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Alberto Fernández

político e advogado argentino, Presidente Eleito da Argentina
Alberto Fernández
Fernández em 2019.
Presidente eleito da Argentina
Período posse prevista para 10 de dezembro de 2019
Vice-presidente Cristina Kirchner
Antecessor Mauricio Macri
Chefe do Gabinete de Ministros da Argentina
Período 25 de maio de 2003
até 23 de julho de 2008
Presidente Néstor Kirchner (2003-2007)
Cristina Kirchner (2007-2008)
Antecessor Alfredo Atanasof
Sucessor Sergio Massa
Legislador de Buenos Aires
Período 7 de agosto de 2000
até 25 de maio de 2003
Dados pessoais
Nome completo Alberto Ángel Fernández
Nascimento 2 de abril de 1959 (60 anos)
Buenos Aires, Argentina
Alma mater Universidade de Buenos Aires
Esposa Marcela Luchetti
(1993-2005)
Fabiola Yáñez
(desde 2014; companheira)
Partido Partido Justicialista
(desde 1983)
Profissão Advogado, professor e político
Assinatura Assinatura de Alberto Fernández

Alberto Ángel Fernández (Buenos Aires, 2 de abril de 1959) é um político, advogado e professor argentino. Membro do Partido Justicialista, foi eleito presidente de seu país, no primeiro turno da eleição de 2019, após derrotar o presidente Mauricio Macri, devendo ser empossado no cargo em 10 de dezembro de 2019, juntamente com sua vice, a ex-presidente Cristina Kirchner.

Graduado em Direito, Fernández trabalhou como advogado e professor de Direito Penal na Universidade de Buenos Aires, função que passou a desempenhar em 1983. Interessado pela política desde a juventude, participou do governo de Carlos Menem e foi vereador de Buenos Aires por um mandato, entre 2000 a 2003.

De 2003 a 2008, Fernández foi chefe de Gabinete da Nação Argentina, ocupando o cargo durante toda a presidência de Néstor Kirchner e parte da presidência de Cristina. Posteriormente, tornou-se crítico do governo kirchnerista, motivo pelo qual a renúncia de Cristina em ser candidata a presidente em 2019 e a escolha de Fernández como seu companheiro de chapa foi considerada surpreendente.

Juventude, educação e vida pessoalEditar

Alberto Fernández nasceu em Buenos Aires, no bairro Villa del Parque, em 2 de abril de 1959.[1] É filho de Celia Pérez e pouco conviveu com seu pai biológico, que faleceu durante a Copa do Mundo de 1978.[1] Mais tarde, afirmou que quando falava sobre seu pai se referia ao padrasto, o juiz Carlos Galíndez, que faleceu em 1997.[1] Seu avô adotivo, Manuel Galíndez, foi senador pela província de La Rioja pela União Cívica Radical.[2] Sendo o filho do meio, possui uma irmã mais velha e um irmão mais novo.[1]

Fernández viveu parte da infância e da adolescência no bairro onde nasceu, mais especificamente perto do estádio da Asociación Atlética Argentinos Juniors, um clube de futebol do qual se tornou fã. Lá, cursou a quinta série do ensino fundamental na escola da República do México e o restante na escola Avelino Herrera.[1] Aos 14 anos, após ser incentivado por amigos, começou a estudar violão com o cantor Litto Nebbia, com quem desenvolveu uma amizade, chegando a compor músicas e tocar em bares.[3]

Fernández cursou o ensino médio no Colégio Mariano Moreno, onde foi delegado da União dos Estudantes Secundários (UES), de tendência peronista. Durante a presidência de Roberto Viola, formou com outros militantes a Frente de Orientação Nacional, que após a Guerra das Malvinas se fundiu na Frente do Povo (FREPU), onde conheceu Jorge Argüello e Eduardo Valdés.[2] Após concluir o ensino médio, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires, de onde se graduou.[1]

Fernández foi casado com Marcela Luchetti até 2005, quando se divorciaram.[4] O casal teve um filho, Estanislao, nascido em 1994, que se tornou famoso por seu trabalho como drag queen.[5][6] Em 2014, Fernández iniciou um relacionamento com a jornalista e atriz Fabiola Yáñez.[7]

Carreira profissionalEditar

Durante a década de 1980, Fernández trabalhou no Tribunal Federal de San Isidro, na época encarregado do juiz Alberto Piotti, responsável pelo caso Puccio, que envolvia uma família de San Isidro que, entre 1982 e 1985, matou três pessoas.[8] Como os réus não tinham advogados, o Estado os forneceu. Fernández foi sorteado para a função, trabalhando como defensor de Guillermo Fernández Laborde, um amigo da família Puccio que admitiu ter matado duas das vítimas, até que Laborde constituiu um advogado.[9][10]

Em 1985, Fernández passou a ministrar aulas na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires, onde trabalha como professor desde então. Em 2019, era responsável pela disciplina de Teoria Geral do Crime e Sistema Penitenciário.[11] Ao longo de sua carreira acadêmica, publicou as seguintes obras: Juicio a la impunidad (1985), com Mona Moncalvillo e Manuel Martin; Autoría y participación criminal (1987), com Jaime Malamud Goti; Elementos de derecho penal y procesal penal (1988), com Esteban Righi, Luis Pastoriza e Enrique Bacigalupo; Derecho penal: la ley, el delito, el proceso, la pena (1996), em colaboração com Esteban Righi; dentre outros.[12]

Carreira políticaEditar

 
Fernández e o ex-presidente Raúl Alfonsin.

Em 1985, durante o governo de Raul Alfonsin, Fernández foi nomeado para o cargo de diretor-geral adjunto de assuntos jurídicos do Ministério da Economia.[13] Em seguida, trabalhou como assessor da Legislatura da Cidade de Buenos Aires e da Câmara de Deputados da Argentina.[14] Em 1989, no governo de Carlos Menem, foi nomeado Superintendente de Seguros do país, ocupando o cargo até 1995.[15]

Em 1996, durante o governo de Eduardo Duhalde na província de Buenos Aires, Fernández foi nomeado presidente da Gerenciar Proyectos y Administración S/A, uma subsidiária do Banco Província, que oferecia serviços de transparência administrativa. Em 1997, todas as empresas que tinham o Banco como principal acionista foram organizadas em uma holding, o Grupo Bapro, e Fernández atuou como seu vice-presidente até 1999.[16]

Durante as eleições de 1999, foi escolhido como tesoureiro da malsucedida campanha de Eduardo Duhalde à presidência.[17] Durante esse período, Alberto foi um dos fundadores e coordenadores do Grupo Calafate, um think tank da ala progressista do Partido Justicialista, juntamente com Duhalde e outras personalidades como Cristina Fernández de Kirchner. O objetivo do grupo era fazer frente a tentativa de "reeleição" e às políticas neoliberais do presidente Carlos Menem. Além da candidatura de Duhalde em 1999, o grupo apoiou a candidatura de Néstor Kirchner à presidência nas eleições 2003, de quem Fernández seria Chefe de Gabinete. [18]

Em 2000, Fernández foi eleito para o legislativo da cidade de Buenos Aires pela coligação Encontro pela Cidade, que tinha como candidato à prefeito o ex-ministro Domingo Cavallo. Com a posse do presidente Néstor Kirchner, foi nomeado chefe-de gabinete do país, ocupando o cargo durante todo o governo de Néstor e também parte do de sua esposa, Cristina Kirchner. Em 2008, deixou o cargo em meio a divergências com Cristina e Martín Lousteau, então ministro da Economia.[19][20]

 
Fernández, como presidente eleito, durante encontro com Mauricio Macri.

Após deixar o governo, Fernández tornou-se um dos maiores críticos ao governo kirchnerista.[21][20] Nomeado para liderar a ala do Partido Justicialista na cidade de Buenos Aires, teve um envolvimento reduzido nas campanhas da Frente para a Vitória para o Congresso em 2009.[22] Na eleição presidencial de 2011, considerou seriamente concorrer ao cargo, mas acabou endossando a reeleição de Cristina.[23][24] Na eleição de 2015, foi chefe da campanha de Sergio Massa à presidência.[25]

Em 2019, Cristina anunciou que seria candidata a vice-presidente de Fernández na eleição daquele ano, uma decisão que foi vista com surpresa pela opinião pública.[26] Considerado um peronista moderado, Fernández apresentou uma plataforma de campanha crítica ao governo do presidente Mauricio Macri, candidato à reeleição. Nas primárias de agosto, Fernández recebeu 48% dos votos, superando Macri, que obteve 32%.[20][27] Em 27 de outubro, foi eleito presidente da Argentina com 48,1% dos votos;[28] sua posse está prevista para 10 de dezembro de 2019.[29][30]

Referências

  1. a b c d e f Analía Argento (11 de agosto de 2019). «Alberto Fernández: por qué no quiso ser de Boca, sus dos 'papás' y el desmayo el día en que nació su hijo». Infobae. Consultado em 15 de agosto de 2019 
  2. a b «Los primeros años de Alberto Fernández: Villa del Parque, las guitarras y la política, en el origen del candidato». Clarin. 17 de agosto de 2019. Consultado em 23 de outubro de 2019 
  3. «El intérprete de Kirchner que añora el rock». La Nación. 25 de junho de 2003. Consultado em 23 de outubro de 2019 
  4. «EEstanislao, el único hijo de Alberto Fernández». Msn. 29 de maio de 2019. Consultado em 23 de outubro de 2019 
  5. «Conheça a história do filho drag queen de candidato à presidência da Argentina». G1. 28 de junho de 2019. Consultado em 15 de agosto de 2019 
  6. «Conheça Dyhzy, filho drag de candidato à presidência da Argentina». Ig. 13 de agosto de 2019. Consultado em 15 de agosto de 2019 
  7. Enric González (18 de agosto de 2019). «Alberto Fernández, o discreto professor que pode presidir a Argentina». El País. Consultado em 15 de agosto de 2019 
  8. «Quiénes eran los Puccio, el "clan" familiar que se dedicó a los secuestros». Diario La Nación. 7 de setembro de 2016. Consultado em 24 de outubro de 2019 
  9. «Clan Puccio: el último integrante detenido quedará libre en 2022». Clarin. 20 de novembro de 2015. Consultado em 24 de outubro de 2019 
  10. «La historia detrás de la foto de Alberto Fernández con un socio del clan Puccio». Reversoar. 26 de junho de 2019. Consultado em 24 de outubro de 2019 
  11. «Es falso que Alberto Fernández volvió a dar clases en la UBA después de 18 años». Chequeado. 18 de julho de 2019. Consultado em 24 de outubro de 2019 
  12. «Fernández, Alberto 1959-». World Cat. Consultado em 24 de outubro de 2019 
  13. «Quién es Alberto Fernández, el candidato a Presidente que acompañará a Cristina Fernández». LaVoz. 18 de maio de 2019. Consultado em 27 de outubro de 2019 
  14. «Este artículo fue hecho gracias al esfuerzo de trabajo de un periodista profesional». El Cronista. 18 de maio de 2019. Consultado em 27 de outubro de 2019 
  15. Felipe Yapur (19 de maio de 2019). «Quién es Alberto Fernández». Página12. Consultado em 27 de outubro de 2019 
  16. «El Provincia se convertirá en un holding empresario». La Nación. 5 de dezembro de 1997. Consultado em 23 de julho de 2019 
  17. «El primer Borocotó. Biografía política de Alberto Fernández, 1983-2007». Razón y Revolución. 3 de setembro de 2018. Consultado em 27 de outubro de 2019 
  18. «A la izquierda del próximo gobierno». La Nación. 17 de outubro de 1999. Consultado em 23 de julho de 2019 
  19. «Alberto Fernández y Vilma Ibarra más juntos que nunca». Perfil. 11 de abril de 2011. Consultado em 27 de outubro de 2019 
  20. a b c «Perfil: Alberto Fernández, o peronista moderado prestes a alcançar a presidência argentina». O Estado de S. Paulo. 25 de outubro de 2019. Consultado em 27 de outubro de 2019 
  21. «La vida política de Alberto Fernández». Clarín. 18 de maio de 2019. Consultado em 27 de outubro de 2019 
  22. «Kirchner cargó contra Cobos y De Narváez en un acto porteño». Clarín. 16 de junho de 2009. Consultado em 27 de outubro de 2019 
  23. «Kirchner cargó contra Cobos y De Narváez en un acto porteño». La Nación. 24 de março de 2010. Consultado em 27 de outubro de 2019 
  24. «Alberto Fernández se declara oficialista y ya se anota como candidato para 2015». La Nación. 30 de agosto de 2011. Consultado em 27 de outubro de 2019 
  25. «Alberto Fernández: "Es indudable el deterioro en el voto de Sergio Massa"». Minuto Uno. 2 de junho de 2015. Consultado em 27 de outubro de 2019 
  26. Sylvia Colombo (18 de maio de 2019). «Cristina Kirchner surpreende e anuncia candidatura à vice-presidência da Argentina». Folha de S. Paulo. Consultado em 27 de outubro de 2019 
  27. Nicole Frölich (26 de outubro de 2019). «Argentina em crise vai às urnas». DW. Consultado em 27 de outubro de 2019 
  28. «Recuento Provisional de Resultados: presidente». Governo da Argentina. 27 de outubro de 2019. Consultado em 27 de outubro de 2019 
  29. Marina Guimarães (27 de outubro de 2019). «Em meio a profunda crise, Argentina escolhe hoje entre Macri e Fernández». Globo. Valor. Consultado em 27 de outubro de 2019 
  30. «Elecciones 2019: Alberto Fernández se impuso en primera vuelta y será el nuevo presidente». Clarín. 27 de outubro de 2019. Consultado em 27 de outubro de 2019 
Precedido por
Mauricio Macri
Presidente da Argentina
(eleito)

2019
Sucedido por
Precedido por
Alfredo Atanasof
Chefe do Gabinete de Ministros
2003 – 2008
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Sergio Massa