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Touros é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Norte. Tem o apelido de "esquina do Brasil". Sua população estimada, conforme dados do IBGE de 2020, era de 33 503[6] habitantes.

Touros
  Município do Brasil  
Praia de Lagoa do Sal - Touros - RN
Praia de Lagoa do Sal - Touros - RN
Símbolos
Bandeira de Touros
Bandeira
Brasão de armas de Touros
Brasão de armas
Hino
Apelido(s) "Esquina do Brasil"
Gentílico tourense
Localização
Localização de Touros no Rio Grande do Norte
Localização de Touros no Rio Grande do Norte
Mapa de Touros
Coordenadas 5° 11' 56" S 35° 27' 39" O
País Brasil
Unidade federativa Rio Grande do Norte
Região intermediária[1] Natal
Região imediata[1] Natal
Municípios limítrofes Oceano Atlântico (ao norte e leste), Pureza (ao sul), Rio do Fogo (a sudeste), São Miguel do Gostoso (a noroeste), João Câmara (a sudoeste) e Parazinho (a oeste)
Distância até a capital 85 km
História
Fundação 27 de março de 1835 (185 anos)
Aniversário 27 de março
Administração
Prefeito(a) Francisco de Assis Pinheiro de Andrade (PP, 2017 – 2020)
Características geográficas
Área total [2] 753,961 km²
População total (estimativa IBGE/2020[3]) 33 503 hab.
 • Posição RN: 16º
Densidade 44,4 hab./km²
Clima Semiúmido e semiárido
Altitude 2 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2010[4]) 0,572 baixo
PIB (IBGE/2017[5]) R$ 143 828,060 mil
PIB per capita (IBGE/2017[5]) R$ 19 871,97
Sítio http://touros.rn.gov.br (Prefeitura)
http://cmtouros.rn.gov.br (Câmara)

HistóriaEditar

 
A fixação do primeiro Marco de Posse colonial da terra brasileira por Portugal ocorreu em Touros. Desde 1974, ela encontra-se em Natal, hoje na Fortaleza dos Reis Magos.

Em 1501, em uma expedição enviada pelo rei de Portugal, ocorreu o primeiro desembarque de colonizadores portugueses ao litoral do Rio Grande do Norte pela orla marítima, na área de limite entre os municípios de Pedra Grande, Touros e São Miguel do Gostoso. Um dos comandantes dessa expedição, Gaspar de Lemos, fixou um marco de posse colonial na praia de Touros, o mais antigo do Brasil, que era feito de pedra em mármore e possuía o desenho da cruzes de Malta e da Ordem dos Cavaleiros de Cristo.[7][8] Acredita-se que, antes mesmo da chegada dos portugueses, alguns navegadores espanhóis, como Alonso de Ojeda e Diego de Lepe, teriam chegado primeiro em terras norte-riograndenses.[9] Há também a tese de que, pouco antes da descoberta do Brasil, Pedro Álvares Cabral tenha atingido o Rio Grande do Norte na praia de Touros.[10]

No século XVII, em abril de 1638, um total de 1 400 homens, comandados por Luís Barbalho Bezerro, realizou o segundo desembarque português em Touros e depois partiram rumo a Salvador, na Bahia, deixando quatro canhões fixados sobre um rochedo encravado na praia de Marcos, com o objetivo de combater os holandeses. No final do mesmo século ocorreu a expansão agrícola das localidades de Ceará-Mirim e Extremoz, dando início ao processo de desenvolvimento econômico de Touros.[8]

No século seguinte, ocorreu a fixação definitiva dos portugueses em Touros. A imagem de Bom Jesus dos Navegantes, atual padroeiro do município, de origem incerta, também chegou à localidade. Em homenagem ao santo foi erguida uma capela, cuja construção durou 22 anos. Uma grande seca ocorrida no Rio Grande do Norte na última década do século XVIII impulsionou a migração de trabalhadores agrícolas vindos do sertão para Touros, já que este possuía terras mais férteis apropriadas à prática da agropecuária.[8]

Em 5 de setembro de 1823 o povoado de Touros foi elevado à categoria de distrito. Em 1832 foi instituída a freguesia de Bom Jesus dos Navegantes e, em 11 de abril de 1833, a Resolução do Conselho do Governo Provincial elevou Touros à categoria de vila, tornando-se município do Rio Grande do Norte, desmembrado de Ceará-Mirim, e instalado em 26 de julho do mesmo ano. A resolução foi confirmada quase dois anos depois pela lei provincial nº 21, de 27 de março de 1835. A origem do nome do novo município é incerta, mas há três versões a respeito do nome "Touros": a primeira indica que o nome refere-se a um rochedo situado na praia com formato da cabeça de um touro, a segunda de que o nome foi dado pelos portugueses, devido a grandes rebanhos de gado existentes na localidade, e a última aponta que a denominação foi dada por navegadores fenícios em homenagem à cidade de Tiro, posteriormente denominado "Touro".[8][11]

Inicialmente, o município de Touros possuía uma grande extensão territorial e 180 quilômetros de praias. Com o passar do tempo, o quadro territorial do município foi sendo alterado com a criação de distritos e a emancipação destes, elevados à condição de município, por meio de lei estadual.[8] De Touros foram desmembrados os atuais municípios de Maxaranguape,[12] Pureza[13] e São Miguel do Gostoso (ex-São Miguel de Touros).[14]

Entre os fatos históricos do século XX, destacaram-se a construção o Farol do Calcanhar (1908); o pouso do avião Savóia-Marchetti (modelo S-64) na ponta do Calcanhar, em 1928, devido ao tempo instável e, consequentemente, à má visibilidade; a transferência do marco de posse colonial sagrado de Touros, em 1974, para Natal, primeiramente museu do Sobradinho e posteriormente para a Fortaleza dos Reis Magos; e a construção do marco inicial da BR-101, que liga Touros ao Sul do país pelo litoral.[7] Em 2000, a lei estadual nº 7831 designou Touros como "a porta de entrada para a criação do estado do Rio Grande do Norte" e instituiu o dia 7 de agosto como a data de aniversário do estado.[15]

GeografiaEditar

 
Touros e municípios limítrofes

De acordo com a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística vigente desde 2017,[16] Touros pertence às regiões geográficas intermediária e imediata de Natal.[1] Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião do Litoral Nordeste, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Leste Potiguar.[17] Touros é o município mais a nordeste do Brasil, estando situado em uma área em que o litoral brasileiro faz um curva, o que confere ao município o apelido de "esquina do Brasil". Limita-se com o Oceano Atlântico a norte, Pureza e João Câmara a sul, Rio do Fogo a leste, São Miguel do Gostoso, Parazinho e novamente João Câmara a oeste.[18] Ocupa uma área de 838,870 km²[2] e dista 85 quilômetros a norte da capital do estado, Natal, por via rodoviária (74 km em linha reta).[18] O município se divide em 27 distritos.[7]

Situado a uma altitude de dois metros acima do nível do mar, em Touros predomina um relevo plano, formado pela planície costeira, que são áreas em formato de dunas, de transição entre o mar e os tabuleiros costeiros que, por sua vez, ocupa áreas relativamente baixas, também denominadas de "planaltos rebaixados", formados por argila, podendo chegar à litorânea. Também é possível notar a presença da chapada da serra verde, cujos terrenos são planos e mais elevados. Touros está situado em área de abrangência da Bacia Potiguar, da Idade Cretácea. Toda a área do município é formada por sedimentos do Grupo Barreiras, formadas durante a Idade Terciária, com exceção do porção sudoeste, que é tipicamente formada por sedimentos de calcário, da formação Jandaíra.[18][19]

Os tipos de solo encontrados são as areias quartzosas distróficas, no litoral, caracterizados pela seu baixo nível de fertilidade, textura formada por areia e altos índices de drenagem, e os latossolos, nas áreas mais afastadas do oceano, com nível fertilidade natural entre bom e médio, textura formada por areia e argila e relevo plano, além dos solos aluviais.[18][19] Esses solos são cobertos por uma vegetação variada, com destaque para as dunas na região litorânea; os campos de várzea nas várzeas úmidas e próxima a cursos de água (são exemplos de espécies a baronesa, o junco e o periperi); a caatinga hipoxerófila na região semiárida, com espécies de menor porte, dentre os quais estão o angico, a aroeira, a braúna, a catingueira, o juazeiro, o mandacaru, o marmeleiro e o umbuzeiro. Há também pequenas áreas de cerrado.[19] Touros, ao lado dos municípios de Maxaranguape e Rio do Fogo, abriga a Área de Proteção Ambiental dos Recifes dos Corais, instituída pelo decreto estadual nº 15 746 de 6 de junho de 2001, cobrindo dezoito mil hectares de área.[19][20] Outras áreas de preservação do município são as reservas florestais de Boqueirão de Touros e Lagoa do Sal.[21]

Maiores acumulados de precipitação em 24 horas
registrados em Touros por meses (EMPARN, 1911-2013)[22][23]
Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data
Janeiro 120,2 mm 21/01/1985 Julho 160,2 mm 19/07/1974
Fevereiro 145 mm 18/02/1981 Agosto 76 mm 07/08/2000
Março 128,2 mm 27/03/1988 Setembro 82 mm 13/09/1999
Abril 143,2 mm 18/04/1983 Outubro 32,2 mm 01/01/1919
Maio 134,4 mm 16/05/1942 Novembro 50,2 mm 24/11/1986
Junho 158,1 mm 08/06/1954 Dezembro 173,4 mm 20/12/1997

Touros possui partes do seu território incluído nas seguintes bacias hidrográficas: Boqueirão, faixas litorâneas norte e leste de escoamento difuso e Punaí.[24] A hidrografia do município tem como principais rios o Curicacas, Maceió, Maxaranguape, Tatu, das Piranhas, Punaú e Santa Luzia, enquanto os principais riachos são Arrepiado, Carro Quebrado, Colônia, Córregos, d'Água e Maxaranguape, além de várias lagoas, sendo a principal delas a do Boqueirão, que cobre uma área de 208,94 hectares e possui capacidade para armazenar 11 074 800 metros cúbicos de água.[25]

Touros possui clima tropical chuvoso com verão seco (ou subúmido) no litoral, com índice pluviométrico anual acima dos 800 milímetros (mm), e semiárido mais para o interior do município, com índices abaixo dos 800 mm/ano.[18] As chuvas se concentram nos meses de março a julho. De acordo com dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), desde 1911 o maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 173,4 mm em 20 de dezembro de 1997. Acumulados iguais ou superiores a 150 mm também ocorreram em 19 de julho de 1974 (160,2 mm) e 8 de junho de 1954 (158,1 mm).[22][23] De acordo com dados da estação meteorológica automática do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) no município, situada no Farol do Calcanhar, entre maio de 2008 e janeiro de 2019 a menor temperatura registrada no local foi de 19,7 °C em 19 de julho de 2018 e a maior atingiu 34,7 °C em 19 de outubro de 2012; a maior rajada de vento aconteceu na tarde do dia 21 de setembro de 2017, chegando a 22,4 m/s (80,6 km/h).[26]

Dados climatológicos para Touros
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 31,6 31,6 31,4 30,8 29,9 28,8 28,4 28,8 29,7 30,6 31,2 31,4 30,4
Temperatura média (°C) 27,3 27,3 27,2 26,7 25,9 24,8 24,3 24,4 25,3 26,1 26,8 27 26,1
Temperatura mínima média (°C) 23 23,1 23 22,6 21,9 20,9 20,3 20,1 21 21,7 22,4 22,7 21,9
Precipitação (mm) 41 83 151 187 150 175 127 54 26 7 11 15 1 027
Fonte: Climate-data.org[27]

DemografiaEditar

Crescimento populacional
Censo Pop.
18729 326
190016 267
192017 0194,6%
194016 671-2,0%
195022 12432,7%
196017 947-18,9%
197019 4428,3%
198019 8171,9%
199127 04336,5%
200027 8793,1%
201031 08911,5%
Est. 202033 503[28]7,8%
Fonte: IBGE (1872-2016)[28][29][30]

A população do município de Touros, no censo demográfico de 2010, era de 31 089 habitantes, sendo o décimo quinto mais populoso do Rio Grande do Norte, com uma densidade populacional de 36,99 habitantes por quilômetro quadrado.[28] Desse total, 7 922 viviam na zona urbana (25,48%) e 23 167 na zona rural (74,52%). Ao mesmo tempo, 16 068 eram do sexo masculino (51,68%) e 15 021 do sexo feminino (48,32%), e a razão sexual era de 106,97.[31][32] Em relação à faixa etária, 9 563 tinham menos de quinze anos (30,76%), 19 399 entre 16 e 64 anos (62,4%) e os 2 127 restantes acima dos 65 anos.[33] Ainda conforme o mesmo censo, 20 317 habitantes se autodeclaram pardos (65,03%), 9 305 brancos (29,93%), 1 224 pretos (3,94%), 311 amarelos (1%) e 32 indígenas (0,1%).[34]

Considerando-se a nacionalidade, todos os habitantes do município eram brasileiros natos (100%).[35] Em relação à região de nascimento, 30 710 eram nascidos na Região Nordeste (98,78%), 294 na Sudeste (0,95%), 29 no Sul (0,09%), vinte no Centro-Oeste (0,07%) e dezessete no Norte (0,05%), além de outros dezoito sem especificação (0,06%). 29 848 habitantes eram naturais do Rio Grande do Norte (96,01%) e, desse total, 21 531 haviam nascido em Touros (69,26%). Entre os não naturais da unidade da federação, a Paraíba era o estado com maior presença, com 482 habitantes residentes (1,55%), seguido por Pernambuco, com 260 (0,84%), e por São Paulo (0,65%).[36][37] Ainda em 2010, 24 pessoas emigraram de Touros em direção a outros países, dos quais vinte para países da Europa (83,33%), três para a América do Norte (12,5%), um para a África (4,17%). Entre os países de destino, nove foram Portugal (37,5%), quatro para a Itália (16,67%), quatro para a Alemanha (16,67%), dois para os Estados Unidos (8,34%), um para a Suécia (4,17%), um para a República da Irlanda (4,17%), um para a Espanha (4,17%), um para o Canadá (4,17%) e um para a África do Sul (4,17%).[38]

O Índice de Desenvolvimento Humano do município é considerado baixo, de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Segundo dados do relatório de 2010, divulgados em 2013, seu valor era de 0,572, ocupando a 145ª posição no Rio Grande do Norte (em 167 municípios) e o 4 802 º do Brasil (em 5 565 municípios). Considerando-se apenas o índice de longevidade, seu valor é de 0,716, o valor do índice de renda é de 0,562 e o de educação é de 0,466.[4] Em 2003, o índice de pobreza era de 51,5% (o índice subjetivo era de 63,29%).[39] De 2000 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até 140 reais reduziu em 34,5%. Em 2010, 56,3% da população vivia acima da linha de pobreza, 21,75% entre as linhas de indigência e de pobreza e 21,95% estavam abaixo da linha de indigência. No mesmo ano, o índice de Gini era 0,52 e os 20% mais ricos eram responsáveis por 54,85% do rendimento total municipal, valor 21,02 vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de 2,61%.[33][40]

ReligiãoEditar

 
Igreja Matriz de Touros, a sede da Paróquia de Bom Jesus dos Navegantes.

Segundo divisão feita pela Igreja Católica, Touros pertence à Arquidiocese de Natal, cuja sede está na capital potiguar. O município está localizado na sétima zonal da arquidiocese, e é sede de uma paróquia, que tem como padroeiro Bom Jesus dos Navegantes. A Igreja Matriz sede foi construída entre 1778 e 1800 e elevada à categoria de matriz em 1832, quando da criação da freguesia.[8][41] No censo de 2010 o catolicismo romano era a religião da maioria da população, com 25 775 adeptos, ou 82,91% dos habitantes.[42]

Touros possui os mais diversos credos protestantes ou reformados. Em 2010 3 536 habitantes se declararam evangélicos (11,37%), sendo que 2 860 pertenciam às igrejas evangélicas de origem pentecostal (9,2%), 254 às evangélicas de missão e os 422 restantes a evangélicas não determinadas (1,36%). Dentre as igrejas pentecostais, 2 565 pertenciam à Assembleia de Deus (8,25%), 127 à Igreja Universal do Reino de Deus (0,41%), dezessete à Congregação Cristã do Brasil (0,06%) e 150 a outras pentecostais (0,48%). Em relação às de missão, existiam 135 batistas (0,44%), 71 adventistas (0,23%) e 48 presbiterianos (0,15%).[42]

Além da Igreja Católica e do protestantismo, também existiam 222 testemunhas de Jeová (0,71%), 35 candomblecistas (0,11%), 32 espíritas (0,1%), 26 católicos ortodoxos (0,08%), 22 esotéricos (0,07%) e oito messiânicos (0,03%). Outros 1 352 não tinham religião (4,35%), dentre os quais 134 ateus (0,43%), 73 pertenciam a outras religiosidades cristãs (0,23%) e nove possuíam religião indeterminada ou indefinida (0,03%).[42]

PolíticaEditar

O poder executivo do município de Touros é representado pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários e eleito pelo voto direto para um mandato de quatro anos.[43][44] O atual prefeito, Francisco de Assis Pinheiro de Andrade (Assis do Hospital), do Progressistas foi eleito nas eleições municipais de 2016 com 83,67% dos votos válidos, tendo como vice Flávio dos Santos Teixeira (Flávio de Tetê) do Partido da Social Democracia Brasileira(PSDB).[45][46]

O poder legislativo é representado pela Câmara Municipal, formada por treze vereadores também eleitos diretamente para mandatos de quatro anos. Na atual legislatura, iniciada em 2017, a casa legislativa é constituída por quatro cadeiras do Progressistas (PP), quatro do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), duas cadeiras do Partido Socialista Brasileiro (PSB), uma do Democratas (DEM), uma do Rede Sustentabilidade (Rede), e uma do Partido Republicano da Ordem Social (PROS).[47]

Existem ainda alguns conselhos municipais em atividade: Educação, FUNDEB, Habitação, Meio Ambiente, Saúde e Tutelar.[19][48][49][50][51][52] Touros se rege pela sua lei orgânica, promulgada pela Câmara Municipal em 3 de abril de 1990,[43] e é sede de uma comarca, de primeira instância, cujo termo é São Miguel do Gostoso.[53][54] O município possuía, em Julho de 2020, 24 785 eleitores o que representa 1,013% do total do Rio Grande do Norte.[55]

EconomiaEditar

 
Touros é o maior produtor de abacaxi do Rio Grande do Norte e o terceiro do país.[56]

Conforme dados de 2011, o Produto Interno Bruto (PIB) de Touros era de R$ 236 308 mil, sendo R$ 57 272 mil do setor primário, R$ 14 029 mil do setor secundário, R$ 135 384 do setor terciário e 29 623 mil de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes. O PIB per capita era de R$ 7 541,10.[57] 61,1% da população maior de dezoito anos era economicamente ativa, enquanto que a taxa de desocupação era de 6,68% (2010).[33]

Na agricultura, Touros produziu, na lavoura permanente de 2012, coco-da-baía (dezoito mil frutos), banana (15 900 t), mamão (12 000 t), castanha de caju (700 t) e manga (450 t).[58] Já na lavoura temporária foram produzidos abacaxi (87,1 mil frutos), mandioca (18 000 t) e cebola (900 t), .[59] Na pecuária, Touros possuía 85 900 galináceos (galos, frangas, frangos e pintos), 10 500 galinhas, 7 287 bovinos, 1 405 suínos, 1 320 caprinos, 681 asininos, 385 equinos e oitenta muares. Também foram produzidos 2 678 mil litros de leite de 2 400 vacas ordenhadas e 95 mil dúzias de ovos de galinha.[60]

Na indústria, Touros possuía, em 2010, 8,41% do pessoal ocupado acima de dezoito anos trabalhando no setor industrial, sendo 5,22% na construção civil, 1,95% na indústria de transformação e 1,24% nos serviços de utilidade pública. Segundo o IBGE, na extração vegetal de 2011 foram produzidos 1 150 metros cúbicos de lenha e duas toneladas de carvão vegetal.[61] No setor terciário, 27,8% trabalhavam na prestação de serviços e 11,98% no setor comercial.[33] Salários, juntamente com outras remunerações, somavam 24 389 mil reais e o salário médio mensal de todo município era de 1,8 salários mínimos. Havia 318 unidades locais, sendo 316 atuantes.[62]

InfraestruturaEditar

SaúdeEditar

Segundo dados de 2009, Touros possuía quatorze estabelecimentos de saúde, sendo treze públicos e um privado e treze deles prestando atendimento ao Sistema Único de Saúde (SUS). Existiam vinte leitos para internação, todos públicos e de caráter municipal.[63] O município pertence à II URSAP, sediada em João Câmara,[64] e possui o Hospital Municipal Ministro Paulo de Almeida Machado, localizado no Centro, contando com serviços de atendimento ambulatorial, urgência e emergência, leitos nas especialidades de cirurgia, clínica, obstetrícia, pediatra e serviços especializados.[65]

Em 2010, existiam 43 médicos, 29 auxiliares de enfermagem, 22 enfermeiros, dezoito cirurgiões-dentistas, seis nutricionistas, cinco farmacêuticos, quatro técnicos de enfermagem, três fisioterapeutas, um psicólogo, um fonoaudiólogo e um assistente social, totalizando 133 profissionais de súde.[66] No mesmo ano, a expectativa de vida ao nascer era de 71,1 anos, a taxa de mortalidade infantil era de 23,6 por mil nascimentos e a taxa de fecundidade era de 2,3 filhos por mulher.[33] Em 2012, 94,23% das crianças menores de um ano de idade estavam com a carteira de vacinação em dia e 92,8% crianças menores de dois anos foram pesadas pelo Programa Saúde da Família (PSF), sendo que 0,39% do total estavam desnutridas.[40][67] Segundo dados do Ministério da Saúde, dezesseis casos de AIDS foram registrados em Touros entre 1987 e 2012 e, entre 2001 e 2011, foram notificados 654 casos de doenças transmitidas por mosquitos, sendo 627 de dengue e 27 de leishmaniose.[68]

EducaçãoEditar

Educação de Touros em números (2012)[69]
Nível Matrículas Docentes Escolas
Ensino pré-escolar 962 59 32
Ensino fundamental 6 075 287 37
Ensino médio 1 183 38 3

Em 2012, Touros possuía um total de 14 882 estudantes matriculados em diversos estabelecimentos de ensino.[69] O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica de 2009 das escolas públicas era de 2,9 para os anos iniciais (1ª à 4ª séries) e de 2,5 para os anos finais (5ª a 8 série).[70]

De acordo com dados da amostra do censo demográfico de 2010, da população total, 10 731 habitantes frequentavam creches e/ou escolas. Desse total, 521 frequentavam creches, 1 111 estavam no ensino pré-escolar, 502 na classe de alfabetização, 284 na alfabetização de jovens e adultos, 6 607 no ensino fundamental, 138 na educação de jovens e adultos do ensino fundamental, 1 148 no ensino médio, 143 na educação de jovens e adultos do ensino médio. 2 435 em cursos superiores de,263 em cursos graduação e treze cursando mestrado. Entre os que não frequentavam unidades escolares, 16 589 haviam frequentado alguma vez e 3 789 nunca haviam frequentado.[71] No mesmo ano, a taxa de conclusão do ensino fundamental entre adolescentes entre 15 a 17 anos era de 38,27% e o percentual de alfabetização de jovens e adolescentes entre 15 e 24 anos era de apenas 22,39%. A distorção idade-série entre alunos do ensino fundamental, ou seja, com com idade superior à recomendada, era de 29,4% para os anos iniciais e 51,3% nos anos finais e, no ensino médio, a defasagem chegava a 45,2%.[72]

CulturaEditar

A responsável pela atuação do setor cultural de Touros é a Secretaria Municipal de Educação Cultura e Desporto, que possui várias atribuições, entre elas gerir a política das atividades educacionais no município, organizar a política de cultura e lazer da população, induzir a conservação da proteção patrimônio artístico-histórico-cultural de Touros, planejar a política de esportes, entre outros.[73]

Segundo o Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (IDEMA), Touros contava, em 2008, com três associações beneficentes, uma quadra de esportes, um ginásio poliesportivo, um clube social, um campo de futebol e uma biblioteca.[19]

AtrativosEditar

 
Farol do Calcanhar, o maior do Brasil e o segundo maior da América Latina.

O município de Touros possui diversas atrativos turísticos espalhados por seu território. Entre eles estão, além das praias e do Marcos de Touros: o Farol do Calcanhar, localizada na ponta de mesmo nome, a seis quilômetros da sede municipal, possui 62 metros de altura e é o segundo maior farol em atividade no mundo, segundo o Guinness Book, construído no ano de 1908 e reformado em 1945, logo após a Segunda Guerra Mundial; os canhões coloniais; a Igreja Matriz de Bom Jesus dos Navegantes, sede da paróquia de Touros e pertencente à Arquidiocese de Natal, construída inicialmente como capela entre 1778 e 1800 e posteriormente elevada à categoria de matriz, abrigando a imagem do padroeiro municipal, possivelmente achada no final do século XVIII nas águas de um rio que banha Touros; o Cruzeiro das Almas, erguido na década de 1850 no antigo cemitério de Touros, quando houve uma grande epidemia de cólera no povoado que matou um terço da população local; o marco da BR-101, obra do arquiteto Oscar Niemeyer; e a formação rochosa do Tourinho, que possivelmente teria dado o nome ao atual município.[74] Outros importantes pontos turísticos do município são o Centro de Turismo, a Lagoa de Boqueirão, o Museu de Touros e as praias do Cajueiro, Carnaubinha, Monte Alegre, Perobas, Ponta do Calcanhar e São José.[19]

Touros também possui diversos atrativos culturais, realizados durante o ano inteiro. São os principais a Festa dos Reis no Distrito de Boa Cica, no dia 6 de janeiro; o Carnaval, realizado em data móvel (fevereiro ou março) com foliões e apresentações de bandas musicais; a festa de emancipação política, em 27 de março; as festas juninas, em junho; a tradicional Cavalgada dos Pais no Distrito de Santa Luzia em agosto; e a festa de Bom Jesus dos Navegantes, padroeiro municipal, em 31 de dezembro.[19][74]

FeriadosEditar

Segundo a Associação do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte (AMPERN), em Touros há, além dos feriados nacionais, estaduais e pontos facultativos, quatro feriados municipais, sendo eles os dias 2 de janeiro, dia de Bom Jesus dos Navegantes, padroeiro de Touros; 27 de março, dia em que o município festeja sua emancipação política; 29 de junho, dia de São Pedro; e o dia 5 de setembro, dia da paróquia de Touros.[75]

Ver tambémEditar

Referências

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