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Intervenção militar da Rússia na Ucrânia (2014–presente)

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Intervenção militar da Rússia na Ucrânia
Parte da Rebelião pró-russa na Ucrânia
e da Crise Ucraniana
2014 Russo-ukrainian-conflict map.svg
A zona de conflito, mostrando em amarelo os territórios controlados pelo governo da Ucrânia e em vermelho claro as áreas nas mãos de separatistas, integradas nas Forças Armadas e Marinha da Federação Russa.
Data 27 de fevereiro de 2014 (de facto)[1] – presente
Local República da Crimeia, Oblast de Kherson, Bacia do Donets, Ucrânia[2]
Desfecho
Status Em andamento
  • A Rússia assume o controle militar efetivo da Crimeia;[3]
  • Operações secretas realizadas pelas forças armadas russas, autodenominadas "forças de autodefesa da Crimeia", sem a utilização de quaisquer identificações ou insígnias;
  • Fronteiras russo-ucranianas são patrulhadas pelo exército russo até 4 de março;[4]
  • Tropas russas entram no oblast de Kherson em 8 de março de 2014;[2]
  • Ucrânia fecha a fronteira com a região pró-russa da Transnístria em 15 de março;[5]
  • Tropas militares russas invadem a região da Bacia do Donets, intervindo em favor dos separatistas. Contudo, Moscou negou qualquer tipo de intervenção no conflito;[6]
Combatentes
 Rússia
Flag of Crimea.svg Crimeia
Flag of Donetsk People's Republic.svg República Popular de Donetsk [7]
Flag of Lugansk People's Republic.svg República Popular de Lugansk [8]
 Ucrânia[14]
Líderes e comandantes
Vladimir Putin
Sergey Shoygu
Valery Gerasimov
Igor Sergun
Aleksandr Vitko
Sergey Aksyonov
Oleksandr Turtchynov
Petro Poroshenko
Ihor Tenyukh
Mykhailo Kutsyn
Serhiy Hayduk
Denis Berezovsky
(desertou)
Unidades
Medium emblem of the Armed Forces of the Russian Federation (27.01.1997-present).svg Forças Armadas Russas:[21][22]
Russian 76th Airborne Division patch.svg 76ª Divisão Aérea
Russian 31st Airborne Brigade patch.svg 31ª Brigada Aérea
18ª Brigada Mecanizada

Sleeve Insignia of the Russian Baltic Fleet.svg Frota Báltica[23]
Sleeve Insignia of the Russian Northern Fleet.svg Frota do Norte
Sleeve Insignia of the Russian Black Sea Fleet.svg Frota do Mar Negro:

Emblem of the GRU.svg Operadores da DGI

Emblem of the Ukrainian Armed Forces.svg Forças Armadas da Ucrânia:
Emblem of the Ukrainian Navy.svg Marinha da Ucrânia
  • 36ª Brigada de Defesa Costeira[24]

Emblem of the State Border Guard Service of Ukraine.svg Guarda Costeira da Ucrânia
Геральдичний знак - емблема МВС України.svg Polícia da Ucrânia
Емблема внутрішніх військ МВС України.svg Tropas Internas
Emblem of the National Guard of Ukraine.svgGuarda Nacional da Ucrânia

Forças
Tropas da Crimeia: 25.000–30.000[25][26]
  • Frota do Mar Negro: 11.000 (incluindo a Fuzileiros Navais)
  • 4 esquadrões de caças aéreos (18 aviões cada)

Reforços: entre 16.000[24][27][28][29] e 42.000[30] soldados

Tropas no leste:
+ 42 000 militares russos[31] (supostamente)

Guarnição da Crimeia:
~ 14.500 soldados[32]
10 navios de guerra

Exército no leste:
70 000 militares[33] (mobilizados)
Vítimas
Crimeia:
1 miliciano pró-Rússia morto[34]
1 equipe de inteligência militar capturada[35]

Donbass:
400 - 500 soldados russos mortos[36]
+ 12 capturados[37]
2 423 mortos[38]
6 331 feridos[38]
Militares russos guardam uma antiga base militar ucraniana em Perevalne, durante a crise na Crimeia, em 2014.

A intervenção militar russa na Ucrânia refere-se as diversas incursões militares da Rússia em território ucraniano, iniciada em 24 de fevereiro de 2014 quando as Forças Especiais Russas[39][40] desembarcaram[41] na península da Crimeia, no sul da Ucrânia, e tomaram controle da região da Crimeia.[42]

Os componentes da agressão armada russa contra a Ucrânia em 2014-presente são:[43]

As autoridades russas desmentiram que as tropas pertenciam às forças armadas russas.[44] A região entrou numa grave crise como resultado da incerteza gerada pela Revolução Ucraniana de 2014, e a aparente captura da península pela Rússia. A infiltração destas tropas russas[45] na Crimeia foi vista como uma severa violação da lei internacional pelos Estados Unidos, seus aliados da OTAN e boa parte da comunidade internacional, porém foi bem-vinda por uma grande proporção da população local.[45][46]

A península da Crimeia é uma ligação estratégica para a Rússia com o Mar Mediterrâneo, o Mar Negro e os Bálcãs.[47] O governo russo alega que seu envolvimento na crise da região visa proteger os cidadãos de etnia russa contra abusos cometidos pelas autoridades ucranianas.[nota 1][49][50] A Rússia não reconhece o governo interino recém-instaurado na Ucrânia, e considera o presidente afastado, Viktor Yanukovytch, o único líder legítimo do país.[nota 2] Segundo o governo russo, Yanukovytch teria pedido à Rússia que interviesse militarmente na Ucrânia para manter a paz e a ordem na região.[50][51] O Kremlin ainda alega que suas forças armadas não estariam envolvidas no conflito, e asseguraram que a utilização da força visando uma intervenção humanitária ainda não havia ocorrido.[52]

A resposta ucraniana, até agora, tem sido silenciosa, à medida em que seus líderes procuram situações diplomáticas, e a reação militar de sua parte limitou-se à mobilização das suas forças armadas e de seus reservistas. A Rússia, no entanto, garantiu que suas tropas permanecerão na região até que a situação política seja "normalizada".[53] Internamente, a Crimeia realizou um referendo em 16 de março de 2014 perguntando à população se a região deveria fazer parte da Federação Russa ou continuar a fazer parte da Ucrânia, embora voltando a ter a autonomia que tinha em 1992.[54] As duas opções do referendo implicavam alguma forma de controle russo da península.[55] A sequência de eventos deixou em estado de alerta os tártaros da Crimeia, grupo étnico que já foi deportado em massa para a Ásia Central em 1944, sob ordens de Josef Stalin.[56][57]

Internacionalmente, os Estados Unidos,[58] o Reino Unido,[59] a França,[60] a Alemanha,[61] a Itália,[62] a Polônia,[63] o Canadá,[64] o Japão,[18] a Coreia do Sul,[20] a Geórgia,[17] a Moldávia,[19] a Turquia,[65] a Austrália[16] e a União Europeia condenaram a Rússia, acusando-a de violar o direito internacional e a soberania da Ucrânia.[66] Embora inicialmente a China não tenha apoiado nem criticado a Rússia, ao mesmo tempo em que defendia a integridade territorial da Ucrânia,[67][68] seu governo declarou posteriormente que "não desejava" sanções contra a Rússia.[69] O governo da Índia declarou que considera que a Rússia tenha interesses legítimos na Crimeia;[70] o presidente russo Vladimir Putin convocou o primeiro-ministro da Índia para explicar a situação, e o primeiro-ministro Manmohan Singh "enfatizou a posição consistente que a Índia tem em relação a questões que envolvam a unidade e a integridade territorial dos países".[71]

Putin, em seu discurso numa sessão bicameral da Duma, às vésperas da anexação da Crimeia, agradeceu à China e à Índia pelo seu apoio à posição russa. Em suas palavras, "estamos gratos a todos que compreenderam nossos atos na Crimeia; estamos gratos ao povo da China, cujos líderes sempre consideraram a situação na Ucrânia e Crimeia levando em conta todo o contexto político e histórico, e apreciamos enormemente a discrição e a objetividade da Índia."[72] O governo russo ainda negou acusações de uma intervenção militar na Crimeia; nas palavras do próprio Vladimir Putin, o mundo não "ouviu falar de qualquer intervenção na qual um único tiro tenha sido disparado"[73][74]

Já no leste da Ucrânia, onde um violento conflito separatista está em andamento, o exército russo é acusado de intervir em favor dos rebeldes.[6] Na região de Donbas, insurgentes haviam começado, em abril de 2014, uma rebelião para tentar separar os oblasts de Donetsk e Lugansk do resto do país, mas enfrentaram resistência do governo ucraniano. Então, frente as ofensivas perpetradas por forças leais a Kiev, o presidente russo, Vladimir Putin teria iniciado, primeiro uma invasão sorrateira e depois ações mais diretas para apoiar os separatistas no leste.[75] No começo de setembro, ambos os lados do conflito chegaram a um acordo de cessar-fogo. Segundo o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, boa parte das tropas russas já haviam se retirado do país, ao fim do mesmo mês.[76]

Em 2015, com os combates no leste da Ucrânia se intensificando, denúncias cada vez mais veementes apontavam que a presença militar russa no país aumentou, além de seu apoio aos separatistas. Putin foi acusado pelo ocidente de tentar desestabilizar a Ucrânia e de tentar anexar o leste daquela nação pela força.[77]

Em 2016, a OSCE reportou diversas movimentações militares de soldados e equipamentos, provavelmente russos, na região de fronteira e próximo a Donetsk, alertando uma nova escalada das tensões.[78][79] Em setembro deste mesmo ano, um soldado russo, Denis Sidorov, se rendeu às forças ucranianas em Shirokaya Balka e em seu interrogatório supostamente detalhou o sistema de ajuda dos russos para os rebeldes em Donetsk.[80]

Em 25 de novembro de 2018, no Estreito de Querche, navios de guerra russos dispararam contra três embarcações ucranianas, capturando-as logo em seguida.[81][82] No dia seguinte, a 26 de novembro, parlamentares ucranianos apoiaram a proposta do presidente Petro Poroshenko de declarar lei marcial (por 30 dias) na região costeira da Ucrânia e na fronteira com a Rússia, como resposta ao incidente.[83]

NotasEditar

  1. Radyuhin (2014) "President Vladimir Putin, who is Commander-in-Chief of the Russian armed forces, asked Parliament for permission to use the Russian armed forces to "protect" Russian civilians and military in Ukraine."[48]
  2. Walker (2014) "Putin also insisted that ousted Ukrainian leader, Viktor Yanukovych, was the legitimate leader of Ukraine and that the "so-called" acting president had no authority and the new government in Kiev illegal."[49]

Referências

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BibliografiaEditar

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Ligações externasEditar

 
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