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Eleições estaduais em Pernambuco em 1982

As eleições estaduais em Pernambuco em 1982 ocorreram em 15 de novembro sob regras como voto vinculado, sublegendas e proibição de coligações partidárias a exemplo do ocorrido nos demais estados brasileiros. Neste dia o PDS elegeu o governador Roberto Magalhães, o vice-governador Gustavo Krause, o senador Marco Maciel e fez as maiores bancadas entre os 26 deputados federais e 50 estaduais que foram eleitos.[1][2][3][4][5][nota 1][nota 2]

1978 Brasil 1986
Eleições estaduais em  Pernambuco em 1982
15 de novembro de 1982
(Turno único)
Roberto Magalhães.jpg Marcos Freire (17664080206).jpg
Candidato Roberto Magalhães Marcos Freire
Partido PDS PMDB
Natural de Canguaretama, RN Recife, PE
Vice Gustavo Krause Fernando Coelho
Votos 913.774 816.085
Porcentagem 52,46% 46,86%


Brasão do estado de Pernambuco.svg
Governador de Pernambuco

Advogado formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1957 com Doutorado na Universidade Federal de Pernambuco, Roberto Magalhães é potiguar de Canguaretama e ocuparia um cargo para o qual seu tio, Agamenon Magalhães, fora eleito em 1950.[6] Professor do ensino superior, assessorou governadores como Cid Sampaio e Eraldo Gueiros antes de ingressar na ARENA e ser eleito indiretamente vice-governador em 1978 na chapa de Marco Maciel, a quem seguiu na filiação ao PDS. Com vistas ao pleito de 1982 ambos renunciaram aos mandatos e o Palácio do Campo das Princesas foi entregue a José Muniz Ramos, presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, até que o próprio Roberto Magalhães foi eleito governador no mesmo ano.[7] Apoiou a eleição de Tancredo Neves para presidente da República em 1985 e com a morte deste antes da posse hipotecou apoio a José Sarney e ingressou no PFL, agremiação pela qual disputou um mandato de senador em 1986.[8]

Nascido em Vitória de Santo Antão e formado pela Universidade Federal de Pernambuco em 1968, o advogado Gustavo Krause foi nomeado auditor do tesouro estadual em 1970. Oficial de gabinete de seu tio, Moura Cavalcanti, quando este era secretário de Administração de Paulo Guerra, seguiu próximo ao tio e foi seu chefe de gabinete no Ministério da Agricultura e quando Moura Cavalcanti chegou ao governo pernambucano em 1975, Krause assumiu o cargo de secretário de Fazenda. Após filiar-se à ARENA, foi nomeado prefeito do Recife pelo governador Marco Maciel, assumiu o cargo em 23 de março de 1979 e nele permaneceu até 1982, meses antes de eleger-se vice-governador pelo PDS. Quando o titular renunciou ao governo estadual em 1986, Gustavo Krause assumiu o poder sob a legenda do PFL.[9][10]

Por fim tivemos a vitória do advogado Marco Maciel. Natural do Recife, presidiu a União dos Estudantes de Pernambuco e formou-se em 1963 na Universidade Federal de Pernambuco. Assessor do governador Paulo Guerra, ingressou na ARENA e foi eleito sucessivamente deputado estadual em 1966 e deputado federal em 1970 e 1974. Ocupava a presidência da Câmara dos Deputados em 1977 quando o governo Ernesto Geisel outorgou o Pacote de Abril[nota 3] e em 1978 foi escolhido governador de Pernambuco migrando para o PDS no curso do mandato e por esta agremiação elegeu-se senador em 1982.[11][12] Prócer da Nova República, está entre os fundadores do PFL.

Resultado da eleição para governadorEditar

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral houve 154.406 votos em branco (7,91%) e 57.052 votos nulos (2,92%), calculados sobre o comparecimento de 1.953.216 eleitores.[1]

Candidatos a governador do estado
Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Roberto Magalhães
PDS
Gustavo Krause
PDS
1
PDS (sem coligação)
913.774
52,46%
Marcos Freire
PMDB
Fernando Coelho
PMDB
5
PMDB (sem coligação)
816.085
46,86%
Antônio Melo Costa
PTB
Hélio Seixas
PTB
4
PTB (sem coligação)
7.872
0,45%
Manoel da Conceição Santos
PT
Antônio Rios
PT
3
PT (sem coligação)
4.027
0,23%
  Eleito

Resultado da eleição para senadorEditar

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral houve 163.912 votos em branco (8,39%) e 63.304 votos nulos (3,24%), calculados sobre o comparecimento de 1.953.216 eleitores.[1][nota 4]

Candidatos a senador da República
Candidatos a suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Marco Maciel
PDS
Nivaldo Machado[nota 5]
PDS
Waldomiro Barros Costa
PDS
10
PDS (sem coligação)
926.771
53,69%
Cid Sampaio
PMDB
Salviano Machado
PMDB
Guilherme Robalinho
PMDB
50
PMDB (sem coligação)
788.191
45,67%
Hélio Nunes da Silva
PTB
-
PTB
40
PTB (sem coligação)
7.061
0,41%
Bruno Maranhão
PT
-
PT
30
PT (sem coligação)
3.977
0,23%
  Eleito

Deputados federais eleitosEditar

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[13][14]

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Miguel Arraes PMDB 191.471 Araripe   Ceará
Jarbas Vasconcelos[nota 6] PMDB 172.004 Vicência   Pernambuco
Antônio Farias PDS 83.202 Surubim   Pernambuco
José Jorge PDS 70.802 Recife   Pernambuco
Ricardo Fiuza PDS 63.188 Fortaleza   Ceará
Osvaldo Coelho PDS 62.090 Juazeiro   Bahia
José Moura PDS 59.735 Recife   Pernambuco
Nilson Gibson PDS 57.445 Recife   Pernambuco
José Mendonça Bezerra PDS 54.851 Belo Jardim   Pernambuco
Inocêncio Oliveira PDS 54.848 Serra Talhada   Pernambuco
Pedro Corrêa PDS 54.716 Rio de Janeiro   Rio de Janeiro
Gonzaga Vasconcelos PDS 53.252 Surubim   Pernambuco
Thales Ramalho[nota 7] PDS 51.609 João Pessoa   Paraíba
Geraldo Melo PDS 43.645 Jaboatão dos Guararapes   Pernambuco
João Carlos de Carli PDS 39.292 Rio de Janeiro   Rio de Janeiro
Josias Leite[nota 7] PDS 38.789 São José do Egito   Pernambuco
Fernando Lyra[nota 6] PMDB 36.638 Recife   Pernambuco
Carlos Wilson PMDB 35.359 Recife   Pernambuco
Mansueto de Lavor PMDB 30.668 Barbalha   Ceará
Arnaldo Maciel PMDB 28.918 Belo Jardim   Pernambuco
Egídio Ferreira Lima PMDB 28.650 Timbaúba   Pernambuco
José Carlos Vasconcelos PMDB 28.451 Recife   Pernambuco
Cristina Tavares PMDB 27.963 Garanhuns   Pernambuco
Roberto Freire PMDB 27.402 Recife   Pernambuco
Sérgio Murilo PMDB 26.680 Carpina   Pernambuco
Osvaldo Lima Filho PMDB 24.128 Cabo de Santo Agostinho   Pernambuco

Deputados estaduais eleitosEditar

Das cinquenta cadeiras da Assembleia Legislativa de Pernambuco o PDS levou vinte e oito e o PMDB vinte e dois.[1][14]

Notas

  1. Por força de um casuísmo político a eleição direta em Rondônia excluiu o cargo de governador enquanto nos territórios federais do Amapá, Rondônia e Roraima o pleito serviu apenas para a escolha de deputados federais não havendo eleições em Fernando de Noronha.
  2. A Lei n.º 6.091 permitiu que os pernambucanos radicados no Distrito Federal votassem para todos os cargos em disputa remetendo às urnas ao estado de origem.
  3. Nome dado ao conjunto de leis baixadas em 13 de abril de 1977 que fixou um mandato presidencial de seis anos, instituiu o "senador biônico", aumentou as bancadas de deputados federais em estados onde a ARENA era mais forte, manteve as eleições indiretas vigentes até então e reduziu para a maioria simples o quórum necessário para a aprovação de emendas constitucionais, dentre outras medidas.
  4. Quando um partido lançasse candidato único a senador os suplentes do mesmo seriam escolhidos em escrutínio separado respeitado o número de votos para definir a posição dos reservas na chapa.
  5. Ocupou o mandato de senador durante os dois primeiros anos do Governo Sarney quando o titular foi ministro da Educação e chefe da Casa Civil.
  6. a b Maurílio Ferreira Lima foi convocado quando Fernando Lyra foi ministro da Justiça no Governo Sarney e efetivado com a eleição de Jarbas Vasconcelos para prefeito do Recife em 1985.
  7. a b Airon Rios foi convocado após a nomeação de Josias Leite para a Secretaria de Desburocratização nos três primeiros meses do governo Roberto Magalhães (político)|Roberto Magalhães e efetivado após a renúncia de Thales Ramalho em 19 de fevereiro de 1986 para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas da União.

Referências

  1. a b c d «Banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral». Consultado em 5 de abril de 2018 
  2. «BRASIL. Presidência da República: Decreto-lei n.º 1.541 de 14/04/1977». Consultado em 9 de junho de 2018 
  3. «BRASIL. Presidência da República: Lei Complementar nº 41 de 22/12/1981». Consultado em 9 de junho de 2018 
  4. «BRASIL. Presidência da República: Lei n.º. 6.978 de 19/01/1982». Consultado em 9 de junho de 2018 
  5. «BRASIL. Presidência da República: Lei n.º 6.091 de 15/08/1974». Consultado em 9 de junho de 2018 
  6. «CPDOC – A Era Vargas: dos anos 1920 a 1945: biografia de Agamenon Magalhães». Consultado em 5 de abril de 2018 
  7. Magalhães promete consultar a oposição, mas só reservadamente (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 22/11/1982. Política/Eleições, p. 08. Página visitada em 6 de abril de 2018.
  8. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Roberto Magalhães». Consultado em 6 de abril de 2018 
  9. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Gustavo Krause». Consultado em 6 de abril de 2018 
  10. Prefeito é contra desperdício (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 24/03/1979. Política e Governo, p. 04. Página visitada em 6 de abril de 2018.
  11. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Marco Maciel». Consultado em 6 de abril de 2018 
  12. «Senado Federal do Brasil: senador Marco Maciel». Consultado em 6 de abril de 2018 
  13. «Página oficial da Câmara dos Deputados». Consultado em 5 de abril de 2018. Arquivado do original em 2 de outubro de 2013 
  14. a b «BRASIL. Presidência da República: Lei nº 9.504 de 30/09/1997». Consultado em 5 de abril de 2018