Coco Chanel

Gabrielle Bonheur Chanel (Saumur, 19 de agosto de 1883 - Paris, 10 de janeiro de 1971)[1] foi uma estilista francesa e fundadora da marca Chanel S.A.. É a única estilista presente na lista das cem pessoas mais importantes da história do século XX da revista Time.[2]

Coco Chanel
Coco Chanel em 1928
Nome completo Gabrielle Bonheur Chanel
Nascimento 19 de agosto de 1883
Saumur, Pays de la Loire. França
Morte 10 de janeiro de 1971 (87 anos)
Paris, Ile-de-France. França
Ocupação Estilista
Página oficial
http://www.chanel.com/

BiografiaEditar

Gabrielle Bonheur Chanel era filha de Eugénie Jeanne Devolle, uma lavadeira, que era solteira quando ela nasceu, tendo a estilista nascido em um "hospital de caridade dirigido pelas Irmãs da Providência", [3] em Saumur, no interior da França. Ela era a segunda filha de Eugénie. Seu pai, Albert Chanel, era um vendedor de rua, que comercializava roupas de trabalho e roupas íntimas,[4] viajando por diferentes cidades, tinha contatos esporádicos com sua família, que era sustentada por ele e vivia em uma humilde pensão. Em 1884, Albert casou-se com Eugénie, [5] após ser pressionado pela família dela a oficializar a união, visto que era uma desonra uma mulher viver junto com um homem e ter filhos com ele sem casar-se no civil, sendo considerada uma concubina. [6]

No registro oficial, o sobrenome de Chanel foi escrito como "Chasnel". Devolle estava muito doente para comparecer ao registro e Albert estava viajando.[3] Com os pais ausentes, o sobrenome do bebê foi escrito incorretamente, devido a um erro de atenção, o que foi consertado após alguns anos. Após um tempo, o casal teve mais cinco filhos: Julia-Berthe (1882–1912), Antoinete (nascido em 1887), Alphonse (1885-1953), Lucien (nascido em 1889) e Augustin, que faleceu ainda na infância.

Em 1895, quando Gabrielle tinha doze anos, sua mãe morreu de tuberculose [7] aos trinta e um anos.[7] O pai de Gabrielle colocou as duas filhas em um internato católico para moças, chamado Colégio Nossa Senhora da Misericórdia, enquanto os dois filhos trabalhavam com ele em uma quinta. [8] Aos dezoito anos, embora pudesse permanecer em Aubazines, Chanel decidiu morar em uma pensão reservada para jovens católicas, na cidade de Moulins.[9]

Um tempo depois, Chanel passou a inventar histórias de sua vida para ocultar suas origens. Das muitas histórias contadas por ela, grande parte era apenas uma invenção. Ela costumava afirmar que quando sua mãe morreu, seu pai viajou para a América em busca de uma fortuna, e portanto ela precisou ficar com duas tias de coração frio. Coco também chegou a afirmar que nasceu em 1893 em vez de 1883 e que sua mãe tinha morrido quando ela tinha dois anos em vez de doze anos.[10]

HistóriaEditar

 
CHANEL N°5

Aos 18 anos, ela deixa o orfanato em Aubazines, sendo transferida para o Institut Notre-Dame de Moulins, uma pensão para moças, mantido por religiosas católicas. Lá se aperfeiçoa como costureira e reencontra sua tia, irmã caçula de sua mãe, Adrienne, que também passou a vida vivendo em pensionatos. Ambas têm quase a mesma idade, e sobretudo a mesma ambição de sair da condição de pobreza. Em 1903, consideradas aptas a manejar agulha e linha, as duas jovens são encaminhadas pelas freiras à Maison Grampayre, um ateliê de costura especializado na confecção de enxovais. Agora financeiramente independentes, e trabalhando como costureiras no ateliê, ambas decidem deixar o pensionato, e passam a dividir um quarto alugado na rua Pont Ginguet, em Moulins.[11]

Por volta de 1907, muito cortejada, Chanel faz suas primeiras aparições no La Rotonde, um café-concerto, frequentado por oficiais de um regimento de cavalaria estacionado em Moulins. Lá, ela se apresenta como cantora, sonhando com o music hall. Seu apelido, Coco, surgido nessa época, foi dado pelos oficiais, possivelmente a partir de uma canção, "Qui qu'a vu Coco dans l'Trocadéro", que ela interpretava. Cercada por vários jovens oficiais, muitos deles ricos ou aristocráticos, ela acaba por seduzir um deles, Etienne Balsan (1880-1953), um socialite, herdeiro de uma fábrica de tecidos que fazia uniformes do exército. Com ele teve seu primeiro relacionamento sério. Balsan acabara de deixar o exército para se dedicar à criação de cavalos. Ele, então, a hospeda em seu castelo, perto de Compiègne. Durante um ano ficaram juntos, mas se mantiveram amigos por toda a vida. [12][13]

O namoro com Balsan lhe propiciou frequentar um ambiente de alta classe, onde, por volta de 1909, ela conheceu o milionário inglês Arthur Capel, que seria o grande amor da sua vida. Capel ajudou-a a sair do ateliê de costura, e a abrir a sua primeira loja de chapéus, que faria Chanel tornar-se um sucesso, e logo apareceria nas revistas de moda mais famosas de Paris. O romance com Arthur Capel, que era casado, durou dez anos. A história terminou tragicamente, quando ele morreu num desastre de carro, em 1919. Abalada com o episódio, vendeu sua loja de chapéus, e abriu seu primeiro ateliê de costura, onde descobriu seu dom para desenhar, comercializando também chapéus. Nessa mesma casa, começou a vender roupas desportivas, que ela mesma desenhava e confeccionava, roupas estas que serviam tanto para ir à praia quanto para montar a cavalo. Pioneira, também desenhou e produziu as primeiras calças femininas. [13]

 
A sede da Chanel em Place Vendôme, Paris.

Em 1920 iniciou um relacionamento com o compositor Ígor Stravinski, que era casado. Exilado e pobre, Stravinsky aceitou a hospitalidade de Coco em sua casa, perto de Paris, levando a mulher Katarina e os quatro filhos. Coco, portanto, convivia diariamente com a família de seu amante, e mesmo depois de um ano, quando foram embora, continuaram com o romance proibido. Eles foram amantes por sete anos. [14]

Logo após o término, Chanel apaixonou-se pelo jovem grão-duque da Rússia no exílio, Dmitri Pavlovich Romanov (1891 – 1941), que havia fugido de seu país logo após a Revolução. Eles namoraram por cinco anos. A sua relação com Dmitri a fez desenhar roupas com bordados do folclore russo e, para isso, contratou 20 bordadeiras. Neste período, Chanel conheceu muitos artistas importantes, tais como Pablo Picasso, Luchino Visconti e Greta Garbo.

Suas roupas passaram a vestir as grandes atrizes de Hollywood, e seu estilo ditava moda em todo o mundo. Os seus tailleurs são referência até hoje. Além de confecções, desenvolveu perfumes com sua marca [15]. Em 1920, cria o perfume que iria convertê-la numa grande celebridade, o Chanel Nº 5.[16] O nome se deve ao fato de ter sido a quinta fragrância apresentada a ela, para que escolhesse, e porque o 5 era o seu algarismo da sorte. Depois desse perfume, veio o nº17, mas não teve o mesmo êxito.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Chanel fechou a casa de costura, mas, como várias outras celebridades francesas, a exemplo de Edith Piaf, Maurice Chevalier, Jean Cocteau e François Mitterrand, permaneceu em seu país. No período da ocupação alemã (1940 – 1944), após outros relacionamentos casuais ao longo dos anos com homens da alta sociedade, envolveu-se romanticamente com o alemão Hans Dincklage, um profissional da Abwehr (inteligência militar alemã) que operava na França desde o final dos anos 1920. O casal ficou seis anos juntos. [17] Reabriu sua casa em 1954.[13] No final da guerra, os franceses condenaram esse romance e deixaram de frequentar a sua casa. Chanel passou a ter dificuldades financeiras por conta disso, e decidiu terminar o namoro, para manter sua carreira profissional em ascenção. Para manter seu ateliê aberto, ela começou a vender suas roupas para o outro lado do atlântico, passando a residir temporariamente na Suíça, onde se relacionou amorosamente com banqueiros, empresários, condes, duques e políticos. Em razão da admiração da ex-primeira-dama Jackie Kennedy, ela reapareceu nas revistas de moda com seus tailleurs (casacos e sapatos). Depois de dois anos, voltou a residir na França.

Uma amiga que ficou próxima em seus últimos anos de vida foi a socialite brasileira Aimée de Heeren. [18]

Coco Chanel era feminista, e optou por não casar e não ter filhos. Sempre independente, sua carreira profissional era sua prioridade. Devido a idade avançada, passou a residir em hotéis, onde não se sentiria tão sozinha, tendo sempre pessoas por perto para poder conversar. A estilista de renome mundial faleceu sozinha em seu quarto, vítima de um infarto, em 1971, no Hôtel Ritz, onde viveu por dez anos. O seu funeral foi assistido por centenas de pessoas que levaram as suas roupas como forma de homenageá-la. [19] Foi sepultada no Cemitério Bois-de-Vaux, em Lausana, Vaud, na Suíça. Quando a grande estilista morreu, encontraram em sua casa desenhos de roupas para uma nova coleção. [20]

FilmografiaEditar

O filme Coco avant Chanel retrata a biografia da estilista, com a atriz francesa Audrey Tautou interpretando Gabrielle Chanel.[21]

Referências

  1. «Madamoiselle Chanel: The Perennially Fashionable». Chanel. Consultado em 13 de outubro de 2006 
  2. Horton, Ros; Simmons, Sally (2007). Women Who Changed the World. [S.l.]: Quercus. p. 103. ISBN 978-1-84724-026-2. Consultado em 8 de março de 2011 
  3. a b Chaney, Lisa (2011). Chanel: An Intimate Life. London: Fig Tree. p. 14. ISBN 9781905490363 
  4. Charles-Roux, Edmonde (1981). Chanel and her World. London: Weidenfeld and Nicolson. p. 27. ISBN 978-0-297-78024-3 
  5. Chaney, p. 16
  6. Chaney, Lisa (2011). Chanel: An Intimate Life. London: Fig Tree. p. 16. ISBN 9781905490363 
  7. a b Chaney, Lisa (2011). Chanel: An Intimate Life. London: Fig Tree. p. 18. ISBN 9781905490363 
  8. Chaney, Lisa (2011). Chanel: An Intimate Life. London: Fig Tree. p. 27. ISBN 9781905490363 
  9. Vaughan 2011, p. 5.
  10. Picardie, Justine (22 de outubro de 2011). «Coco Chanel: Five books about the fashion designer: review». The Daily Telegraph. London 
  11. Garelick, Rhonda K. Mademoiselle: Coco Chanel and the Pulse of History
  12. Colombe Pringle (23 de julho de 1998). «N° 4 - Coco Chanel : La double vie de la Grande Mademoiselle». L'Express 
  13. a b c «: Paris - Chanel»  Folha Online.
  14. [[1]]
  15. «História da Chanel» 
  16. «Coco Chanel»  netsaber.
  17. «Coco Chanel: Nazi agent?»  Por Andy Walker. BBC, 20 de agosto de 2011.
  18. Souvenirs of a friend of Chanel
  19. «COCO CHANEL - SIMPLICIDADE E ELEGÂNCIA (Saumur / França 1883 - 1971)». Consultado em 23 de outubro de 2011. Arquivado do original em 21 de julho de 2012  Fashion Genesis.
  20. Coco Chanel (em inglês) no Find a Grave
  21. «"Coco Antes de Chanel" é retrato atropelado e sem interioridade da estilista francesa». UOL. Outubro de 2009 

Ligações externasEditar

 
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