São João del-Rei

município brasileiro do estado de Minas Gerais
(Redirecionado de São João Del Rei)

São João del-Rei é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se na região central mineira[2] e ocupa uma área de cerca de 1 450 km², sendo que 24 km² estão em perímetro urbano. Sua população foi estimada em 90 225 habitantes em 2022. Polo para municípios do sul e sudeste de Minas Gerais, é uma das maiores cidades setecentistas do estado.

São João del-Rei
  Município do Brasil  
Vista parcial do Centro Histórico São João del-Rei
Vista parcial do Centro Histórico São João del-Rei
Vista parcial do Centro Histórico São João del-Rei
Símbolos
Bandeira de São João del-Rei
Bandeira
Brasão de armas de São João del-Rei
Brasão de armas
Hino
Gentílico são-joanense[1]
Localização
Localização de São João del-Rei em Minas Gerais
Localização de São João del-Rei em Minas Gerais
Localização de São João del-Rei em Minas Gerais
São João del-Rei está localizado em: Brasil
São João del-Rei
Localização de São João del-Rei no Brasil
Mapa
Mapa de São João del-Rei
Coordenadas 21° 08' 09" S 44° 15' 43" O
País Brasil
Unidade federativa Minas Gerais
Municípios limítrofes Barbacena, Carrancas, Conceição da Barra de Minas, Coronel Xavier Chaves, Ibertioga, Madre de Deus de Minas, Nazareno, Piedade do Rio Grande, Santa Cruz de Minas, Ritápolis, Prados, Tiradentes[2]
Distância até a capital 180 km[2]
História
Fundação Arraial: 1701, 1704 ou 1705
Vila: 8 de dezembro de 1713 (310 anos)
Cidade: 6 de março de 1838 (185 anos)
Administração
Distritos
Prefeito(a) Nivaldo José de Andrade (UNIÃO[4], 2021 – 2024)
Características geográficas
Área total [1] 1 452,002 km²
 • Área urbana (IBGE/2019) [1] 24,02 km²
População total (Censo IBGE/2022) [1] 90 225 hab.
Densidade 62,1 hab./km²
Clima tropical de altitude (Cwa)
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2010) [5] 0,758 alto
PIB (IBGE/2021) [6] R$ 3 005 052,22 mil
PIB per capita (IBGE/2021) R$ 33 059,97
Sítio saojoaodelrei.mg.gov.br (Prefeitura)
camarasaojoaodelrei.mg.gov.br (Câmara)

Considera-se que o bandeirante Tomé Portes del-Rei foi seu fundador, tendo este se estabelecido às margens do rio das Mortes, como guarda-mor do Porto Real da Passagem, formando nas proximidades um arraial homônimo ao rio.

Localizada na bacia hidrográfica do Rio Grande, tem seu relevo formado por serras do complexo da Serra da Mantiqueira. O aeroporto Prefeito Otávio de Almeida Neves, localizado no bairro Colônia (Zona Norte da cidade), é o mais importante da região. A cidade é dotada de uma vasta gama arquitetônica, na qual não se restringe apenas ao Barroco. Marcada por diversos ciclos econômicos que refletem em sua enorme gama arquitetônica.

História editar

 Ver artigo principal: História de São João del-Rei

Oficialmente elevada à condição de Vila em 8 de dezembro de 1713, há vestígios arqueológicos e historiográficos de ocupação humana que podem remeter ao período neolítico na região.

Ocupação do território antes da criação do município editar

Ocupação pré-colonização europeia editar

Até a chegada dos primeiros bandeirantes, no final do século XVI, a área do médio rio das Mortes era habitada pelos povos puris, havendo notícias de ocupação também por cataguás.[7][8]

Primórdios da ocupação europeia editar

Entre 1693 e 1694, Padre Faria Fialho, natural da Ilha de São Sebastião (São Paulo), hoje Ilhabela, então vigário de Taubaté e bandeirante, dirigiu uma expedição que em 1698 foi responsável pela descoberta de ouro na região de Ouro Preto, em Minas Gerais.[9][10] Sobre a bandeira deste padre, comentaria mais tarde José Rebelo Perdigão, secretário do governador Artur de Sá e Menezes:

"Com a mesma emulação [refere-se a Bartolomeu Bueno de Siqueira] fez sua tropa o padre João de Faria Fialho e em breve tempo descobriu o ribeirão do seu nome". Sendo, no caso, nos córregos que descem do Itacolomi). "Porém como os que tinham mais armas e mais séquito eram sempre nestes descobrimentos os mais bem aquinhoados, determinaram-se os mal contentes a formarem novas Bandeiras. Uma destas descobriu ou socavou o ribeirão que chamou Bento Rodrigues, nome do cabo, de tanta grandeza que tiraram nele bateladas de 200 e 300 oitavas, e a mais, em proporção. E foi tanta a gente que concorreu que em 1697 valeu o alqueire de milho 64 oitavas e o mais na proporção".

Em um relatório de 9 de novembro de 1703, de Antônio Luiz Peleja, Ouvidor-Geral de São Paulo, ao rei Pedro II, o Padre é citado: vigário de Taubaté, decidira unir-se em 1694 a uma das bandeiras que partia buscar ouro na região dos Campos Gerais dos Cataguás. Teria descoberto, na região do Rio Grande e do Rio das Mortes, "três rios de pinta muito boa e geral de ouro de lavagem" e, anos depois, na região de Ouro Preto, o ribeiro aurífero que leva seu nome. Tal carta de Peleja é o documento 2785-90 da Biblioteca Nacional de Lisboa, Arquivo de Marinha.

Na última década seiscentista, há notícias de que Gaspar Vaz da Cunha, conhecido como o Oiguara ("cão feroz") ou ainda como Jaguara ou o Jaguaretê, um bandeirante, que desbravou a região da serra da Mantiqueira entre 1700 a 1715, em busca de caminho para as Minas de Itagiba (atual Itajubá). Originário da cidade de Taubaté , foi juiz ordinário e de orfãos e recebeu sesmaria nesta cidade em 1700. Em sua bandeira, “os índios lhe mostraram o metal precioso no capim, sob a forma de folhetas e grãos.”[11][12]

Muitos autores desconsideram as menores na incompreensão de que o encontro das primeiras faíscas foi ponto de partida e chamariz para os descobertos maiores que se sucederam.

Os primeiros núcleos populacionais editar

 
Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar (1721)

Em 1701, Tomé Portes del-Rei, considerado fundador das atuais cidades de São João del-Rei e Tiradentes foi nomeado para guarda-mor, ou seja, já havia fixado moradia na região. Não veio para cumprir o papel de um cargo. Veio para ser fazendeiro, como já era na região de Taubaté, e aqui se fez merecedor da nomeação. As condições político-administrativas que pairavam sobre as minas no final do século XVII e princípio do XVIII, que como plano de governo sobre a repartição sul, Artur de Sá e Meneses, então governador da capitania a partir de abril de 1697, visou fortemente “incrementar os trabalhos de mineração e aumentar a arrecadação dos quintos.” (p.52). Para tal, desenvolveu uma muito bem sucedida política de aproximação com os paulistas através da sua nomeação para cargos, concessão de títulos e combate à crise de alimentos nas minas:  

“Ao longo de sua jornada por terras jamais pisadas por autoridade régia, criou cargos, distribuiu patentes, implantou regimento, enfim, prodigalizou-se no uso das formas simbólicas do poder, arrebanhando os paulistas para a esfera da Coroa e, ao mesmo tempo, afagando-lhes o gosto pela distinção. (...) Sensível às grandes fomes que assolaram a região entre 1698 e 1699 e entre 1700 e 1701, (...) tratou de solucionar o problema do abastecimento, um dos maiores obstáculos ao aumento da população local. (...) Demonstrando intimidade com a gente do Planalto, Sá e Meneses começou por ordenar o plantio de mantimentos nos caminhos para as minas e nas passagens dos rios, incorporando, assim, um velho costume dos sertanistas.[13]

Cláudio Manuel da Costa atribui a Tomé Portes del-Rei o descobrimento do Rio das Mortes:

O Rio das Mortes, que os paulistas e viandantes das mais partes atravessavam frequentemente, nos primeiros tempos, por distar de Ouro Preto pouco mais de cinco dias de jornada, foi descoberto por Tomé Portes del-Rei, natural de Taubaté, muitos anos depois do descobrimento das primeiras povoações.[14]

O governador Artur de Sá e Meneses fez três viagens às minas, e quando Tomé foi nomeado, ele se encontrava nelas. A autora esclarece que o domínio jurisdicional sobre a complicada região das minas se acerta “com a nomeação de um superintendente e guarda-mor das minas” e que o Governador Arthur de Sá e Meneses “conseguiu implantar os fundamentos da estrutura administrativa da zona mineradora”[15].

Os arraiais editar

Em 1702 foi fundado o Arraial de Santo Antônio por meio da distribuição de datas de exploração aurífera pelo guarda-mor, após a passagem pela região de João de Siqueira Afonso, que descobriu em águas fluviais, sinais na areia e cascalho, favoráveis à presença de ouro.

Em torno do estabelecimento do guarda-mor, estava assentado o Arraial do Rio das Mortes, nas imediações do Porto Real da Passagem.

Em 1704, Lourenço da Costa e Manoel João de Barcelos foram os descobridores do grande ouro que deu origem ao Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar, mas fundado pelo guarda-mor de então, Antônio Garcia da Cunha, que havia sucedido Tomé Portes após sua morte em 1702.

Por esta mesma época surgia o Arraial dos Prados, em 1704, com minas na encosta da bacia de um córrego.

E no pé da Serra de São José, onde termina a nordeste, surgia outro núcleo, o Arraial da Ponta do Morro (muito confundido com o Velho), mais ou menos onde está o Bairro de Pinheiro Chagas, na atual cidade de Prados.

Mais ouro descoberto gerou o Arraial do Córrego, no atual território de Santa Cruz de Minas, na mesma época.

Com tudo isto a região se tornou um grande foco de interesse para aventureiros. Os arraiais cresceram e se multiplicaram. Tensões pela influência política e poder sobre as lavras foram se agravando, até culminarem com a Guerra dos Emboabas, um conflito armado que também alcançou vastas regiões de Minas Gerais: principalmente as do rio das Velhas (Sabará), rio das Mortes (São João del-Rei) e Vila Rica (Ouro Preto). Nas proximidades de São João del-Rei, durante a guerra, ocorreu o episódio conhecido como Capão da Traição.

A criação da Vila editar

Em 8 de dezembro de 1713, no âmbito da capitania de São Paulo e Minas do Ouro, o Arraial do Rio das Mortes alcançou foros de vila com o nome de São João del-Rei, em homenagem ao rei João V do Portugal.

Cabeça de comarca editar

 
Mapa da Comarca do Rio das Mortes em 1777

Em 1714, passou a ser a sede da recém-criada Comarca do Rio das Mortes, parte da capitania de São Paulo e Minas do Ouro, sendo, a partir de 1720, incorporada à capitania de Minas Gerais.

Elevação à cidade editar

O ouro, a pecuária e a agricultura permitiram o desenvolvimento e progresso da vila, elevada à categoria de cidade a 8 de dezembro de 1838.

Geografia editar

Localização geográfica editar

 
Córrego do Lenheiro no Centro Histórico de São João del-Rei
 
Represa de Camargos

21º 08' 00" Sul (latitude) e 44º 15' 40" Oeste (longitude). Conforme a classificação geográfica mais moderna (2017) do IBGE, São João del-Rei é o município principal da Região Geográfica Imediata de São João del-Rei, na Região Geográfica Intermediária de Barbacena.[16]

Circunscrição eclesiástica editar

O município é sede da Diocese de São João del-Rei, criada em 1960, desmembrada da Arquidiocese de Mariana, Arquidiocese de Juiz de Fora e Diocese da Campanha.[17] A Diocese de São João forma, juntamente com a diocese de Leopoldina e a Arquidiocese de Juiz de Fora, a Província Eclesiástica de Juiz de Fora.[18] Sua sé episcopal está na Catedral Metropolitana de Juiz de Fora.[19]

Hidrografia editar

São João del-Rei está inserida na bacia do rio Grande, sendo o rio das Mortes o principal entre os rios que banham a cidade.

Rios
Rio Elvas | Rio das Mortes Pequeno | Rio das Mortes

Relevo editar

A sede do município se localiza num grande vale, entre a Serra de São José (leste) e a Serra do Lenheiro (oeste).

Formações rochosas
Serra do Lenheiro | Serra de São José
Ponto culminante do município
Morro do Chapéu, no Distrito de Emboabas - 1 338 metros (altitude)

Vegetação editar

São João del-Rei possui uma diversidade ecológica grandiosa, com uma biodiversidade representativa de alguns ecossistemas importantes do bioma Mata Atlântica e Cerrado. No seu relevo, formado pelas serras do complexo da Mantiqueira, observa-se uma vegetação de cerrado, com a presença de campos limpos e araucárias nas partes mais altas, especialmente a partir de 1.100 metros de altitude.

Fauna editar

Apresenta um potencial notável para a avifauna, onde é possível encontrar espécies representativas de alguns ecossistemas importantes dos biomas Mata Atlântica e Cerrado. Destaque para o jacu, araras (Aratinga leucophthalmus), saíra-dourado (Tangara cyanoventris). Entre os mamíferos, encontramos grandes quantidades de macacos que alegram e dão um toque especial ao turismo local, como o sauá (Callicebus personatus) e os saguis-de-tufo-preto (Callithrix penicillata). Apesar de rara, a suçuarana ainda ocorre na região.

Clima editar

Clima tropical de altitude, caracterizado por verões quentes e úmidos, apresentando média térmica compensada anual de 19 °C, seu clima é o Clima subtropical de altitude, com inverno seco e verão ameno (Cwb), de acordo com a classificação de Köppen). Conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1961 a 1972, 1974 a 1984, 1986 a 1988, 1990 a 2003 e a partir de 2005, a menor temperatura registrada em São João del-Rei foi de 0,4 °C em 18 de julho de 2000 e a maior atingiu 37,8 °C em 3 de outubro de 2020.[20][21][22] O maior acumulado de precipitação em 24 horas chegou 179 milímetros (mm) em 13 de fevereiro de 2020. Outros acumulados iguais ou superiores a 100 mm foram: 137,6 mm em 24 de janeiro de 1992, 114,3 mm em 9 de novembro de 1970, 108,1 mm em 14 de janeiro de 1992, 106 mm em 12 de janeiro de 1982, 105,8 mm em 3 de janeiro de 1997, 104 mm em 1° de fevereiro de 1966 e 102,7 mm em 23 de dezembro de 1986.[22][23] O menor índice de umidade relativa do ar ocorreu nas tardes dos dias 26 de julho de 2006, 6 de setembro de 2011 e 8 de agosto de 2014, de apenas 10%, caracterizando estado de emergência. Desde 2006 a maior rajada de vento registrada alcançou 38,7 m/s (139,3 km/h) em 16 de novembro de 2008.[21][22]

Dados climatológicos para São João del-Rei
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima recorde (°C) 36,4 34,4 33,9 31,8 31,1 29,8 29,7 33,7 36,9 37,8 37,6 34,1 37,8
Temperatura máxima média (°C) 28,1 28,5 27,7 27,1 24,7 23,9 23,7 25,3 25,9 27 27 27,1 26,3
Temperatura média compensada (°C) 21,8 21,9 21,1 20 17,4 15,9 15,7 16,8 18,6 20,1 20,7 21,1 19,3
Temperatura mínima média (°C) 17,2 17,2 16,6 15,1 12,4 10,4 10,1 10,8 13,2 15 16,1 16,7 14,2
Temperatura mínima recorde (°C) 10 10,7 9,6 5 3 1 0,4 1,4 1,4 5,6 6,9 7,8 0,4
Precipitação (mm) 320,4 183,8 192,9 65,1 41 15,1 11,5 22,4 78,3 129,2 195,5 326,8 1 582
Dias com precipitação (≥ 1 mm) 17 12 11 6 4 2 2 3 6 9 13 18 103
Umidade relativa compensada (%) 77 75,2 77,1 75,9 75,8 74,1 71,1 66,9 69,3 70,9 74,3 77,3 73,7
Horas de sol 171,1 168,6 155,3 185,7 174 155,2 190,8 182,3 149,3 164,7 153,8 126,5 1 977,3
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (normal climatológica de 1981-2010;[24] recordes de temperatura: 01/01/1961 a
31/05/1972, 11/03/1974 a 31/12/1984, 01/01/1986 a 31/12/1988, 01/01/1990 a 31/05/2003 e 01/04/2005-presente)[20][21][22][25]

Divisão territorial editar

Bairros editar

 
Vila Belizário - Bairro fora da Região histórica. Verticalização recente e acentuada.

O perímetro urbano de São João del-Rei possui, oficialmente, 08 bairros: Centro, Fábricas, Colônia do Marçal, Bonfim, Tijuco, Matosinhos, Senhor dos Montes e Jardim Central. O inciso C, do artigo 67, da Lei Orgânica do Município de São João del-Rei estabelece que a divisão administrativa do Município, em bairros e distritos que tenham mais dez mil habitantes.[26]

Distritos editar

O município possui seis distritos: São João del-Rei (sede), Arcângelo, São Sebastião da Vitória, Rio das Mortes, São Gonçalo do Amarante e Emboabas[27]

Demografia editar

Dados do Censo IBGE 2021:

Os três maiores bairros de São João del-Rei, em número de habitantes, são: Matosinhos (20 153), Tijuco (15 699) e Colônia do Marçal (9 986), conforme o Censo IBGE 2010.

Política e administração editar

 
Fórum em primeiro plano e o edifício do Ministério Público de Minas Gerais em vermelho mais ao fundo.

Poder Legislativo editar

A Câmara municipal de São João del-Rei é composta, atualmente, por 13 vereadores.

Justiça editar

Poder executivo editar

Ministério Público editar

Sedia-se na cidade a Promotoria de Justiça de São João del-Rei do Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG). No âmbito federal, a Procuradoria da República no Município de São João del-Rei do Ministério Público Federal.

Polícia judiciária editar

A cidade sedia a 3ª Delegacia Regional de Polícia Civil.

Polícia Militar editar

Há na cidade o 38º Batalhão de Polícia Militar, sediado em São João, e unidade da Polícia Militar Rodoviária e Ambiental, vinculada à 13ª Cia PM MAmb, sediada em Barbacena.

Polícia penal editar

O Presídio de São João del-Rei é parte da 13ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp) do Departamento Penitenciário da Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais.

Poder Judiciário editar

Estadual editar

No âmbito do poder judiciário estadual, encontra-se na cidade o fórum da Comarca de São João del-Rei.

Federal editar
Justiça comum editar

Há também a Subseção Judiciária de São João del-Rei, originalmente vinculada ao TRF-1, em processo de transferência para o TRF-6.

Justiça do trabalho editar

Ainda em termos de poder judiciário, cidade sedia a Vara do Trabalho de São João del-Rei do TRT-3.

Economia editar

 
Estabelecimentos comerciais no Centro Histórico

Agricultura editar

São João del-Rei se destaca em termos de produção agrícola, tendo em vista a enorme área do município. Para dar suporte ao produtor rural, foi fundada, em 2003, no campus Ctan da Universidade Federal de São João del-Rei, a Fazenda Experimental Risoleta Neves da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais.

Indústria editar

A cidade possui importantes empresas nas áreas de têxteis, metalurgia, alimentícia, entre outras, sendo então um dos principais polos industriais do Campo das Vertentes. Estão localizadas na cidade multinacionais como a Bozel Brasil S/A, que foi adquirida pela Japan Metals & Chemicals (JMC), e a LSM Brasil S/A (Antiga Fluminense).[28]

Comércio editar

O comércio é um dos grandes geradores de emprego e renda, pois se consolidou como um dos atrativos que fazem de São João del-Rei uma cidade-polo. A cidade possui grande variedade de lojas de vários setores.

Estrutura urbana editar

Educação editar

 
Portaria do campus Santo Antônio da Universidade Federal de São João del-Rei

Há em São João del-Rei várias instituições de ensino, nos vários níveis e modalidades. A cidade também sedia a 34ª Superintendência Regional de Ensino (SRE), unidade regional da Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais. Segundo dados do IBGE/2008, a SRE-SJDR atua nos 19 municípios pertencentes a microrregião de São João del-Rei:

A cidade possui, em funcionamento, várias escolas, públicas e privadas, desde a educação infantil até o ensino médio. Há o Sistema Municipal de Educação, a Superintendência Regional de Educação da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, o Colégio Tiradentes da PMMG e a oferta de ensino médio no Campus do Instituto Federal do Sudeste de Minas.

A Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) é a principal instituição de nível superior do município. Conta ainda com o Instituto de Ensino Superior Presidente Tancredo Neves (IPTAN), o Campus São João del-Rei do Instituto Federal do Sudeste de Minas (IF-Sudeste), e polos de educação a distância da Universidade Aberta do Brasil, do Centro Universitário Internacional (UNINTER), Universidade Paulista (UNIP), Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) e da Universidade Católica de Brasília (UCB).

UFSJ editar

A UFSJ é uma instituição de ensino superior pública federal, instituída pela Lei 7.555 de 28 de dezembro de 1986,[29] a Fundação de Ensino Superior de São João del-Rei (FUNRei) foi o resultado da reunião e federalização de duas instituições: Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras até então mantida pela Inspetoria de São João Bosco e criada pelo Decreto Federal nº 34.392, de 27 de outubro de 1953; e a Fundação Municipal de São João del-Rei, criada pela Lei Municipal nº. 1.177, de 6 de outubro de 1970, mantenedora da Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis (FACEAC) e da Faculdade de Engenharia Industrial (FAEIN). As 3 faculdades citadas permaneceram até a entrada em vigor do estatuto e regimento da FUNRei de 1990, que instituiu uma estrutura departamental. A FUNRei foi transformada em Universidade através da Lei nº 10.425, de 19 de abril de 2002, passando a chamar-se Universidade Federal de São João del-Rei, utilizando a sigla eleita pela comunidade acadêmica UFSJ.

UNIPTAN editar

O UNIPTAN é uma instituição privada de ensino superior, criada em 16 de junho de 1999, como Instituto de Ensino Superior Presidente Tancredo Neves (IPTAN). Em 26 de julho de 2017 foi elevado à categoria de Centro Universitário, adotando o nome atual.[30]

Saúde editar

 
Hospital Nossa Senhora das Mercês

O município de São João del-Rei é Gestão Plena no Sistema Municipal de Saúde. É também o município polo microrregional, onde está instalada a Gerência Regional de Saúde de São João del-Rei (unidade da Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais). A cidade conta com vários postos de saúde tradicionais e de Unidades Básicas de Saúde, e com mais de dez unidades que fazem parte do PSF. O pronto atendimento (Urgência e Emergência) é realizado na UPA 24h Antônio Andrade Reis Filho. Atualmente, foi implantado na cidade uma unidade regional do SAMU, responsável por atender São João del-Rei e região.

A cidade também conta com: a Farmácia Popular do Brasil, uma unidade do Centro Viva Vida, o CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento), Clínica Municipal Especializada da Mulher e da Criança (Núcleo Materno e Infantil), Rede Viva Vida, Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), dentre outros equipamentos de saúde.

Transportes editar

 
Ponte da Cadeia no centro histórico da cidade

O sistema de transporte coletivo municipal de São João del-Rei é feito pela empresa Viação Presidente que opera as linhas urbanas na cidade (sede e distritos). A frota é constituída por ônibus com idade média de 6 anos, sendo que a maior parte dela possui veículos adaptados com elevadores para a acessibilidade de cadeirantes. Todos os veículos são monitorados por câmaras de segurança e equipados com bilhetagem eletrônica, o que permite o uso de cartão eletrônico nos coletivos. Diariamente, cerca de 15 mil pessoas utilizam os ônibus urbanos em São João del-Rei. Atualmente a cidade dispõe de cerca de 20 linhas urbanas regulares, interligando as diversas regiões da cidade.

Ainda dentro do município, opera a Viação Rocha, ligando a sede ao distrito de São Gonçalo do Amarante, e a Transilveira, ligando a sede ao distrito de São Sebastião da Vitória, mas especificamente ao povoado de Caquende, às margens do lago da Usina Hidrelétrica de Camargos. A Viação Presidente opera as linhas que ligam São João del-Rei (Sede) aos distritos de Rio das Mortes, Valo Novo e São Sebastião da Vitória.

O município também tem ligação com as cidades históricas de Mariana e Ouro Preto na região central de Minas, por meio da Viação Útil, na linha em trânsito São Paulo/Mariana e Ouro Preto.

O município também oferece uma ligação ferroviária com a cidade vizinha e histórica de Tiradentes, por meio de composições lideradas por locomotivas a vapor (popularmente conhecidas como maria fumaça), que operam neste trecho continuamente desde 1881. A via férrea de quase 12 quilômetros, em bitola de 762 mm, remanescente da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM), se encontra preservada desde 1984, estando tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Atualmente, a linha turística é mantida pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), que obteve a concessão de parte da malha da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA).[31]

O aeroporto de São João del-Rei é o principal aeroporto da região Campos das Vertentes. Sua administração é de responsabilidade da empresa Socicam, contratada pela Prefeitura Municipal de São João del-Rei. A TRIP Linhas Aéreas foi a companhia aérea responsável pelas operações. Os principais destinos eram: Belo Horizonte e Rio de Janeiro (com voos diretos), Campinas, Montes Claros, Juiz de Fora, Uberlândia, Ipatinga, São Paulo (conexão), dentre outros. Havia a possibilidade de conexão com várias outras cidades do país.

Cultura editar

São João del-Rei, 1957. Arquivo Nacional.

Museus editar

 
Rua Santo Antônio, caminho dos bandeirantes e conhecida como a "Rua das Casas Tortas"
 
Teatro Municipal

Entre os museus há o Memorial Tancredo Neves ou Fundação Presidente Tancredo Neves é um museu criado em 8 de dezembro de 1990 que tem a responsabilidade de preservar e disponibilizar ao público o acervo referente à memória do ex-presidente Tancredo Neves.

Há também o Museu Regional de São João del-Rei, o Museu de Arte Sacra, o Memorial Cardeal Dom Lucas Moreira Neves, o Museu Municipal Tomé Portes del-Rei, o Museu dos Sinos e o Museu do Barro.

Biblioteca editar

No município há a mais antiga biblioteca pública de Minas Gerais, a Biblioteca Municipal "Baptista Caetano d'Almeida", hoje situada na praça Frei Orlando, 90, no centro da cidade.[32]

Patrimônio histórico editar

 
Sino da Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte Carmelo

A cidade de São João del-Rei possui vasta herança patrimonial, tanto de "pedra e cal" quanto bens intangíveis. São importantes entre outros os seguintes monumentos:

Patrimônio cultural editar

A Orquestra Lira Sanjoanense, a mais antiga orquestra da América ainda em atividade, preserva um importante arquivo musical e apresenta-se regularmente nas funções das irmandades do Rosário, Mercês e Nossa Senhora da Boa Morte da Paróquia de Nossa Senhora do Pilar.[34]

Dialeto local editar

Segundo o Esboço de um Atlas Linguístico de Minas Gerais (EALMG), realizado pela UFJF em 1977, o dialeto local é o mineiro.[35][36]

Personalidades ilustres editar

Esportes editar

A cidade é sede do Athletic Club, que joga no Campeonato Mineiro. O time foi campeão do interior 2022[37] e 2023[38] e da Recopa Mineira 2023.[39]

Também sedia o Figueirense Esporte Clube, campeão da Copa TV Panorama de Futebol Regional em 2003.[40]

Ver também editar

Referências

  1. a b c d Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). «São João del-Rei». Consultado em 28 de setembro de 2020. Cópia arquivada em 17 de fevereiro de 2024 
  2. a b c Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). «São João del-Rei». Consultado em 1 de junho de 2015. Cópia arquivada em 8 de março de 2019 
  3. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (9 de setembro de 2013). «São João del-Rei - Unidades territoriais do nível Distrito». Consultado em 17 de fevereiro de 2024. Cópia arquivada em 17 de fevereiro de 2024 
  4. União Brasil. «Representantes». Consultado em 29 de setembro de 2022 
  5. Atlas do Desenvolvimento Humano (29 de julho de 2013). «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil» (PDF). Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Consultado em 27 de fevereiro de 2015. Arquivado do original (PDF) em 8 de julho de 2014 
  6. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2021). «Produto Interno Bruto dos Municípios - 2021». Consultado em 17 de fevereiro de 2024. Cópia arquivada em 17 de fevereiro de 2024 
  7. «Há tempos apreciada...». Idas Brasil. Consultado em 1º de janeiro de 2015 
  8. «A Lenda dos Diamantes - Lenda de Diamantina». Descubra Minas. Consultado em 1º de janeiro de 2015 
  9. H. V. Castro Coelho. «Genealogia Paulistana - Título Farias Sodrés (Primeiras Gerações)» (PDF). Revista da ASBRAP (2): 139 - 151. Consultado em 7 de dezembro de 2018. Cópia arquivada (PDF) em 19 de julho de 2018 
  10. Instituto Histórico, Geográphico e Etnográphico do Brazil (1872). Revista trimensal do Instituto Histórico, Geográphico e Etnográphico do Brazil: fundado no Rio de Janeiro. 35. Rio de Janeiro: Instituto Histórico, Geográphico e Etnográphico do Brazil. p. 270 
  11. «Jaguara, o bandeirante faminto por vidas». Almanaque Urupês. Consultado em 25 de dezembro de 2021 
  12. «Gaspar Vaz da Cunha». Campos do Jordão Cultura. Consultado em 25 de dezembro de 2021 
  13. Romeiro 2008, p. 52-53.
  14. Dicionário Histórico Geográfico de Minas Gerais de Waldemar de Almeida Barbosa
  15. Romeiro 2008, p. 51.
  16. «Divisões Regionais do Brasil | IBGE». www.ibge.gov.br. Consultado em 15 de junho de 2022 
  17. Silveira, Lucas. «Diocese ganha novo mapa territorial após criação de novas foranias». Diocese de São João del Rei. Consultado em 18 de fevereiro de 2023 
  18. «CNBB Leste 2». CNNB Leste 2. Consultado em 19 de fevereiro de 2023 
  19. «Catedral Metropolitana de Juiz de Fora». Consultado em 21 de janeiro de 2013 
  20. a b Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). «BDMEP - série histórica - dados diários - temperatura mínima (°C) - São João del-Rei». Consultado em 28 de dezembro de 2015 
  21. a b c INMET. «Estação: SÃO JOÃO DEL REI (A514)». Consultado em 21 de julho de 2020 
  22. a b c d INMET. «Gráficos». Consultado em 21 de julho de 2020 
  23. INMET. «BDMEP - série histórica - dados diários - precipitação (mm) - São João del-Rei». Consultado em 28 de dezembro de 2015 
  24. INMET. «NORMAIS CLIMATOLÓGICAS DO BRASIL». Consultado em 4 de julho de 2018 
  25. INMET (1979). «Normais Climatológicas do Brasil (1931-1960)» 2 ed. Rio de Janeiro. Consultado em 21 de julho de 2020 
  26. Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais. «Lei Orgânica de São João del-Rei». Consultado em 23 de março de 2021 
  27. «Dados de distritos de MG». 10 de agosto de 2017. Consultado em 24 de fevereiro de 2023. Cópia arquivada em 10 de agosto de 2017 
  28. Resende, José Venâncio de. «No campo das vertentes, uma economia divsersificada». Jornal das Lajes. Consultado em 26 de agosto de 2023 
  29. BRASIL (23 de dezembro de 1986). «Lei nº 7.555/1986: Autoriza o Poder Executivo a instituir a Fundação de Ensino Superior de São João Del Rei e dá outras providências.». Governo Federal. Consultado em 13 de janeiro de 2015 
  30. «Parecer CNE/CES nº 262/2017». 27 de julho de 2017. Consultado em 18 de setembro de 2017 
  31. «São João del Rey -- Estações Ferroviárias do Estado de Minas Gerais». www.estacoesferroviarias.com.br. Consultado em 2 de junho de 2020 
  32. «LISTA DAS BIBLIOTECAS PÚBICAS MUNICIPAIS DO ESTADO DE MINAS GERAIS» (PDF)  Governo de Minas. Acesso em 9 de abril de 2017.
  33. «São João del Rey -- Estações Ferroviárias do Estado de Minas Gerais». www.estacoesferroviarias.com.br. Consultado em 2 de junho de 2020 
  34. "Lira Sanjoanense: 240 anos de tradição na música em SJDR". Vertentes Agência de Notícias, 05/06/2016
  35. «Esboço de um Atlas Linguístico de Minas Gerais (EALMG)». alib.ufba.br. Consultado em 15 de junho de 2022 
  36. «Pseudolinguista: Mapa dos sotaques em Minas Gerais». Pseudolinguista. Consultado em 15 de junho de 2022 
  37. «Athletic se consagra campeão do interior após vencer Caldense nos pênaltis». Emboabas. 4 de abril de 2022. Consultado em 24 de fevereiro de 2023 
  38. Superesportes (4 de março de 2023). «Mineiro 2023: veja times das semifinais, Troféu Inconfidência e repescagem». Superesportes. Consultado em 5 de março de 2023 
  39. del-Rei, Rádio São João (14 de janeiro de 2023). «ATHLETIC CLUB É O CAMPEÃO DA RECOPA MINEIRA DE 2022». Rádio São João del-Rei. Consultado em 24 de fevereiro de 2023 
  40. van-ufsj (11 de fevereiro de 2014). «Figueirense, único time profissional de São João del-Rei». VAN - Vertentes Agência de Notícias. Consultado em 24 de fevereiro de 2023 

Bibliografia editar

Ligações externas editar

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
  Citações no Wikiquote
  Categoria no Commons