Muchel I Mamicônio

Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Muchel Mamicônio.
Muchel I Mamicônio
Morte entre 374-378
Etnia Armênio
Progenitores Pai: Bassaces I
Ocupação General
Título
Religião Catolicismo

Muchel I Mamicônio (em armênio/arménio: Մուշեղ Մամիկոնյան; m. entre 374-378), dito o Valente, foi asparapetes (comandante-em-chefe) do Reino da Armênia e o líder da família Mamicônio. Nicholas Adontz sugeriu que fosse o Arrabanes citado em Amiano Marcelino.[1]

BiografiaEditar

Foi um filho de Bassaces I Mamicônio, o asparapetes líder do partido pró-romano que foi fiel ao rei Ársaces II (r. 350–368). Na época de seu pai, após a morte de Juliano, o Apóstata (r. 361–363), os exércitos romanos se retiraram da Armênia, deixando-a indefesa. Isso forçou Ársaces II e outros nobres, como Bassaces, a partirem para o Império Sassânida em busca de submissão, porém após o rei negar-se a atendar as exigências do xá sassânida, ele foi preso e Bassaces foi torturado até a morte.[2]

 
Dinar de Sapor II (r. 309–379)
 
Soldo de Valente (r. 364–378)

Confrontada pelas tropas de Sapor II ao tentar voltar à Armênia, a rainha Faranjem, viúva de Ársaces II, organizou uma resistência e enviou uma delegação da nobreza armênia liderada por Muchel aos romanos para pedir auxílio em nome do filho de Ársaces, Papas. Os romanos, porém, estavam relutantes em se envolver numa guerra e apoiar a Armênia, que havia sido enfraquecida pela devastação persa. Com a ajuda de alguns nobres armênios, como Baanes, o Apóstata, o tio de Muchel, os persas tentaram impor o zoroastrismo aos habitantes locais, outrossim tamanha violência foi empregada que Baanes foi morto por seu filho Samuel Mamicônio. Os romanos não podiam aceitar essa iranização da Armênia, e decidiram intervir e instalar o príncipe Papas no trono, enquanto Muchel reuniu um exército de 10 000 homens e ganhou nas proximidades do rio Arsanias uma batalha decisiva contra os persas;[3] neste confronto, por não ter matado Sapor II quando teve a oportunidade, Muchel foi visto como desleal à nobreza armênia.[4]

A guerra acabou, e os senhores armênios que foram isentos da autoridade real foram obrigados a chegar a um acordo com os persas. Todavia, Sapor II, procurando recuperar sua influência sobre a Armênia, iniciou missões diplomáticas, que fizeram Papas considerar os romanos com desconfiança, apesar do esforço de Muchel para evitar a ruptura com o Império Romano. Em 374, a pedido do imperador Valente (r. 363–378), o oficial Trajano assassinou Papas[5] e o substitui por Varasdates (r. 374–378), sobrinho de Ársaces. Muchel torna-se mentor do jovem rei. Mas o rei, influenciado, e cada vez mais dependente da opinião dos nobres armênios, acusou Muchel de ser cúmplice no assassinato de Papas e solicitou que Bates Saaruni o executasse em um banquete. Varasdates nomeou Vache II como chefe dos Mamicônios e Bates Saaruni como asparapetes.[6] Após sua morte, sua família e parentes colocaram seu corpo em uma alta torre, acreditando que os espíritos desceriam e o trariam de volta à vida.[7]

Referências

  1. Adontz 1970, p. 513.
  2. Grousset 1947, p. 138-143.
  3. Grousset 1947, p. 143-147.
  4. Yarshater 1983, p. 530.
  5. Amiano Marcelino 397, p. XXX.1.18-21.
  6. Grousset 1947, p. 147-154.
  7. Boyajian 1958, p. 170.

BibliografiaEditar

  • Adontz, Nicholas (1970). Armenia in the Period of Justinian. The Political Conditions Based on the Naxarar System. Translated with Partial Revisions, a Bibliographical Note and Appendices, by N.G. Garsoïan. Lovaina: Peeters Publishers 
  • Boyajian, Zabelle C. (1958). Armenian legends and poems. Londres e Nova Iorque: J. M. Dent & Sons LTD.; E. P. Dutton & Company. ISBN 1605060631 
  • Grousset, René (1947). História da Armênia das origens à 1071. Paris: Payot 
  • Yarshater, E. (1983). The Cambridge History of Iran. The Seleucid, Parthian and Sasanian periods. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 052120092X