Christina Aguilera

cantora, compositora e atriz dos Estados Unidos
Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a artista. Para o álbum homônimo, veja Christina Aguilera (álbum).

Christina María Aguilera (Staten Island, 18 de dezembro de 1980) é uma cantora, compositora e atriz norte-americana. Referida como a "Voz da Geração", é creditada como uma das responsáveis por reviver o teen pop no final dos anos 1990s e somar sua habilidade vocal para discursar sobre temas como a sexualidade e o feminismo. Ao passo que continuamente reinventava sua imagem, tornou-se reconhecida por seus visuais extravagantes e não convencionais. Além de provocar polêmica, seus trabalhos foram elogiados pela crítica especializada, pelos quais têm sido ainda citada como influência para diversos artistas.

Christina Aguilera
Aguilera se apresentando durante um dos concertos da The Liberation Tour, em 2018.
Nome completo Christina María Aguilera
Pseudônimo(s) Xtina  · Baby Jane
Nascimento 18 de dezembro de 1980 (39 anos)
Staten Island, Nova Iorque,
Estados Unidos
Residência Beverly Hills, Califórnia
Nacionalidade norte-americana
Progenitores Mãe: Shelly Loraine Fidler
Pai: Fausto Xavier Aguilera
Cônjuge Jordan Bratman (c. 2005; div. 2011)
Filho(s) 2
Ocupação Cantora  · compositora  · produtora musical  · atriz  · empresária  · filantropa
Período de atividade 1992–presente
Prêmios Lista completa
Carreira musical
Gênero(s) Pop  · R&B  · dance  · soul
Extensão vocal Soprano
Instrumento(s) Vocal
Gravadora(s) RCA Records
Afiliações
Assinatura
Christina Aguilera signature.png
Página oficial
christinaaguilera.com

Criada em Rochester, Pensilvânia, seus primeiros trabalhos aconteceram na televisão nacional, quando participou dos programas Star Search (1990) e The Mickey Mouse Club (1993–94). Após gravar a faixa "Reflection", tema do filme Mulan (1998), Aguilera assinou um contrato com a RCA Records. Com o lançamento de seu disco de estreia, Christina Aguilera (1999), alcançou o sucesso internacional e colocou as canções "Genie in a Bottle", "What a Girl Wants" e "Come On Over Baby (All I Want Is You)" na liderança da Billboard Hot 100. Com o lançamento de Stripped (2002), reformulou sua música e imagem; no videoclipe de "Dirrty", causou controvérsia ao apresentar-se sexualmente, causando o rompimento com sua imagem como ídolo teen. Além disso, o projeto foi responsável por produzir o tema "Beautiful" e torná-la a artista feminina mais bem-sucedida de 2003.

Seu quinto disco, Back to Basics (2006), foi recebido com críticas favoráveis e converteu-se como segundo projeto de sua carreira a estrear no topo da Billboard 200. Além disso, foi responsável por produzir as bem-sucedidas faixas "Ain't No Other Man" e "Hurt". Em 2010, fez sua estreia nos cinemas em Burlesque, o qual foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme – Comédia ou Musical. Durante esse período, fez participação nas faixas "Moves Like Jagger" (2011) e "Say Something" (2013), reconhecidas como uma das mais vendidas digitalmente no mundo. Fora de seus trabalhos como cantora, realizou projetos na televisão como treinadora na competição The Voice (2011–16) e atuando na série Nashville (2015). Em 2019, deu início à Christina Aguilera: The Xperience, sua residência de seis etapas no Planet Hollywood Resort and Casino, em Las Vegas.

Ao longo de sua carreira, estima-se que tenha vendido cerca de 75 milhões de cópias com seus trabalhos, sendo reconhecida como uma recordista de vendas no mundo. Entre seus diversos prêmios e reconhecimentos, encontram-se cinco Grammy Awards, um Grammy Latino, dois MTV Video Music Awards (VMA) e uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood. Além disso, foi considerada uma das maiores vocalistas da música popular através de publicações da Rolling Stone e MTV, bem como uma das pessoas mais influentes do mundo pela Time. Em 2009, foi classificada pela revista Billboard como uma das maiores artistas da década de 2000, enquanto o canal VH1 a escolheu como a oitava maior artista feminina da indústria musical.

Vida e carreiraEditar

Infância e primeiros trabalhos (1980–1998)Editar

Christina María Aguilera nasceu no dia 18 de dezembro de 1980, em Staten Island, Nova Iorque,[1][2] sendo a primeira filha de Fausto Xavier Aguilera (1949) e Shelly Loraine Fidler (1960).[3] Sua irmã mais nova é Rachel (1986).[4] Seu pai, nascido no Equador, servia como um sargento no exército dos Estados Unidos,[5] enquanto sua mãe, uma norte-americana com ascendência irlandesa e alemã, atuava como professora de espanhol e tinha habilidades com violino e piano.[6][7] Por conta do serviço de seu pai, sua família teve que se mudar constantemente;[8][9] passaram uma temporada no Texas e na Nova Jérsei, até que partiram para o Japão, onde permaneceram por pelo menos três anos.[10] Ao longo de sua carreira, Aguilera têm afirmado que sua infância foi turbulenta devido à brigas constantes entre seus pais, com algumas partindo para agressões físicas.[11][12] Shelly confirma os acontecimentos, ressaltando que ela e sua filha eram abusadas por ele emocionalmente.[13][14] Foi nessa época que a artista foi inserida na música, usando-a para escapar da violência doméstica.[15] A cantora relembra que em seus primeiros anos de vida conversava com seus pais em espanhol, tendo cantado suas primeiras músicas no idioma enquanto ouvia Julio Iglesias.[16][17] Além disso, afirmou que para esquecer as tensões em casa, ela assistia ao musical The Sound of Music (1965), notando que "a liberdade que [Julie] Andrews sentia no filme lhe libertava de qualquer energia ruim".[18][19] Em 1986, fugiu com sua mãe e irmã para morar com a avó, no subúrbio de Pittsburgh, na Pensilvânia.[6][20] Em 1991, sua mãe voltou a se casar, desta vez com o paramédico James Kearns, com quem teve outro filho, Michael (1996).[21]

"Quando cheguei ao The Mickey Mouse Club, foi a primeira vez que estive [em contato] com várias outras crianças que adoravam fazer o mesmo trabalho que eu e eram apaixonadas pela mesma coisa que eu também era. Então foi realmente emocionante para mim quase sentir que encontrei o meu lugar".

—Aguilera sobre a sensação de quando começou a trabalhar no programa infantil, em 1992.[15]

Enquanto ainda morava com sua avó materna, Delcie Dunfee Fidler, foi incentivada por ela para que participasse de competições locais.[22] Em 1988, Aguilera competiu pela primeira vez cantando "Greatest Love of All", canção de Whitney Houston, disputando com um garoto de doze anos.[23] Ela foi aplaudida pela plateia; no entanto, perdeu a competição.[24] Depois de diversas disputas, ela foi convidada para participar de programas de rádio e televisão local, sendo conhecida na cidade como "a garotinha do vozeirão".[25][26] Os problemas de infância de Aguilera estenderam-se quando ela ingressou na escola, onde sofria bullying pelos colegas que a viam como arrogante por conta de sua "autoconfiança" e talento notável pelos professores.[14][15] Quando tinha nove anos, produtores do programa The Mickey Mouse Club foram até Pittsburgh em busca de seis crianças para integrarem no elenco do espetáculo.[27][28] Christina estava concorrendo com mais de 400 candidatos, compondo a lista dos finalistas, mas não foi aceita na atração por conta de sua pouca idade.[27]

Ela continuou participando de competições, até que se tornou uma concorrente do programa Star Search em 1990, marcando sua primeira aparição na televisão nacional.[29][30] Na atração, ela cantava "A Sunday Kind of Love", interpretada por Etta James, mas não foi bem-sucedida na atração.[19] Com o sucesso na cidade, ela foi convocada para cantar o hino nacional dos Estados Unidos em jogos de hóquei dos Pittsburgh Penguins, de futebol dos Pittsburgh Steelers e de basebol dos Pittsburgh Pirates.[2][31] Com doze anos, sua mãe recebeu um telefonema de um dos produtores de The Mickey Mouse Club que havia mantido em arquivo fitas da audição de Aguilera em 1989, e perguntou se ela ainda tinha interesse em ser uma "Mouseketeer".[n 1][33] Shelly respondeu positivamente e levou a filha para concorrer contra 15 mil jovens de todo o país.[33] Ela finalmente conseguiu integrar o programa que era composto por outras crianças notáveis, incluindo Britney Spears, Justin Timberlake e Ryan Gosling.[34][35] No espetáculo, ela se apresentava em números de comédias e musicais, até ter seu fim decretado em meados de 1994.[36] Após a atração, Christina viajou para o Japão com o intuito de começar sua carreira como cantora, mas não obteve sucesso.[2] Em busca de um pontapé inicial, Aguilera começou a gravar versões demo e enviá-las para gravadoras.[37] Uma delas foi para a Walt Disney Records, onde interpretava a canção "Run to You" de Whitney Houston, conseguindo assim a oportunidade de gravar o tema "Reflection" para a trilha sonora do filme de animação Mulan (1998).[38] Com a interpretação, ela conseguiu um contrato com a RCA Records.[39]

Sucesso internacional (1999–2001)Editar

 
Fotografia de Aguilera para fazer parte do encarte de seu primeiro disco, além de ter sido usada para publicidades em torno do mesmo, em 1999.

Após a assinatura de seu contrato, Christina imediatamente começou a gravar o seu disco de estreia.[40][41] Ron Fair, o então diretor executivo da RCA Records, atuou também como produtor executivo do projeto, afirmando ter se sentido "impressionado com o talento puro [de Aguilera]".[23][42] Inicialmente, a cantora tinha como intenção criar um trabalho inspirado no R&B, mas teve seu desejo frustrado pelos executivos da gravadora que queriam um material direcionado ao mercado adolescente, investindo no teen pop, gênero que estava em alta no final da década de 1990.[23][43][44] Seu álbum de estreia, Christina Aguilera, foi lançado em 24 de agosto de 1999.[45] Estreando na primeira posição da Billboard 200, com cerca de 252 mil unidades comercializadas na primeira semana,[46] foi ainda certificado como disco de platina dupla pela Recording Industry Association of America (RIAA) com apenas um mês de divulgação nos Estados Unidos.[47] Além disso, o disco se posicionou entre os mais vendidos de diversos países e, em menos de um ano, havia vendido aproximadamente 10 milhões de cópias mundialmente,[17] o que fez com que a BBC News a reconhecesse como "um dos talentos mais bem sucedidos [e] observados da América".[48]

"Genie in a Bottle" foi lançada como a primeira canção de trabalho usada na divulgação do disco.[29] Seu conteúdo lírico logo se tornou controverso;[49][50] a veterana Debbie Gibson acusou a obra de fazer referências sexuais.[51] Aguilera se defendeu, afirmando que "a canção não é sobre sexo, é sobre autorrespeito [...] é sobre não ceder à tentação até que você seja respeitado".[52] Em pouco menos de um mês, a faixa alcançou o topo da Billboard Hot 100 — posição que permaneceu por cinco semanas consecutivas —,[53] convertendo-se como a segunda mais vendida nos Estados Unidos em 1999, atrás apenas de "Believe" de Cher.[54] "Genie in a Bottle" também se posicionou entre as mais vendidas em dez países, acumulando mais de 7 milhões de cópias vendidas em todo o mundo.[55][56] Além disso, a canção recebeu uma indicação ao Grammy Award de Melhor Performance Pop Vocal Feminina.[57] "What a Girl Wants" e "Come On Over Baby (All I Want Is You)" repetiram o sucesso do tema anterior e mantiveram o disco nas tabelas musicais.[58] Desde então, o projeto distribuiu cerca de 17 milhões de unidades em todo o globo.[5][59]

No início de 2000, Aguilera se apresentou como atração de intervalo no Super Bowl XXXIV e ganhou destaque da mídia ao vencer o Grammy Award de Artista Revelação — prêmio que era esperado ser entregue para Macy Gray.[60][61] A revista Time afirmou que o acontecimento lhe "credenciava como uma verdadeira cantora".[62] Durante esse tempo, a artista confirmou que estava em processo de desenvolvimento de seu primeiro disco em espanhol.[63] Em 12 de setembro, Mi Reflejo chegou às lojas de discos e logo alcançou o topo das paradas, permanecendo por dezenove semanas consecutivas no topo da Billboard Latin Albums.[64] Além disso, foi o segundo álbum em espanhol mais vendido de 2001,[65] comercializando, desde então, cerca de 3 milhões de unidades em todo o mundo.[66][67] O projeto lhe rendeu ainda um Grammy Latino de Melhor Álbum Vocal Pop Feminino, tornando-se a primeira artista norte-americana a receber tal prêmio.[68] Em 24 de outubro, Aguilera lançou um material natalino, My Kind of Christmas, e teve seu próprio especial da comemoração televisionado pela American Broadcasting Company (ABC).[69][70] Neste período, a cantora embarcou em sua primeira turnê, Christina Aguilera in Concert, para divulgar seus trabalhos lançados até então, sendo ainda reconhecida pela Billboard como a artista feminina mais bem-sucedida de 2000.[71][72]

No início de 2001, Aguilera trabalhou em duas parcerias de sucesso. A primeira delas foi em "Nobody Wants to Be Lonely", um dueto com Ricky Martin, lançada em 16 de janeiro.[73] "Lady Marmalade" foi a segunda colaboração, onde a cantora dividiu os vocais com Lil' Kim, Mýa e Pink. Lançada em 24 de março, a faixa fez parte da trilha sonora do filme Moulin Rouge! e chegou ao topo das principais tabelas musicais de todo o mundo.[74][75] Ao total, foram mais de 5.5 milhões de unidades comercializadas em nível mundial.[76] Ambas as parcerias foram indicadas ao Grammy Award de Melhor Colaboração de Pop com Vocais, onde "Lady Marmalade" saiu vitoriosa.[77] Em 19 de junho, foi posto à venda Just Be Free, um projeto que Aguilera havia gravado quando tinha apenas 15 anos de idade.[78] Liberado pelos próprios produtores do disco, a artista entrou na justiça para impedir que ele continuasse sendo comercializado.[79] No entanto, ambas as partes entraram em um acordo e a intérprete decidiu mantê-lo no comércio, emprestando sua música, imagem e nome por uma quantia não especificada de indenização.[80] Nesse período, manteve um relacionamento com seu dançarino, Jorge Santos.[81]

Mudança de imagem e controvérsias (2002–03)Editar

 
Aguilera em um concerto da Stripped World Tour, após adotar sua nova e polêmica imagem sob o alter ego Xtina, em 2003.

Após "Lady Marmalade", Aguilera confirmou que estava planejando seu quarto álbum de estúdio, afirmando que assumiria o controle criativo em torno do mesmo.[82] Ela explicou que o projeto serviria como "um novo começo, uma reintrodução de [si mesma] como uma nova artista";[83] para isso, assumiu uma imagem mais provocante — em relação à sua maquiagem e vestuário —, adotando ainda o cabelo preto e o alter ego Xtina.[84] Em 22 de outubro de 2002, o resultado final foi divulgado, recebendo o nome de Stripped.[85] O disco incorporava diversos estilos musicais, incluindo R&B, soul, hip-hop e rock,[86] com seu conteúdo lírico abordando temas como sexo, igualdade de gênero, autoestima e violência doméstica.[87][88] A crítica especializada elogiou sua profundidade, mas receberam de forma negativa sua falta de concentração musical.[89][90] Comercialmente, Stripped repetiu o sucesso de seus trabalhos anteriores. Nos Estados Unidos, estreou na segunda posição da Billboard 200, onde vendeu cerca de 330 mil unidades na primeira semana.[91] Através da Recording Industry Association of America (RIAA), foi certificado disco de platina dupla com dois meses de lançamento, após ter distribuído 2 milhões de cópias no país.[92]

O primeiro material usado na divulgação do disco foi "Dirrty", escolhida por Aguilera para por fim à sua imagem como um ídolo teen.[93] Além de ser criticada musicalmente, sendo apontada como "horrível" e "vergonhosa" por críticos profissionais,[89][90] o videoclipe da canção gerou controvérsia por retratar diversos conceitos e fetiches sexuais.[94] A imagem representada pela artista começou a ofuscar sua música, atraindo críticas de Shakira, Jessica Simpson e do próprio público.[95][96] Aguilera defendeu sua nova direção artística — esta apelidada pela crítica de girl next door —,[97] explicando que "[está] na posição de poder, no comando completo de tudo ao seu redor e, apesar de ser parecer esquisito, são medidas adotadas por verdadeiros artistas".[96] Protestos também ocorreram na Tailândia, denunciando os pôsteres do vídeo musical que divulgavam o turismo sexual no país, sendo proibido sua reprodução por programas de televisão locais.[98][99] David LaChapelle, que dirigiu o vídeo, afirmou que não sabia o que dizia nos pôsteres.[100] Apesar de ter se posicionado na primeira posição da UK Singles Chart, principal tabela musical do Reino Unido,[101] "Dirrty" chegou apenas na 48ª colocação da Billboard Hot 100, convertendo-se como a canção de Aguilera com a pior posição na parada até então.[102]

Em novembro de 2002, Aguilera apareceu nua, coberta apenas por uma guitarra, na capa da revista Rolling Stone, onde foi intitulada como Princesa do Pop.[103] Na intenção de amenizar as opiniões negativas à sua nova imagem, a artista lançou "Beautiful" como a sua nova música de trabalho.[104] Referida pela Billboard como uma "balada de valor único [com uma] profundidade agradavelmente surpreendente",[89] a faixa foi responsável por recuperar a popularidade de Aguilera nas paradas musicais de todo o mundo — na Billboard Hot 100, alcançou a segunda posição e converteu-se como a sua canção de maior longevidade na tabela.[102][105] Com um videoclipe dirigido por Jonas Åkerlund, "Beautiful" recebeu atenção por parte da mídia ao representar positivamente pessoas homossexuais e transgêneros, sendo referido como um hino gay.[106][107] Com o tema, Aguilera também foi premiada com o Grammy Award de Melhor Performance Vocal Feminina de Pop.[108] "Fighter", "Can't Hold Us Down" e "The Voice Within" também foram extraídas de Stripped e o manteve nas tabelas musicais entre 2003 e 2004.[87] Desde então, foram contabilizadas mais de 12 milhões de cópias vendidas pelo mundo,[109][110] sendo 2 milhões apenas no Reino Unido,[101] onde foi reconhecido pela Official Charts Company (OCC) como o quadragésimo projeto mais vendido do milênio.[111]

Em 2003, Aguilera embarcou em duas turnês para promover seus trabalhos.[112] A primeira delas, Justified and Stripped Tour — em conjunto com Justin Timberlake — tornou-se uma das mais rentáveis do ano, com arrecadação superior à 30 milhões de dólares.[113] Após o término da parceria, a cantora continuou os concertos sozinha na Stripped World Tour.[114] Em agosto de 2003, Aguilera abriu o MTV Video Music Awards (VMA) com Britney Spears, cantando "Like a Virgin" (1984).[115] No meio da apresentação, ambas as cantoras beijaram Madonna, incidente que se tornou altamente divulgado pela mídia.[116][117] Em novembro, ela foi apresentadora do MTV Europe Music Awards (EMA), onde também foi prestigiada com o prêmio de Melhor Artista Feminina.[118] Seus feitos também foram reconhecidos pela Billboard e ela foi nomeada a artista feminina mais bem-sucedida de 2003.[119] No fim deste ano, revelou que estava em um relacionamento com o executivo Jordan Bratman.[96]

Amadurecimento e aclamação crítica (2004–07)Editar

 
Aguilera durante uma apresentação no Festival de Sanremo, na Itália, em 2006.

Em fevereiro de 2004, Aguilera afirmou que estava trabalhando em seu quinto disco.[120] Ela destacou que sua ideia no projeto era "crescer [como artista] e ser reconhecida como uma visionária".[121] Para refletir sua nova direção artística, a cantora assumiu uma imagem mais adulta; adotou o loiro platinado em seus cabelos e um vestuário inspirado nas modelos pin-up,[122] além de aderir ao alter ego Baby Jane.[123] Durante esse período, a intérprete trabalhou em diversos projetos paralelos de pouco sucesso comercial. Como artista convidada, ela participou da faixa "Tilt Ya Head Back" com Nelly,[124] além de dividir os vocais com Missy Elliott em "Car Wash" — tema do filme de animação Shark Tale,[125] pelo qual atuou também como dubladora.[126] No final de 2005, a cantora gravou com Herbie Hancock o tema "A Song for You", pela qual ela recebeu uma indicação ao Grammy Award de Melhor Colaboração de Pop com Vocais,[127] e se casou com Jordan Bratman em uma propriedade privada no Condado de Napa, na Califórnia.[128] No ano seguinte, colaborou em um dueto de "Somos Novios (It's Impossible)" com Andrea Bocelli, sendo convidada para uma apresentação da faixa no Festival de Sanremo, na Itália.[129]

Durante o processo de gravação de seu novo projeto, Aguilera afirmou que iria fazer um "retrocesso aos anos de 1920s, 1930s e 1940s", combinando o jazz, blues e soul ao som da música pop.[130] O resultado final foi nomeado como Back to Basics, um disco duplo lançado em 9 de agosto de 2006.[131] Repetindo o sucesso de seus discos antecessores, o projeto chegou a ocupar o topo das paradas musicais em mais de dez países.[132][133] Em sua primeira semana nos Estados Unidos, comercializou cerca de 346 mil unidades e estreou na liderança da Billboard 200, convertendo-se como o segundo trabalho da artista a repetir tal feito.[134] Desde então, foi certificado como disco de platina pela Recording Industry Association of America (RIAA) após atrair vendas superiores à 1.7 milhões de unidades no país.[135] O projeto foi recebido com opiniões otimistas dos críticos; Katherine Barner do Idolator afirmou que o disco foi capaz de "colocar o talento e a diversidade musical de [Aguilera] na vanguarda [...] Além de ser responsável por distanciá-la de outras estrelas da música popular".[136] Back to Basics também recebeu uma nomeação ao Grammy Award de Melhor Álbum Vocal de Pop.[137] Desde então, é reconhecido como um dos melhores lançamentos daquele ano,[138] bem como da década de 2000.[139]

"Ain't No Other Man" foi o primeiro material usado na divulgação do disco. Referida como uma das melhores obras do ano,[140][141] Kelefa Sanneh do The New York Times a definiu como "uma [música] gloriosa no álbum [...] que prova mais uma vez que ninguém pode rugir como Sra. Aguilera".[142] No vídeo musical da obra, dirigido por Bryan Barber, a cantora foi elogiada por sua representação dos elementos da época do jazz.[143] A produção acabou recebendo quatro indicações no MTV Video Music Awards de 2006, incluindo o de Vídeo do Ano.[144] Comercialmente, "Ain't No Other Man" se posicionou entre as cinco mais vendidas em diversos países;[145] nos Estados Unidos, alcançou a sexta posição da Billboard Hot 100.[146] O tema rendeu ainda à artista o Grammy Award de Melhor Performance Pop Vocal Feminina.[147] "Hurt" e "Candyman" foram lançadas como os seguintes focos de promoção do disco e recebidas com um moderado desempenho comercial nas tabelas musicais.[148] Além disso, "Slow Down Baby" e "Oh Mother" foram lançadas para divulgar o projeto na Austrália e na Europa.[149][150] Até 2013, Back to Basics havia vendido mais de 5 milhões de unidades ao redor do mundo.[151]

Para complementar a divulgação do disco, Aguilera embarcou na Back to Basics Tour em novembro de 2006.[152][153] O espetáculo visitou diversos países pelo mundo e teve seu encerramento em outubro de 2008, quando se apresentou pela primeira vez em Abu Dhabi para mais de 20 mil espectadores.[154] Reconhecido como o concerto feminino de maior bilheteria de 2007,[155] arrecadou mais de 90 milhões de dólares em todo o mundo,[156] sendo 28.9 milhões apenas na América do Norte.[157] Uma das apresentações da turnê no Adelaide Entertainment Centre (AEC) foi transformada em especial transmitido pelo canal VH1 e, posteriormente, lançada em forma de DVD, sob o título Back to Basics: Live and Down Under.[158][159] Mais tarde, o projeto converteu-se como um dos mais vendidos do gênero naquele ano na Austrália.[160]

Estreia nos cinemas e The Voice (2008–2011)Editar

 
Aguilera durante o evento de estreia de seu primeiro filme, Burlesque, em 2010.

Em 12 de janeiro de 2008, Aguilera deu à luz seu primeiro filho, Max Liron.[161] No mês seguinte, durante uma entrevista para a revista People, ela afirmou que havia iniciado os trabalhos de seu próximo disco, o qual seria inspirado pela maternidade.[162] Sendo influenciada diretamente pela música eletrônica,[163] a artista descreveu o projeto como "[um disco] sobre o futuro – sobre o meu filho em minha vida me motivando a experimentar, brincar e me divertir".[164] No final do ano, em comemoração aos seus dez anos de carreira na indústria musical, Aguilera lançou seu primeiro álbum de grandes êxitos, Keeps Gettin' Better: A Decade of Hits.[165] Além disso, a faixa título usada na divulgação do projeto estreou entre as dez mais vendidas nos Estados Unidos, com 144 mil unidades vendidas, convertendo-se como a melhor estreia de sua carreira.[166] No ano seguinte, Aguilera foi reconhecida pela Billboard como uma das artistas de maior influência na década de 2000.[167]

O sexto disco da artista, Bionic, foi lançado em 8 de junho de 2010.[168] Diferente de seus últimos trabalhos, a crítica especializada foi menos otimista ao seu conteúdo, considerando-o como "forte, mas apenas em partes".[169] Outras opiniões o considerava "confuso" e acusaram Aguilera de "se aproveitar" da alta do electropop no mercado internacional, enquanto era crescente a popularidade de Lady Gaga.[170][171] Por outro lado, a Billboard o escolheu como o melhor disco de música popular naquele ano.[172] Comercialmente, o projeto não causou o mesmo impacto de seus antecessores; no Reino Unido, chegou ao primeiro lugar de sua principal tabela com apenas 24 mil unidades vendidas.[173] Nos Estados Unidos, 110 mil cópias foram distribuídas em sua primeira semana nas lojas, estreando no terceiro lugar da Billboard 200.[174] Desde então, o projeto foi certificado disco de ouro pela Recording Industry Association of America (RIAA), equivalente à 500 mil exemplares comercializados em território norte-americano.[175] "Not Myself Tonight" e "You Lost Me" foram lançadas como as faixas usadas para auxiliar na divulgação do disco ao redor do mundo, mas não foram recebidas com entusiamo pelo público.[176]

Em 24 de novembro de 2010, a artista fez sua estreia nos cinemas em Burlesque, no qual ela contracena com Cher.[177] Dirigido por Steve Antin,[178] a obra foi recebida com crítica devido ao seu roteiro "clichê" e "exagerado",[179][180] apesar de elogiarem a atuação de Aguilera.[181][182] Comercialmente, o filme atraiu uma bilheteria de 90 milhões de dólares pelo mundo, sendo que 39 milhões foram obtidas apenas na América do Norte.[183] Em relação às vendas em DVD e blu-ray, foram mais de 41 milhões arrecadados.[184] No Globo de Ouro de 2011, o longa-metragem foi indicado na categoria de Melhor Filme – Comédia ou Musical.[185][186] Além disso, ambas as artistas colaboraram para uma trilha sonora de acompanhamento, lançada em 19 de novembro.[187] O projeto conjunto recebeu opiniões positivas dos críticos que exaltaram a "ginástica vocal" de Aguilera e o "equilíbrio" entre as faixas de Cher.[188][189] "Bound to You" e "You Haven't Seen the Last of Me" — canções presentes na obra — também receberam uma nomeação para o Globo de Ouro de Melhor Canção Original, com a última saindo vitoriosa.[190] Nos Estados Unidos, foram 779 mil unidades comercializadas da trilha sonora desde então.[191]

Em fevereiro de 2011, durante uma apresentação no Super Bowl XLV, Aguilera recebeu atenção da mídia internacional quando esqueceu algumas frases do hino nacional dos Estados Unidos.[192][193] Posteriormente, ela se desculpou pelo acontecimento, afirmando: "Eu fiquei tão envolvida no momento da canção que me perdi. Só espero que todos possam sentir meu amor por este país e que o verdadeiro espírito do hino tenha sido transmitido".[194] No mesmo mês, durante a 53ª cerimônia do Grammy Awards, Aguilera se juntou à Jennifer Hudson, Florence Welch, Yolanda Adams e Martina McBride em um tributo para Aretha Franklin.[195] Em abril de 2011, a cantora assinou um contrato com a National Broadcasting Company (NBC) para integrar o quadro de jurados do reality-show The Voice, com um salário de 225 mil dólares por hora.[196] No meio do ano, participou como artista convidada na faixa "Moves Like Jagger", da banda Maroon 5, pela qual ela retornou ao topo das paradas musicais em todo o mundo, incluindo a Billboard Hot 100.[197] O tema se tornou um dos mais vendidos digitalmente em todo o mundo, com mais de 14.4 milhões de unidades distribuídas,[198] sendo 6 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos.[199] No mesmo ano, assinou seu divórcio de Jordan Bratman e começou a se relacionar com o assistente de produção Matthew Rutler.[14][200]

Parcerias e projetos na televisão (2012–2015)Editar

 
Aguilera durante uma campanha publicitária para o programa The Voice, em 2015.

Em setembro de 2012, após a estreia da terceira temporada de The Voice, Aguilera anunciou que iria disponibilizar seu próximo material nos próximos meses.[201] Ela explicou que o registro abordaria como conceito problemas pessoais enfrentados por ela nos últimos anos, descrevendo seu conteúdo como "expressivo e libertador".[202] Seu resultado final recebeu o nome de Lotus, disponibilizado nas lojas a partir de 9 de novembro de 2012.[203] Em sua avaliação, não foi recebido com otimismo por parte dos críticos especializados; Melissa Maerz, editora do Entertainment Weekly, desaprovou sua "produção digitalmente sufocante que esgota toda a emoção dos vocais da artista".[204] Durante um artigo para a Rolling Stone, Jon Dolan descreveu o projeto como um "tsunami vitríolo".[205] Sua atuação nas tabelas musicais também não se mostrou positiva; tendo comercializado 73 mil unidades nos Estados Unidos, estreou no sétimo lugar da Billboard 200.[206] Desde então, foi apenas certificado como disco de ouro pela Recording Industry Association of America (RIAA), representando 500 mil cópias distribuídas no país.[207] "Your Body" e "Just a Fool" foram as músicas usadas em sua divulgação, causando pouco impacto nas paradas de sucesso.[208]

Ao longo de 2013, a intérprete gravou os temas "Feel This Moment" (com Pitbull) e "Say Something" (com A Great Big World), colaborações responsáveis por colocar seu nome de volta ao topo das paradas musicais.[209] Com essa última, Aguilera chegou a ocupar o quarto lugar da Billboard Hot 100, sua melhor posição em território norte-americano desde 2011;[210][211] além disso, a faixa foi responsável por comercializar mais de 6 milhões de unidades em um ano de divulgação, sendo reconhecida como uma das mais vendidas digitalmente em nível mundial.[212] Apenas no Reino Unido, estima-se que tenham sido mais de 1 milhão de exemplares distribuídos desde então, recebendo o disco de platina dupla através da British Phonographic Industry (BPI).[213][214] Com a obra, chegou a ser honrada ainda com o Grammy Award de Melhor Performance em Dueto ou Grupo.[215] Em 2014, ficou noiva de Matthew Rutler e deu à luz a primeira filha do casal, Summer Rain.[216][217]

Depois de compor o time de mentores da quinta temporada de The Voice, onde foi noticiado que receberia cerca de 17 milhões mensais,[218][219] ela só veio retornar ao posto em seu oitavo período, no início de 2015.[220] Além disso, foi noticiado que ela iria atuar em um papel recorrente durante a terceira temporada da série Nashville, transmitida através da American Broadcasting Company (ABC).[221] Interpretando a personagem Jade St. John, uma cantora de música popular tentando entrar no mercado country,[222] críticos notaram que sua participação trouxe uma nova carga de drama para o programa.[223][224] Para compor a trilha sonora do espetáculo, Aguilera também contribuiu com duas faixas, "The Real Thing" e "Shotgun", disponibilizadas de forma digital através da iTunes Store.[225][226] Durante esse período, fez uma aparição no filme Pitch Perfect 2.[227]

Retorno aos palcos (2016–presente)Editar

 
Aguilera durante uma das apresentações da The X Tour, em Londres, em 2019.

No início de 2016, Aguilera voltou à integrar o quadro de jurados da décima temporada de The Voice, onde foi mentora de Alisan Porter, escolhida como a campeã da edição.[228][229] Mais tarde, colaborou com Nile Rodgers no tema "Telepathy", compondo a trilha sonora de The Get Down (2016–2017), série exibida através da Netflix.[230] O trabalho provou ser bem-sucedido nas pistas de dança dos Estados Unidos, alcançando o primeiro lugar na Hot Dance Club Songs — tabela elaborada pela Billboard.[231] Seguido pelo seu trabalho como dubladora em The Emoji Movie (2017),[232] Aguilera foi noticiada como um dos nomes que estrelariam em um novo filme dirigido por Drake Doremus.[233] Nomeado posteriormente como Zoe, o romance de ficção científica foi lançado durante o Festival de Cinema de Tribeca em 21 de abril de 2018;[234] no longa-metragem, a artista atuou em um papel como coadjuvante, dando vida à prostituta Jewels.[235]

No início de 2018, Aguilera avisou que não retornaria ao programa The Voice e que estava desenvolvendo dois álbuns de estúdio, um em inglês e outro em espanhol.[236] Em 15 de junho, chegou às lojas de discos seu primeiro projeto em seis anos, Liberation.[237] Com o conteúdo sendo inspirado pelo R&B e o hip-hop,[238] tornou-se seu trabalho melhor avaliado pela crítica especializada;[239] Patrick Ryan, profissional do jornal USA Today, o descreveu como um "álbum de retorno satisfatório que reafirma Aguilera como uma pioneira da música popular que nunca teve medo de se reinventar",[240] enquanto o periódico The Observer avaliou o projeto como o mais "artisticamente emancipado" da artista desde Stripped (2002).[241] Além disso, foi escolhido como um dos melhores lançamentos daquele ano por publicações como Rolling Stone e Cosmopolitan.[242][243] Em termos comerciais, não atraiu o desempenho esperado; estreando na sexta posição da Billboard 200, principal gráfico dos Estados Unidos, suas vendas superam as 100 mil unidades, o pior desempenho comercial no país desde a sua estreia na indústria.[244][191] Por outro lado, ocupou o posto de mais comercializado na semana de lançamento em países como Espanha, Coreia do Sul e Taiwan.[245][246][247]

"Accelerate" e "Fall in Line" foram as faixas lançadas para auxiliarem na divulgação do trabalho, mas falharem em obterem impacto nas paradas musicais.[248] No entanto, no final do ano, foi honrada com uma indicação ao Grammy Award de Melhor Performance em Dueto ou Grupo (por "Fall in Line") e outra para Melhor Performance de Rap Cantado (por "Like I Do").[249] Durante esse período, após uma década longe dos palcos, Aguilera fez seu retorno na The Liberation Tour, com mais de vinte datas anunciadas ao redor dos Estados Unidos.[250] No ano seguinte, embarcou em uma série de concertos pela Europa através da The X Tour,[251] bem como estrelou em seu primeiro concerto de residência, a Christina Aguilera: The Xperience, localizada no Planet Hollywood Resort and Casino, em Las Vegas.[252] Com este último espetáculo, atraiu uma bilheteria de pouco mais de 10.2 milhões de dólares em vinte e cinco apresentações, sendo estendido para mais quatro etapas além do planejado, com seu encerramento marcado para novembro de 2020.[253][254] Desde então, gravou canções para as trilhas sonoras dos filmes The Addams Family (2019) e Mulan (2020).[255][256]

CaracterísticasEditar

Habilidade vocalEditar

Críticos definem o tipo vocal de Aguilera como soprano,[257][258][259] tendo uma extensão vocal de quatro oitavas (de 3 à Dó♯7),[260][261] além de ser capaz de executar o registro de apito.[262] Referida como a "Voz da Geração",[263][264][265] sua habilidade vocal têm atraído, desde o início de sua carreira, comparações com Mariah Carey e Whitney Houston;[266][267] o jornal The Boston Globe a compara com as artistas, além de afirmar que "Aguilera é uma verdadeira cantora, igualmente abençoada com o tipo de elasticidade deslumbrante, notas preciosas e poder puro que separam as divas das amadoras".[268] Ela é conhecida também pelo uso de melisma em suas canções e apresentações, algo que críticos afirmam ser herança de sua admiração por Carey e Houston.[23][269] Enquanto escrevia para o The New York Times, David Browne compartilhou que a cantora "é uma das profissionais mais importantes desse estilo vocal avassalador conhecido como melisma" e que, juntamente com as duas intérpretes, "formaram o trio das principais campeãs desse gênero".[267] Através do mesmo jornal, Jon Pareles destacou sua versatilidade vocal e reconheceu que Aguilera faz um uso "acrobático da melisma trêmula e escaldante".[270] Para a Rolling Stone, ela modelou sua "técnica dramática e melismática" inspirada pela intérprete Etta James.[271]

Em entrevista ao Los Angeles Times, o compositor Steve Kipner relatou ter "se sentido impressionado com a habilidade vocal de Aguilera", afirmando ter presenciado coisa parecida "apenas com artistas mais velhos"; além disso, elogiou sua capacidade em "incorporar notas de Chaka Khan".[29] Ron Fair, executivo da RCA Records, afirma que a "entonação incrível" da cantora o impressionou, acreditando que ela possuí poder vocal "para se tornar a próxima Barbra Streisand ou Céline Dion".[29][272] Ann Powers do Los Angeles Times opina que "há influências de Gladys Knight e Aretha Franklin no estilo vocal de Aguilera", fato que acredita ter lhe ajudado a ser levada a sério como cantora.[273] Sasha Frere-Jones do The New Yorker escreveu que "Aguilera não precisa reencarnar a Sarah Vaughan para ser uma cantora séria. Ela já é uma, na tradição da música popular após a década de 1990 com a aplicação da melisma".[274] Desde então, têm sido reconhecida como uma das maiores vozes da música.[275][276] Em uma lista organizada pela Rolling Stone, foi adicionada entre os 100 maiores cantores de todos os tempos;[271] pela MTV, foi eleita uma das melhores vocalistas da indústria desde os anos 1980s.[277]

Por outro lado, Aguilera têm sido criticada por seu uso excessivo de melisma, bem como por "exagerar ao cantar" em suas canções e apresentações.[278][279] John Eskow do The Huffington Post afirma que a cantora é a principal proponente do "exagero" e, apesar de reconhecer que ela possui um "grande instrumento", percebeu que ela "parece que não saber a hora de parar" com o seu uso "gratuito e confeccionado da melisma".[280] Lucy Davies, autora da BBC Music, opina que Aguilera tem uma "voz impressionante", mas ela "poderia ser mais variada vocalmente, cortando principalmente a quantidade de 'oh' e 'yeah' em suas canções".[281] Durante a sessão de gravação de "Beautiful" (2002), Linda Perry reconheceu que a cantora tinha dificuldade em abaixar o tom de sua voz, relembrando que pediu para que ela evitasse o que chama de "improvisações vocais", parando a gravação todas as vezes em que a intérprete começava a "exagerar".[282] Enquanto escrevia para o Entertainment Weekly, Chris Willman opinou que o "exagero ao cantar" da artista é influência de sua admiração por Carey, reforçando que "seu tom ligeiramente anasalado se torna óbvio quando ela começa a exagerar com seus vocais".[44]

InfluênciasEditar

   
Aguilera mencionou Madonna (esquerda) e Cher (direita) como algumas de suas influências ao longo da carreira.

De acordo com Pier Dominguez, a violência doméstica que Aguilera sofreu durante a infância impactou diretamente na sua personalidade em formação.[283] No entanto, o autor afirma que, diferente de outras crianças que testemunham a violência em casa, a cantora não demonstrava sentimentos de culpa, distúrbio emocional ou um comportamento agressivo com as pessoas; pelo contrário, ela criou um "mecanismo de defesa interna".[15][284] Por outro lado, Chloé Govan afirma que o fato de ter sido vítima de bullying na escola a tornou uma pessoa introvertida e insegura.[285] O papel de sua mãe foi crucial para mudar esse cenário, com quem afirma ter aprendido "lições sobre autorrespeito".[286] De fato, diversos críticos concordam que o aprendizado exerceu influência sobre o comportamento de Aguilera na transição para a idade adulta e, principalmente, em seus primeiros sucessos, "Genie in a Bottle" e "What a Girl Wants" (1999), que trazem como referência o empoderamento feminino.[49][286]

Ao longo de sua carreira, Christina têm mencionado Etta James como a sua principal influência na música.[15][287] Ela relembra que conheceu a artista ainda na infância, enquanto ouvia aos discos antigos de sua avó.[288] Em 2007, durante uma entrevista para a InStyle, declarou: "Etta é minha cantora favorita de todos os tempos. Eu tenho dito isso nesses últimos sete anos — desde que meu primeiro disco foi lançado — em cada entrevista, em cada história, em cada pergunta na frente ou fora das câmeras [...] Sua música sempre foi uma grande fuga para mim, mesmo quando ainda era jovem".[288] Outra de suas maiores influências é Whitney Houston;[29] além de interpretar algumas de suas canções no início de sua carreira, foi convocada para homenageá-la em diversas ocasiões, inclundo no BET Awards (2001) e durante o American Music Awards (2017).[289][290] De acordo com Dominguez, Mariah Carey exerceu influência direta no estilo vocal de Aguilera, notando que após o lançamento de sua canção de estreia, "Vision of Love" (1990), lhe incentivou a testar sua habilidade vocal durante a juventude.[291]

Aguilera menciona Madonna e Janet Jackson como outras de suas inspirações.[292][293] Durante uma entrevista para o Jam!, ela relatou sua admiração por ambas as cantoras por "dominarem o palco, o estúdio e as telas e serem bem-sucedidas nos três, mantendo suas forças como artistas femininas positivas que não possuem medo de correrem riscos, serem ousadas e experimentais [...] Elas dominam a si mesmas e não se sentem vulneráveis com as suas sexualidades".[294] Cher também lhe serviu de inspiração na carreira,[295] recordando que a primeira vez que a viu foi enquanto assistia ao videoclipe de "If I Could Turn Back Time" (1989), inspirando-a como "uma mulher forte, uma mulher que estava lá [e] que fez tudo antes de qualquer um — que possuía coragem para fazer tudo".[296] Para o processo de desenvolvimento de Back to Basics (2006), a intérprete declarou ter se inspirado por nomes como Aretha Franklin, Billie Holiday, Nina Simone, Ella Fitzgerald e Otis Redding.[297][298] Ao longo de sua carreira, afirmou também ser fã dos trabalhos de Michael Jackson,[299] bem como das bandas The Rolling Stones, Led Zeppelin, Metallica e Guns N Roses.[300][301]

Aguilera credita o musical The Sound of Music (1959) e sua atriz principal, Julie Andrews, como suas primeiras referências para cantar e se apresentar.[302] Em uma entrevista para a revista Vibe, ela escolheu o filme como o seu favorito, declarando: "Foi o que me inspirou a cantar quando tinha 5 anos de idade. Até hoje, eu lembro de cada palavra. Eu possuía a trilha sonora em fita e eu colocava para tocar em meu quarto, fechava a porta, abria a janela e cantava como [Julie] Andrews nas colinas".[303] O musical também esteve presente na elaboração de Liberation (2018), onde a artista usa uma das canções da trilha sonora como introdução ao conteúdo de seu projeto.[304][305] Fora da indústria musical, ela se inspira pelas atrizes Angelina Jolie,[306] Lucille Ball[307] e Marilyn Monroe,[308] além de apreciar obras de Andy Warhol, Roy Lichtenstein e Banksy.[165][309]

Estilos musicais e temasEditar

"Elastic Love" é uma obra que incorpora o electropop,[310] com elementos da música eletrônica e o new wave dos anos 1980s.[311]

Em "Like I Do", parceria com GoldLink, Aguilera flerta com o hip-hop em comjunto com instrumentos de sopro e sintetizadores eletrônicos.[312][313]

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Geralmente referida como uma artista de música popular,[314] Aguilera experimentou diversos gêneros musicais ao longo de sua carreira.[315][316] Ela explica que sempre tenta trazer algo novo em seus projetos e "experimentar" com sua voz porque costuma ficar facilmente "entediada" ao repetir suas inspirações.[317] Através de um artigo desenvolvido para o jornal The Guardian, o colunista Alexis Petridis reconheceu que a "ousadia em se reinventar" em cada um de seus trabalhos divulgados "sempre foi uma de suas facetas mais impressionantes".[315]

Em seu álbum de estreia (1999), suas canções foram produzidas no estilo do teen pop, influenciado diretamente pelo dance-pop;[58][318] Direção semelhante foi adotada em Mi Reflejo (2000), trabalho que destaca suas inspirações retiradas da música latina.[319] Almejando crescimento artístico e uma diversidade musical maior, a intérprete colaborou com uma gama de ritmos para Stripped (2002), incluindo R&B, hip-hop, rock e soul.[86][320] Em um artigo desenvolvido para a Entertainment Weekly, Owen Gleiberman creditou a obra como a responsável por "distanciar a artista de outras estrelas da música popular contemporânea".[321] Para completar Back to Basics (2006), Aguilera misturou sua sonoridade popular com gêneros presentes durante meados do século XX, como o jazz, blues e funk.[322][323] Stephen Thomas Erlewine descreveu o disco como "uma declaração artística [...] um pouco egocêntrica, mas também cativante, emocionante e única",[324] enquanto outros profissionais consideraram que a cantora havia se "encontrado artisticamente".[325]

Durante a trilha sonora de Burlesque, ela reutilizou uma sonoridade semelhante ao seu registro anterior;[326] críticos compararam o conteúdo da obra com materiais presentes nos filmes Cabaret (1972) e Moulin Rouge! (2001).[189][327] No desenvolvimento de Bionic (2010), descrito por avaliadores como um álbum de futurepop com elementos do electro,[328][329] a artista colaborou com uma série de produtores especializados em música eletrônica.[330] Sam Lansky, redator da MTV, descreveu o projeto como "precocemente brilhante", considerando algumas de suas músicas como "inovadoras [e] intemporais, com uma produção subversiva e ambiental".[331] Direção semelhante foi adotada em Lotus (2012), disco que faz uso do electropop combinado com outros gêneros;[332][333] além disso, o material marcou a primeira vez em que a intérprete colaborou com produtores convencionais dentro da música popular, como Max Martin e Shellback.[334] Para Liberation (2018), Aguilera contribuiu com os músicos Kanye West e Anderson Paak, desenvolvendo um registro inspirado pelo R&B e hip-hop, estilos que ela já havia incluído em seus trabalhos anteriores de forma menos ampla.[335][336]

Em relação aos temas de suas obras, Aguilera destacou que ela sente um grande "senso de responsabilidade" em fazer alusões a algumas partes de sua vida pessoal para que as pessoas "possam se identificar e não se sintam sozinhas em determinadas circunstâncias".[337] Em grande parte de suas canções, o amor esteve presente entre os assuntos abordados, bem como a maternidade, casamento e infidelidade.[297][338][339] No entanto, também compôs faixas que tratavam-se do oposto, como violência doméstica e relacionamento abusivo.[97][340] Seu comportamento com o sexo também ocupa grande parte de suas criações;[341][342] em entrevista à revista People, a cantora explicou: "Se eu quiser ser sexual, é para a minha própria apreciação e prazer. É por isso que eu gosto de falar sobre o fato de que me sinto atraída por mulheres. Eu aprecio a feminilidade e a beleza".[343] Aguilera também é reconhecida por incluir o feminismo em seu repertório;[314][344] ela denunciou o padrão duplo de julgamento pela primeira vez em "Can't Hold Us Down" (2002), afirmando que enquanto "homens são aplaudidos por seus comportamentos sexuais, mulheres são marginalizadas por agirem da mesma forma".[345] Hermione Hoby, jornalista do The Guardian, reconheceu que a artista "incita um espírito de colaboração entre as mulheres [...] não se intimidando por suas declarações feministas".[257]

Imagem públicaEditar

Aguilera têm reinventado sua imagem pública inúmeras vezes ao longo de sua vida artística.[346][347] No início da carreira, foi comercializada como uma cantora de bubblegum pop devido ao alto retorno financeiro do gênero no final da década de 1990,[15][82] tornando-se ídolo entre o público adolescente.[348][349] Por outro lado, foi acusada de cultivar uma imagem sexual e atraiu críticas às suas roupas curtas;[350][266] em uma entrevista para a MTV News, a cantora Debbie Gibson acusou a intérprete de influenciar "garotas a vestirem cada vez menos", considerando que "ela vive e respira uma imagem sexual".[351] Em resposta aos comentários negativos da época, a artista afirmou: "Só porque tenho uma certa imagem, todos querem que eu sirva de modelo. Mas ninguém é perfeito, e ninguém pode viver como se fosse".[352] Além disso, passou a receber constantes comparações com Britney Spears.[23][353][354] David Browne, autor do Entertainment Weekly, notou que Aguilera parecia agir como "uma garota boa tentando ser má" quando comparada à música e imagem de Spears.[355] Em contrapartida, a revista Time a considerou uma artista mais impressionante do que Britney.[62] Megan Turner, durante um artigo para o jornal New York Post, comparou a "batalha" entre as duas na mídia com a ocorrida anteriormente entre The Beatles e The Rolling Stones; no entanto, destacou a diferença entre elas, observando que enquanto "Britney era sexualmente atraente [...] Aguilera possuía charme e um apelo juvenil maior".[356]

 
Estátua de Aguilera no Museu Madame Tussauds, localizado em Londres.

Em 2002, Aguilera introduziu seu alter ego "Xtina", pelo qual adotou visuais cada vez mais provocantes e extravagantes.[93][357] Durante esse período, ela pintou seus cabelos de preto, aderiu à piercings pelo corpo e fotografou nua para diversas publicações.[84][358] Ao analisarem sua nova aparência, os periódicos Vice e Rolling Stone escreveram que suas novas roupas ecoavam como se a cantora estivesse participando de Girls Gone Wild.[88][90] Em resposta às críticas, a artista reforçou sua nova direção visual se vestindo como freira e, ao som de "Dirrty" (2002), despiu-se para revelar o que usava por baixo enquanto servia como apresentadora do MTV Europe Music Awards de 2003.[359][360] De forma mais positiva, Stephen Thomas Erlewine do AllMusic observou que a cantora alcançou a "maturidade [pessoal] com uma sexualidade transparente e sons fortes de clubes noturnos".[361] Além disso, durante um artigo para o The Daily Telegraph, Adam White descreveu que sua "adoção de uma imagem abertamente sexual após um estrelato adolescente foi uma rota testada e comprovada para o sucesso adulto".[362]

Sob o título de "Baby Jane" — uma referência ao filme What Ever Happened to Baby Jane? (1962) — Aguilera voltou a transformar sua imagem pública em 2006;[363] aderindo ao loiro platinado em seus cabelos, ela passou a se vestir inspirada por atrizes da Velha Hollywood.[364][365] Em 2010, sua nova aparência recebeu destaque na mídia internacional por comparações com a de Lady Gaga.[366][367] Após ganhar peso em 2012, ela foi alvo de críticas por diversas publicações;[368][369] por outro lado, no ano seguinte, foi bem recebida após aparecer significativamente mais magra.[370] Durante um ensaio fotográfico para a revista Paper, na edição de março de 2018, apareceu livre de maquiagem ou qualquer manipulação fotográfica, atraindo atenção para artistas que posaram da mesma forma em suas redes sociais.[371][372]

Ao longo de sua carreira, Aguilera foi referida como um símbolo sexual.[274][316] Através do canal VH1, seu nome foi incluído na lista dos artistas mais sensuais do entretenimento em 2002 e 2013.[373][374] Ela recebeu honrarias parecidas em publicações da FHM e Complex.[375][376] Em um artigo da Maxim, foi nomeada a mulher mais sensual de 2003,[377] ao mesmo tempo em que estampou a capa da edição mais vendida da história da revista.[378] Além disso, em emissões da People, foi citada como uma das pessoas mais bonitas do mundo em 2003 e 2007.[379][380] Seu senso de moda também atrai atenção da mídia;[381][382] Jon Caramanica, jornalista do The New York Times, concluiu que "Aguilera sempre será lembrada por sua elegância [e] sua escandalosa imagem na música popular feminina".[383] Durante um artigo da revista Vogue, Janelle Okwodu observou que a intérprete "nunca teve medo de correr riscos na moda [...] ao longo de seus vinte anos de carreira, ela encheu seus vídeos com estilos de cair o queixo e roupas ousadas ao desfilar nas passarelas".[384] Em 2018, seguida por sua aparição em eventos de moda da New York Fashion Week, Christina foi reconhecida como uma das pessoas mais estilosas do ano pela Dazed.[385] Com sua presença nas redes sociais, a intérprete ocupou lugar entre os músicos de maior popularidade no Twitter,[386] onde acumula cerca de 17 milhões de seguidores.[387] Além disso, em 2010, converteu-se como uma das mulheres mais pesquisadas através da ferramenta de busca do Google.[388]

Outros trabalhosEditar

FilantropiaEditar

 
Aguilera durante um evento beneficente promovido pela Montblanc, em 2010.

Aguilera têm feito trabalhos filantrópicos durante sua carreira. Em 2001, ela assinou uma carta aberta organizada pelo People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) em direção à Coreia do Sul, pedindo para os governantes do país proibirem que cachorros e gatos sejam mortos para serem usados como alimentos.[389][390] Em 2006, a cantora substituiu uma peça de seu figurino na Back to Basics Tour, desenhada por Roberto Cavalli, depois que descobriu que ele havia utilizado pele de raposa em sua composição.[391] Em 2010, a intérprete leiloou ingressos para seus novos concertos através do Christie's, destinando os rendimentos para grupos ambientais sem fins lucrativos, entre eles o Conservação Internacional e o Conselho de Defesa dos Recursos Naturais.[392] Em 2004, Aguilera foi rosto para uma linha de maquiagens da MAC Cosmetics, cujos lucros foram destinados no combate ao HIV/AIDS.[393] No ano seguinte, participou de um livro de fotografias destinado à levantar fundos para a Elton John AIDS Foundation,[394] além de participar de uma campanha organizada pelo YouthAIDS.[395]

Em 2003, enquanto visitava a cidade em que cresceu, Pittsburgh, na Pensilvânia, Aguilera doou cerca de 200 mil dólares para um centro de acolhimento e suporte para vítimas de violência doméstica;[396] da mesma forma, em 2019, doou parte dos lucros de sua residência, Christina Aguilera: The Xperience, para uma organização situada em Las Vegas, Nevada.[397] Além disso, gravou comerciais para o canal Lifetime, pedindo o fim da violência contra a mulher.[398] Seu empenho na causa fez com que fosse premiada pela fundação The Shade Tree.[399] Em 2004, a cantora também esteve envolvida com instituições que trabalham na luta contra o câncer de mama.[400] No ano seguinte, participou de um evento de gala para arrecadar fundos à instituições de suporte à crianças na África do Sul, entre elas, uma organização de Nelson Mandela.[401] Em 2008, participou da versão turca do programa Deal or No Deal, onde ganhou 180 mil liras — valor convertido em doações para orfanatos do país.[402] Em 2010, participou de um evento que promovia o acesso de crianças à educação musical, iniciativa da Montblanc.[403]

Em 2005, Aguilera converteu seus presentes de casamento em dinheiro e doou para instituições de caridade que estavam ajudando famílias atingidas pelo Furacão Katrina.[404] Da mesma forma, em 2012, em decorrência do desastre causado pelo Furacão Sandy, participou de um especial organizado na National Broadcasting Company (NBC), onde interpretou a faixa "Beautiful" (2002) e pediu doações para a Cruz Vermelha Americana.[405] Em resposta ao Terremoto no Haiti em 2010, a artista leiloou um automóvel Chrysler 300 e destinou o dinheiro arrecadado para auxiliar vítimas do desastre.[406] Em parceria com outros artistas, participou ainda da maratona de doações Hope for Haiti Now, transmitido pela Columbia Broadcasting System (CBS), que distribuía lucros para as fundações Oxfam e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).[407][408] Em 2009, tornou-se porta-voz do Programa Alimentar Mundial, filial da Organização das Nações Unidas (ONU).[409] Através do programa, viajou para diversos países com altos índices de desnutrição, como Guatemala, Equador e Ruanda.[410] Desde então, estima-se que tenha ajudado a levantar mais de 148 milhões de dólares para a organização.[411] Em 2012, sua atuação no projeto fez com que fosse condecorada na Casa Branca por Hillary Clinton, até então atuando como Secretária de Estado.[412]

EmpreendimentosEditar

Fora de seus trabalhos na música, Aguilera possuí uma linha de perfumes através da Elizabeth Arden, Inc..[n 2] Sua primeira fragrância, Xpose, chegou às lojas da Europa em 2004.[414] Três anos mais tarde, foi lançada Simply Christina;[415] o produto se tornou o mais comercializado do gênero no Reino Unido em 2007,[416] além de render à artista o FiFi Awards, estatueta entregue anualmente pela The Fragrance Foundation.[417] Em 2009, o perfume voltou a se posicionar entre os mais vendidos do país.[418] Seu primeiro empreendimento lançado fora da Europa foi Inspire (2008), acompanhado de uma coleção de produtos destinados ao cuidado corporal.[419] A campanha publicitária foi dirigida por David LaChapelle e, nos Estados Unidos, foi colocado à venda através das lojas de departamento Macy's.[420][421] Sua quarta fragrância, By Night, foi lançada em 2009 e esteve na lista das mais vendidas naquele ano no Reino Unido.[422][418] A coleção seguiu-se com outros lançamentos anuais desde então.[413][423] Em 2011, desenvolveu sua primeira linha de roupas, divulgada através da São Paulo Fashion Week sendo, posteriormente, comercializada por estabelecimentos da C&A.[424] Ela também possuí sua própria produtora, a MX Productions, fundada com o noivo Matthew Rutler;[425] com a empresa, atua também como uma das investidoras do MasterClass.[426] Em 2016, em parceria com a companhia Lions Gate Entertainment, começou a produzir o programa de competição musical Tracks, transmitido pela Spike TV.[427]

Aguilera também atuou como garota-propaganda para uma gama de marcas. Em 2000, trabalhou na divulgação das lojas de roupas Sears e Levi's — ambas as empresas também entraram como patrocinadoras de sua primeira turnê, Christina Aguilera in Concert.[428] No ano seguinte, firmou contrato de um ano com a Coca-Cola e apareceu na televisão americana em um comercial divulgando a rede de refrigerantes.[429] Em 2003, Donatella Versace desenhou uma linha de roupas inspirada pela artista, convidando-a para estrelar como modelo da coleção em uma campanha publicitária da Versace.[430] No ano seguinte, recebeu 100 mil dólares para estrelar uma campanha da Mercedes-Benz,[431] bem como 200 mil libras esterlinas para dar início às vendas de verão nas lojas Harrods, em Londres.[432] Aguilera voltou a aparecer em novas propagandas em 2006, onde divulgava a Sony Ericsson.[433] Ainda naquele ano, gravou uma gama de comerciais para a Pepsi — que traziam ao fundo "Here to Stay", uma das canções de seu repertório.[434] Em 2017, estrelou em campanhas publicitárias ao lado de Shaquille O'Neal para a Oreo.[435] Em 2008, seguido pelo nascimento de seu primeiro filho, recebeu 1.5 milhões de dólares para divulgar a primeira foto da criança com exclusividade para a revista People, tornando-se a nona fotografia de celebridade mais caras da história.[436]

Legado e impactoEditar

O legado de Aguilera na indústria musical tem sido objeto de análise pela crítica. Publicações a consideram uma das artistas mais importantes da década de 2000,[437][275][438] bem como uma das maiores a atingir a música popular, sendo referida como um ícone pop.[358][439][440] Em uma lista organizada pelo canal VH1, Aguilera foi incluída entre as mulheres mais influentes do mercado fonográfico.[441] No início de sua carreira, era considerada um ídolo adolescente;[442][443] a revista Time noticiou que a intérprete foi "pioneira de um tipo diferente de estrelato adolescente", creditando seu alcance vocal como o responsável pelo fenômeno.[62] Como resultado, seu nome têm sido mencionado como um dos responsáveis pelo renascimento do teen pop no final dos anos 1990s;[58][444] além disso, o sucesso comercial de seus primeiros trabalhos a incluiu entre os artistas que moldaram a chamada "Explosão Latina".[n 3][447] Desta forma, Aguilera foi classificada entre os artistas que influenciaram a Geração Millennials.[448][449][450] Em um livro sobre o tema, os autores Michael Coomes e Robert DeBard concluíram que "o retrato da Geração Millennials na mídia [era] se comportar e vestir-se como alguns de seus ícones", citando a artista entre eles.[451] Ao longo de sua carreira, ela foi apelidada pela imprensa com os títulos de "Princesa do Pop" e "Voz da Geração".[265][452][453]

 
Em 2010, Aguilera recebeu a estrela que imortalizou seu nome na Calçada da Fama, localizada em Hollywood.

O impacto de seus trabalhos na música popular contemporânea também foi observado pela crítica especializada. "Genie in a Bottle" (1999) foi listada entre os principais temas da década de 1990 pelo VH1.[454] Da mesma forma, "Beautiful" (2002) foi reconhecida como uma das melhores faixas lançadas durante os anos 2000s através de publicações como a Rolling Stone.[455][456] Seu álbum de estreia foi adicionado na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame, destinada aos trabalhos que exerceram maior influência na indústria musical.[457] Além disso, Stripped (2002) e Back to Basics (2006) estão no livro dos 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer.[458] Desde então, suas obras têm servido de inspiração para artistas como Lady Gaga,[459] Demi Lovato,[460] Ariana Grande,[437] Kelly Clarkson,[461] Rihanna,[87] Miley Cyrus,[462] Camila Cabello,[275] Selena Gomez,[463] Tinashe,[464] Halsey,[465] Sam Smith,[437] Dua Lipa,[466] Troye Sivan,[467] entre outros.[468][469][470]

Aguilera também é reverenciada por sua importância para o feminismo como tema de trabalhos; críticos concordam que a artista usou uma imagem sexual no início da década de 2000 para catalisar o público a discursar sobre o assunto.[88][275][471] Gerrick Kennedy do Los Angeles Times descreveu esse fenômeno: "Para uma geração que atingiu a puberdade durante a explosão da cultura popular nos anos 2000s, Aguilera era uma voz essencial que abordava o auto-empoderamento, o feminismo, o sexo e a violência doméstica — assuntos que seus contemporâneos estavam se esquivando".[314] De acordo com o The Hampton Institute, após o impacto de Aguilera com o lançamento de Stripped (2002), "artistas como [Britney] Spears e Beyoncé se tornaram mais confortáveis em expressarem suas sexualidades e já não sentiam a necessidade em vender uma imagem inocente".[472] Escrevendo para o The Huffington Post, Lamar Dawson elogiou os esforços feministas de Aguilera dentro da música popular, notando que "apesar de não ser a primeira estrela da música a espalhar o feminismo, ela liderou como uma influência do século XXI na então próxima geração de adolescentes que eram muito jovens para o currículo de Janet [Jackson] e Madonna".[473]

Seu impacto dentro dos vídeos musicais também foi reconhecido por críticos. Ao passo em que "Dirrty" (2002) foi descrito como "um dos vídeos mais controversos na narrativa da música popular",[474][362] a revista Billboard apontou o trabalho como "uma das mais explosivas mudanças de imagem na história", bem como o responsável pela ruptura de "sua imagem como Princesa do Pop".[475] Além disso, a publicação considerou que "quase duas décadas depois, o risco tomado por Aguilera na obra têm servido de inspiração para jovens cantoras [...] para que controlem sua imagem e sua própria sexualidade".[474] Desta forma, o VH1 posicionou a intérprete entre as artistas femininas que foram importantes para o avanço da era dos videoclipes.[476] Em 2012, sua coleção de videoclipes e as roupas utilizadas ao longo de sua carreira fizeram parte de uma exposição no Museu Nacional das Mulheres nas Artes, na qual era destinada para "ilustrar os papéis essenciais que as mulheres exerceram no avanço da cultura americana".[477][478] No mesmo ano, durante um artigo para o jornal The New York Times, o autor Jon Caramanica reconheceu também o impacto da cantora para a televisão americana, onde observou um elevado número de artistas musicais assinando contrato com redes televisivas para programas de competição, atribuindo o fenômeno à sua participação no The Voice.[383]

ConquistasEditar

Ao longo de sua carreira, Aguilera acumulou diversos prêmios e reconhecimentos. Aos dezenove anos, venceu o Grammy Award de Artista Revelação, sendo reconhecida através da The Recording Academy como uma das pessoas mais jovens a receber tal prêmio — pela mesma premiação, ela recebeu outras quatro estatuetas.[479][480] Além disso, foi vencedora de um Grammy Latino e dois MTV Video Music Awards.[481][482] Em 2010, foi imortalizada na Calçada da Fama de Hollywood em "honra às suas contribuições para a indústria fonográfica";[483] do mesmo modo, em 2019, foi introduzida no Disney Legends em "agradecimento às suas notáveis colaborações para a história da Walt Disney Company".[484] Em 2013, Aguilera fez parte de uma lista anual organizada pela revista Time, sendo reconhecida como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.[485]

Aguilera é uma recordista de vendas no mundo, tendo distribuído cerca de 75 milhões de unidades com seus trabalhos.[264][486] Nos Estados Unidos, as vendas de seus discos superam os 18.3 milhões de exemplares, de acordo com a Nielsen SoundScan;[191] 8 milhões referem-se à seu álbum de estreia, presente na lista dos mais vendidos do país, elaborada pela Recording Industry Association of America (RIAA).[487] No Reino Unido, seu quarto disco é um dos poucos à ultrapassar a marca de 2 milhões de unidades comercializadas.[111] Em relação às suas vendas digitais, estimam-se que foram distribuídas 21.4 milhões de canções em território norte-americano até 2014.[488] Através da revista Billboard, foi reconhecida como a segunda intérprete que mais vendeu singles ao longo da década de 2000 nos Estados Unidos,[489] além de uma das mais bem-sucedidas da história da Hot Dance Club Songs.[490] Pela mesma publicação, foi nomeada a artista feminina mais bem-sucedida do ano em 2000 e 2003.[72][119] Além disso, Aguilera é apontada como uma das poucas cantoras a colocar canções na liderança da Billboard Hot 100 em décadas diferentes, nomeadamente em 1990s, 2000s e 2010s.[491]

Além disso, Aguilera é reconhecida como a trigésima segunda artista feminina mais rentável na indústria dos concertos, através da revista Pollstar.[492] De acordo com a publicação, foram comercializados mais de 1.8 milhões de ingressos para suas apresentações ao longo da carreira, com uma arrecadação estimada em mais de 113.8 milhões de dólares.[492] Em 2016, realizou sua apresentação de maior público, onde atraiu cerca de 250 mil espectadores para o seu ato durante o Festival Mawazine, no Marrocos, tornando-se o recorde de audiência da história do evento.[493] Reconhecida como uma das artistas femininas mais ricas do entretenimento, estima-se que sua fortuna ultrapasse os 150 milhões de dólares.[494][495] Em 2007, apareceu pela primeira vez na lista anual da Forbes com um patrimônio avaliado em 60 milhões de dólares.[496]

DiscografiaEditar

 Ver artigo principal: Discografia de Christina Aguilera

FilmografiaEditar

 Ver artigo principal: Videografia de Christina Aguilera

ConcertosEditar

 Ver artigo principal: Turnês de Christina Aguilera

TurnêsEditar

ResidênciasEditar

NotasEditar

  1. "Mouseketeer" é uma expressão da língua inglesa utilizada para denominar atores mirins que trabalharam no programa The Mickey Mouse Club.[32]
  2. Inicialmente, suas fragrâncias eram comercializadas através da Procter & Gamble (P&G); no entanto, em 2016, sua marca de perfumes foi vendida para a Elizabeth Arden, Inc. que deu continuidade na coleção com novos lançamentos.[413]
  3. "Explosão Latina" foi um termo criado por veículos midiáticos para se referirem ao período em que artistas de origem latina dominavam as paradas musicais, principalmente nos Estados Unidos.[445][446]

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