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Luchino Visconti

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Luchino Visconti di Modrone, conde de Lonate Pozzolo (Milão, 2 de novembro de 1906Roma, 17 de março de 1976) foi um dos mais importantes directores de cinema italianos. Era descendente da nobre família milanesa dos Visconti.

Luchino Visconti
Nascimento 2 de novembro de 1906
Milão,  Itália
Morte 17 de março de 1976 (69 anos)
Roma, Itália
Ocupação Cineasta
Festival de Cannes
Palma de Ouro
1963
Outros prêmios
IMDb: (inglês)

Índice

BiografiaEditar

Filho de Giuseppe Visconti, o duque de Grazzano, e de Carla Erba, herdeira de uma grande empresa farmacêutica, Luchino tinha mais seis irmãos. Prestou o serviço militar como sub-oficial de cavalaria, em 1926, no Piemonte, e viveu os anos de sua juventude cuidando dos cavalos de sua propriedade. Além disso, frequentou ativamente o mundo da lírica e do melodrama, que tanto o influenciou.

Foi para a França, onde se tornou amigo de Coco Chanel e, através dela, em 1936, foi apresentado ao cineasta Jean Renoir, com quem trabalhou no filme Une partie de campagne. Em 1937, passou por Hollywood, antes de retornar a Roma. Na capital italiana, trabalhou com Renoir na direção da ópera Tosca.

A partir de 1940, ligou-se aos intelectuais que faziam o jornal Cinema e vendeu jóias da família para realizar seu primeiro filme, Ossessione, em 1943, com Clara Calamai e Massimo Girotti. No fim da Segunda Guerra Mundial realizou o segundo filme, o documentário Giorni di gloria. Contratado pelo Partido Comunista Italiano para realizar três filmes sobre pescadores, mineiros e camponeses da Sicília, acabou por fazer apenas um, La terra trema.

 
Clara Calamai e Massimo Girotti em Ossessione (1943)

Em 1951 filmou Bellissima, com a grande actriz italiana Anna Magnani, Walter Chiari e Alessandro Blasetti. O primeiro filme colorido foi em 1954, Senso com Alida Valli e Farley Granger. O primeiro grande prémio da crítica chega em 1957, quando ele recebe o Leão de Ouro do Festival de Cinema de Veneza pela fita Le notti bianche, uma transposição delicada e poética de uma história de Dostoievski, com Marcello Mastroianni, Maria Schell e Jean Marais.

O primeiro êxito de bilheteira viria em 1960 com Rocco e Seus Irmãos, a saga de uma humilde família de calabreses que emigrava para Milão. Foi o filme que consagrou o actor francês Alain Delon ao lado de Annie Girardot e Renato Salvatori. No ano seguinte juntou-se a Vittorio De Sica, Federico Fellini e Mario Monicelli no filme de episódios Boccaccio '70. O episódio de Visconti é protagonizado por Tomas Milian, Romy Schneider, Romolo Valli e Paolo Stoppa.

Em 1963 dirigiu o seu maior sucesso comercial e um dos filmes mais elogiados pela crítica, o grandioso O Leopardo, com três horas de duração e extraído do romance homónimo de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes, que conta a história da transição da nobreza para o populismo na Sicília, nos tempos da unificação italiana. O filme tem um elenco estelar onde destacam Burt Lancaster, Claudia Cardinale e Alain Delon.

Vagas Estrelas da Ursa, um mergulho inquieto e melancólico na capacidade dos seres sensíveis para se destruirem amorosamente, com Claudia Cardinale e Jean Sorel, realizado em 1965, foi a obra seguinte. Em 1970 ele conheceu o fracasso de uma obra sua, com O Estrangeiro, extraído do livro homônimo de Albert Camus e realiza também La caduta degli dei que lançou o actor Helmut Berger.

Com o sensível e refinado Morte em Veneza (1971), protagonizado por Dirk Bogarde e baseado na obra de Thomas Mann, ele voltou a se encontrar com o sucesso de público e de crítica. O filme conta a história de Gustav Aschenbach, um compositor que vai passar férias em Veneza, e acaba por viver uma grande e inesperada paixão, que iniciaria a sua completa destruição. O filme faz uma abordagem do conceito filosófico de beleza, assim como a passagem do tempo a importância da juventude nas nossas vidas. O filme seguinte foi o grandioso, mas decepcionante, Ludwig, com Helmut Berger e Romy Schneider. Durante as filmagens de Ludwig ele sofreu um ataque cardíaco que o prendeu a uma cadeira de rodas até a sua morte, em 1976. Mesmo com muita dificuldade, Luchino Visconti ainda fez dois filmes, Violência e Paixão (Gruppo di famiglia in un interno) e L'innocente, sua derradeira obra, versão do romance de Gabriele d'Annunzio que registra brilhantes interpretações de Giancarlo Giannini e Laura Antonelli.

Vida pessoal e morteEditar

 
O jovem Visconti

Apesar dos casos amorosos vividos, em diferentes períodos, com várias mulheres, como a estilista Coco Chanel, com as atrizes Clara Calamai (1909 – 1998), María Denis (1916 – 2004), Marlene Dietrich e com a escritora Elsa Morante, Visconti jamais escondeu sua homossexualidade,[1][2] explicitamente referida em muitos dos seus filmes e nas montagens teatrais que dirigiu. Nos anos 1930, em Paris, teve um relacionamento com o fotógrafo Horst P. Horst.[3][4] Entre o final dos anos 1940 e o início dos 1950, já consagrado como diretor, manteve uma longa relação afetiva e profissional com o seu então cenógrafo Franco Zeffirelli, que vivia então na villa do diretor, na via Salaria, em Roma.[5][6]

Depois de 1965, Visconti foi ligado ao ator austríaco Helmut Berger, que também atuou em alguns dos seus filmes. A relação se manteve, com altos e baixos, até a morte de Visconti, em 1976.[7][8]

FilmografiaEditar

DocumentáriosEditar

TeatrografiaEditar

Direção de óperasEditar

PrémiosEditar

  • Recebeu uma indicação ao Óscar de Melhor Roteiro Original, por " La Caduta degli dei" (1969).
  • Recebeu uma indicação ao BAFTA de Melhor Diretor, por " Morte a Venezia " (1971).
  • Ganhou 2 vezes o Prêmio Bodil de Melhor Filme Europeu, por " Rocco e i suoi fratelli " (1960) e " Morte a Venezia " (1971).
  • Ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, por " Il Gattopardo " (1963).
  • Ganhou o Prêmio do 25º Aniversário no Festival de Cannes, por " Morte a Venezia " (1971).
  • Ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza, por " Vaghe stelle dell'Orsa..." (1965).
  • Ganhou o Leão de Prata no Festival de Veneza, por " Le Notti bianche " (1957).
  • Ganhou o Prêmio Especial no Festival de Veneza, por " Rocco e i suoi fratelli " (1960).
  • Ganhou o Prêmio FIPRESCI no Festival de Veneza, por " Rocco e i suoi fratelli " (1960).

Referências

  1. «Da Edoardo a Visconti, la storia degli intellettuali spiati dai gendarmi». Panorama 
  2. «Luchino Visconti e Federico Fellini Una sorda guerra a colpi di sfottò». 4 de abril de 2010. Consultado em 2 de janeiro de 2017 
  3. «Luchino Visconti, il mito del Cinema italiano». www.unmondoditaliani.com. Consultado em 2 de janeiro de 2017 
  4. «Storia di un fotografo: Horst P. Horst, dalle braccia di Visconti a Vogue di Madonna». Queerblog.it 
  5. «ZEFFIRELLI SVELA LA SUA PRIMA VOLTA CON UN UOMO». 21 de fevereiro de 2013. Consultado em 2 de janeiro de 2017 
  6. «LA STAORDINARIA VITA DI FRANCO ZEFFIRELLI IN UN'AUTOBIOGRAFIA». 23 de outubro de 2013. Consultado em 2 de janeiro de 2017 
  7. «Helmut Berger: " marito tranquillo dopo mille eccessi "». 20 de setembro de 2015. Consultado em 2 de janeiro de 2017 
  8. «Helmut Berger: tremila amanti ma ho " sposato " solo Visconti». 20 de setembro de 2015. Consultado em 2 de janeiro de 2017 

Ligações externasEditar