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IGB Eletrônica

(Redirecionado de Gradiente (empresa))
IGB Eletrônica
Razão social EMPRESA BRASILEIRA DE TECNOLOGIA DIGITAL
Nome(s) anterior(es) Gradiente
Empresa de capital aberto
Cotação B3IGBR3
Indústria Eletroeletrônicos
Fundação 1964 (1964)
Fundador(es) Eugênio Staub
Sede Manaus, Amazonas
Área(s) servida(s) Brasil
Locais Manaus, São Paulo
Produtos
Valor de mercado R$112 5 milhões (6/3/2013)
Renda líquida Aumento R$ 282,387,000 00, (2012)
Website oficial www.gradiente.com

IGB Eletrônica é uma empresa brasileira de eletroeletrônicos. A empresa, fundada sob o nome Gradiente em outubro de 1964 no bairro Pinheiros em São Paulo, cresceu fortemente durante a década de 1970 devido principalmente a três fatores:

De uma fábrica de pequeno porte, a Gradiente transformou-se em um poderoso grupo do setor de eletroeletrônicos.

A Gradiente enfrentou problemas financeiros de 2007 até 2008. Além da concorrência mais acirrada, o que derrubou a empresa, segundo o próprio Eugênio Staub, foram dois outros fatores: a primeira foi a compra da Philco em 2005 por 60 milhões de reais. Dois anos depois, a empresa foi vendida por 22 milhões de reais, a fim de reduzir o rombo financeiro. Outro problema foram falhas administrativas que, em 2007, praticamente paralisaram a companhia.[1]

Desde 2007 a empresa entrou em processo de recuperação e voltou ao mercado brasileiro no primeiro semestre de 2012.[2]

Índice

HistóriaEditar

Consolidação da marcaEditar

Durante a década de 1970 e parte da década de 1980, o foco da empresa foi atender o mercado de produtos de áudio sofisticados. Seus equipamentos eram modulares consistindo-se de amplificadores, receptores, toca fitas (cassette decks), toca discos de vinil, etc. A Gradiente não oferecia aparelhos populares do tipo 3-em-1, isto é, aparelhos nos quais rádio-amplificador, toca fitas e toca discos são conjugados num único gabinete.

Esta filosofia, aliada às campanhas publicitárias, à imagem de modernidade com o lançamento de novos produtos como o toca discos óticos (CD player) ou digitais e a substituição periódica de linhas de equipamentos (obsolescência programada), consolidaram a marca como uma das mais importantes no setor de eletro-eletrônicos do Brasil.

Em 1979 a empresa lançou, como uma alternativa mais sofisticada aos 3-em-1, o conceito que chamou de “system”: um conjunto de equipamentos que consistia de receptor, toca-discos, toca fitas e um par de caixas acústicas vendidos num único pacote. Os equipamentos eram baseados nos aparelhos modulares, com pequenas diferenças de acabamento. Para a empresa havia a vantagem de se pagar um único imposto sobre todo o pacote. Foi uma ideia bem sucedida e a cada 2 anos, aproximadamente, a Gradiente atualizava a linha. Os systems duraram até cerca de 1987/88 quando a empresa passou a se concentrar nos equipamentos conjugados.

Em 1982/83 a empresa tomou a iniciativa de padronizar a largura e o projeto dos equipamentos modulares de forma que eles poderiam ser livremente escolhidos e empilhados harmoniosamente formando conjuntos ao gosto do comprador. Este conceito recebeu a designação comercial "compo", uma abreviação de "componente", pois cada equipamento era um componente do sistema.

Compra de outras marcasEditar

GarrardEditar

Esta tradicional marca inglesa foi adquirida em 1979. O objetivo era exportar os aparelhos Gradiente sob a marca Garrard que era internacionalmente reconhecida. As exportações foram iniciadas no começo da década de 1980 para os EUA e a Europa, mas o negócio não foi bem sucedido. Em entrevista a Paulo Markun (Playboy, jul-1990), o próprio Eugênio Staub, presidente da empresa, afirmou que o fracasso custou US$ 18 milhões.

Em 1997 a marca Garrard foi licenciada (ou vendida) para a Loricraft Audio, um grupo inglês que fabrica toca discos de vinil em pequena escala[3].

PolyvoxEditar

A Polyvox foi fundada por ex funcionários da Gradiente (dentre eles, o engenheiro Alberto Salvatore, considerado o cérebro eletrônico da Gradiente) e, durante muitos anos, tentou ser sua concorrente até ser adquirida em 1979. Pouco após a aquisição, os equipamentos TOP de Linha como a linha 5000 da Polyvox foram descontinuados em prol do Esotech da Gradiente, com uma linha disposta de vários aparelhos modulares como os amplificadores IA-II, A-II e HA-II, o pré-amplificador P-II, o tuner T-II, o equalizador E-II, o CD player LDP-II, os toca discos XP-II, RP-II e QT-II, os cassette decks SD-II e D-II (este de 3 cabeças), crossover de quatro canais CX-II, caixas acústicas RS-II e SS-II, além do receiver RC-II e dos racks AR-II, ER-II e RK-II. A Polyvox foi direcionada para o mercado de aparelhos populares: conjuntos integrados tipo 3-em-1 e rádio-gravadores. A partir de meados da década de 1980 os produtos com a marca Polyvox foram desaparecendo como deveria ter acontecido desde o início até que ela não foi mais usada. Atualmente não existe mais nenhum produto com esta marca, ainda que a Gradiente mantenha seu registro.

TelefunkenEditar

Quando esta marca foi adquirida em 1989, sua participação no mercado de televisores já era declinante. Aparentemente a Telefunken da Alemanha quis se desfazer do negócio no Brasil e a Gradiente tinha interesse numa fábrica de televisores. Assim, pouco após a aquisição da marca, os produtos Telefunken foram descontinuados e a Gradiente lançou televisores com sua própria marca.

PhilcoEditar

A marca que pertencia ao grupo Itaú foi adquirida em 9 de agosto de 2005. A incorporação da Philco permitiu à empresa melhorar a participação no mercado de televisores e DVD. Desde a aquisição da Telefunken a marca Gradiente nunca teve grande participação no mercado de vídeo. A Gradiente e a Philco, combinadas, detêm cerca de 18% de participação no mercado de televisores: Philco 10% e Gradiente 8%, segundo dados de 2004. Estes números aproximam a empresa das líderes do setor: Philips, LG e Semp-Toshiba.

Em setembro de 2007 a marca Philco foi vendida a um grupo de investidores estrangeiro (chinês). A Britânia, empresa de origem paranaense, fabricante de eletrodomésticos, alugou o uso da marca e teve o direito de usá-la por um período de 10 anos.

TecnologiasEditar

Além de aparelhos com projeto próprio a Gradiente sempre se valeu do uso de tecnologia de outros fabricantes. O uso de tecnologia de terceiros pode ser classificado em:

  • compra de aparelhos prontos de outros fabricantes (câmera de vídeo da Sony)
  • montagem de aparelhos de outras marcas (cassette decks e amplificadores Super-A da JVC)
  • modificação de aparelhos de outras marcas (cassete decks JVC)
  • adaptação de mecanismos de terceiros em aparelhos de design próprio (cassette decks Alpine e amplificadores JVC)

A utilização de tecnologia ou produtos de outros fabricantes ocorreu principalmente em razão da dificuldade de se projetar no Brasil aparelhos equipados com partes eletromecânicas, como é o caso dos cassette decks e dos toca-discos.

Por exemplo, os cassette decks de código CD (CD-5500, por exemplo) eram na realidade aparelhos JVC com pequenas diferenças de acabamento. Somente na década de 1980 é que a Gradiente lançou cassette decks com design próprio: são os aparelhos com código C (C-484, por exemplo) que utilizavam mecanismo da Alpine.

Algumas empresas que forneceram tecnologia à Gradiente:

  • JVC: foi uma das maiores parceiras fornecendo tecnologia para amplificadores, cassette decks, toca-discos e vídeo-cassetes
  • Funai: vídeo-cassete (V-11 e SV-21)
  • Pioneer: toca-discos (DD-I)
  • Yamaha: CD player (LDP-636, LDP-II e L-675)
  • Alpine: cassette decks da linha C
  • Sherwood: receiver áudio/vídeo

Produtos de vídeo e computadoresEditar

Em 1983 a empresa lançou o videogame Atari 2600 com licença oficial da Atari estadunidense num mercado infestado de clones não autorizados deste console.

Por 10 anos a Gradiente foi a revendedora oficial dos consoles da Nintendo no Brasil (e antes disso lançara um clone do NES, o Phantom System), inicialmente em parceria com a Estrela, chamada Playtronic, fundada em 1993. A Estrela saiu em 1996. Após um período sofrendo com a alta do dólar e tendo de impor altos preços, a Gradiente saiu do mercado em 2003, logo após ter lançado o Nintendo GameCube no Brasil.

Em 1985 a empresa entrou no ramo de computadores pessoais com o Expert que seguia o padrão MSX estabelecido por empresas japonesas. Tinha como concorrente o HotBit da Sharp. Fez grande sucesso na época, sendo considerado o melhor MSX nacional. Tinha como diferencial marcante o teclado separado da CPU. Infelizmente, na época, a Gradiente desenvolveu um padrão próprio de conexão de periféricos, como entradas para teclado e impressoras. Tal fato feria a concepção original do padrão MSX, o que foi considerado uma grande falha de projeto, pois a Gradiente deixou de vender muitos micros devido à incompatibilidade com hardwares presentes no mercado.

Em 1990, a empresa encerrou a fabricação do Expert e saiu do ramo de computadores. O retorno a este mercado só voltaria a ocorrer em 2002 com o lançamento do Oz. Este computador, no padrão PC, tinha apenas um design de gabinete diferenciado, não havendo novidades na parte eletrônica. O equipamento foi vendido por cerca de 1 ano, após o que a empresa novamente se retirou do ramo da microinformática.

Em 1988 ocorreu a estréia no mercado de videocassetes com 2 modelos projetados pela empresa japonesa Funai Electronics. A curiosidade é que o aparelho inicialmente era vendido em Miami, Nova York e Manaus. O Paraguai não era mencionado pela empresa, mas lá também era possível se adquirir o aparelho. A Gradiente alegava que a maioria dos videocassetes era adquirida no exterior e que o preço de seu aparelho ficava dentro da cota de importação. Posteriormente os videocassetes foram fabricados no Brasil com tecnologia da Funai e da JVC.

Em 1989 a empresa ingressa no mercado de televisores com a compra da Telefunken do Brasil. Desde então ela tem estado presente neste mercado sem nunca ter conseguido uma participação mais significativa.

Popularização da marcaEditar

Inicialmente foi feita uma tentativa de estabelecer a Polyvox como uma marca popular. Porém, o agravamento da crise econômica do Brasil que levou ao empobrecimento da classe média fez com que a própria marca Gradiente se popularizasse com o lançamento de aparelhos mais simples. Isto ocorreu por volta de 1987/88.

Os aparelhos modulares da linha "compo" foram desaparecendo e os "systems" foram substituídos por aparelhos conjugados verticais em que o receiver e o tape-deck eram montados num mesmo gabinete, mas de uma forma que mantinha a aparência de aparelhos modulares empilhados. Nos aparelhos mais simples, o toca-discos também era montado no mesmo gabinete. Os painéis de alumínio foram substituídos por plástico.

Atualmente, a empresa não mais fabrica equipamentos modulares de áudio, concentrando-se nos conjugados conhecidos como micro-systems e nos “home theater in a box”, que são aparelhos que conjugam DVD player e amplificador multicanal.

Crise e reestruturaçãoEditar

No início de 2007, a Gradiente enfrentou uma grave crise econômica, com uma dívida estimada em R$ 500 milhões. Devido à crise, a empresa suspendeu temporariamente o atendimento de alguns postos autorizados devido à pendência de peças para reparo. Em 2008 lançou um plano estruturação extrajudicial sendo aprovado em 2010. A solução para recolocar a empresa novamente no mercado. A solução encontrada para esta restruturação foi o arrendamento de ativos da empresa, para a Companhia Brasileira de Tecnologia Digital (CBTD), uma empresa controlada pela família Staub por meio de outra empresa, chamada HAG que terá um contrato de R$ 389 milhões para quitar as dívidas que serão pagos em sete anos com início em julho de 2013.[4]

A Gradiente voltou a comercializar os seus produtos em julho de 2012, com a nova linha de produtos Meu Primeiro Gradiente (MPG) e um aparelho com rastreador GPS para idoso (SafePhone)

A empresa alterou sua razão social para IGB Eletrônica S. A. (razão social da antiga Gradiente), para permitir a volta da marca Gradiente ao mercado sob uma nova empresa, a Companhia Brasileira de Tecnologia Digital (CBTD). Esta arrendou a marca Gradiente da IGB.[5]

Na campanha, adotou o posicionamento de “Nova Gradiente” e tinha previsão de lançamento dos produtos para 2011, mas adiaram para o primeiro semestre de 2012.[4]

Para que os acionistas da Gradiente (IGB Eletrônica) possam também se associar à CBTD, foi criada uma holding, a HAG Participações S. A., que deterá 100% do controle da IGB, e uma parcela variável da CBTD, de 40% ou 100%, a depender da conversão em ações de debêntures que alguns investidores detêm contra a CBTD. No primeiro trimestre, a HAG pediria registro de companhia aberta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), para depois tentar listar as ações na BM&FBovespa.[6][7]. No momento (29 de outubro de 2012), a CVM está analisando a documentação da HAG.

Em 15 de maio de 2012 foi anunciada a sua volta ao comércio com o tablet OZ Black.[8]

No dia 11 de Novembro, em um comunicado aos investidores na bolsa de valores, a empresa anuncia interrupção nas operações devido ao cenário econômico.[9]

ControvérsiasEditar

No final de 2012 após sua reestruturação, a empresa anunciou o smartphone Gradiente iphone do modelo Neo One.[10] Segundo a empresa brasileira a marca era registrada no país desde 2000 no INPI (Instituto Nacional de Propriedade industrial).[11]

Referências

  1. Márcio Juliboni (24 de maio de 2011). «Gradiente aprova recuperação extrajudicial na Justiça». Abril. Exame.com. Consultado em 13 de janeiro de 2012 
  2. «CBTD apresenta a nova linha de produtos da marca GRADIENTE.». CBTD. 16 de maioo de 2012. Consultado em 29 de outubro de 2012  Verifique data em: |data= (ajuda)
  3. A Brief History of the Garrard Engineering and Manufacturing Company
  4. a b Marina Gazzoni (2 de janeiro de 2012). «Gradiente planeja voltar ao mercado até maio e fazer oferta de ações». Estadão. Consultado em 13 de janeiro de 2012 
  5. CBTD. «A Gradiente volta o mercado como CBTD» 
  6. «Controladora da Gradiente quer fazer OPA e voltar ao mercado». Abril. Exame.com. 2 de janeiro de 2012. Consultado em 13 de janeiro de 2012 
  7. «Controladora da Gradiente quer fazer oferta de ações e voltar ao mercado». G1. 2 de janeiro de 2012. Consultado em 13 de janeiro de 2012 
  8. «Marca Gradiente volta ao mercado e traz tablet para consumidor brasileiro». Reuters. G1. 16 de maio de 2012. Consultado em 18 de dezembro de 2012 
  9. http://www.bmfbovespa.com.br/empresas/consbov/ArquivoComCabecalho.asp?motivo=&protocolo=491656&funcao=visualizar&site=B
  10. «Família iPhone da Gradiente chega hoje ao mercado». Estadão; Grupo Abril. Exame. 18 de dezembro de 2012. Consultado em 18 de dezembro de 2012 
  11. «Gradiente lança família de celulares inteligentes com o nome 'IPHONE'». Reuters. G1. 18 de dezembro de 2012. Consultado em 18 de dezembro de 2012 

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar