Ataque no Aeroporto Internacional de Bagdá em 2020

Ataque no Aeroporto Internacional de Bagdá em 2020
Crise no Golfo Pérsico
Data 3 de janeiro de 2020
Local Aeroporto Internacional de Bagdá, Iraque
Desfecho Alvo principal atingido, Qasem Soleimani morto
Beligerantes
 Estados Unidos Seal of the Army of the Guardians of the Islamic Revolution.svg Força Quds
Forças de Mobilização Popular
Comandantes
Estados Unidos Donald Trump Irã Qasem Soleimani
Iraque Abu Mahdi al-Muhandis
Forças
VANTs (Drones) Comboio de veículos
Baixas
Nenhuma 10 mortos[1]
33° 15′ 29″ N, 44° 15′ 22″ L
Qasem Soleimani e Abu Mahdi al-Muhandis foram listados entre os mortos neste ataque.

Em 3 de janeiro de 2020, as forças americanas lançaram um ataque aéreo contra um comboio que viajava perto do Aeroporto Internacional de Bagdá que transportava vários passageiros, incluindo o general iraniano Qasem Soleimani e o comandante iraquiano Abu Mahdi al-Muhandis.

O ataqueEditar

 
Um drone MQ-9 Reaper, modelo utilizado pelos Estados Unidos no ataque.

Qasem Soleimani foi morto em um ataque aéreo dos EUA em 3 de janeiro de 2020 enquanto viajava em um comboio perto do Aeroporto Internacional de Bagdá, junto com Abu Mahdi al-Muhandis.[2][3] Vários mísseis teriam atingido o comboio e pelo menos oito pessoas foram mortas.[4] O Departamento de Defesa dos Estados Unidos emitiu uma declaração dizendo que o ataque dos EUA foi realizado "sob a direção do presidente".[5][6]

O corpo de Soleimani foi identificado através de um anel que ele usava, com uma confirmação via DNA vindo depois.[7]

ImpactoEditar

A morte de Soleimani tem o potencial de aumentar as tensões entre EUA e Irã. Um porta-voz do governo iraniano disse que o principal órgão de segurança do país realizará uma reunião extraordinária em breve para discutir o "ato criminoso de ataque".[8]

Na sequência do ataque, "Terceira Guerra Mundial" tornou-se um dos assuntos do momento no Twitter.[9][10]

ReaçõesEditar

IrãEditar

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, declarou três dias de luto nacional,[11] e prometeu "vingança dura".[12] O presidente Hassan Rohani também declarou que o Irã "irá se vingar." O ex-comandante do Exército dos Guardiães da Revolução Islâmica Mohsen Rezaee declarou que "[Soleimani] se juntou aos seus irmãos mártires, mas que nos vingaremos vigorosamente da América".[13]

O Ministro das Relações Exteriores Mohammad Javad Zarif postou no Twitter que o ataque foi "uma escalada extremamente perigosa e tola" e divulgou uma declaração dizendo que "a brutalidade e estupidez das forças terroristas americanas no assassinato do Comandante Soleimani... sem dúvida tornará a árvore da resistência na região e no mundo mais próspera".[13]

Em 8 de janeiro, cinco dias após o ataque americano, o Exército dos Guardiães da Revolução Islâmica lançou dúzias de mísseis contra a Base aérea de Al Asad, uma das principais instalações militares americanas no Iraque. Este ataque teria sido uma retaliação pela morte do general Soleimani.[14]

Estados UnidosEditar

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tuitou uma imagem da bandeira dos Estados Unidos depois que a notícia foi divulgada com os preços globais do petróleo subindo mais de 4% após a greve.[15] A embaixada americana em Bagdá, imediatamente após o ataque, alertou seus cidadãos a abandonar o Iraque.[16] No dia seguinte ao ataque, também foi reportado maciças movimentações nas bases militares americanas pelo Oriente Médio.[17]

A reação política nos Estados Unidos caiu em linhas partidárias, com os Republicanos apoiando o presidente e os Democratas se opondo à ação americana em Bagdá.[18] O senador Rand Paul (R-Ky.) foi uma das poucas vozes conservadoras nos Estados Unidos a condenar o ataque, afirmando que isso aumentaria as tensões entre os dois países.[19]

IraqueEditar

 
Manifestações no Irã pela morte de Qasem Soleimani durante o ataque dos EUA ao aeroporto de Bagdá no Iraque.

O primeiro-ministro cessante Adil Abdul-Mahdi condenou o ataque, chamando-o de assassinato e afirmando que o ataque foi um ato de agressão e uma violação da soberania iraquiana que levaria a uma guerra no Iraque. Ele disse que o ataque violou o acordo sobre a presença de forças dos EUA no Iraque e que as salvaguardas para a segurança e soberania do Iraque deveriam ser cumpridas com a legislação.[20]

Moqtada al-Sadr, líder do movimento sadrista e da milícia Brigadas da Paz, ordenou aos seus seguidores que "se preparem para defender o Iraque".[21][22]

BrasilEditar

O presidente Jair Bolsonaro falou sobre a posição do governo: "Eu não tenho o poderio bélico que o americano tem para opinar neste momento. Se tivesse, eu opinaria"[23], mas numa entrevista no "Brasil Urgente" com o jornalista José Luiz Datena, ele disse que uma guerra entre os dois países seria "o fim da humanidade" e assumiu uma posição de distanciamento do Presidente dos EUA.[24] Posteriormente o Itamaraty, através de comunicado, assumiu apoio "à luta contra o flagelo do terrorismo".[25][26]

Veja tambémEditar

Referências

  1. Havasi, Amir (3 de janeiro de 2020), «Iran Threatens Revenge As It Mourns Guards Killed By US», International Business Times, consultado em 4 de janeiro de 2020 
  2. «Trump Orders Strike Killing Top Iranian General Qassim Suleimani in Baghdad». The New York Times. Cópia arquivada em 3 de janeiro de 2020 
  3. «U.S. kills top Iranian commander Qasem Soleimani». Axios 
  4. AFP (3 de janeiro de 2020). «(Update) 8 killed in rocket attack on Baghdad airport». NST Online (em inglês). Consultado em 3 de janeiro de 2020 
  5. «Statement by the Department of Defense». United States Department of Defense. Cópia arquivada em 3 de janeiro de 2020 
  6. «Top Iranian general killed in US airstrike in Baghdad, Pentagon confirms». CNBC 
  7. «Iraqi TV Says Top Iranian Military Leader Killed In Rocket Strikes on Iraqi Airport». NPR.org 
  8. «Top Iranian general killed by U.S. in Iraq» (em inglês) 
  9. «Medo de Terceira Guerra Mundial domina as redes após ataque dos EUA contra general do Irã». #hashtag. Consultado em 3 de janeiro de 2020 
  10. hours, Pramit Chatterjee 8; Minutes, 16 (3 de janeiro de 2020). «US Airstrike Kills Top Iranian Commander, Twitter Reacts With World War 3 Jokes». Mashable India (em inglês). Consultado em 3 de janeiro de 2020 
  11. «US kills Iran's most powerful general in Baghdad airstrike». SFChronicle.com (em inglês). 3 de janeiro de 2020. Consultado em 3 de janeiro de 2020 
  12. «Iran Leader vows 'harsh revenge' following assassination of Gen. Soleimani». PressTV (em inglês). Consultado em 3 de janeiro de 2020 
  13. a b «Factbox: Reactions to the killing of Iranian general in a U.S. air strike». Reuters (em inglês). 3 de janeiro de 2020 
  14. «Iran Fires Missiles at Two U.S. Bases in Iraq: Live Updates». The New York Times (em inglês). ISSN 0362-4331. Consultado em 8 de janeiro de 2020 
  15. Trump, Donald J. «pic.twitter.com/VXeKiVzpTf». @realDonaldTrump 
  16. «U.S. embassy urges citizens to depart Iraq immediately -statement». Reuters. 3 de janeiro de 2020. Consultado em 3 de janeiro de 2020. Cópia arquivada em 4 de janeiro de 2020 
  17. «Aircraft Carrying US Troops Take Off From East Coast Bases After Drone Strike Kills Top Iranian General». Newsweek. 3 de janeiro de 2020. Consultado em 3 de janeiro de 2020. Cópia arquivada em 3 de janeiro de 2020 
  18. Wayne, Alex (3 de janeiro de 2020). «Trump Rattles Mideast, U.S. Politics With Risky Iran Strike». Bloomberg.com. Consultado em 4 de janeiro de 2020 
  19. «RAND PAUL SLAMS TRUMP OVER AIRSTRIKE: 'IF YOU DON'T WANT PERPETUAL WAR, YOU DON'T KEEP SENDING MORE TARGETS'». 4 de janeiro de 2020 
  20. hermesauto (3 de janeiro de 2020). «Iraqi PM condemns US killing of Iran's Soleimani». The Straits Times (em inglês). Consultado em 3 de janeiro de 2020 
  21. «Iraq's Sadr mourns Soleimani, says followers ready to defend Iraq: statement». Reuters (em inglês). 3 de janeiro de 2020 
  22. «Live Updates: MPs Urge to Adopt Law to Expel Foreign Troops From Iraq After US Kills Iranian General». sputniknews.com (em inglês). Consultado em 3 de janeiro de 2020 
  23. «Governo não comentará morte de general do Irã por não ter 'poderio bélico dos EUA', diz Bolsonaro». 3 de janeiro de 2020. Consultado em 3 de janeiro de 2020 
  24. «'Seria o fim da humanidade', diz Bolsonaro sobre conflito entre EUA e Irã». 3 de janeiro de 2020. Consultado em 3 de janeiro de 2020 
  25. «Acontecimentos no Iraque e luta contra o terrorismo». Consultado em 4 de janeiro de 2020. Cópia arquivada em 4 de janeiro de 2020 
  26. «Em nota, Itamaraty se alinha aos EUA contra Irã e pede luta global contra o terrorismo». Consultado em 4 de janeiro de 2020. Cópia arquivada em 4 de janeiro de 2020