Bernardin Gantin

Bernardin Gantin
Cardeal da Igreja Católica
Decano do Colégio dos Cardeais
Atividade eclesiástica
Diocese Diocese de Roma
Serviço pastoral Colégio dos Cardeais
Eleição 5 de junho de 1993
Predecessor Dom Agnelo Cardeal Rossi
Sucessor Dom Joseph Aloisius Cardeal Ratzinger
Mandato 1993 - 2002
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 14 de janeiro de 1951
Ouidah
por Dom Louis Parisot, S.M.A.
Nomeação episcopal 11 de dezembro de 1956
Ordenação episcopal 3 de fevereiro de 1957
Florença
por Dom Eugène-Gabriel-Gervais-Laurent Cardeal Tisserant
Nomeado arcebispo 5 de janeiro de 1960
Cardinalato
Criação 27 de junho de 1977
por Papa Paulo VI
Ordem Cardeal-diácono (1977-1984)
Cardeal-presbítero (1984-1986)
Cardeal-bispo (1986-2008)
Título Sagrado Coração do Cristo Rei (1977-1986)
Palestrina (1986-2008)
Óstia (1993-2002)
Brasão
Coat of arms of Bernardin Gantin.svg
Lema IN TUO SANCTO SERVITIO
no teu santo serviço
Dados pessoais
Nascimento Toffo
8 de maio de 1922
Morte Paris, França
13 de maio de 2008 (86 anos)
Nacionalidade benineseo
Funções exercidas - Bispo-auxiliar de Cotonou
- Arcebispo de Cotonou
- Presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz e do Pontifício Conselho Cor Unum
- Presidente do Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes
- Prefeito da Congregação para os Bispos e Presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina
Títulos anteriores - Bispo-titular de Tipasa in Mauretania
dados em catholic-hierarchy.org
Cardeais
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Bernardin Gantin (Toffo, Benin, 8 de maio de 1922Paris, 13 de maio de 2008) foi um prelado da Igreja Católica, Arcebispo de Cotonou, Cardeal e Decano do Colégio Cardinalício.

Ele descendia de negros escravos do Brasil Império que voltaram à África após a proclamação da Lei Áurea e, quando visitou o Brasil na década de 1980, foi até um terreiro de candomblé na Bahia, o Terreiro do Bogum[1].

Foi o responsável por assinar a excomunhão de monsenhor Lefebvre em 1988, devido as Consagrações de Écône.

BiografiaEditar

Era filho de Henri Gantin, chefe da estação ferroviária local, e Anne Tonondji, bisneta do rei Daomé Glèlè. Ele foi batizado logo após seu nascimento pelo padre Gaymard. Seu sobrenome significa árvore de ferro (Gan=árvore e tin=ferro) e isso se reflete em seu brasão.[2]

Ele estudou na escola regional de Abomey de 1929 a 1935. Em 1934, ele foi preparado para sua primeira comunhão pelo padre Le Port; aconselhado pelo padre Gautier, ele entrou no Seminário de Ouidah em 28 de outubro de 1935. Em 1953, foi enviado a Roma para estudar na Pontifícia Universidade Urbaniana e na Pontifícia Universidade Lateranense, tendo se licenciado em teologia dogmática, em 1954 e em direito canônico, em 1955.[2]

SacerdócioEditar

Foi ordenado sacerdote em 14 de janeiro de 1951 em Ouidah pelo arcebipo Louis Parisot. Por dois anos ensinou línguas no seminário maior da Ouidah, dedicado a Santa Joana d'Arc. Era aluno do Colégio Urbano e enquanto se preparava para a tese de doutorado em direito[3], foi eleito pelo Papa João XXIII como bispo-titular de Tipasa in Mauretania , na função de bispo-auxiliar de Cotonou em 11 de dezembro de 1956, sendo ordenado aos 34 anos em 3 de fevereiro de 1957 pelo Cardeal Eugène Tisserant, então decano do Sacro Colégio, na capela do Colégio da Propaganda Fide, assistido por Pietro Sigismondi, secretário da Congregação para a Propagação da Fé e por André-Pierre Duirat, S.M.A., bispo de Bouaké.[4] Adotou como lema episcopal In tuo sancto sevitio.[2]

ArcebispoEditar

Em 5 de janeiro de 1960 foi promovido a Arcebispo de Cotonou,[4] o primeiro Metropolita negro em toda a África.[2] Criou o Instituto Superior de Cultura Religiosa em Abidjã e organizou a catequese em toda a África francófona. Promoveu a ereção das dioceses de Abomey (1963), Parakou e Natitingou (1964) e Lokossa (1968), foi eleito presidente da Conferência Episcopal formada por Dahomey, Togo, Costa do Marfim, Burquina Faso, Mali, Guiné, Senegal e Níger, participou na preparação e de todas as sessões do Concílio Vaticano II.[2]

Em RomaEditar

Por Paulo VI foi nomeado em 5 de março de 1971, Secretário Adjunto da Congregação para a Evangelização dos Povos e, dois anos mais tarde, tornou-se titular daquela secretaria. Foi o primeiro africano a assumir cargos na Cúria Romana. Em 1975 foi nomeado vice-presidente e logo depois presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz. Em 1976 assumiu a presidência do Pontifício Conselho Cor Unum.[2]

CardinalatoEditar

 
Dom Bernardin celebrando uma missa em San Fiorano (LO), Itália, 1984

Foi criado cardeal por Paulo VI no consistório de 27 de junho de 1977 juntamente com Joseph Ratzinger, então arcebispo de Munique e Freising, František Tomášek (revelado in pectore), Giovanni Benelli e Mario Luigi Ciappi. Recebeu o barrete vermelho e a diaconia do Sagrado Coração do Cristo Rei.[2]

Em 8 de abril de 1984 foi nomeado Prefeito da Congregação para os Bispos e Presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina. Em 5 de junho de 1993 foi nomeado Decano do Colégio dos Cardeais e Titular da sé suburbicária de Óstia, de acordo com antiga tradição.[2] Em 12 de dezembro de 1993, participou da inauguração do Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, em Campinas.[5]

Foi ainda membro das seguintes Congregações: para as Igrejas Orientais, para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, para a Evangelização dos Povos, para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, e para a Educação Católica; e ainda do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e do Pontifício Conselho para a Interpretação dos Textos Legislativos, integrou ainda a Comissão Cardinalícia para os Pontifícios Santuários de Pompéia, Loreto e Bari e a Comisão Cardinalícia de Vigilância do Instituto para as Obras de Religião.[2]

Por limite de idade, aos 25 de junho de 1998, renunciou ao cargo de Prefeito da Congregação para os Bispos, e em 2002 renunciou ao título de Decano do Colégio de Cardeais retornando para o Benim.[2]

Consagrações de ÉcôneEditar

 Ver artigo principal: Consagrações de Écône

As consagrações de Écône foram uma série de consagrações episcopais que foram realizadas em Écône, Suíça, em 30 de junho de 1988. As consagrações foram realizadas pelo arcebispo Marcel Lefebvre e pelo Bispo Antônio de Castro Mayer, e os padres que subiram à episcopacia foram quatro membros da Sociedade de São Pio X (SSPX), de Lefebvre. As consagrações foram feitas contra a vontade do Papa João Paulo II, e foram o marco nas relações problemáticas de Lefebvre e da Sociedade de São Pio X com as lideranças da Igreja Católica.

Essas consagrações foram anunciadas em 3 de junho e, no dia seguinte, o Cardeal Gantin enviou para os futuros bispos consagrados um aviso formal canônico, que declarava que eles poderiam ser incorridos automaticamente na penalidade da excomunhão se fossem ordenados por Lefebvre sem a permissão papal.

Como as consagrações foram realizadas, foi o responsável por assinar, como prefeito da Congregação para os Bispos, o decreto que declarava que o arcebispo Marcel Lefebvre estava incorrido automaticamente em excomunhão automática, em 1 de julho.[6]

MorteEditar

O cardeal Gantin faleceu em 13 de maio de 2008, às 16h45, devido a graves complicações da desidratação, no Hospital Georges Pompidou, em Paris, após uma longa enfermidade.[2] Em 20 de maio, uma missa em memória do falecido cardeal foi celebrada pelo cardeal André Vingt-Trois, arcebispo de Paris, na Catedral de Notre-Dame, onde o arcebispo Agboton, de Cotonou, pronunciou a homilia. O cardeal Giovanni Battista Re, representante papal, presidiu a missa no Estádio Amitié em Cotonu, em 22 de maio, pronunciando a homilia; com ele concelebrou os cardeais Francis Arinze, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Polycarp Pengo, arcebispo de Dar-es-Salaam, na Tanzânia, Théodore-Adrien Sarr, arcebispo de Dakar, no Senegal, Bernard Agré, arcebispo-emérito de Abidjan, na Costa do Marfim e Anthony Olubunmi Okogie, arcebispo de Lagos, na Nigéria, além de quarenta arcebispos e bispos.[2] Já em 23 de maio, no altar da Cátedra da Basílica de São Pedro, foi celebrada uma Santa Missa de sufrágio pelo cardeal Angelo Sodano, decano do Colégio de Cardeais, com os demais cardeais presentes. No final da celebração, o Papa Bento XVI proferiu a homilia e transmitiu a benção apostólica.[2]

Ele foi o primeiro, e até agora, único cardeal de Benim e o primeiro africano a ser chefe de um dicastério do Vaticano e Decano do Colégio de Cardeais desde que esse cargo foi estabelecido pelo Beato Papa Eugênio III em 1150.[2]

ConclavesEditar

HonrariasEditar

Além disso, seu nome foi emprestado ao Aeroporto Internacional de Cotonou-Cadjehoun.[2]

Controvérsias e opiniõesEditar

 
Cardeal Gantin celebrando o sacramento da Confirmação, em San Fiorano, Itália

O cardeal Gantin era tido como introspectivo e avesso a entrevistas. Era tido também como um representante da ala mais conservadora da Igreja Católica, com estreita ligação com a Opus Dei.[7] Era fortemente contrário à Teologia da Libertação, com advertências aos seus principais expoentes, quando de uma de suas visitas ao Brasil.[8] Também defendia a tese de que os prelados, salvo raras exceções, deveriam permanecer para sempre em suas dioceses, como um forma de evitar o carreirismo eclesiástico.[7]

Lutou contra diversos problemas no continente africano, em especial no combate à AIDS, mas acreditava que a abstinência sexual era a melhor forma de prevenção da doença.[7] Também entrou em conflito com Mathieu Kérékou, presidente do Benim, quando foram presos vários padres e a educação religiosa foi proibida no país.[7]

Referências

  1. https://padrepauloricardo.org/episodios/como-deve-rezar-o-cristao Nota: O padre Paulo Ricardo contou sobre este acontecimento na sua homilia dominical de 28 de julho de 2019, conforme áudio reproduzido no seu site
  2. a b c d e f g h i j k l m n o The Cardinals of the Holy Roman Church
  3. A tese era "Les bénédictions et consécrations en comparaison avec quelques coutumes et rites religieux du paganisme africain spécialement au Dahomey"
  4. a b Le Petit Episcopologe, Issue 194, cardeais falecidos
  5. «Fleury acompanha inauguração de igreja». Folha de S.Paulo. 13 de dezembro de 1993. Consultado em 16 de julho de 2020 
  6. Decree of Excommunication (em inglês)
  7. a b c d «Bernardin Gantin foi um dos poucos negros na história do Vaticano». Folha de S.Paulo. 18 de abril de 2005. Consultado em 16 de julho de 2020 
  8. «Outro pito de Roma». Veja 1051 ed. 26 de outubro de 1988 

Ligações externasEditar

 
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Precedido por
Henri Léonard, M. Afr.
 
Bispo-titular de Tipasa in Mauretania

19561960
Sucedido por
Francisco Xavier da Piedade Rebelo
Precedido por
Louis Parisot, S.M.A.
 
Arcebispo de Cotonou

1960 - 1971
Sucedido por
Christophe Adimou
Precedido por:
Maurice Cardeal Roy
 
Presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz

19761984
Sucedido por:
Roger Marie Élie Cardeal Etchegaray
Precedido por:
Jean-Marie Cardeal Villot
Presidente do Pontifício Conselho Cor Unum
19771984
Precedido por
Dom Dino Cardeal Staffa
 
Cardeal-diácono do
Sagrado Coração do Cristo Rei

19771986
A partir de 1984, cardeal-presbítero pro hac vice
Sucedido por
Jacques-Paul Cardeal Martin
Precedido por
Emanuele Clarizio
 
Presidente do Pontifício Conselho para a
Pastoral dos Migrantes e Itinerantes

19841989
Sucedido por
Giovanni Cardeal Cheli
Precedido por:
Antônio Cardeal Samorè
 
Prefeito da Congregação para os Bispos

Sucedido por:
Dom Lucas Cardeal Moreira Neves, O.P.
Presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina
19841998
Precedido por
Carlo Cardeal Confalonieri
 
Cardeal-bispo de Palestrina

19862008
Sucedido por
José Cardeal Saraiva Martins, C.M.F.
Precedido por:
Dom Agnelo Cardeal Rossi
 
Cardeal-bispo de Óstia

Sucedido por:
Dom Joseph Aloisius Cardeal Ratzinger
Decano do Colégio dos Cardeais
19932002