Copa do Mundo FIFA de 1978

Copa do Mundo FIFA de 1978
Copa Mundial de Fútbol Argentina '78
Argentina 1978
Copa do Mundo FIFA de 1978.gif
Cartaz promocional da Copa do Mundo FIFA de 1978 na Argentina.
Dados
Participantes 16
Organização FIFA
Anfitrião Argentina
Período 1º – 25 de junho
Gol(o)s 102
Partidas 38
Média 2,68 gol(o)s por partida
Campeão Argentina (1º título)
Vice-campeão Países Baixos
3.º colocado Brasil
4.º colocado Itália
Melhor marcador Argentina Mario Kempes – 6 gols
Melhor ataque (fase inicial) Peru – 7 gols
Melhor defesa (fase inicial) Alemanha Ocidental – Nenhum gol
Maiores goleadas
(diferença)
Alemanha Ocidental 6–0 México
Estádio Olímpico Chateau CarrerasCórdova
6 de junho, Grupo 2
 
Argentina 6–0 Peru
Estádio Gigante de ArroyitoRosário
21 de junho, Grupo B
Público 1 546 151
Média 40 688,2 pessoas por partida
Premiações
Melhor jogador
Argentina Mario Kempes
Melhor jogador jovem Itália Antonio Cabrini
Fair play Argentina
◄◄ Alemanha Ocidental 1974 Soccerball.svg 1982 Espanha ►►
Daniel Passarella

A Copa do Mundo FIFA de 1978 foi a 11.ª Copa do Mundo FIFA disputada, e contou com a participação de dezesseis países. O campeonato ocorreu na Argentina, que conquistou seu primeiro título. Ao todo, 107 países participaram das eliminatórias.

No grupo da Argentina, a Itália roubou a cena e venceu os seus três jogos da primeira fase: até venceu os donos da casa por 1–0. A Argentina venceu a Hungria e França (ambas por 2–1), e ficou com a segunda vaga. Neste grupo, França e Hungria foram eliminadas com derrotas nas duas primeiras rodadas, e jogaram em Mar del Plata. Pela definição da FIFA, a Hungria jogaria de branco e a França com o seu azul característico, mas a Federação Francesa, irritada com a organização por se considerar prejudicada pela arbitragem, mandou seu time também de branco como adversário, o que gerou uma grande confusão. Diante da orientação da FIFA que os húngaros tinham direito a jogar de branco, o árbitro Arnaldo Cezar Coelho exigiu que os franceses trocassem de modelo. Sem uniforme reserva no vestiário, vestiram a camisa do Kimberley, um clube amador de Mar del Plata. A França venceu a partida por 3–1. O Brasil tinha um time que incluía Zico e Roberto Rivellino. Empatou com a Suécia no primeiro jogo por 1–1, e no segundo, com a Espanha, por 0–0. Só se classificou ao vencer a Áustria no terceiro jogo, por 1–0. Mesmo com a derrota, a Áustria, que vencera os dois primeiros jogos, ficou com a outra vaga. A Espanha e a Suécia foram eliminadas. Os Países Baixos tiveram dificuldades em se classificar. Johan Cruijff, a estrela do time, recusou participar do torneio devido problemas familiares. O país venceu o Irã por 3–0, depois empatou com o Peru em 0–0 e perdeu da Escócia por 3–2. O Peru foi a grande sensação do grupo: venceu a Escócia por 3–1 e goleou o Irã por 4–1. A Alemanha Ocidental e a Polônia dividiram as vagas de seu grupo entre si sem maiores dificuldades. Neste grupo, a Tunísia fez história ao conquistar a primeira vitória de uma seleção africana em copas, fazendo 3–1 no México. Outro grande resultado da seleção africana foi um empate em 0–0 com a Alemanha Ocidental.

Estavam na segunda fase: Alemanha Ocidental, Áustria, Itália e Países Baixos no grupo A; e Argentina, Brasil, Peru e Polónia no grupo B. Os Países Baixos reencontraram seu melhor futebol e golearam a Áustria por 5–1, empatou com a Alemanha Ocidental em 2–2 e ganhou da favorita Itália por 2–1, conseguindo uma vaga para a final. A Itália que foi a grande sensação da primeira fase com 100% de aproveitamento empatou com a Alemanha em 0–0, derrotou a Áustria por 1–0 e foi disputar o 3º lugar, por ficar em 2º lugar do grupo. No grupo de Brasil e Argentina houve escândalos. O Brasil, modificado com as entradas de Rodrigues Neto, Jorge Mendonça e Roberto Dinamite nos lugares de Edinho, Zico e Reinaldo, se recuperou da apatia da 1ª fase e venceu o Peru por 3–0. A Argentina passou pela Polônia por 2–0. Em Rosário, argentinos e brasileiros empataram. Este empate seria fatal para o Brasil. Na última rodada, a equipe venceu tranquilamente a Polônia por 3–1. Com este resultado, restava à Argentina vencer o Peru por 4 gols de diferença. A Argentina goleou o Peru por 6–0. O resultado do jogo mandou o Brasil para a decisão de 3º lugar, que venceria da Itália por 2–1. A final foi decidida no Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires. A Argentina venceu os Países Baixos por 3–1 na prorrogação e conquistou seu primeiro título mundial.

A organização do evento foi marcada por muitas falhas. Chegou-se mesmo a cogitar a transferência da Copa para a Europa.[1] Em alguns lugares os estádios ficaram prontos na última hora, e por isso os gramados recém plantados se soltavam sob os pés dos jogadores. Enquanto a Argentina sediou quase todos os seus jogos em Buenos Aires, os principais rivais faziam um tour pelo país, se desgastando com longas viagens. Foi uma copa cercada de polêmicas, muito graças ao clima político da Argentina, que vivia uma ditadura militar que via na organização do torneio a oportunidade de popularizar o regime e promover a distração nacional dos problemas políticos e econômicos. Como forma simbolica de protesto, as equipes que cuidavam dos estadios que sediaram a copa do mundo pintaram as bases das traves de preto.

Esta Copa ficou marcada também por ter sido a única em que a Seleção que terminou em 3.º colocado (neste caso, o Brasil), não recebeu nenhuma medalha. Segundo a CBF "não há registro de entrada ou recebimento das medalhas pelo 3º lugar na Copa do Mundo de 1978 na CBF. No acervo cadastrado, está apenas uma placa pela participação da Seleção Brasileira, independentemente da posição, dada a todos os participantes.[2]

EliminatóriasEditar

 
Países qualificados.

SorteioEditar

O sorteio foi realizado no Teatro San Martin em Buenos Aires, no dia 14 de Janeiro de 1978.

Em artigo oficial da FIFA diz que os cabeças de chave foram Alemanha Ocidental, Argentina, Brasil, Países Baixos e Itália, embora fossem apenas 4 grupos.

SedesEditar

Buenos Aires Córdova, Córdova
Estadio Monumental Estadio José Amalfitani Estadio Córdoba
Capacidade: 74,624 Capacidade: 49,540 Capacidade: 46,083
     
Mar del Plata, Buenos Aires (província) Rosario, Santa Fé Mendoza, Mendonza
Estadio José María Minella Estadio Gigante de Arroyito Estadio Ciudad de Mendoza
Capacidade: 43,542 Capacidade: 41,654 Capacidade: 34,875
     

Primeira faseEditar

Equipes qualificadas para a segunda fase
Equipes eliminadas

Todas as partidas seguem o fuso horário local (UTC-3).

Grupo 1Editar

Pos. Seleção Pts J V E D GP GC SG
1   Itália 6 3 3 0 0 6 2 +4
2   Argentina 4 3 2 0 1 4 3 +1
3   França 2 3 1 0 2 5 5 0
4   Hungria 0 3 0 0 3 3 8 –5
2 de junho Itália   2 – 1   França Estádio José María Minella, Mar del Plata
13:45
Paolo Rossi   29'
Zaccarelli   52'
Relatório Lacombe   1' Público: 42 373
Árbitro:  ROM Nicolae Rainea
2 de junho Argentina   2 – 1   Hungria Estádio Monumental de Núñez, Buenos Aires
19:15
Luque   15'
Bertoni   83'
Relatório Csapó   10' Público: 71 615
Árbitro:  POR António Garrido

6 de junho Itália   3 – 1   Hungria Estádio José María Minella, Mar del Plata
13:45
Rossi   34'
Bettega   36'
Benetti   60'
Relatório A. Tóth   81' (pen.) Público: 26 533
Árbitro:  URU Ramón Barreto
6 de junho Argentina   2 – 1   França Estádio Monumental de Núñez, Buenos Aires
19:15
Passarella   45' (pen.)
Luque   73'
Relatório Platini   60' Público: 71 666
Árbitro:  SUI Jean Dubach

10 de junho França   3 – 1   Hungria Estádio José María Minella, Mar del Plata
14:30[3]
López   22'
Berdoll   37'
Rocheteau   42'
Relatório Zombori   41' Público: 23 127
Árbitro:  BRA Arnaldo Cézar Coelho
10 de junho Argentina   0 – 1   Itália Estádio Monumental de Núñez, Buenos Aires
19:15
Relatório Bettega   67' Público: 71 712
Árbitro:  ISR Abraham Klein

Grupo 2Editar

Pos. Seleção Pts J V E D GP GC SG
1   Polónia 5 3 2 1 0 4 1 +3
2   Alemanha Ocidental 4 3 1 2 0 6 0 +6
3   Tunísia 3 3 1 1 1 3 2 +1
4   México 0 3 0 0 3 2 12 –10
1 de junho Alemanha Ocidental   0 – 0   Polónia Estádio Monumental de Núñez, Buenos Aires
15:00
Relatório Público: 67 579
Árbitro:  ARG Ángel Norberto Coerezza
2 de junho Tunísia   3 – 1   México Estádio Gigante de Arroyito, Rosário
16:45
Kaabi   55'
Ghommidh   79'
Dhouib   87'
Relatório Vázquez Ayala   45' (pen.) Público: 17 396
Árbitro:  SCO John Gordon

6 de junho Alemanha Ocidental   6 – 0   México Estádio Chateau Carreras, Córdoba
16:45
D. Müller   15'
H. Müller   30'
Rummenigge   38',   73'
Flohe   44',   89'
Relatório Público: 35 258
Árbitro:  SYR Farouk Bouzo
6 de junho Polónia   1 – 0   Tunísia Estádio Gigante de Arroyito, Rosário
16:45
Lato   43' Relatório Público: 9 624
Árbitro:  ESP Ángel Franco Martínez

10 de junho Alemanha Ocidental   0 – 0   Tunísia Estádio Chateau Carreras, Córdoba
16:45
Relatório Público: 30 667
Árbitro:  PER César Guerrero Orosco
10 de junho Polónia   3 – 1   México Estádio Gigante de Arroyito, Rosário
16:45
Boniek   43',   84'
Deyna   56'
Relatório Rangel   52' Público: 22 651
Árbitro:  IRN Jafar Namdar

Grupo 3Editar

Pos. Seleção Pts J V E D GP GC SG
1   Áustria 4 3 2 0 1 3 2 +1
2   Brasil 4 3 1 2 0 2 1 +1
3   Espanha 3 3 1 1 1 2 2 0
4   Suécia 1 3 0 1 2 1 3 –2
3 de junho Áustria   2 – 1   Espanha Estádio José Amalfitani, Buenos Aires
13:45
Schachner   9'
Krankl   76'
Relatório Dani   21' Público: 40 841
Árbitro:  HUN Károly Palotai
3 de junho Brasil   1 – 1   Suécia Estádio José María Minella, Mar del Plata
13:45
Reinaldo   45' Relatório Sjöberg   37' Público: 32 569
Árbitro:  WAL Clive Thomas

7 de junho Suécia   0 – 1   Áustria Estádio José Amalfitani, Buenos Aires
13:45
Relatório Krankl   42' (pen.) Público: 41 424
Árbitro:  NED Charles Corver
7 de junho Brasil   0 – 0   Espanha Estádio José María Minella, Mar del Plata
13:45
Relatório Público: 34 771
Árbitro:  ITA Sergio Gonella

11 de junho Suécia   0 – 1   Espanha Estádio José Amalfitani, Buenos Aires
13:45
Relatório Asensi   75' Público: 46 765
Árbitro:  FRG Ferdinand Biwersi
11 de junho Brasil   1 – 0   Áustria Estádio José María Minella, Mar del Plata
13:45
Roberto Dinamite   40' Relatório Público: 35 221
Árbitro:  FRA Robert Wurtz

Grupo 4Editar

Pos. Seleção Pts J V E D GP GC SG
1   Peru 5 3 2 1 0 7 2 +5
2   Países Baixos 3 3 1 1 1 5 3 +2
3   Escócia 3 3 1 1 1 5 6 –1
4   Irã 1 3 0 1 2 2 8 –6
3 de junho Peru   3 – 1   Escócia Estádio Olímpico Chateau Carreras, Córdoba
16:45
Cueto   43'
Cubillas   72',   77'
Relatório Jordan   14' Público: 37 927
Árbitro:  SUE Ulf Eriksson
3 de junho Países Baixos   3 – 0   Irã Estádio Ciudad de Mendoza, Mendoza
16:45
Rensenbrink   40' (pen.),   62',   79' (pen.) Relatório Público: 33 431
Árbitro:  MEX Alfonso González Archundia

7 de junho Escócia   1 – 1   Irã Estádio Olímpico Chateau Carreras, Córdoba
16:45
Eskandarian   43' (g.c.) Relatório Danaeifard   60' Público: 7 938
Árbitro:  SEN Youssou N'Diaye
7 de junho Países Baixos   0 – 0   Peru Estádio Ciudad de Mendoza, Mendoza
16:45
Relatório Público: 28 125
Árbitro:  FRG Adolf Prokop

11 de junho Peru   4 – 1   Irã Estádio Olímpico Chateau Carreras, Córdoba
16:45
Velásquez   2'
Cubillas   36' (pen.),   39' (pen.),   79'
Relatório Rowshan   41' Público: 21 262
Árbitro:  POL Alojzy Jarguz
11 de junho Escócia   3 – 2   Países Baixos Estádio Ciudad de Mendoza, Mendoza
16:45
Dalglish   44'
Gemmill   47' (pen.),   68'
Relatório Rensenbrink   34' (pen.)
Rep   71'
Público: 35 130
Árbitro:  AUT Erich Linemayr

Segunda faseEditar

Equipes qualificadas para disputar a final
Equipes qualificadas para disputar o 3º lugar
Equipes eliminadas

Grupo AEditar

Pos. Seleção Pts J V E D GP GC SG
1   Países Baixos 5 3 2 1 0 9 4 +5
2   Itália 3 3 1 1 1 2 2 0
3   Alemanha Ocidental 2 3 0 2 1 4 5 –1
4   Áustria 2 3 1 0 2 4 8 –4
14 de junho Países Baixos   5 – 1   Áustria Estádio Olímpico Chateau Carreras, Córdoba
13:45
Brandts   6'
Rensenbrink   35' (pen.)
Rep   36',   53'
W. van de Kerkhof   82'
Relatório Obermayer   79' Público: 25 050
Árbitro:  SCO John Gordon
14 de junho Alemanha Ocidental   0 – 0   Itália Estádio Monumental de Núñez, Buenos Aires
13:45
Relatório Público: 67 547
Árbitro:  YUG Dušan Maksimović

18 de junho Alemanha Ocidental   2 – 2   Países Baixos Estádio Olímpico Chateau Carreras, Córdoba
16:45
Abramczik   3'
D. Müller   70'
Relatório Haan   27'
R. van de Kerkhof   84'
Público: 40 750
Árbitro:  URU Ramón Barreto
18 de junho Itália   1 – 0   Áustria Estádio Monumental de Núñez, Buenos Aires
16:45
Paolo Rossi   14' Relatório Público: 66 695
Árbitro:  BEL Francis Rion

21 de junho Áustria   3 – 2   Alemanha Ocidental Estádio Olímpico Chateau Carreras, Córdoba
13:45
Vogts   59' (g.c.)
Krankl   66',   87'
Relatório Rummenigge   19'
Hölzenbein   72'
Público: 38 318
Árbitro:  ISR Abraham Klein
21 de junho Países Baixos   2 – 1   Itália Estádio Monumental de Núñez, Buenos Aires
13:45
Brandts   18'
Haan   75'
Relatório Brandts   10' (g.c.) Público: 67 433
Árbitro:  ESP Ángel Franco Martínez

Grupo BEditar

Pos. Seleção Pts J V E D GP GC SG
1   Argentina 5 3 2 1 0 8 0 +8
2   Brasil 5 3 2 1 0 6 1 +5
3   Polónia 2 3 1 0 2 2 5 –3
4   Peru 0 3 0 0 3 0 10 –10
14 de junho Brasil   3 – 0   Peru Estádio Ciudad de Mendoza, Mendoza
16:45
Dirceu   15',   28'
Zico   73' (pen.)
Relatório Público: 31 278
Árbitro:  ROM Nicolae Rainea
14 de junho Argentina   2 – 0   Polónia Estádio Gigante de Arroyito, Rosário
19:15
Kempes   16',   71' Relatório Público: 37 091
Árbitro:  SUE Ulf Eriksson

18 de junho Polónia   1 – 0   Peru Estádio Ciudad de Mendoza, Mendoza
13:45
Szarmach   65' Relatório Público: 35 288
Árbitro:  ENG Pat Partridge
18 de junho Argentina   0 – 0   Brasil Estádio Gigante de Arroyito, Rosário
19:15
Relatório Público: 37 326
Árbitro:  HUN Károly Palotai

21 de junho Brasil   3 – 1   Polónia Estádio Ciudad de Mendoza, Mendoza
16:45
Nelinho   12'
Roberto Dinamite   57',   63'
Relatório Lato   45' Público: 39 586
Árbitro:  CHI Juan Silvagno Cavanna
21 de junho Argentina   6 – 0   Peru Estádio Gigante de Arroyito, Rosário
19:15
Kempes   21',   49'
Tarantini   43'
Luque   50',   72'
Houseman   67'
Relatório Público: 37 315
Árbitro:  FRA Robert Wurtz

Terceira faseEditar

Decisão pelo 3º lugarEditar

24 de junho Itália   1 – 2   Brasil Estádio Monumental de Núñez, Buenos Aires
15:00
Causio   38' Relatório Nelinho   64'
Dirceu   72'
Público: 69 659
Árbitro:  ISR Abraham Klein

FinalEditar

 Ver artigo principal: Final da Copa do Mundo FIFA de 1978
25 de junho Países Baixos   1 – 3 (pro)   Argentina Estádio Monumental de Núñez, Buenos Aires
15:00
Nanninga   82' Relatório Kempes   37',   104'
Bertoni   115'
Público: 71 483
Árbitro:  ITA Sergio Gonella

PremiaçõesEditar

Campeã da Copa do Mundo FIFA de 1978
 
Argentina
Primeiro Título

IndividuaisEditar

Bola de Ouro Bola de Prata Bola de Bronze Premio Yashin FIFA Prêmio Fair Play
  Mario Kempes   Paolo Rossi   Dirceu   Ubaldo Fillol   Argentina
Chuteira de Ouro Chuteira de Prata Chuteira de Bronze Melhor Jogador Jovem
  Mario Kempes   Teófilo Cubillas   Rob Rensenbrink   Antonio Cabrini

All-Star TeamEditar

Goleiros/Guarda-Redes Defensores/Defesas Meias/Médios Atacantes/Avançados

  Ubaldo Fillol

  Berti Vogts

  Ruud Krol

  Daniel Passarella

  Alberto Tarantini

  Dirceu

  Teófilo Cubillas

  Rob Rensenbrink

  Roberto Bettega

  Paolo Rossi

  Mario Kempes

ArtilhariaEditar

Jogador Seleção Gols
Mario Kempes   Argentina 6
Rob Rensenbrink   Países Baixos 5
Teófilo Cubillas   Peru 5
Hans Krankl   Áustria 4
Roberto Dinamite   Brasil 3
Dirceu   Brasil 3
Karl-Heinz Rummenigge   Alemanha Ocidental 3
Paolo Rossi   Itália 3
Johnny Rep   Países Baixos 3
Daniel Bertoni   Argentina 2
Nelinho   Brasil 2
Zbigniew Boniek   Polônia 2
Grzegorz Lato   Polônia 2
Daniel Passarella   Argentina 1
Zico   Brasil 1
Reinaldo   Brasil 1
Michel Platini   França 1
Dominique Rocheteau   França 1
Hansi Müller   Alemanha Ocidental 1
Franco Causio   Itália 1
Kenny Dalglish   Escócia 1

Classificação finalEditar

A classificação final é determinada através da fase em que a seleção alcançou e a sua pontuação, levando em conta os critérios de desempate.

Pos. Seleção Gr Pts J V E D GP GC SG
Final
1   Argentina 1 11 7 5 1 1 15 4 +11
2   Países Baixos 4 8 7 3 2 2 15 10 +5
Disputa pelo 3º lugar
3   Brasil 3 11 7 4 3 0 10 3 +7
4   Itália 1 9 7 4 1 2 9 6 +3
Eliminados na segunda fase
5   Polónia 2 7 6 3 1 2 6 6 0
6   Alemanha Ocidental 2 6 6 1 4 1 10 5 +5
7   Áustria 3 6 6 3 0 3 7 10 −3
8   Peru 4 5 6 2 1 3 7 12 −5
Eliminados na primeira fase
9   Tunísia 2 3 3 1 1 1 3 2 +1
10   Espanha 3 3 3 1 1 1 2 2 0
11   Escócia 4 3 3 1 1 1 5 6 −1
12   França 1 2 3 1 0 2 5 5 0
13   Suécia 3 1 3 0 1 2 1 3 −2
14   Irã 4 1 3 0 1 2 2 8 −6
15   Hungria 1 0 3 0 0 3 3 8 −5
16   México 2 0 3 0 0 3 2 12 −10

GruposEditar

Grupo 1Editar

Grupo 2Editar

Grupo 3Editar

Grupo 4Editar

CuriosidadesEditar

  • Foi a primeira Copa em que a Argentina usou o escudo da AFA, Associação de Futebol Argentino no uniforme, nas Copas anteriores a camisa albiceleste estava sem o devido escudo.
  • Foi a última Copa em que 16 seleções participariam da fase final. A partir do Mundial seguinte, na Espanha, em 1982, seriam 24 seleções.
  • O Brasil utilizou dezessete dos 22 jogadores inscritos. Apenas quatro disputaram todos os jogos completos: Leão, Oscar, Amaral e Batista.
  • Para disputar suas sete partidas, o Brasil percorreu 4.659 quilômetros pela Argentina. Já a Argentina percorreu apenas 618.
  • A Seleção Francesa tentou, sem êxito, boicotar a sua ida a Copa em resposta ao assassinato de freiras francesas por parte do Regime Militar.
  • "Les Bleus" viajaram de Concorde: a delegação francesa, formada por 36 pessoas, incluindo a revelação Michel Platini, partiu de Paris em 24 de maio do aeroporto Charles-de-Gaulle em um Concorde, prefixo F-BVFA, o incrível avião supersônico que voava a velocidade de Mach 2 (duas vezes a velocidade do som). Esse voo, único, foi um prolongamento do voo comercial regular entre Paris e Rio de Janeiro, com escala em Dakar, no Senegal. Assim, após pousar no Rio de Janeiro, esse voo continuou até o aeroporto de Ezeiza sendo a primeira vez que o supersônico pousou na capital argentina. No mesmo dia o Concorde vez o voo de regresso Buenos Aires à Paris via Rio e Dakar. [4]
  • Na final entre Argentina e Países Baixos, um torcedor de 49 anos sofreu um ataque cardíaco no momento em que o atacante neerlandês Rob Rensenbrink acertara a trave do goleiro argentino Ubaldo Fillol, porém foi socorrido a tempo de festejar a conquista inédita do título.
  • Os neerlandeses viraram de costas para Jorge Rafael Videla, considerado o "Diabo da Argentina" na hora de receberem as suas medalhas de prata.
  • Esta Copa protagonizou o segundo escândalo de doping da história do torneio. O meia escocês Willie Johnstone (camisa 11), foi flagrado nos exames antidoping para um estimulante proibido (fencanfamina, comercializada como Reactivan), na partida em que sua seleção foi derrotada pelo Peru por 3–1, inclusive participou no lance do único gol da sua seleção. Johnstone, após o anúncio do doping, e de seu desligamento da delegação escocesa, alegou inocência mas fez as malas e, acompanhado pela polícia argentina, voltou para o Reino Unido mais cedo. [5] Depois de 22 aparições pela seleção e a partir desse episódio, ele nunca mais foi convocado para a seleção da Escócia.
  • O treinador Ally MacLeod, da seleção da Escócia, fez história quando anunciava, antes da Copa, que poderia ser campeão. Afinal, a Escócia tinha em seu elenco a base dos dois melhores times de futebol à época, na Inglaterra e na Europa: o Liverpool (Kenny Dalglish e Graeme Souness), campeão inglês e bi europeu em 1977; e o Nottingham Forest (Archie Gemmill, Kenny Burns e John Robertson), que foi campeão inglês naquele 1978 e europeu por dois anos seguidos após a Copa. Daí o sucesso antes da Copa da música “Ally's Tartan Army[6], onde Tartan Army são os torcedores escoceses e Ally referia-se ao seu técnico. Os resultados, porém, decepcionaram. Apesar disso, a Escócia protagonizou momentos de muito êxtase: (i) chegou ao último jogo contra os Países Baixos precisando de um resultado improvável: ganhar por três gols de diferença. Começou o jogo dando a entender que seria uma nova tragédia quando Rensenbrink fez 1x0 de pênalti para os Países Baixos. Porém, Dalglish empatou no fim do primeiro tempo e aos 2” da segunda etapa Archie Gemmill marcou, também de pênalti, o segundo, fazendo 2x1 para a Escócia. E eis que em uma jogada maravilhosa aos 23”, como em um balé, Archie se livrou de seis adversários alaranjados e, com muita classe, trocou de pé para tirar a bola do goleiro Jan Jongbloed, perfazendo 3x1 para a Escócia, em um gol considerado dos mais bonitos de todos os tempos das Copas Fifa (quase foi o 1.000º da história, marcado naquele jogo no primeiro gol dos Países Baixos por Rensenbrink, de pênalti). Naquele momento, jogando bem, bastava mais um gol que a Escócia faria o impossível: ganhar por 3 de diferença e se classificar. Porém o jogo terminou 3x2 para a Escócia. O sonho tinha acabado, a Escócia foi eliminada na primeira fase, mas essa vitória se tornou um dos grandes momentos da torcida e da seleção escocesa. (ii) esse gol do Archie Gemmill serviu de inspiração para o filme “Trainspotting”, considerado um clássico cult lançado em 1996 no Reino Unido, tendo sido indicado para o BAFTA - British Academy of Film and Television Arts Awards daquele ano, com direção de Danny Boyle e com o ator Ewan McGregor. Além de uma trilha sonora marcante, tem uma cena incrível, sobre sentimentos humanos de torpor, no qual mistura o orgasmo do protagonista com a sua namorada (Kelly Macdonald), junto com a sensação de ver o terceiro gol da Escócia contra os Países Baixos: fora a beleza como foi o gol de Archie Gemmill, criou a esperança do resultado impossível e a classificação da seleção escocesa naquele momento. “Eu não me sentia tão bem assim desde que Archie Gemmill marcou contra a Holanda em 1978” – frase do ator no filme e ainda “[...] Você tem que se preocupar com contas, com comida, sobre algum time de futebol que nunca vence, sobre relacionamentos humanos e todo tipo de coisa que não importa quando você tem um hábito sincero e verdadeiro de viciado”. [7] [8] [9]
  • Na partida entre Brasil e Suécia na 1ª fase, o jogo estava empatado em 1–1 até os acréscimos no final da partida, quando houve um escanteio a favor do Brasil. Quando o escanteio foi cobrado, o meia brasileiro Zico subiu de cabeça, e marcou o que seria a vitória brasileira. Estranhamente, o juiz galês Clive Thomas encerrou o jogo, para desespero do time brasileiro. Sua alegação foi que ele terminara o jogo com a bola no ar. O time brasileiro entrou com duas representações contra o juiz na Comissão de Arbitragem e no Comitê Disciplinar da FIFA. O juiz foi afastado, e nunca mais apitaria uma partida de Copa.
  •  
    França (usando o uniforme do Club Kimberley) vs Hungria. Jean Petit carregando a bola.
    Eliminadas na primeira fase, as seleções da França e da Hungria proporcionaram um verdadeiro papelão, sendo que a França, em protesto contra as más arbitragens, entrou também de camisa branca, pois ela estava sorteada para os húngaros, o árbitro do jogo, o brasileiro Arnaldo Cezar Coelho, se recusava a começar a partida, enquanto a questão dos uniformes não estivesse resolvida, os jogadores da França acabaram sendo obrigados a jogarem com uniformes verdes listrado de branco, cedidos as pressas por um time amador, o Kimberley. A partida terminou em 3–1 a favor dos franceses, com gols de Lopez ('23), Berdoll ('38) e Rocheteau ('42), descontando Zombori ('41) para os húngaros.
  • O jornal inglês Sunday Times denunciou que os argentinos estavam fraudando os testes antidoping. Diziam que a urina para os exames após cada partida não era fornecida pelos jogadores, que inferiam fortes doses de anfetaminas. Um homem teria sido contratado só para urinar.
  • O jogador Rob Rensenbrink, da seleção neerlandesa, marcou o gol 1000 da história da Copa do Mundo, convertendo um pênalti, na partida entre Escócia e Países Baixos.
  • A seleção da Tunísia tornou-se a primeira seleção africana a ganhar uma partida de Copa do Mundo, ao bater o México por 3–1. As Águias de Cartago conseguiram ainda um empate em 0–0 com a Alemanha Ocidental, então campeã do mundo.
  • O Brasil se autoproclamou "campeão moral" por ter sido a única seleção invicta desta Copa (até mesmo a campeã Argentina sofreu uma derrota, para a Itália na última rodada da primeira fase) e porque o goleiro do Peru, Ramón Quiroga, teria facilitado a partida contra a Argentina. A Argentina precisava ganhar de uma diferença superior a quatro gols. Ganhou de 6–0. Além disso, Quiroga nasceu na Argentina e naturalizou-se peruano.
  • Atendendo a pedidos das emissoras de TV argentinas que alegaram estarem se adaptando a era do canal a cores, novidade da época na vizinha Argentina, a FIFA repentinamente alterou o horário dos jogos decisivos do Grupo B das semifinais da Copa de 1978: o jogo Brasil x Polónia seria disputado no horário vespertino, enquanto o jogo Argentina x Peru no horário noturno, e o selecionado argentino entrou em campo praticamente com o resultado em mãos.
  • Fernando Rodríguez Mondragón, filho de um chefe do tráfico de drogas colombiano, declarou em 2007 à Rádio Caracol (Colômbia) que o desarticulado cartel de Cáli subornou a seleção do Peru, com uma cifra não revelada, para que deixasse a seleção da Argentina ganhar o decisivo jogo da segunda fase. A Argentina se classificou tendo os mesmos pontos que o Brasil, mas com melhor saldo de gols.
  • Foi a primeira edição da Copa que o Brasil terminou sem ser derrotado e não foi campeão, tal feito se repetiria em 1986, onde foi eliminado pela França pelas quartas de final nas penalidades máximas; nessa copa a Argentina novamente viria a ser campeã.
  • Houve rumores de que a Ditadura Militar argentina desejava o título a todo custo, o que segundo algumas pessoas, explicaria boa parte dos episódios estranhos ocorridos durante a Copa. A comemoração da imensa torcida argentina pela vitória de 6–0 sobre o Peru serviu para acabar com os protestos das Mães da Praça de Maio, que buscavam informações dos filhos desaparecidos, pois os mesmos haviam feito vários protestos contra o governo militar do país.
  • Quatro seleções retornam após um longo hiato:
    •   Áustria – Após 20 anos (A última foi em 1958);
    •   Espanha – Após 12 anos (A última foi em 1966);
    •   França – Após 12 anos (A última foi em 1966);
    •   Hungria – Após 12 anos (A última foi em 1966).
  • 2 nações faziam sua primeira participação em copas:

Referências

  1. «A Copa é da América». Placar. 26 de setembro de 1975 
  2. esporte.uol.com.br/ Por que o Brasil nunca recebeu as medalhas pelo 3º lugar na Copa de 1978
  3. Partida originalmente marcada para 13:45, mas foi atrasada para 14:30 devido as duas seleções terem vindo com camisas brancas iguais. Após 45 minutos de atraso, os franceses usaram as camisas de um time local, o Kimberley.
  4. http://cctbelfort.canalblog.com/archives/2018/07/29/36621243.html Prefixo Concorde in https://www.airmails.co.uk/archive-country/Concorde/
  5. Murray, Scott (23 de dezembro de 2008). «The forgotten story of ... Willie Johnston». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077 
  6. «Ally's Tartan Army». Wikipedia (em inglês). 13 de setembro de 2019 
  7. Lobo, Felipe. «A cena da Copa de 1978 que faz parte do clássico cult Trainspotting, que completa 20 anos». Consultado em 15 de março de 2020 
  8. «O delírio e a realidade da Escócia no Mundial de 1978». Consultado em 15 de março de 2020 
  9. Valle, Emmanuel do. «Archie Gemmill, 70 anos: O talento escocês que brilhou em duas surpresas históricas do Inglês» 

Ligações externasEditar

 
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Copa do Mundo FIFA de 1978