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Eleições distritais no Distrito Federal em 1990

As eleições distritais no Distrito Federal em 1990 ocorreram em 3 de outubro e nelas foram eleitos o governador Joaquim Roriz, a vice-governadora Márcia Kubitschek, o senador Valmir Campelo, oito deputados federais e vinte e quatro distritais. Para se chegar a esse dia o Congresso Nacional aprovou a Emenda Constitucional nº 25 de 15 de maio de 1985[1] outorgando ao Distrito Federal uma representação política formada por uma bancada eleita em 1986 e com a Nova Constituição os brasilienses poderiam eleger seu governador a partir desse ano, a exemplo do que se passou nos 26 estados, pois até então o cabia ao presidente da República escolher o governador do Distrito Federal após a aprovação pelo Senado Federal.

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Eleições distritais no  Distrito Federal em 1990
3 de outubro de 1990
(Decisão em primeiro turno)
Joaquim roriz.jpg Carlos Saraiva.jpg
Candidato Joaquim Roriz Carlos Saraiva
Partido PTR PT
Natural de Luziânia, GO -
Vice Márcia Kubitschek Não disponível
Votos 366.035 133.704
Porcentagem 55,48% 20,27%


Brasão do Distrito Federal (Brasil).svg
Governador do Distrito Federal

Desde a inauguração de Brasília em 21 de abril de 1960, votar foi um direito negado aos seus habitantes durante um bom tempo pois, mesmo participando da eleição presidencial de 1960, só o fariam novamente quando a lei concedeu aos eleitores domiciliados no Distrito Federal o direito de remeter seus votos aos estados de origem através de urnas especiais[2] em 1974, 1978 e 1982 até que a Nova República concedeu ao brasiliense o direito permanente ao voto.

Nesse contexto houve eleições distritais em 3 de outubro de 1990 e elas foram decididas logo em primeiro turno com a vitória do governador Joaquim Roriz e da vice-governadora Márcia Kubitschek, filha de Juscelino Kubitschek, prócer da construção de Brasília. Nascido em Luziânia, ele é empresário[3] e iniciou carreira política como vereador na sua cidade natal em 1961 e após a outorga do bipartidarismo entrou no MDB sendo presidente do diretório municipal em Luziânia e com o passar dos anos foi eleito deputado estadual por Goiás em 1978 com uma breve passagem pelo PT antes de se eleger deputado federal pelo PMDB em 1982.

A experiência do governador em cargos executivos começou quando foi eleito vice-governador de Goiás na chapa de Henrique Santillo em 1986, entretanto pouco exerceu o mandato ante a sua nomeação como interventor na prefeitura de Goiânia em lugar de Daniel Antônio[4] sendo escolhido governador do Distrito Federal em 1988 pelo presidente José Sarney. Ministro da Agricultura nos primeiros dias do Governo Collor, pediu demissão para concorrer ao Palácio do Buriti pelo PTR e foi ameaçado de impugnação dada a sua passagem como governador biônico, contudo recebeu parecer favorável da Justiça Eleitoral e venceu o pleito.[5]

Na disputa para senador o eleito foi o jornalista Valmir Campelo. Nascido em Crateús e formado pela Universidade de Brasília, foi chefe de gabinete da Fundação do Serviço Social do Distrito Federal e da Secretaria de Governo até ser nomeado administrador nas regiões administrativas de Brazlândia, Gama e Taguatinga entre 1973 e 1985. Eleito deputado federal pelo PFL em 1986, transferiu-se para o PTB[6] sendo eleito presidente do diretório regional antes de vencer a eleição para o Senado Federal ocupando a vaga de Pompeu de Sousa.

Índice

Resultado da eleição para governadorEditar

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal houve 659.671 votos nominais (84,91%), 50.529 votos em branco (6,50%), 66.716 votos nulos (8,59%) totalizando 776.916 eleitores.[7]

Candidatos a governador do estado
Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Joaquim Roriz
PTR
Márcia Kubitschek
PRN
28
Frente Comunidade
(PTR, PRN, PTB, PFL, PST)
366.035
55,49%
Carlos Saraiva
PT
José Alberto Pinheiro
PT
13
PT (sem coligação)
133.704
20,27%
Maurício Corrêa
PDT
Marcelo Tavares
PDT
12
Frente Popular Brasília
(PDT, PSDB, PSB, PCB, PCdoB, PEB)
94.239
14,28%
Elmo Serejo
PL
Ada de Lucca
PMDB
22
Movimento Liberal Progressista
(PL, PMDB, PRP, PS)
61.485
9,32%
Adolfo Lopes
PTdoB
Leonardo Lourenço
PTdoB
70
PTdoB (sem coligação)
4.208
0,64%
  Eleito(a)

Resultado da eleição para senadorEditar

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal houve 614.452 votos nominais (79,09%), 98.960 votos em branco (12,74#) e 63.504 votos nulos (8,17%), totalizando 776.916 eleitores.[7][nota 1]

Candidatos a senador da República
Primeiro suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Valmir Campelo
PTR
Leonel Paiva
PST
281
Frente Comunidade
(PTR, PRN, PTB, PFL, PST)
290.422
47,27%
Lauro Campos
PT
-
PT
133
PT (sem coligação)
209.743
34,13%
Lindberg Aziz Cury
PMDB
-
PMDB
153
Movimento Liberal Progressista
(PL, PMDB, PRP, PS)
59.001
9,60%
Pompeu de Sousa
PSDB
-
PSDB
451
Frente Popular Brasília
(PDT, PSDB, PSB, PCB, PCdoB, PEB)
45.332
7,38%
Roosevelt Dias Beltrão
PMN
-
PMN
331
PMN (sem coligação)
6.375
1,04%
Dagoberto Sérvulo de Oliveira
PTdoB
-
PTdoB
701
PTdoB (sem coligação)
3.579
0,58%
  Eleito(a)

Deputados federais eleitosEditar

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[8] Ressalte-se que os votos em branco eram considerados válidos para fins de cálculo do quociente eleitoral nas disputas proporcionais até 1997, quando essa anomalia foi banida de nossa legislação.[9] Ao todo foram eleitos oito deputados federais.

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Localidade onde nasceu Unidade federativa
Augusto Carvalho PCB 42.957 Patos de Minas   Minas Gerais
Paulo Octávio PRN 38.233 Lavras   Minas Gerais
Osório Adriano PFL 34.970 Uberaba   Minas Gerais
Benedito Domingos PTR 27.364 São Sebastião do Paraíso   Minas Gerais
Maria Laura Pinheiro PT 26.186 Jaguaribe   Ceará
Jofran Frejat PFL 22.779 Floriano   Piauí
Chico Vigilante PT 20.864 Vitorino Freire   Maranhão
Sigmaringa Seixas PSDB 12.858 Niterói   Rio de Janeiro

Deputados distritais eleitosEditar

São relacionados apenas os candidatos eleitos[7] com informações adicionais da Câmara Legislativa do Distrito Federal,[10] cujas vinte e quatro cadeiras foram assim distribuídas: cinco para o PT, cinco para o PDT, quatro para o PTR, duas para o PFL, duas para o PL, uma para o PDS, uma para o PSDB, uma para o PDC, uma para o PSC, uma para o PST, uma para o PCdoB.

Estatísticas parlamentaresEditar

A emenda constitucional que concedeu representação política ao Distrito Federal não contemplou a eleição de deputados distritais em 1986.

Notas

  1. Embora cada senador deva ser eleito com dois suplentes (Art. 46 § 3º– CF), mencionamos apenas o primeiro sem prejuízo de citar o outro quando necessário.

Referências

  1. «BRASIL. Presidência da República: Emenda Constitucional 25 de 15/05/1985». Consultado em 2 de julho de 2014 
  2. «BRASIL. Presidência da República: Lei nº 6.091 de 15/08/1974». Consultado em 3 de julho de 2014 
  3. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Joaquim Roriz». Consultado em 3 de julho de 2014 
  4. Volta à casa (online). Disponível em Veja, ed. 1.046 de 21/09/1988. São Paulo: Abril.
  5. STF decide que Roriz pode ser candidato e julga Sarney hoje (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 27/09/1990. Política e Economia, p. 08. Página visitada em 27 de maio de 2017.
  6. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Valmir Campelo». Consultado em 3 de julho de 2014 
  7. a b c «Banco de dados do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal». Consultado em 18 de agosto de 2015 
  8. «Página oficial da Câmara dos Deputados». Consultado em 11 de agosto de 2015. Arquivado do original em 2 de outubro de 2013 
  9. «BRASIL. Presidência da República: Lei nº 9.504 de 30/09/1997». Consultado em 11 de agosto de 2015 
  10. «Câmara Legislativa do Distrito Federal». Consultado em 2 de julho de 2014 .