Libertarismo

(Libertarianismo)
(Redirecionado de Libertarianismo)

O libertarismo[1] (em latim: libertas, que significa "liberdade"), algumas vezes traduzido do inglês como libertarianismo, é uma filosofia política e movimento que defende liberdade como um princípio central.[2] Os libertários compartilham um ceticismo em relação à autoridade e o Estado, mas divergem no escopo de sua oposição aos sistemas políticos e econômicos. Várias escolas de pensamento libertário oferecem uma série de pontos de vista sobre as funções legítimas do Estado e do poder, frequentemente exigindo a restrição ou dissolução de instituições coercitivas instituições sociais. Diferentes categorizações têm sido usadas para distinguir várias formas de libertarianismo.[3][4] Isso é feito para distinguir visões libertárias da natureza da propriedade e do capital, geralmente ao longo das linhas esquerda-direita ou socialista-capitalista.[5]

O libertarianismo se originou como uma forma de política de esquerda, como o anarquismo e o socialismo anti-autoritário e anti-Estado,[6] especialmente anarquismo social[7] mas de forma geral comunismo libertário/marxista e socialismo libertários.[8][9] Esses libertários buscam a abolição do capitalismo e o fim da propriedade privada dos meios de produção, ou então, restringir seu alcance ou seus efeitos para usufruir normas de propriedade, em favor da propriedade comum ou autogestão cooperativa, vendo a propriedade privada como uma barreira à liberdade.[10][11][12]

As ideologias do libertarianismo de esquerda[13][14][15][16][17] incluem correntes do anarquismo, ao lado de muitos outras correntes anti-paternalistas da Nova Esquerda, centrado no igualitarismo econômico, bem como no geolibertarianismo, na política verde, no libertarianismo de esquerda orientado para o mercado e na escola Steiner-Vallentyne.[18][19][20]

Em meados do século XX, ideologias do libertarianismo de direita como o anarcocapitalismo e o minarquismo cooptaram[8][21] o termo libertarianismo para defender o capitalismo do laissez-faire e fortes direitos de propriedade privada, como terra, infraestrutura e recursos naturais. Esta é a forma dominante de libertarianismo nos Estados Unidos,[22] onde defende as liberdades civis[23], o direito natural, o capitalismo de livre mercado[24] e uma grande reversão do Estado de bem-estar social.[25]

Visão geral

Etimologia

O primeiro uso registrado do termo libertário foi em 1789, quando William Belsham escreveu sobre libertarianismo no contexto da metafísica.[26] Em 1796, libertário passou a significar "defensor da liberdade", especialmente nas esferas política e social.

O termo "libertarianismo" foi introduzido por teóricos anarquistas franceses no século XIX, que defendiam a liberdade individual.[27] O uso do termo libertário para descrever um novo conjunto de posições políticas foi atribuído ao cognato libertaire em francês, cunhado em uma carta que o comunista libertário francês Joseph Déjacque escreveu ao mutualista Pierre-Joseph Proudhon em 1857.[28][29] Déjacque também usou o termo para sua publicação anarquista Le Libertaire, Journal du mouvement social, que foi impressa de 9 de junho de 1858 a 4 de fevereiro de 1861 na cidade de Nova York.[30] [31] Sébastien Faure, outro comunista libertário francês, começou a publicar um novo Le Libertaire em meados da década de 1890, enquanto a Terceira República da França promulgou as chamadas leis de vilões (lois scélérates) que proibiam publicações anarquistas na França. O libertarianismo tem sido frequentemente usado para se referir ao anarquismo e ao socialismo libertário desde esse tempo.[32][33][34]

Com o passar do tempo, em alguns locais do mundo, tornou-se associado com o socialismo antiestatista e influenciou movimentos políticos iluministas críticos das autoridades institucionais, a quem taxavam como aparatos de dominação social e injustiça.[35][36] Hoje, embora normalmente libertários brasileiros também se identificam com o anarcocapitalismo,[37] o termo tem sido usado para descrever uma vertente do liberalismo clássico,[38] que repudia o dirigismo.[39][40]

Em alguns países do mundo o termo ainda se assemelha a seu uso político original, como sinônimo de qualquer anarquismo social ou anarquismo individualista.[8]

Nos Estados Unidos, o termo foi popularizado pelo anarquista individualista Benjamin Tucker por volta do final da década de 1870 e início da década de 1880.[41] O libertarianismo como sinônimo de liberalismo foi popularizado em maio de 1955 pelo escritor Dean Russell.[42] Posteriormente, um número crescente de americanos com crenças liberais clássicas adotou o termo, principalmente com o economista Murray Rothbard, que começou a publicar trabalhos libertários na década de 1960. Rothbard descreveu esse uso moderno das palavras abertamente como uma "captura" de seus inimigos, escrevendo que "pela primeira vez em minha memória, nós, 'nosso lado', capturamos uma palavra crucial do inimigo. 'Libertários' há muito tempo. foi simplesmente uma palavra educada para anarquistas de esquerda, isto é, para anarquistas de propriedade anti-privada, da variedade comunista ou sindicalista. Mas agora nós a assumimos".[8][21]

É importante ressaltar que, atualmente nos Estados Unidos, o adjetivo "liberal" se refere à esquerda política - diferentemente do que ocorre no Brasil, onde os chamados "liberais" referem a esta ala direitista do liberalismo econômico, que defende o livre mercado e adere ao princípio da não-agressão. De acordo com significados comuns de conservador e liberal, o libertarianismo nos Estados Unidos foi descrito como conservador em questões econômicas (liberalismo econômico e conservadorismo fiscal) e liberal em liberdade pessoal (libertarianismo civil e liberalismo cultural). Também é frequentemente associado a uma política de não-intervencionismo.[43]

Definição

Embora o libertarianismo tenha se originado como uma forma de política de esquerda,[20][44] o desenvolvimento, em meados do século XX, do libertarianismo moderno nos Estados Unidos levou vários autores e cientistas políticos a usar duas ou mais categorizações[3][4] distinguir visões libertárias sobre a natureza da propriedade e do capital, geralmente ao longo das linhas esquerda-direita ou socialista-capitalista[5].

Embora o termo libertário tenha sido amplamente sinônimo de anarquismo como parte da esquerda,[9] continuando hoje como parte da esquerda libertária em oposição à social-democracia ou socialismo autoritário e estatista, seu significado tem mais recentemente diluído com uma adoção mais ampla de grupos ideologicamente diferentes[9]. Como termo, libertário pode incluir os marxistas da Nova Esquerda (que não se associam a um partido de vanguarda) e os liberais extremos (principalmente preocupados com as liberdades civis). Além disso, alguns libertários usam o termo socialista libertário para evitar as conotações negativas do anarquismo e enfatizar suas conexões com o socialismo.[9][45]

Filosofia

Todos os libertários começam com uma concepção de autonomia pessoal da qual argumentam a favor das liberdades civis e uma redução ou eliminação do estado.[2]

O libertarismo de esquerda engloba as crenças libertárias que afirmam que os recursos naturais da Terra pertencem a todos de forma igualitária, quer sejam ou não possuídos.[46] O libertarismo de esquerda "combina a suposição libertária de que cada pessoa possui um direito natural de autopropriedade, com a premissa igualitária de que os recursos naturais devem ser compartilhados igualmente, sendo ilegítimo alguém reivindicar a propriedade privada exclusiva desses recursos em detrimento de outros". Os proponentes históricos dessa visão incluem Thomas Paine, Herbert Spencer e Henry George. Os expoentes recentes incluem Philippe Van Parijs e Hillel Steiner. [47] Libertários socialistas, como anarquistas sociais e individualistas, marxistas libertários, comunistas de conselho, luxemburgueses e leonistas, promovem o usufruto e as teorias econômicas socialistas, incluindo comunismo, coletivismo, sindicalismo e mutualismo. Eles criticam o Estado por ser o defensor da propriedade privada e acreditam que o capitalismo implica escravidão salarial.

O libertarismo de direita foi desenvolvido nos Estados Unidos em meados do século XX, a partir de obras de escritores europeus como John Locke, Friedrich Hayek e Ludwig Von Mises e é a concepção mais popular de libertarianismo naquela região. É comumente referido como uma continuação ou radicalização do liberalismo clássico.[48] Os libertários rejeitam instituições cujas intervenções representam coerção desnecessária dos indivíduos e anulação da sua liberdade econômica. Os anarcocapitalistas[49] procuram a eliminação completa do estado a favor de serviços de segurança privados, enquanto os minarquistas defendem o Estado mínimo, com apenas as funções de governo necessário para salvaguardar os direitos naturais, entendidos em termos de autopropriedade ou autonomia.[50]

Alguns libertários de direita consideram que o princípio da não agressão é uma parte fundamental de suas crenças.[51][52]

Liberdades civis

Os libertários têm sido defensores e ativistas das liberdades civis, incluindo a liberdade de amar[53] e a liberdade de expressão.[54][carece de fontes?] Os defensores da liberdade de amar consideram a liberdade sexual como uma expressão clara e direta da soberania individual.[53]

Estado

Os libertários são anarquistas e acreditam que o estado viola a soberania individual, propriedade privada e os direitos naturais. Os anarquistas de esquerda acreditam que o Estado defende a propriedade privada, que eles consideram prejudicial.[55]

Existe um debate entre os libertários da direita sobre se o estado é ou não legítimo: enquanto os anarcocapitalistas defendem sua abolição[56], os minarquistas libertários apoiam estados mínimos, desde que esses não iniciem agressão contra indivíduos livres. Os libertários tomam uma visão cética da autoridade governamental.[57]

Os minarquistas afirmam ser o Estado necessário para proteger os indivíduos de agressão, roubo, violação de contrato e fraude. Eles acreditam que as únicas instituições governamentais legítimas são militares, policiais e tribunais, embora alguns expandam essa lista para incluir bombeiros, prisões, a filamentos do executivo e legislativo.[58] 

Minarquistas justificam o Estado com base em que é a consequência lógica de aderir ao princípio da não agressão e argumentam que o anarquismo é imoral porque implica que o princípio da não agressão é opcional, que a aplicação das leis sob o anarquismo são abertas à concorrência. Outra justificativa comum é que as agências privadas de defesa e as empresas de justiça privadas tendem a representar os interesses daqueles que pagam mais.[59]

Os anarcocapitalistas argumentam que o Estado viola o princípio da não agressão por sua própria natureza, porque os governos usam a força contra aqueles que não roubaram ou vandalizaram a propriedade privada, agrediram qualquer pessoa ou cometeram fraudes.[60] 

Esquerda Libertária

O libertarianismo de esquerda é uma denominação para variadas abordagens relacionadas (porém distintas), no âmbito da teoria política e social, que enfatizam tanto a liberdade individual quanto a igualdade social. Em seu uso mais tradicional, libertarianismo de esquerda é sinônimo das variantes antiautoritárias da Esquerda política, fosse o anarquismo em geral ou o anarquismo social em particular. Mais tarde, o termo tornou-se associado aos libertários de livre mercado quando Murray Rothbard e Karl Hess aliaram-se com a New Left durante a década de 1960[61] - este anarquismo anticapitalista de mercado de esquerda, que incluiu o Agorismo de Samuel Edward Konkin III e o mutualismo do socialista libertário Pierre-Joseph Proudhon, defende pautas esquerdistas tais como o igualitarismo, questões de gênero e sexualidade, classes sociais, imigração e ambientalismo. A esquerda libertária discorda de sua contraparte direitista em relação aos direitos de propriedade, argumentando que os indivíduos não possuem direitos de propriedade inerentes aos recursos naturais - ou seja, que a gestão destes recursos deveria ser feita igualitariamente através de um modelo de propriedade coletiva.[62] Mais recentemente a esquerda libertária vem sendo identificada com autores como Hillel Steiner, Philippe Van Parijs, e Peter Vallentyne que combinam o conceito da auto-propriedade com uma abordagem igualitária de recursos naturais.[63] Aqueles dentre os esquerdistas libertários que defendem a propriedade privada, o fazem sob a condição de que alguma recompensa seja oferecida à comunidade local.[64]

Entre as várias correntes de pensamento que por vezes são classificadas como "libertárias de esquerda" temos:

  • socialistas anti-estatistas, como os anarcocomunistas, anarcossocialistas e anarcossindicalistas tradicionais.[65][66]
  • marxistas anti-leninistas, como Rosa Luxemburgo ou Anton Pannekoek.[65][67]
  • georgistas, que defendem a propriedade privada sobre os bens produzidos mas não sobre a terra, considerando assim que os impostos só deveriam incidir sobre a propriedade da terra.[65]
  • autores como Hillel Steiner e Peter Vallentyne, que não consideram que se possa deduzir a propriedade de recursos naturais, e que os proprietários devem alguma compensação aos não proprietários (nesse aspecto assemelham-se aos georgistas).[65][68]
  • o agorismo, teorizado por Samuel Edward Konkin, que rejeitava a ação política propondo antes que os libertários se dedicassem ao mercado negro (agora=mercado), a que chamava "contra-economia".[65]
  • a corrente que nos EUA usa a designação de left-libertarianism, representada por autores como Kevin Carson, Roderick T. Long, Charles Johnson, Brad Spangler, Sheldon Richman, Chris Matthew Sciabarra e Gary Chartier, que se distingue da direita libertária por um maior enfâse nas questões "sociais" (casamento homossexual, aborto, etc.) e por uma posição bastante crítica às grandes empresas, enfatizando as suas ligações com o Estado.[65]

Direita Libertária

A direita libertária (ou libertarianismo de direita) refere-se às filosofias políticas libertárias que defendem a auto-propriedade, alegando que este conceito também preconiza o direito que o indivíduo possui de apropriar-se de quantidades desiguais de partes do mundo exterior.[69] Libertários da direita defendem vigorosamente a propriedade privada, o modo de produção capitalista e as políticas de livre mercado.[70] Entre as correntes mais proeminentes desta vertente libertária, encontram-se o anarcocapitalismo e o liberalismo miniarquista Laissez-faire.

Suas maiores influências literárias incluem John Locke, Frédéric Bastiat, David Hume, Alexis de Tocqueville, Adam Smith, David Ricardo, Rose Wilder Lane, Lysander Spooner, Milton Friedman, David Friedman, Ayn Rand, James McGill Buchanan Jr., Friedrich von Hayek, Ludwig von Mises, Hans-Hermann Hoppe e Murray Rothbard.[71] Existem, contudo, divergências significativas em termos de epistemologia, ontologia e metodologia na interpretação dos fenômenos sociais e econômicos entre esses diversos autores. Com particular relevância, Mises e Rothbard se distinguem de seus predecessores por rejeitar o empiricismo como método de avaliação científica.[72]

Nos Estados Unidos

Em setembro de 2001, um grupo de americanos lançou o Free State Project, campanha que conclamava os adeptos de todo o mundo a se mudar para New Hampshire e construir ali uma sociedade na qual o papel do estado seria o menor possível. O Free State Project e o Partido Libertário foram inspirados nos ideais do libertarismo. Dentro do Partido Republicano, há uma ala libertária. Alguns pontos de vista de republicanos libertários são similares aos do Partido Libertário, mas diferem no que diz respeito à estratégia utilizada para implementá-las. O Republican Liberty Caucus foi fundado em 1991 em uma reunião de um grupo de membros da Flórida do Comitê Organizador republicano libertário.[73]

Figuras públicas

Representantes
Senadores
Governadores
Autores e intelectuais
Outros

No Brasil

No Brasil, em 2006, ativistas, acadêmicos e estudantes iniciaram um movimento na internet para a criação do partido Libertários. A reunião de fundação ocorreu em 20 de junho de 2009, aprovando o estatuto e o programa partidário que foram oficialmente publicados no Diário Oficial da União em 19 de janeiro de 2010.[110] Entretanto, ainda não conseguiram o mínimo de assinaturas de apoio para participarem de eleições.

Atualmente, o Partido NOVO, fundado em 2011, e o grupo conhecido por Livres, que por muito tempo esteve associado ao PSL, mas após divergências pelo candidato a presidência no ano de 2018[111] romperam relações, são os representantes políticos no Brasil de pautas associadas ao libertarianismo.[112][113]

Figuras públicas

Políticas libertárias

O libertarismo apoia que os direitos de liberdade de expressão, liberdade mental (ou de pensamento), direitos fundamentais, liberdade religiosa e qualquer outra liberdade individual. Também é destacável a total "desburocratização" estatal, a diminuição do poder centralizador sobre os indivíduos e, algumas vezes, políticas de livre mercado e redução de impostos. Vertentes do libertarismo mais próximas ao anarcocapitalismo defendem que as funções legislativas, punitivas e judicantes exercidas pelos Estados nacionais não deveriam ser exclusivas destes - de acordo com estes proponentes, portanto, todos os bens e serviços, inclusive a ordem legal representada no poder de legislar, julgar e punir poderia ser provida pelos mercados em um ambiente de livre concorrência. Esses libertários também defendem a soberania do direito de propriedade para lidar com danos ao meio ambiente. Portanto, se alguém danificar ou prejudicar as propriedades alheias causando dano ao meio ambiente, esta pessoa estaria cometendo um crime e poderia ser processada por isso, devendo indenizar aqueles que foram prejudicados.

Normalmente os proponentes desta filosofia política estão associadas às pautas que avançam os direitos civis, a igualdade entre gêneros, a legalização do aborto (embora não seja um consenso, visto que para muitos libertários - especialmente para os libertários da direita - o aborto fere o princípio da não-agressão), defesa da pesquisa em células-tronco, legalização das drogas, legalização da eutanásia, ênfase no estado laico e uma concomitante liberdade religiosa.

Críticas

Economia

Críticos do sistema econômico libertarista (o capitalismo laissez-faire), argumentam que falhas do livre mercado justificam a intervenção governamental na economia, que a não intervenção cria monopólios e ausência de inovações, ou que mercados não regulados são economicamente instáveis. Eles argumentam que mercados nem sempre produzem o que é melhor ou mais eficiente, que a redistribuição de riqueza melhora a "saúde" da economia, e que avanços em economia desde Adam Smith mostram que as ações da população nem sempre são racionais. A estas críticas os libertaristas respondem com afirmações da Escola das Falhas de Governo, que defendem que a intervenção do Estado na economia gera mais imperfeições nos mercados do que se poderia esperar da não-intervenção, e a Escola das Escolhas Públicas, que demonstra que um governo é formado por políticos que nem sempre tem o interesse público como principal objetivo.

Outras críticas econômicas tratam da transição para uma sociedade libertarista. Críticos costumam afirmar que a privatização da seguridade social causaria uma crise fiscal a curto prazo e danificaria a estabilidade econômica de indivíduos a longo prazo. Críticos do livre comércio argumentam que barreiras são necessárias para o crescimento econômico em todas as situações, afirmação que contradiz vários dados históricos e tenta negar o evidente crescimento econômico mundial pelos países que adotam medidas globalizantes.

Um dos maiores nomes do utilitarismo, Stuart Mill, filósofo e economista inglês, e um dos pensadores liberais mais influentes do século XIX, advogava que a interferência do governo teria consequências boas e ruins, devendo-se aplicar os aspectos bons e minimizar os ruins. Sendo que, quando se amplia a liberdade do indivíduo, é considerado um aspecto bom, e quando se restringe o indivíduo, um aspecto ruim.

Ele apresenta em seu livro "Principles of political economy with some of their applications to social philosophy", algumas convicções em prol da defesa da intervenção do estado em certos casos:

"Entretanto, sob esta condição, a sociedade tem todo o direito de revogar ou alterar qualquer direito particular de propriedade que, depois de cuidadosa consideração, ela considere ser um obstaculo ao bem público. E, reconhecidamente, o terrível libelo que, como vimos num capitulo anterior, os socialistas podem apresentar contra a atual ordem econômica da sociedade exige completa consideração de todos os meios pelos quais a instituição pode vir a ter uma chance de funcionar de maneira mais benéfica para aquela grande parcela da sociedade que presentemente usufrui a menor parcela de seus benefícios diretos."

Friedrich Hayek lamenta as perspectivas sombrias para a liberdade diante do crescimento constante do Estado e seu poder sobre os cidadãos:

"A menos que possamos fazer das bases filosóficas da livre sociedade uma questão intelectual viva, e de sua implementação uma tarefa que desafie a engenhosidade e imaginação das mentes mais esclarecidas, as perspectivas de liberdade apresentam-se, de fato, sombrias. Mas, se conseguirmos reconquistar a crença no poder das ideias - que foi a marca do liberalismo no seu melhor momento - a batalha não está perdida."

Alguns destes críticos do liberalismo radical propõem um liberalismo abrangente, que inclui o valor da igualdade, como saída para a sociedade. Dentre estes destacam-se John Rawls e Ronald Dworkin.

Mário Bunge, um físico, humanista e filósofo da ciência, argumenta e demonstra em um de seus livros, intitulado "Las pseudociencias ¡vaya timo!", que a microeconomia ortodoxa (ou microeconomia clássica) carece de confirmação empírica ou justificativa moral. A microeconomia ortodoxa é o modelo defendido pelos filósofos e economistas intitulados libertários. O capítulo "La conexión pseudociencia – filosofía - política" descreve em uma série de postulados, que a economia ortodoxa possui uma ontologia individualista, uma epistemologia acientífica e uma ética individualista. Acabando-se por constituir em uma teoria econômica com características de pseudociência.[118]

Libertarismo vulgar

Kevin Carson, um escritor e teórico político, mutualista e anarquista individualista, cunhou a expressão pejorativa libertarianismo vulgar, para descrever o uso da retórica do livre mercado em defesa do capitalismo corporativo e da desigualdade econômica.[119]

"Libertarianistas vulgares, apologistas do capitalismo, usam o termo "livre mercado" de maneira equívoca: eles parecem ter problemas para se lembrar, de um momento para o outro, se eles estão defendendo o capitalismo realmente existente ou os princípios do livre mercado. Então, temos o costumeiro artigo requentado no The Freeman, argumentando que os ricos não podem enriquecer às custas dos pobres, porque "não é assim que o mercado livre funciona" - implicitamente assumindo que este é um mercado livre. Quando acuados, eles admitem, com relutância, que o atual sistema não é um mercado livre mas que inclui muita intervenção estatal em favor dos ricos. Mas logo que escapam, eles voltam a defender a riqueza das corporações existentes, com base em "princípios do livre mercado."[119]

Segundo Carson, a expressão libertarianismo vulgar foi inspirada na economia vulgar, a antítese da economia política clássica, segundo Karl Marx. O economista vulgar "apenas se move dentro do nexo aparente, rumina constantemente de novo o material já há muito fornecido pela economia científica oferecendo um entendimento plausível dos fenômenos, por assim dizer, mais grosseiros e para uso caseiro da burguesia, e limita-se, de resto, a sistematizar, pedantizar e proclamar como verdades eternas as ideias banais e presunçosas que os agentes da produção burguesa formam sobre seu mundo, para eles o melhor possível".[120]

Ver também

  A Wikipédia tem os portais:

Referências

  1. Dicionário Caldas Aulete da Língua Portuguesa. «Libertalismo» 
  2. a b «libertarianism | Definition, Doctrines, History, & Facts». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 7 de agosto de 2020 
  3. a b Long, Joseph. W (1996). "Toward a Libertarian Theory of Class". Social Philosophy and Policy. 15 (2): 310. "When I speak of 'libertarianism' [...] I mean all three of these very different movements. It might be protested that LibCap [libertarian capitalism], LibSoc [libertarian socialism] and LibPop [libertarian populism] are too different from one another to be treated as aspects of a single point of view. But they do share a common—or at least an overlapping—intellectual ancestry."
  4. a b Carlson, Jennifer D. (2012). "Libertarianism". In Miller, Wilburn R., ed. The Social History of Crime and Punishment in America. London: Sage Publications. p. 1006. ISBN 1412988764. "There exist three major camps in libertarian thought: right-libertarianism, socialist libertarianism, and left-libertarianism; the extent to which these represent distinct ideologies as opposed to variations on a theme is contested by scholars."
  5. a b Francis, Mark (1983). «Human Rights and Libertarians». Australian Journal of Politics & History. 29 (3): 462–472. ISSN 0004-9522. doi:10.1111/j.1467-8497.1983.tb00212.x 
  6. "The Rise of Social Anarchism". In Gaus, Gerald F.; D'Agostino, Fred, eds. (2012). The Routledge Companion to Social and Political Philosophy. p. 223. "In the meantime, anarchist theories of a more communist or collectivist character had been developing as well. One important pioneer is French anarcho-communists Joseph Déjacque (1821–1864), who [...] appears to have been the first thinker to adopt the term "libertarian" for this position; hence "libertarianism" initially denoted a communist rather than a free-market ideology."
  7. "Anarchism". In Gaus, Gerald F.; D'Agostino, Fred, eds. (2012). The Routledge Companion to Social and Political Philosophy. p. 227. "No seu sentido mais antigo, é sinônimo de anarquismo em geral ou anarquismo social em particular." (tradução do inglês)
  8. a b c d Rothbard, Murray (2009) [2007]. The Betrayal of the American Right (PDF). [S.l.]: Mises Institute. p. 83. ISBN 978-1610165013. Um aspecto gratificante de nossa ascensão a algum destaque é que, pela primeira vez em minha memória, nós, 'nosso lado', capturamos uma palavra crucial do inimigo. "Libertários" há muito tempo era simplesmente uma palavra educada para anarquistas de esquerda, ou seja, para anarquistas anti-privados de propriedade, da variedade comunista ou sindicalista. Mas agora nós assumimos o controle. (tradução do inglês) 
  9. a b c d Marshall, Peter (2009). Demanding the Impossible: A History of Anarchism. p. 641. "Por muito tempo, libertário era intercambiável na França com anarquismo, mas nos últimos anos, seu significado se tornou mais ambivalente. Alguns anarquistas como Daniel Guérin se autodenominam "socialistas libertários", em parte para evitar as conotações negativas ainda associadas ao anarquismo, e em parte para enfatizar o lugar do anarquismo dentro da tradição socialista. Até os marxistas da Nova Esquerda, como E.P. Thompson, chamam a si mesmos de "libertários" para se diferenciar daqueles socialistas e comunistas autoritários que acreditam na ditadura revolucionária e nos partidos de vanguarda." (tradução do inglês)
  10. Kropotkin, Peter (1927). Anarchism: A Collection of Revolutionary Writings. [S.l.]: Courier Dover Publications. p. 150. ISBN 9780486119861. Ataca não apenas o capital, mas também as principais fontes do poder do capitalismo: lei, autoridade e Estado. (traduzido do inglês) 
  11. Otero, Carlos Peregrin (2003). «Introduction to Chomsky's Social Theory». In: Otero, Carlos Peregrin. Radical Priorities 3rd ed. Oakland, California: AK Press. p. 26. ISBN 1-902593-69-3 
  12. Carlson, Jennifer D. (2012). "Libertarianism". In Miller, Wilbur R. The Social History of Crime and Punishment in America: An Encyclopedia. SAGE Publications. p. 1006.
  13. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs de nome Kymlicka
  14. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs de nome Goodway
  15. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs de nome Marshall p. 641
  16. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs de nome Spitz
  17. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs de nome Newman
  18. Honderich, Ted. The Oxford companion to philosophy Second edition ed. Oxford: [s.n.] OCLC 57283356 
  19. "Anarchism". In Gaus, Gerald F.; D'Agostino, Fred, eds. (2012). The Routledge Companion to Social and Political Philosophy. p. 227.
  20. a b Carson, Kevin (15 June 2014). "What is Left-Libertarianism?". Center for a Stateless Society. Retrieved 28 November 2019.
  21. a b c d Fernández, Frank (2001). Cuban anarchism : the history of a movement. [S.l.]: See Sharp Press. OCLC 248314224  Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome ":0" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes
  22. «Libertarianism». 2455 Teller Road, Thousand Oaks California 91320 United States: SAGE Publications, Inc. The Social History of Crime and Punishment in America: An Encylopedia. ISBN 978-1-4129-8876-6 
  23. kanopiadmin (6 de dezembro de 2010). «The Left and Right within Libertarianism». Mises Institute (em inglês). Consultado em 7 de agosto de 2020 
  24. «Key Concepts of Libertarianism». Cato Institute (em inglês). 12 de abril de 2019. Consultado em 7 de agosto de 2020 
  25. Baradat, Leon P. 1940-2016 Verfasser. Political ideologies : their origins and impact. [S.l.: s.n.] OCLC 980330436 
  26. Belsham, William (1789). Essays, Philosophical, Historical, and Literary. Inglaterra: C. Dilly. p. 11 
  27. «A History of Libertarianism». Libertarianism.org (em inglês) 
  28. «Lettre a Proudhon». joseph.dejacque.free.fr. Consultado em 7 de agosto de 2020 
  29. Marshall, Peter (2009). Demanding the Impossible: A History of Anarchism. p. 641. "A palavra 'libertário' há muito tempo está associada ao anarquismo e tem sido usada repetidamente ao longo deste trabalho. O termo originalmente denotava uma pessoa que defendia a doutrina da liberdade de vontade; nesse sentido, Godwin não era um 'libertário' No entanto, ele foi aplicado a qualquer pessoa que aprovasse a liberdade em geral. Nos círculos anarquistas, foi usada pela primeira vez por Joseph Déjacque como o título de seu jornal anarquista Le Libertaire, Journal du Mouvement Social, publicado em New York em 1858. No final do século passado, o anarquista Sebastien Faure adotou a palavra, para enfatizar a diferença entre anarquistas e socialistas autoritários ". (tradução do inglês)
  30. Woodcock, George (1962). Anarchism: A History of Libertarian Ideas and Movements. Meridian Books. p. 280.
  31. «Le Libertaire, Journal du mouvement social». joseph.dejacque.free.fr. Consultado em 7 de agosto de 2020 
  32. Nettlau, Max, 1865-1944.; Isca, Ida Pilat, 1896-1980.; Paul Avrich Collection (Library of Congress) (1996). A short history of anarchism. London: Freedom Press. OCLC 37529250 
  33. Ward, Colin (21 de outubro de 2004). Anarchism: A Very Short Introduction (em inglês). [S.l.]: OUP Oxford 
  34. Chomsky, Noam (2002). «The Week Online Interviews Chomsky». archive.today. Consultado em 7 de agosto de 2020 
  35. Walia, Shelley. «The triumph of anarchism». The Hindu. Chomsky, argues McGilvray, "sees anarchosyndicalism as a modification of the basic Enlightenment conception of the person as a free and responsible agent, a modification required to meet the challenge of private power. Empowering individuals by putting control back into their hands is the best way to meet this challenge and provide a meaningful form of freedom." 
  36. Edgley, Alison. «Libertarian Socialism» (PDF). Canterbury Christ Church University College. Consultado em 28 de dezembro de 2015. Arquivado do original (PDF) em 27 de junho de 2009. The classic liberal tradition with its roots in the Enlightenment and its emphasis on freedom is central for Chomsky in any definition of libertarian socialism. 
  37. «O que significa ser um anarcocapitalista?». Mises Brasil. Consultado em 24 de junho de 2017 
  38. «Anarquismo, libertarismo e liberalismo - ANARCA É A MÃE!». ANARCA É A MÃE!. Consultado em 22 de junho de 2017. Arquivado do original em 24 de junho de 2017. aqui no Brasil ... libertarianismo ou libertarismo ... significam algo próximo do liberalismo clássico 
  39. ROTHBARD, Murray N. A Ética da Liberdade. [S.l.: s.n.] 
  40. «A história do movimento libertário brasileiro». Instituto Mercado Popular. liberalismo clássico ... contra o dirigismo do estado 
  41. «Libertarianism, Then and Now | Libertarianism.org». www.libertarianism.org (em inglês). 3 de outubro de 2018. Consultado em 7 de agosto de 2020 
  42. «Who Is A Libertarian? | The Freeman | Ideas On Liberty». web.archive.org. 26 de junho de 2010. Consultado em 7 de agosto de 2020 
  43. Hamowy, Ronald, 1937-; Sage Publications. (2008). The encyclopedia of libertarianism. Thousand Oaks, Calif.: Sage Publications. OCLC 233969448 
  44. "Anarchism". In Gaus, Gerald F.; D'Agostino, Fred, eds. (2012). The Routledge Companion to Social and Political Philosophy. p. 227.
  45. Guérin, Daniel, 1904-1988. (1970). Anarchism : from theory to practice. New York: Monthly Review Press. p. 12. OCLC 81623. [A]narchism is really a synonym for socialism. The anarchist is primarily a socialist whose aim is to abolish the exploitation of man by man. Anarchism is only one of the streams of socialist thought, that stream whose main components are concern for liberty and haste to abolish the State. 
  46. «Esquerda Libertária: o anticapitalismo de livre mercado». Libertarianismo. Consultado em 10 de julho de 2017. Arquivado do original em 10 de dezembro de 2017 
  47. Kymlicka, Will (2005). "libertarianism, left-". In Honderich, Ted. The Oxford Companion to Philosophy. New York City: Oxford University Press. p. 516. ISBN 978-0199264797. "'Left-libertarianism' is a new term for an old conception of justice, dating back to Grotius. It combines the libertarian assumption that each person possesses a natural right of self-ownership over his person with the egalitarian premiss that natural resources should be shared equally. Right-wing libertarians argue that the right of self-ownership entails the right to appropriate unequal parts of the external world, such as unequal amounts of land. According to left-libertarians, however, the world's natural resources were initially unowned, or belonged equally to all, and it is illegitimate for anyone to claim exclusive private ownership of these resources to the detriment of others. Such private appropriation is legitimate only if everyone can appropriate an equal amount, or if those who appropriate more are taxed to compensate those who are thereby excluded from what was once common property. Historic proponents of this view include Thomas Paine, Herbert Spencer, and Henry George. Recent exponents include Philippe Van Parijs and Hillel Steiner."
  48. 1937-, Hamowy, Ronald,; Publications., Sage (2008). The encyclopedia of libertarianism. Thousand Oaks, Calif.: Sage Publications. ISBN 9781412965804. OCLC 233969448. Libertarianism puts severe limits on morally permissible government action. If one takes its strictures seriously, does libertarianism require the abolition of government, logically reducing the position to anarchism? Robert Nozick effectively captures this dilemma: 'Individuals have rights, and there are things no person or group may do to them (without violating their rights). So strong and far-reaching are these rights that they raise the question of what, if anything, the state and its official may do.' Libertarian political philosophers have extensively debated this question, and many conclude that the answer is 'Nothing'. 
  49. 1972-, Newman, Saul, (2010). The politics of postanarchism. Edinburgh: Edinburgh University Press. ISBN 0748634959. OCLC 650301194. It is important to distinguish between anarchism and certain strands of right-wing libertarianism which at times go by the same name (for example, Rothbard's anarcho-capitalism). 
  50. Nozick, Robert, author. Anarchy, state, and utopia. [S.l.: s.n.] OCLC 1158422449 
  51. «The Morality of Libertarianism - The Future of Freedom Foundation». fff.org (em inglês). Consultado em 10 de julho de 2017 
  52. «The Non-Aggression Axiom of Libertarianism by Walter Block». archive.lewrockwell.com. Consultado em 10 de julho de 2017 
  53. a b «The Free Love Movement and Radical Individualism, By Wendy McElroy». 31 de dezembro de 2010. Consultado em 10 de julho de 2017 
  54. «O argumento em defesa da liberdade, para o que der e vier». Mises Brasil. Consultado em 10 de julho de 2017 
  55. Marshall. [S.l.: s.n.] 2009. pp. 42–43 
  56. «Os libertários são anarquistas?». Mises Brasil. Consultado em 10 de julho de 2017 
  57. «Anarcocapitalismo, minarquismo e evolucionismo». Expresso Liberdade. 5 de setembro de 2014 
  58. «The Minarchist"s Dilemma | Strike-The-Root: A Journal Of Liberty». www.strike-the-root.com (em inglês). Consultado em 10 de julho de 2017 
  59. «Government: Unnecessary but Inevitable» (PDF). Cópia arquivada (PDF) em |arquivourl= requer |arquivodata= (ajuda) 🔗 
  60. «Market Anarchism as Constitutionalism» (PDF). Molinari Institute 
  61. Bookchin, Murray and Biehl, Janet (1997). The Murray Bookchin Reader. Cassell: p. 170. ISBN 0-304-33873-7
  62. Carlson, Jennifer D. (2012). "Libertarianism". In Miller, Wilbur R. The social history of crime and punishment in America. London: Sage Publications. p. 1007. ISBN 1412988764. "[Left-libertarians] disagree with right-libertarians with respect to property rights, arguing instead that individuals have no inherent right to natural resources. Namely, these resources must be treated as collective property that is made available on an egalitarian basis."
  63. Kymlicka, Will (2005). "libertarianism, left-". In Ted Honderich. The Oxford Companion to Philosophy. New York City: Oxford University Press. p. 516. ISBN 978-0199264797. "'Left-libertarianism' is a new term for an old conception of justice, dating back to Grotius. It combines the libertarian assumption that each person possesses a natural right of self-ownership over his person with the egalitarian premiss that natural resources should be shared equally. Right-wing libertarians argue that the right of self-ownership entails the right to appropriate unequal parts of the external world, such as unequal amounts of land. According to left-libertarians, however, the world's natural resources were initially unowned, or belonged equally to all, and it is illegitimate for anyone to claim exclusive private ownership of these resources to the detriment of others. Such private appropriation is legitimate only if everyone can appropriate an equal amount, or if those who appropriate more are taxed to compensate those who are thereby excluded from what was once common property. Historic proponents of this view include Thomas Paine, Herbert Spencer, and Henry George. Recent exponents include Philippe Van Parijs and Hillel Steiner."
  64. Narveson, Jan; Trenchard, David (2008). "Left Libertarianism". In Hamowy, Ronald. The Encyclopedia of Libertarianism. p. 288. "[Left libertarians] regard each of us as full self-owners. However, they differ from what we generally understand by the term libertarian in denying the right to private property. We own ourselves, but we do not own nature, at least not as individuals. Left libertarians embrace the view that all natural resources, land, oil, gold, trees, and so on should be held collectively. To the extent that individuals make use of these commonly owned goods, they must do so only with the permission of society, a permission granted only under the proviso that a certain payment for their use be made to society at large."
  65. a b c d e f «Anarcocomunismo, socialismo libertário e libertarianismo de esquerda: conceitos e diferenças». Mises Brasil. Consultado em 21 de junho de 2017 
  66. Long, Roderick T. (1998). "Toward a Libertarian Theory of Class." Social Philosophy and Policy. 15:2 p. 310. "When I speak of 'libertarianism'... I mean all three of these very different movements. It might be protested that LibCap, LibSoc and LibPop are too different from one another to be treated as aspects of a single point of view. But they do share a common—or at least an overlapping—intellectual ancestry."
  67. Armalin, William T.; Shannon, Deric (2010). «Toward a more unified libertarian left.». Theory in Action (em inglês). 3 (4). doi:10.3798/tia.1937-0237.10029. Consultado em 26 de junho de 2017 
  68. Vallentyne, Peter. «Libertarianism». In: Edward N. Zalta. The Stanford Encyclopedia of Philosophy Spring 2009 ed. Stanford, CA: Stanford University. Consultado em 5 de março de 2010. Libertarianism is committed to full self-ownership. A distinction can be made, however, between right-libertarianism and left-libertarianism, depending on the stance taken on how natural resources can be owned 
  69. Kymlicka, Will (2005) "libertarianism, left-". In Honderich, Ted. The Oxford Companion to Philosophy: New Edition. New York: Oxford University Press. p. 516. ISBN 978-0199264797. "Right-wing libertarians argue that the right of self-ownership entails the right to appropriate unequal parts of the external world, such as unequal amounts of land."
  70. Vallentyne, Peter (2007). "Libertarianism and the State". In Paul, Ellen Frankel; Miller Jr., Fred; Paul, Jeffrey. Liberalism: Old and New: Volume 24. Cambridge University Press. Retrieved 13 June 2013. ISBN 978-0-521-70305-5. "The best-known versions of libertarianism are right-libertarian theories, which hold that agents have a very strong moral power to acquire full private property rights in external things. Left-libertarians, by contrast, hold that natural resources (e.g., space, land, minerals, air, and water) belong to everyone in some egalitarian manner and thus cannot be appropriated without the consent of, or significant payment to, the members of society."
  71. «Cato Institute, Libertarianism.org, People». Consultado em 3 de abril de 2012. Arquivado do original em 17 de abril de 2012 
  72. Mises, Ludwig. Ação Humana. Capítulo 2
  73. History of the Republican Liberty Caucus. Republican Liberty Caucus, 2-20-2011. Retrieved April 16, 2011.
  74. Rep. Justin Amash's Voting Record. GovTrack. Retrieved April 16, 2011.
  75. Top Liberty Index Scorers U.S. Reps. Paul and Flake Vote For DADT Repeal Arquivado em 26 de março de 2012, no Wayback Machine.. Republican Liberty Caucus, 12-18-2010. Retrieved April 16, 2011.
  76. Senator Rand Paul Voting Record. GovTrack. Retrieved April 16, 2011.
  77. Senator Jeff Flake Voting Record. GovTrack. Retrieved November 19, 2012.
  78. Senator Mike Lee Voting Record
  79. Former NM Governor Johnson courts Ron Paul's libertarian base. The DailyCaller, 2-11-2010. Retrieved April 16, 2011.
  80. [1]
  81. Libertarians and Conservatives should rally around Nikki Haley. RedState, 8-2-2009. Retrieved April 16, 2011.
  82. [2]
  83. [3]
  84. Libertarian leaning Republican Governor Paul LePage. LibertarianRepublican.net, 5-17-2012. Retrieved August 14, 2012.
  85. Milton Friedman on the Charlie Rose Show Arquivado em 4 de fevereiro de 2011, no Wayback Machine.. PBS, Novembro de 2005.
  86. Beito, David T. and Linda Royster Beito. Isabel Paterson, Rose Wilder Lane, and Zora Neale Hurston on War, Race, the State, and Liberty. The Independent Institute, The Independent Review, Spring-08.
  87. a b c Republican Liberty Caucus 2006 Convention Summary Arquivado em 22 de julho de 2011, no Wayback Machine..
  88. David Leonhardt. Free for All. The New York Times, 4 de janeiro de 2007.
  89. Clint Eastwood talks to Jeff Dawson. The Guardian (UK), 6-1-2008. Retrieved April 19, 2011.
  90. a b c "As 7 Celebridades Que Você Provavelmente Não Sabe Que São Libertárias" Arquivado em 22 de abril de 2014, no Wayback Machine.. Liberzone, 20 de Abril de 2014.
  91. Larry Elder on NNDB. NNDB. Retrieved April 16, 2011.
  92. Pro-Defense libertarian Neal Boortz Speaker at Florida Cato Function. LibertarianRepublican.net, 2-10-2011. Retrieved April 16, 2011.
  93. «Adam Savage's Full Speech at the Reason Rally – 3/24/12». The Skeptical Libertarian. Consultado em 7 de janeiro de 2016 
  94. «Mark Hoppus | Risenmagazine.com». 15 de julho de 2011. Consultado em 7 de janeiro de 2016 
  95. Drew Carey on NNDB. NNDB. Retrieved April 19, 2011.
  96. Gillespie, Nick and Kurtz, Steve. Stand Up Guy. Reason, 11-01-1997. Retrieved December 6, 2011.
  97. Tucker Carlson Joins the Cato Institute. Cato Institute, Cato-at-liberty.org, 7-28-2009. Retrieved Retrieved April 19, 2011.
  98. Currie, Duncan. Dennis The Right-Wing Menace? Arquivado em 20 de outubro de 2012, no Wayback Machine.. National Review, 6-27-2003. Retrieved April 19, 2011.
  99. Reason interviews libertarian Republican P.J. O'Rourke Arquivado em 19 de março de 2012, no Wayback Machine.. Republican LIberty Caucus, 7-7-2009. Retrieved April 16, 2011.
  100. Quinn, Garrett. «An Exit Interview With Wayne Allyn Root». Reason 
  101. «Kurt Russell: I'm Not a Republican, I'm Worse. A Hardcore Libertarian». Reason.com. Consultado em 7 de janeiro de 2016 
  102. Hunter, Jack. «Why Vince Vaughn supports Ron Paul». The Daily Caller 
  103. [4]
  104. [5]
  105. [6]
  106. [7]
  107. [8]
  108. a b [9]
  109. [10]
  110. «Libertários no DOU 19/01/2010.». Consultado em 29 de abril de 2019. Arquivado do original em 4 de novembro de 2012 
  111. «Livres sai do PSL». www.gazetadopovo.com.br. Consultado em 13 de julho de 2018 
  112. «Valores & Diferenciais : NOVO». novo.org.br. Consultado em 10 de maio de 2017 
  113. «Partido Social Liberal». www.pslnacional.org.br. Consultado em 10 de maio de 2017 
  114. Entrevista - Leandro Narloch (podcast)
  115. [11]
  116. «GDM ENTREVISTA CLÁUDIO MANOEL: O ESTADO PADRINHO NÃO SÓ PERPETUA O ATRASO, ELE TAMBÉM ESCRAVIZA». Consultado em 26 de junho de 2017 
  117. «Executivo fala a jovens empresários sobre liberalismo». Associação Comercial do Paraná. 26 de abril de 2016. Consultado em 10 de abril de 2017 
  118. [12] Arquivado em 23 de maio de 2013, no Wayback Machine., Bunge, Mario: Las pseudociencias ¡vaya timo! - La conexión pseudociencia – filosofía - política. Editorial LAETOLI Edición 2010, en Rústica.
  119. a b CARSON, Kevin. "Studies in Mutualist Political Economy, p. 142
  120. O Capital. Livro Primeiro — O Processo de Produção do Capital Seção I - Mercadoria e Dinheiro Arquivado em 17 de julho de 2013, no Wayback Machine.. São Paulo: Nova Cultural, 1996. Coleção Os Economistas, p. 206

Bibliografia

Ligações externas