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Califado Abássida

(Redirecionado de Abássidas)
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Califado Abássida
الخلافة العباسية
al-Khilāfah al-‘Abbāsīyyah

Império
(750–1258)
Dinastia Cerimonial baseada no Cairo sob o Sultanato Mameluco
(1261–1517)

Umayyad Flag.svg
750 – 1517

Bandeira de {{{nome_comum}}}

Estandarte Negro[1]

Localização de {{{nome_comum}}}
Califado Abássida na sua maior extensão, c. 850
Capital
Língua oficial Árabe (administração central); várias línguas regionais
Religião Islamismo sunita
Governo Califado
Califa
 • 750-754 As-Saffah (primeiro)
 • 1242-1258 Almostacim (último califa a reinar em Bagdá)
 • 1508-1517 Mutavaquil III (último califa do Cairo)
História
 • 750 Fundação
 • 1517 Dissolução
Moeda Dinar (de ouro)
Dirrã (de prata)
Precedido por
Sucedido por
Umayyad Flag.svg Califado Omíada
Império Otomano Flag of the Ottoman Empire.svg
Califado Fatímida White flag 3 to 2.svg
Sultanato Mameluco do Cairo Mameluke Flag.svg
Dinastia Safárida Aghlabids Dynasty 800 - 909 (AD)-pt.svg
Dinastia Ziyad Blank.png
Emirado Aglábida Aghlabids Dynasty 800 - 909 (AD)-pt.svg
Império Mongol Mongol Empire (greatest extent).svg

O Califado Abássida (em árabe: العبّاسيّون; transl.: al-‘abbāsīyūn), foi o terceiro califado islâmico. Ele foi governado pela dinastia Abássida de califas, que construíram sua capital em Bagdá após terem destronado o Califado Omíada, cuja capital era Damasco, com exceção da região de Alandalus.

O Califado Abássida foi fundado pelos descendentes de Abas ibne Abdal Mutalibe, o tio mais jovem de Maomé, em Harã, em 750 e mudou a sua capital em 762 para Bagdá. Prosperou por dois séculos, mas vagarosamente entrou em declínio com a ascensão do exército turco que eles mesmos haviam criado, os mamelucos. Menos de 150 anos após terem tomado o poder da Pérsia, os califas foram forçados a cedê-lo para emires dinásticos locais, que aceitavam sua autoridade de forma apenas nominal. O califado também perdeu as províncias ocidentais do Alandalus, Magrebe e Ifríquia para um príncipe omíada, para os Aglábidas e para o Califado Fatímida, respectivamente.

O governo dos abássidas foi exterminado por um breve período de 3 anos em 1258, quando o Hulagu, dos mongóis, saqueou Bagdá. Eles retomaram o poder no Egito mameluco em 1261, de onde continuaram a alegar autoridade religiosa sobre todos os muçulmanos até 1519, quando o poder foi formalmente transferido para o Império Otomano e a capital, realocada para Constantinopla (conquistada aos bizantinos em 1453).

Índice

AscensãoEditar

Os califas abássidas eram árabes descendentes de Abas ibne Abdal Mutalibe (566–662), um dos tios mais jovens de Maomé, que se consideravam os verdadeiros sucessores de Maomé e adversários dos Omíadas. Estes, por sua vez, eram descendentes de Omíada e formavam um clã que se separou de Maomé na tribo de coraixita. Eles conseguiram o apoio dos xiitas (da sub-seita haximita, derivada dos Xiitas caisanitas) contra os Omíadas ao se converterem temporariamente ao islamismo xiita e se juntando a eles em sua luta contra os Omíadas.

Os abássidas também se distinguiram dos Omíadas ao atacar seu caráter moral e a sua administração de forma geral. De acordo com Ira Lapidus, "A revolta abássida foi apoiada de forma geral por árabes, principalmente os incomodados colonizadores de Marve, mais a facção iemenita e seus 'mawali".[2] Os abássidas também apelaram para os árabes que ainda não se tinham convertido ao Islão, conhecidos como mawali, que permaneceram à margem da sociedade parental dos árabes e eram vistos como sendo uma classe inferior dentro do Império Omíada. Maomé ibne Ali ibne Abdalá, um bisneto de Abbas, começou a campanha pelo retorno da família de Maomé, os Haxemitas, na Pérsia, durante o reinado de Omar II.

Durante o reinado de Maruane II, esta oposição culminou na rebelião de Ibrahim, o imã, o quarto na linhagem de Abbas. Apoiado pela província do Coração (atualmente no Irã), ele teve um considerável sucesso, mas foi capturado no ano de 747, vindo a morrer na prisão. A luta então continuou com seu irmão, Abdalá, conhecido pelo nome de Abulabas Alçafá, que derrotou os Omíadas em 750 na Batalha de Zab, perto do Grande Zab, e foi subsequentemente proclamado califa.

PoderEditar

A primeira mudança realizada pelos abássidas foi mudar a capital do império de Damasco, na Síria, para Bagdá, atualmente no Iraque. Este movimento teve como razão um desejo de apaziguar - e se aproximar - da base de apoio mawali persa que existia na região, sob influência mais forte da história e cultura persa, e que demandavam uma influência menos "árabe" no império. Bagdá foi fundada no rio Tigre em 762 e um novo cargo, o de vizir foi criado para permitir a delegação do poder central, com parte ainda maior dele caindo sobre os emires locais. Eventualmente, isso significou que muitos califas abássidas eram relegados a uma posição simplesmente cerimonial do que na época dos Omíadas, uma vez que o vizir começou a exercer uma grande influência, substituindo a antiga aristocracia árabe pela burocracia persa.[3]

Os abássidas haviam dependido fortemente do apoio dos persas quando derrubaram os Omíadas. O sucessor de Abulabás, Almançor, quando mudou a capital de Damasco e convidou os muwali para a corte, ajudou a integrar as culturas árabe e persa, mas, ao mesmo tempo, alienou muitos de seus apoiadores árabes, particularmente os árabes de Coração que o haviam apoiado em suas batalhas contra os Omíadas. Estas fraturas na base de apoio dos abássidas quase que imediatamente causaram problemas. Os Omíadas, mesmo apeados do poder, não foram destruídos, uma vez que o último membro sobrevivente da casa real - que fora quase toda assassinada - conseguiu finalmente chegar a Espanha, onde se estabeleceu como um emir independente (Abderramão I, 756). Em 929, Abderramão III assumiu o título de califa, fundando Alandalus , com capital em Córdova, como uma rival a Bagdá ao título de capital do Império Islâmico.

Em 756, o califa abássida Almançor enviou mais de 4000 mercenários árabes para ajudar os chineses da dinastia Tang na Rebelião de An Shi contra An Lushan. Após a guerra, permaneceram na China.[4][5][6][7][8] O califa árabe Harune Arraxide iniciou uma aliança com os chineses[9] e diversas embaixadas dos califas árabes à corte chinesa foram preservadas nos anais dos Tang, o mais importante deles sendo os de (A-bo-lo-ba) Abulabas, o fundador de uma nova dinastia, a dos (A-p'u-ch'a-fo) Almançor, o construtor de Bagdá, e a de (A-lun) Harune Arraxide, melhor conhecido, talvez, nos dias de hoje através da obra popular conhecida como "As Mil e Uma Noites". Os abássidas (ou "Bandeiras Negras", como eles eram chamados), eram conhecidos na história chinesa como Heh-i Ta-shih, "Os árabes vestidos de preto".[10][11][12][13][14][15][16][17][18][19]

Era de OuroEditar

 Ver artigo principal: Idade de ouro islâmica
Em virtualmente qualquer campo de pesquisa - em astronomia, alquimia, matemática, medicina, ótica e assim por diante - os cientistas árabes estão na vanguarda do avanço científico[20]

A Era de Ouro do Islão foi inaugurada no meio do século VIII pela ascensão do Califado Abássida e pela transferência da capital de Damasco para Bagdá. Os abássidas fora influenciados pelas mandamentos e hádices corânicos, como "a tinta de um acadêmico é mais sagrada que o sangue de um mártir", estressando o valor do conhecimento. Durante este período, o mundo islâmico se tornou um centro intelectual para ciência, filosofia, medicina e a educação, pois os abássidas abraçaram a causa do conhecimento e criaram a Casa da Sabedoria em Bagdá. Ali, acadêmicos muçulmanos e não muçulmanos lutaram para juntar todo o conhecimento do mundo e traduzi-lo para o árabe. Diversas obras clássicas da Antiguidade, que de outra forma teriam se perdido, foram traduzidas para o árabe e o persa, e depois seria traduzidas para o turco, hebreu e o latim. Durante este período, o mundo muçulmano era um caldeirão de culturas que colecionava, sintetizava e avançava de modo significativo o conhecimento herdado de civilizações antigas como os romanos, os chineses, o indianos, os persas, os egípcios, os gregos e os bizantinos.[21]

Sob os MamelucosEditar

No século IX, os abássidas criaram um exército leal apenas ao califado, recrutado principalmente entre os escravos turcos e árabes, conhecidos como "Mamelucos", com alguns eslavos e berberes. Esta força, criada durante o reinado de Almamune (r. 813–833) e seu irmão e sucessor Almotácime (r. 833–842) evitou que o império se desintegrasse.[22]

O exército mameluco, embora geralmente visto de forma negativa, tanto ajudou quanto prejudicou o califado. No início, ele deu ao governo uma força estável para lidar com problemas domésticos e externos. Porém, a criação deste exército estrangeiro e a transferência da capital de Bagdá para Samarra por Almotácime criaram uma divisão entre os califas e o povo que eles alegavam governar. Além disso, o poder dos mamelucos cresceu de forma constante até que Arradi (r. 934–941) foi coagido a entregar a maior parte das funções reais para Maomé ibne Raique.[22]

Os abássidas continuaram a manter uma presença, uma ilusão de autoridade, confinada a assuntos religiosos, no Egito, sob o reinado dos Mamelucos.[22]

FimEditar

A dinastia abássida finalmente terminou com Mutavaquil III, que foi levado como prisioneiro por Selim I a Constantinopla, onde ele manteve um papel cerimonial até a sua morte em 1543.

CalifasEditar

Ver tambémEditar

Referências

  1. A Revolução Abássida contra o Califado Omíada adotou o preto pela sua rāyaʾ para o qual seus partidários foram chamados de musawwids. Tabari (1995). Jane McAuliffe, ed. Abbāsid Authority Affirmed. 28. [S.l.]: SUNY. p. 124  Os seus rivais escolheram outras cores em reação; entre estes, forças leais a Maruane II adotaram o vermelho. Patricia Crone (2012). The Nativist Prophets of Early Islam. [S.l.: s.n.] p. 122 . A escolha do preto como a cor da Revolução Abássida já foi motivada pela tradição "Estandartes Negros fora de Coração" associada aos Mádi. O contraste de branco versus preto como a cor dinástica Omíada vs. Abássida ao longo do tempo desenvolveu-se em branco como a cor do Islão Xiita e preto como a cor do Islão Sunita: "Os prosélitos da Revolução Abássida tiraram proveito das expectativas escatológicas levantadas pelas bandeiras negras em sua campanha para minar a dinastia Omíada a partir de dentro. Mesmo depois de os Abássidas terem triunfado sobre os Omíadas em 750, eles continuaram a usar preto como a sua cor dinástica, não apenas nos estandartes, mas também nos chapéus e nas vestes dos califas Abássidas. [...] O negro onipresente criou um contraste marcante com as faixas e a cor dinástica dos Omíadas, que era o branco [...] O califado Xiita Ismaelita, fundado pelos Fatímidas, tomou o branco como a sua cor dinástica, criando um contraste visual com o inimigo Abássida [...] o branco tornou-se a cor Xiita, em oposição deliberada ao negro do estabelecimento "Abássida"'." Jane Hathaway, A Tale of Two Factions: Myth, Memory, and Identity in Ottoman Egypt and Yemen, 2012, p. 97f. Após a revolução, os círculos Islâmicos apocalípticos admitiram que as bandeiras Abássidas seriam negras, mas afirmaram que o estandarte dos Mádi seria negro e maior.. David Cook (2002). Studies in Muslim Apocalyptic, p. 153. Anti-Abbasid circles cursed "the black banners from the East", "first and last". Patricia Crone (2012). The Nativist Prophets of Early Islam. [S.l.: s.n.] p. 243 
  2. Ira Lapidus. A History of Islamic Societies. Cambridge University Press. 2002 ISBN 0-521-77056-4 p.54
  3. Applied History Research Group, University of Calgary, "The Islamic World to 1600", Last accessed 2008-10-30
  4. Oscar Chapuis (1995). A history of Vietnam: from Hong Bang to Tu Duc. [S.l.]: Greenwood Publishing Group. p. 92. 216 páginas. ISBN 0313296227. Consultado em 28 de junho de 2010. 
  5. Joseph Mitsuo Kitagawa (2002). The religious traditions of Asia: religion, history, and culture. [S.l.]: Routledge. p. 283. 375 páginas. ISBN 0700717625. Consultado em 28 de junho de 2010. 
  6. Bradley Smith, Wango H. C. Weng (1972). China: a history in art. [S.l.]: Harper & Row. p. 129. 296 páginas. Consultado em 28 de junho de 2010. 
  7. Hugh D. R. Baker (1990). Hong Kong images: people and animals. [S.l.]: Hong Kong University Press. p. 53. 172 páginas. ISBN 9622092551. Consultado em 28 de junho de 2010. 
  8. Charles Patrick Fitzgerald (1961). China: a short cultural history. [S.l.]: Praeger. p. 332. 624 páginas. Consultado em 28 de junho de 2010. 
  9. Dennis Bloodworth, Ching Ping Bloodworth (2004). The Chinese Machiavelli: 3000 years of Chinese statecraft. [S.l.]: Transaction Publishers. p. 214. 346 páginas. ISBN 0765805685. Consultado em 28 de junho de 2010. 
  10. Marshall Broomhall (1910). Islam in China: a neglected problem. LONDON 12 PATERNOSTER BUILDINGS, E.C.: Morgan & Scott, ltd. p. 25. Consultado em 14 de dezembro de 2011. 
  11. Frank Brinkley (1902). China: its history, arts and literature, Volume 2. Volumes 9-12 of Trübner's oriental series. BOSTON AND TOKYO: J.B.Millet company. p. 150. Consultado em 14 de dezembro de 2011.  Original from the University of California
  12. Frank Brinkley (1904). Japan [and China]: China; its history, arts and literature. Volume 10 of Japan [and China]: Its History, Arts and Literature. LONDON 34 HENRIETTA STREET, W. C. AND EDINBURGH: Jack. p. 150. Consultado em 14 de dezembro de 2011.  Original from Princeton University
  13. Arthur Evans Moule (1914). The Chinese people: a handbook on China ... LONDON NORTHUMBERLAND AVENUE, W.C.: Society for promoting Christian knowledge. p. 317. Consultado em 14 de dezembro de 2011.  Original from the University of California
  14. Herbert Allen Giles (1886). A glossary of reference on subjects connected with the Far East 2 ed. HONGKONG: Messrs. Lane. p. 141. Consultado em 14 de dezembro de 2011. 
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  19. Deutsche Literaturzeitung für Kritik der Internationalen Wissenschaft, Volume 49, Issues 27-52. [S.l.]: Weidmannsche Buchhandlung. 1928. p. 1617. Consultado em 14 de dezembro de 2011.  Original from Indiana University
  20. Huff, Toby E., The Rise of Early Modern Science: Islam, China, and the West, (Cambridge University Press, 2003), 48.
  21. Vartan Gregorian, "Islam: A Mosaic, Not a Monolith", Brookings Institution Press, 2003, pg 26–38 ISBN 0-8157-3283-X
  22. a b c «Abbasids» (em inglês). Encyclopædia Britannica (11ª edição). Consultado em 24 de setembro de 2010. 
 
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