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Eleições estaduais em Minas Gerais em 1950

As eleições estaduais em Minas Gerais em 1950 ocorreram em 3 de outubro como parte das eleições gerais no Distrito Federal, em 20 estados e nos territórios federais do Acre, Amapá, Rondônia e Roraima. Nesse dia foram eleitos o governador Juscelino Kubitschek, o vice-governador Clóvis Salgado da Gama e o senador Artur Bernardes Filho, além de 38 deputados federais e 72 estaduais.[1][nota 1]

‹ 1947 Brasil 1954
Eleições estaduais em  Minas Gerais em 1950
3 de outubro de 1950
(Turno único)
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Candidato Juscelino Kubitschek Gabriel Passos
Partido PSD UDN
Natural de Diamantina, MG Itapecerica, MG
Vice Clóvis Salgado da Gama Pedro Aleixo
Votos 714.664 544.086
Porcentagem 56,78% 43,22%


Brasão de Minas Gerais.svg
Governador de Minas Gerais

Nascido em Diamantina, Juscelino Kubitschek estudou num seminário onde concluiu o curso de Humanidades antes dos quinze anos. Telegrafista na Repartição Geral dos Telégrafos, usou seus rendimentos para custear a faculdade de Medicina, curso onde se formou em 1927 pela Universidade Federal de Minas Gerais com especialização em Urologia em Paris. Além de seu próprio consultório, prestou serviços à Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte e ao Hospital da Polícia Militar de Minas Gerais. Em 1931 casou-se com Sarah Gomes de Lemos e após dois anos assumiria a chefia da Casa Civil no governo Benedito Valadares. Eleito deputado federal via Partido Progressista em 1934, perdeu o mandato ante a imposição do Estado Novo em 1937.[2] De volta à chefia do Serviço de Urologia do Hospital da Polícia Militar, recebeu a patente de tenente-coronel em 1938 e logo depois assumiu a direção do Serviço de Cirurgia acumulando-o com os serviços prestados à Santa Casa. Nomeado prefeito de Belo Horizonte por Benedito Valadares em 1940, elegeu-se deputado federal via PSD em 1945, assinou a Constituição de 1946 e foi eleito governador de Minas Gerais em 1950.[3][nota 2]

Natural de Leopoldina, o médico Clóvis Salgado da Gama formou-se pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e ao regressar à terra onde nasceu fundou o jornal Nova Fase, marco inicial de sua carreira política. Membro da Aliança Liberal, apoiou a candidatura de Getúlio Vargas à presidência da República embora após a Revolução de 1930 tenha ingressado na oposição à Era Vargas por solidariedade ao ex-presidente Artur Bernardes de quem foi correligionário no extinto Partido Republicano Mineiro. Durante o Estado Novo lecionou à Faculdade Nacional de Medicina e na Universidade de Minas Gerais. Em 1942 ajudou a organizar a Cruz Vermelha em Minas Gerais e após dois anos assumiu a direção do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Filiado ao PR foi eleito vice-governador na chapa de Juscelino Kubitschek em 1950 e assumiu o poder em 31 de março de 1955 quando o governador renunciou ao mandato para disputar a Presidência da República e após a vitória de JK foi nomeado ministro da Educação.[4]

Na eleição para senador o vitorioso foi o advogado Artur Bernardes Filho. Mineiro de Viçosa, graduou-se na Universidade Federal do Rio de Janeiro e foi secretário-geral da Presidência da República durante o mandato de seu pai, Artur Bernardes. Fiscal do governo de Minas Gerais junto ao Banco Hipotecário e Agrícola no rastro da Revolução de 1930, passou a fazer oposição à Era Vargas como integrante do Partido Republicano Mineiro e em razão disso foi preso por seu apoio à Revolução Constitucionalista de 1932. Anistiado pela Constituição de 1934, ele e seu pai foram eleitos deputados federais no ano em questão, embora seus mandatos tenham sido extintos pelo Estado Novo.[5] Preso e deportado, Bernardes Filho ingressou no ramo industrial ao voltar ao país e foi assessor jurídico da Companhia de Seguros Equitativa do Brasil. Signatário do Manifesto dos Mineiros em 1943, elegeu-se deputado federal ao lado do pai via PR em 1945 e ambos assinaram a Constituição de 1946,[6] sendo que Artur Bernardes Filho venceu a eleição para senador em 1947 e foi reeleito em 1950.[7][nota 3]

Índice

Resultado da eleição para governadorEditar

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral houve 1.258.750 votos nominais (94,28%), 50.712 votos em branco (3,80%) e 25.582 votos nulos (1,92%) resultando no comparecimento de 1.335.044 eleitores.[1][nota 4]

Candidatos a governador do estado
Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Juscelino Kubitschek
PSD
Ver abaixo
-
-
PSD, PR
714.664
56,78%
Gabriel Passos
UDN
Ver abaixo
-
-
UDN, PDC
544.086
43,22%
  Eleito

Resultado da eleição para vice-governadorEditar

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral houve 1.197.870 votos nominais (89,73%), 108.538 votos em branco (8,13%) e 28.636 votos nulos (2,14%) resultando no comparecimento de 1.335.044 eleitores.[1][nota 4]

Candidatos a vice-governador
Candidatos a governador do estado Número Coligação Votação Percentual
Clóvis Salgado da Gama
PR
Ver acima
-
-
PSD, PR
676.914
56,51%
Pedro Aleixo
UDN
Ver acima
-
-
UDN, PDC
520.956
43,49%
  Eleito

Resultado da eleição para senadorEditar

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral houve 1.182.397 votos nominais (89,73%), 123.868 votos em branco (8,13%) e 28.779 votos nulos (2,14%) resultando no comparecimento de 1.335.044 eleitores.[1][nota 4]

Candidatos a senador da República
Primeiro suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Artur Bernardes Filho
PR
Ver abaixo
-
-
PSD, PR
566.520
47,91%
Amaro Lanari Júnior
UDN
Ver abaixo
-
-
UDN, PDC
454.728
38,46%
Joaquim Coelho Júnior
PSP
Ver abaixo
-
-
PSP (sem coligação)
161.149
13,63%
  Eleito

Resultado da eleição para suplente de senadorEditar

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral houve 1.145.007 votos nominais (85,77%), 165.332 votos em branco (12,38%) e 24.705 votos nulos (1,85%) resultando no comparecimento de 1.335.044 eleitores.[1][nota 4]

Primeiro suplente de senador
Candidatos a senador da República Número Coligação Votação Percentual
Péricles Pinto da Silva
PR
Ver acima
-
-
PSD, PR
556.277
48,58%
Francisco Magalhães Gomes
UDN
Ver acima
-
-
UDN, PDC
459.575
40,14%
Eurico Carteia Prado
PSP
Ver acima
-
-
PSP (sem coligação)
129.155
11,28%
  Eleito

Deputados federais eleitosEditar

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[8] Ressalte-se que os votos em branco eram considerados válidos para fins de cálculo do quociente eleitoral nas disputas proporcionais até 1997, quando essa anomalia foi banida de nossa legislação.[9]

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Ovídio de Abreu PSD 43.115 Pará de Minas   Minas Gerais
Benedito Valadares PSD 38.987 Pará de Minas   Minas Gerais
Vasconcelos Costa PSD 32.500 Sete Lagoas   Minas Gerais
Walter Athayde PTB 28.832 Barbacena   Minas Gerais
Euvaldo Lodi PSD 24.689 Ouro Preto   Minas Gerais
Magalhães Pinto UDN 24.408 Santo Antônio do Monte   Minas Gerais
Bias Fortes PSD 23.884 Barbacena   Minas Gerais
Osvaldo Costa PSD 21.280 Elói Mendes   Minas Gerais
Monteiro de Castro UDN 20.528 Sabará   Minas Gerais
Leopoldo Maciel UDN 18.895 Patos de Minas   Minas Gerais
Alberto Deodato UDN 18.689 Maruim   Sergipe
Olavo Bilac Pinto UDN 18.334 Santa Rita do Sapucaí   Minas Gerais
Israel Pinheiro PSD 18.128 Caeté   Minas Gerais
Carlos Luz PSD 17.663 Três Corações   Minas Gerais
Rondon Pacheco UDN 17.524 Uberlândia   Minas Gerais
Afonso Arinos UDN 17.253 Belo Horizonte   Minas Gerais
Licurgo Leite UDN 17.068 Muzambinho   Minas Gerais
Antônio Peixoto UDN 16.620 Jequitinhonha   Minas Gerais
Guilherme Machado UDN 16.578 Guanhães   Minas Gerais
José Bonifácio UDN 16.530 Barbacena   Minas Gerais
Guilhermino de Oliveira PSD 16.331 Belo Horizonte   Minas Gerais
Feliciano Pena PR 16.276 Santa Maria de Itabira   Minas Gerais
Manuel Peixoto UDN 15.664 Cataguases   Minas Gerais
Dilermando Cruz PR 15.631 Juiz de Fora   Minas Gerais
Olinto Fonseca PSD 15.209 Formiga   Minas Gerais
Jaeder Albergaria PSD 13.720 Caratinga   Minas Gerais
José Maria Alkmin PSD 13.250 Bocaiuva   Minas Gerais
Tristão da Cunha PR 13.203 Teófilo Otoni   Minas Gerais
Gustavo Capanema PSD 13.154 Bocaiuva   Minas Gerais
Mário Palmério PTB 11.797 Monte Carmelo   Minas Gerais
Uriel Alvim PSD 11.710 Belo Horizonte   Minas Gerais
Tancredo Neves PSD 11.515 São João del Rei   Minas Gerais
Daniel de Carvalho PR 10.821 Itabira   Minas Gerais
Hildebrando Bisaglia PTB 10.706 Juiz de Fora   Minas Gerais
Lúcio Bittencourt PTB 10.519 Juiz de Fora   Minas Gerais
Pinheiro Chagas PSD 10.489 Oliveira   Minas Gerais
Clemente Medrado PSD 10.467 Pedra Azul   Minas Gerais
Machado Sobrinho PTB 7.989 Juiz de Fora   Minas Gerais

Deputados estaduais eleitosEditar

Foram escolhidos 72 deputados estaduais para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais.[1][9][nota 5]

Deputados estaduais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Ultimo de Carvalho[nota 6] PSD 11.435 Juiz de Fora   Minas Gerais
José Vargas da Silva UDN 10.450
Fidelcino Viana UDN 9.776
Manoel Taveira UDN 9.550 Alfenas   Minas Gerais
Otelino Sol PSD 9.190
França Campos PSD 9.138 Diamantina   Minas Gerais
José Augusto PSD 9.138 Caeté   Minas Gerais
Dnar Mendes UDN 8.878 Rio Pomba   Minas Gerais
Maurício Andrade PSD 8.875 Lavras   Minas Gerais
Oscar Dias Correia UDN 8.758 Itaúna   Minas Gerais
Luiz Maranha PSD 8.611
Eduardo Lucas PSD 8.474
Soares de Figueiredo PSD 8.185
Augusto Costa[nota 7] PSD 8.172
Adolfo Portela[nota 8] PSD 7.879
José Ribeiro Pena PSD 7.710 Itapecerica   Minas Gerais
Simão da Cunha UDN 7.645 Abaeté   Minas Gerais
Osvaldo Pieruccetti UDN 7.608 Patrocínio   Minas Gerais
Rafael Caio UDN 7.540 Guanhães   Minas Gerais
José Grossi UDN 7.387 Ponte Nova   Minas Gerais
Horta Pereira UDN 7.360 Belo Horizonte   Minas Gerais
Hermelindo Paixão PSD 6.918
Fabrício Soares UDN 6.870
Milton Sales UDN 6.806
Antônio Pimenta PSD 6.774
Martins da Costa PSD 6.771
Carlos Prates[nota 9] PSD 6.749
Sinval Siqueira PTB 6.703
Castro Pires PSD 6.684
Ilacir Lima PTB 6.618
Emiliano Franklin PSD 6.575
Ernani Lemos UDN 6.513
José Cabral UDN 6.463
Emílio Vasconcelos PSD 6.390 Sete Lagoas   Minas Gerais
Cícero Dumont PR 6.329
Floriano Saretti PSD 6.312
José Chaves Ribeiro PSD 6.285 Salinas   Minas Gerais
Manoel Costa UDN 6.285 Rio Preto   Minas Gerais
Edson Rezende PSD 6.281
Augusto de Figueiredo PSD 6.278
Bolivar de Freitas PR 6.137
Edgar da Mata Machado UDN 6.104 Diamantina   Minas Gerais
Olavo Tostes Filho[nota 10] UDN 6.034
Paulo Campos UDN 5.943 Pompéu   Minas Gerais
Waldomiro Lobo PTB 5.940
Odilon Rezende UDN 5.904 Três Corações   Minas Gerais
Amadeu Andrada UDN 5.841
José Carvalheira UDN 5.799 Cataguases   Minas Gerais
José Raimundo PTB 5.633
Waldir Lisboa PTB 5.608
Cândido Ulhoa PTB 5.514
Cyro Maciel PR 5.432 Piranga   Minas Gerais
Whady Nassif PTB 5.387
Mário Hugo Ladeira PR 5.243 Rio Novo   Minas Gerais
Juarez Carmo PR 5.184
Sílvio Abreu PTB 5.173 Rio Preto   Minas Gerais
Arlindo Zanini PTB 5.124
Aurélio Mesquita PR 5.026
Euclides Cintra[nota 11] PTB 4.667
Celso Mota PSP 4.560
Magalhães Carneiro PR 4.438 Silvianópolis   Minas Gerais
Antônio Franco PTN 4.388
Gregoriano Canedo PR 4.275
Cornélio Dias PR 4.145
Lourival Brasil PTN 3.956 Estrela do Sul   Minas Gerais
Antônio Lunardi PTN 3.827
José Alcino Bicalho PTN 3.670 Miradouro   Minas Gerais
Pinto Coelho Filho PDC 3.513
Ricardo Pinto PDC 2.957
José Geraldo PRP 2.828
João Vaz PST 2.504
Heli Figueiredo PRP 1.959

Notas

  1. No Distrito Federal não houve eleição para governador, apenas para o Senado Federal.
  2. Os candidatos ao governo mineiro eram concunhados, pois Gabriel Passos era esposo de Amélia Gomes de Sousa Lemos cuja irmã, Sarah Kubitschek, casou-se com Juscelino Kubitschek.
  3. Os senadores eleitos em 1947 comporiam o "terço restante" da Câmara Alta tendo direito a apenas quatro anos de mandato.
  4. a b c d Ao todo 1.335.044 eleitores (68,93%) compareceram às urnas enquanto 601.647 (31,07%) se abstiveram num contingente de 1.936.691 inscritos.
  5. Os votos nominais de cada parlamentar correspondem aos divulgados no momento da apuração, não considerando eventuais discrepâncias mediante a posterior aceitação de recursos judiciais.
  6. Renunciou ao mandato em 15 de dezembro de 1954 a fim de tomar posse como tabelião propiciando a efetivação de Reni Rabelo.
  7. Renunciou ao mandato em 15 de junho de 1953 a fim de assumir a presidência da Caixa Econômica Estadual de Minas Gerais propiciando a efetivação de Ozanam Coelho.
  8. Renunciou ao mandato em 6 de dezembro de 1954 a fim de tomar posse como conselheiro do Tribunal de Contas de Minas Gerais propiciando a efetivação de João de Almeida.
  9. Renunciou ao mandato em 7 de dezembro de 1954 a fim de tomar posse como conselheiro do Tribunal de Contas de Minas Gerais propiciando a efetivação de José Ribeiro Navarro.
  10. Renunciou ao mandato em 5 de novembro de 1951 a fim de tomar posse como juiz de direito na cidade do Rio de Janeiro propiciando a efetivação de Hugo Gontijo.
  11. Perdeu o mandato em favor de Moreira Júnior que foi efetivado em 17 de maio de 1951 após uma nova totalização dos votos pela Justiça Eleitoral.

Referências