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Sabrina Fernandes

Socióloga, ativista e youtuber brasileira
Sabrina Fernandes
Nome completo Sabrina da Fonseca Borges Fernandes
Nascimento 26 de julho de 1988 (31 anos)
Goiânia, GO
Nacionalidade brasileira
Alma mater St. Thomas University
Ocupação Socióloga, professora, ativista, youtuber
Página oficial
sabrinafernandes.com.br

Sabrina da Fonseca Borges Fernandes (Goiânia, 26 de julho de 1988) é uma socióloga, professora, ativista e youtuber brasileira, conhecida pelo seu canal chamado Tese Onze que contém vídeos acerca de debates, informações e críticas dentro de perspectivas de esquerda por uma perspectiva marxista e progressista. Sabrina Fernandes é doutora em sociologia e mestre em economia política pela Universidade Carleton no Canadá, onde escreveu sua tese premiada pela CALACS[1] e pela própria Universidade Carleton de Tese Extraordinária de 2018. Os temas da tese envolvem a despolitização e a fragmentação da esquerda no Brasil evidenciada pela crise política no Brasil desde 2014.[2]

Além de estudar e viver o contexto da esquerda brasileira, é especialista em teoria marxista, pedagogia crítica, estudos feministas e sociologia ambiental. Atualmente, é pesquisadora do Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade de Brasília[3] e tem realizado cursos presenciais introdutórios ao ecossocialismo em algumas cidades desde 2018. .

Seu canal no YouTube foi criado em 2017 e inicialmente abordava os elementos presentes em sua pesquisa, porém com o aumento da popularidade foi rebatizado em referência às Teses sobre Feuerbach de Karl Marx e ampliou seu conteúdo.[4] Além do canal, também escreve e edita para a revista nova-iorquina Jacobin.[5]

BiografiaEditar

Nascida em Goiânia, começou a estudar a língua inglesa aos 13 anos e a lecionar aos 16. Ao atingir a maioridade, em 2006 conseguiu uma bolsa na Universidade St. Thomas, em Fredericton no Canadá onde graduou-se com honras em Economia. Com o incentivo de seus professores, Fernandes prosseguiu seus estudos e pesquisas na Universidade Carleton em Ottawa tendo concluído um mestrado em economia política investigando a proliferação da indústria dos cursinhos pré-vestibulares em Goiânia a partir de uma perspectiva teórica marxista e freiriana, e um doutorado em sociologia que lhe rendeu premiações com sua tese acerca da despolitização brasileira e da fragmentação da esquerda.[4] Voltou a morar no Brasil em 2015 (tendo terminado a mudança em 2017) por motivos pessoais e pelo ativismo, devido ao momento político pelo qual o país passava.[6]

Visões políticas e ativismoEditar

Fernandes começou seu ativismo no Canadá atuando no movimento estudantil e em coletivos feministas, além de ser filiada ao Novo Partido Democrático. Entre as bandeiras que levanta, estão o ecossocialismo, o marxismo, o feminismo e o veganismo. No Brasil, a ativista filiou-se ao Partido Socialismo e Liberdade mas não pensa em se candidatar.[7] Segundo Fernandes, o Brasil passa por uma crise de representação que seria fruto da corrupção e do distanciamento dos parlamentares do povo.[8] Para a socióloga, o mandato coletivo, pautado pelo princípio da soberania popular, é uma forma de superar essa crise e o distanciamento entre parlamentares e a base.[9] Ela expressa ainda sua preocupação com o crescente descaso no Brasil com a pauta ambiental e com as violências contra os povos originários e trabalhadores rurais.[10]

Durante a eleição presidencial no Brasil em 2018, a ativista montou na Rodoviária do Plano Piloto em Brasília o que chamou de "Banquinha da Democracia" onde oferecia além do diálogo político um café da tarde para eleitores indecisos, em uma tentativa para converter votos para Fernando Haddad no segundo turno, mesmo tendo apoiado Guilherme Boulos no primeiro turno.[11] Dentre as dinâmicas de pedagogia crítica que utilizou, disponibilizou um jogo de cartas que continham propostas dos programas de governo dos dois candidatos, sendo que o jogador deveria dizer se concordava ou não com cada uma das propostas sem ser informado sobre qual dos candidatos a havia apresentado. Depois, as cartas eram separadas em dois montes: um com as propostas aprovadas pela pessoa e outro com aquelas que ela rejeitava. Por fim as cartas eram viradas, mostrando a autoria das propostas.[12] Criticou ainda a atuação do Tribunal Superior Eleitoral ao tratar o suposto esquema de notícias falsas do então candidato Jair Bolsonaro.[13]

Seu primeiro livro, intitulado Sintomas Mórbidos: a encruzilhada da esquerda brasileira, foi publicado no início de junho de 2019, pela editora Autonomia Literária.[14][15]

YouTubeEditar

 
Décima primeira tese, manuscrito original de Karl Marx

Em junho de 2017, em visita a Ottawa, gravou o primeiro vídeo do canal que começou com o nome "À Esquerda" com a intenção de discutir as definições e a atuação do campo progressista em um espaço onde predominavam os youtubers de direita.[7] Fernandes diz que tem a "responsabilidade de romper padrões" sendo uma mulher que fala sobre política no meio digital[16] e defende a necessidade de pensar em táticas de comunicação “que não fiquem simplesmente nos formatos já maçantes da esquerda, que não atrai grande parte da população”.[17] Depois de seis meses de existência o canal foi renomeado para "Tese Onze" em referência às Teses sobre Feuerbach de Karl Marx, sendo que a décima primeira diz: "Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo".[18] Com mais de 150 mil inscritos, Fernandes dá pequenas aulas sobre marxismo, feminismo, ecologia, comenta a política brasileira e internacional e rebate argumentos da direita desde teorias conspiratórias como a do marxismo cultural até o termo pejorativo "socialista de IPhone".[4][19] Também promove a autocrítica de esquerda, incluindo por exemplo a identificação das falhas cometidas pelos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff como a colaboração de classes.[7]

PublicaçõesEditar

Referências

  1. «Sabrina Fernandes vence o Prêmio Tese Destaque 2018». ACELAC. 9 de maio de 2018. Consultado em 12 de abril de 2019 
  2. Fachin, Patricia (27 de junho de 2017). «Melancolia, fragmentação e a crise da práxis. Desafios da esquerda brasileira. Entrevista especial com Sabrina Fernandes». Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Consultado em 12 de abril de 2019 
  3. «Sobre – Sabrina Fernandes» (em inglês). Consultado em 8 de maio de 2019 
  4. a b c Gabriel, Ruan S. (21 de fevereiro de 2019). «Conheça Sabrina Fernandes, a anti-Olavo». Época. Consultado em 12 de abril de 2019 
  5. «Sabrina Fernandes». Jacobin. Consultado em 12 de abril de 2019 
  6. Peixoto, Heitor. «Os podcasts que você precisa ouvir para saber de política». UOL. Consultado em 12 de abril de 2019 
  7. a b c Diniz, Augusto. «"Ideia da conciliação de classes foi um tiro no pé do PT"». Jornal Opção - R7. Consultado em 12 de abril de 2019 
  8. Barifouse, Rafael. «Eleições 2018: Conheça os grupos que se elegeram para exercer 'mandatos coletivos' de deputados». BBC. Consultado em 12 de abril de 2019 
  9. Sampaio, Cristiane. «Mandatos coletivos inovam o fazer da política no Brasil». Brasil de Fato. Consultado em 12 de abril de 2019 
  10. Sampaio, Cristiane. «Bolsonaro divide os ruralistas ao propor extinção do Ministério do Meio Ambiente». Brasil de Fato. Consultado em 12 de abril de 2019 
  11. «Na tentativa de converter votos, anônimos e famosos oferecem café da tarde para indecisos». O Globo. Consultado em 12 de abril de 2019 
  12. Rolim, Marcos. «Ninguém solta a mão de ninguém». Jornal Sul21. Consultado em 12 de abril de 2019 
  13. Morhy, Erika. «Submundo digital atravessa resistência popular nas eleições». Agência Carta Maior. Consultado em 12 de abril de 2019 
  14. Fernandes, Sabrina. «FINALMENTE NASCEU! Vlog 008». Tese Onze (YouTube). Consultado em 8 de junho de 2019 
  15. ENTREVISTA: ‘PRECISAMOS CONSTRUIR A IDEIA DE QUE A ESQUERDA É UMA ALTERNATIVA AGORA’, DIZ SABRINA FERNANDES, acesso em 08 de junho de 2019.
  16. Arrais, Daniela. «Mulheres no Poder». Claudia. Consultado em 12 de abril de 2019 
  17. Chavez, Thais. «Observatório da Democracia nasce para dar munição para a oposição». CartaCapital. Consultado em 12 de abril de 2019 
  18. MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã: teses sobre Feuerbach. Centauro, 2005.
  19. Basilio, Ana Luiza. «"Se houvesse o marxismo cultural, uma pessoa como Bolsonaro não teria sido eleita"». CartaCapital. Consultado em 12 de abril de 2019 

Ligações externasEditar