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Elis Regina

Cantora brasileira
Elis Regina
Elis Regina durante a década de 1970.
Informação geral
Nome completo Elis Regina Carvalho Costa
Nascimento 17 de março de 1945
Local de nascimento Porto Alegre, RS
Brasil
Morte 19 de janeiro de 1982 (36 anos)
Local de morte São Paulo, SP
Gênero(s)
Cônjuge Ronaldo Bôscoli (c. 1967–72)
César Camargo Mariano (c. 1973–81)
Filho(s) João Marcelo Bôscoli
Pedro Camargo Mariano
Maria Rita
Instrumento(s) Voz
Extensão vocal Meio-soprano
Período em atividade 1956–1982
Gravadora(s)
Afiliação(ões) Jair Rodrigues, Antônio Carlos Jobim, César Camargo Mariano
Influência(s) Ângela Maria
Página oficial elisregina.com.br
Elis Regina Assinatura.png

Elis Regina Carvalho Costa (Porto Alegre, 17 de março de 1945São Paulo, 19 de janeiro de 1982) foi uma cantora brasileira. Conhecida por sua competência vocal, musicalidade e presença de palco,[1][2][3][4][nota 1] é considerada por muitos críticos a melhor cantora popular do Brasil a partir dos anos 1960 ao início dos anos 1980; para muitos, a melhor cantora brasileira de todos os tempos, comparada a cantoras como Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Billie Holiday.[6][7][8][9][10] Com os sucessos de Falso Brilhante (1975-1977) e Transversal do Tempo (1978), Elis Regina inovou os espetáculos musicais no país. Foi casada com Ronaldo Bôscoli, com quem teve João Marcello Bôscoli (1970); em 1973, casou-se com o pianista César Camargo Mariano[11], com quem teve dois filhos: Pedro Camargo Mariano (1975) e Maria Rita Camargo Mariano (1977). Aclamada no Brasil e no exterior, Elis Regina faleceu no auge de sua carreira, aos 36 anos de idade, devido a uma overdose de cocaína.

Elis foi a primeira grande artista a surgir dos festivais de música na década de 1960 e descolava-se da estética da Bossa Nova pelo uso de sua extensão vocal e de sua dramaticidade. Inicialmente, seu estilo era influenciado pelos cantores do rádio, especialmente Ângela Maria.[12][13][14][15][16] Depois de quatro LP's gravados e sem grande sucesso — Viva a Brotolândia (1961), Poema de Amor (1962), Elis Regina (1963), O Bem do Amor (1963) — Elis foi a maior revelação do festival da TV Excelsior em 1965, quando cantou "Arrastão" de Vinícius de Moraes e Edu Lobo. Tal feito lhe garantiria o convite para atuar na televisão e, pouco tempo depois, o título de primeira estrela da canção popular brasileira,[12] quando passou a comandar, ao lado de Jair Rodrigues, o mais importante programa de música popular brasileira: o Fino da Bossa. Em 1967, casou-se com Ronaldo Bôscoli, então diretor do Fino da Bossa. A partir de 1972, Elis começaria um relacionamento com César Camargo Mariano, que duraria até 1981, em uma das mais bem sucedidas parcerias da Música Popular Brasileira.

Elis Regina cantou muitos gêneros: da MPB, passando pela bossa nova, pelo samba, pelo rock e pelo jazz. Interpretando canções como Madalena, Águas de Março, Atrás da Porta, Como Nossos Pais, O Bêbado e a Equilibrista, Querellas do Brasil, registrou momentos de felicidade, amor, tristeza, patriotismo. Ao longo de toda sua carreira, destacou-se por cantar também músicas de artistas, ainda, pouco conhecidos, como Milton Nascimento, Ivan Lins, Belchior, Renato Teixeira, Aldir Blanc, João Bosco, ajudando a lançá-los e a divulgar suas obras, impulsionando-os no cenário musical brasileiro. Entre outras parcerias, são célebres os duetos que teve com Jair Rodrigues, Tom Jobim e Rita Lee. Com seu segundo marido, o pianista César Camargo Mariano, consagrou um longo trabalho de grande criatividade e consistência musical. Sua presença artística mais memorável talvez esteja registrada nos álbuns Em Pleno Verão (1970), Elis (1972), Elis (1973), Elis & Tom (1974), Elis (1974), Falso Brilhante (1976), Transversal do Tempo (1978), Essa Mulher (1979), Saudade do Brasil (1980) e Elis (1980).

Elis Regina foi a primeira pessoa a inscrever a própria voz como se fosse um instrumento, na Ordem dos Músicos do Brasil.[17] Elis Regina morreu precocemente em 1982, com apenas 36 anos, deixando uma vasta obra na música popular brasileira. Embora haja controvérsias e contestações, os exames comprovaram que havia morrido por conta de altas doses de cocaína e bebidas alcoólicas, e o fato chocou profundamente o país na época.[18] Em 2013, foi eleita a melhor voz feminina da música brasileira pela Revista Rolling Stone.[19] Elis foi citada também na lista dos maiores artistas da música brasileira, ficando na 14ª posição, sendo a mulher mais bem colocada.[20] Em novembro do mesmo ano estreou um musical em sua homenagem Elis, o musical.[21]

Índice

BiografiaEditar

JuventudeEditar

 
Casa de infância de Elis Regina, na Vila do IAPI, em Porto Alegre.

Filha de Romeu Costa e de Ercy Carvalho, Elis Regina nasceu no Hospital da Beneficência Portuguesa,[22] na capital do Rio Grande do Sul.[23] Tinha um irmão, Rogério (nascido em 1949). Seu nome tem origem no nome de uma personagem de um romance que sua mãe lia na época de seu nascimento: "Miss Elis". Romeu tentou batizá-la assim, mas foi impedido sob a argumentação de que Elis Carvalho Costa poderia ser nome tanto de homem quanto de mulher e que deveria haver um nome feminino entre "Elis" e "Carvalho". Lembrando de uma prima sua nascida na semana anterior e batizada como Sandra Regina, Romeu sugeriu então que ela fosse chamada Elis Regina Carvalho Costa, uma vez que Elis Sandra não soava bem aos seus ouvidos.[24]

Elis começou a carreira como cantora em 1956, aos 11 anos de idade, em um programa de rádio para crianças chamado O Clube do Guri, na Rádio Farroupilha, apresentado por Ari Rego.[25] Em Porto Alegre, sua família morava em um apartamento na chamada Vila do IAPI, no bairro Passo d'Areia, na Zona Norte da cidade.[26] Revelando enorme precocidade, aos dezesseis anos lançou o primeiro LP da carreira. Sobre o começo da carreira de Elis e a disputa entre quem de fato a lançou, o produtor Walter Silva disse à Folha de S.Paulo:[27]

Década de 1960, surge uma estrelaEditar

 
Cartaz anunciando apresentação de Elis Regina no Olympia, em 1968.

Em dezembro de 1958, com 13 anos, foi contratada pela Rádio Gaúcha, passando a ser chamada de "a estrelinha da Rádio Gaúcha". Nesse mesmo ano foi eleita "Melhor Cantora do Rádio" gaúcho, em concurso realizado pela Revista de TV, Cinema, Teatro, Televisão e Artes, com apoio da sucursal gaúcha da Revista do Rádio, com sede no Rio de Janeiro. Além da sua atuação profissional em rádio - e na TV Gaúcha a partir de 1962 - Elis Regina também cantava em boates atuando como crooner nos chamados "conjuntos melódicos" de Porto Alegre, como o de Norberto Baldauf e o Flamboyant.[28] Em 1961 viajou ao Rio de Janeiro, onde gravou o primeiro disco, Viva a Brotolândia. Lançou ainda mais três discos enquanto morava no Rio Grande do Sul.[29] Em 1964, um ano com a agenda lotada de espetáculos no eixo Rio-São Paulo, assinou um contrato com a TV Rio para participar do programa Noites de Gala, apresentado por Ciro Monteiro, que seria o primeiro com quem Elis dividiu uma canção na TV e quem deu o apelido de "Lilica" para a cantora gaúcha.[30][31] No mesmo ano, é levada por Dom Um Romão para o Beco das Garrafas sob a direção da dupla Luís Carlos Miele e Ronaldo Bôscoli, com os quais ainda realizaria diversas parcerias, e um casamento com Bôscoli em 1967.[29] Acompanhada agora pelo grupo Copa trio, de Dom Um, canta no Beco das Garrafas, o reduto onde nasceu a bossa nova, e conhece o coreógrafo americano Lennie Dale, que a ensinou a mexer o corpo para cantar, tirando aquele nado que ela tinha com os braços.[29]

 
Elis Regina no Teatro da Praia, em 1969.
 
Elis Regina em show com Jair Rodrigues.

Participa do espetáculo Fino da Bossa organizado pelo Centro Acadêmico da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo, que ficou conhecido também como Primeiro Denti-Samba, dirigido por Walter Silva, no Teatro Paramount, atual Teatro Abril (São Paulo). Ao final do mesmo ano (1964) conhece o produtor Solano Ribeiro, idealizador e executor dos festivais de MPB da TV Record. Um ano glorioso, que ainda traria a proposta de apresentar o programa O Fino da Bossa, ao lado de Jair Rodrigues. O programa, gravado a partir dos espetáculos e dirigido por Walter Silva, ficou no ar até 1967 (TV Record, Canal 7, SP) e originou três discos de grande sucesso: um deles, Dois na Bossa, foi o primeiro disco brasileiro a vender um milhão de cópias. Seria dela agora o maior cachê do show business.[32]

Em 1965, interpretou a canção "Arrastão", de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, que venceu o I Festival de Música Popular Brasileira na TV Excelsior, na ocasião também foi premiada com o troféu Berimbau de Ouro de melhor intérprete[33]. Nesta época, compõe sua primeira e única música - "Triste Amor Que Vai Morrer" - em parceria com o jornalista e radialista Walter Silva e que seria gravada, de forma instrumental, apenas por Toquinho, em 1966.[34]

Um dos grandes sucessos dessa época e ao longo de toda a carreira de Elis Regina foi a canção Upa neguinho, de Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, que fez parte do musical Arena conta Zumbi, dirigido por Augusto Boal, em 1965. A canção apareceu no LP O Dois na Bossa 2, lançado em 1966 e gravado ao vivo no programa O Fino da Bossa, na TV Record. Sendo uma artista recordista de vendagens pela gravadora Philips cantou no Mercado Internacional de Discos e Edições Musicais (MIDEM), em Cannes, em janeiro de 1968, quando começou a direcionar sua carreira para o reconhecimento também no exterior. Em 1969 gravou e lançou no exterior dois LPs: um com o gaitista belga Toots Thielemans, em Estocolmo, e Elis in London.[35]

Anos de glóriaEditar

Durante os anos 1970, aprimorou constantemente a técnica e domínio vocal, registrando em discos de grande qualidade técnica parte do melhor da sua geração de músicos.[36]

Patrocinado pela Philips na mostra Phono 73, com vários outros artistas, deparou-se com uma plateia fria e indiferente, distância quebrada com a calorosa apresentação de Caetano Veloso: Respeitem a maior cantora desta terra. Em julho lançou Elis (1973).[37]

Em 1974, gravou com Antônio Carlos Jobim, o álbum Elis & Tom (1974), considerado um dos melhores LP's da história da música popular brasileira.[38]

Em 1975, com o espetáculo Falso Brilhante, que mais tarde originou um disco homônimo, atinge enorme sucesso, ficando mais de um ano em cartaz e realizando quase 300 apresentações. Lendário, tornou-se um dos mais bem sucedidos espetáculos da história da música nacional e um marco definitivo da carreira. Ainda teve grande êxito com o espetáculo Transversal do Tempo, em 1978, de um clima extremamente político e tenso; o Essa Mulher em 1979, direção de Oswaldo Mendes, que estreou no Anhembi em São Paulo e excursionou pelo Brasil no lançamento do disco homônimo; o Saudades do Brasil, em 1980, sucesso de crítica e público pela originalidade, tanto nas canções quanto nos números com dançarinos amadores, direção de Ademar Guerra e coreografia de Márika Gidali (Ballet Stagium); e finalmente o último espetáculo, Trem Azul, em 1981, direção de Fernando Faro.[carece de fontes?]

Anos de chumboEditar

 
Elis em dezembro de 1979, durante uma entrevista com Claudio Kleiman à Revista Expreso Imaginario, em Buenos Aires.

Elis Regina criticou muitas vezes a ditadura brasileira, nos difíceis Anos de chumbo, quando muitos músicos foram perseguidos e exilados. A crítica tornava-se pública em meio às declarações ou nas canções que interpretava. Em entrevista, no ano de 1969, teria afirmado que o Brasil era governado por gorilas.[39] A popularidade a manteve fora da prisão, mas foi obrigada pelas autoridades a cantar o Hino Nacional durante um espetáculo em um estádio, fato que despertou a ira da esquerda brasileira.[40]

Sempre engajada politicamente, Elis participou de uma série de movimentos de renovação política e cultural brasileira, com voz ativa da campanha pela Anistia de exilados brasileiros. O despertar de uma postura artística engajada e com excelente repercussão acompanharia toda a carreira, sendo enfatizada por interpretações consagradas de O bêbado e a equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc), a qual vibrava como o hino da anistia. A canção coroou a volta de personalidades brasileiras do exílio, a partir de 1979. Um deles, citado na canção, era o irmão do Henfil, o Betinho, importante sociólogo brasileiro.[carece de fontes?]

Outra questão importante se refere ao direito dos músicos brasileiros, polêmica que Elis encabeçou, participando de muitas reuniões em Brasília. Além disso, foi presidente da Assim, Associação de Intérpretes e de Músicos.[carece de fontes?]

Em 1981, filou-se ao Partido dos Trabalhadores.[41]

MorteEditar

Causando grande comoção nacional, faleceu aos 36 anos de idade em 19 de janeiro de 1982,[42] devido a complicações decorrentes de uma overdose de cocaína, e bebida alcoólica. O laudo médico foi elaborado por José Luiz Lourenço e Chibly Hadad, sendo o diretor do IML Harry Shibata, médico conhecido por seu envolvimento no caso do jornalista Vladimir Herzog, assassinado por elementos da ditadura militar. O corpo de Elis encontra-se sepultado no Cemitério do Morumbi em São Paulo.[43]

Vida pessoalEditar

Elis Regina é mãe de João Marcelo Bôscoli (n. 1970), filho do seu primeiro casamento com o músico Ronaldo Bôscoli (1928-1994), e de Pedro Camargo Mariano (n. 1975) e Maria Rita (n. 1977), filhos de seu segundo marido, o pianista César Camargo Mariano (n. 1943).[23]

Estilo musicalEditar

 
Em 1965.

O estilo musical interpretado ao longo da carreira percorria assim o "fino da bossa nova", firmando-se como uma das maiores referências vocais deste gênero. Aos poucos, o estilo MPB, pautado por um hibridismo ainda mais urbano e 'popularesco' que a bossa nova, distanciando-se das raízes do jazz americano, seria mais um estilo explorado. Já no samba consagrou Tiro ao Álvaro e Iracema (Adoniran Barbosa), entre outros. Notabilizou-se pela uniformidade vocal, primazia técnica e uma afinação a toda prova. Seu registro vocal pode ser definido como meio-soprano.[44]

Desde a década de 1960, quando surgiram os especiais do Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), até o final da década de 1980, a televisão brasileira foi marcada pelo sucesso dos espetáculos transmitidos; apresentando os novos talentos, registravam índices recordes de audiência. No Festival conheceu Chico Buarque, mas acabou desistindo de gravá-lo devido à impaciência com a timidez do compositor. Elis participou do especial Mulher 80 (Rede Globo), um desses momentos marcantes da televisão; o programa exibiu uma série de entrevistas e musicais cujo tema era a mulher e a discussão do papel feminino na sociedade de então, abordando esta temática no contexto da música nacional e da inegável preponderância das vozes femininas, com Maria Bethânia, Fafá de Belém, Zezé Motta, Marina Lima, Simone, Rita Lee, Joanna, Elis Regina, Gal Costa e as participações especiais das atrizes Regina Duarte e Narjara Turetta, que protagonizaram o seriado Malu Mulher.[carece de fontes?]

A antológica interpretação de Arrastão (Edu Lobo e Vinícius de Moraes), no Festival, escreveu um novo capítulo na história da música brasileira, inaugurando a MPB e apresentando uma Elis ousada. Essa interpretação, da qual sobrou apenas um pequeno registro audiovisual, foi comentada pelo músico Bob Dylan em seu programa de rádio Theme Time Radio Four no episódio 64, "Travelling around the world part 1", no qual, a partir dos 40 minutos de programa, Dylan ressalta a interpretação de Elis Regina, a "little pepper" ("pimentinha" em inglês), que termina cantando em lágrimas. Uma interpretação inesquecível, encenada pouco depois de completar apenas 20 anos de idade e coroada com o reconhecimento do Prêmio Berimbau de Ouro. O Troféu Roquette Pinto veio na sequência, elegendo-a a Melhor cantora do ano.[carece de fontes?]

Fã incondicional de Ângela Maria, a quem prestou várias homenagens, Elis impulsionava uma carreira não menos gloriosa, possibilitando o lançamento do quinto LP individual, Samba eu canto assim (CBD, selo Philips). Pioneira, em 1966 lançou o selo Artistas, registrando o primeiro disco independente produzido no Brasil, intitulado Viva o Festival da Música Popular Brasileira, gravado durante o festival. Apesar da dificuldade em atribuir pioneirismos (que costumam durar até o aparecimento de novas pesquisas), costuma ser atribuído a Cornélio Pires o pioneirismo na gravação e divulgação de música independente no Brasil, pois em 1929 ele financiou o custo dos discos da "Turma Caipira Cornélio Pires".[45] O selo (ou etiqueta, como era chamado na época) Artistas Unidos foi lançado pela fábrica de discos Rozenblit, sediada em Recife, e que já tinha um selo de sucesso desde os anos 1950, o Mocambo.[46] O LP Viva o Festival da Música Popular Brasileira foi uma parceria da Rozenblit com a TV Record, conforme indicado na contracapa do disco. Mais uma vitoriosa participação no III Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), a canção O cantador (Dori Caymmi e Nelson Motta), classificando-se para a finalíssima e reconhecida com o prêmio de Melhor Intérprete.[carece de fontes?]

Em 1968, uma viagem à Europa a lança no eixo musical internacional, conquistando grande sucesso, principalmente no Olympia de Paris, onde se tornou a primeira artista a se apresentar duas vezes num mesmo ano, naquela que é a mais antiga sala de espetáculos musicais de Paris. Em 1969, gravou Aquarela do Brasil em Estocolmo com Toots Thielemans.[carece de fontes?]

Foi Elis quem também lançou boa parte dos compositores até então desconhecidos, como Milton Nascimento, Renato Teixeira, Tim Maia, Gilberto Gil, João Bosco e Aldir Blanc, Sueli Costa, entre outros. Um dos grandes admiradores, Milton Nascimento, a elegeu musa inspiradora e a ela dedicou inúmeras composições.[29]

LegadoEditar

 
Acervo Elis Regina, na Casa de Cultura Mario Quintana.

Em 22 de setembro de 2005, inaugurou-se na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, um espaço memorial para abrigar o Acervo Elis Regina. Trata-se de uma coleção de fotografias, artigos, objetos, discos e outros tipos de materiais relacionados com a vida e a obra da cantora, tendo sido doado por fãs, jornalistas e amigos pessoais de Elis.[carece de fontes?]

Em 2015, Elis Regina foi a grande homenageada da Escola de Samba Vai-Vai, com o enredo "Simplesmente Elis - A Fábula de Uma Voz na Transversal do Tempo". Sendo o décimo quinto título da escola paulistana, o que a fez conquistar o título do ano de 2015.[47] Em 2016, foi lançado o filme Elis, tendo Andreia Horta como a famosa intérprete.

DiscografiaEditar

 Ver artigo principal: Discografia de Elis Regina

VideografiaEditar

 Ver artigo principal: Videografia de Elis Regina

Notas

  1. O saxofonista Phil Woods declarou: "Elis Regina é a maior cantora do mundo, para mim".[5]

Referências

  1. Goés 2007, p. 187.
  2. Pugialli, 2006, p.170.
  3. Silva, 2002, p.193.
  4. Arashiro, 1995, p.39.
  5. Visão, s.n., 1985.
  6. Mercer, Michelle (1 de março de 2007). Footprints: The Life and Work of Wayne Shorter (em inglês). [S.l.]: Penguin. ISBN 9781440629112 
  7. «Veinte años después, aún brilla la estrella de la gran Elis Regina». La nación. Consultado em 4 de agosto de 2016. 
  8. «Cantora se identifica com Elis Regina». Folha de S.Paulo. 4 de setembro de 1996. Consultado em 4 de agosto de 2016. 
  9. «30 anos sem Elis Regina» 
  10. «Elis». Phil Woods. Consultado em 4 de agosto de 2016. 
  11. Cesar Camargo Mariano: ‘Elis Regina só teve uma. Melhor assim’, acesso em 03 de setembro de 2017.
  12. a b Silva, Vinícius R. B.. "O doce & o amargo do Secos & Molhados: poesia, estética e política na música popular brasileira". Dissertação (Mestrado em Letras) Niterói: Universidade Federal Fluminense, 2007. p.62.
  13. Roger Lerina (10 de julho de 2017). «Angela Maria lança disco com 10 canções de Roberto e Erasmo Carlos». GaúchaZH. Consultado em 7 de setembro de 2018. 
  14. Rebeca Oliveira (28 de outubro de 2015). «Uma das maiores vozes do Brasil, Angela Maria ganha biografia detalhada». Correio Braziliense. Consultado em 7 de setembro de 2018. 
  15. Danilo Casaletti (17 de julho de 2012). «Agora é a vez de os homens cantarem Elis». Revista Época. Consultado em 7 de setembro de 2018. 
  16. Renato Kramer (5 de setembro de 2015). «'Eu sou a última rainha do rádio', diz Ângela Maria». Folha de S.Paulo. Consultado em 7 de setembro de 2018. 
  17. Elis Regina - MPBNet
  18. Veja. "O amargo brilho do pó" (1982). Acesso:2 de março, 2011.
  19. "As 100 Maiores Vozes da Música Brasileira"
  20. "Os 100 Maiores Artistas da Música Brasileira"
  21. Elis Regina, Chacrinha e Se Eu Fosse Você virarão musicais
  22. Biografias: Elis Regina
  23. a b Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. «Elis Regina - Biografia». Consultado em 11 de janeiro de 2012. 
  24. «Elis - A Equilibrista». Folha de S.Paulo. Grupo Folha. 3 de junho de 1979. Consultado em 12 de agosto de 2015. 
  25. Alcântara Lopes, 2013, pp. 138 e ss.
  26. Zero Hora - Um olhar pela Vila do IAPI - Foto 5
  27. a b «"Descobridor" de Elis revê a sua história». Folha de S.Paulo. UOL 
  28. Lopes, Andrea. «Nasce uma estrela: os primeiros anos da trajetória musical de Elis Regina» (PDF). Fronteiras: Revista Catarinense de História. Consultado em 18 de agosto de 2016. 
  29. a b c d John Dougan. «Elis Regina». All Media Guide (em inglês). Allmusic. Consultado em 19 de janeiro de 2013. 
  30. «Dois Diretores relembram Elis Regina e Ciro Monteiro». Jovem Pan Online. N.d. Consultado em 13 de agosto de 2018. 
  31. Henrique Nunes (14 de março de 2005). «60 anos de luz». Diário do Nordeste. Consultado em 13 de agosto de 2018. 
  32. «Elis Regina no programa O Fino da Bossa, 1965». O Globo. Globo 
  33. MÚSICA NO BRASIL DA DITADURA, acesso em 04 de janeiro de 2016.
  34. Armando Antenore (18 de janeiro de 1997). «Cantora fez música esquecida». Folha de S.Paulo. Consultado em 6 de setembro de 2018. 
  35. Vizzotto, Andrea (12 de dezembro de 2016). «Uma voz para a MPB». Revista Caju. Consultado em 10 de março de 2018. 
  36. LEOPOLDINENSE.COM.BR. «A voz versátil de uma pimentinha que revolucionou a MPB: Elis Regina». Jornal Leopoldinense. Consultado em 4 de abril de 2018. 
  37. «Folha Online - Ilustrada - "Phono 73" registra história da MPB - 15/11/2005». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 4 de abril de 2018. 
  38. «Elis & Tom - Elis Regina,Antônio Carlos Jobim | Songs, Reviews, Credits | AllMusic». AllMusic. Consultado em 4 de agosto de 2016. 
  39. «Elis». Brasileirinho 
  40. «Elis Regina - Memórias da ditadura». memoriasdaditadura.org.br. Consultado em 25 de agosto de 2018. 
  41. Elis Regina, acesso em 25 de agosto de 2018.
  42. Jornal do Brasil
  43. Elis Regina (em inglês) no Find a Grave
  44. Valmir Santos (16 de janeiro de 2002). «Espetáculo "Elis - Estrela do Brasil" tem pré-estréia hoje no Rio». Folha de S.Paulo. Consultado em 7 de setembro de 2018. 
  45. Millarch, Aramis (22 de junho de 1986). «Cornélio, um pioneiro do disco independente». "Estado do Paraná". Consultado em 10 de março de 2018. 
  46. Barbosa, Virgínia (28 de junho de 2011). «Fábrica de Disco Rozenblit». "Fundação Joaquim Nabuco". Consultado em 10 de março de 2018. 
  47. Vai-Vai é campeã do carnaval de São Paulo com enredo sobre Elis Regina

BibliografiaEditar

 
Em 1964.
  • ALCÂNTARA LOPES, Andrea Maria Vizzotto. Nasce uma estrela: os primeiros anos da trajetória musical de Elis Regina. Publicado na Fronteiras: Revista Catarinense de História [on-line]. Florianópolis, n.22, p.136-159, 2013.
  • KIECHALOSKI, Zeca (1984) Elis Regina. Col. Esses Gaúchos. Porto Alegre: Tchê! 101p.
  • ECHEVERRIA, Regina (1985) Furacão Elis. Inclui cronologia e discografia por Maria Luiza Kfouri. Rio de Janeiro: Nórdica / Círculo do Livro. 363p. 2.ed. rev. ampl. 1994 (São Paulo: Ed. Globo); 3.ed. 2002 (São Paulo: Ed. Globo). 239p. ISBN 8525035149
  • Elis Regina Por Ela Mesma. (1995) Org. Osny Arashiro. São Paulo: Martin Claret. 2.ed. rev. 2004. 229p. ISBN 8572320857.
  • O Melhor de Elis Regina. (2003) Melodias cifradas com as letras de 28 músicas do repertório de Elis Regina. Ed. Irmãos Vitale. 112p. ISBN 8574070882.
  • SARSANO, José Roberto. (2005) Boulevard des Capucines. Teatro Olympia, Paris 1968: Elis Regina e Bossa Jazz Trio em uma época de ouro da MPB. Ed. Árvore da Terra. 207p. ISBN 8585136294.
  • GOÉS, Ludenbergue (2007), Mulher brasileira em primeiro lugar: o exemplo e as lições de vida de 130 brasileiras consagradas no exterior, ISBN 85-0001998-0, Ediouro .
  • Ricardo Pugialli, Almanaque da Jovem guarda: nos embalos de uma década cheia de brasa, mora?. Ediouro Publicações, 2006. ISBN 8500020733
  • Walter Silva, Vou te contar: histórias de música popular brasileira. Conex, 2002. ISBN 8588953056
  • Osny Arashiro, Elis Regina por ela mesma. M. Claret, 1995.
  • MARIA, JULIO Elis Regina - Nada Será Como Antes. Editora Master Books,2015. ISBN 9788563201102

Ligações externasEditar