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Spirulina (suplemento dietético)

(Redirecionado de Espirulina)
Disambig grey.svg Nota: Se procura por outros significados do termo, veja Spirulina (desambiguação).
Espirulina em pó.
Comprimidos de espirulina.

Espirulina é um suplemento dietético obtido a partir de cianobactérias,[1] uma classe de organismos unicelulares anteriormente conhecida como "algas azuis".[2] As cianobactérias mais utilizadas pertencem ao género Arthrospira, com destaque para Arthrospira platensis e Arthrospira maxima, espécies que anteriormente estavam incluídas no género Spirulina, razão pela qual o nome «spirulina» (ou «espirulina») continua a ser utilizado para designar o suplemento nutricional delas obtido.[3][4]

Espirulina(matéria seca)
Valor nutricional por 100 g (3,53 oz)
Energia 1213 kJ (290 kcal)
Carboidratos
Carboidratos totais 23.9 g
 • Açúcares 3.1 g
 • Fibra dietética 3.6 g
Gorduras
Gorduras totais 7.72 g
 • saturada 2.65 g
 • monoinsaturada 0.675 g
 • poliinsaturada 2.08 g
Proteínas
Proteínas totais 57.47 g
 • Triptófano 0.929 g
 • Treonina 2.97 g
 • Isoleucina 3.209 g
 • Leucina 4.947 g
 • Lisina 3.025 g
 • Metionina 1.149 g
 • Cistina 0.662 g
 • Fenilalanina 2.777 g
 • Tirosina 2.584 g
 • Valina 3.512 g
 • Arginina 4.147 g
 • Histidina 1.085 g
 • Alanina 4.515 g
 • Ácido aspártico 5.793 g
 • Ácido glutâmico 8.386 g
 • Glicina 3.099 g
 • Prolina 2.382 g
 • Serina 2.998 g
Água 4.68 g
Vitaminas
Vitamina A equiv. 29 µg (4%)
- Betacaroteno 342 µg (3%)
- Luteína e Zeaxantina 0 µg
Tiamina (vit. B1) 2.38 mg (207%)
Riboflavina (vit. B2) 3.67 mg (306%)
Niacina (vit. B3) 12.82 mg (85%)
Ácido pantotênico (B5) 3.48 mg (70%)
Vitamina B6 0.364 mg (28%)
Ácido fólico (vit. B9) 94 µg (24%)
Vitamina B12 0 µg (0%)
Colina 66 mg (13%)
Vitamina C 10.1 mg (12%)
Vitamina D 0 UI (0%)
Vitamina E 5 mg (33%)
Vitamina K 25.5 µg (24%)
Minerais
Cálcio 120 mg (12%)
Ferro 28.5 mg (219%)
Magnésio 195 mg (55%)
Manganês 1.9 mg (90%)
Fósforo 118 mg (17%)
Potássio 1363 mg (29%)
Sódio 1048 mg (70%)
Zinco 2 mg (21%)
Link to USDA Database entry
Percentuais são relativos ao nível de ingestão diária recomendada para adultos.
Fonte: USDA Nutrient Database

UsosEditar

O emprego de espirulina para a alimentação não é novo, visto que existem evidências de que os astecas a consumiam, procedente do lago de Texcoco.[5] Culturas da região do lago Chade, como os Kanenmbu, também incluíam espirulina na sua dieta habitual na forma de bolos. Também os habitantes actuais das margens do Lago Chade extraem tradicionalmente espirulina, a que chamam dihé, para o seu próprio consumo, das charcas temporárias que se formam ao longo da margem das águas do lago. Em 2007 começou-se a explorar localmente de forma mais eficiente para comercialização como forma de obter rendimentos que permitam melhorar as condições de vida das mulheres mais pobres das localidades ribeirinhas.[6]

A partir da última metade do século XX começou a ser cultivada para uso industrial. ´É uma cultura adequada para zonas áridas onde a salinidade da água impeça ou dificulte o seu uso agrícola.

Actualmente o produto é consumido como suplemento nutricional, para o que se prepara em forma de comprimidos. O elevado conteúdo em proteínas de boa qualidade faz deste produto uma alternativa à proteína de soja no fabrico de rações, tanto para gados como para animais de estimação. Também é empregue como fonte dos pigmentos ficocianina e xantofila.

Por se tratar de um alimento rico e por se expandir ao contacto com a água do corpo, o consumo desta bactéria seca confere uma sensação de saciedade que inibe a fome. A humanidade conhece esta bactéria há séculos, mas foi na última metade do século XX que começou a ser empregada industrialmente. O seu cultivo industrial não se iniciou até 1962, no Chade.[5] Trata-se de um cultivo adequado para zonas áridas nas quais a salinidade da água a torna inapta para o seu emprego agrícola tradicional.

Directamente, o seu principal emprego é para a alimentação, principalmente na forma de pílulas ou tabletes de espirulina prensada. Os seus principais consumidores são os vegetarianos[carece de fontes?] devido a duas características: o seu elevado conteúdo em proteínas de alto valor biológico. Também se emprega como fonte de pigmentos como são a ficocianina ou xantofilas, ou de ácidos graxos poli-insaturados.[7][8][9][10] Devido ao alto conteúdo em proteínas, também se tem estudado a substituição de proteína de soja com spirulina para alimentação animal. Como tal, a spirulina é um exemplo de "proteína unicelular" ou "single cell protein". Além disto, também é utilizada como alimento para peixes.

Características nutricionaisEditar

Suas características nutricionais são as seguintes[11]:

  • Proteínas: ao redor de 65% do peso seco é constituído por proteínas. O mais importante é a sua composição em aminoácidos já que não só contém todos os essenciais, mas também a sua disponibilidade é muito alta. Por exemplo para a lisina se tem descrito até 85% de biodisponibilidade. A metionina é o aminoácido limitante na maioria das espécies
  • Hidratos de carbono: entre 8 e 14% principalmente na forma de polissacarídeos dos quais os monômeros principais são glucose, galactose, manose e ribose.
  • Lipídios: aproximadamente 6%, mas tanto as suas quantidades como composição variam em função das condições de cultivo, principalmente luz e nitrogénio. Se a luz for escassa aumentará o conteúdo de lípidos como reserva de energia.
  • Ácidos nucleicos: seu baixo conteúdo em ácidos nucleicos faz da espirulina um produto adequado para suplementação em pacientes com antecedentes ou predisposição à gota, visto que no metabolismos dos ácidos nucleicos se produz ácido úrico.
  • Vitaminas: por tratar-se de organismos fotoautótrofos, têm elevadas concentrações de pigmentos, entre eles β-caroteno, isto é, pró-vitamina A. Além disto, a Spirulina é o organismo não animal com maior conteúdo em vitamina B12 ou cobalamina, porém essa vitamina é análoga. Não é uma vitamina B12 ativa em seres humanos, ela apenas é dosada no sangue como se fosse a verdadeira, não sendo uma fonte segura.[12]

Os suplementos à base de espirulina contêm, em média:[13]

  • Proteínas: cerca de 57% em peso seco.
  • Glúcidos: entre 8% e 14%, principalmente na forma de polissacarídeos.
  • Lípidos: aproximadamente 6%, variável tanto em quantidade como na composição em função das condições de cultivo, principalmente luz e azoto. Se a luz é escassa aumentará o conteúdo de lípidos como reserva de energia.

A espirulina contém maioritariamente uma substância semelhante à vitamina B12, mas sem valor como vitamina, e apenas uma parte muito pequena da vitamina. Tal significa que não é uma fonte confiável deste nutriente, e naõ deve ser usada como suplemento em caso de deficit desta vitamina. [14]

A publicidade dos suplementos à base de espirulina afirma que o produto tem efeitos antialérgicos, antioxidantes, reguladores da pressão arterial e do colesterol, entre outros. Existem alguns estudos sobre estes efeitos em humanos, mas são escassos e as amostras que lhe serviram de base são muito reduzidas, pelo que no presente não pode ser assegurada com certeza a sua utilidade para qualquer destas indicações. [15][16][17]

Comprovação científica ainda insuficienteEditar

Apesar de existirem alguns estudos científicos sobre Spirulina, pode afirmar-se que seus supostos benefícios (como emagrecimento) ou malefícios (como problemas no fígado) ainda carecem de um conjunto de publicações para que, com rigor científico, seja possível atestá-los.[1]

ReferênciasEditar

  1. «Espirulina: el nuevo alimento milagro». ELMUNDO (em espanhol). Consultado em 13 de setembro de 2017 
  2. Margulis, L. y Sagan, D. 2002. Acquiring genomes. A theory of the origins of species. Perseus Books Group, Boston ISBN 0 46504 391 7
  3. Ciferri, O. (1983). "Spirulina, the edible microorganism". Microbiological reviews 47 (4): 551–578. PMC 283708. PMID 6420655.
  4. Vonshak, A. (ed.). Spirulina platensis (Arthrospira): Physiology, Cell-biology and Biotechnology. London: Taylor & Francis, 1997.
  5. a b JOURDAN, J.P. Cultivez votre spiruline – manuel de culture artisanale, 1996. Capturado em 20 mar. 2004. Online. Disponível na Internet www.spirulinasource.com
  6. «Nutrient-rich algae from Chad could help fight malnutrition» (em Inglés). Consultado em 15 de setembro de 2017 
  7. BECKER, W. Microalgae in human and animal nutrition. In: RICHMOND, A. (Ed). Handbook of microalgal culture: biotechnology and applied phycology. London: Blackwell Science, 2004. p.312-351.
  8. BECKER, E.W. Micro-algae for human and animal consumption. In: BOROWITZKA, M.A.; BOROWITZKA, L.J. (Eds). Micro-algal biotecnology. Cambridge: Cambridge University, 1988. p.222-256.
  9. COLLA, L.M. et al. Fatty acids of Spirulina platensis grown under different temperatures and nitrogen concentrations. Zeitschrift für Naturforschung, v.59c, p.55-59, 2004.
  10. PULZ, O.; GROSS, W. Valuable products from biotechnology of microalgae. Applied Microbiology Biotechnology, v.65, p.635-648, 2004.
  11. ABALDE, J. et al. Microalgas: cultivo e aplicaciones. España: Universidade da Coruña, 1995. 210p. (Monografías n.26).
  12. Watanabe; et al. «Pseudovitamin B12 Is the Predominant Cobamide of an Algal Health Food, Spirulina Tablets». 6 de outubro de 1999. Consultado em 6 de abril de 2010 
  13. Abalde, J.; Cid, A.; Fidalg o, P.; Torres, E.; Herrero, C. (1995). Microalgas: cultivo y aplicaciones 
  14. Watanabe F (2007) "Vitamin B12 sources and bioavailability." PMID 17959839
  15. Cingi C et al. (2008) "The effects of spirulina on allergic rhinitis." PMID 18343939
  16. Torres-Durán et al. (2007) "Antihyperlipemic and antihypertensive effects of Spirulina maxima in an open sample of Mexican population: a preliminary report." PMID 18039384
  17. Park HJ et al. (2008) "A randomized double-blind, placebo-controlled study to establish the effects of spirulina in elderly Koreans." https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18714150

Ligações externasEditar