Maria Judith Zuzarte Cortesão

Maria Judith Zuzarte Cortesão, mais conhecida como Judith Cortesão, (Porto, 31 de dezembro de 1914Genebra, 25 de setembro de 2007) foi uma professora universitária, geneticista e ecóloga e ambientalista luso-brasileira.[1][2]

Maria Judith Zuzarte Cortesão
Nascimento 31 de dezembro de 1914
Porto, Portugal
Morte 25 de setembro de 2007 (92 anos)
Genebra, Suíça
Nacionalidade luso-brasileira
Instituições Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Campo(s) Genética e ecologia

Ela foi fundadora, conselheira e consultora da Fundação SOS Mata Atlântica, ela participou também da criação do curso de pós-graduação em Educação Ambiental da Fundação Universidade Federal do Rio Grande (Furg), foi assessora de Política Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, representante no Pantanal do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), diretora do Centro de Estudos Terra/Homem (SPHAN) e representante do Brasil em encontros internacionais relacionados às questões marinhas, tendo participado também de expedições brasileiras na Antártida.[3]


BiografiaEditar

Era viúva do literato português Agostinho da Silva e filha do renomado historiador Jaime Zuzarte Cortesão. Teve oito filhos, dois deles adotivos, 21 netos e uma bisneta. Aos 17 anos, foi obrigada a deixar Portugal porque seu pai, Jaime Zuzarte Cortesão, estava sendo perseguido pelo governo ditatorial de António de Oliveira Salazar. Sua família passou pelo exílio na Espanha, na França, na Bélgica e na Inglaterra, e chegou ao Brasil em 1940, quando Jaime a se instalou para pesquisar a história da formação territorial do país.

Morou ainda no Peru, no Uruguai e novamente em Portugal. Estabeleceu-se em Brasília na década de 1980, e mudou-se em 1993 para a cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Na Fundação Universidade Federal do Rio Grande (Furg), onde foi professora do único curso de pós-graduação em Educação Ambiental Marinha do Brasil, Judith dedicou-se a erudição em diversas áreas do conhecimento dentre as quais neuroendocrinologia e genética e reprodução humana.

Escreveu dezesseis livros, entre eles Pantanal, Pantanais e Juréia, Luta pela Vida. Participou da elaboração de seis filmes, como Taim, de Lyonel Lucini, sobre a reserva gaúcha. Foi uma das criadoras do programa Globo Ecologia e da ong ARCA, e consultora das ongs SOS Mata Atlântica e Instituto Acqua. Ela idealizou o Centro de Informação e Formação de Médicos e Cirurgiões de Doenças do Aparelho Locomotor de Brasília, no Hospital Sarah Kubitschek, e representou o Brasil em comissões internacionais, como a das Nações Unidas sobre Poluição Marinha de Origem Terrestre, no Quênia, e a do Patrimônio da Humanidade, no Canadá. Acompanhou missões da Unesco em Portugal e no Brasil, e representou o Peru, o Uruguai e a Inglaterra em congressos sobre assuntos tão diversos como medicina, literatura e educação]]. Participou ainda das duas primeiras expedições brasileiras à Antártida, em 1982 e 1983.

Em 2003, em Brasília, recebeu pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a Ordem do Mérito Cultural.

Também em sua homenagem esta em andamento a construção da Casa de Cultura Judith Cortesão dos Povos de Língua Portuguesa (RS) que será no prédio onde nasceu o almirante da Marinha Brasileira, Joaquim Marques Lisboa,

A Casa de Cultura deve receber o acervo Dra. Maria Judith Zuzarte Cortesão, formado por seis mil peças, entre livros, revistas, teses, documentos em geral, além de artesanato dos mais diversos países.

Em 2005, a Fundação Universidade Federal do Rio Grande – FURG juntamente com o programa de pós-graduação em Educação Ambiental – PPGEA foram contemplados no Edital 1/2005 do Ministério do Meio Ambiente para implantação de uma Sala Verde, a qual foi denominada de Sala Verde Judith Cortesão, devido a doação do acervo pessoal da Prof. Dra. Judith Cortesão.

Morreu em 27 de setembro de 2007, em Genebra, aos 92 anos.

ObrasEditar

  • Mata atlântica, Editora Index: Fundação S.O.S. Mata Atlântica, 1991.[4]
  • Juréia: a luta pela vida [São Paulo] Ed. Index 1989.[5]

ReferênciasEditar

  1. Barcellos, Raquel Siegel (21 de agosto de 2018). «Perfil de aplicação acervo Judith Cortesão, como instrumento de curadoria digital: um estudo de equivalências entre a norma ISAD(G) e o conjunto de elementos do Argo». Consultado em 15 de abril de 2021 
  2. FURG. «FURG recorda e homenageia Judith Cortesão». Universidade Federal do Rio Grande - FURG. Consultado em 15 de abril de 2021 
  3. «Homenagem a Judith Cortesão | SOS Mata Atlântica». www.sosma.org.br. 2 de outubro de 2007. Consultado em 15 de abril de 2021 
  4. Cortesão, Judith (1991). Atlantic rain forest (em inglês). [S.l.]: Editora Index 
  5. Cortesão, Judith (1989). Juréia : a luta pela vida = Der Kampf ums Überleben. Araquém. Alcântara. [Rio de Janeiro]: Editora Index. OCLC 24376035