benguela concentra-se na produção de algodão, açúcar, café, bananas, feijão, e horticultura. Os rebanhos de maior volume são os de suínos e bovinos. O extrativismo concentra-se na pesca artesanal e industrial.[14]

Indústria e mineraçãoEditar

O setor industrial provincial está assentado na metalurgia, reparos de embarcações, refino de petróleo, materiais de construção, têxtil (confecção de sisal) e produtos alimentares. Na agroindústria existe o processamento da carne suína e bovina, além do beneficiamento do leite.[14]

A mineração assenta-se na extração mineral do tungsténio, da grafite, areia e outros minerais.[14]

Comércio e serviçosEditar

O setor de comércio é vital para a província, disponibilizando produtos básicos à população, além de ser uma grande fonte de arrecadação, na medida em que supre boa parte das províncias centrais angolanas através do Caminho de Ferro e das rodovias EN-250 e EN-260.[14]

Outra fonte de renda importante desse setor vêm das atividades ligadas ao turismo, concentradas basicamente nas praias marítimas de Lobito, Benguela e Baía Farta.[14]

Cultura e lazerEditar

Com um mosaico cultural muito rico, a província mantém algumas das mais importantes manifestações do país, e; alguns de seus patrimônios históricos e naturais estão entre os de maior valor da nação.

Festejos e manifestações culturaisEditar

Em Benguela há várias manifestações religiosas católicas de grande relevo, sendo as maiores a Procissão de Velas, em devoção de Nossa Senhora de Fátima,[15]; a Procissão do Corpo de Deus, em devoção ao Santíssimo Sacramento, e; as Solenidades dos Santos Pedro e Paulo, promovidos pela Paróquia de São Paulo da Bela-Vista de Lobito. Todas são capitaneadas pela Diocese de Benguela.

Outras festividades de grande relevo são as do carnaval de Benguela, Lobito e Catumbela.[16][17]

LazerEditar

Alguns dos principais pontos de lazer da província estão nas praias de Lobito, Baía Farta e Benguela, no Farol do Lobito, no Forte de São Sebastião do Egito, no Parque Regional de Chimalavera e na Restinga de Lobito.

Referências

  1. a b Schmitt, Aurelio. Município de Angola: Censo 2014 e Estimativa de 2018. Revista Conexão Emancipacionista. 3 de fevereiro de 2018.
  2. «Censo 2014 do INE de Angola». 2014. Consultado em 16 de Março de 2017 
  3. a b c d e Menezes, Bernardo Kessongo. Harmonização gráfica da toponímia do município de Benguela. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 2015.
  4. a b Freudenthal, Aida; Fernandes, José Manuel. Benguela, Angola: Enquadramento Histórico e Urbanismo. HPIP. [s/d].
  5. a b Manuel, Félix Chinjengue Matias. Aspetos do Português Falado em Benguela. Lisboa: Universidade de Lisboa - Faculdade de Letras, 2015.
  6. a b Distrito de Benguela: Divisão Administrativa. Edições ACIP. [s/d].
  7. Sungo, Marino Leopoldo Manuel. O reino do Mbalundu: identidade e soberania política no contexto do estado nacional angolano atual. Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Florianópolis, 2015.
  8. a b «Governo Provincial de Benguela». Consultado em 2 de Agosto de 2016 
  9. Ângelo, Fernando Cavaleiro. Os Flechas: A Tropa Secreta da PIDE/DGS na Guerra de Angola. Alfragide, Casa das Letras, 2016.
  10. Augusto Pereira Bastos, Traços gerais da etnografia do Distrito de Benguela, 2ª ed., Famalicão: Typographia Minerva, 1911.
  11. Alfred Hauenstein, Les Hanya: Description d'un groupe ethnique bantou de l'Angola, Wiesbaden: Steiner: 1967
  12. Angola. L'aménagement linguistique dans le monde. 6 de novembro de 2018.
  13. Língua Nacional Umbundo. Embaixada de Angola em Portugal. [s/d].
  14. a b c d e Benguela. Portal São Francisco. 2019.
  15. Benguela: Católicos realizam procissão de velas em devoção à Nossa Senhora de Fátima. Portal Angop. 13 de maio de 2015.
  16. Vencedor do Carnaval municipal de Benguela vai receber 500 mil kwanzas. Portald e Angola. 10 de fevereiro de 2016.
  17. Festas da Cidade de Benguela. Welcome to Angola. 2018.

Ligações externasEditar