Brega & Chique

telenovela brasileira produzida e exibida pela Rede Globo
Brega & Chique
Informação geral
Formato Telenovela
Gênero comédia romântica
Duração 55 minutos
Criador(es) Cassiano Gabus Mendes
País de origem Brasil
Idioma original português
Produção
Diretor(es) Jorge Fernando
Roteirista(s) Luís Carlos Fusco
Solange Castro Neves
Elenco
Tema de abertura "Pelado", Ultraje a Rigor
Música Roger Moreira
Exibição
Emissora original Rede Globo
Transmissão original 20 de abril – 7 de novembro de 1987
Episódios 173

Brega & Chique é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Rede Globo no horário das 19 horas, de 20 de abril a 7 de novembro de 1987, em 173 capítulos,[1][2] substituindo Hipertensão e sendo substituída por Sassaricando. Foi a 38ª "novela das sete" exibida pela emissora. Escrita por Cassiano Gabus Mendes, com colaboração de Luís Carlos Fusco e Solange Castro Neves, teve a direção de Jorge Fernando (também diretor geral), Marcelo de Barreto e Carlos Magalhães.

Contou com Marília Pêra, Marco Nanini, Dennis Carvalho, Marcos Paulo, Patrícia Pillar, Cássio Gabus Mendes, Patrícya Travassos, Nívea Maria, Tato Gabus Mendes, Cássia Kis, Raul Cortez, Jorge Dória e Glória Menezes nos papéis principais.

EnredoEditar

Ambientada em São Paulo, Brega & Chique tem como personagens centrais duas mulheres, Rosemere de Moraes (Glória Menezes) e Rafaela Alvaray (Marília Pêra). De ambientes sociais inteiramente opostos, as duas têm suas histórias cruzadas por causa de Herbert Alvaray (Jorge Dória), empresário paulistano "casado" com ambas. A sua família oficial é formada por Rafaela, os filhos Ana Cláudia (Patrícia Pillar), Teddy (Tarcísio Filho) e Tamyris (Cristina Mullins), além do genro Maurício (Tato Gabus Mendes) e da sogra Francine (Célia Biar). Rafaela é uma mulher rica, sofisticada, desligada dos problemas do cotidiano, cheia de manias e futilidades. Mora em uma mansão em um bairro nobre de São Paulo. A segunda família de Herbert, na qual é conhecido pelo nome Mário Francis, é representada por Rosemere (Glória Menezes) e Márcia (Fabiane Mendonça), filha dos dois. Rosemere é uma mulher simplória, pobre e brega. Batalhadora, mora em um bairro da periferia de São Paulo, mantendo a casa e a família que enfrentam dificuldades financeiras – além de Márcia, tem outros dois filhos: Vânia (Paula Lavigne) e Amaury (Cacá Barrete). Rosemere ainda ajuda o pai, Lourival (Fabio Sabag). Rafaela e Rosemere são meras desconhecidas,até em que uma situação do destino elas se conhecem e se tornam melhores amigas.

A novela começa quando Herbert (Jorge Dória), para escapar da falência, simula a própria morte e foge do país, abandonando sua família legítma Preocupado com Rosemere, ele deixa uma boa quantia em dólares para que ela e a família possam sustentar-se. Endividada e sem nenhuma fonte de renda, Rafaela se vê obrigada a mudar-se com a família para um bairro mais simples. Em mais uma coincidência do destino, vai morar na mesma vila onde Rosemere vive com os filhos. As duas se conhecem e tornam-se melhores amigas: enquanto Rosemere ensina a Rafaela alternativas para ganhar e economizar dinheiro, Rafaela dá aulas de etiqueta para a nova rica.

Além da ajuda de Rosemere, Rafaela conta com o apoio de Montenegro (Marco Nanini), secretário particular e cúmplice de Herbert. Apaixonado por Rafaela, ele está sempre por perto e faz tudo para ajudá-la a sair daquela difícil situação. Juntos, Rafaela e Montenegro foram responsáveis pelas cenas mais hilárias de Brega & chique.

Rosemere também tem um admirador: o bruto e apaixonado Baltazar (Dennis Carvalho), marceneiro do bairro,que é alguns anos mais novo do que ela.

A trama sofre uma reviravolta quando Herbert retorna ao país, após uma cirurgia plástica, com o nome de Cláudio Serra (Raul Cortez). Ele decide encontrar-se com suas ex-mulheres, separadamente, e convida-as para jantar fora. Durante a conversa, ele pergunta sobre Herbert e Mário, e tanto Rosemere como Rafaela falam muito mal de seus ex-maridos, para desconforto de Cláudio. Mesmo assim, o conquistador barato decide reaproximar-se das duas, a quem ele chama de Alfa I (Rafaela) e Alfa II (Rosemere).

Em determinado momento da história, Rafaela e Rosemere, comentando sobre seus ex-companheiros, descobrem que os dois são a mesma pessoa. E mais: as duas se dão conta que existe uma terceira mulher na vida de Herbert, Zilda (Nívea Maria), ex-melhor amiga de Rafaela. Depois de muita confusão, toda a verdade sobre Cláudio Serra é revelada. Ele morre, dormindo, enquanto sonha com sua verdadeira face. Rafaela, Rosemere e Zilda reconstroem suas vidas ao lado de outros homens. Rafaela se entrega ao amor de Montenegro, Rosemere casa-se com Baltazar, e Zilda, com Pedro (Paulo César Grande). Com a ajuda de Montenegro, Rafaela consegue passar para seu poder os dólares que Herbert guardava a sete chaves em uma conta na Suíça, prometendo dividir a herança com Rosemere e Zilda.

Outra trama que merece destaque em Brega e Chique é a de Bruno (Cássio Gabus Mendes). Sobrinho do marceneiro Baltazar, o rapaz ganhou a simpatia do público com seu jeito ingênuo e completamente atrapalhado. Os erros de português que cometia davam ainda mais comicidade às suas cenas. Palavras como "craro" e "pobrema" tornaram-se marcas do personagem e caíram na boca do público, especialmente das crianças. Os tropeços eram corrigidos pela professora Mercedes (Patrícya Travassos), contratada pelo tio Baltazar para ensinar português ao jovem. No decorrer da história, Mercedes se apaixona por Bruno e, no final, depois de muitas confusões, consegue conquistar seu coração.

ProduçãoEditar

A trama teve o título provisório: Goiabada & Caviar.[carece de fontes?]

Marcou a volta de Marília Pêra às novelas, após 13 anos de ausência. Sua última novela havia sido Supermanoela, em 1974[3].

Para acompanhar o ritmo ágil da trama, a equipe de produção utilizou vários efeitos especiais, como o wipe, que faz com que a imagem seja varrida da tela, para mudar de cena, e o filó, que dividia tela ao meio, para a transmissão de duas cenas em simultâneo. Para além disto, a produção usou também animação.[1]

Brega e Chique popularizou as lentes de contato coloridas, usadas por Rafaela e Rosemere.[1]

Nos créditos de abertura, a ordem de aparição dos nomes de Marília Pêra e Glória Menezes alternava-se diariamente.

A abertura da novela contou com a participação da atriz e apresentadora Doris Giesse e de Deise Nunes, Miss Brasil 1986.

ControvérsiasEditar

Desde o seu início, a novela se mostrou bastante polêmica, começando pela abertura exibida. Nela, o modelo Vinícius Manne aparecia com as nádegas à mostra. Após a reclamação de telespectadores mais conservadores, o governo Federal exigiu que fosse colocada uma folha de parreira sobre o traseiro do modelo. Feito isso, novos protestos surgiram em prol da nudez, e acusação de censura. Então o Ministro da Justiça (que na época era Paulo Brossard) liberou a abertura original.[4]

Moradores do bairro Itaim Bibi protestaram contra o deboche no qual a personagem Rafaela se referia ao bairro. Em resposta, o autor Cassiano Gabus Mendes precisou rescrever as falas da personagem em relação ao bairro, em que Rafaela ironizava o bairro despejando elogios.[4]

Outro momento de polêmica foi o diálogo no qual Rafaela afirmou que se casaria com "o primeiro que aparecer, qualquer um, leiteiro, lixeiro, faxineiro, tintureiro, nem que seja japonês", que foi ao ar em 7 de julho de 1987 foi o suficiente pra deixar comunidade japonesa no Brasil possessa com a novela. Uma carta de protesto já estava pronta e ao assunto já tinha virado capa de jornal. Como resposta, o autor Cassiano Gabus Mendes justificou que a personagem era fútil, por isso falava muita besteira.[4]

Em outro momento constrangedor, Teddy (Tarcísio Filho), afirmou que "secretária de chefe é assunto particular" incomodou outra categoria profissional, a das secretárias executivas. O assunto foi destaque no Jornal do Brasil e uma carta de protesto foi enviada à Globo. Além disso, elas também se incomodavam com a personagem Silvana (Cássia Kiss), tendo seu comportamento e trajes considerados inadequados para a profissão.[4]

ElencoEditar

Ator Personagem
Marília Pêra Rafaela Alvaray (Alfa I)
Glória Menezes Rosemere Fátima de Moraes (Alfa II)
Raul Cortez Herbert Alvaray / Mário Francis / Cláudio Serra / Isaac Brum
Jorge Dória
Marco Nanini Alberico Montenegro Felipe Dias
Nívea Maria Zilda Monteiro de Lima (Alfa III)
Marcos Paulo Luiz Paulo Albuquerque Pereira
Patrícia Pillar Ana Cláudia Alvaray
Jayme Periard João Antônio Handerson
Cássia Kis Silvana Albuquerque Pereira
Tato Gabus Mendes Maurício Costello
Cristina Mullins Tamyris Alvaray Costello
Percy Aires Justino Pereira
Neuza Amaral Lucy Albuquerque Pereira
Tarcísio Filho Teobaldo Alvaray (Teddy)
Paula Lavigne Vânia de Moraes
Kaká Barrete Amaurí de Moraes
Suzy Camacho Rosinha
Cássio Gabus Mendes Bruno Conceição
Dennis Carvalho Balthazar Conceição
Patrycia Travassos Mercedes Pinto
Célia Biar Francine Alcântara Di Biasi
Fábio Sabag Lourival de Moraes
José Augusto Branco Carlos Bellotti
Bárbara Fazio Bianca Bistefani
Paulo César Grande Pedro Bistefani
Hélio Souto Amadeu
Ângela Figueiredo Marly
Marco Miranda Marco
Valéria Keller Rosely
Anderson Müller Quibe Frito
Fabiane Mendonça Márcia Maria de Moraes Alvaray (Marcinha)

Elenco de apoioEditar

AudiênciaEditar

Em sua exibição original, alcançou média geral de 58 pontos no IBOPE pelo método eletrônico, sendo até hoje considerada uma das novelas das sete de maior audiência de todos os tempos (muito acima da meta estipulada pela Globo para o horário, que era de 40 pontos) e também um dos trabalhos mais memoráveis da carreira de Cassiano Gabus Mendes como escritor de telenovelas. A audiência e repercussão que a trama obteve junto ao público foram tantas que acabaram por superar O Outro, de Aguinaldo Silva, novela das oito exibida na época[5].

ReprisesEditar

Foi reexibida pelo Vale a Pena Ver de Novo de 31 de julho de 1989 a 19 de janeiro de 1990, substituindo A Gata Comeu e sendo substituída por Pão Pão, Beijo Beijo, em 125 capítulos.

Foi reexibida também no quadro de reprises compactadas do Video Show, o Novelão da Semana, de 4 a 8 de junho de 2012, substituindo Tieta e sendo substituída por A Gata Comeu, em cinco capítulos.

Foi reapresentada novamente no Novelão, de 5 a 12 de janeiro de 2015, em cinco capítulos, substituindo Tieta, e com narração de Marília Pêra.

Foi exibida na íntegra pelo Canal Viva, de 19 de fevereiro a 7 de setembro de 2020, substituindo Selva de Pedra e sendo substituída por Sassaricando, que foi também sua substituta na exibição original em 1987.[6]

Trilha sonoraEditar

NacionalEditar

Brega e Chique Nacional
Trilha sonora de Vários intérpretes
Lançamento 1987.
Gênero(s) Vários.
Duração 50:19
Formato(s) Vinil, K7
Gravadora(s) Som Livre
Produção Mariozinho Rocha
Cronologia de Vários intérpretes
 
-
Brega e Chique Internacional
 

Capa: Glória Menezes e Marília Pêra

  1. Pega Rapaz - Rita Lee e Roberto de Carvalho (tema de Rosemere e Baltazar)
  2. Sem Peso e Sem Medida - Fábio Jr. (tema de Vânia e Teddy)
  3. Preciso Aprender a Só Ser - Caetano Veloso (tema de Rafaela)
  4. Um pro Outro - Lulu Santos (tema de Ana Cláudia)
  5. Caleidoscópio - Dulce Quental (tema de Tamyris)
  6. Cowboy Fora da Lei - Raul Seixas (tema de Bruno)
  7. Pelado - Ultraje a Rigor (tema de abertura)
  8. Blá-Blá-Blá… Eu te Amo - Lobão (tema de Zilda)
  9. Até o Fim - Verônica Sabino (tema de Silvana)
  10. É Tão Bom - Luiz Caldas e Caetano Veloso (tema de Rosemere)
  11. Sinto Saudade - Evandro Mesquita (tema de Mercedes)
  12. Coração de Jovem - Erasmo Carlos (tema de João Antônio)
  13. Lágrima de Amor - Beto Guedes (tema de Luiz Paulo)
  14. A Ilha - Léo Gandelman (tema de Rafaela/Montenegro/Herbert(Cláudio))

InternacionalEditar

Brega & Chique Internacional
Trilha sonora de Vários intérpretes
Lançamento 1987
Gênero(s) Vários
Duração 58:38
Formato(s) Vinil,K7
Gravadora(s) Globo Discos
Cronologia de Vários intérpretes
 
Brega & Chique Nacional
-
 

Capa: Vinícius Manne

  1. Everything I Own - Boy George (tema de Ana Cláudia e Luiz Paulo)
  2. Let's Wait a While - Janet Jackson (tema de Tamyris)
  3. Music - F.R. David (tema de Zilda)
  4. No Promises - Icehouse
  5. What Do We Mean to Each Other? - Sérgio Mendes(tema de Silvana)
  6. Is This Love? - Whitesnake (tema de Bruno e Mercedes)
  7. Now And Forever - Jimmy Cliff
  8. Somewhere Out There - Linda Ronstadt e James Ingram (tema de Rosemere)
  9. I Want Your Sex - George Michael (tema de Bruno)
  10. In Too Deep - Genesis (tema de Rafaela)
  11. Head To Toe - Lisa Lisa & Cult Jam
  12. C'Est La Vie - Robbie Nevil (Tema de Locação)
  13. Glad To Know That You're The One) - Malcolm Roberts
  14. Infidelity - Simply Red

PrêmiosEditar

Troféu Imprensa (1988):

Prêmio APCA (1987):

Referências

  1. a b c «Brega & Chique». Memória Globo 
  2. «Brega & Chique». Teledramaturgia 
  3. «30 anos de "Brega e Chique": 10 curiosidades sobre a novela». Folha de S.Paulo. 20 de abril de 2017. Consultado em 10 de março de 2018 
  4. a b c d «Em 1987, Brega & Chique causou com homem pelado, bairro chique e japoneses». UOL. 12 de janeiro de 2020. Consultado em 15 de janeiro de 2020 
  5. «30 anos de "Brega e Chique": 10 curiosidades sobre a novela». tvefamosos.uol.com.br. Consultado em 22 de junho de 2020 
  6. «Canal Viva cancela Ti Ti Ti e irá reprisar Brega & Chique em fevereiro». observatoriodatv.bol.uol.com.br. Consultado em 8 de janeiro de 2020 

Ligações externasEditar

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