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Ronaldo Caiado

Político brasileiro, 79.º Governador do Estado de Goiás
Ronaldo Caiado
79.º Governador de Goiás
Período 1° de janeiro de 2019
até atualidade
Vice-governador Lincoln Tejota
Antecessor José Eliton Júnior
Senador por Goiás
Período 1º de fevereiro de 2015
até 1° de janeiro de 2019
Deputado federal de Goiás
Período 1º de fevereiro de 1991
até 1° de fevereiro de 1995
Período 1º de fevereiro de 1999
até 1° de fevereiro de 2015
Dados pessoais
Nascimento 25 de setembro de 1949 (70 anos)
Anápolis, Goiás
Alma mater Universidade Federal do Rio de Janeiro
Partido PSD (1989-1993)
PFL (1993)
PPR (1993-1994)
PFL (1994-2007)
DEM (2007-presente)
Religião Católico
Profissão Médico
Website http://www.ronaldocaiado.com.br
linkWP:PPO#Brasil

Ronaldo Ramos Caiado (Anápolis, 25 de setembro de 1949) é um médico e político brasileiro. Filiado ao Democratas (DEM), é o atual governador do Estado de Goiás.

Formado em medicina e com especialização em ortopedia, Caiado é membro de uma família de produtores rurais com forte presença na política de Goiás desde meados do século XIX.[1][2][3] Entre 1986 e 1989, presidiu a União Democrática Ruralista, entidade que visa defender interesses dos produtores rurais.

Na política, Caiado chegou a concorrer à Presidência da República no ano de 1989 mas obteve menos de 1% dos votos. Entre 1991 e 1995 e, entre 1999 e 2014, atuou como deputado federal por Goiás. Já entre 2015 e 2018, foi senador pelo mesmo Estado, recebendo o prêmio de melhor senador pelo Prêmio Congresso em Foco no primeiro ano do seu mandato, escolhido através de eleição popular nas redes sociais.[4] Desde 2013, Caiado é líder do Democratas[5] e um dos membros mais ativos da bancada ruralista do Congresso Nacional.[6][7][8]

Além disso, Ronaldo Caiado é casado com Maria das Graças Landim de Carvalho, conhecida como Gracinha Caiado, com quem teve quatro filhos.[9]

BiografiaEditar

Filho de Edenval Ramos Caiado e Maria Xavier Caiado, Ronaldo Caiado é natural de Anápolis, no interior do estado de Goiás, e descende de uma família tradicional da política goiana.[9] Seu avô, Antônio Totó Ramos Caiado, foi deputado federal (1909-1921), senador e um dos mais conhecidos coronéis de Goiás, liderando a oligarquia Caiado entre os anos de 1910 e 1930, deposta neste último ano pelo governo Getúlio Vargas. Seu tio, Brasil Ramos Caiado, foi presidente de Goiás entre 1925 e 1929 e senador entre 1929 e 1930. Seu tio avô, Mário de Alencastro Caiado, integrou a junta governativa que assumiu o poder em Goiás com a Revolução de 1930, tendo sido ainda constituinte em 1934 e senador de 1935 a 1937. Além disso, Ronaldo Caiado tem vários primos que também foram políticos: Emival Ramos Caiado foi deputado federal entre 1955 e 1971 e senador entre 1971 e 1974; Elcival Ramos Caiado foi deputado federal entre 1975 e 1979; Leonino Di Ramos Caiado foi governador de Goiás entre 1971 e 1975; Brasílio Ramos Caiado foi várias vezes deputado federal (1971-1975, 1979 e 1981-1987); e Ibsen de Castro foi deputado federal entre 1983 e 1987; Sérgio Ramos Caido foi deputado estadual várias vezes (1975-1979, 1979-1983 e 1983-1987). Sua família também conta com a participação do empresário goiano Emival Ramos Caiado Filho.[9][10][11][12]

Em 1974, Ronaldo Caiado formou-se em medicina na Faculdade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).[13] Após concluir sua graduação, participou de cursos de atualização, jornadas médicas e semanas de debate em vários estados brasileiros.[9] Além disso, em 1975 Caiado participou do VIII Congresso Pan-Americano do Colégio Internacional de Cirurgiões no Rio de Janeiro, do XX Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia e do V Congresso Brasileiro de Cirurgia da Mão. Já em 1976, também participou do XVI Congresso Brasileiro de Cirurgia e do I Seminário Brasileiro de Pós-Graduação em Cirurgia, ambos ocorridos no Rio de Janeiro.[9]

Durante sua estada na França, especializou-se em cirurgia da coluna pelo Serviço de Cirurgia Ortopédica e Traumatológica do Professor Roy-Camille, em Paris[14] e, em 1977, atuou como assistente estrangeiro da Universidade de Paris quando participou do Congresso da Sociedade Francesa de Cirurgia Ortopédica e Traumatologia.[9] Voltando ao Brasil, entre 1978 e 1979 lecionou como auxiliar de ensino no Departamento de Ortopedia e Traumatologia da UFRJ. Já entre 1978 e 1984, durante a sua residência médica, Caiado ministrou aulas para alunos da UFRJ, no Hospital Miguel Couto e em cursos de atualização e congressos nos estados do Rio e da Bahia.[9] Além disso, em 1979 Caiado concluiu seu mestrado em ortopedia e traumatologia também pela UFRJ.[14]

Produtor rural, Ronaldo Caiado ligou-se à Associação Goiana de Criadores de Zebu, à Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura e à Associação Goiana de Criadores de Nelore.[9] Em 1985, durante o governo José Sarney, os latifundiários se sentiram ameaçados com a possibilidade da reforma agrária quando um conflito de terras na região do Triângulo Mineiro resultou na desapropriação da fazenda Barreiro. Logo em seguida, Caiado criou a União Democrática Ruralista (UDR), entidade associativa que visa defender os interesses dos proprietários rurais e, tornando-se seu presidente, ingressou na vida política.[9][15]

AscendênciaEditar

Trajetória e atuação políticaEditar

Presidência da RepúblicaEditar

Ao deixar a presidência da União Democrática Ruralista (UDR) em 1989 e com o restabelecimento das eleições diretas, Ronaldo Caiado candidatou-se à presidência da República pelo Partido Social Democrático (PSD). Obtendo a soma de 488.872 votos, o equivalente a 0,68%, ficou em décimo lugar no pleito e apoiou o candidato vitorioso, Fernando Collor, do Partido da Reconstrução Nacional (PRN), no segundo turno.[9]

Câmara dos DeputadosEditar

Em 1990, Ronaldo Caiado elege-se como o deputado federal mais votado de Goiás pelo PSD, alcançando a soma de 98.256 votos.[9] Um mês após sua posse na Câmara dos Deputados, acusou o PSD de ter vendido o horário do programa de TV da legenda para promoção do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, do PMDB. Considerado uma figura destoante dentro do partido, em março foi convidado a se retirar do PSD por defender posições de extrema-direita. Em 1991 e já filiado ao Partido Democrata Cristão (PDC), Caiado destacou-se pela atuação na Comissão de Agricultura e Política Rural e passou a integrar a chamada bancada ruralista no Congresso e, em 1992, foi um dos 38 parlamentares que votaram contra o impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, alegando que "o povo brasileiro não suporta mais o retorno de Sarney e Quércia ao poder".[9]

Em abril de 1993, filiou-se ao Partido da Frente Liberal (PFL) mas, ainda no mesmo ano, mudou novamente de agremiação, ingressando no Partido Progressista Reformador (PPR), que resultou da fusão do PDC com o PDS. Em agosto de 1994, por sua vez, voltou ao PFL e candidatou-se ao governo de Goiás, apoiando, no plano nacional, o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Fernando Henrique Cardoso. Nas eleições de outubro, porém, foi vencido pelo candidato Maguito Vilela, do PMDB, ficando em terceiro lugar com a soma de 364.767 votos (23,18% dos votos válidos).[16][9]

Em outubro de 1998, concorreu novamente a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PFL e, obtendo a maior votação da legenda e a segunda maior votação do estado, foi eleito deputado federal pela segunda vez com a soma de 100.446 votos. Durante o mandato, seguiu atuando como líder da bancada ruralista no Congresso Nacional e como defensor do agronegócio, também atuando como titular das Comissões de Agricultura e Política Rural e de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO).[9]

Em 2002, conseguiu reeleger-se pelo PFL para deputado federal, angariando 114.728 votos. Durante o terceiro mandato, participou como titular das Comissões Permanentes de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e de Finanças e Tributação. Além disso, a partir de 2003, atuou como presidente da Frente Parlamentar de Apoio à Agricultura e relator da Comissão Especial de Reforma Política da Câmara dos Deputados.[9]

Nas eleições de outubro de 2006, foi eleito para o seu quarto mandato como deputado federal pelo PFL, com a soma de 152.895 votos, o segundo mais votado em seu estado. Logo no início da nova legislatura, durante a Convenção Nacional de 28 de março de 2007 seu partido alterou o nome da sigla para Democratas (DEM). Durante o exercício do novo mandato, integrou como titular as Comissões Permanentes de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, Fiscalização Financeira e Controle, e Seguridade Social e Família.[9]

Nas eleições de outubro de 2010, Ronaldo Caiado lançou-se mais uma vez como candidato à Câmara dos Deputados. Alcançando a soma de 167. 591 votos, reelegeu-se como o terceiro candidato a deputado federal mais votado de Goiás.[9]

Senado FederalEditar

Nas eleições gerais realizadas em outubro de 2014, Caiado candidatou-se ao Senado Federal e conseguiu eleger-se com 1.283.665 votos (47, 57% dos votos válidos).[17] Durante o mandato, foi eleito, por unanimidade, líder do Democratas no Senado, e atuou como membro titular das comissões de Assuntos Econômicos; de Constituição, Justiça e Cidadania; de Serviços de Infraestrutura; de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle; de Agricultura e Reforma Agrária; da Comissão de Reforma Política do Senado Federal e da Comissão Especial para o Aprimoramento do Pacto Legislativo.[9]

Durante sua atuação política, Ronaldo Caiado ficou conhecido por ser um dos principais opositores da esquerda brasileira, costumando tecer críticas aos últimos governos do Partido dos Trabalhadores (PT). Foi um dos principais articuladores do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, votando favoravelmente ao prosseguimento do processo e ao cumprimento da pena que envolvia a perda do mandato da ex-presidente. Entretanto, no mesmo dia, parte do MDB votou a favor de que Dilma mantivesse seus direitos políticos. Isso fez com que o senador rompesse com o novo governo, adquirindo a condição de independência no Senado.[9]

Em dezembro de 2016, Ronaldo Caiado votou a favor da PEC do Teto dos Gastos Públicos e,[18] em julho de 2017, votou a favor da reforma trabalhista.[19] Já em outubro de 2017, votou contra a manutenção do mandato do senador Aécio Neves, mostrando-se favorável à decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal no processo onde ele é acusado de corrupção e obstrução da justiça por solicitar dois milhões de reais ao empresário Joesley Batista.[20][21]

Além disso, em abril de 2018, Caiado foi um dos 20 senadores a assinar uma carta aberta entregue ao gabinete da então presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, em defesa da manutenção do entendimento da Corte sobre prisão após a condenação em segunda instância. O envio da carta aconteceu na véspera do julgamento, na Suprema Corte, de um pedido de habeas corpus do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.[22]

Governo do EstadoEditar

Nas eleições de outubro de 2018, Ronaldo Caiado candidatou-se ao governo do estado de Goiás ao lado do candidato a vice e deputado estadual, Lincoln Tejota, do Partido Republicano da Ordem Social (PROS). Alcançando a soma de 1.773.185 votos (59,73% dos votos válidos), elegeu-se já no primeiro turno ao vencer Daniel Vilela, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que ficou em segundo lugar com 479.180 votos (16,14% dos votos válidos).[23]

ControvérsiasEditar

Em julho de 1991, Ronaldo Caiado foi processado pelo então vice-prefeito de São Paulo, Luís Eduardo Greenhalgh, por calúnia e difamação, pelas declarações à imprensa de que o político teria envolvimento com drogas. A Procuradoria Geral da República aceitou as reclamações, sugerindo ao Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido de suspensão da imunidade de Caiado.[9]

Em dezembro de 1993, o nome de Ronaldo Caiado constou entre os três deputados proprietários rurais integrantes da bancada ruralista que, em débito com o governo, usaram a Comissão parlamentar de inquérito (CPI) da Dívida Agrária para sugerir ao Banco do Brasil novas regras para empréstimos em benefício próprio. Em abril de 1994, seu nome apareceu novamente numa lista de proprietários rurais devedores do mesmo banco. Juntamente com outros parlamentares da bancada ruralista, Caiado se negou a votar a medida provisória da Unidade real de valor (URV), que viabilizaria o plano econômico proposto pelo governo Itamar Franco. Em troca do voto da bancada, pleitearam a mudança no critério de reajuste da dívida rural, com juros menores e prazos maiores. Como líder da bancada ruralista, dois meses depois, conseguiu uma anistia temporária de parte da dívida do crédito agrícola contraída durante o Plano Collor pelos produtores rurais.[9]

Em 31 de março de 2015, o ex-senador pelo Democratas (DEM), Demóstenes Torres, publicou um artigo no jornal goiano Diário da Manhã, sustentando que Ronaldo Caiado teve despesas das campanhas de 2002, 2006 e 2010 financiadas pelo esquema de Carlinhos Cachoeira. Caiado negou as acusações, afirmando que Demóstenes "tem comportamento típico de um psicopata" e que o estaria acusando com mentiras, por ter o mandato de senador cassado em 2012.[24]

Ainda em 2015, no mês de julho, o ex-presidente da República Luis Inácio Lula da Silva protocolou duas queixas-crime contra Ronaldo Caiado no Supremo Tribunal Federal, solicitando que o senador respondesse por injúria, calúnia e difamação por supostas acusações feitas nas redes sociais. As queixas baseavam-se nas afirmações de Caiado de que "Lula tem postura de bandido" e que "Lula e sua turma foram pegos roubando a Petrobras e agora ameaça com a tropa MST do Stédile e do Rainha para promover a baderna".[25] Em dezembro de 2015, porém, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal rejeitou as duas queixas-crime apresentadas pelo ex-presidente da República contra o então senador. Na opinião do relator dos inquéritos, ministro Edson Fachin, as declarações publicadas pelo senador são protegidas pela imunidade parlamentar prevista no artigo 53 da Constituição Federal.[26]

Referências

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar