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Erythroxylaceae

Família de plantas com flor, da ordem Malpighiales, que inclui a coca.
(Redirecionado de Erythroxyleae)
Como ler uma infocaixa de taxonomiaErythroxylaceae
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Malpighiales
Família: Erythroxylaceae
Kunth
Géneros
Sinónimos
Flores de Erythroxylum coca (coca).
Folhagem e drupas de Erythroxylum coca (coca).

Erythroxylaceae Kunth - também chamada de “família da Coca” - é  uma das 36 famílias de Angiospermas incluídas atualmente na ordem Malpighiales, que são distribuídas pelas regiões tropicais e subtropicais do globo terrestre [1].

Diversidade taxonômicaEditar

A família Erythroxylaceae Kunth contém 4 gêneros reconhecidos (Aneulophus, Erythroxylum, Nectaropetalum, Pinacopodium), nos quais estão distribuídas atualmente 267 espécies. A maioria das espécies pertence ao gênero Erythroxylum P. Browne, contendo 258 espécies [2]. Os gêneros Aneulophus, Nectaropetalum e Pinacopodium são morfologicamente semelhantes entre si, e estão presentes somente no continente africano. Em Aneulophus, as folhas apresentam uma disposição oposta. Nectaropetalum distingue-se dos demais gêneros por não possuir bractéolas. Em relação à organização floral, Aneulophus, Erythroxylum e Nectaropetalum detêm flores fasciculadas, enquanto que em Pinacopodium encontram-se pseudoumbeladas. Nectaropetalum e Pinacopodium apresentam um ovário 2-locular e filetes ligeiramente conatos na base, em oposição ao conhecido gênero Erythroxylum, que possui um ovário trilocular e filetes unidos que originam um tubo estaminal. Este último gênero, é amplamente distribuído em regiões tropicais de todo o mundo [3].

MorfologiaEditar

As plantas da família Erythroxylaceae Kunth são encontradas em formas arbustivas ou em formas arbóreas de pequeno porte [4]. Suas folhas são simples, inteiras, geralmente alternas e possuem um tamanho variando entre 3 e 6 cm. Folhas opostas são raras na família, sendo encontradas apenas nas poucas espécies do gênero Aneulophus. Os nós do caule são unilacunares e em seu tronco ocorre um espessamento secundário que se desenvolve a partir da diferenciação do câmbio vascular [5].

As flores são pequenas, fasciculadas (exceto nas plantas do gênero Pinacopodium, que são pseudoumbeladas), hipóginas, actinomorfas, pentâmeras e geralmente monóicas, sendo as dióicas raras [3]. Podem ocorrer isoladas ou agrupadas em curtas inflorescências [6]. O cálice é persistente e 5-lobado. As sépalas são conectadas e possuem forma de sino. Suas pétalas são em 5, livres, decíduas e geralmente liguladas. Os estames são em 10, divididos em duas séries, unidos na base ou formando um tubo. O ovário é súpero, 2-4 locular, possuindo geralmente dois lóculos estéreis e apenas um fértil, com 1-2 óvulos por lóculos. Os estiletes são em 3, livres ou unidos. Não há disco nectário [7].

Seus frutos são do tipo drupa e estes abrigam apenas uma semente. O endosperma é amiláceo (não lipídico) e cada semente possui dois cotilédones, o que faz com que as plantas da família sejam classificadas como dicotiledôneas [7].

Importância econômicaEditar

As folhas de Erythroxylum coca e Erythroxylum novagranatense produzem alcalóides do grupamento tropano (cocaína). Este alcalóide já foi de importância econômica, sendo usufruído de forma medicinal. No século XX, era utilizado para o tratamento de doenças reumáticas, doenças gástricas, atonia e gengivite, por exemplo. Também era de uso legalizado na composição de anestésicos e de diversos produtos vendidos em farmácias, como xaropes e pastilhas. Após comprovada a toxicidade dos alcalóides extraídos da planta, em especial pelo uso contínuo e em altas doses, tornou-se uma substância ilegal, sendo considerada um amplo problema de saúde pública [8]. A Erythroxylum vacciniifolium é também de importância econômica, conhecida pelo nome popular catuaba. É uma espécie brasileira, sendo muito usada por suas propriedades afrodisíacas e como remédio para disfunção erétil. Atualmente, é muito comum encontrar em mercados a venda de bebidas alcoólicas à base de catuaba [9].

Domínios e Estados de ocorrência no BrasilEditar

Espécies da família Erythroxylaceae Kunth são encontradas em 5 domínios fitogeográficos brasileiros, sendo estes a Amazônia, a Caatinga, o Cerrado, a Mata Atlântica e o Pantanal. Os estados cuja presença de tais plantas é confirmada são, por região [3]:

  • Norte: Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins;
  • Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe;
  • Centro-Oeste: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso;
  • Sudeste: Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo;
  • Sul: Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina.

Relações filogenéticasEditar

Estudos utilizando dados morfológicos e moleculares elucidaram uma relação entre a família Erythroxylaceae Kunth com outra família de angiospermas da ordem Malpighiales, a Rhizophoraceae. Logo, estes foram inferidos como grupos-irmãos. Este clado tem como sinapomorfias: alcalóides do grupo tropano e pirrolidínico, presença de coléteres, gemas terminais protegidas por estípulas e embrião verde. Há a discordância entre especialistas na área em manter Erythroxylaceae Kunth como uma família independente ou inseri-la em Rhizophoraceae[1] [10].



Oxalidales (grupo externo)


Malpighiales

euphorbioides


Peraceae


  

Rafflesiaceae


  

Euphorbiaceae





phyllanthoides

Picrodendraceae



Phyllanthaceae



linoides

Linaceae



Ixonanthaceae






clado parietal 

salicoides




Salicaceae



Scyphostegiaceae




Samydaceae




Lacistemataceae






Passifloraceae



Turneraceae




Malesherbiaceae






Violaceae



Goupiaceae





Achariaceae




Humiriaceae






clusioides



Hypericaceae



Podostemaceae




Calophyllaceae





Clusiaceae



Bonnetiaceae




ochnoides

Ochnaceae




Quiinaceae



Medusagynaceae








Rhizophoraceae



Erythroxylaceae




Ctenolophonaceae





Pandaceae



Irvingiaceae





chrysobalanoides



Chrysobalanaceae



Euphroniaceae





Dichapetalaceae



Trigoniaceae





Balanopaceae



malpighioides


Malpighiaceae



Elatinaceae




Centroplacaceae




Caryocaraceae


putranjivoides

Putranjivaceae



Lophopyxidaceae






CuriosidadesEditar

Em países que apresentam elevadas altitudes, como a Bolívia, devido à  indisposição causada nas pessoas por consequência do ar rarefeito (pouco denso), há o costume local de mascar folhas da planta Erythroxylum coca, que aliviam os sintomas de dores de cabeça, náusea, tontura, perda de apetite e respiração curta [11].

Ligações externasEditar

ReferênciasEditar

  1. a b Chase, M. W.; Christenhusz, M. J. M.; Fay, M. F.; Byng, J. W.; Judd, W. S.; Soltis, D. E.; Mabberley, D. J.; Sennikov, A. N.; Soltis, P. S. (1 de maio de 2016). «An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG IV». Botanical Journal of the Linnean Society (em inglês). 181 (1): 1–20. ISSN 0024-4074. doi:10.1111/boj.12385 
  2. «Erythroxylaceae». The Plant List 1.1. Consultado em 22 de setembro de 2019 
  3. a b c «Erythroxylaceae in Flora do Brasil 2020 em construção.». Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Consultado em 13 de novembro de 2019 
  4. Sambamurty, A. V. S. S. (2005). Taxonomy of angiosperms. New Delhi: I.K. International. ISBN 8188237167. OCLC 841013792 
  5. «Exemplos Regionais de Plantas - Exemplo regional: Erythroxylum distortum Mart». Universidade Federal da Bahia (UFBA). Consultado em 22 de setembro de 2019 
  6. Watson, Leslie (8 de setembro de 2016). «Erythroxylaceae Kunth». Western Australian Herbarium. Consultado em 22 de setembro de 2019 
  7. a b Watson, Leslie. «Angiosperm families - Erythroxylaceae Kunth». DEscription Language for TAxonomy - interactive key. Consultado em 22 de setembro de 2019 
  8. Lima, Matheus Eugênio de Sousa; Cunha, Samuel Frota; Lopes, Lívia Maria Eugênio; Bachur, Tatiana Paschoalette Rodrigues (26 de fevereiro de 2018). «Uso da cocaína: de Chernoviz (1904) aos dias atuais». Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade. 11 (1). ISSN 1984-3577. doi:10.22280/revintervol11ed1.328 
  9. Zanolari, Boris. «Natural aphrodisiacs». Patrinum (em francês). doi:10.22005/bcu.15983 
  10. LIMA, James Lucas da Costa. Erythroxylaceae Kunth no norte do domínio Atlântico. 2014. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Pernambuco.
  11. PLOWMAN, Timothy; PACINI, Deborah; FRANQUEMONT, Christine. “Coca and cocaine: effects on people and policy in Latin America”. (1986): 5-34.

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