Abrir menu principal

Crise Ucraniana (2013–presente)

Gnome globe current event.svg
Este artigo ou seção é sobre um evento atual. A informação apresentada pode mudar com frequência. Não adicione especulações, nem texto sem referência a fontes confiáveis. (editado pela última vez em 8 de abril de 2019)

A prolongada crise ucraniana começou em 21 de novembro de 2013, quando o então presidente Viktor Yanukovych suspendeu os preparativos para a aplicação de um acordo de associação com a União Europeia. Esta decisão resultou em protestos em massa por seus opositores, conhecidos como o "Euromaidan". Depois de meses de tais protestos, Yanukovych foi deposto pelos manifestantes em 22 de fevereiro de 2014, quando fugiu da capital ucraniana, Kiev. Depois de sua destituição, distúrbios se desenvolveram nas regiões leste e sul, em grande parte por russófonos da Ucrânia, de onde ele tirava a maior parte de seu apoio. Uma crise política se seguiu na região autônoma ucraniana da Crimeia que resultou na anexação da Crimeia pela Rússia em 18 de março. Posteriormente, os distúrbios nos oblasts ucranianos de Donetsk e Luhansk evoluíram para uma guerra entre os insurgentes pró-russos e o governo ucraniano pós-revolucionário.

Euromaidan e revoluçãoEditar

 Ver artigos principais: Euromaidan e Revolução Ucraniana de 2014

A Ucrânia foi tomada por distúrbios quando o presidente Viktor Yanukovych se recusou a assinar um acordo de associação com a União Europeia, em 21 de novembro de 2013.[1] Um movimento político organizado conhecido como 'Euromaidan' exigia laços mais estreitos com a União Europeia, bem como a destituição de Yanukovych.[2] Este movimento acabou por ser bem-sucedido, culminando na Revolução de Fevereiro de 2014, que removeu Yanukovych e seu governo.[3]

Instabilidade pós-revoluçãoEditar

Na sequência da destituição do presidente Yanukovych em 23 de fevereiro, protestos de ativistas pró-russos e anti-revolução começaram na região majoritariamente russófona da Crimeia.[4] Estes foram seguidos por manifestações em várias cidades do leste e do sul da Ucrânia, incluindo Donetsk, Luhansk, Kharkiv e Odessa.

Crise da CrimeiaEditar

A partir do dia 26 de fevereiro, à medida que os protestos apertavam na Crimeia, homens armados pró-russos gradualmente começaram a tomar o poder sobre a península.[5] A Rússia afirmou inicialmente que esses militantes uniformizados, chamados de "homenzinhos verdes" na Ucrânia, eram "forças de autodefesa locais".[6] No entanto, eles mais tarde admitiriam que estes eram, de fato, soldados russos sem insígnias, confirmando os relatos de uma incursão russa na Ucrânia.[7][8][9][10][11][12][13] Em 27 de fevereiro, o edifício do parlamento da Crimeia foi tomado pelas forças russas. Bandeiras russas foram hasteadas sobre estes edifícios, e um governo pró-russo autodeclarado afirmou que iria realizar um referendo sobre a independência da Ucrânia.[14] Na sequência deste referendo não reconhecido internacionalmente, que foi realizado em 16 de março, a Rússia anexou Crimeia em 18 de março.

Guerra em DonbassEditar

Desde o início de março de 2014, manifestações de grupos pró-russos e anti-governo ocorreram nos oblasts ucranianos de Donetsk e Luhansk - que em conjunto formam o comumente chamado "Donbass" - na sequência da revolução ucraniana de 2014 e do movimento Euromaidan. Estas manifestações, que se seguiram a anexação da Crimeia pela Federação Russa, e que faziam parte de um grupo maior de protestos pró-russos simultâneos em todo o sul e leste da Ucrânia, escalaram para um conflito armado entre as forças separatistas das auto-declaradas República Popular de Donetsk e República Popular de Lugansk, e o governo ucraniano.[15][16] Antes de uma mudança dos principais líderes em agosto,[17] os separatistas eram liderados principalmente por cidadãos russos.[18] Paramilitares russos são relatados por constituírem de 15% a 80% dos combatentes.[18][19][20][21][22]

Entre 22 e 25 de agosto, a artilharia e o pessoal russo, o qual a Rússia chamou de "comboio humanitário", foram relatados por terem cruzado a fronteira com o território ucraniano, sem a permissão do governo ucraniano. Os cruzamentos foram relatados como tendo ocorrido tanto em áreas sob o controle de forças pró-russas como em áreas que não estavam sob seu controle, como a parte sudeste do Oblast de Donetsk, perto de Novoazovsk. Estes acontecimentos seguiram ao bombardeio de posições ucranianas do lado russo da fronteira ao longo do mês anterior.[23][24][25][26][27] O Chefe do Serviço de Segurança da Ucrânia Valentyn Nalyvaichenko afirmou que os acontecimentos de 22 de agosto foram uma "invasão direta a Ucrânia por parte da Rússia".[28] As autoridades ocidentais e ucranianas descreveram esses eventos como uma "invasão furtiva" da Ucrânia pela Rússia. [27] Como resultado desta, os insurgentes recuperaram grande parte do território que haviam perdido durante a ofensiva militar anterior do governo. Um acordo para estabelecer um cessar-fogo, o chamado Protocolo de Minsk, foi assinado em 5 de setembro de 2014.[29] As violações do cessar-fogo de ambos os lados são comuns, mas este tem sido mantido, no entanto. Em meio à solidificação da linha entre o território insurgente e ucraniano durante o cessar-fogo, senhores da guerra assumiram o controle de porções de terra do lado dos insurgentes, levando a mais desestabilização.[30]

Eleições na UcrâniaEditar

Em meio à crise prolongada, várias eleições foram realizadas em toda a Ucrânia. A primeira eleição realizada desde a destituição do presidente Yanukovych foi a eleição presidencial de 25 de maio, que resultou na eleição de Petro Poroshenko como presidente da Ucrânia. Na região de Donbass, apenas 20% das seções eleitorais foram abertas devido às ameaças de violência por parte dos insurgentes separatistas pró-russos.[31] Das 2.430 seções eleitorais previstas para a região, apenas 426 permaneceram abertas para votação.[31]

Como a guerra no Donbass prosseguia, as primeiras eleições parlamentares pós-revolucionárias na Ucrânia foram realizadas em 26 de outubro de 2014.[32] Mais uma vez, os separatistas impediram a votação nas áreas em que controlavam. Eles realizaram as suas próprias eleições, não reconhecidas internacionalmente e em violação ao processo de paz do Protocolo de Minsk, em 2 de novembro de 2014.[33] Embora compatíveis com o acordo de paz na visão dos rebeldes.[34]

Efeitos da criseEditar

A crise teve muitos efeitos, tanto nacionais como internacionais. De acordo com uma estimativa de outubro de 2014 pelo Banco Mundial, a economia da Ucrânia encolheu 8% durante o ano de 2014 como resultado da crise. [35] As sanções econômicas impostas à Rússia pelas nações ocidentais contribuiu para o colapso do valor do rublo russo e para a crise financeira russa resultante. [36]

A guerra no Donbass provocou uma escassez de carvão na Ucrânia, uma vez que a região de Donbass era a principal fonte de carvão para usinas de energia em todo o país. Além disso, a Estação de Energia Nuclear de Zaporizhia foi forçada a desligar um dos seus reatores após um acidente. A combinação destes dois problemas provocou apagões em toda a Ucrânia no mês de dezembro de 2014. [37]

A proposta de um novo gasoduto para a Turquia, com uma capacidade anual em torno de 63 bilhões de metros cúbicos (BCM), levará o gás natural para a Europa contornando completamente a Ucrânia como um centro de transporte tradicional para o gás russo. [38]

Referências

  1. «A Ukraine City Spins Beyond the Government's Reach». The New York Times. 15 de fevereiro de 2014 
  2. Balmforth, Richard (12 de dezembro de 2013). «Kiev protesters gather, EU dangles aid promise». Reuters 
  3. «Ukraine Opposition Vows To Continue Struggle After Yanukovych Offer». Radio Free Europe/Radio Liberty. 25 de janeiro de 2014 
  4. «Ukraine crisis fuels secession calls in pro-Russian south». The Guardian. 24 de fevereiro de 2014. Cópia arquivada em 24 de fevereiro de 2014 
  5. «Gunmen Seize Government Buildings in Crimea». The New York Times. 27 de fevereiro de 2014. Masked men with guns seized government buildings in the capital of Ukraine's Crimea region on Thursday, barricading themselves inside and raising the Russian flag after mysterious overnight raids that appeared to be the work of militant Russian nationalists who want this volatile Black Sea region ruled from Moscow. 
  6. «A Look Back At How The Ukraine Crisis Erupted And What To Expect In 2015». Forbes. 13 de dezembro de 2014 
  7. Karmanau, Yuras; Vladimir Isachenkov (17 de abril de 2014). «Vladimir Putin admits for first time Russian troops took over Crimea, refuses to rule out intervention in Donetsk». National Post. Associated Press 
  8. «Warning shots end OSCE Crimea entry bid – Europe». Al Jazeera 
  9. Jones, Sam (21 de fevereiro de 2014). «US scorns Russia's version of Crimean intervention». Financial Times 
  10. «OSCE team say Crimea roadblock gunmen threatened to shoot at them». Reuters 
  11. «Armed men seize two airports in Ukraine's Crimea, Yanukovich reappears». Reuters. 1 de março de 2014 
  12. «Putin ready to invade Ukraine; Kiev warns of war». Reuters. 1 de março de 2014{{inconsistent citations}} 
  13. «Telecom services sabotaged in Ukraine's Crimea region». United Press International 
  14. Loiko, Sergei L (1 de março de 2014). «New Crimea leaders move up referendum date». The Los Angeles Times. Kiev, Ukraine – Crimea's new pro-Moscow premier, Sergei Aksenov, moved the date of the peninsula's status referendum to March 30. On Thursday, the Crimean parliament, which appointed Aksenov, had called for a referendum on May 25, the date also set for the urgent presidential election in Ukraine. 
  15. Grytsenko, Oksana (12 de abril de 2014). «Armed pro-Russian insurgents in Luhansk say they are ready for police raid». Kyiv Post 
  16. Leonard, Peter (14 de abril de 2014). «Ukraine to deploy troops to quash pro-Russian insurgency in the east». Yahoo News Canada. Associated Press 
  17. Strelkov/Girkin Demoted, Transnistrian Siloviki Strengthened in 'Donetsk People's Republic', Vladimir Socor, Jamestown Foundation, 15 August 2014
  18. a b «Pushing locals aside, Russians take top rebel posts in east Ukraine». Reuters. 27 de julho de 2014 
  19. Представитель ДНР назвал процент российских добровольцев в местной армии Arquivado em 15 de outubro de 2014, no Wayback Machine.. 27 June 2014.
  20. «Российский Наемник: "Половина Ополченцев - Из России. Мне Помогают Спонсоры. Мы Возьмем Львов"». M.censor.net.ua. 26 de julho de 2014. Consultado em 26 de agosto de 2014 
  21. «Interview: I Was A Separatist Fighter In Ukraine». Radio Free Europe/Radio Liberty. Consultado em 29 de agosto de 2014 
  22. «Whisked Away for Tea With a Rebel in Ukraine». The New York Times 
  23. Russia Moves Artillery Units Into Ukraine, NATO Says by MICHAEL R. GORDON, The New York Times
  24. Denver Nicks (22 de agosto de 2014). «NATO: Russia Artillery Fires on Ukraine Forces». Time 
  25. JIM HEINTZ Associated Press. «Ukraine: Russian Tank Column Enters Southeast - ABC News». ABC News. Cópia arquivada em 25 de agosto de 2014 
  26. «Ukraine crisis: 'Column from Russia' crosses border». BBC. 1 de janeiro de 1970 
  27. a b «Ukraine Reports Russian Invasion on a New Front». The New York Times. 27 de agosto de 2014 
  28. «Ukraine accuses Russia of invasion after aid convoy crosses border». Reuters. 22 de agosto de 2014 
  29. «Ukraine and pro-Russia rebels sign ceasefire deal». BBC News. 5 de setembro de 2014 
  30. Ukraine rebels warlords «Ukraine rebels a disunited front run by warlords» Verifique valor |url= (ajuda). Associated Press. 10 de novembro de 2014 
  31. a b Poroshenko Declares Victory in Ukraine Presidential Election, The Wall Street Journal (25 May 2014)
  32. Ukraine President Poroshenko Calls Snap General Election, Bloomberg News (25 August 2014)
  33. «Russia calls for talks with Kiev after separatist elections». The Guardian. 3 de novembro de 2014 
  34. «Too early to discuss broader monitoring of Ukraine-Russia border - Lavrov (É demasiado cedo para discutir acerca de um controlo mais amplo das fronteiras entre a Rússia e a Ucrânia - Lavrov)» (em inglês). Interfax Ukraine. 5 de dezembro de 2014. Consultado em 21 de dezembro de 2014 
  35. «Ukraine economy to contract by 8% in 2014: World Bank». Yahoo News. Agence France-Presse. 2 de outubro de 2014 
  36. «'We are hardly surviving': As oil and the ruble drop, ordinary Russians face growing list of problems». Financial Post. Reuters. 1 de janeiro de 2015 
  37. Ukraine turns off reactor at its most powerful nuclear plant after 'accident', The Independent (28 December 2014)
    Ukraine Briefly Cuts Power to Crimea Amid Feud With Russia Over NATO, New York Times (DEC. 24, 2014)
    Coal import to help avoid rolling blackouts in Ukraine — energy minister, ITAR-TASS (December 31, 2014)
    Rolling blackouts in Ukraine after nuclear plant accident, br>Mashable (Dec 03, 2014)
    Ukraine to Import Coal From ‘Far Away’ as War Curtails Mines, Bloomberg News (Dec 31, 2014)
  38. «Russia to Shift Ukraine Gas Transit to Turkey as EU Cries Foul». Bloomberg. 14 de janeiro de 2015