TV Colosso

programa infantil brasileiro produzido e exibido pela Rede Globo

TV Colosso foi um programa infantil de televisão brasileiro que substituiu o Show do Mallandro na Globo. O programa foi exibido entre 19 de abril de 1993 a 03 de janeiro de 1997. Criado e dirigido por Luiz Ferré, Beto Dorneles e Boninho, o programa era protagonizado por bonecos caracterizados como cães, simulando todas as instâncias de uma emissora de TV; do presidente ao office-boy.

TV Colosso
Logomarca do programa
Informação geral
Formato didático
Gênero Infantil, Comédia
Duração 240 minutos
Estado Cancelado
Criador(es) J.B. de Oliveira
Luiz Ferré
Beto Dorneles
País de origem  Brasil
Idioma original português
Produção
Diretor(es) Luiz Ferré
Mário Meirelles
J.B. de Oliveira
Roberto Vaz
Produtor(es) Mara Martins
Sérgio Barata
Lisa Cisconeto
Gilson de Souza
Produtor(es) executivo(s) Flávio Goldemberg
Cinematografia Multicâmera
Roteirista(s) Laerte
Angeli
Glauco
Luis Gê
Fernando Gonsales
Valério Campos
Toninho Neto
Vozes de Carlos Seidl
Garcia Júnior
Guilherme Briggs
Hamilton Ricardo
Hércules Fernando
Isis Koschdoski
Márcio Simões
Marco Antônio Costa
Marco Ribeiro
Mário Jorge
Mauro Ramos
Mônica Rossi
Reynaldo Buzzoni
Sheila da Silva e Sousa
Sheila Dorfman
Tema de abertura "Eu não Largo o Osso" (por Paquitas)
Tema de encerramento "Eu não Largo o Osso"
Composto por Michael Sullivan e Paulo Massadas
Empresa(s) produtora(s) Criadores e Criaturas
Central Globo de Produção
Localização Cidade do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
Exibição
Emissora original Globo
Formato de exibição 480i SDTV
Formato de áudio Estéreo
Transmissão original 19 de abril de 1993 (1993-04-19) – 3 de janeiro de 1997 (1997-01-03)

Havia a protagonista sheepdog, Priscila; o operador, Borges, um bulldog que era o diretor de imagem e ficava na cabine de controle da programação chamando os desenhos animados que complementavam a programação da TV Colosso. Aos sábados, era exibido um compacto com os melhores momentos da semana. A partir de 4 de junho de 1994, com a estreia de Xuxa Park, TV Colosso deixou de ser exibida aos sábados. Em janeiro de 1995, os horários das manhãs na Globo passaram a ser divididos entre TV Colosso e Xuxa Park.[1]

Como o programa era exibido de manhã e terminava por volta de meio-dia, na hora do almoço, um desses bonecos, vestido como chef, berrava com sotaque francês: Atention, tá na horrra de matarr a fomê, tá na mêss pessoaaaaal e era atropelado pelos outros, em louca disparada, que gritavam em dissonância "Até amanhã! Até amanhã!" terminando o programa.

O programa teve sua última exibição no dia 3 de janeiro de 1997, cedendo o horário aos programas Angel Mix e Caça Talentos, comandados por Angélica, que tiveram sua duração ampliada.

PersonagensEditar

O humor do programa, às vezes, não era tão infantil, pois havia frequentes referências ao "universo adulto" em meio aos bonecos, brincadeiras e piadas. Segundo o codiretor do programa Mário Meirelles, o programa utilizava uma linguagem cinematográfica e sutilezas criativas das sitcoms norte-americanas, o que facilitou o apelo do programa e dos personagens ao público adulto e adolescente. Havia, por exemplo, o apresentador do jornal Walter Gate, numa referência ao caso Watergate. No jornal havia ainda uma cadelinha do tempo, o diretor da TV chamado JF e o Capachildo Capachão, seu assistente puxa-saco, além das pulgas que ficavam sabotando a programação dentro dos circuitos eletrônicos. Ferré criou a protagonista Priscila, tendo como inspiração suas 3 amigas produtoras: o nome foi retirado de uma delas, o modo de caminhar da outra e os chiliques da última.[2]

Alguns dos programas apresentados pela TV Colosso eram paródias dos programas da Rede Globo e de outras emissoras e foram o noticiário "Jornal Colossal", sátira do Jornal Nacional; o "Clip-cão", paródia do Clip Clip, com o apresentador Thunderdog, um sósia canino do então VJ da MTV Thunderbird; a novela mexicana "Pedigree", "Os Vegetais não Mentem", "A Princesa Pirata" e outras cópias caninas das novelas da TV Globo; o seriado "As Aventuras do Super-Cão", remetendo ao seriado norte-americano As Aventuras do Superman exibido na época pela própria Globo; as "Olimpíadas de Cachorro", versão canina do Globo Esporte e Esporte Espetacular; e os programas do cachorro contador de histórias Jaca Paladium: o "Acredite Se Puder" e "Selvagem Mundo Animal" com os maiores absurdos da história satirizando respectivamente os programas "Acredite se quiser", famoso nos anos 80, "Mundo Animal" e as revistas eletrônicas da própria Globo como Globo Repórter e Fantástico. Até o Você Decide foi vítima de paródias caninas como "Você Escolhe". Para completar, "Priscila Superstar", "Capashow" e "Com a Pulga Atrás da Orelha" remetiam aos programas de auditório e variedades da Globo como Domingão do Faustão, TV Mulher e os programas da Xuxa.

ProduçãoEditar

A criação do programa esteve a cargo do gaúcho Luiz Ferré e de Beto Dornelles do Grupo Criadores e Criaturas/Cem Modos, com o apoio dos redatores Valério Campos e Toninho Neves que já trabalhavam com o grupo há muito tempo. Também participaram do programa cartunistas Angeli, Laerte, Glauco, Luiz Gê, Fernando Gonsales, Newton Foot, Gilmar Rodrigues, Adão Iturrusgarai, Flávio Luiz etc. Luiz Fernando Veríssimo também tinha feito roteiros para o programa, mas nunca foi oficialmente creditado. Ferré fazia cinema e quadrinhos antes da Globo convidá-lo para criar um substituto para o Xou da Xuxa em 1992, e em troca teve a ideia de um programa estrelado por personagens-bonecos antropomórficos.[3]

Ferré lembrou que a Globo lhe deu liberdade total de criação: "Uma vez aprovado o projeto, tive carta branca." A equipe do programa estudou confeccionar os bonecos no Centro de Tecnologia Aplicada da Rede Globo (Cetap), importar os bonecos e seus fabricantes estrangeiros ou terceirizar o processo de criação para a empresa Inventiva Bonecos e Cenários em Porto Alegre. O projeto do programa acabou sendo desenvolvido na conexão Porto Alegre (para onde a Globo enviou uma unidade técnica), São Paulo (onde Ferré mora e trabalha), Rio de Janeiro (onde o programa era gravado nos estúdios das produtoras Tycoon, Cinédia, Renato Aragão Produções (atual Casablanca Estúdios) e Herbert Richers,[4] uma vez que a Globo ainda não havia inaugurado os Estúdios Globo, que ainda estavam em fase de construção na época) e Los Angeles (onde foi comprada a tecnologia necessária para a confecção de bonecos nas oficinas em Porto Alegre). A Globo utilizou seu próprio departamento de efeitos especiais para manutenção dos bonecos. A equipe de produção contava com nada menos que 50 profissionais, 30 deles sendo manipuladores de fantoches. Ferré ainda lembrou que o grupo que criou o programa e os personagens-bonecos foi procurado por Boninho já que este tinha colaborado com o grupo no programa Clip Clip que foi ao ar nos anos 80. O grupo também já tinha criado os bonecos para o especial Plunct Plact Zum, também da Globo, e para uma versão da ópera O Barbeiro de Sevilha gravada pela TV Manchete.

Os mecanismos que davam expressão facial aos bonecos do programa foram desenvolvidos pela Inventiva, e a tecnologia animatronic foi criada e desenvolvida por Daniel Segal, que visitou os estúdios de cinema de Los Angeles para pesquisar tecnologia e materiais. Os movimentos eram comandados por radiocontrole, dando aos bonecos plena liberdade dos sets. Todos os personagens eram dublados por importantes dubladores brasileiros, como Mário Jorge de Andrade, Mônica Rossi, Márcio Simões, Garcia Júnior, Mauro Ramos e Hamilton Ricardo.

Alguns personagens como Priscilla, JF e Daniel eram manipulados por atores vestindo fantasias (a mesma técnica utilizada nos filmes japoneses do Godzilla). Por serem personagens de 2 metros de altura, as máscaras manipuladas por controle remoto não se encaixavam nas cabeças dos atores. Para isso, esses personagens eram manipulados por atores se revezando para suportar o peso das roupas antropomórficas, dançar e pular. Os movimentos faciais da Priscilla eram acionados por 5 servomotores, sendo o boneco animatronic mais simples do programa. Já outros personagens usavam 24 motores para conseguir os efeitos faciais mais convincentes. Os cenários, criados por Lia Renha, Maria Odile e Fernando Schmidt, possuíam diversas proporções variando da maquete às versões construídas em tamanho natural. Todos os objetos de cena foram confeccionados com lixo reciclado.

Técnicas de efeitos especiais foram utilizadas pela produção da TV Colosso, como o chroma key (recurso que permite que a imagem captada por uma câmera possa ser inserida sobre outra, criando-se a impressão de primeiro plano e fundo). Assim, podiam aparecer na tela personagens que voam, que mergulham no fundo do mar, ou que têm apenas suas cabeças. Foi também utilizado o newsmate (técnica que possibilita a colocação de uma imagem recortada sobre outra), que permite a fusão dos bonecos com o cenário imaginário. Foram também usados recursos de animação que produziam a animação dos raios do Bullborg e as aberturas dos quadros do programa. Para o longa-metragem baseado no programa, foram três versões do boneco do personagem Gilmar foram confeccionadas: animatronics, dublê para cenas perigosas e fantoche para as cenas principais. A cada dois meses, os bonecos eram postos numa banheira com água quente e lavados com xampu e condicionador.

MúsicaEditar

 Ver artigo principal: TV Colosso (álbum)
 Ver artigo principal: TV Colosso 2

O programa rendeu dois álbuns musicais, incluindo do tema de abertura "Eu Não Largo O Osso", de Michael Sullivan e Paulo Massadas, cantada pelas Paquitas, a músicas inspiradas nos personagens. O primeiro, de 1994, chegou a ser certificado com disco de ouro (100 mil cópias) pela ABPD.[5] O segundo volume, lançado em 1994, é a continuação da primeira trilha, contendo novas canções-tema dos personagens do programa.

EquipeEditar

VozesEditar

Direção de DublagemEditar

Outras mídiasEditar

Especiais e filmeEditar

Diversos especiais foram realizados, inclusive no próprio ano de estreia, quando houve o especial de Natal "TV Colosso Especial 1993". Na Copa de 1994, era exibido um clip com os personagens interpretando a música Coração Verde e Amarelo, tema da Globo para a Copa e que posteriormente seria convertido em tema das transmissões de futebol da emissora. Em 11 de outubro de 1995, em comemoração ao Dia das Crianças, foi exibido na faixa Terça Nobre o programa intitulado "TV Colosso Especial 1995", no qual os bonecos interagiam pela 1ª vez com atores. Um dos cenários utilizados foi a academia da série Malhação e grande parte do seu elenco colaborou no especial.[7] Um filme intitulado Super-Colosso: A Gincana da TV Colosso foi lançado no ano de 1995, baseado no programa infantil, com roteiro de Giba Assis Brasil e Laerte Coutinho e direção de Luiz Ferré.

Produtos licenciadosEditar

O programa gerou inúmeros produtos licenciados, destacando-se a revista em quadrinhos TV Colosso em Quadrinhos e o jogo eletrônico As Aventuras da TV Colosso. Em outubro de 2009, a Som Livre juntamente com a Globo Marcas lançou alguns DVDs com os melhores momentos da TV Colosso:

  • Vol. 1 - TV Colosso - A Princesa Pirata e as Aventuras do Supercão
  • Vol. 2 - TV Colosso - A Carrocinha do Amor e Outras Histórias
  • Vol. 3 - TV Colosso - Inimigos Para Sempre e a Dupla Rodoválio e Gumercindo

Peça teatral canceladaEditar

Em setembro de 2012, foi anunciado o retorno dos personagens do programa em um musical chamado "Canta Colosso" que seria realizado nos mesmos moldes dos musicais O Rei Leão e Avenida Q. Boa parte da equipe original do programa estaria reunida na montagem da peça e a Globo patrocinaria o projeto, porém o projeto foi cancelado.[8] Foi confirmado, porém, que a estreia será no primeiro semestre de 2015.[9]

CancelamentoEditar

Em agosto de 1996, a Globo anunciou ao grupo Criadores e Criaturas que o contrato seria encerrado e rescindido, o que levou ao cancelamento imediato e inesperado do programa. Mesmo com a contratação da apresentadora Angélica, que viria a ocupar as manhãs, havia ainda a possibilidade de divisão de horários entre TV Colosso e Angel Mix. Até hoje não se sabem as razões do cancelamento de TV Colosso, que na época possuía altos índices de audiência, no entanto, a versão mais provável é que a direção da Globo achou desgastada sua fórmula. A partir de setembro de 1996 a janeiro de 1997, foram exibidas reprises.[1] Em 16 de setembro de 1996, com a estreia de Angel Mix, o horário da TV Colosso foi reduzido. Em uma entrevista para o podcast Radiofobia concedida no final de novembro de 2011, o dublador Mario Jorge de Andrade afirmou que o motivo do cancelamento teria sido por razões políticas.[10]

Outros programasEditar

  • Em 2000, os personagens da TV Colosso retornaram numa participação especial do programa Bambuluá, no qual Priscila, Gilmar, JF e Capachão caem num chafariz de pipoca.
  • O robô Bullborg fez uma ponta num comercial do Banco Santander como criação de um inventor que recebe incentivos do banco à criação de novos produtos.
  • Em 2004, os mesmos personagens cantaram o tema "Eu Não Largo O Osso" no especial Estação Globo.
  • No Big Brother Brasil 7, realizado em 2007, um dos quartos da casa foi batizado pelo diretor Boninho com o nome TV Colosso.
  • Em 2008, personagens como Priscila, Gilmar, o Chef de Cozinha, Capachão e outros apareceram na edição especial de Dia das Crianças do Mais Você, em 10 de outubro
  • Em 2009, novamente no Mais Você, Priscila e outros personagens da TV Colosso apareceram em comemoração ao aniversário de Tom Veiga, ator que interpreta o boneco Louro José, no dia 6 de março. A mesma Priscila, pouco mais tarde, participou ao vivo de Video Show, falando sobre novidades da TV Colosso, como a peça de teatro Eu Não Largo O Osso e o lançamento de uma série de DVDs com os melhores momentos do programa.
  • Em 2009, os personagens da TV Colosso participaram do Criança Esperança.
  • Em 2015, a personagem Priscila participou do especial em comemoração aos 50 anos da TV Globo. Priscila aparece durante o bloco que homenageia a programação infantil da TV Globo, juntamente com Angélica, interpretando Fada Bela (da série Caça Talentos).
  • Ainda em 2015, no mês de outubro, a personagem Priscila apresentou o programa Video Show ao lado de Otaviano Costa e Monica Iozzi.

Referências

  1. a b «História: TV Colosso». Memória Globo. Consultado em 6 de janeiro de 2021 
  2. Zahar, Cristina (22 de dezembro de 1995). «Gilmar foi feito com quatro bonecos». Folha de S. Paulo. Consultado em 5 de janeiro de 2021 
  3. Zahar, Cristina (22 de dezembro de 1995). «Quem é o pai dos cachorros da TV». Folha de S.Paulo. Consultado em 5 de janeiro de 2021 
  4. «Globo finaliza maiores estúdios do mundo». Folha de S.Paulo. 28 de abril de 1995. Consultado em 6 de janeiro de 2021 
  5. «'Verdes' querem Lucélia deputada; 'Colosso' ganha disco de ouro; Cristiana Oliveira está em 'Maria Moura'; Denise encarna caipira no SBT». Folha de S.Paulo. 16 de janeiro de 1994. Consultado em 5 de janeiro de 2021 
  6. «Entrevista: Garcia Junior, dublador e diretor de criação». InfanTV. Consultado em 5 de janeiro de 2021 
  7. «Programas Especiais: TV Colosso». Memória Globo. Consultado em 5 de janeiro de 2021 
  8. Fernandes, Yuri (21 de setembro de 2012). «"TV Colosso" volta em forma de musical». RD1. Consultado em 5 de janeiro de 2021. Arquivado do original em 7 de março de 2014 
  9. Fernando Sousa (22 de setembro de 2014). «"Canta Colosso" – Musical da TV Colosso». ArteView. Consultado em 9 de janeiro de 2015 
  10. Lopes, Leo (30 de novembro de 2011). «RADIOFOBIA 72 – com Mario Jorge». Rádiofobia Podcast Network. Consultado em 14 de novembro de 2020 

Ligações externasEditar