Transversal de Beja

A Transversal de Beja foi um caminho de ferro planeado mas nunca construído, que iria unir Beja, na Linha do Alentejo, a Ermidas Sado, nas linhas do Sul e Sines, em Portugal. Desta forma, iria criar uma grande rede ferroviária ao longo do Alentejo, de Moura a Sines, facilitando desta forma o transporte de mercadorias desde o interior da região até ao Porto de Sines.[1][2] A ideia de ligar Beja a Sines por via férrea foi lançada nas Décadas de 1870 e 1880, mas foi abandonada devido ao início do projecto da Linha do Sado e do seu ramal para Sines, na transição para o Século XX.[3] Ressurgiu na Década de 1920, quando o ramal para Sines já estava em construção[3], tendo o projecto para uma linha de Ermidas a Beja sido inserido no Plano Geral da Rede Ferroviária, em 1930.[4]

Transversal de Beja
Estação de Beja, na Década de 1940.
Estação de Beja, na Década de 1940.
Bitola:Bitola larga
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L.ª. AlentejoBarreiro
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Beja
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R. MouraMoura (enc.)
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L. AlentejoFuncheira (enc.)
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Ferreira do Alentejo
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R. AljustrelC. V. - Alm. (proj. abd.)
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L.ª SulCampolide
Station on track
Ermidas-Sado
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L.ª SinesSines (pj. abd.)
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L.ª SulTunes
Mapa do plano de 1902, mostrando o projecto da Linha do Sado, e o seu ramal para Sines, que nessa altura se deveria iniciar em Grândola.

HistóriaEditar

AntecedentesEditar

Até meados do Século XIX, a região Sul de Portugal lutava contra grandes problemas nas suas comunicações, especialmente no interior, onde as povoações dependiam de uma rede de estradas em mau estado.[5] Por exemplo, um dos principais eixos de transportes na região era a chamada Rota do Trigo, desde a zona de Évora até ao porto de Alcácer do Sal, que utilizava veículos a tracção animal.[6] Esta situação começou a modificar-se com a política de obras públicas do governo, que procurou desenvolver as comunicações em Portugal através da introdução dos caminhos de ferro.[7]

No Alentejo, a rede ferroviária iniciou-se com a construção de uma linha desde o Barreiro, na Margem Sul do Tejo, até Vendas Novas, que entrou ao serviço em 1861, e que foi prolongada até Beja em 1864[8], e até Faro em 1889.[9] No entanto, as comunicações entre Lisboa e o Algarve ficaram prejudicadas pela configuração do caminho de ferro, que dava uma grande volta para chegar a Beja.[3]

Primeiros projectosEditar

Depois do caminho de ferro chegar a Beja, surgiu a ideia de construir uma outra linha férrea que unisse Beja a Sines, passando por Ferreira do Alentejo e por Santiago do Cacém.[3] Nessa altura, Sines já era um destino balnear para parte das populações do Alentejo, e um importante centro para o transporte de cortiça.[3] Uma portaria de 25 de Novembro de 1887 abriu o concurso para a construção do caminho de ferro de Beja a Sines.[10]

Em 1898, foi formada uma comissão técnica para estudar a rede ferroviária na região Sul de Portugal, onde se decidiu que a melhor forma de facilitar as ligações entre a capital e o Algarve era através da construção de uma nova linha férrea, que uniria o Pinhal Novo a Garvão, aproveitando um ramal já construído até Setúbal, criando assim uma ligação directa entre a margem Sul do Tejo e o Algarve.[3] Assim, a Linha do Sado (futura Linha do Sul) foi incluída no Plano Geral da Rede Ferroviária, em conjunto com um ramal até Sines.[3] O projecto que já existia de Beja a Sines foi abandonado, por o seu traçado ficar demasiado próximo da nova linha.[3]

A construção da Linha do Sado decorreu muito lentamente, devido à instabilidade governamental e ao deflagrar da Primeira Guerra Mundial, tendo sido só concluída em 1925, enquanto que a construção da Linha de Sines terminou em 1936.[3]

Ainda na Década de 1920, foi pedida a instalação de uma linha férrea de Barrancos a Sines, passando por Moura, Serpa, Beja, Ferreira do Alentejo e Santiago do Cacém, que se previa que seria de fácil construção.[11] A cidade de Beja, como capital do distrito, era um importante centro económico e social, embora a região em si nunca tenha desempenhado um papel de relevo no desenvolvimento nacional, em grande parte devido à falta de uma rede ferroviária mais densa, que teria permitido melhores acessos a outras regiões e ao porto de Sines.[11]

Em 1 de Novembro de 1926, a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que uma comissão de Beja, liderada pelo governador civil, tinha-se reunido com o Ministro do Comércio para pedir que fosse incluída uma cláusula no contracto de arrendamento dos Caminhos de Ferro do Estado, de forma a que a empresa arrendatária fosse obrigada a construir a linha de Ermidas a Beja, cujos estudos já tinham sido concluídos.[12]

 
Mapa do plano de 1930, mostrando os projectos para a linha de Ermidas a Beja e para o prolongamento do Ramal de Aljustrel.

Transversal de SinesEditar

O Plano Geral da Rede Ferroviária, publicado pelo Decreto n.º 18:190, de 28 de Março de 1930, reintroduziu a ideia de ligar Beja a Sines através da Transversal de Sines; esta linha devia aproveitar a totalidade do ramal para Sines, então ainda em obras, e deveria ser construído um novo lanço de via férrea até Beja, por Ferreira do Alentejo.[4] O Ramal de Aljustrel deveria ser prolongado, a forma a ligar-se à Transversal de Sines.[4]

Após o final da Segunda Guerra Mundial, os governos distritais em Portugal reiniciaram os seus pedidos para a construção dos caminhos de ferro, tendo a cidade de Beja requisitado que fosse instalada a linha de Ermidas a Beja.[2] Na sessão de 17 de Abril de 1948 da Assembleia Nacional, o engenheiro Mira Galvão discursou sobre as vias férreas no Distrito de Beja, tendo defendido a construção da linha de Ermidas a Beja, que deveria servir Beringel e Ferreira do Alentejo.[1] Alegou que esta linha seria de grande benefício para o transporte dos produtos agrícolas da região, especialmente na zona entre Ferreira e Sines, que tinha problemas de comunicações, e também facilitaria o acesso das populações às praias de Sines.[1]

Na obra Plano de Valorização do Alentejo: Rega de 170 000 hectares, publicada em 1965 pela Direcção-Geral dos Serviços Hidraúlicos, ainda se avançou a hipótese de construir várias linhas no Alentejo, incluindo a de Beja a Ermidas, devido à grande necessidade de meios de transporte que se iria verificar durante as obras do Plano de Rega.[13]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c «Problemas ferroviários» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1449). 1 de Maio de 1948. p. 296. Consultado em 1 de Outubro de 2017 
  2. a b GALO, Jaime Jacinto (16 de Julho de 1948). «A Rêde Ferroviária de Portugal» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 60 (1454). p. 380-382. Consultado em 9 de Julho de 2017 
  3. a b c d e f g h i SOUSA, José Fernando de (16 de Setembro de 1936). «A Conclusão do Ramal de Sines» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1170). p. 483-484. Consultado em 30 de Setembro de 2017 
  4. a b c PORTUGAL. Decreto n.º 18:190, de 28 de Março de 1930. Ministério do Comércio e Comunicações - Direcção Geral de Caminhos de Ferro - Divisão Central e de Estudos - Secção de Expediente, Publicado no Diário do Governo n.º 83, Série I, de 10 de Abril de 1930.
  5. SANTOS, 1995:47
  6. SERRÃO, 1985:447-449
  7. REIS et al, 2006:15
  8. SARAIVA e GUERRA, 1998:77
  9. MARTINS et al, 1996:12
  10. SILVA, 1992:152
  11. a b PIÇARRA e MATEUS, 2010:49
  12. «Linhas Portuguesas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 39 (933). 1 de Novembro de 1926. p. 321. Consultado em 1 de Outubro de 2017 
  13. Plano de Valorização do Alentejo: Rega de 170 000 hectares, 1965:140

BibliografiaEditar

  • Direcção-Geral dos Serviços Hidraúlicos (1965). Plano de Valorização do Alentejo. Rega de 170 000 hectares. Lisboa: Ministério das Obras Públicas. 228 páginas. ISBN 972-95159-4-8 
  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel de; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado. O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • PIÇARRA, Constantino; MATEUS, Rui (2010). Beja: Roteiros Republicanos. Col: Roteiros Republicanos. Matosinhos: Quidnovi - Edição e Conteúdos, S. A. e Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. 128 páginas. ISBN 978-989-554-720-3 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856 - 2006. Lisboa: CP - Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
  • SANTOS, Luís Filipe Rosa (1995). Os Acessos a Faro e aos Concelhos Limítrofes na Segunda Metade do Séc. XIX. Faro: Câmara Municipal de Faro. 213 páginas 
  • SARAIVA, José Hermano; GUERRA, Maria (1998). Diário da História de Portugal. Volume 3 de 3. Lisboa: Difusão Cultural. 208 páginas. ISBN 972-709-060-5 
  • SERRÃO, Joel (1985). Dicionário de História de Portugal. Volume 1. Porto: Livraria Figueirinhas. 520 páginas 
  • SILVA, Manuel João da (1992). Toponímia das Ruas de Santiago do Cacém. Breve História. Santiago do Cacém: Câmara Municipal. 207 páginas. ISBN 972-95159-4-8 



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