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TV Ajuricaba
CEGRASA - Central de Emissoras, Gravadoras e Repetidoras Ajuricaba S.A.
Rua Oswaldo Góes 18, Santo Antônio
Cidade de concessão Bandeira de Manaus.svg Manaus, AM
Canais
  • 38 UHF (1967-1970)
  • 20 UHF (1970-1980)
  • 8 VHF (1980-1986)
analógico
Outros canais 6 VHF - Itacoatiara (1977-1986)
Sede Manaus, AM
Rede Rede Globo
Rede(s) anterior(es) Emissoras Unidas, REI (1967-1974)
Proprietário Família Hauache
Fundação 5 de setembro de 1967
Extinção 20 de abril de 1986
Prefixo ZYA 245
Nome(s) anteriore(s) TV Manauara (1965-1967)
Emissoras irmãs Rádio Ajuricaba
Cobertura Região de Manaus e Amazonas (38 municípios)

A TV Ajuricaba é uma extinta emissora de televisão brasileira instalada em Manaus, capital do Estado de Amazonas. Entrou no ar em 5 de setembro de 1967 e permaneceu no ar até 20 de abril de 1986.

A emissora foi afiliada inicialmente à Rede de Emissoras Independentes, mais conhecida como REI, liderada pela Rede Record. Em 1 de maio de 1974, passa a ser afiliada da Rede Globo até a extinção em 1986, quando foi vendida para o Grupo Simões e posteriormente ao pastor Samuel Câmara.

A concessão da emissora atualmente pertence à Fundação Evangélica Boas Novas, dirigida pelo Pastor Samuel Câmara, da Igreja Evangélica Assembléia de Deus, e a denominação da emissora foi alterada para Boas Novas.

HistóriaEditar

Antecedentes (1965-1967)Editar

A Família Hauache 1965 criou uma das primeiras operadoras de TV a cabo do país, a chamada TV Manauara, que supria duas ruas e duas avenidas na cidade de Manaus.[carece de fontes?]

Até a criação da TV Manauara, Manaus não possuía emissora própria, porém algumas residências já tinham aparelhos de televisão (cerca de 2 mil televisores, em uma população de 95 mil habitantes na cidade), que na época recebiam sinais vindos do Canal 2 da RCTV (emissora de Caracas, capital de Venezuela) de maneira muito precária, pois tinha chiado e péssima imagem.[carece de fontes?]

Como a TV Manauara era difícil de ser mantida por problemas de corte dos cabos por causa das linhas de papagaio revestidas de cerol (mistura feita de cola e vidro moído) empinadas por meninos e os pedidos de moradores para ampliar cabos (que era caro), a Família Hauache entrou numa nova licitação no governo federal para um canal em TV aberta, que em 5 de setembro de 1967 foi batizada de TV Ajuricaba.[carece de fontes?]

A TV Ajuricaba foi implantada e presidida pela senhora Sadie Hauache, se tornou a primeira emissora de televisão aberta implantada no Estado do Amazonas.[carece de fontes?] Foi inaugurada oficialmente com o apresentador Heron Rizzato.

Emissoras Unidas e REI (1967-1974): os grandes festivais de músicaEditar

A emissora entra no ar pelo canal 38, tornando-se a primeira emissora de televisão brasileira no canal UHF. A emissora continua com a TV Manauara, a retransmitir a programação da Rede Record.

Nos primeiros anos, também transmitiu a Rede Tupi.[1]

Com a criação da TV, as lojas de produtos eletro-eletrônicos começaram vender aparelhos de televisão, onde se fez o primeiro crediário de eletrodomésticos na TV Lar, Bemol e a Malva Importadoras (uma das maiores lojas da cidade), para que a população pudesse comprar seus televisores, em troca de patrocínio em seus programas de televisão. Com isso, surgiu a primeira e a mais antiga empresa especializada em publicidade no Amazonas em atividade: a Oana Publicidade.

A Rede Record fazia imenso sucesso em emissoras afiliadas, com os Festivais de Música Popular Brasileira, famosos pelas manifestações de protesto contra o então o regime militar (vigente no Brasil desde 1964), as séries de televisão brasileira e americana, shows de calouros e jornalismo. Na época, como não havia via satélite, a programação da Record vinha gravada pelo avião.

Em 1970, a emissora muda do canal 38 para o canal 20 UHF. O monopólio de única emissora de Amazonas é quebrado com a entrada no ar da TV Baré em 1971 (afiliada à TV Tupi) e a TV Amazonas em 1975 (afiliada à Rede Bandeirantes).

No mesmo ano da mudança de canal da TV, Manaus tinha 250 mil habitantes e 8 mil televisores espalhados na cidade, praticamente quase 5% da população já tinha televisão instalada em casa.

Rede Globo (1974-1980): líder de audiênciaEditar

Em 1974, mediante o convite de Walter Clark e Boni, a emissora passou a fazer parte da Rede Globo de Televisão, do Rio de Janeiro (RJ) em 1 de maio do mesmo ano, quando a Rede Record já não apresentava mais programas de sucessos que eram responsáveis pelo grande número de afiliadas nos anos 60. A afiliação da nova rede trouxe com as novelas, séries, filmes e telejornais.

Em 1977, a família Hauache cria a CEGRASA - Central de Emissoras, Gravadoras e Repetidoras Ajuricaba S.A. - e abre a primeira emissora no interior do Estado de Amazonas: a TV Ajuricaba Itacoatiara, no canal 6, a primeira emissora fora de Manaus. A emissora de Itacoatiara exibia a programação diferente de Manaus, resultante pela gravação de CEGRASA que trazida de aviões. Pouco meses depois, a emissora inaugura nas sedes de 37 municípios amazonenses (atualmente são 62 municípios) a programação da Rede Globo e local, ampliando o sinal através das Retransmissoras de TV (RTV) da emissora do mesmo nome, o que equivale 90% da população do Amazonas ser atingida pelo sinal da Ajuricaba.

A CEGRASA gravava em fitas de vídeo, a programação da Ajuricaba de Manaus, contendo a programação local e nacional, que posteriormente distribuídas por meio de motor de linha (ou barcos de linha), aviões comerciais ou canoas aos demais municípios do Amazonas, onde eram exibidas em praças públicas (nas quais eram montados e ligados os aparelhos de TV) e as sedes de 38 municípios. As exibidas retornavam para serem reaproveitadas com as próximas programações. Durante esse período, as retransmissoras do interior iniciavam as suas atividades às 15 horas e terminavam as transmissões à 1 hora da madrugada, mas havia TV no interior. Na programação, havia programas jornalísticos e artísticos locais, incluindo a Rede Globo. Todos os canais de TVs da Ajuricaba em 37 sedes de municípios eram em VHF.

Porém, com a chegada do satélite em 1979, surgiram mudanças significativas. Com a chegada do satélite norte-americano IntelSat 4, o primeiro satélite cobrir a toda a Floresta Amazônica, a emissora adquire canal e faz as primeiras recepções no mesmo satélite, possibilitando levar a programação em tempo real de Manaus para o interior. As emissoras de Ajuricaba recebiam o sinal de via satélite de Manaus no interior, jogavam sinal para as cidades, através de um transmissor localizado em cada, cobrindo então cada município do interior, sem a necessidade de gravar a programação em fitas e distribuí-las, o que ocasionava muito extravio de fitas e descontinuidade das atrações, especialmente novelas e seriados.

Em 1980, a emissora de Manaus passou a transmitir seu sinal em definitivo para o canal 8 VHF, depois de 10 anos no canal 20. Com isso, a emissora ganhou de fato a liderança na região de Manaus e a audiência no Estado do Amazonas, com as novelas, os seriados e os programas de entretenimento e jornalísticos da Rede Globo de Televisão, pois a concorrente TV Amazonas já começou instalar os primeiros retransmissores no interior do estado, aliado ao fato dos dirigentes da nova emissora terem alinhamento aos governos militares, que tanto ajudaram na inauguração e expansão da recém-criada TV Amazonas, ao contrário da TV Ajuricaba.

Rede Globo (1981-1985): desentendimentosEditar

Com a campanha favorável a Diretas-Já, a partir de 1983, os donos da emissora fazem campanha aberta pela redemocratização no Brasil, o que provocou problemas políticos (local e nacional), acusando a emissora de intervir assuntos políticos e cobrindo ações de políticos favoráveis à eleição presidencial direta. Pressões do governo federal contra Rede Globo, exigiram que a emissora não renovasse a afiliada de Amazonas, pois a família Hauache já entrou na política.

Quando a Câmara dos Deputados não aprovou a emenda em 1984 que garantiria as eleições diretas para 1985, provocou certa reação dos amazonenses contra políticos que os elegeram em 1982, a emissora passou dar atenção às reivindicações populares.

Com a redemocratização do país em 1985, os familiares com problemas financeiros e comerciais no setor de comunicações, incluindo a ideologia favorável a redemocratização, forçaram os proprietários a saírem do setor de comunicações, que inclusive passaram a possibilidade de vender a emissora.

1986: venda e perda da afiliação à GloboEditar

No início de 1986, a Família Hauache anunciam a venda da TV Ajuricaba e todas as 38 retransmissoras, por problemas comerciais e financeiros. Pouco tempo depois, a Rede Globo anuncia a não renovação de acordo de afiliação com a TV Ajuricaba, devido aos problemas econômicos da afiliada que inclui a cobertura no Amazonas.

A Rede Globo assinou o contrato de afiliação com a TV Amazonas, afiliada à Rede Bandeirantes de São Paulo (SP), poucos anos antes ser afiliada à Globo, havia ampliado mais de 60 emissoras contra os 39 da Ajuricaba, o que chamou a atenção da Rede Globo. A rápida ampliação da TV Amazonas no interior do estado se deu ao fato de seus dirigentes sempre estarem alinhados aos interesses dos governos militares de então, o que engessou ainda mais o crescimento da TV Ajuricaba.

Após o anúncio de não renovação da Rede Globo, a TV Ajuricaba é comprada pelo Grupo Simões (empresa responsável pela distribuição e venda de refrigerantes e cervejas em toda a Região Norte), com as sedes em Manaus e Porto Velho (no estado de Rondônia) em 19 de abril.

Na madrugada do dia 20 de abril, a emissora deixou de ser afiliada da Rede Globo, saindo do ar na madrugada, após a exibição de um filme. A partir daí, Globo passa ser afiliada e retransmitida pela TV Amazonas, de propriedade do empresário Phellipe Daou, que anteriormente transmitia a programação da Rede Bandeirantes por quase 11 anos, uniformizando dessa maneira a programação retransmitida pela Rede Amazônica de Televisão em quatro estados da Região Norte do Brasil (Amazonas, Acre, Rondônia e Amapá, o território de Roraima, com exceção do estado do Pará). Na manhã, entra no ar a nova emissora: Rede Brasil Norte, mais conhecida como RBN.

A venda da TV Ajuricaba pela Família Hauache à Grupo Simões, resultou da disposição dos proprietários da emissora em evitar desentendimentos com os políticos locais. No entanto, no dia em que a RBN entrou no ar, gerou também o fim da TV Ajuricaba, a mais antiga emissora em atividade no Amazonas até então naquela época.

A família também vendeu a Rádio Ajuricaba 930 AM de Manaus (com o transmissor potente, cobria Amazonas e estados vizinhos, inclusive países vizinhos ao Brasil) para Grupo Simões, porém o grupo manteve o nome da rádio, com alteração da razão social da Rádio Brasil Norte.

A RBN mantém as repetidoras da então TV Ajuricaba no interior do estado, incluindo a emissora de Porto Velho, passando a ser afiliada da recente Rede Manchete. A nova emissora também mantém o sinal de satélite da antiga emissora que garante a distribuição de seus programas locais de Manaus para todo o interior do Amazonas. Os índices de audiência da nova emissora afiliada à Rede Manchete chegam a alcançar a vice-liderança, na época pertencente ao SBT (representada nesse período pela TV A Crítica).

Apesar da venda da extinta TV Ajuricaba, a CEGRASA - Central de Emissoras, Gravadoras e Repetidoras Ajuricaba S. A., que reúne as repetidoras existentes no interior do Amazonas, ainda permanece no nome da família Hauache, porém o controle da programação dessas emissoras passou a pertencer à Rede Brasil Norte, em umas das cláusulas do contrato de venda.

A decadência: de líder de audiência a emissora evangélicaEditar

Em 1992, a Família Hauache entra em uma nova licitação de uma nova emissora no Ministério das Comunicações e adquire nova concessão de canal. Os familiares criam a TV Manaus canal 10, como afiliada da Rede Record de Televisão. No entanto, a nova emissora, ao contrário da TV Ajuricaba, não inaugura repetidoras, que em setembro de 2007, perde a Rede Record e fecha contrato com o SBT, que era da TV A Crítica (o motivo pela perda foi motivado da TV A Crítica discordar às mudanças repentinas na programação do SBT, que prejudicaram a programação local, depois se aproximou a Rede Record, interessada ampliar o sinal no maior estado do Brasil). Porém, parte de seu controle acionário é vendido para o empresário Otávio Raman Neves, proprietário do jornal Amazonas Em Tempo, que troca a denominação da emissora para TV Em Tempo. A Família Hauache permanece ainda com 40% do controle acionário da emissora.

Em 1993, o Grupo Simões vende a Rede Brasil Norte (com problemas financeiros) ao pastor evangélico, da Igreja Assembléia de Deus, Samuel Câmara, da Família Câmara de orientação evangélica, que muda as inicias RBN para a Rede Boas Novas, pois o Ministério das Comunicações, o Grupo Simões e nem a Família Hauache não aceitaram a nova mudança de nome e nem assumir as dívidas trabalhistas (nos anos 80 e 90 era comum o atraso de salários). Com a venda, a emissora viu seus índices de audiência caírem rapidamente: de líder de audiência nos anos 70 e 80 com a Rede Globo e vice-líder de audiência nos anos 90 com a Rede Manchete, chegou a beirar zero após a venda e conversão da programação para conteúdo evangélico.

Apesar da venda da extinta RBN, a CEGRASA ainda permanece no nome da família Hauache, porém o controle da programação dessas emissoras, que era da Rede Brasil Norte de Televisão, passou a pertencer à Fundação Evangélica Boas Novas, que administra a Boas Novas, em umas das cláusulas do contrato de venda entre Hauache-Grupo Simões.

Em 2006, a TV Boas Novas Manaus troca de endereço, as dependências físicas do prédio na qual a TV Ajuricaba havia sido fundada em 1967, que inclui a mais alta torre de TV da Região Norte (a torre foi desmontada por ocasião de sua mudança de endereço), no Bairro de Santo Antônio (uma das áreas mais altas da cidade de Manaus), para um complexo que reúne igreja evangélica, faculdade de teologia, rádio e torre de transmissão no Bairro de Petrópolis. O antigo prédio que sediou a emissora foi comprado pela Fundação Evangélica Boas Novas.

Em agosto de 2007, a Família Câmara é obrigada a mudar o nome de “Rede Boas Novas” para apenas “Boas Novas”, depois que o Ministério das Comunicações cassou a concessão do canal 6 de Porto Velho e devolveu o canal para o Grupo Simões, por ter dois canais (6 e 49) retransmitindo a mesma emissora (proibida nas leis de comunicações no Brasil). Os familiares removeram apenas “Rede” depois que a Rede Brasil Norte voltou ao ar depois de 14 anos em Porto Velho, que afiliou-se à TV Diário. Por causa disso, o Grupo Simões entrou processo para que a Família Câmara devolvesse toda a rede de comunicações vendidas em 1993.

Até hoje, a Família Câmara não honrou compromissos financeiros com os antigos proprietários da TV Ajuricaba, Rede Brasil Norte, o Ministério das Comunicações e nem às dívidas trabalhistas. O pastor Samuel Câmara só assinou a concessão se honrasse e herdar as dívidas dos antigos proprietários e aceitar os termos impostos por Hauache e Grupo Simões. Câmara ficou apenas com a concessão e até hoje é dono da atual emissora.

Referências

  1. [http://www.unimar.br/pos/rev_D/comunicacao%20III.pdf Comunicação: Veredas,] pag. 111, 2004.

Ligações externasEditar

História da Televisão Amazonense

Precedido por
TV Manauana
TV Ajuricaba
1967 a 1986
Sucedido por
Rede Brasil Norte
Precedido por
Emissora Inexistente
Canal 38 UHF
1967 a 1970
Sucedido por
-
Precedido por
Emissora Inexistente
Canal 20 UHF
1970 a 1980
Sucedido por
TV Amazônia
Precedido por
Emissora Inexistente
Canal 8 VHF
Desde 1980
Sucedido por
Rede Brasil Norte