Adriana Calcanhotto

Cantora brasileira de MPB
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Adriana da Cunha Calcanhotto (Porto Alegre, 3 de outubro de 1965) é uma cantora, compositora, intérprete, instrumentista,[5] produtora musical, arranjadora, escritora[6] e ilustradora brasileira,[7] além de atuar como professora[8][9] e embaixadora da Universidade de Coimbra, em Portugal.[10]

Adriana Calcanhotto
Adriana em entrevista ao jornal Destak em 2008
Nome completo Adriana da Cunha Calcanhotto
Nascimento 3 de outubro de 1965 (55 anos)
Porto Alegre, RS, Brasil
Nacionalidade brasileira
Ocupação
Período de atividade 1990–presente
Carreira musical
Gênero(s)
Instrumento(s)
Gravadora(s)
Afiliações
Página oficial
adrianacalcanhotto.com

Adriana Calcanhotto iniciou a trajetória artística em meados dos anos 1980, com apresentações em bares e casas noturnas de sua cidade natal, Porto Alegre, no sul do Brasil. Após uma sequência de temporadas bem-sucedidas no circuito vanguardista de Porto Alegre e São Paulo, foi convidada para cantar no Rio de Janeiro em fevereiro de 1989. A boa repercussão da crítica levou ao primeiro disco, “Enguiço” (1990), que trazia parte do repertório dos shows que a revelaram e lhe rendeu o Prêmio Sharp de Revelação Feminina .

O álbum seguinte, “Senhas” (1992), foi o primeiro concebido e produzido totalmente pela cantora e incluía uma leva de composições próprias, como “Mentiras” e “Esquadros”, sucessos radiofônicos que até hoje perduram tanto nos pedidos de bis em seus shows quanto nas rádios.

Outra canção desta lista é “Metade”, presente em seu trabalho de estúdio posterior, “A Fábrica do Poema” (1994), que foi considerado pela imprensa “o disco do ano”, em que estabeleceu parcerias com poetas e compositores como Waly Salomão (1943 – 2003), Péricles Cavalcanti, Cid Campos e Arnaldo Antunes.

“Maritmo”, gravado em 1998, é primeiro título de sua discografia com referências explícitas ao mar, que também vão aparecer em “Maré” (2008), “Olhos de Onda” (2014) e “Margem” (2019). Um dueto com Dorival Caymmi (1914 – 2008) em “Quem Vem Pra Beira do Mar”, a regravação de “Mais Feliz” (Dé, Bebel e Cazuza) e o hit “Vambora” foram alguns dos destaques. Ainda neste trabalho e no show decorrente, a cantora sublinha a forte ligação com as artes visuais, com citações à obra de Helio Oiticica em “Parangolé Pamplona”. Caetano Veloso, outra inspiração tropicalista, foi devorado em “Vamos Comer Caetano” em canção composta somente com samples  de diversas gravações do artista.

Dois anos antes, teve as músicas “Uns Versos” e “Âmbar” gravadas por Maria Bethânia em álbum batizado pela segunda canção. Suas canções foram gravada por artistas como Gal Costa, Ney Matogrosso, Marisa Monte, Simone, Belchior, Los Hermanos, Teresa Cristina e Ed Motta.

Em seu primeiro disco ao vivo, Adriana se voltou para o formato de voz e violão, presente no início da carreira e sempre retomado em shows paralelos às turnês oficiais. “Público” (2000) deu origem a um DVD e centenas de shows pelo Brasil em uma turnê que durou dois anos e que trazia o sucesso pinçado da Jovem Guarda, “Devolva-me”.

“Cantada” (2002) foi o novo álbum de estúdio e estabeleceu parcerias com músicos da nova geração. O trio +2 (Moreno Veloso, Domenico Lancellotti e Kassin), Daniel Jobim e as bandas Los Hermanos e Bossacucanova. O clipe de “Pelos Ares” foi gravado na instalação permanente de Helio Oiticica no Museu do Açude, no Rio, com direção de Susana Moraes.

Em 2004, surge o heterônimo infantil Adriana Partimpim, que estreou em disco homônimo e rendeu um show teatral registrado em DVD. Com o projeto recebeu o Grammy Latino na categoria Melhor Álbum Infantil. Partimpim voltaria a aparecer em outros dois trabalhos de estúdio: “Dois” (2009) e “Tlês” (2012). E rendeu mais um DVD ao vivo Partimpim Dois é Show. Ainda no universo infantil, Adriana Calcanhotto assinou as ilustrações de “O Poeta Aprendiz” (2003), de Vinicius de Moraes e Toquinho, e “Melchior, o Mais Melhor” (2011), de Vik Muniz.

Após o sucesso de Partimpim, Adriana fez turnê pela Europa com o show + Ela, ao lado do trio +2 (Moreno Veloso, Domenico Lancellotti e Kassin). Na volta ao Brasil gravou seu sexto álbum de estúdio, “Maré” (2008), o segundo da trilogia marítima. O repertório retomava Caymmi (“Sargaço Mar”) e apresentava parcerias com Arnaldo Antunes, Moreno Veloso e Dé Palmeira. Durante a excursão portuguesa de lançamento do disco escreve “Saga Lusa – O Relato de Uma Viagem”, lançado nesse ano ainda.

Em 2011, produz o seu primeiro disco inteiramente autoral: “O Micróbio do Samba”, cujo título faz alusão a uma expressão do conterrâneo Lupicínio Rodrigues. A safra de composições era contaminada pelo ritmo e rendeu um aclamado show, eternizado em DVD no ano seguinte.

Retoma o formato de voz e violão a convite da Culturgest e estreia em Lisboa o show solo “Olhos de Onda” (2013/2014), que gerou o seu segundo álbum ao vivo, e um DVD. O roteiro apresentava novidades autorais, como “Motivos Reais Banais” em parceria com o poeta Waly Salomão e “Sendo Amor”, dela própria, além de releituras de hits como “Back to Black” de Amy Winehouse e “Me Dê Motivo”.

Em 2014, a convite da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nos festejos de seus 80 anos,  Adriana idealizou um show inédito para festejar o centenário de Lupicínio Rodrigues. Em apresentação única reuniu os músicos c Arthur Nestrovski, Cezar Mendes, Cid Campos, Dadi Carvalho, Alberto Continentino e Jessé Sadoc. “Loucura”, lançado em julho de 2015, ganhou no ano seguinte o Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor DVD.

Em dezembro de 2015 faz recital de poesia portuguesa e brasileira na Biblioteca Joanina, em Coimbra, com o violonista Arthur Nestrovski como convidado, ocasião em que foi nomeada Embaixadora da Universidade de Coimbra.

Em agosto de 2016 lançou no Rio de Janeiro, com curadoria do poeta Eucanaã Ferraz, seu livro de letras “Pra que é que serve uma canção como essa?”. Letras das suas canções selecionadas por Eucanaã, que afirma haver “uma escrita Adriana”.

Em 2017 fez residência artística e deu aulas na Universidade de Coimbra sobre poesia portuguesa e brasileira, trovadores provençais e galegos, sobre a invenção da língua portuguesa e a canção popular do Brasil, em master classes. Ao final da temporada em Coimbra estreou na cidade em concerto ao ar livre “A Mulher do Pau Brasil”, espetáculo de inspiração modernista e antropófaga (espécie de continuação do show de mesmo nome que estreou em 1987 em Porto Alegre),  com o qual fez turnê em Portugal e no Brasil.

Nos anos 2018 e 2019 ministrou o curso de composição “Como escrever canções” a convite da Universidade de Coimbra. Em 2019 lançou o terceiro álbum da sua trilogia marítima, Margem, com turnê de shows no Brasil, Europa e EUA.

Em 2020 a turnê Margem seguiria por Portugal e Europa no primeiro semestre.

O mundo parou em março de 2020, quando foi decretada pandemia. E o tempo ganhou novo sentido. Só que a arte subverte, como sempre, tempo e espaço e brota no novo disco de Adriana Calcanhotto, “SÓ canções da quarentena” – um trabalho concebido, composto, registrado e lançado durante a quarentena.

BiografiaEditar

Infância e famíliaEditar

É filha de Carlos Calcanhoto, baterista de jazz e bossa nova, e de Morgada Assumpção Cunha, bailarina e professora de Educação Física. Aos seis anos ganha da avó o primeiro instrumento: um violão. Aprendeu a tocar o instrumento e também, mais tarde, a cantar. Logo emergiu nas influências musicais (MPB) e literárias (Modernismo Brasileiro). Ficou fascinada pelo Movimento antropofágico de Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e outros nomes daquele movimento cultural.

A vida artística iniciou-se em bares de Porto Alegre, como o Fazendo Artes, situado próximo à I Cia. de Guardas do Exército, próximo ao Parque Farroupilha, e o Porto de Elis, na av. Protásio Alves. Também trabalhou em peças teatrais e depois se lançou em concertos e festivais por todo o país no estilo voz e violão.

Casou-se com Suzana de Moraes em 2010, permanecendo com a atriz e produtora cultural até que essa viesse a falecer em 2015, vítima de complicações no tratamento de um câncer de útero. Elas viviam juntas desde 1989. Quando sua companheira por 26 anos faleceu, declarou: "foi-se o amor da minha vida."[11]

Os primeiros álbunsEditar

O primeiro disco, Enguiço, lançado em 1990 pela gravadora CBS, trouxe canções de autoria (a faixa título e Mortaes) e regravações de clássicos da MPB (Sonífera Ilha, do grupo Titãs, Caminhoneiro de Roberto e Erasmo Carlos, Disseram que Voltei Americanizada, gravada por Carmem Miranda, e Nunca, do conterrâneo Lupicínio Rodrigues).

Naquela estação, por sua vez, integrou a trilha sonora da telenovela global Rainha da Sucata, de Sílvio de Abreu (1990). Tal música lançou a carreira da cantora e tornou-a conhecida. No ano seguinte, recebeu o Prêmio Sharp de revelação feminina. No segundo trabalho, Senhas, de 1992, o repertório estava focado nas canções de autoria, com destaque para Esquadros e Mentiras; esta última foi incluída na trilha da novela Renascer, de Benedito Ruy Barbosa.

Em 1994, a fórmula dá sinais de cansaço e desgaste devido à exposição excessiva na mídia. Por isso, nesse mesmo ano lançou o LP A Fábrica do Poema, com algumas doses de experimentalismo (poemas de Augusto de Campos, Gertrude Stein, textos do cineasta Joaquim Pedro de Andrade e parcerias com Waly Salomão, Arnaldo Antunes, Antônio Cícero e Jorge Salomão). Neste disco, que também foi o último a ter versão em vinil, os destaques foram Metade e Inverno. Prosseguiu com o álbum Maritmo, que simulou uma incursão pela dance music (Pista de dança, Parangolé Pamplona), samplers (Vamos comer Caetano), e a regravação de Quem vem para beira do mar, de Dorival Caymmi, além dos hits radiofônicos Vambora, de sua autoria, e a regravação Mais Feliz, de Cazuza.

Uma das participações foi uma performance na livraria Argumento, no Rio de Janeiro, musicando poemas do poeta português Mário de Sá Carneiro em 1996. Um deles, O Outro acabou por entrar no CD Público (2000), que trazia regravações dos antigos sucessos entre outras canções consagradas e também rendeu um DVD, lançado no ano seguinte pela gravadora BMG.

No mesmo ano, a canção Devolva-me integrou a trilha da novela Laços de Família como tema de Clara (Regiane Alves) e Fred (Luigi Baricelli). A música também estava presente no álbum Público

Novos álbuns, a Partimpim, livro e apresentaçõesEditar

 
Adriana durante um show, promovendo o álbum "Adriana Partimpim"

Em 2002 foi lançado o álbum Cantada, obra que recebeu um disco de platina, o que significa que vendeu mais de 250 mil cópias no país, e que contou com músicas, dentre outros compositores, de Antonio Cicero, Péricles Cavalcanti e Arnaldo Antunes.

Em 2004, Adriana lançou o álbum Adriana Partimpim, uma seleção de canções para crianças, com o qual ganhou o prêmio Grammy Latino de melhor álbum infantil.[12] No CD, a cantora usou um pseudônimo, utilizado também para o título do disco, feito para crianças, ou como Adriana prefere chamar, “disco de classificação livre”. O título do CD é um apelido de infância e, segundo Adriana, seu pai continua a chamá-la dessa maneira. Esse é o sétimo álbum da carreira e um projeto audacioso iniciado em 1999. Por este trabalho Adriana recebeu os prêmios “Faz Diferença” do jornal O Globo, e na categoria “Melhor Disco Infantil”, o Prêmio Tim e recebeu um disco de ouro, por ter vendido mais de 100.000 cópias no Brasil.

O álbum rendeu, em 2005, um álbum ao vivo intitulado "Adriana Partimpim - O Show". O projeto recebeu um disco de ouro por ter vendido mais de 50 mil cópias no país.

Em 2007, participou da Cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro.

Em 2008, continuando a trilogia com temática sobre o mar[13] iniciada dez anos antes, foi lançado o álbum Maré (2008), uma seleção de canções da nova MPB. Três canções deste trabalho estiveram nas trilhas de novelas da Rede Globo: Mulher Sem Razão, em A Favorita; Três, em Ciranda de Pedra; e Um Dia Desses, em Três Irmãs.

Nesse mesmo ano, Adriana aventurou-se pela primeira vez no texto em prosa e lançou o livro Saga Lusa. O livro é um relato da viagem a Portugal em sua turnê do disco Maré. O relato mostra como foram as 120 horas sem dormir e delirando aos efeitos causados por uma mistura de remédios para curar uma forte gripe. A escrita feita nos momentos de delírio, insônia e medos torna-se a única atividade que Adriana, sentada em frente ao seu computador realiza e com muito bom humor. O livro está repleto de passagens engraçadas nos momentos de delírio, onde a própria escritora ri de si mesma. O livro foi lançado pela Editora Cobogó (Brasil) com capa em 4 cores diferentes e por Quasi Edições (Portugal).

 
Cantora Adriana Calcanhotto tocando um violoncelo promovendo o álbum Maré

Em 2009 é lançado o CD Partimpim Dois, segundo da cantora utilizando seu heterônimo e dedicado às crianças. Posteriormente foi lançado um álbum de vídeo intitulado "Partimpim Dois é Show!".

"O Micróbio do Samba", "Trobar Nova"Editar

Em março de 2011, após Adriana lança o álbum O Micróbio do Samba, dedicado ao samba, o álbum é composto por canções escritas pela própria Adriana, duas canções já haviam sido gravadas por outras cantoras, "Beijo sem" por Teresa Cristina e "Vai saber?" por Marisa Monte.[14] No mesmo período, Adriana esteve empenhada numa turnê musical intitulada "Trobar Nova".[15]

Após uma promoção com shows em algumas casas, é lançado o DVD/CD "Micróbio Vivo", em parceria com o canal de televisão Multishow.[16]

"Tlês", "Olhos de Onda", Prêmio da Música Brasileira e "Loucura"Editar

Em outubro de 2012 foi lançado o álbum Partimpim Tlês, novamente voltado às crianças. O álbum tem músicas de Chico Buarque, Gilberto Gil, Ben Jor, Caymmi e Gonzaguinha.[17] Foi confirmado em março de 2013 que Adriana retornaria aos palcos com um show chamada Olhos de Onda, em abril de 2013, em algumas cidades de Portugal.[18][19] O show virou turnê[20] e mais tarde, em 2014, álbum ao vivo de mesmo nome.

Em junho de 2013, Adriana apresentou, ao lado de Zélia Duncan a edição daquele ano do Prêmio da Música Brasileira.[21]

Em 4 de dezembro 2014, a cantora subiu ao palco do Salão de Atos da UFRGS para realizar uma homenagem a seu conterrâneo Lupicínio Rodrigues. O show, de uma única apresentação, foi gravado e posteriormente lançado como CD e DVD ao vivo sob o nome Loucura. O repertório conta com clássicos do repertório de Rodrigues, como Nervos de aço.

A Mulher do Pau-BrasilEditar

De abril de 2018 a fevereiro de 2019, a cantora esteve empenhada na turnê musical internacional A Mulher do Pau-Brasil, que a levou aos principais palcos do Brasil e de Portugal, onde a gaúcha havia trabalhado como professora convidada previamente pelo curso de Letras da Universidade de Coimbra. O show foi idealizado como “concerto-tese”, ou seja, uma conclusão da residência artística de Adriana Calcanhotto na Universidade, onde esteve nos últimos dois anos entre cursos e apresentações. A imensa repercussão do show gerou uma turnê que começou pela Europa e chegou a diversas cidades brasileiras a partir de agosto. Acompanhada por Bem Gil e Bruno Di Lullo, Adriana elaborou um roteiro com músicas compostas no período lusitano, releituras (a recente “As Caravanas”, de Chico Buarque, por exemplo) e também reencontra clássicos de seu repertório, como “Inverno”, “Vambora” e “Esquadros”.

A inédita canção-título abre o show em tom autobiográfico (“Nasceu no Sul / Foi para o Rio / E amou como nunca se viu”) e também retoma o nome de um espetáculo do início da carreira de Adriana (“A Mulher do Pau Brasil”), ainda em Porto Alegre nos anos 80.

Foi quando começou a ser instigada pelo “Manifesto da Poesia Pau Brasil”, do modernista Oswald de Andrade, e toda a sua influência no movimento tropicalista décadas depois. Tais temas sempre estiveram presentes em sua obra e ressurgiram com intensidade no período português.

Não à toa que “Vamos Comer Caetano”, composta para o disco “Maritmo” (1998), foi retomada no repertório e sublinha o conceito antropofágico da apresentação, através da ideia de devorar, se apropriar e reinventar a informação que vem de fora.

“Costumavam me perguntar se eu já tinha virado portuguesa e eu sempre respondia que não. Nunca me senti tão brasileira como agora”, conta Adriana, que foi nomeada Embaixadora da Língua Portuguesa da Universidade de Coimbra no final de 2015.[22]

Nada Ficou no Lugar e MargemEditar

No dia 18 de dezembro, em 2018, a cantora anunciou em suas redes sociais um álbum em seu tributo, que seria cantado por artistas do novo cenário musical brasileiro, e com músicas clássicas e "lado B" da cantora. O projeto, denominado Nada Ficou no Lugar, foi lançado em partes: No dia 21 de dezembro de 2018, Jonny Hooker, Mahmundi, Rubel, Priscila Tossan, Ava Rocha e O Quadro interpretaram, respectivamente as canções Mentiras, Cariocas, Por que Você Faz Cinema?, Vambora, Âmbar e Negros. Já em 2019, no dia 18 de Janeiro, Baco Exu do Blues ficou com Senhas, Illy com Pelos Ares, Alice Caymmi com Metade, Mãeana com O Amor me Escolheu, Larissa Luz com Vai Saber e ATTØØXÁ com Toda Sexta-Feira. Já no dia 15 de fevereiro, Pode se Remoer ficou com Preta Gil, Seu Pensamento com Duda Beat, Esquadros com Jaloo, Já Reparô com Letrux, Cantada com Arthur Nogueira e Inverno com Taís Alvarenga.[23]

Em 07 de junho de 2019, após um hiato de sete anos de gravações em estúdio, a cantora lançou o seu décimo disco: Margem, o último capítulo de uma trilogia iniciada com Maritmo (1998) e Maré (2008),[24] e que já havia tido 3 músicas reveladas anteriormente por meio de 3 singles e clipes, sendo eles: Ogunté, Margem, e Lá Lá Lá. No dia de lançamento do álbum, foi lançado junto o clipe da balada Dessa Vez. Depois disso, foi a vez de Era Pra Ser, Tua e Príncipe das Marés ganharem videoclipe.

A cantora encontra-se atualmente numa turnê em promoção do disco marinho, num show que une os três álbuns de sua trilogia. A apresentação conta também com sucessos que não fazem parte dessa tríade e que podem ou não ter ambiência marítima, como é o caso de Devolva-me e Maresia, além do sucesso de Chico Buarque Futuros Amantes que aparece apenas na edição japonesa do álbum.[25]

No dia 14 de dezembro de 2019, a Turnê Margem rendeu uma gravação realizada na Cidade das Artes que tem previsão para se converter em CD e DVD ao vivo em 2020. O show realizado no Rio de Janeiro contou com a participação de Rubel que, com a gaúcha, cantou Você me pergunta, uma composição feita em parceria entre os dois cantores; e Esquadros, escrita por Adriana.[26]

SÓ canções da quarentenaEditar

O mundo parou em março quando foi decretada pandemia. E o tempo ganhou novo sentido. Só que a arte subverte, como sempre, tempo e espaço e brota no novo disco de Adriana Calcanhotto, “SÓ canções da quarentena” – um trabalho concebido, composto, registrado e lançado durante a quarentena. “SÓ” é urgente dessa forma. Basta colocar em comparação com “Margem”, o trabalho anterior de Adriana, que foi lançado em 2019 mas trazia uma década de elaboração e sete anos de ausência de gravações de estúdio. O álbum novo foi composto, produzido, gravado e mixado em 43 dias, entre 27 de março e 8 de maio (a ficha traz até a hora em que cada canção foi escrita, junto ao dia). A produção musical é do cantor e compositor paraense Arthur Nogueira com coprodução dos músicos STRR e Leo Chaves.

“Em onze dias eu tinha trinta minutos de música”, diz a cantora e compositora.

Mas não confunda com um disco feito às pressas. “SÓ” é fruto de um método tão novo para Adriana quanto adaptado ao que o mundo se tornou com a proliferação da covid-19.

Ela foi impedida de voltar para Coimbra, em Portugal, onde leciona e é embaixadora da universidade que carrega o nome da cidade. No Rio de Janeiro, seu relógio artístico passou a despertá-la todos os dias com o desafio de compor uma música até a hora do almoço. “Como se tivesse a missão de fazer pão todos os dias. Mas não sei fazer pães, só sei fazer canções.” O sentido é completo pela temática das músicas, pela ordem cronológica de composição em que as nove faixas formam o repertório do disco e pela forma em que foi arranjado, gravado e produzido, entre São Paulo, Rio, Belém, Salvador, Orlando e Tóquio.

Como bem diz Adriana, enquanto compunha e lança “SÓ”, “o planeta respira”. (É) o que temos, conforme mais uma citação à obra. E o que temos é lindo. Assim como a dedicatória do álbum, a Moraes Moreira, que se foi durante a pandemia, mas que é imortal como toda arte.

Vida pessoalEditar

Adriana Calcanhoto teve como cônjuge a cineasta Suzana de Moraes (falecida em 2015[27]), filha do poeta e compositor Vinícius de Moraes, por mais de 25 anos.[28] O casal, que já morava junto há muitos anos, declarou a união civil na Justiça (já que na época o casamento homossexual não era permitido, e só veio a ser regulamentado pelo STF em 2011) e depois comemorou a decisão com cerimônia e uma festa íntima apenas para amigos e familiares, oficializando a união em 2010, levando a uma grande noticiação de sua relação por diversos meios de comunicação, tanto brasileiros[29][30] como portugueses.[31][32]

Embaixadora da Universidade de Coimbra, em Portugal, desde 2015, a brasileira foi professora da Faculdade de Letras dessa mesma universidade nos dois últimos anos, tendo ministrado o curso "Como Escrever Canções" e também cursado Arqueologia.[33][34]

DiscografiaEditar

Discografia de Adriana Calcanhotto
Álbuns de estúdio 12
Álbuns ao vivo 4
Álbuns de compilação 2
Álbuns de vídeo 5
Ano Detalhes do álbum Certificações
Vendas
1990 Enguiço
1992 Senhas
  • Lançado: 1992
  • Gravadora: CBS/Columbia Records
1994 A Fábrica do Poema
1998 Maritmo
2000 Público
2001 Perfil - Adriana Calcanhotto
2002 Cantada
  • Lançado: 2002
  • Gravadora: BMG
2004 Adriana Partimpim
  • Lançado: 2004
  • Gravadora: BMG
2005 Adriana Partimpim - O Show
  • Lançado: 2005
  • Gravadora: BMG
2008 Maré
2009 Partimpim Dois
  • Lançado: 2009
  • Gravadora: Sony Music
2010 Seleção Essencial
  • Lançado: 2010
  • Gravadora: Sony Music
2011 O Micróbio do Samba
  • Lançado: 21 de março de 2011
  • Gravadora: Sony Music
2012 Multishow ao Vivo: Micróbio Vivo
  • Lançado: 25 de junho 2012
  • Gravadora: Sony Music
2012 Partimpim Tlês
  • Lançado: 1 de outubro de 2012
  • Gravadora: Sony Music
2014 Olhos de Onda
  • Lançado: 6 maio de 2014
  • Gravadora: Sony Music
2015 Loucura
  • Lançado: 31 de julho de 2015
  • Gravadora: Sony Music
2019 Margem
  • Lançado: 7 de junho 2019
  • Gravadora: Sony Music
2020
  • Lançado: 29 de maio de 2020
  • Gravadora: Minha Música

Trilhas sonorasEditar

Ano Música Álbum
1990 "Naquela Estação" tema de Mariana (Renata Sorrah) Composição: João Donato / Caetano Veloso / Ronaldo Bastos Rainha da Sucata
1993 "Mentiras" tema de Mariana (Adriana Esteves) Composição: Adriana Calcanhotto Renascer
1994 "Metade" tema de Babalu (Letícia Spiller) Composição: Adriana Calcanhotto Quatro por Quatro
1996 "E... O Mundo Não Se Acabou" tema geral Composição: Assis Valente O Fim do Mundo
1996 "Inverno" tema de Tininha e Manuel Boi (Ana Kutner e Taumaturgo Ferreira) Composição: Adriana Calcanhotto Colégio Brasil
1998 "Vambora" tema de Rafaela e Leila (Christiane Torloni e Sílvia Pfeifer) Composição: Adriana Calcanhotto Torre de Babel
1999 "Mais Feliz" tema de Maria Regina (Letícia Spiller) Composição: Dé / Bebel Gilberto / Cazuza Suave Veneno
1999 "A Brasileira" tema geral Composição: Chiquinha Gonzaga Chiquinha Gonzaga
2000 "Devolva-me" tema de Capitu e Fred (Giovanna Antonelli e Luigi Baricelli) Composição: Renato Barros / Lilian Knapp Laços de Família
2002 "Maresia" tema de Diogo (Herson Capri) Composição: Antônio Cícero / Paulo Machado Desejos de Mulher
2002 "Pelos Ares" tema de Lara (Déborah Secco) Composição: Adriana Calcanhotto / Antônio Cícero O Beijo do Vampiro
2003 "Justo Agora" tema de Léo (Débora Falabella) Composição: Adriana Calcanhotto Agora É Que São Elas
2006 "Outra Vez" tema de Anna Maria e Miroel (Deborah Evelyn e Angelo Antonio) Composição: Tom Jobim Páginas da Vida
"Do Fundo do Meu Coração", dueto com Erasmo Carlos tema de Teresa e Arnaldo (Paula Burlamaqui e Rodrigo Phavanello) Composição: Roberto Carlos / Erasmo Carlos O Profeta
2008 "Três" tema de Letícia (Paola Oliveira) Composição: Marina Lima / Antônio Cícero Ciranda de Pedra
"Mulher Sem Razão" tema de Donatela (Cláudia Raia) Composição: Dé Palmeira / Bebel Gilberto / Letra: Cazuza A Favorita
"Um Dia Desses", dueto com Moreno Veloso tema de Waldete (Regina Duarte) Composição: Kassin / Letra: Torquato Neto Três Irmãs
2010 "Gatinha Manhosa" tema de Sinval (Kayky Brito) e Fátima (Bianca Bin) Composição: Roberto Carlos / Erasmo Carlos Passione
"Canção de Novela" tema de Melina (Mayana Moura) Composição: Adriana Calcanhotto
2011 "Medo de amar" tema de Roberta (Lua Blanco) e Diego (Arthur Aguiar) Composição: Adriana Calcanhotto Rebelde
2012 "Maldito Rádio" tema de Inácio (Ricardo Tozzi) Composição: Adriana Calcanhotto Cheias de Charme
2013 "Lindo Lago do Amor" tema de Stela (Laura Neiva) e Thiago (Pedro Tergolina) Composição: Gonzaguinha Saramandaia
2014 "Me dê Motivo"

Composição: Michael Sullivan / Paulo Massadas

Geração Brasil
2015 "Devolva-me" tema de Afonso (Caio Paduan)

Composição: Renato Barros / Lilian Knapp

Além do Tempo
2017 "Não Demora"

Composição: Adriana Calcanhotto / Antônio Cícero

A Lei do Amor
2019 "Gatinha Manhosa"

Composição: Erasmo Carlos / Roberto Carlos

Amor de Mãe

Prêmios e indicaçõesEditar

Grammy LatinoEditar

Ano Categoria Indicação Resultado
2006 Melhor Álbum Infantil Latino Adriana Partimpim Venceu
2007 Melhor Canção em Língua Portuguesa Para Lá (interpretada por Arnaldo Antunes) Indicado
2010 Tua (interpretada por Maria Bethânia) Venceu
2011 Mais Perfumado Indicado
2015 Tudo (interpretada por Bebel Gilberto) Indicado

MTV Video Music BrasilEditar

Ano Categoria Indicação Resultado
2001 Escolha da Audiência Devolva-me Indicado
Videoclipe de MPB Devolva-me Indicado

Prêmio da Música BrasileiraEditar

Ano Categoria Indicação Resultado
2016 Melhor DVD Loucura - Adriana Calcanhotto canta Lupicínio Rodrigues Indicado

Prêmio MultishowEditar

Ano Categoria Indicação Resultado
2001 Melhor Cantora Adriana Calcanhotto Indicado
Melhor Música Devolva-me Indicado
Melhor Clipe Indicado
2002 Melhor DVD Adriana Calcanhotto Indicado
2003 Melhor Cantora Indicado
2005 Melhor Clipe Fico Assim Sem Você Indicado

Prêmio Contigo! MPB FMEditar

Ano Categoria Indicação Resultado
2013 Projetos Especiais Adriana Partimpim Tlês Indicado
2014 Melhor Cantora Adriana Calcanhotto Indicado
Melhor DVD Olhos de Onda Indicado

Troféu ImprensaEditar

Ano Categoria Indicação Resultado
2001 Melhor Cantora Adriana Calcanhotto Venceu
Melhor Música Devolva-me Venceu

Prêmio AçorianosEditar

Ano Categoria Indicação Resultado
2006[41] Destaque Nacional Adriana Calcanhotto Venceu

Referências

  1. «Adriana Calcanhotto lança em CD e DVD registro de show em homenagem a Lupicínio». O Globo. 23 de julho de 2015. Consultado em 16 de julho de 2020 
  2. «Adriana Calcanhotto lança disco delicado». Folha de S. Paulo. 26 de abril de 2000. Consultado em 16 de julho de 2020 
  3. «Adriana Calcanhotto lança CD dedicado ao samba». Veja. 25 de novembro de 2011. Consultado em 16 de julho de 2020 
  4. «Adriana Calcanhotto parte das águas da Bossa Nova para chegar até 'Margem'». G1. 22 de março de 2019. Consultado em 16 de julho de 2020 
  5. «dicionariompb.com.br/adriana-calcanhotto/dados-artisticos». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 29 de julho de 2019 
  6. Cultural, Instituto Itaú. «Adriana Calcanhotto». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 29 de julho de 2019 
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