Gérson de Oliveira Nunes

futebolista brasileiro

Gérson de Oliveira Nunes (Niterói, 11 de janeiro de 1941) é um ex-futebolista brasileiro que atuava como meio-campista. Jogou em diversos clubes brasileiros de futebol, tendo passagem destacada no Flamengo, no Botafogo, no São Paulo e no Fluminense. Eleito o segundo melhor jogador da Copa do Mundo de 1970[3], ele é considerado um dos maiores jogadores da história do futebol. Era capaz de fazer lançamentos de mais de quarenta metros de distância, colocando com precisão a bola onde quisesse. Era sensacional e incrível sua habilidade de executar lances tão complicados com tamanha facilidade.[4][5]

Gérson
Gérson
Informações pessoais
Nome completo Gérson de Oliveira Nunes
Data de nasc. 11 de janeiro de 1941 (79 anos)
Local de nasc. Niterói (RJ), Brasil
Nacionalidade brasileiro
Altura 1,70 m
Canhoto
Apelido Papagaio
Canhotinha de Ouro[1]
Informações profissionais
Período em atividade 1959–1974 (15 anos)
Posição Meio-campista
Clubes de juventude
1956
1957
1958
São Domingos
Canto do Rio
Flamengo
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos e gol(o)s
1959–1963
1963–1969
1969–1972
1972–1974
Flamengo
Botafogo
São Paulo
Fluminense
00147 000(83)
00248 000(96)
00075 000(11)
00054 0000(4)
Seleção nacional
1961–1972 Brasil 00070 000(14)[2]

CarreiraEditar

Gérson nasceu em Niterói e o início do gosto pela bola foi nas peladas da praia de Icaraí. Posteriormente, foi convidado a trocar a areia pelo gramado do campo de futebol.

Aos 16 anos, no ano de 1957, começou a jogar no Canto do Rio, time da cidade de Niterói que disputa o Campeonato Carioca. Já menino, se destacava pela qualidade que viria ser a sua maior virtude no futebol: a precisão cirúrgica dos seus lançamentos. Convidado por Modesto Bria, um paraguaio que foi tricampeão pelo Flamengo e depois virou técnico, foi treinar na Gávea em 1958 e imediatamente ganhou uma vaga no ataque do juvenil.

Em 1959, Gérson já fazia parte do elenco de profissionais, exatamente quando conquistou seu primeiro título na carreira. No rubro-negro, o canhotinha permaneceu até o ano de 1963, quando novamente foi campeão carioca.

No Botafogo, Gérson ganhou a definitiva projeção e o título de bi-campeão carioca nos anos de 1967 e 1968, além do Campeonato Brasileiro, conquistado também em 1968.

Pelo glorioso, Gérson atuou ao lado de grandes jogadores como Garrincha, Jairzinho, Roberto Miranda, Paulo Cézar Caju e o goleiro Manga.

Em 17 de julho de 1969, Gérson foi negociado com o São Paulo assinando um contrato de dois anos. Com quase 30 anos de idade, ajudou o tricolor na conquista do bi-campeonato paulista de 1970/1971.

O canhotinha de ouro deu ao tricolor a estabilidade tão necessária para conseguir superar a ausência de títulos que já durava treze longos anos. Pelo tricolor, Gérson travou duelos inesquecíveis enfrentando os companheiros de seleção Rivellino e Pelé.

Gérson foi símbolo de uma época de renascimento pelos lados do Morumbi, que manteve a tradição tricolor de buscar e acreditar em jogadores veteranos, assim como já tinha acontecido com Sastre e Zizinho.

Em 1972, Gérson voltou ao Rio de Janeiro e realizou o sonho de jogar pelo Fluminense, seu time de coração. No tricolor das laranjeiras foi campeão carioca de 1973 encerrando a carreira no ano de 1974.

Quando jogava, Gérson tinha o apelido de "Papagaio" entre seus companheiros atletas, pois sempre gostou de falar muito.

Em 11 janeiro de 2018, o site da CBF publicou um artigo parabenizando Gérson pelos 77 anos de idade, e agradeceu por sua contribuição na história do futebol nacional e da Seleção Brasileira.[6]

Seleção BrasileiraEditar

Durante o período que atuou pela Seleção Brasileira, disputou 87 jogos (17 não oficiais) e marcou 19 gols (5 não oficiais) e foi campeão na Copa do Mundo de 1970.[2]

Estilo de JogoEditar

Embora Gérson jogasse como meio-campista, o jornalista inglês Jonathan Wilson observou em um artigo de 2013 para o The Guardian que ele foi um exemplo precoce de um intérprete mais criativo desse papel, que se concentrou mais na retenção e passe de bola, em vez de apenas tentar recuperar a posse de bola. [7] Um jogador de meio-campo taticamente inteligente, eficiente e tecnicamente talentoso, foi considerado o "cérebro" por trás da seleção brasileira que venceu a Copa do Mundo de 1970. Ele era conhecido por sua capacidade de reter a posse e ditar o ritmo do jogo de sua equipe no meio-campo com seu passe preciso, e também era capaz de mudar da defesa para o ataque, jogando bolas longas repentinas e precisas para atender às jogadas de seus companheiros; ele é considerado um dos melhores jogadores da história do esporte e um dos maiores jogadores de todos os tempos no Brasil. Ele também possuía um excelente senso de posição e um chute poderoso com o pé esquerdo, que lhe valeu o apelido de Canhotinha de Ouro. Na Copa de 1970, foi considerado o segundo melhor jogador pela FiFa, tendo disputado apenas 3 partidas ( estréia contra a Tchecoslováquia, semifinal contra o Uruguai, e a Final contra a Itália. [8][9][10][11][12][13][14][15]

Comentarista esportivoEditar

Depois de encerrar a carreira, tornou-se comentarista de futebol da Rádio Globo, foi comentarista da Band ao lado, entre outros, do narrador Januário de Oliveira nos anos 90. Também participou do programa Mesa Redonda Rio da Rede CNT, e do programa Os Donos da Bola na Band Rio. Em 2012 deixa a Rádio Globo e foi para a Bradesco Esportes FM ao lado dos amigos Gilson Ricardo e José Carlos Araújo. No fim de 2013, Gérson se transfere para a Transamérica ao lado dos amigos Gilson e José Carlos. Em agosto de 2014, deixa a Band e se transfere para o SBT Rio ao lado de Garotinho, Gilson e Dé, o Aranha. Torcedor do Fluminense, nunca escondeu seu amor pelo clube em seus comentários, temperados com bom humor e um constante sorriso. Coordena uma escola de futebol, participando de diversos projetos esportivos em Niterói, sua cidade natal, onde morou quase toda a sua vida. Em 2015 Gérson passou a integrar a equipe de esportes da Super Rádio Tupi ao lado de Garotinho e Gilson.

Apesar de ter iniciado profissionalmente na Gávea e, tendo assim as portas abertas para o futebol, é notória a sua antipatia pelo Flamengo, sempre ressaltando a um colega da Rádio Tupi, que irá torcer pelo Flamengo, mas deixando a entender que contra.

ControvérsiasEditar

Lei de GérsonEditar

Gérson também ficou famoso nos anos 70 por protagonizar uma campanha publicitária do cigarro Vila Rica, na qual dizia "Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também...". Essa frase presumidamente resumiria a suposta malandragem brasileira e acabou caindo na cultura midiática como o símbolo do "jeitinho" desonesto de ser e da corrupção, ficando conhecida como Lei de Gérson. Após a associação maliciosa e indevida, ele se lamentou publicamente, em diversas ocasiões, de ter seu nome ligado a esses defeitos associados pela cultura midiática ao povo brasileiro.[16][17][18]

Aquilo ali foi o seguinte. Eu fiz uma propaganda. Fui um artista ali, como tantos outros que estavam ali. Foi um filme. Como eu fumava... nós pegamos 5 a 10% do mercado daquela época. E a ideia foi essa, a de levar vantagem em tudo porque esse cigarro era mais barato que os outros. Todo cigarro é igual, não é? Mas esse aqui é melhor porque é mais barato. Eu tô fazendo propaganda para quem fuma, não é pra quem não fuma, naturalmente. Aí eles pegaram essa vantagem como se fosse pernada nos outros, passar os outros para trás. Quer dizer: idiota tem em tudo que é lugar. Pegaram isso e me carimbaram com isso aí. A minha vida foi num campo de futebol com 180 mil. Mas uns idiotas colocaram isso, que se você está numa fila e o cara entrou aqui "oh, levou vantagem. É a lei do Gerson". Lei do cacete, porra. Não tenho nada com isso aí. Não gosto dessa política safada que eles fazem aí. Mas tô bancando tudo isso porque sai do meu bolso também. Do nosso. Então quem é que está levando vantagem? Eu passo por cima, está tudo certo. Quem me conhece sabe quem eu sou e acabou. O resto não importa mais. Já importou, hoje não.[19]
Gerson, em entrevista ao GloboEsporte.com

Lista dos 125 Melhores Futebolistas do PeléEditar

Gérson não gostou da Lista elaborada por Pelé com os melhores futebolistas de todos os tempos. Ele foi inflexível com a decisão e achou que ele e alguns de seus colegas de equipe mereciam um lugar na lista. Ele rasgou simbolicamente um pedaço de papel que continha a lista do Pelé em uma emissora local dizendo: "Eu respeito a opinião dele, mas não concordo. Além de Zidane, Platini e Fontaine, não estou nesta lista que tem 11 franceses? É uma piada ouvir isso."[20]

Entrada dura no peruano De La TorreEditar

Num jogo Brasil x Peru em 1969, Gerson deu uma entrada violenta no meia do Peru, fraturando a perna do mesmo. Depois disso, De La Torre nunca mais conseguiu jogar como antes.[19]

Segundo Gerson, essa dividida foi um troco do que o meia peruano tinha feito no jogo anterior. "Com o De La Torre, a bronca foi lá no Peru. Tudo começou lá. Ele me deu uma pancada sem bola e eu não consegui deixar lá. E aí, quando tive a oportunidade, foi aqui no Maracanã. E ele deu azar. Pronto, acabou. Azar foi dele dessa vez. Foi pior que o meu azar. Ele era (violento). E eu também tive que entrar."[19]

TítulosEditar

Flamengo
Botafogo
São Paulo
Fluminense
Seleção Brasileira

Conquistas IndividuaisEditar

  • 2o Melhor Jogador (FIFA World Cup Silver Ball) da Copa do Mundo de 1970[3]
  • Incluído na Seleção da Copa do Mundo de 1970
  • Incluído na lista "The 100 Greatest Footballers of All Time" da revista World Soccer[21]
  • Induzido no Hall da Fama do Futebol Brasileiro.Brazilian Football Museum Hall of Fame

Referências

  1. «Gérson, O Canhotinha de Ouro...Ex-meia do Botafogo, Flamengo, São Paulo e Flu». Terceiro Tempo. Consultado em 30 de novembro de 2018 
  2. a b «Todos os brasileiros 1966». Folha de São Paulo. 9 de dezembro de 2015. Consultado em 15 de novembro de 2018 
  3. a b footballwhispers.com/ 10 greatest Brazilian footballers of all time
  4. Max Towle (9 de maio de 2013). «25 Most Skilled Passers in World Football History». Bleacher Report. Consultado em 28 de março de 2019 
  5. Sam Tighe (19 de março de 2013). «50 Greatest Midfielders in the History of World Football». Bleacher Report. Consultado em 28 de março de 2019 
  6. «Campeão em 70, Gérson completa 77 anos». cbf.com.br. 11 de janeiro de 2018. Consultado em 30 de novembro de 2018 
  7. Wilson, Jonathan (18 December 2013). «The Question: what does the changing role of holding midfielders tell us?». The Guardian. Consultado em 31 October 2014  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  8. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs de nome 1970FWC
  9. Brian Viner (13 July 2009). «Great Sporting Moments: Brazil 4 Italy 1, 1970 World Cup final». The Independent. Consultado em 28 March 2019  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  10. «Brazil's greatest midfielders». Sky Sports. 2 July 2010. Consultado em 28 March 2019  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  11. Max Towle (9 May 2013). «25 Most Skilled Passers in World Football History». Bleacher Report. Consultado em 28 March 2019  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  12. Sam Tighe (19 March 2013). «50 Greatest Midfielders in the History of World Football». Bleacher Report. Consultado em 28 March 2019  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  13. Gary Thacker (10 October 2017). «Gérson: the brain of Brazilian football». thesefootballtimes.co. Consultado em 28 March 2019  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  14. Christopher Atkins (15 January 2013). «Pele and the 20 Greatest Brazilian Footballers of All Time». Bleacher Report. Consultado em 28 March 2019  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  15. Salvatore Lo Presti. «GERSON de Oliveira Nunes» (em Italian). Treccani: Enciclopedia dello Sport (2002). Consultado em 28 March 2019  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  16. «O comercial da Lei de Gerson». Almanaque da Comunicação. Consultado em 10 de agosto de 2011. Arquivado do original em 25 de janeiro de 2010 
  17. «Viva a lei de Gérson!». Superinteressante. Fevereiro de 2004. Consultado em 10 de agosto de 2011. Arquivado do original em 1 de março de 2009 
  18. «Como é difícil revogar a Lei de Gérson». Prosa e Política 
  19. a b c globoesporte.globo.com/ Canhota sem filtro: basta no cigarro, paz com Pelé e ira com Lei de Gerson
  20. «Copacabana.info, Pele list of greatest living football players». Consultado em 23 August 2011. Cópia arquivada em 2 October 2011  Parâmetro desconhecido |url-status= ignorado (ajuda); Verifique data em: |acessodata=, |arquivodata= (ajuda)
  21. World Soccer: The 100 Greatest Footballers of All Time Retrieved on 20 November 2015

Ligações externasEditar