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Lilian Tintori

ativista venezuelana
Lilian Adriana Tintori Parra
Lilian Tintori durante uma conferência sobre direitos humanos na Real Casa de Correos (Madri, 15 de Março de 2016) durante a qual foi apresentado o livro Preso pero libre de autoria de seu marido Leopoldo López.[1]
Nascimento 5 de maio de 1978 (41 anos)
Caracas
Venezuela Venezuela
Cônjuge Leopoldo López
Ocupação Ativista dos Direitos Humanos

Lilian Adriana Tintori Parra (Caracas, 5 de Maio de 1978) é uma ativista de direitos humanos venezuelana e esposa do líder político Leopoldo López, coordenador nacional do partido Voluntad Popular, preso pelo governo de Nicolás Maduro acusado de incitar e liderar as manifestações de 2014. Tintori também tem liderado grupos de oposição e resistência contra o regime venezuelano.[2]

Índice

BiografiaEditar

Filha de mãe venezuelana a pai argentino, refugiado na Venezuela por causa do Processo de Reorganização Nacional (ditadura argentina). É licenciada em ensino pré-escolar pela Universidade Católica Andrés Bello e possui especialização em comunicação política pela Universidade Central da Venezuela.[3] Foi apresentadora da Televen e RCTV (Radio Caracas Televisión), além de radialista nas redes La Mega, Hot 94 e Ateneo 100.7. Também foi animadora do programa Megavj do canal Puma TV. Foi campeã de kitesurf em 2003 e criadora da Fundación Porkite encarregada de recuperar e doar equipamentos usados neste esporte.

Em Maio de 2007, casou-se com Leopoldo López.[3] [4] O casal teve dois filhos: Manuela (2009) e Leopoldo Santiago (2013).[5] Em Agosto de 2017, o casal anunciou a nova gravidez de Lilian.[6]

Foi representante da Socieven, associação sem fins lucrativos, para a sensibilização quanto a surdez e distúrbio da fala. Tem colaborado com a Fundación BFC na campanha contra a violência de gênero e com a Fundación Jóvenes por los Derechos Humanos em diversos eventos.[3]

Apelos e reações internacionaisEditar

Lilian Tintori tem denunciado sistematicamente a situação dos dissidentes venezuelanos na mídia mundial e, busca apoios de líderes políticos de outras nações. Seus esforços conseguiram provocar reações em outros países:

Estados UnidosEditar

Concedeu uma entrevista ao jornalista Jorge Ramos, da Univision, publicada em 12 de Abril de 2015. Naquela ocasião, denunciou que seu marido vem sofrendo torturas físicas e psicológicas na prisão.[7]

Entraron hombres armados y destrozaron su espacio, se robaron sus memorias: Todo lo que él escribe se lo robaron. Siete horas duró esta requisa, y lo metieron en una celda de castigo que se llama El Tigrito, me dijo, una noche, a la 1 de la mañana, le lanzaron por la ventana de su celda excremento humano y orina.
Le cortaron el agua y la luz para que no se pudiera bañar. Eso es un trato absolutamente inhumano, de tortura.

     

Homens armados entraram e destruíram seu espaço, roubaram seus escritos: tudo o que ele escreve é roubado. Esta requisição durou sete horas, e colocaram-no numa cela de castigo denominada "El Tigrito," contou-me que, uma noite, à 1:00h da manhã, lançaram fezes humanas e urina pela janela de sua cela. A água e a luz foram cortadas para impedi-lo de banhar-se. Este é um tratamento é absolutamente desumano, de tortura.
(Lilian Tintori, sobre as condições do encarceramento de seu marido).[7]

No livro Preso pero libre: Notas desde la cárcel del líder venezolano, Leopoldo López descreve a experiência de sua prisão.[1] Em 1 de Agosto de 2017, depois de algumas semanas em prisão domiciliar, López foi reconduzido para a prisão e, declarou que a chegada do terceiro filho do casal "é mais um motivo para lutar pela Venezuela."[8]

BrasilEditar

 
Diante da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional do Senado Federal do Brasil.
 
Na mesa, da esquerda para a direita: Aécio Neves, Mitzy Capriles, Aloysio Nunes, Lilian Tintori e Rosa Orozco.

Em 7 de Maio de 2015, esteve diante da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional do Senado Federal do Brasil [9] acompanhada por Mitzy Capriles (esposa do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, também preso por fazer oposição ao governo) e Rosa Orozco, mãe de uma manifestante morta.[10] As três cidadãs venezuelanas expuseram aos senadores brasileiros a situação de seu país e, definiram o regime lá em vigor como uma ditadura.[10] Em suas declarações, denunciaram o aumento dos crimes violentos, a crise econômica, o desabastecimento de produtos de primeira necessidade e, o desrespeito aos direitos humanos praticados pelo governo venezuelano.[9]

Esperou por "um pronunciamento claro e contundente da presidente Dilma sobre a violação sistemática dos direitos humanos e da crise na Venezuela." [11] Também apelou para que a presidente interceda pelos 89 presos políticos de seu país e que envie observadores que atestem a legitimidade das próximas eleições parlamentares venezuelanas.[11]

Em discurso, o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) protestou, acusando o governo brasileiro de omissão perante a situação de desrespeito aos direitos humanos no governo de Nicolás Maduro.[10]

Em 18 de Junho, uma comitiva, formada por oito senadores oposicionistas brasileiros, esteve em Caracas atendendo ao apelo das cidadãs venezuelanas. Seu objetivo era contactar membros da oposição ao governo Maduro e informar-se sobre a crise político-econômica enfrentada pelo país. Mas, este grupo foi hostilizado por manifestantes partidários do governo e acabou retornando ao Brasil sem cumprir sua agenda.[12] Este incidente causou mal-estar e o Congresso Brasileiro votou, no mesmo dia, uma moção de reprovação contra o governo da Venezuela.[13] No dia 25, uma nova comitiva com quatro senadores que esteve no país, foi criticada pela oposição por ser composta apenas por senadores governistas [14] e acusada de ser apenas uma resposta política ao incômodo causado pelo grupo anterior.[15]

EspanhaEditar

O ex-presidente do Governo da Espanha, Felipe González, afirmou que a mediação dos países membros da UNASUL (União de Nações Sul-Americanas) na questão venezuelana é insuficiente [16] e, ofereceu-se como mediador entre governo e oposição.[17] Ressaltou que o governo venezuelano só pode impedi-lo de tomar parte na defesa dos dissidentes apenas dentro das fronteiras do país: "O mundo da liberdade, democracia e direitos humanos vai muito além das fronteiras da Venezuela", afirmou.[18] Pretende dialogar com a oposição, assessorar a defesa de opositores presos e acompanhar o andamento dos processos.[19]

Prêmios e homenagensEditar

Referências

  1. a b Preso pero libre: Notas desde la cárcel del líder venezolano. Autor: Leopoldo López. Grupo Planeta, 2016, ISBN 9788499424903 (em castelhano) Adicionado em 23/02/2017.
  2. USA Today - Women in white protest violence in Venezuela. 26 de Fevereiro de 2014. (em inglês) Acessado em 14/04/2015.
  3. a b c d Daily Entertainment News - Lilian Tintori- Venezuelan Politician Leopoldo Lopez’s Wife. 18 de Fevereiro de 2014. (em inglês) Acessado em 14/04/2015.
  4. Web.archive.org - Oficina del alcalde. (em castelhano) Acessado em 14/04/2015.
  5. El Universal - Leopoldo López presenta a su hija Manuela por twitter. 20 de Setembro de 2009. (em castelhano) Acessado em 14/04/2015.
  6. El Nacional - Así anunció Leopoldo López el embarazo de Lilian Tintori. 1 de Agosto de 2017. (em castelhano) Acessado em 01/08/2017.
  7. a b La Prensa Grafica - La esposa rebelde. Jorge Ramos, 12 de Abril de 2015, (em castelhano). Acessado em 06/06/2015.
  8. O Globo - Em vídeo, Leopoldo López confirma gravidez de sua mulher, Lilian Tintori. Líder opositor foi novamente levado para a prisão nesta madrugada. 1 de Agosto de 2017. Acessado em 01/08/2017.
  9. a b YouTube - Mulheres de presos políticos da Venezuela pedem socorro ao Brasil pelo fim das execuções e tortura. (em castelhano) e (em português). Acessado em 04/07/2018.
  10. a b c Câmara - CÂMARA DOS DEPUTADOS, sessão: 098.1.55.O, Orador: LUIZ CARLOS HAULY. Acessado em 06/06/2015.
  11. a b Folha de S.Paulo - Mulher de opositor espera declaração contundente de Dilma contra Maduro. Patrícia Campos Mello, 6 de Maio de 2015. Acessado em 06/06/2015.
  12. Estadão - Senadores brasileiros são hostilizados na Venezuela; Itamaraty cobra explicções. Erich Decat, 18/6/2015. Acessado em 25/06/2015.
  13. Câmara - Câmara aprova moção de repúdio a incidente com senadores brasileiros na Venezuela. 18/6/2015. Acessado em 25/06/2015.
  14. G1 - Senadores chegam à Venezuela e devem encontrar governo e oposição. Acessado em 25/06/2015.
  15. Leia Já - Nova comissão de senadores vai à Venezuela nesta quarta. 23/06/2015. Acessado em 25/06/2015.
  16. Infobae - La mediación de la Unasur en Venezuela es "insuficiente". 30 de Março de 2015, (em castelhano). Acessado em 06/06/2015.
  17. El Mundo - La esposa de Leopoldo López dice que Felipe González estará en Venezuela el próximo 1 de junio. 27 de Maio de 2015. Acessado em 06/06/2015.
  18. El Universal - Felipe González says he will not disturb Venezuela's legal framework. Lopez Case, 15 de Maio de 2015, (em inglês). Acessado em 06/06/2015.
  19. Noticiaaldia Arquivado em 19 de julho de 2015, no Wayback Machine. - Lilian Tintori anuncia que Felipe González llegará este domingo para participar en la defensa de Leopoldo López. 5 de Junho de 2015, (em castelhano). Acessado em 06/06/2015.
  20. El Nacional Arquivado em 8 de dezembro de 2014, no Wayback Machine. - Cumbre Mundial de Comunicación Política pide liberación de Leopoldo López. 7 de Dezembro de 2014. (em castelhano) Acessado em 14/04/2015.

Ligações externasEditar