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Neoaramaico ocidental (siryon • ܐܪܡܝܬ • aramîth • آرامي • ārāmī)
Falado em: Síria
Região: Montanhas do Antilíbano - Ma'loula, Bakh'a e Jubb'adin.
Total de falantes: 15 000(1996)
Família: Afro-asiática
 Semítica
  Semítica central
   Aramaica
    Aramaica ocidental
     Neoaramaico ocidental
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: ---
ISO 639-3: amw

O neoaramaico ocidental, também conhecido como siryoon, é uma forma moderna da língua aramaica, falada hoje em três vilarejos das montanhas do Antilíbano no oeste da Síria.[1] É a única língua neoaramaica ainda viva dentre aquelas do ramo neoaramaico ocidental. As demais línguas aramaicas ainda faladas são do ramo oriental.

Distribuição e históriaEditar

O dialeto neoaramaico ocidental é provavelmente o remanescente sobrevivente de um dialeto aramaico do Meio Oeste que foi falado ao longo da área do vale do rio Orontes área do Vale e nas montanhas do Antilíbano no século VI. Atualmente ele é falado apenas pelos moradores de Ma'lula (علولة), Bakh'a (بخعة) e Jubb Adin (جبعدين), no Antilíbano (atual Síria), cerca de 60 km a nordeste de Damasco . A continuação deste pequeno grupo de aramaico em um domínio quase total de língua árabe é em parte devido ao relativo isolamento das aldeias e da união entre as suas comunidades. Hoje ele é um idioma ameaçado de extinção devido aos conflitos religiosos presentes na região.[2]

Após o surgimento de islã veio a consequente conversão em massa das populações locais em termos de arabização cultural e linguística. Veio assim entre os muçulmanos recém-convertidos e também entre os cristãos o deslocamento das várias línguas aramaicas para o árabe como nova língua materna da maioria. Porém, nas regiões montanhosas e isoladas o aramaico ocidental sobreviveu por um tempo relativamente longo no Líbano e Antilíbano (Síria moderna) . Na verdade, até ao século XVII, viajantes no Líbano ainda informavam sobre várias aldeias de língua aramaica.[3]

DialetosEditar

Nas últimas três aldeias onde a língua ainda sobrevive, o dialeto de Bakh'a parece ser o mais conservador, tendo sido menos influenciado pelo árabe se comparado com outros dialetos, mantendo algum vocabulário que é obsoleto em outros dialetos . O dialeto de Jubb Adin mudou mais. É fortemente influenciado pelo árabe, e tem uma fonologia mais desenvolvida. O dialeto de Ma'lula é intermediário entre esses dois, porém mais próximo ao de Jubb Adin . Influência cruzada entre aramaico e árabe tem sido mútua, como o árabe sírio em si (Árabe Levantino em geral) mantém um bom substrato aramaico.

Como na maior parte do Levante, antes da introdução do islã, no século VII, as aldeias eram originalmente cristãs. No entanto, Ma'loula é a única aldeia que mantém uma população cristã significativa (que na sua maioria pertencem à Igreja Melquita Greco-Católica). A maioria dos habitantes de Bakh'a e Jubb Adin adotaram o Islã ao longo das gerações, sendo agora totalmente muçulmanos. Assim, Ma'loula brilha na coloração azul pálida da pintura comemorativa anual de suas casas em honra de Maria.

Todos os três dialetos ocidentais neoaramaicos sobreviventes enfrentam o perigo de extinção. Como acontece com qualquer comunidade aldeã do século XXI, os jovens moradores estão migrando para grandes cidades como Damasco e Alepo em busca de melhores oportunidades de emprego, sendo muito influenciados por comunidades monolingues em língua árabe, reduzindo as oportunidades para manter ativo o neoaramaico como uma língua de uso diário. O governo sírio fornece suporte para o ensino da língua.[4] Desde 2007, Ma'loula tem sido o lar de um instituto aramaico estabelecido pela Universidade de Damasco que ministra cursos para manter a língua viva . As atividades do instituto foram suspensas em 2010 por temores pelo fato do “quadrado” alfabeto aramaico usado no programa se assemelhar à forma mais “quadrada” do alfabeto hebraico. Com isso o programa passou a usar a escrita siríaca. [5]

Referências

  1. Brock, Sebastian. «An Introduction to Syriac Studies» (PDF) (em inglês). Consultado em 31 de outubro de 2014. A Western Aramaic dialect survives only in three villages in the Anti-Lebanon (two Muslim, and one—Ma‘lula—Christian) 
  2. Why the language of Jesus is at risk
  3. Arnold, Werner (2000). «The Arabic Dialects in the Turkish Province of Hatay and the Aramaic dialects in the Syrian montains of Qalamûn: two minority languages compared». In: Owens, Jonathan. Arabic as a Minority Language. Col: Contributions to the sociology of language, 83 (em inglês). Edição 83 de Contributions to the sociology of language. [S.l.]: Walter de Gruyter. p. 347. 458 páginas. ISBN 3-11-016578-3. Consultado em 31 de outubro de 2014 
  4. Sabar, Ariel (2013). «How to Save a Dying Language». Smithsonian Magazine (em inglês). Consultado em 31 de outubro de 2014. Aramaic is safe now in only one place: the Christian village of Maaloula, in the hills outside Damascus, where, with Syrian state support, elders still teach it to children 
  5. Beach, Alastair (2 de abril de 2010). «Easter Sunday: A Syrian bid to resurrect Aramaic, the language of Jesus Christ» (em inglês). Christian Science Monitor. Consultado em 31 de outubro de 2014 

BibliografiaEditar

  • Arnold, Werner (1989f) Das Neuwestaramäische. 5 Volumes. Wiesbaden: Harrassowitz & (1990). New materials on Western Neo-Aramaic. In Wolfhart Heinrichs (ed.), Studies in Neo-Aramaic, pp. 131–149. Atlanta, Georgia: Scholars Press. ISBN 1-55540-430-8.
  • Beyer, Klaus (1986). The Aramaic language: its distribution and subdivisions. Göttingen: Vandenhoeck und Ruprecht. ISBN 3-525-53573-2.
  • Tsereteli, Konstantin (1990). The velar spirant ġ in Modern East Aramaic dialects. In Wolfhart Heinrichs (ed.), Studies in Neo-Aramaic, pp. 131–149. Atlanta, Georgia: Scholars Press. ISBN 1-55540-430-8.

Ligações externasEditar