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Euphroniaceae

família de plantas com flor, da ordem Malpighiales, que agrupa arbustos do noroeste da América do Sul

DescriçãoEditar

As Euphroniaceae são um apequena família monogenérica com distribuição natural restrita ao Planalto das Guianas. São arbustos ou pequenas árvores, de folhagem perene, típicas das formações adaptadas à presença de neblinas e de precipitação horizontal.

MorfologiaEditar

Os membros da família Euphroniaceae são arbustos, raramente pequenas árvores (mesofanerófitos). As folhas são de filotaxia alterna, indivisas, recobertas na parte inferior por densos tricomas brancos ou acinzentados. As folhas apresentam pequenas estípulas cuja face inferior está recoberta por tricomas acinzentados.

As flores são bissexuais, com simetria radial (actinomorfas) e duplo perianto, reunidos em inflorescências racemosas insertas nas axilas das folhas. A flor apresenta um pequeno hipanto com 5 sépalas desiguais fundidas apenas na base. As três pétalas são livres. Existem dois pares de [8estame]]s, opostos e de comprimento desigual, férteis. A flor apresenta também um estaminódio longo e um a cinco estaminódios curtos em forma de dente. Os estames formam um tubo curto, fundidos com as pétalas. Os três carpelos estão fundidos num sincárpio, formando um ovário súpero de placentação vertical.

O fruto é uma cápsula dividido em 3 câmaras cada uma contendo uma única semente alada.

DistribuiçãoEditar

As espécies que integram esta família têm distribuição natural no Escudo das Guianas, ocorrendo em pequenas áreas da Venezuela, Guiana, Colômbia e noroeste do Brasil.[2]

Filogenia e sistemáticaEditar

FilogeniaEditar

Um estudo de filogenética molecular, realizado em 2012, usou dados resultantes da análise de um número alargado de genes e por essa via obteve uma árvore filogenética com maior resolução que a disponível nos estudos anteriormente realizados.[3] Nesse estudo foram analisados 82 genes de plastídeos de 58 espécies (a problemática família Rafflesiaceae não foi incluída), usando partições identificadas a posteriori pela aplicação de um modelo de mistura com recurso a inferência bayesiana. Esse estudo identificou 12 clados adicionais e 3 clados basais de maior significância.[4][3] A posição da família Euphroniaceae no contexto da ordem Malpighiales é a que consta do seguinte cladograma:



Oxalidales (grupo externo)


Malpighiales

euphorbioides


Peraceae


  

Rafflesiaceae


  

Euphorbiaceae





phyllanthoides

Picrodendraceae



Phyllanthaceae



linoides

Linaceae



Ixonanthaceae






clado parietal 

salicoides




Salicaceae



Scyphostegiaceae




Samydaceae




Lacistemataceae






Passifloraceae



Turneraceae




Malesherbiaceae






Violaceae



Goupiaceae





Achariaceae




Humiriaceae






clusioides



Hypericaceae



Podostemaceae




Calophyllaceae





Clusiaceae



Bonnetiaceae




ochnoides

Ochnaceae




Quiinaceae



Medusagynaceae








Rhizophoraceae



Erythroxylaceae




Ctenolophonaceae





Pandaceae



Irvingiaceae





chrysobalanoides



Chrysobalanaceae



Euphroniaceae





Dichapetalaceae



Trigoniaceae





Balanopaceae



malpighioides


Malpighiaceae



Elatinaceae




Centroplacaceae




Caryocaraceae


putranjivoides

Putranjivaceae



Lophopyxidaceae






A família Euphroniaceae é o grupo irmão da família Chrysobalanaceae, com a qual partilha algumas características morfológicas. A família Euphroniaceae é filogeneticamente próxima das famílias Trigoniaceae, Dichapetalaceae, Balanopaceae e, muito especialmente, da família Chrysobalanaceae R.Br..

SistemáticaEditar

A espécies que na presente circunscrição taxonómica integram a família Euphroniaceae estiveram classificados pelos sistemas de base morfológica em diversas famílias, com destaque para as Vochysiaceae A.St.-Hil. (da ordem Myrtales). Com o advento dos sistemas de base molecular foram transferidas para o grupo das Malpighiales e a partir da publicação do sistema APG III, de 2009, foram reconhecidas como a família Euphroniaceae tendo Euphronia como género tipo.[5]

Por sua vez o género Euphronia fora originalmente descrito em 1824 por Carl Friedrich Philipp von Martius e Joseph Gerhard Zuccarini,quando publicaram a descrição de Euphronia hirtelloides como uma nova espécie.[6][7] Em 1918, o botânico alemão Johannes Gottfried Hallier reclassificou a espécie então conhecida como Lightia guianensis como Euphronia guianensis.[8] Em 1987, o botânico norte-americano Julian Alfred Steyermark descreveu a terceira espécie do género, a que deu o nome de Euphronia acuminatissima. Sinónimos taxonómicos de Euphronia Mart. & Zucc. são: Lightia R.H.Schomb. e Lightiodendron Rauschert.

A família foi descrita por Luis Marcano-Berti e publicado em Pittieria 18: 16. 1989.[9] O género tipo é Euphronia. A proposta de criação da família assentou na constatação de que este género era suficientemente diferente dos grupos que lhe são filogeneticamente próximos para ser elevado ao nível taxonómico de família. Uma análise com recurso às técnicas da filogenia molecular feita em 1989 ao género e aos agrupamentos próximos sustenta a decisão de reter o género numa família monotípica.[10]

No género Euphronia, e por consequência na família Euphroniaceae, estão incluídas presentemente apenas três espécies:[11]

GénerosEditar

A família Euphroniaceae inclui apenas o género Euphronia. Os géneros monoespecíficos Lightia e Lightiodendron foram considerados como sinónimos taxonómicos de Euphronia.

ReferênciasEditar

  1. Christenhusz, M. J. M. & Byng, J. W. (2016). «The number of known plants species in the world and its annual increase». Magnolia Press. Phytotaxa. 261 (3): 201–217. doi:10.11646/phytotaxa.261.3.1 
  2. J. A. Steyermark & L. Marcano-Berti: Euphroniaceae, In: J. A. Steyermark, P. E. Berry, K. Yatskievich, & B. K. Holst: Flora of the Venezuelan Guayana 5: Eriocaulaceae – Lentibulariaceae., Missouri Botanical Garden Press, St. Louis, 1999.
  3. a b Xi, Z.; Ruhfel, B. R.; Schaefer, H.; Amorim, A. M.; Sugumaran, M.; Wurdack, K. J.; Endress, P. K.; Matthews, M. L.; Stevens, P. F.; Mathews, S.; Davis, C. C. (2012). «Phylogenomics and a posteriori data partitioning resolve the Cretaceous angiosperm radiation Malpighiales». Proceedings of the National Academy of Sciences. 109 (43). 17519 páginas. PMC 3491498 . PMID 23045684. doi:10.1073/pnas.1205818109 
  4. Catalogue of Organisms: Malpighiales: A Glorious Mess of Flowering Plants
  5. Angiosperm Phylogeny Group (2009), «An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG III», Botanical Journal of the Linnean Society, 161 (2): 105–121, doi:10.1111/j.1095-8339.2009.00996.x, consultado em 23 de fevereiro de 2011, cópia arquivada em 25 de maio de 2017  Parâmetro desconhecido |url-status= ignorado (ajuda)
  6. Abreviatura oficial e lista de nomes de plantas e fungos atribuídos a Euphroniaceae no The International Plant Names Index (IPNI) (em inglês).
  7. Abreviatura oficial e lista de nomes de plantas e fungos atribuídos a Euphroniaceae no The International Plant Names Index (IPNI) (em inglês).
  8. Abreviatura oficial e lista de nomes de plantas e fungos atribuídos a Euphroniaceae no The International Plant Names Index (IPNI) (em inglês).
  9. «Euphroniaceae». Tropicos.org. Missouri Botanical Garden. Consultado em 26 de março de 2014 
  10. Litt, A., and M.W. Chase. 1998. The systematic position of Euphronia, with comments on the position of Balanops: an analysis based on rbcL sequence data. Systematic Botany 23(4): 401-409.
  11. a b c d Rafaël Govaerts (editor): Euphronia - World Checklist of Selected Plant Families do Royal Botanic Gardens, Kew. Consultado a 25 de setembro de 2018.

BibliografiaEditar

  • A família Euphroniaceae em APWebsite. (inglês)
  • J. A. Steyermark & L. Marcano-Berti: Euphroniaceae, In: J. A. Steyermark, P. E. Berry, K. Yatskievich, & B. K. Holst: Flora of the Venezuelan Guayana 5: Eriocaulaceae – Lentibulariaceae., Missouri Botanical Garden Press, St. Louis, 1999.
  • Amy Litt: Vochysiaceae and Euphroniaceae in N. Smith, S. A. Mori, A. Henderson, D. W. Stevenson & S. Heald: Flowering Plants of the Neotropics, Princeton University Press, Princeton, 2004.
  • Amy Litt & M. W. Chase: The systematic position of Euphronia, with comments on the position of Balanops: an analysis based on rbcL sequence data. in Systematic Botany 23, 1999: S. 401–409.

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar