Kuomintang

partido político de Taiwan

O Kuomintang da China[20][21], Kuomintang, Guomintang (KMT; GMD; chinês tradicional: 中國國民黨; pinyin: Zhōngguó Guómíndǎng), literalmente, Partido Nacionalista Chinês[22] é o partido político que tem sido historicamente o governante da República da China, conhecida como Taiwan, desde a década de 1970; Entretanto, se tornou oposição devido à perda nas eleições gerais de 2016. A sede do partido encontra-se em Taipei.

Partido Nacionalista da China
中國國民黨
Zhōngguó Guómíndǎng
Emblem of the Kuomintang.svg
Presidente Johnny Chiang
Fundação 10 de outubro de 1919 (103 anos)
Sede Distrito Zhongshan, Taipei, Taiwan
Ideologia
Espectro político Centro-direita[17][18]
Histórico:
Partido pega-tudo
Ala armada Exército Nacional Revolucionário (1928-1947)
Ala paramilitar Sociedade dos Camisas Azuis (1932-1938)
Antecessor Sociedade para a Regeneração Chinesa (1894)
Tongmenghui (1905)
Partido Nacionalista (1912)
Partido Revolucionário Chinês (1914)
Membros 899 668 (2017)[19]
Afiliação nacional Coligação Pan-Azul
Afiliação internacional Internacional Democrata Centrista
União Internacional Democrata
Bandeira do partido
Naval Jack of the Republic of China.svg
Página oficial
http://www.kmt.org.tw/

Criado por Sun Yat-sen, dominou o governo da República da China de 1928 até à tomada do poder pelos comunistas, em 1949. Desde então, sua influência se limita à Ilha Formosa, onde até 1986, era o único partido autorizado a exercer o poder. Atualmente continua a ter forte influência na ilha.

Era o partido majoritário no Legislativo Yuan, até às eleições de 2016, quando o Partido Democrático Progressista conquistou a maioria das cadeiras parlamentares e a presidência do país. Sua atual presidente é Hung Hsiu-chu, a primeira mulher na presidência do Kuomintang, que anteriormente ocupou o cargo de vice-presidente do Legislativo Yuan entre 2012 e 2016.

O KMT é considerado um partido conservador, membro da União Internacional Democrata, à qual também pertencem o Partido Republicano dos Estados Unidos, o CDS-PP português, o Partido Democrata brasileiro, o Partido Popular espanhol, entre outros.

HistóriaEditar

 
Local do 1° Congresso Nacional do Kuomintang em 1924

O Kuomintang foi fundado após a Revolução Xinhai de 1911, que depôs a dinastia Qing ou manchu e estabeleceu uma república na China. O partido realizou o seu primeiro congresso em 1924, sob a liderança de Sun Yat-sen.

Porém, Sun Yat-Sen teve que entregar o cargo de Presidente da República da China para o antigo General da dinastia Qing Yuan Shikai. Shikai tentou brevemente restaurar a monarquia como imperador, a oposição a essa decisão resultou na sua queda, e o vácuo de poder subsequente, a China continuou dividida em feudos dominados por senhores locais, que tinham exércitos privados, conhecidos como os Senhores da Guerra da China; não havia verdadeiramente um poder central. Essa era ficou conhecida como o Governo de Beiyang.

Chiang Kai-shek foi o militar que herdou a liderança do partido após a morte de Sun, em 1925. Decidido a reunificar a China, formou o novo exército do Kuomitang, o Exército Nacional Revolucionário, e com o primeiro objetivo de acabar com os senhores da guerra, encabeçado pelo Marechal Zhang Zuolin, lançando assim Expedição do Norte, aliando com o Partido Comunista da China para formar a Primeira Frente Unida, e com apoio logístico, militar e político da União Soviética. Durante a expedição, Chaing Kai-Shek ameaçou o Reino Unido, que via como um poder imperialista na China, e após ameaças e negociações devolveu as concessões britânicas em Hankou e Jiujiang, embora se recusou a entregar Xangai. A capital foi transferida para a cidade de Nanquim após a captura da cidade.

Em 1927 houve um ruptura entre o Kuomintang e os Comunistas, levando a um expurgo dos comunistas chamado de Massacre de Xangai, esse evento foi que deu início à Guerra Civil Chinesa. Em 1928 a expedição se termina com a China nominalmente unificada e os senhores da guerra de Beiyang pacificados. Em 1929, três senhores da guerra aliados de Chiang: Yan Xishan, Feng Yuxiang e Li Zongren, tentaram derrubar o novo governo central, resultando na Guerra das planícies centrais. A guerra resulta na vitória do Kuomintang, embora deixando a China com um enorme dívida monetária.

Em 1934, as forças nacionalistas cercaram as tropas comunistas, forçando-as a abandonar as suas posições no Sul, o que deu origem à chamada Longa Marcha.

Em Julho de 1937, o Japão atacou a China e os comunistas, sob a palavra de ordem "chineses não devem lutar contra chineses", pressionaram Chang Kai-shek a uma aliança para combater o invasor em conjunto. Embora os comunistas e o Kuomintang fossem aliados, os primeiros tiveram que continuar na clandestinidade.

Depois da derrota dos japoneses na Segunda Guerra Mundial, tanto os comunistas como o Kuomintang tentaram ocupar todo o território. Na altura, o Kuomintang tinha um exército maior e mais bem equipado. Ambos os lados principiaram a fortalecer as suas posições, preparando-se para recomeçar a guerra civil que havia sido interrompida pela invasão japonesa. A guerra civil foi retomada em 1946, estendendo-se até 1949. Nesse conflito, a Manchúria foi um campo de batalha vital, devido aos seus recursos económicos. Os norte-americanos ajudaram Chang Kai-shek a estabelecer-se na região, transportando dezenas de milhares de soldados nacionalistas para o Norte da China. Estima-se que mais de 60 mil marines americanos tenham desembarcado no país, para ocupar a capital e Tianjin.

Stalin cumpriu a promessa de retirar as suas tropas da região. Mas essa retirada fazia parte da estratégia dos comunistas, liderados por Mao Tsé-Tung, de não conservar as cidades, onde o Kuomintang era superior militarmente, e recuar para os campos em redor. Uma das directivas de Mao Tsé-Tung era "cercar as cidades com os nossos campos e, com o tempo, tomar as cidades". O Kuomintang dominava as principais cidades mas perdia gradualmente o controle dos campos e começava a encontrar dificuldades em efectuar o recrutamento. Os comunistas passaram a dominar o Norte da Manchúria e grande parte dos campos.

Em finais de 1947, pela primeira vez, as tropas comunistas superavam em número as do inimigo. A principal razão para este facto estava nas promessas comunistas de promover a nova política de "terra para quem a trabalha", que fazia com que os camponeses se sentissem apoiados na luta para preservarem as suas terras.

Chang Kai-shek entrara entretanto em conflito com muitos dos seus principais generais, transferindo comandantes de um lado para o outro, o que veio a provocar uma quebra no moral das tropas.

 
Filial local do Kuomintang em Taoyuan, Taiwan

Nos começos de 1948, a inflação atingira um valor inimaginável nas áreas controladas pelo Kuomintang. Para a população civil a situação estava a tornar-se desesperadora. O estado-maior do Kuomintang estava dividido quanto à estratégia a adoptar. Em Setembro detinha apenas três redutos na Manchúria. Ao longo do conflito, tinham-se rendido ou passado para o lado dos comunistas mais de um milhão de soldados do Kuomintang. Embora os aviões norte-americanos continuassem a apoiar os nacionalistas, a 2 de Novembro toda a Manchúria estava em poder dos comunistas.

Em 1949, os comunistas chineses expulsaram os nacionalistas para a Ilha Formosa. A ilha tornou-se o refúgio do Kuomintang, que decreta a lei marcial e, sob a proteção americana, instaura um governo nacionalista, que não reconhece a República Popular da China, administrada pelo Partido Comunista da China.

Resultados das eleições em TaiwanEditar

Eleições presidenciaisEditar

Eleição Candidato Companheiro de chapa Total de votos Proporção
de votos
Resultado
1948 Chiang Kai-shek Li Zongren 2 430 90,03% Eleito  
1996 Lee Teng-hui Lien Chan 5 813 699 54,0% Eleito  
2000 Lien Chan Vincent Siew 2 925 513 23,1% Perdeu  
2004 Lien Chan James Soong (  PPP) 6 423 906 49,8% Perdeu  
2008 Ma Ying-jeou Vincent Siew 7 658 724 58,4% Eleito  
2012 Ma Ying-jeou Wu Den-yih 6 891 139 51,6% Eleito  
2016 Eric Chu Wang Ju-hsuan (  Ind.) 3 813 365 31,0% Perdeu  
2020 Han Kuo-yu Chang San-cheng (  Ind.) 5 522 119 38,6% Perdeu  

Eleições legislativasEditar

Eleição Cadeiras ganhas Votos totais Porcentagem Mudanças Líder do partido Status Presidente
1948
716 / 759
Chiang Kai-shek Maioria Chiang Kai-shek  
1969
8 / 11
Chiang Kai-shek Maioria
1972
41 / 51
Chiang Kai-shek Maioria
1975
42 / 52
Chiang Ching-kuo Maioria Yen Chia-kan  
1980
79 / 97
Chiang Ching-kuo Maioria Chiang Ching-kuo  
1983
83 / 98
Chiang Ching-kuo Maioria
1986
79 / 100
Chiang Ching-kuo Maioria
1989
94 / 130
Lee Teng-hui Maioria Lee Teng-hui  
1992
95 / 161
5 030 725 53,0%   7 cadeiras Lee Teng-hui Maioria
1995
85 / 164
4 349 089 46,1%   12 cadeiras Lee Teng-hui Maioria
1998
123 / 225
4 659 679 46,4%   7 cadeiras Lee Teng-hui Maioria
Oposição majoritária Chen Shui-bian (PDP)
2001
68 / 225
2 949 371 31,3%   46 cadeiras Lien Chan Oposição plural
2004
79 / 225
3 190 081 34,9%   11 cadeiras Lien Chan Oposição plural
2008
81 / 113
5 291 512 53,5%   41 cadeiras Wu Po-hsiung Oposição majoritária
Maioria Ma Ying-jeou  
2012
64 / 113
5 863 379 44,5%   17 cadeiras Ma Ying-jeou Maioria
2016
35 / 113
3 280 949 26,9%   29 cadeiras Eric Chu Minoria Tsai Ing-wen (PDP)
2020
38 / 113
4 723 504 33,3%   3 cadeiras Wu Den-yih Minoria

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Taiwan's 'born independent' millennials are becoming Xi Jinping's lost generation». The Washington Post. 26 de dezembro de 2019. Consultado em 23 de fevereiro de 2020. Cópia arquivada em 27 de março de 2020 
  2. «It's Not Techno-Angst That's Driving East Asia to Abandon Nuclear Power». Foreign Policy. 17 de agosto de 2019. Consultado em 7 de julho de 2020. Cópia arquivada em 17 de julho de 2020. In Taiwan, the conservative Kuomintang’s aging demographic base and support for closer ties with mainland China now appears out of touch with a younger electorate increasingly distrustful of China and hostile to reunification. 
  3. «Taiwan's KMT party set to elect new chair amid coronavirus scare». Taiwan News. 4 de março de 2020. Consultado em 7 de julho de 2020. Cópia arquivada em 10 de julho de 2020 
  4. Glantz, Mickey, ed. (2012). Climate Affairs: A Primer. [S.l.]: Island Press. p. 65. ISBN 9781597269414. y8zdiN_Z1x0C&pg=PA65. Consultado em 7 de julho de 2020. Cópia arquivada em 4 de agosto de 2020 
  5. 政策綱領. Kmt.org.tw. Consultado em 19 de junho de 2016. Cópia arquivada em 13 de maio de 2019 
  6. «Three Principles of the People». Encyclopædia Britannica. Consultado em 10 de outubro de 2016. Cópia arquivada em 26 de outubro de 2016 
  7. Wright, Mary C. (1955). From Revolution to Restoration: The Transformation of Kuomintang Ideology. [S.l.]: Association for Asian Studies. pp. 515–532 
  8. Zarrow, Peter (1 de julho de 2021). «The Chinese Communist Party Has Followed Sun Yat-sen's Road Map». Foreign Policy. Consultado em 25 de outubro de 2021 
  9. Post, Louis Freeland (April 12, 1912). "Sun Yat Sen's Economic Program for China". The Public. 15: 349. Retrieved 8 November 2016.
  10. Fenby, Jonathan (2005). Chiang Kai Shek: China's Generalissimo and the Nation He Lost. [S.l.]: Carroll & Graf Publishers. p. 504. ISBN 978-0-7867-1484-1. Consultado em 28 de junho de 2010. Cópia arquivada em 5 de fevereiro de 2017 
  11. Eastman, Lloyd (2021). «Fascism in Kuomintang China: The Blue Shirts». Cambridge University Press. The China Quarterly (49): 1–31. JSTOR 652110. Consultado em 2 de fevereiro de 2021 
  12. Payne, Stanley (2021). A History of Fascism 1914-1945. [S.l.]: University of Wisconsin Press. p. 337. ISBN 9780299148744. Consultado em 2 de fevereiro de 2021 
  13. Arif Dirlik (2005). The Marxism in the Chinese revolution. [S.l.]: Rowman & Littlefield. p. 20. ISBN 0-7425-3069-8 
  14. Von KleinSmid Institute of International Affairs, University of Southern California. School of Politics and International Relations (1988). Studies in comparative communism, Volume 21. [S.l.]: Butterworth-Heinemann. p. 134 
  15. «Party Charter». kuomintang. Consultado em 6 de setembro de 2021. ...The Party unites as party members all who believe in the Three Principles of the People, both at home and overseas. It abides by the teachings of late National President, the late Director-General, and the late Chairman Chiang Ching-kuo in its wish to bring about ethnic integration, unite the people, revive Chinese culture, practice democratic constitutional government, oppose communism, oppose separatism, and champion the interests of the Chinese nation ... 
  16. Fung, Edmund S. K. (1985). «Anti-Imperialism and the Left Guomindang». Modern China. 11 (1): 39–76. JSTOR 189103. doi:10.1177/009770048501100102 
  17. Qi, Dongtao (2013). «Globalization, Social Justice Issues, Political and Economic Nationalism in Taiwan: An Explanation of the Limited Resurgence of the DPP during 2008–2012». The China Quarterly (em inglês) (216): 1018–1044. doi:10.1017/S0305741013001124 
  18. Shim, Jaemin (2018). «Mind the Gap! Comparing Gender Politics in Japan and Taiwan». German Institute of Global and Area Studies. GIGA Focus (em inglês) (5). Consultado em 6 de agosto de 2021. Cópia arquivada em 26 de dezembro de 2019 
  19. «Hung urges scrutiny of KMT election» (em inglês). Taipei Times. Janeiro de 2017 
  20. «Documento do partido». Party Charter (em inglês). Kuomintang of China 
  21. «Introdução ao KMT». Introduction to the party (em inglês). Kuomintang of China. Consultado em 6 de maio de 2016. Arquivado do original em 12 de janeiro de 2011 
  22. «Kuomintang - Definições». Kuomintang (em inglês). Dictionary 

Ligações externasEditar


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