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Eleições estaduais no Acre em 1978

As eleições estaduais no Acre em 1978 aconteceram sob as regras do Ato Institucional Número Três e do Pacote de Abril: em 1º de setembro ocorreu a via indireta e nela a ARENA elegeu o governador Joaquim Macedo, o vice-governador José Fernandes Rego e o senador José Guiomard. A fase seguinte sobreveio em 15 de novembro a exemplo dos outros estados brasileiros e nesse dia o partido governista elegeu o senador Jorge Kalume e obteve metade das cadeiras entre os seis deputados federais e dezoito estaduais que foram eleitos.[1][2][3][4][5][nota 1][nota 2]

1974 Brasil 1982
Eleições estaduais no  Acre em 1978
1º de setembro de 1978
(Eleição indireta)
15 de novembro de 1978
(Eleição direta)


Joaquim Falcão Macedo AC.jpg
Candidato Joaquim Macedo


Partido ARENA


Natural de Rio Branco, AC


Vice José Fernandes Rego
Votos 20
Porcentagem 60,61%


Brasão do Acre.svg
Governador do Acre

Membro de uma família de seringalistas, Joaquim Macedo nasceu em Plácido de Castro, mas fixou residência em Brasileia onde exerceu o ofício dos pais e foi comerciante. Filiado à UDN em 1945 assumiu a presidência do diretório acriano e a seguir formou-se técnico em contabilidade e técnico agrícola, exercendo o cargo de juiz de paz entre 1948 e 1951. Voltou à política no governo Jânio Quadros quando o presidente o nomeou prefeito de Brasileia em 1961. Com a elevação do Acre a estado no ano seguinte, foi nomeado secretário de estado Sem Pasta, secretário de Viação e Obras e diretor do Departamento de Estradas de Rodagem pelo governador Aníbal Miranda Ferreira da Silva. Eleito suplente de deputado estadual via PTB em 1962, voltou aos cargos que ocupava graças a José Augusto de Araújo e conservou-os no início do Regime Militar de 1964 ao integrar a equipe do governador Edgard Cerqueira. Suplente de deputado federal pela ARENA em 1966, chegou a exercer o mandato antes de voltar à Secretaria Sem Pasta no governo Jorge Kalume. Eleito deputado federal em 1970, amargou outra suplência em 1974 e no ano seguinte a maioria do MDB na Assembleia Legislativa do Acre vetou seu nome para assumir a prefeitura de Rio Branco. Entretanto foi escolhido governador pelo presidente Ernesto Geisel em 1978.[6][7][nota 3][nota 4] Para vice-governador a ARENA designou José Fernandes Rego, outrora secretário de Fomento Econômico no governo Geraldo Mesquita.[8][nota 5]

Mineiro de Perdigão, o militar José Guiomard cursou instituições como a Escola Militar de Barbacena, Escola Militar do Realengo e a Universidade Federal do Rio de Janeiro com especialização em Astronomia e Geodésia.[9] Posto a serviço do Ministério das Relações Exteriores, integrou a comissão de limites geográficos entre Brasil, Paraguai e Venezuela. Membro da Ação Integralista Brasileira até que o Estado Novo a extinguiu, foi procurador do extinto Território Federal de Ponta Porã até que o presidente Eurico Gaspar Dutra o nomeou governador do Acre. Eleito deputado federal pela respectiva unidade federativa pelo PSD em 1950, 1954 e 1958, foi autor da lei que elevou o Acre à condição de estado.[10] Derrotado ao disputar o governo acriano em 1962, elegeu-se senador no mesmo pleito graças à astúcia das "candidaturas múltiplas" e reeleito via ARENA em 1970 e 1978, neste último caso como senador biônico. Faleceu no Rio de Janeiro em 15 de março de 1983 vítima de broncopneumonia.[11][12][nota 6]

Houve grande alarido na eleição direta para senador onde ARENA e MDB lançaram candidatos em sublegenda e após uma disputa renhida a vitória coube ao arenista Jorge Kalume por meros 55 votos de diferença numa sucessão de fatos onde a oposição chegou a comemorar o triunfo de Alberto Zaire, porém o resultado oficial mudava conforme urnas eram impugnadas por irregularidades durante o pleito. Sob a alegação de fraude o MDB recorreu à Justiça Eleitoral, mas não obteve sucesso.[13] Nascido em Belém com ascendência síria, o empresário Jorge Kalume formou-se em Contabilidade em 1939 e na volta ao Acre fundou o Rotary Clube de Xapuri em 1948, mesma cidade onde presidiu a associação comercial. Eleito prefeito de Xapuri via PSD em 1955 e deputado federal em 1962, renunciou para assumir o governo do Acre em 1966 graças ao apoio do Regime Militar de 1964 quando já estava na ARENA. Derrotado por Adalberto Sena ao disputar uma cadeira no Senado Federal em 1974, ocupou a diretoria financeira do Banco da Amazônia e foi eleito senador em 1978.[14][15][16][nota 7]

Resultado da eleição para governadorEditar

Durante a referida eleição o MDB absteve-se e seus treze delegados não votaram na sessão do Colégio Eleitoral que escolheu os novos dirigentes do estado.[17]

Candidatos a governador do estado
Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Joaquim Macedo
ARENA
José Fernandes Rego
ARENA
-
ARENA (sem coligação)
20
60,61%
  Eleito

Resultado da eleição para senadorEditar

Mandato biônico de oito anosEditar

A eleição para senador biônico permitiu que José Guiomard conquistasse seu terceiro mandato consecutivo.[18][19][20][21][nota 8]

Candidatos a senador da República
Candidatos a suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
José Guiomard
ARENA
Altevir Leal[22][nota 9]
ARENA
Jorge Lavocat
ARENA
-
ARENA (sem coligação)
20
60,61%
  Eleito

Mandato direto de oito anosEditar

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral houve 62.429 votos nominais (88,84%), 4.575 votos em branco (6,51%) e 3.270 votos nulos (4,65%), resultando no comparecimento de 70.274 eleitores.[1][19][20][21][nota 10]

Candidatos a senador da República
Candidatos a suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Jorge Kalume
ARENA
[nota 11]
-
-
ARENA (em sublegenda)
22.736
36,42%
Alberto Zaire
MDB
[nota 11]
-
-
MDB (em sublegenda)
16.062
25,73%
Oscar Passos
MDB
[nota 11]
-
-
MDB (em sublegenda)
14.340
22,97%
Wanderley Dantas[nota 12]
ARENA
[nota 11]
-
-
ARENA (em sublegenda)
5.458
8,75%
Iris Célia Cabanellas Zannini
ARENA
[nota 11]
-
-
ARENA (em sublegenda)
3.048
4,88%
Clóvis Azevedo Maia
MDB
[nota 11]
-
-
MDB (em sublegenda)
781
1,25%
  Eleito

Deputados federais eleitosEditar

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[23][24]

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Nosser Almeida ARENA 8.100 Sena Madureira   Acre
Nabor Júnior MDB 7.761 Tarauacá   Acre
Amilcar de Queiroz ARENA 7.551 Rio Branco   Acre
Aluizio Bezerra MDB 7.069 Cruzeiro do Sul   Acre
Wildy Viana ARENA 6.647 Brasileia   Acre
Geraldo Fleming MDB 6.190 Campanha   Minas Gerais

Deputados estaduais eleitosEditar

Das dezoito vagas em disputa a ARENA e MDB obtiveram nove cada.

Deputados estaduais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Raimundo Herminio de Melo MDB 3.047
Geraldo Pereira Maia ARENA 2.949
Walter Prado ARENA 2.893
Francisco Taumaturgo MDB 2.647
Maria Pinho Pascoal MDB 2.486
Iolanda Fleming MDB 2.359 Manoel Urbano   Acre
Adalberto Aragão MDB 2.288
Edison Cadaxo MDB 2.096 Boca do Acre   Amazonas
Manoel Machado da Rocha MDB 1.974 Tarauacá   Acre
Félix Vale Pereira MDB 1.814
Railda Pereira da Silva ARENA 1.814
Altemir de Oliveira Passos ARENA 1.783
Hermelindo Guimarães Brasileiro ARENA 1.670
Raimundo Sales da Costa MDB 1.546 Sena Madureira   Acre
Alcimar Nunes Leitão ARENA 1.509
Félix Bestene Neto ARENA 1.432
Carlos Simão ARENA 1.336
Francisco Mendes de Souza ARENA 1.323

Notas

  1. Nos territórios federais do Amapá, Rondônia e Roraima o pleito serviu apenas para a escolha de deputados federais não havendo eleições em Fernando de Noronha.
  2. A Lei n.º 6.091 permitiu que os acrianos residentes no Distrito Federal votassem para senador, deputado federal e deputado estadual em 1978 remetendo às urnas ao estado de origem.
  3. Quando de seu nascimento o município de Plácido de Castro era parte de Rio Branco e quanto às instituições onde se graduou a Câmara dos Deputados não menciona quais são.
  4. Joaquim Macedo é cunhado de Wildy Viana e tio por afinidade dos políticos Jorge Viana e Tião Viana, os quais seriam eleitos governadores do Acre pelo PT nas décadas seguintes.
  5. Joaquim Macedo exerceu o mandato de deputado estadual durante a passagem de Nabor Júnior pelo cargo de secretário de Fazenda no governo Edgard Cerqueira.
  6. Sob a patente de major do Exército, José Guiomar governou o Acre entre 22 de fevereiro e 30 de junho de 1950.
  7. Em razão de sua renúncia ao mandato parlamentar para ocupar o governo do estado foi efetivado o suplente Albanir Leal.
  8. Quando um partido lançasse candidatura única a senador (regra sob medida para os "biônicos") seus suplentes seriam escolhidos em escrutínio separado respeitado o número de votos para definir a posição dos reservas na chapa.
  9. Comerciante nascido em Tarauacá, foi eleito suplente do senador Geraldo Mesquita em 1970 e assumiu o mandato cinco anos depois quando o titular tornou-se governador do Acre. Novamente eleito suplente de senador em 1978, foi efetivado após a morte de José Guiomard em 1983.
  10. Na soma das sublegendas a ARENA conquistou 31.242 votos (50,05%) contra 31.187 votos do MDB (49,95%).
  11. a b c d e f Havendo três candidatos por sublegenda os menos votados cumpririam o papel de suplente em relação ao vencedor por ordem de votação.
  12. Faleceu em Brasília em 24 de maio de 1982 vítima de embolia pulmonar.

Referências

  1. a b «Banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral». Consultado em 4 de junho de 2018 
  2. «BRASIL. Presidência da República: Ato Institucional Número Três». Consultado em 4 de junho de 2018 
  3. «BRASIL. Presidência da República: Pacote de Abril». Consultado em 4 de junho de 2018 
  4. «BRASIL. Presidência da República: Lei n.º 6.091 de 15/08/1974». Consultado em 4 de junho de 2018 
  5. «Acervo digital Veja». Consultado em 4 de junho de 2018. Arquivado do original em 29 de outubro de 2013 
  6. «BRASIL. Presidência da República, lei nº 4.070 de 15/06/1962». Consultado em 5 de junho de 2018 
  7. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Joaquim Macedo». Consultado em 5 de junho de 2018 
  8. Mesquita só sabe quem será o vice (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 20/04/1978. Primeiro caderno, p. 04. Página visitada em 6 de junho de 2018.
  9. SANTOS, José Guiomard dos. Nova Enciclopédia de Biografias. v.5. Nova Friburgo: Planalto Editorial, 1979.
  10. «BRASIL. Presidência da República: Lei nº 4.070 de 15/06/1962». Consultado em 6 de junho de 2018 
  11. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado José Guiomard». Consultado em 6 de junho de 2018 
  12. «Senado Federal do Brasil: senador José Guiomard». Consultado em 6 de junho de 2018 
  13. Recurso do MDB no Acre (online). Folha de S. Paulo, 01/12/1978. Página visitada em 2 de junho de 2013.
  14. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Jorge Kalume». Consultado em 6 de junho de 2018 
  15. «Senado Federal do Brasil: senador Jorge Kalume». Consultado em 6 de junho de 2018 
  16. «Agência Senado: morreu nesta terça-feira o ex-senador Jorge Kalume». Consultado em 6 de junho de 2018 
  17. Eleitores do Acre erraram na pronúncia (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 02/09/1978. Primeiro caderno, p. 06. Página visitada em 5 de junho de 2018.
  18. Menos de dez mil votos elegeram 22 senadores (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 01/09/1978. Primeiro caderno, p. 04. Página visitada em 4 de junho de 2018.
  19. a b «BRASIL. Presidência da República. Decreto-lei nº. 1.541 de 14/04/1977». Consultado em 4 de junho de 2018 
  20. a b «BRASIL. Presidência da República. Decreto-lei nº. 1.543 de 14/04/1977». Consultado em 4 de junho de 2018 
  21. a b «BRASIL. Presidência da República. Lei nº. 6.534 de 23/05/1978». Consultado em 4 de junho de 2018 
  22. «Senado Federal do Brasil: senador Altevir Leal». Consultado em 6 de junho de 2018 
  23. «Página oficial da Câmara dos Deputados». Consultado em 8 de setembro de 2015. Arquivado do original em 2 de outubro de 2013 
  24. «BRASIL. Presidência da República: Lei nº 9.504 de 30/09/1997». Consultado em 8 de setembro de 2015