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Vincent van Gogh

pintor neerlandês

Vincent Willem van Gogh (holandês: [ˈvɪnsɛnt ˈʋɪləm vɑn ˈɣɔx] (Ltspkr.png ouça); Zundert, 30 de março de 1853Auvers-sur-Oise, 29 de julho de 1890) foi um pintor holandês considerado uma das figuras mais famosas e influentes da história da arte ocidental. Ele criou mais de dois mil trabalhos em pouco mais de uma década, incluindo por volta de 860 pinturas a óleo, a maioria dos quais durante seus dois últimos anos de vida. Suas obras abrangem paisagens, naturezas-mortas, retratos e autorretratos caracterizados por cores dramáticas e vibrantes, além de pinceladas impulsivas e expressivas que contribuíram para as fundações da arte moderna.

Vincent van Gogh
Autorretrato, 1887
Nome completo Vincent Willem van Gogh
Nascimento 30 de março de 1853
Zundert, Brabante do Norte,
Países Baixos
Morte 29 de julho de 1890 (37 anos)
Auvers-sur-Oise, França
Progenitores Mãe: Anna Cornelia Carbentus
Pai: Theodorus van Gogh
Ocupação Pintor
Treinamento Anton Mauve
Movimento estético Pós-impressionismo
Disambig grey.svg Nota: "Van Gogh" redireciona para este artigo. Para outros resultados, veja Van Gogh (desambiguação).

Van Gogh nasceu numa família de classe média alta e começou a desenhar ainda criança, sendo descrito como alguém sério, quieto e pensativo. Ele trabalhou como vendedor de arte quando jovem e viajou frequentemente, porém entrou em depressão depois de ser transferido para Londres. Van Gogh voltou-se para a religião e passou um tempo como missionário protestante na Bélgica. Ele enfrentou problemas de saúde e solidão até começar a pintar em 1881, mudando-se para a casa de seus pais. Seu irmão mais jovem Theo lhe apoiou financeiramente e os dois mantiveram uma duradoura correspondência. Seus primeiros trabalhos consistiam em naturezas-mortas e representações de camponeses. Van Gogh mudou-se em 1886 para Paris e se encontrou com vanguardistas como Émile Bernard e Paul Gauguin, que estavam opondo-se à sensibilidade impressionista. Ele criou uma nova abordagem para naturezas-mortas e paisagens à medida que produzia suas obras, com suas pinturas ficando com cores mais vivas enquanto desenvolvia um estilo que estabeleceu-se por completo em 1888 na sua estadia em Arles. Durante esse período Van Gogh também ampliou seus temas para englobar oliveiras, ciprestes, campos de trigo e girassóis.

Ele sofria de episódios psicóticos e alucinações, temendo por sua estabilidade mental e frequentemente negligenciando sua saúde física, não comendo direito e bebendo muito. Sua amizade com Gauguin terminou em uma briga com uma lâmina quando Van Gogh, em um ataque de raiva, cortou parte de sua própria orelha esquerda. Ele passou um tempo internado em hospitais psiquiátricos, incluindo um período em Saint-Rémy-de-Provence. Van Gogh ficou sob os cuidados do médico homeopata Paul Gachet depois de ser liberado e mudou-se para o vilarejo de Auvers-sur-Oise. Sua depressão continuou e ele disparou um revólver contra seu peito em 27 de julho de 1890, morrendo de seus ferimentos dois dias depois.

Van Gogh não obteve sucesso durante sua vida, sendo considerado um louco e um fracassado. Ele ficou famoso depois de seu suicídio, existindo na imaginação pública como a quintessência do gênio incompreendido, o artista "onde discursos sobre loucura e criatividade convergem".[1] Sua reputação começou a crescer no início do século XX enquanto elementos de seu estilo de pintura passaram a ser incorporados pelos fauvistas e expressionistas alemães. Van Gogh alcançou grande sucesso comercial, popular e de crítica nas décadas seguintes, sendo lembrado atualmente como um pintor importante e trágico, cuja personalidade problemática tipifica os ideais românticos do artista torturado.

Índice

Cartas

Vincent van Gogh (esquerda) em 1873, quando trabalhava na Goupil & Cie em Haia.[2] Theo van Gogh (direita, em 1878) foi um duradouro apoiador e amigo de seu irmão.

A fonte primária mais compreensiva sobre a vida e obra de Vincent van Gogh é a correspondência trocada entre ele e seu irmão mais novo Theo van Gogh. Estão registradas nas centenas de cartas trocadas entre os dois de 1872 a 1890 sua duradoura amizade e a maior parte do que se conhece sobre os pensamentos e teorias de arte de Van Gogh.[3] Theo trabalhava como comerciante de arte e ofereceu suporte financeiro e emocional ao irmão, dando-lhe também acesso a figuras influentes do mundo artístico.[4]

Theo guardou todas as correspondências que Van Gogh lhe enviou.[5] Este, por outro lado, manteve apenas algumas das cartas que recebeu. Johanna van Gogh-Bonger, a viúva de Theo, providenciou a publicação de algumas dessas cartas após as mortes dos dois irmãos. Outras apareceram em 1906 e 1913, com a maioria sendo publicada em 1914.[6] As cartas de Van Gogh eram eloquentes e expressivas, tendo sido descritas também como carregadas de uma "intimidade de diário" e semelhantes a uma autobiografia.[4] Segundo o tradutor Arnold Pomerans, a publicação da correspondência acrescenta uma "nova dimensão para o entendimento da realização artística de Van Gogh, uma compreensão concedida por praticamente nenhum outro pintor".[7]

Existem aproximadamente seiscentas cartas de Van Gogh para Theo e por volta de quarenta de Theo para Van Gogh. Há também 22 cartas para sua irmã mais nova Wil van Gogh, 58 para o pintor Anthon van Rappard, 22 para o pintor Émile Bernard e cartas individuais para os pintores Paul Signac e Paul Gauguin e ao crítico Albert Aurier. Algumas são ilustradas por esboços.[4] Muitas não estão datadas, porém historiadores foram capazes de colocar a maioria em ordem cronológica. Ainda existem problemas de transcrição e datação, principalmente daquelas enviadas de Arles. Lá Van Gogh escreveu em torno de duzentas cartas em holandês, francês e inglês.[8] Há uma lacuna nos registros quando ele viveu em Paris, já que os irmãos moravam juntos.[9]

Biografia

Início de vida

Vincent Willem van Gogh nasceu no dia 30 de março de 1853 em Zundert na província predominantemente católica de Brabante do Norte no sul dos Países Baixos.[10] Era o filho mais velho sobrevivente de Anna Cornelia Carbentus e Theodorus van Gogh, um pastor da Igreja Reformada Neerlandesa. Van Gogh foi nomeado em homenagem a seu avô e a um irmão natimorto que nascera exatamente um ano antes.[nota 1] Vincent era um nome comum na família Van Gogh: seu avô Vincent teve seis filhos, três dois quais tornaram-se comerciantes de arte. Este Vincent talvez tenha sido nomeado em homenagem a seu tio-avô, um escultor.[12]

A mãe de Van Gogh vinha de uma família próspera de Haia,[13] enquanto seu pai era o filho mais novo de um pastor.[14] Os dois se conheceram quando Cornelia, a irmã mais nova de Anna, casou-se com Vincent (apelidado de Cent), o irmão mais velho de Theodorus. Os pais de Van Gogh casaram-se em maio de 1851 e mudaram-se para Zundert.[15] Seu irmão mais novo Theodorus (apelidado de Theo) nasceu em 1 de maio de 1857. Existiam também um irmão chamado Cor e três irmãs: Elisabeth, Anna e Willemina (apelidada de Wil). Van Gogh permaneceu em contato mais adiante na sua vida apenas com Theo e Wil.[16] Sua mãe era uma mulher rígida e religiosa que enfatizava a importância da família ao ponto da claustrofobia daqueles ao seu redor.[17] O salário de seu pai era modesto, porém a igreja fornecia aos Van Gogh uma casa, uma criada, dois cozinheiros, um jardineiro, uma carruagem e um cavalo, com Anna instilando nos filhos um dever de manter a alta posição social da família.[18]

 
Van Gogh c. 1866, aos treze anos de idade.

Van Gogh era uma criança séria e pensativa.[19] Foi educado em casa por sua mãe e governanta, sendo enviado em 1860 para uma escola do vilarejo e quatro anos depois colocado em um internato de Zevenbergen,[20] onde se sentiu abandonado e fez campanha a fim de voltar para casa. Em vez disso seus pais lhe mandaram para uma escola secundária de Tilburgo, onde foi extremamente infeliz.[21] Seu interesse por arte começou bem cedo, sendo encorajando a desenhar ainda criança por sua mãe.[22] Seus primeiros desenhos eram expressivos,[20] porém não chegavam perto da intensidade de seus trabalhos posteriores.[23] Constantijn C. Huysmans, que fora um artista bem-sucedido em Paris, ensinava estudantes em Tilburgo. Sua filosofia era rejeitar a técnica em favor de capturar as impressões das coisas, particularmente a natureza e objetos comuns. A profunda infelicidade de Van Gogh parece ter ofuscado as aulas, que aparentemente tiveram poucos efeitos;[24] ele voltou para casa repentinamente em março de 1868. Van Gogh mais tarde escreveu que sua juventude foi "austera, fria e estéril".[25]

Seu tio Cent conseguiu em julho de 1869 um trabalho para Van Gogh na comerciadora de arte Goupil & Cia. em Haia.[26] Ele completou seu treinamento em 1873 e foi transferido para a filial da empresa em Londres, passando a morar no nº 87 da Rua Hackford em Stockwell.[27] Este foi um período feliz para Van Gogh: estava tendo sucesso no trabalho e aos vinte anos de idade ganhava mais que seu pai. Johanna van Gogh-Bonger, a esposa de Theo, posteriormente afirmou que este foi o melhor período da vida de seu cunhado. Ele se apaixonou por Eugénie Loyer, a filha de sua senhoria, porém foi rejeitado depois de confessar seus sentimentos; Loyer estava secretamente noiva de um ex-inquilino. Van Gogh acabou ficando cada vez mais isolado e fervoroso religiosamente. Seu pai e tio conseguiram fazer em 1875 com que fosse transferido para Paris, onde ficou ressentido por questões como o grau em que a firma mercantilizava arte, sendo demitido um ano depois.[28]

 
A casa de Van Gogh em Cuemes, onde Vincent decidiu tornar-se artista.

Van Gogh voltou para o Reino Unido em abril de 1876 a fim de assumir um trabalho não remunerado como professor substituto em um internato de Ramsgate. O proprietário pouco depois mudou-se para Isleworth perto de Londres e Van Gogh foi junto.[29] Este arranjo não funcionou e ele foi embora para se tornar o assiste de um pastor metodista.[30] Enquanto isso seus pais mudaram-se para Etten;[31] Van Gogh voltou para casa no natal daquele ano e permaneceu por lá durante seis meses, trabalhando em uma livraria de Dordrecht. Ele foi infeliz no cargo e passava seu tempo rabiscando ou traduzindo passagens da Bíblia para inglês, francês e alemão.[32] Van Gogh mergulhou-se na religião e tornou-se cada vez mais devoto e monástico.[33] De acordo com Paulus van Görlitz, seu colega de quarto na época, ele comia frugalmente e evitava ingerir carne.[34]

Sua família lhe enviou em 1877 para viver em Amsterdã junto com seu tio Johannes Stricker, um respeitado teologista, por quererem apoiar suas convicções religiosas e seu desejo de tornar-se pastor.[35] Van Gogh preparou-se para o vestibular de teologia da Universidade de Amsterdã,[36] porém não conseguiu passar e deixou a casa de seu tio em julho do ano seguinte. Ele participou e também falhou em um curso de três meses de uma escola missionária protestante em Laeken na Bélgica.[37]

Van Gogh assumiu em janeiro de 1879 um cargo de missionário em Petit Wasmes no distrito belga de Borinage.[38] Ele deixou que um sem teto vivesse nos seus confortáveis aposentos em uma padaria com o objetivo de demonstrar apoio para sua congregação empobrecida, indo morar em uma pequena cabana onde dormia na palha.[39] Suas condições de vida esquálidas não agradaram as autoridades da igreja, que o dispensaram por "minar a dignidade do sacerdócio". Van Gogh então caminhou 75 quilômetros até Bruxelas[40] e permaneceu brevemente em Cuesmes, porém cedeu às pressões de seus pais para que voltasse para Etten. Ele ficou lá até por volta de março de 1880,[nota 2] o que causou preocupação e frustração em seus pais. Seu pai ficou especialmente frustrado e aconselhou que o filho deveria ser internado em um manicômio em Geel.[42]

Van Gogh retornou a Cuesmes em agosto de 1880, indo morar com um mineiro até outubro.[43] Ele ficou interessado nas pessoas e cenas ao seu redor, registrando-as em desenhos depois de Theo lhe ter sugerido que começasse uma carreira artística rapidamente. Van Gogh viajou para Bruxelas mais tarde no mesmo ano, seguindo a recomendação do irmão para que estudasse com o artista Willem Roelofs, que lhe persuadiu – apesar de seu desgosto por escolas de arte formais – a ir estudar na Academia Real de Belas-Artes. Ele se matriculou em novembro, estudando anatomia e as regras padrão de sombreamento e perspectiva.[44]

Etten, Drente e Haia

Ele retornou a Etten em abril de 1881 para uma estadia alongada com seus pais.[45] Van Gogh continuou a desenhar, frequentemente usando seus vizinhos como temas. Sua prima recentemente viúva Cornelia Vos-Stricker (apelidada de Kee), filha de sua tia materna Willemina com Johannes Stricker, achegou para uma visita em agosto. Ele ficou animado e fazia longas caminhadas com ela. Kee era sete anos mais velha e tinha um filho de oito anos de idade. Van Gogh surpreendeu todos ao declarar seu amor e pedi-la em casamento.[46] Ela recusou dizendo "Não, nunca, jamais".[47] Kee voltou para Amsterdã e Van Gogh foi para Haia tentar vender suas pinturas e se encontrar com seu primo de segundo grau Anton Mauve. Este era o artista bem sucedido que Van Gogh desejava ser. Mauve o convidou para voltar em alguns meses e sugeriu que ele passasse esse meio tempo trabalhando com carvão e pasteis; Van Gogh voltou para Etten e seguiu esse conselho.[48]

Van Gogh escreveu uma carta a Stricker em novembro, que ele descreveu a Theo como um ataque.[49] Dias depois partiu para Amsterdã.[50] Kee não queria vê-lo e os pais desta escreveram que a "persistência [dele] é repugnante".[51] Van Gogh ficou desesperado e colocou sua mão esquerda sobre o fogo de uma lamparina, dizendo: "Deixem me vê-la pelo tempo que eu puder manter minha mão na chama".[51][52] Ele posteriormente não se lembraria bem do incidente, porém presumiu que seu tio tenha apagado o fogo. Stricker deixou claro que a recusa da filha deveria ser respeitada e que os dois não se casariam, principalmente por causa da incapacidade de Van Gogh de se sustentar.[53]

 
Telhados, Vista do Ateliê em Haia, 1882.

Mauve aceitou Van Gogh como aluno e lhe apresentou à aquarela, em que trabalhou pelo mês seguinte até voltar para casa devido o natal.[54] Ele brigou com seu pai e recusou-se a comparecer à igreja, indo embora para Haia.[55][nota 3] Van Gogh e Mauve brigaram em um mês, possivelmente por causa da viabilidade de se desenhar a partir de moldes de gesso.[58] Van Gogh só era capaz de contratar pessoas nas ruas para servirem de modelos, uma prática que Mauve aparentemente desaprovava.[59] Van Gogh sofreu um ataque de gonorreia em junho e precisou passar três semanas em um hospital.[60] Ele pintou suas primeiras telas a óleo depois disso,[61] compradas com dinheiro emprestado de Theo. Van Gogh gostou do método e espalhou a tinta liberalmente, raspando-a da tela e trabalhando em seguida com o pincel. Ele escreveu que ficou surpreso sobre como os resultados ficaram bons.[62]

Mauve aparentemente ficou frio com Van Gogh por volta de março de 1882, parando de responder suas cartas.[63] Ele descobriu que o novo arranjo doméstico de seu aluno era com a prostitua católica Clasina Maria Hoornik (apelidada de Sien) e sua filha pequena.[64] Van Gogh conheceu Sien perto do final de janeiro de 1882, quando ela tinha uma filha de cinco anos de idade e estava grávida de outra criança. Ela anteriormente tinha tido dois filhos que morreram, porém Van Gogh não sabia disso;[65] ela deu à luz em 2 de julho para um menino chamado Willem.[66] O pai de Van Gogh colocou pressão sobre o filho para que abandonasse Sien e as crianças ao saber sobre os detalhes do relacionamento. Van Gogh inicialmente tentou desafiar o pai,[67] considerando mudar-se com a família para fora da cidade, porém acabou deixando Sien e as crianças no final de 1883.[68]

A pobreza talvez tenha forçado Sien a retornar para a prostituição; a casa ficou cada vez menos feliz e Van Gogh talvez tenha achado que a vida familiar era irreconciliável com seu desenvolvimento artístico. Sien deixou a filha aos cuidados de sua mãe e William aos de seu irmão.[69] Willem se lembrava de ter visitado Roterdã quando tinha doze anos de idade e de seu tio ter tentado fazer com que Sien se casasse a fim de legitimá-lo.[70] Ele acreditava que Van Gogh era seu pai, porém o cronograma dos acontecimentos torna isso improvável.[71] Sien se matou em 1904 ao jogar-se no rio Escalda.[72]

Van Gogh mudou-se para a província de Drente no norte dos Países Baixos em setembro de 1883. Ele foi para Nuenen em Brabante do Norte no mês de dezembro a fim de morar com seus pais porque estava se sentindo solitário.[72]

Artista emergente

Nuenen e Antuérpia

 
Os Comedores de Batata, 1885.

Ele focou-se no desenho e pintura em Nuenen. Van Gogh trabalhava ao ar livre e rapidamente, completando esboços e pinturas de tecelões e suas cabanas.[73] Margot Begemann, a filha dez anos mais nova de um vizinho, juntou-se a ele nessas incursões em agosto de 1884; ela se apaixonou e ele retribuiu, mas de forma menos entusiasmada. Eles queriam se casar, entretanto ambas as famílias não eram a favor. Margot ficou perturbada e teve uma overdose de estricnina, sobrevivendo apenas porque Van Gogh foi capaz de levá-la para um hospital local.[66] O pai dela morreu de um ataque do coração em 26 de março de 1885.[74]

Van Gogh pintou em 1885 vários grupos naturezas-mortas.[75] Ele completou diversos desenhos e aquarelas durante sua estadia de dois anos em Nuenen, além de quase duzentas pinturas. Sua paleta de cores consistia principalmente de tons terrosos sombrios, especialmente marrom escuro, mostrando nenhum indício das cores vívidas que distinguem seus trabalhos posteriores.[76]

Houve o interesse de um comerciante de Paris no início de 1885.[77] Theo perguntou ao irmão se ele tinha pinturas prontas para serem exibidas.[78] Van Gogh respondeu em maio com seu primeiro grande trabalho, Os Comedores de Batata, e uma série de "estudos de personagens camponeses" que eram a culminação de vários anos de trabalho.[79] Ele depois reclamou que Theo não estava se esforçando o bastante para vender suas pinturas em Paris, com o irmão respondendo que as pinturas eram muito sombrias e não se encaixavam com o estilo vivo do impressionismo.[76] Seu trabalho foi exposto pela primeira vez em agosto nas vitrines do comerciante de arte Leurs em Haia. Uma de suas jovens modelos camponesas engravidou em setembro de 1885 e Van Gogh foi acusado de se forçar para cima dela, com o padre do vilarejo proibindo seus paroquianos de posarem para ele.[80]

Esgotado, lápis em papel de aquarela, 1882
Natureza-Morta com Bíblia Aberta, Vela Apagada e Romance, 1885
Caveira de um Esqueleto com Cigarro Aceso, 1885–86
Mulher Camponesa Cavando ou Mulher com uma Pá, Vista de Trás, 1885

Ele mudou-se para Antuérpia em novembro e alugou um quarto sobre uma loja de artigos de pintura na Rua das Imagens.[81] Van Gogh viveu na pobreza e comia pouco, preferindo gastar o dinheiro enviado por Theo em materiais e modelos. Pão, café e tabaco tornaram-se sua dieta padrão. Ele escreveu ao irmão em fevereiro de 1886 que se lembrava de ter comido apenas seis refeições quentes desde maio do ano anterior. Seus dentes ficaram soltos e doloridos.[82] Ele dedicou-se na Antuérpia ao estudo da teoria das cores e passava tempo dentro de museus, particularmente estudando as obras de Peter Paul Rubens, ampliando sua paleta para incluir carmim, azul-cobalto e verde-esmeralda. Van Gogh comprou xilogravuras ukiyo-e japonesas nas docas, posteriormente incorporando elementos desse estilo no fundo de algumas de suas pinturas.[83] Ele passou a beber muito outra vez[84] e foi hospitalizado entre fevereiro e março de 1886,[85] possivelmente também tendo sido tratado por sífilis.[86][nota 4]

Apesar de sua antipatia com estudos acadêmicos, Van Gogh fez o difícil vestibular de admissão na Academia Real de Belas-Artes da Antuérpia após se recuperar, matriculando-se em janeiro de 1886 nos cursos de pintura e desenho. Ele acabou ficando doente e exausto por tanto trabalho, dieta ruim e fumo excessivo.[88] Van Gogh logo brigou com o diretor da academia e professor Charles Verlat por causa de seu estilo não-convencional de pintura. Ele também teve confrontos com seus instrutores de desenho Frans Vinck e Eugène Siberdt, com este último porque Van Gogh não seguiu o requerimento de Siberdt de que os desenhos precisavam expressar o contorno e concentrar-se nas linhas. Van Gogh deixou a academia e foi para Paris após mais uma briga com Siberdt por causa de um desenho da Vênus de Milo.[89]

Paris

 
Retrato de Vincent van Gogh, 1887, por Henri de Toulouse-Lautrec.

Van Gogh mudou-se em março de 1886 para Paris onde dividiu um apartamento com Theo na Rua Laval em Montmartre, indo estudar no estúdio de Fernand Cormon. Os irmãos foram viver em junho em um apartamento maior no nº 54 da Rua Lepic.[90] Van Gogh pintou em Paris vários retratos de amigos e conhecidos, pinturas de natureza-morta, vistas do Moinho da Galette e cenas de Montmartre, Asnières e ao longo do Rio Sena. Ele usou as xilogravuras ukiyo-e japonesas que comprara na Antuérpia para decorar as paredes de seu estúdio, colecionando outras centenas durante seu tempo em Paris. Van Gogh tentou fazer japonismos, desenhando a figura da Cortesã, obra de Keisai Eisen, a partir de uma reprodução vista na capa da revista Paris Illustre que depois ampliou graficamente em uma pintura.[91]

Ele adotou uma paleta mais brilhante e pinceladas mais fortes, particularmente em pinturas como Paisagem Marinha em Saintes-Maries, depois de ver um retrato de Adolphe Monticelli na Galeria Delareybarette.[92] Van Gogh e Theo dois anos depois pagaram para a publicação de um livro com as pinturas de Monticelli, com Van Gogh comprando alguns dos trabalhos dele para sua coleção.[93]

Van Gogh soube do ateliê de Cormon por Theo[94] e lá trabalhou entre abril e maio de 1886,[95] onde frequentou o círculo do artista australiano John Peter Russell[96] e conheceu os colegas alunos Émile Bernard, Louis Anquetin e Henri de Toulouse-Lautrec, este último lhe pintando um retrato em pastel. Eles se encontravam na loja de pintura de Julien Tanguy,[95] na época o único lugar onde as obras de Paul Cézanne eram exibidas. Duas grandes exibições foram realizadas lá em 1886, mostrando pontilhismo e neo-impressionismo pela primeira vez, dando destaque para Georges Seurat e Paul Signac. Theo mantinha um estoque de pinturas impressionistas em sua galeria de Montmartre, porém Van Gogh foi lento em reconhecer os novos desenvolvimentos da arte.[97]

Houve conflitos entre os irmãos; Theo afirmou no final de 1886 que viver junto com Van Gogh era "quase insuportável".[95] Os dois fizeram as pazes no início de 1887 e Van Gogh mudou-se para o subúrbio de Asnières no norte de Paris, onde conheceu Signac. Ele adotou elementos do pontilhismo, técnica em que vários pontos coloridos são aplicados na tela para criar uma mistura ótica de tons quando vista à distância. O estilo salienta a habilidade das cores complementares a fim de criar contrastes vibrantes.[78][95]

A Cortesã (após Keisai Eisen), 1886
Retrato de Père Tanguy, 1887
Floração de um Pomar de Ameixa, 1887
Natureza-Morta com Garrafa de Absinto e um Jarro, 1887

Van Gogh pintou parques, restaurantes e o Sena durante seu tempo em Asnières, incluindo Pontes através do Sena em Asnières. Os irmãos Van Gogh ficaram amigos em novembro de 1887 de Paul Gauguin, que tinha acabado de chegar em Paris.[98] Van Gogh conseguiu uma exibição no final do ano ao lado de Bernard, Anquetin e Toulouse-Lautrec no Grand-Bouillon Restaurant du Chalet no nº 43 da Avenida Clichy em Montmartre. Bernard escreveu em um relato contemporâneo que a exibição estava na vanguarda de qualquer outra coisa na capital franesa.[99] Foi lá que Bernard e Anquetin venderam seus primeiros quadros, enquanto Van Gogh trocou trabalhos com Gauguin. Discussões sobre arte, artistas e suas situações sociais ocorreram nesta exibição, que continuou e expandiu-se para incluir visitantes como Signac, Seurat e Camille Pissarro com seu filho Lucien Pissarro. Van Gogh deixou Paris em fevereiro de 1888 por estar se sentindo cansado, tendo pintado mais de duzentos quadros nos dois anos que passou lá. Ele fez junto com Theo sua primeira e única visita ao estúdio de Seurat pouco antes de partir.[100]

Avanço artístico

Arles

Van Gogh procurou em fevereiro de 1888 um refúgio em Arles por estar doente devido bebedeiras e tosse de cigarro.[8] Ele aparentemente mudou-se com a intenção de fundar uma colônia de artistas. O pintor dinamarquês Christian Mourier-Petersen tornou-se seu companheiro por dois meses e inicialmente a cidade lhe parecia exótica. Ele descreveu o local em uma carta como um país estrangeiro: "Os zuavos, os bordéis, a adorável pequena Arlesiana indo para sua Primeira Comunhão, o padre em seu sobrepeliz, que parece um rinoceronte perigoso, as pessoas bebendo absinto, todas me parecem criaturas de outro mundo".[101]

O tempo passado em Arles foi um dos períodos mais prolíficos da carreira de Van Gogh: ele completou duzentas pinturas e mais de cem desenhos e aquarelas.[102] Ele ficou encantado pela paisagem local e a luz; seus trabalhos nesse período são ricos em amarelo, azul ultramarino e malva. Seus quadros incluem colheitas, campos de trigo e marcos rurais gerais da área, como por exemplo O Velho Moinho, uma estrutura pitoresca acima dos campos de trigo. Esta foi uma de sete telas enviadas para Pont-Aven em troca de obras de Gauguin, Bernard, Charles Laval e outros.[103]

As representações das paisagens de Arles são informadas pelo crescimento holandês de Van Gogh; os detalhes dos campos e avenidas parecem achatados e sem perspectiva, porém excedem no uso das cores.[104] Sua recém encontrada apreciação é vista no escopo abrangente de seu trabalho. Ele pintou paisagens em março de 1888 utilizando um "quadro perspectiva" gradeado; três obras foram mostradas na exibição anual da Sociedade dos Artistas Independentes. Ele foi visitado em abril pelo artista norte-americano Dodge MacKnight, que estava vivendo na vizinha Fontvieille.[105] Van Gogh alugou a ala leste da Casa Amarela em 1 de maio de 1888 pelo valor de quinze francos por mês. Os aposentos não estavam mobiliados e estavam desocupados havia meses.[106]

Van Gogh mudou-se do Hotel Carrel para o Café da Gare em 7 de maio,[107] tendo ficado amigo dos proprietários Joseph e Marie Ginoux. A Casa Amarela precisava ser mobiliada antes que ele pudesse mudar-se por completo, porém mesmo assim ele conseguia usar o estúdio.[108] Van Gogh queria uma galeria onde pudesse exibir seus trabalhos, começando uma série de pinturas que eventualmente levaram a Cadeira de Van Gogh, Quarto em Arles, O Café à Noite, Terraço do Café à Noite, Noite Estrelada Sobre o Ródano e Natureza-Morta: Vaso com Doze Girassóis, todos feitos em 1888 com a intenção de servirem de decoração para a Casa Amarela.[109]

Ele escreveu que desejava "expressar a ideia que o café é um lugar onde alguém pode arruinar-se, ficar louco ou cometer um crime" com o quadro O Café à Noite.[110] Van Gogh visitou Saintes-Maries-de-la-Mer em junho e deu aulas para o segundo-tenente zuavo Paul-Eugène Milliet, também pintando os barcos do vilarejo. MacKnight lhe apresentou a Eugène Boch, um pintor belga que às vezes ficava em Fontvieille, com os dois trocando visitas em julho.[111]

Ponte de Langlois em Arles, 1888
Barcos Pesqueiros na Praia em Saintes-Maries, 1888
Quarto em Arles, 1888
O Velho Moinho, 1888
Terraço do Café à Noite, 1888

Visita de Gauguin

 
O Pintor de Girassóis, retrato de Van Gogh em 1888 por Paul Gauguin.

Gauguin concordou em visitar Arles em 1888, com Van Gogh esperando alcançar uma amizade e a realização da sua ideia de um coletivo de artistas. Enquanto esperava, ele pintou Girassóis em agosto. Boch visitou novamente e Van Gogh lhe pintou um retrato, além do estudo O Poeta Contra um Céu Estrelado.[112][nota 5]

Van Gogh comprou duas camas em preparação para a visita de Gauguin seguindo o conselho do supervisor postal Joseph Roulin, cujo retrato ele também pintou. Ele passou sua primeira noite na Casa Amarela em 17 de setembro.[113] Van Gogh começou a trabalhar na Decoração para a Casa Amarela, provavelmente o esforço artística mais ambicioso da sua vida, quando Guaguin concordou em viver em Arles com ele.[114] Ele completou dois pinturas de cadeiras: Cadeira de Van Gogh e Cadeira de Gauguin.[115]

Gauguin finalmente chegou em 23 de outubro depois de vários pedidos de Van Gogh, com os dois começando a pintar juntos no mês seguinte. Gauguin representou Van Gogh em O Pintor de Girassóis, enquanto Van Gogh seguiu a sugestão do colega e pintou imagens apenas da memória. Dentre esses quadros "imaginativos" estava Memória do Jardim em Etten.[116][nota 6] A primeira saída dos dois para pintar ao ar livre foi em Alyscamps, onde produziram um par de obras cada.[118]

Van Gogh e Gauguin visitaram Montpellier em dezembro de 1888, onde viram os trabalhos de Gustave Courbet e Eugène Delacroix no Museu Fabre.[119] A relação dos dois começou a deteriorar; Van Gogh admirava Gauguin e queria ser tratado como um igual, porém Gauguin era arrogante e dominador, o que frustrou Van Gogh. Eles brigavam frequentemente e Van Gogh passou a temer que o colega fosse deserdá-lo, com a situação, que ele descreveu como "tensão excessiva", rapidamente escalando.[120]

O Café à Noite, 1888
A Vinha Encarnada, 1888
Cadeira de Van Gogh, 1888
Cadeira de Gauguin, 1888

Hospital em Arles

 
Relato do jornal local Le Forum Républicain de 30 de dezembro de 1888 sobre a automutilação de Van Gogh.

Não se sabe a exata sequência de eventos que levaram à mutilação da orelha esquerda de Van Gogh. Gauguin afirmou quinze anos depois que houve várias instâncias na noite anterior de um comportamento fisicamente ameaçador.[121] A relação de ambos era complexa e Theo talvez devesse dinheiro para Gauguin, que suspeitava que os dois irmãos estavam lhe explorando financeiramente. É provável que Van Gogh tenha percebido que Gauguin planejava ir embora.[122] Os dias anteriores foram muitos chuvosos, o que fez com que os dois homens ficassem presos dentro da Casa Amarela. Gauguin relatou que saiu para caminhar e foi seguido por Van Gogh, que "correu na minha direção, uma lâmina na mão".[123] Este relato não é corroborado;[124] Gauguin quase certamente não estava na casa durante aquela noite, mais provavelmente tendo ficado em um hotel.[123]

Van Gogh voltou para a Casa Amarela depois de ter brigado com Gauguin, ouvindo vozes e cortando sua orelha esquerda com uma lâmina, não se sabe se parcialmente ou totalmente,[nota 7] causando um sangramento sério.[125] Ele enfaixou a ferida, enrolou a orelha em papel e enviou o pacote para Gabrielle Berlatier, criada de um bordel que frequentava com Gauguin.[125][127] Van Gogh foi encontrado inconsciente na manhã seguinte por um policial e levado ao hospital,[128] onde foi tratado por Félix Rey, um jovem médico ainda em treinamento. A orelha foi entregue no hospital, porém Rey não tentou recolocá-la pois muito tempo já tinha passado.[123]

Van Gogh não tinha memórias do incidente, o que sugere que talvez tenha passado por um surto mental agudo.[129] O diagnóstico do hospital foi "mania aguda com delírio generalizado",[130] com a polícia local ordenando dias depois que ele fosse deixado nos cuidados do hospital.[131][132] Gauguin imediatamente notificou Theo, que em 24 de dezembro havia pedido em casamento Johanna Bonger, irmã de seu amigo Andries Bonger.[133] Ele correu para a estação na mesma tarde e pegou um trem noturno para Arles. Theo chegou na manhã de natal e confortou o irmão, que parecia semi-lúcido. Ele retornou para Paris naquela tarde.[134]

Van Gogh chamou por Gauguin repetidas vezes sem sucesso durante os primeiros dias de tratamento; Gauguin tinha pedido ao policial encarregado do caso para "ser gentil o bastante, senhor, de acordar este homem com grande cuidado, e se ele perguntar por mim lhe diga que fui para Paris; a visão de mim talvez mostre-se fatal para ele".[135] Ele fugiu de Arles e nunca mais viu Van Gogh. Os dois mesmo assim continuaram a se corresponder e Gauguin chegou a propor em 1890 que eles formassem um estúdio na Antuérpia. Outros visitantes incluíram Marie Ginoux e Joseph Roulin.[136]

Apesar dos diagnósticos pessimistas, Van Gogh recuperou-se e voltou para a Casa Amarela em 7 de janeiro de 1889.[137] Ele passou os meses seguintes entre hospital e casa, sofrendo alucinações e delírios de envenenamento.[138] A política fechou sua casa em março depois de uma petição assinada por trinta pessoas, incluindo a família Ginoux, lhe ter descrito como "o louco ruivo".[131] Van Gogh voltou para o hospital. Signac o visitou duas vezes em março[139] e no mês seguinte Van Gogh se mudou para quartos que eram propriedade de Rey, já que uma inundação tinha danificado algumas de suas pinturas na sua casa própria.[140] Ele deixou Arles dois meses depois e se internou voluntariamente em um hospício de Saint-Rémy-de-Provence.[141] Van Gogh deu a Rey seu Retrato do Doutor Félix Rey, porém o médico não gostou da obra e a usou para concertar um galinheiro antes de dá-la a outrem.[142] Van Gogh por volta da mesma época escreveu: "Às vezes humores de indescritível angústia, às vezes momentos em que o véu do tempo e a fatalidade das circunstâncias parecem ser despedaçados por um instante.[141]

Autorretrato com Orelha Enfaixada e Cachimbo, 1889
O Pátio do Hospital em Arles, 1889
Autorretrato com Orelha Enfaixada, 1889
Ala no Hospital em Arles, 1889

Saint-Rémy

 
A Noite Estrelada, junho de 1889.

Van Gogh se internou no hospício de Saint-Paul-de-Mausole em 8 de maio de 1889 acompanhado por seu cuidador Frédéric Salles, um clérigo protestante. O local ficava menos de trinta quilômetros de Arles. Van Gogh tinha duas celas com janelas gradeadas, uma das quais ele usou como estúdio.[143] A clínica e seu jardim tornaram-se temas de seus quadros. Ele realizou vários estudos dos interiores do hospital como Corredor no Hospício e Entrada do Hospício. Algumas de suas obras da época foram caracterizadas por redemoinhos, por exemplo A Noite Estrelada. Era-lhe permitido pequenas caminhadas supervisionadas, que levaram a pintura de ciprestes e oliveiras, incluindo Oliveiras com Alpilles ao Fundo, Campo de Trigo com Ciprestes e Estrada com Cipreste à Noite. Ele produziu outras duas versões de Quarto em Arles em setembro de 1889.[144]

O acesso limitado à vida fora da clínica resultou na escassez de temas a serem retratados. Restou a Van Gogh trabalhar em interpretações das pinturas de outros artistas, como O Semeador e Meio-Dia, Descanso do Trabalho, originais de Jean-François Millet, além de variações de seus próprios trabalhos antigos. Ele era admirador do realismo de Millet, Jules Breton e Gustave Courbet,[145] comparando suas cópias com um músico interpretando Ludwig van Beethoven.[146] A Roda de Prisioneiros foi pintada como uma recriação de uma gravura de Gustave Doré. O historiador Marc Edo Tralbaut sugere que o rosto do prisioneiro destacado no centro olhando para o observador seria o do próprio Van Gogh,[147] porém Jan Hulsker discorda.[148]

Van Gogh sofreu uma severa entre fevereiro e abril de 1890. Ele ficou depressivo e incapaz de escrever, porém ainda assim conseguiu pintar e desenhar um pouco,[149] mais tarde escrevendo a Theo que fizera algumas pequenas telas "da memória ... reminiscências do Norte".[150] Dentre essas estava Duas Camponesas Cavando em um Campo Coberto ao Pôr do Sol. Hulsker acredita que esse pequeno grupo de pinturas formou os núcleos de muitos desenhos e estudos representando paisagens e pessoas com quem Van Gogh trabalhou durante esse tempo. Ele comentou que este pequeno período foi a única época que a doença de Van Gogh afetou sua arte.[151] Van Gogh pediu a sua mãe e irmão para que lhe enviassem desenhos e esboços que tinha feito no início da década de 1880 para que assim pudesse trabalhar em obras novas a partir delas.[152] Pertencente a esse período é Velho Triste ("No Portão da Eternidade"), um estudo colorido que Hulsker descreve como "outra recordação inconfundível de tempos passados".[153][154] Suas últimas pinturas mostram um artista no auge de suas habilidades, "ansiando por concisão e graça" segundo o crítico Robert Hughes.[101]

A Roda de Prisioneiros (após Gustave Doré), 1890
O Semeador (após Jean-François Millet), 1890
Duas Camponesas Cavando em um Campo Coberto ao Pôr do Sol (após Jean-François Millet), 1890
Velho Triste ("No Portão da Eternidade"), 1890

Albert Aurier elogiou os trabalhos de Van Gogh em janeiro de 1890 no jornal Mercure de France, descrevendo-o como "um gênio".[155] Ele pintou cinco versões de A Arlesiana (Madame Ginoux) baseado em um esboço de carvão que Gauguin tinha produzido em novembro de 1888 enquanto os dois ainda trabalhavam juntos.[156][nota 8] Van Gogh foi convidado no mesmo mês pela Les XX, uma sociedade de pintores vanguardistas de Bruxelas, a participar de sua exposição anual. Henry de Groux, um dos membros da sociedade, insultou as obras de Van Gogh durante o jantar de abertura. Toulouse-Lautrec exigiu uma satisfação e Signac declarou que continuaria a lutar pela honra de Van Gogh caso Lautrec se rendesse. de Groux se desculpou e deixou o grupo. Posteriormente, Claude Monet viu obras de Van Gogh exibidas pelos Artistas Independentes em Paris e afirmou que eram os melhores quadros da exposição.[157] Van Gogh escreveu após o nascimento de seu sobrinho: "Eu comecei imediatamente a fazer uma pintura para ele, para prender no quarto dele, ramos de uma flor de amêndoa branca contra um céu azul".[158]

Auvers-sur-Oise

 
Casa Branca à Noite, 1890.

Van Gogh deixou o hospício de Saint-Rémy em maio de 1890 e mudou-se para o vilarejo de Auvers-sur-Oise no norte da França a fim de ficar mais perto de Theo e do doutor Paul Gachet. Este era um pintor amador e médico homeopata que havia tratado vários outros artistas, tendo sido recomendado por Camille Pissarro. A primeira impressão de Van Gogh foi que Gachet "parecia-me mais doente do que eu, ou vamos dizer tanto quanto".[159]

O pintor Charles-François Daubigny havia mudado-se para Auvers em 1861, com outros artistas acabando indo para lá também, incluindo Jean-Baptiste-Camille Corot e Honoré Daumier. Van Gogh completou em julho três pinturas chamadas de Jardim de Daubigny, uma das quais é provavelmente seu último trabalho.[160]

Seus pensamentos retornaram para as "memórias do Norte" durante suas últimas semanas,[150] com muitas das aproximadamente setenta pinturas a óleo feitas no seu tempo em Auvers sendo reminiscentes dessas cenas nortenhas.[161] Van Gogh pintou vários retratos de Gachet em junho, incluindo Retrato de Dr. Gachet e a única gravura de sua carreira. Em todas ele enfatizou a disposição melancólica do médico.[162] Há outras pinturas provavelmente inacabadas, como Fazendas perto de Auvers.[160]

Van Gogh escreveu em julho que tinha ficado absorto "na imensa planície contra as colinas, sem limites como o mar, de um delicado amarelo".[163] Ele tinha inicialmente ficado fascinado pelas colinas em maio, quando o trigo estava jovem e verde. Eles os descreveu em julho para Theo como "vastos campos de trigo sob céus turbulentos".[164] Van Gogh disse que os campos representavam sua "tristeza e extrema solidão", além de que as "telas irão lhe dizer o que não consigo falar em palavras, ou seja, quão saudável e revigorante acho o campo".[164] Campo de Trigo com Corvos de julho de 1890 é uma pintura que Hulsker argumenta estar associada com "melancolia e extrema solidão".[165] O autor identificou sete outras pinturas de Auvers que seguiram-se à finalização de Campo de Trigo com Corvos.[166]

Morte

 
Artido do jornal L'Écho Pontoisien de 7 de agosto de 1890 sobre a morte de Van Gogh.

Van Gogh disparou um revólver Lefaucheux 7 mm contra seu peito em 27 de julho de 1890.[167] Não houve testemunhas e ele morreu trinta horas depois.[142] O disparo talvez tenha ocorrido no campo de trigo em que estava pintando ou em um celeiro local.[168] A bala foi desviada por uma costela e atravessou seu peito sem aparentemente danificar os órgãos internos, provavelmente parando em sua espinha. Ele foi capaz de voltar andando até Auberge Ravoux, onde foi atendido por dois médicos, porém não havia um cirurgião e assim a bala não pode ser removida. Os médicos cuidaram dele da melhor maneira que puderam e então o deixaram sozinho em seu quarto fumando cachimbo. Theo correu para junto do irmão no dia seguinte, encontrando-o de bom humor. Porém Van Gogh começou a enfraquecer horas depois, sofrendo de uma infecção não tratada causada pelo ferimento da bala. Ele morreu nas primeiras horas da manhã de 29 de julho de 1890. Theo afirmou que as últimas palavras do irmão foram "A tristeza vai durar para sempre".[169]

 
Túmulos de Vincent e Theo van Gogh no cemitério de Auvers-sur-Oise.

Van Gogh foi enterrado no dia seguinte no cemitério municipal de Auvers-sur-Oise. O funeral teve a presença de Theo van Gogh, Andries Bonger, Charles Laval, Lucien Pissarro, Émile Bernard, Julien Tanguy e Paul Gachet, além de uns vinte familiares e habitantes locais. Theo já estava doente e sua saúde começou a piorar ainda mais após a morte do irmão. Ele ficou fraco e incapaz de lidar com a ausência de Van Gogh, morrendo em 25 de janeiro de 1891 em Den Dolder e sendo originalmente enterrado em Utreque.[170] Sua viúva Johanna fez o corpo de Theo ser exumado em 1914 e reenterrado ao lado de Van Gogh.[171]

Há debates sobre a natureza da doença de Van Gogh e os efeitos sobre seu trabalho, com muitos diagnósticos retrospectivos tendo sido propostos. O consenso é que ele tinha uma condição episódica com períodos de normalidade.[172] Isabella H. Perry foi a primeira a sugerir o quadro de transtorno bipolar,[173] com isto tendo sido apoiado pelos psiquiatras R. E. Hemphill e Dietrich Blumer.[174][175] O bioquímico Wilfred Arnold contra-argumentou que os sintomas condizem mais com porfiria aguda intermitente, dizendo que a ligação popular entre transtorno bipolar e criatividade é falsa.[172] Epilepsia no lobo temporal com ataques de depressão também foi sugerida. Independente do diagnóstico, sua condição provavelmente foi agravada por sua malnutrição, excesso de trabalho, insônia e bebedeiras.[175]

Estilo e trabalho

Desenvolvimento artístico

Van Gogh pintou aquarelas na escola, porém apenas alguns exemplos sobreviveram ao tempo e sua autoria já foi questionada.[176] Ele começou em nível elementar quando passou a pintar como adulto. Seu tio Cornelis Marinus, dono de uma conhecida galeria de arte contemporânea em Amsterdã, pediu no início de 1882 por desenhos de Haia. O trabalho de Van Gogh não alcançou as expectativas. Marinus ofereceu uma nova comissão, especificando em detalhes o que desejava, porém novamente ficou decepcionado com o resultado. Van Gogh perseverou, experimentando com luzes em seu estúdio ao usar várias persianas e diferentes materiais. Ele trabalhou com figuras únicas por mais de um ano, estudos em preto e branco altamente elaborados,[nota 9] que na época apenas geraram críticas. Depois essas obras acabaram sendo consideradas primeiras obras-primas.[178]

Theo deu dinheiro ao irmão em agosto de 1882 para que este pudesse comprar materiais a fim de trabalhar ao ar livre. Van Gogh escreveu que agora podia "ir pintar com novo vigor".[179] Ele trabalhou em diversas composições a partir do começo de 1883, fazendo com que algumas fossem fotografadas, porém as destruiu e voltou para a pintura a óleo depois de Theo ter dito que elas careciam de frescor e vida. Van Gogh virou-se para artistas renomados como Jan Hendrik Weissenbruch e Bernard Blommers da Escola de Haia, recebendo conselhos técnicos deles, além de outros pintores como Théophile de Bock e Herman Johannes van der Weele, ambos artistas da segunda geração da Escola de Haia. Ele começou várias pinturas grandes ao mudar-se para Nuenen depois de seu período em Drente, porém destruiu a maioria. Os Comedores de Batata e suas peças acompanhantes são as únicas que sobreviveram.[180] Van Gogh visitou o Museu Nacional e escreveu da sua admiração pelas pinceladas rápidas e econômicas dos mestres holandeses, especialmente Rembrandt e Frans Hals.[181][nota 10] Ele tinha consciência que muitas das suas falhas deviam à falta de experiência e conhecimentos técnicos,[180] assim viajou em novembro de 1885 para a Antuérpia e depois para Paris com o objetivo de desenvolver suas habilidades.[182]

 
Oliveiras com Alpilles ao Fundo, 1889

Theo criticou Os Comedores de Batata por sua paleta sombria, achando que era inadequada para um estilo moderno.[183] Van Gogh tentou aprimorar uma paleta mais colorida durante sua estadia em Paris entre 1886 e 1887. Seu Retrato de Père Tanguy mostra seu sucesso na nova paleta, sendo evidência de seu estilo pessoal em evolução.[184] O tratado de Charles Blanc sobre cores muito lhe interessou, levando-o a trabalhar com cores complementares. Ele passou a acreditar que os efeitos das cores iam além do descritivo, dizendo: "cores expressam algo por si próprias".[185][186] Hughes comentou que Van Gogh enxergava as cores como um "peso psicológico e moral", exemplificado pelos vermelhos e verdes espalhafatosos de O Café à Noite, uma obra em que ele desejava "expressar as terríveis paixões da humanidade".[187] O amarelo era sua cor mais importante pois simbolizava a verdade emocional. Ele usava amarelo como um símbolo de luz do sol, vida e Deus.[188]

Van Gogh procurou ser um pintor da natureza e da vida rural,[189] usando sua nova paleta durante seu primeiro verão em Arles a fim de pintar paisagens e a vida rural tradicional.[190] Sua crença na existência de um poder por trás do natural o levou a tentar capturar uma sensação desse poder ou a essência da natureza, algumas vezes por meio do uso de símbolos.[191] Suas representações do semeador, inicialmente copiadas de Jean-François Millet, refletem as crenças religiosas de Van Gogh: o semeador é Cristo semeando a vida sob o sol escaldante.[192] Estes eram temas e motivos condutores que ele frequentemente revisitou e retrabalhou.[193] Suas pinturas de flores eram repletas de simbolismos, porém criou uma própria iconografia em vez de empregar a cristã, onde a vida é vivida sob o sol e o trabalho é uma alegoria da vida.[194] Ele ganhou confiança em Arles após pintar as flores da primavera e aprender a representar a luz do sol, estando pronto para pintar O Semeador.[185]

 
Memória do Jardim em Etten (Senhoras de Arles), 1888

Van Gogh permaneceu dentro do que chamava de "disfarce da realidade",[195] sendo um crítico de trabalhos excessivamente estilizados. Ele escreveu posteriormente que a abstração de A Noite Estrelada tinha passado do limite e que a realidade tinha "ficado muito ao fundo".[196] Hughes descreve essa obra como um momento de extremo êxtase visionário: as estrelas em um grande turbilhão lembram A Grande Onda de Hokusai, enquanto o movimento no céu é refletido pelo movimento do cipreste e a visão do pintor é "traduzida em um consistente e enfático plasma de pintura".[197]

Van Gogh parece ter tentado de 1885 até a sua morte em 1890 criar um oeuvre,[198] uma coleção que materializava sua visão pessoal e com a qual poderia obter sucesso comercial. Ele foi influenciado pela definição de estilo de Blanc, em que a verdadeira pintura requer ótimo uso de cor, perspectiva e pincelada. Ele usou o termo "proposital" para categorizar as pinturas que pensou ter criado com perfeição, em oposição àquelas que classificava como estudos.[199] Van Gogh produziu muitas séries de estudos,[195] a maioria das quais naturezas-mortas, muitas feitas como experimentos cromáticos ou usadas como presentes para amigos.[200] Seu trabalho em Arles contribuiu consideravelmente para o oeuvre. As pinturas que ele considerava mais importantes eram O Semeador, Café à Noite, Memória do Jardim em Etten e A Noite Estrelada. Com suas largas pinceladas, perspectivas inventivas, cores, contornos e desenhos, essas obras representam o estilo que ele buscava.[196]

Principais séries

O desenvolvimento do estilo de Van Gogh é usualmente associado aos períodos em que morou em diferentes cidades dos Países Baixos, Bélgica e França. Ele procurava entender a cultura local e as condições de luz dos lugares onde morava, embora mantivesse uma perspectiva visual própria durante essas mudanças. Sua evolução como artista foi lenta, uma vez que tinha consciência de suas limitações como pintor. Ele se mudava bastante talvez procurando novos estímulos visuais, desenvolvendo sua habilidade técnica por meio dessas exposições a novos ambientes.[201] A historiadora de arte Melissa McQuillan acredita que as mudanças de domicílio refletem também as últimas transformações de seu estilo, com Van Gogh se mudando para evitar conflito, como um mecanismo de enfrentamento para quando o artista idealista se deparasse com a realidade da sua então atual condição.[202]

Retratos

Foi com os retratos que Van Gogh teve sua maior oportunidade de ganhar dinheiro.[200] Ele dizia que esses trabalhos eram "a única coisa na pintura que me motiva profundamente e que me dá um sentimento de infinitude".[203] Ele confessou à irmã o desejo de pintar retratos que perdurassem, relatando também que tentava capturar a emoção e a personalidade da pessoa por meio da cor em vez de buscar um realismo fotográfico.[204] Seus entes mais próximos estão quase ausentes do seu conjunto de obras retratistas; por exemplo, Theo, Bernard e Anthon van Rappard raramente eram pintados. Os retratos de sua mãe eram sempre feitos a partir de fotografias.[205]

Van Gogh pintou La Berceuse (Augustine Roulin) em dezembro de 1888, um retrato que considerou tão bom quanto as telas de girassóis. Essa obra apresenta uma paleta limitada, uma variedade de estilos de pincelada e contornos simples.[196] A peça parece ser a principal de um conjunto de retratos produzido para a família Roulin em Arles entre novembro e dezembro. A série mostra uma mudança de estilo, das pinceladas fluidas e contidas e da superfície regular de Retrato do Carteiro Joseph Roulin ao traço frenético, superfície acidentada, largas pinceladas e uso de uma faca de paleta em Retrato de Madame Augustine Roulin e Bebê Marcelle.[206]

Retrato da Mãe do Artista, outubro de 1888
Eugène Boch, ("O Poeta Contra um Céu Estrelado"), 1888
Retrato do Carteiro Joseph Roulin, início de agosto de 1888
La Berceuse (Augustine Roulin) 1889

Autorretratos

 
Autorretrato com Chapéu de Palha, inverno de 1887–88

Van Gogh criou mais de 43 autorretratos entre 1885 e 1889.[207][nota 11] Esses quadros costumavam ser finalizados em séries, como os pintados em Paris na metade de 1887, e continuaram a ser produzidos até pouco tempo antes da sua morte.[208] Van Gogh geralmente concebia autorretratos como estudos durante períodos de introspecção, quando hesitava em socializar ou quando lhe faltavam modelos, não tendo outra alternativa que não fosse retratar si mesmo.[200][209]

Os autorretratos de Van Gogh refletem um grau incomum de auto-escrutínio.[210] Tais peças costumam marcar importantes períodos do seu desenvolvimento artístico, como por exemplo a série da metade de 1887 em Paris, pintada quando conheceu o trabalho de Claude Monet, Paul Cezanne e Signac.[211] Autorretrato com Chapéu de Palha mostra pesadas cepas de tinta que espalham-se pela tela de dentro para fora. Esse é um de seus autorretratos mais célebres, "com suas pinceladas organizadas e rítmicas e a auréola que deriva de repertório neo-impressionista, que o próprio Van Gogh chamava de 'tela proposital'".[212]

Tais trabalhos contém uma grande variedade de representações fisionômicas. A saúde física e mental de Van Gogh é usualmente aparente, por vezes retratando-se com aparência descuidada, despenteado, barba desleixada ou por fazer, olheiras, mandíbula fraca ou sem dentes. Em algumas das telas ele está com lábios volumosos, rosto alongado, crânio proeminente e demarcado, características alertas. Van Gogh costumava se apresentar nessas obras com os cabelos em usual vermelho ou então grisalho.[207]

As obras possuem variedade em intensidade e cor. As cores vívidas realçam a palidez abatida da sua pele, especialmente naquelas pintadas depois de dezembro de 1888. Van Gogh raramente dirige o olhar ao observador.[209] Algumas o apresentam com barba e outras sem. Van Gogh pode ser visto com curativos em retratos produzidos logo após a automutilação na orelha. Em poucas telas ele se projetava na figura de um pintor.[207] Ele representou-se pintando o lado direito da cabeça nos autorretratos produzidos em Saint-Rémy, oposto ao da orelha mutilada, uma vez que pintava sua imagem refletida no espelho.[213]

Autorretrato com Cachimbo, 1886
Autorretrato Dedicado a Gauguin, 1888
Autorretrato, agosto de 1889
Autorretrato, setembro de 1889
Autorretrato Sem Barba, c. setembro de 1889[nota 12]

Flores

 
Natureza-Morta: Vaso com Quinze Girassóis, agosto de 1888

Van Gogh pintou muitas paisagens floridas com rosas, lilases, lírios e girassóis. Algumas refletem seu interesse na linguagem cromática e no ukiyo-e.[215] Ele criou duas séries de girassóis morrendo. A primeira foi pintada em 1887 em Paris e exibe as flores repousadas no solo. A segunda foi concluída no ano seguinte em Arles, retratando buquês em vaso, dispostos à luz da alvorada.[216] Ambas foram concebidas com o uso de impasto, o que evoca a "textura de cabeças de girassol recheadas de sementes" de acordo com a Galeria Nacional de Londres.[217]

Van Gogh nessas séries não estava interessado em preencher suas pinturas com subjetividade e emoção. Os dois conjuntos foram criados para que pudesse exibir sua habilidade técnica e método de trabalho a Gauguin, que estava para visitá-lo.[218] Os quadros de 1888 foram pintados em um período de raro otimismo, sobre o qual Van Gogh escreveu para Theo em agosto de 1888 dizendo: "Estou pintando com o entusiasmo de um marselhês a comer bouillabaisse, o que não lhe surpreenderá por ser este o caso de pintar grandes girassóis ... Se eu executar mesmo esse plano, haverá uma dúzia de telas. O conjunto será então uma sinfonia de azul e amarelo. Eu trabalho nisso todas as manhãs, a partir do nascer do sol. Pois as flores murcham rapidamente e é uma questão de fazer tudo de uma vez".[219]

Os girassóis foram pintados para servirem de decoração em antecipação para visita de Gauguin, tendo sido dispostas individualmente pelo quarto de hóspedes da Casa Amarela em Arles. O visitante ficou bastante impressionado com o trabalho e posteriormente adquiriu duas das versões de Paris.[218] Van Gogh imaginou após a partida de Gauguin duas versões principais de retratos de girassol como pinturas laterais do Tríptico Berceuse, as quais viriam a ser incluídas na exibição Les XX em Bruxelas. As peças principais dessa série atualmente estão entre suas obras mais conhecidas e aclamadas, especialmente pela conotação doentia da coloração amarela usada, a conexão desses trabalhos com a Casa Amarela, o caráter expressionista das pinceladas e o contraste das figuras com os usuais fundos de cor mais escura.[220]

Natureza-Morta: Vazo com Doze Girassóis, agosto de 1888
Lírios, 1889
Amendoeira em Flor, 1890
Vaso com Lírios Contra um Fundo Amarelo, maio de 1890
Natureza-Morta: Rosas em um Vaso, 1890

Ciprestes

 
Campo de Trigo com Ciprestes, 1889.

Van Gogh pintou quinze quadros retratando ciprestes, um tipo de árvore que despertou-lhe fascínio em Arles.[221] Ele deu vida a essas árvores, que eram vistas tradicionalmente como símbolos da morte;[191] ele as pintava à distância, como se fossem quebra-ventos nos campos. Van Gogh procurou representá-las em primeiro plano enquanto esteve em Saint-Rémy.[222] Ele escreveu para Theo em maio de 1889 que "Ciprestes ainda me preocupam. Eu gostaria de fazer algo com elas semelhante ao que fazia nas minhas telas de girassóis"; declarando então: "Elas são belas em linha e proporção como um obelisco egípcio".[223]

Van Gogh pintou na metade de 1889 várias versões menores de Campo de Trigo com Ciprestes, atendendo um pedido de sua irmã Wil.[224] Tais trabalhos são caracterizados por redemoinhos de traço e denso impasto. Inclui-se nesse conjunto A Noite Estrelada, na qual uma cipreste domina o primeiro plano.[221]

Outros trabalhos desse período incluem Oliveiras com Alpilles ao Fundo (sobre a qual Van Gogh escreveu em carta para o irmão: "Ao menos eu tenho uma [pintura de] paisagem com oliveiras"), Ciprestes, Ciprestes com Duas Figuras e Estrada com Cipreste e Estrela.[225] Van Gogh gastava seu tempo no hospício de Saint-Rémy fora do prédio, pintando as árvores dos olivais. As obras desse período são retorcidas e artríticas, como se personificassem o mundo natural, estando no entendimento de Hughes preenchidas por um "contínuo campo de energia do qual a natureza é uma manifestação".[191]

Ciprestes na Noite Estrelada, uma gravura de cálamo feita depois da célebre pintura, em 1889
Ciprestes e Duas Mulheres, 1890
Estrada com Ciprestes e Estrela, maio de 1890
Ciprestes, 1889

Pomares

 
Vista de Arles, Pomar em Flor, 1889.

Os Pomares Floridos ou Pomares Florescendo estão entre os primeiros conjuntos temáticos concluídos após a chegada de Van Gogh a Arles em fevereiro de 1888. As quatorze telas da série são otimistas, alegres e visualmente expressivas sobre a iminente primavera. Os quadros são delicadamente sensitivos e sem representação humana. Van Gogh pintou a série rapidamente e um forte senso de estilo pessoal começou a surgir durante esse período, embora tenha trabalhado uma espécie de impressionismo nessas obras. A transitoriedade das árvores florescidas e a passagem da estação pareceram se alinhar com seu senso de impermanência e crença em um novo começo em Arles. Van Gogh encontrou "um mundo de motivos que não poderia ser mais japonês" durante o floramento das árvores naquela primavera.[226] Ele escreveu a Theo em 21 de abril de 1888 que tinha dez telas de pomares e "uma grande [pintura] de uma cerejeira, que eu estraguei".[227]

Van Gogh dominou durante esse período o uso de luz ao subjugar as sombras e pintar árvores como se fossem a fonte de luz na cena, quase de um jeito sacro.[226] Ele pintou no começo do ano seguinte um outro conjunto menor, resultando em obras como Vista de Arles, Pomar em Flor.[228] Van Gogh ficou encantado pela paisagem e pela vegetação do sul da França e frequentemente visitava jardins de fazendas nos arredores de Arles. Sua paleta de cores iluminou-se de forma significativa na luz do clima mediterrânico.[229]

 
Pessegueiro Rosa Florido (Reminiscência de Mauve), 1888
Pereira Florida, 1888
O Pomar Rosa ou Pomar com Árvores de Alperce Floridas, 1888
Vista de Artes com Árvores em Flor, 1889

Campos de trigo

 
Campo de Trigo com Corvos, 1890

Van Gogh fez várias excursões artísticas para explorar paisagens nos arredores de Arles. Ele pintava colheitas, campos de trigo e outros marcos e peculiaridades da região como em O Velho Moinho de 1888, um bom exemplo de estrutura pitoresca em volta e para além dessas áreas.[230] Van Gogh pintava em vários pontos das viagens as vistas que tinha das janelas dos estabelecimentos em que se hospedava, como em Haia, Antuérpia e Paris. Esses trabalhos culminaram na série O Campo de Trigo, onde retratou a vista que tinha a partir de seus aposentos no hospício de Saint-Rémy.[231]

Muitas dessas últimas pinturas são sombrias, mas essencialmente otimistas e refletiam seu desejo de reconquistar a lucidez e saúde mental. Alguns desses trabalhos finais denotam as preocupações mais profundas de Van Gogh.[232] Ele escreveu em julho de 1890 que ficou absorto "na imensa planície contra as colinas, sem limites como o mar, de um delicado amarelo".[163] Van Gogh ficou também encantado pelos campos de maio, quando as plantações de trigo estavam jovens e verdes. A tela Campo de Trigo em Auvers com Casa Branca exibe uma paleta de amarelos e azuis mais tímida, criando um sentimento de harmonia idílica.[233]

Van Gogh escreveu para Theo por volta de 10 de julho de 1890 acerca de "vastos campos de trigo sob céus atormentados".[234] O quadro Campo de Trigo com Corvos representa seu estado mental nos seus dias finais. Hulsker descreve este trabalho como uma "pintura cheia de desgraça, com um céu ameaçador e corvos de mau agouro".[165] A paleta escura e as fortes pinceladas transmitem uma sensação de perigo e ameaça.[235]

Paisagem Montanhosa Por Trás de Saint-Rémy, 1889
Chuva ou Campo de Trigo Fechado sob a Chuva, 1889
Campo de Trigo em Auvers com Casa Branca, 1889
Campo de Trigo Sob Nuvens de Tempestade, 1890

Reputação

 
Johanna van Gogh-Bonger, 1889

A fama de Van Gogh passou a crescer de forma gradual entre artistas, críticos, comerciantes e colecionadores após as primeiras exibições de suas obras ao fim da década de 1880.[236] André Antoine exibiu trabalhos do pintor em 1887 conjuntamente aos de Georges Seurat e Paul Signac no Teatro Livre de Paris. Alguns deles foram adquiridos por Julien Tanguy.[237] Sua obra foi descrita em 1889 por Albert Aurier no jornal Le Moderniste Illustré como caracterizada por "chama, intensidade e luz do sol".[238] Dez de seus quadros foram exibidos em janeiro de 1890 em Bruxelas pela Sociedade de Artistas Independentes.[239]

Exibições memoriais foram realizadas em Bruxelas, Paris, Haia e Antuérpia após a morte de Van Gogh. Seu trabalho foi mostrado em várias exibições de renome, incluindo seis quadros na Les XX. Uma exibição de retrospectiva ocorreu em Bruxelas em 1891.[239] Octave Mirbeau escreveu em 1892 que o suicídio do pintor fora uma "perda infinitamente triste para a arte ... mesmo a população não lotando no magnífico funeral, e o pobre Vincent van Gogh, cujo falecimento significa a extinção da bela chama de um gênio, tenha partido em meio à obscuridade e negligência experienciadas em vida".[237]

Theo foi o mais influente e dedicado promotor do trabalho do irmão, porém morreu em janeiro de 1891.[240] Johanna van Gogh-Bonger, sua viúva, era uma holandesa na casa dos vinte anos que não conhecia muito seu marido e cunhado, repentinamente vendo-se encarregada das centenas de pinturas, desenhos e cartas, além do seu filho recém-nascido Vincent Willem van Gogh.[241][nota 13] Gauguin não esteve disposto a oferecer ajuda na promoção do trabalho de Van Gogh, enquanto Andries Bonger, irmão de Johanna, parecia desinteressado.[241] Aurier, um dos primeiros apoiadores de Van Gogh entre os críticos, morreu em 1892 aos 27 anos.[243]

 
O Pintor na Estrada de Tarascon, agosto de 1888, pintura destruída por fogo durante a Segunda Guerra.

Émile Bernard organizou em 1892 uma pequena mostra solo de pinturas de Van Gogh em Paris, enquanto Julien Tanguy exibiu quadros na sua propriedade junto com outros remetidos por Johanna para que ficasse aos seus cuidados. A Galeria Durand-Rue de Paris concordou em abril de 1894 em guardar em consignação dez pinturas do patrimônio de Van Gogh.[243] O pintor fauvista Henri Matisse, então um estudante de arte desconhecido, visitou John Peter Russell em Belle Île em 1896.[244][245] Russell tinha sido um amigo próximo de Van Gogh e apresentou Matisse ao trabalho do pintor holandês, presenteando-o ainda com um dos desenhos de Van Gogh. Matisse influenciou-se em Van Gogh e abandonou sua paleta de cores terrosas em favor de tonalidades mais vivas.[245][246]

Uma grande exposição retrospectiva foi realizada em 1901 em Paris na Galeria Bernheim-Jeune, que animou André Derain e Maurice de Vlaminck e contribuiu para a emergência do fauvismo.[243] Importantes exibições ocorreram em 1912 juntamente aos trabalhos de artistas da Sonderbund de Colônia, além do Armory Show em 1913 em Nova Iorque e outra em Berlim em 1914.[247] Henk Bremmer foi fundamental ensinando e falando sobre Van Gogh,[248] tendo apresentado Helene Kröller-Müller à obra do pintor. Esta foi uma ávida colecionadora destes trabalhos.[249] Pintores da fase inicial do expressionismo alemão como Emil Nolde reconheceram uma dívida a Van Gogh.[250] Bremmer ajudou Jacob-Baart de la Faille, cujo catálogo L'Oeuvre de Vincent van Gogh foi divulgado em 1928.[251][nota 14]

A fama de Van Gogh alcançou seu primeiro pico na Áustria-Hungria e Alemanha antes da Primeira Guerra Mundial,[254] ajudada pela publicação em 1914 de suas cartas em três volumes.[255] Essas correspondências, onde Van Gogh se mostra expressivo e letrado, tem sido postas entre os mais importantes escritos de seu gênero do século XIX,[256] dando início ao envolvente mito de Van Gogh como um intenso e dedicado pintor que sofria pela arte.[257] O romancista Irving Stone publicou em 1934 uma narrativa sobre a vida de Van Gogh intitulada Lust for Life, tendo por base as cartas trocadas com Theo. Esse livro e o filme homônimo de 1956 elevaram ainda mais sua fama.[258]

Francis Bacon tomou por base reproduções da tela O Pintor na Estrada de Tarascon para a elaboração em 1957 de uma série de pinturas. A obra original de Van Gogh havia sido destruída durante Segunda Guerra Mundial. Bacon buscou inspiração na imagem que descrevia como "assombrosa", considerando o pintor holandês um estranho alienado, definição esta que estava em sintonia com a visão que Bacon tinha de si. Ele identificava-se com as teorias de arte de Van Gogh e citou um trecho de uma carta enviada para Theo: "Pintores de verdade não pintam as coisas como elas são ... Eles pintam como sentem que são".[259]

As obras de Van Gogh estão entre as mais caras do mundo. Entre as vendidas por mais que cem milhões de dólares estão Retrato do Dr. Gachet,[260] Retrato de Joseph Roulin e Lírios. A versão de Campo de Trigo com Ciprestes do Museu Metropolitano de Arte foi adquirida em 1993 por 57 milhões.[261] A Entrada de Alyscamps vendeu por 66,3 milhões em 2015, excedendo o estimado de quarenta milhões.[262]

Museu Van Gogh

 
O Museu Van Gogh guarda a maior coleção das obras de Van Gogh de todo o mundo.

Vincent Willem van Gogh, filho de Theo e Johanna e sobrinho de Van Gogh,[263] herdou a propriedade das obras e cartas de Van Gogh após a morte de sua mãe em 1925. Ele providenciou no início da década de 1950 a publicação de uma edição completa de todas as cartas do tio em quatro volumes e traduzida para diversos idiomas. Posteriormente, negociou com o governo holandês subsídios para uma fundação, a partir da qual compraria peças na posse de terceiros e cuidaria do conjunto de obras de Van Gogh.[264] Vincent Willen iniciou essa empreitada na esperança de que as obras pudessem ser exibidas nas melhores condições possíveis. O projeto teve início em 1963 com a contratação do arquiteto Gerrit Rietveld para a concepção do prédio da fundação; Kisho Kurokawa assumiu o comando em 1964 após a morte de Rietveld.[265] O trabalho se estendeu pela década de 1960, com expectativa de inauguração sendo originalmente para 1972.[266]

O Museu Van Gogh foi inaugurado em 1973 no espaço público Museumplein de Amsterdã.[267] Ele tornou-se o segundo museu mais popular dos Países Baixos atrás do Museu Nacional e costuma receber regularmente mais de 1,5 milhão de visitas por ano. O museu alcançou em 2015 seu recorde de visitantes: cerca de 1,9 milhão,[268] 85% dos quais vindos de outros países.[269]

Notas

  1. Foi sugerido que receber o mesmo nome de seu falecido irmão mais velho talvez tenha deixado um profundo impacto psicológico no jovem Van Gogh e que elementos de sua arte, como por exemplo a representação de duplas de figuras masculinas, podem ter recebido influência disso.[11]
  2. O historiador Jan Hulsker sugere que Van Gogh voltou para Borinage e depois novamente para Etten durante esse período.[41]
  3. "No natal eu tive uma discussão violenta com o Pai, e os sentimentos correram tão fortes que o Pai disse que seria melhor se eu saísse de casa. Bem, foi dito tão decisivamente que eu realmente fui embora no mesmo dia".[56] Mauve lhe apresentou à pintura a óleo em janeiro de 1882 e lhe emprestou dinheiro para que estabelecesse um estúdio.[57]
  4. As únicas evidências disso vem de entrevistas com o neto do médico.[87]
  5. A artista Anna Boch, irmã de Eugène Boch, comprou A Vinha Encarnada em 1890.[112]
  6. "Tenho trabalhado em duas telas ... Uma reminiscência de nosso jardim em Etten com alfaces, ciprestes, dálias e figuras ... Gauguin me dá coragem para imaginar, e as coisas da imaginação realmente assumem uma personalidade mais misteriosa".[117]
  7. Theo e sua esposa Johanna, Paul Gachet e seu filho, e Signac, que todos viram Van Gogh depois dos curativos terem sido retirados, afirmaram que apenas o lóbulo da orelha fora cortado.[125] Victor Doiteau e Edgard Leroy dizem que o corte diagonal retirou o lóbulo e provavelmente um pouco mais.[126] Tanto o policial quanto Félix Rey afirmaram que Van Gogh cortou toda sua aurícula;[125] Rey repetiu a história em 1930, escrevendo uma nota ao romancista Irving Stone que incluía um esboço da linha de incisão.[127]
  8. A versão que seria para Ginoux se perdeu. Foi uma tentativa de entregar a pintura a ela em Arles que precipitou sua recaída de fevereiro.[149]
  9. Artistas trabalhando em preto e branco para jornais como o The Graphic e The Illustrated London News estavam entre seus favoritos.[177]
  10. "O que me marcou particularmente quando vi as antigas pinturas Holandesas novamente foi que elas normalmente eram pintadas rápido. Que esses grandes mestres como Hals, Rembrandt e Ruisdael – tantos outros – apenas eram diretos tanto quanto possível – e não voltavam para isso muito. E – isto, também, por favor – que se funcionava, eles deixavam por si só. Sobretudo admirei mãos por Rembrandt e Hals – mãos que viviam, porém não foram finalizadas no sentido que as pessoas querem aplicar hoje em dia ... Eu vou explorar várias coisas no inverna acerca de maneiras que eu percebi nas antigas pinturas. Vi muito do que eu precisava. Mas isto sobre todo o resto – o que chamam – correr pra fora – você vê que isso é o que os antigos pintores Holandeses faziam celebremente. Isso – correr pra fora – com poucas pinceladas, não ouvem disso agora – mas quão verdadeiros os resultados são".[181]
  11. Rembrandt foi um dos poucos pintores de renome a ter produzido mais autorretratos, mais de cinquenta, embora os tenha feito num intervalo de mais de quarenta anos.[207]
  12. Este talvez tenha sido o último autorretrato de Van Gogh. Ele o deu para sua mãe como presente de aniversário.[214]
  13. Seu marido tinha sido o único mantenedor da família e Johanna tinha deixado um apartamento em Paris, alguns itens de mobília e as obras de seu cunhado que na época eram vistas como desprovidas de qualquer valor.[242]
  14. Cada trabalho de Van Gogh foi numerado no catálogo de 1928. Esses números precedidos pela letra "F" são frequentemente usados na referência a uma pintura ou desenho particular.[252] Nem todas as obras listadas no catálogo original são hoje consideradas autenticamente como trabalhos de van Gogh.[253]

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