Pardos

grupo étnico brasileiro definido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(Redirecionado de Pardo (cor))
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Pardos (desambiguação).

Pardo é um termo usado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para configurar um dos cinco grupos de "cor ou raça" que compõem a população brasileira, junto com brancos, pretos, amarelos e indígenas.[24]

Brasileiros pardos
Josué de Castro com 21 anos em sua formatura, 1929.jpg
Luiz Gonzaga.jpg
Nilo Peçanha 02.jpg
Machado de Assis aos 57 anos.jpg
Juliana Paes na Arezzo 5.jpg
Neymar visiting Red Bull Arena (cropped).jpg
Chico-science.jpg
26 Prêmio da Música Brasileira (18507727148).jpg
Marinasilva13122006.jpg
Hulk.JPG
Débora Nascimento 04 cropped.jpg
Gaby Amarantos no Campus Party Brasil 2012 cropped.jpg
Cannes 2015 22.jpg
Fernando Henrique Cardoso (1999).jpg
Ronaldo-14-05-2013.jpg
Vanessa da Mata-Lisboa 2007.jpg
População total

Pardos
84 700 000 brasileiros pardos
44,2% da população do Brasil[24]

Regiões com população significativa
Todas as regiões do Brasil. Predominantes nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo.
Línguas
língua portuguesa
Religiões
católicos romanos 74% · protestantes 18,2% · sem religião 5,6% · outras denominações 2%
Grupos étnicos relacionados
brasileiros, portugueses, africanos, índios e europeus em geral

No sentido concreto, estrito, a palavra pardo é usada para referir-se aos brasileiros com variadas ascendências étnicas.[25] O manual do IBGE define o significado atribuído ao termo como pessoas com uma mistura de cores de pele, seja essa miscigenação mulata (descendentes de brancos e negros), cabocla (descendentes de brancos e ameríndios), cafuza (descendentes de negros e indígenas) ou mestiça.[25][26]

Historicamente, "pardo" foi usado como sinônimo de um sistema de castas usado na América de colonização espanhola entre os séculos XVI e XVIII. O termo era mais utilizado em pequenas áreas da América Hispânica que tinham sua economia baseada na escravidão durante a era colonial.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2006, os pardos compõem 79,782 milhões de pessoas, ou 42,6% da população do Brasil.[27] Em 2009, no entanto, o IBGE identificou que 84 milhões de brasileiros se autodeclararam pardos, o que faz desse grupo racial o segundo maior componente do povo brasileiro, atrás apenas dos brancos. Além disso, o percentual de pardos é o que mais cresce na população brasileira. Em 2000, por exemplo, apenas 38,4% dos brasileiros que se autodeclaravam pardos,[28] enquanto em 2006 o índice passou para 42,6% e, em 2009, para 44,2% da população total do país.[29] Estudos genéticos atuais revelam que os pardos possuem ancestralidades europeia, indígena e africana, variando as proporções de acordo com o indivíduo e a região.[30][31]

Definição

Origem do termo

O termo "pardo" tem origem em Portugal. Nos registros dos expostos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, do século XVIII, as crianças eram classificadas racialmente em cinco categorias: “preto”, “pardo”, “negro”, “mulato” e “branco”.[32]

Na famosa carta de Pero Vaz de Caminha para o rei Manuel I de Portugal, do ano de 1500, ele chamou os índios de "pardos": "Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas setas. Vinham todos rijamente em direção ao batel".[33]

O emprego histórico da palavra pardo nem sempre significou apenas mulato. Basta uma leitura atenta dos testamentos e documentos do período colonial. Diogo de Vasconcelos, conhecido historiador mineiro, relata o caso de Andresa de Castilhos, conforme informação contida em testamento do século XVIII: "Declaro que Andresa de Castilhos, mulher parda, que tem assistido comigo há muitos anos, de quem tive três filhas, é forra por três sentenças e por uma carta de alforria [...] por ser esta mulher uma parte descendente de gentio da terra [...] Declaro que a dita Andrea de Castilhos é filha de homem branco e de mulher neófita".[34]

A historiadora Maria Leônia Chaves de Resende dá vários exemplos para o emprego da palavra pardo quanto a pessoas de origem indígena em Minas Gerais: um Manoel, filho natural de Ana carijó, foi batizado como 'pardo'; em campanha diz ter encontrado vários registros onde índios foram classificados como 'pardos'; informa, por exemplo, que os índios João Ferreira, Joana Rodrigues, e Andreza Pedrosa foram classificados como 'pardos forros'; um Damaso se declarou 'pardo forro' do 'gentio da terra'; etc.[35] Informa, assim, que os termos pardo e mestiço teriam sido usados para descrever inclusive os próprios índios.[36] Aduz, ademais, que: "O crescimento do segmento "pardo" na população no final do século XVIII e início do século XIX não dizia respeito exclusivamente a descendentes de escravos africanos, mas também incluía índios e seus descendentes, em especial carijós e bastardos, que foram categorizados na condição de 'pardos'.[37]

A historiadora Hebe Mattos mostra que a categoria "pardo", típica do final do período colonial, tem um significado muito mais abrangente que "mulato" ou "mestiço".[38] Com o crescimento de uma população livre de ascendência africana, o termo teve sua significação ampliada. A categoria de "pardo livre" passou a englobar essa crescente população de origem africana, não necessariamente mestiça, mas já dissociada da escravidão por algumas gerações, para a qual os termos "crioulo" ou "preto", que remetiam diretamente à escravidão ou à recente alforria, não eram pertinentes.[38]

 
Representação de uma criança cafuza na "Pintura das Castas", do Vice-Reino da Nova Espanha, no século XVIII. A pintura ilustra: "De um negro e uma índia sai um lobo", que é sinônimo para cafuzo.

Portanto, o termo "pardo" também remetia a uma ascendência africana, mestiça ou não, que remarcava uma diferenciação social entre o grupo cujos ancestrais já haviam se libertado da escravidão há algumas gerações e o grupo de escravos ou libertos recém-saídos do cativeiro, para os quais os termos "crioulo" ou "preto" eram mais empregados. Ao mesmo tempo, refletia a discriminação em relação à população branca. Assim, hierarquia e posição social influenciavam na "cor" da pessoa, sendo esses elementos fluidos e dependendo das circunstâncias sociais, sendo negociada e reatualizada.[38]

Exemplos de pessoas que "mudavam de cor" não faltam na historiografia brasileira. O historiador Roberto Guedes Ferreira, em sua tese de doutorado, ilustra esse fenômeno com alguns casos de casais moradores de Porto Feliz. No recenseamento de 1803, Alexandre de Madureira e sua esposa Inácia Maria foram classificados como "negros" mas, em 1808, foram identificados como "pardos". O inverso aconteceu com o casal Antônio de Pontes e Beatriz Maria: recenseados como "mulatos" em 1813 e como "negros" em 1818. Por outro lado, o casal Antônio Gonçalves e Constantina Maciel, classificado como "pardo" em 1803, 1808 e 1813, tornou-se "branco" em 1818.[38]

Em nenhum lugar como na América Portuguesa a classificação fenótipa foi tão influenciada por diferentes variáveis. Não eram apenas a cor, o cabelo e as constituições físicas e faciais que determinavam a "cor" de um indivíduo. Além disso, o status social, o econômico e a própria cor do observador e do observado, assim como a época e a região, tinham influência decisiva. Assim, um indivíduo poderia "enegrecer", "embranquecer" ou "empardecer" de um contexto para outro. Normalmente, a pobreza "escurecia" o indivíduo, e a riqueza o "embranquecia".[38]

Definição dada pelo IBGE

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é o órgão responsável pelas pesquisas censitárias no Brasil. O Manual do Recenseador do IBGE, com orientações para o censo nacional de 2020, assim define a categoria "parda":

Ademais, o manual do IBGE deixa claro que pardo não se confunde com negro ou preto: "Jamais assuma que negra é preta ou parda".[39]

O censo usa o critério da autodeclaração, portanto os entrevistados podem se classificar racialmente da maneira que bem entenderem e a sua autodeclaração não pode ser questionada pelo recenseador. O entrevistado só poderá escolher uma das cinco opções disponíveis: branca, preta, parda, amarela ou indígena. Todavia, caso algum morador do domicílio esteja ausente, a sua cor ou raça será atribuída pelo morador que estiver respondendo ao questionário.[39]

História

 Ver artigo principal: Composição étnica do Brasil
 
Obra A Redenção de Cam (1895), de Modesto Brocos, mostrando uma avó negra, uma filha mulata e genro e neto brancos. Para o governo brasileiro da época, a cada geração o brasileiro ficaria mais branco.[40]

Uma característica da colonização portuguesa é que ela era dominantemente masculina. A imigração portuguesa para o Brasil nos séculos XVI e XVII foi composta praticamente somente por homens. Dada essa ausência de mulheres brancas disponíveis ao matrimônio, mostrava-se inevitável que o colono português tomasse como amante uma mulher de origem africana ou indígena, fato que explica o grande número de pardos presente na população brasileira atual.[41] Com a chegada dos portugueses ao atual território brasileiro, operou-se inicialmente a miscigenação deles com as mulheres indígenas e, posteriormente, com as africanas, dando origem a diversos tipos de cruzamentos e, em decorrência, a diversas denominações para classificar essas pessoas: mulato (branco e negro), mameluco (branco e índio), cafuzo ou cabra (negro e índio), bem como pardo, entre outros.[42]

Em certas regiões do Brasil, houve o predomínio da miscigenação entre europeus, africanos e índios; em outras regiões, predominou a miscigenação entre apenas os europeus e os indígenas;[43] e, em outras regiões, houve o predomínio da miscigenação entre europeus e africanos, sendo essa última forma de miscigenação citada tida por muitos como sendo a que ocorreu com mais frequência.[44][45]

Os pardos sempre estiveram presentes em todas as classes sociais brasileiras, inclusive entre a elite.[46] No final do século XIX, o francês conde de Gobineau observou que havia mulatos no Senado brasileiro e que o Barão de Cotegipe, então ministro das Relações Exteriores, também era mulato e concluiu: "Eles estão em todos os escalões sociais".[47] Karl von Martirius e Johann Baptist von Spix, que viveram no Brasil entre 1817 e 1820, afirmaram ser "difícil determinar o limite entre as pessoas de cor e os brancos legítimos", ou seja, "saber onde terminavam o caboclo e o mulato e começavam o branco". Quando vigorava a escravidão, a sociedade brasileira dividia-se entre uma camada livre e outra escrava, e o mulato, o cafuzo ou o mestiço indefinido funcionavam como "amortecedores do antagonismo" entre essas duas classes e, os que tinham a pele mais clara, eram tratados como brancos ou quase brancos. Mesmo entre os considerados "brancos", haveria considerável número de caboclos ou mulatos claros, haja vista que os colonizadores portugueses continentais tendiam a imigrar para o Brasil sozinhos, sem trazer esposas, e a miscigenação era a regra entre os brasileiros.[46] Foram pardos importantes nomes da História brasileira, como Chica da Silva, Aleijadinho e Machado de Assis.

Os pardos podem ter os mais variados perfis fenótipos (aparência) e comportamentais. A rigor, o que caracteriza um pardo é, para alguns autores, simplesmente, sua miscigenação. Não há um senso de pertencimento étnico entre os integrantes deste segmento e, geralmente, os pardos se percebem mais como "brasileiros" do que como "mestiços",[48] mas a existência de movimentos próprios organizados mostra que alguns integrantes deste segmento possuem senso de pertencimento a identidade étnica distinta.[49]

Nos censos brasileiros

 
O poeta Gonçalves Dias, filho de pai português e mãe cafuza, representava a síntese do povo brasileiro

A categoria "pardo" foi usada no primeiro censo brasileiro de 1872. Em 1890, foi substituída pelo termo "mestiço", mas foi novamente inserida no censo a partir de 1920.[50] Em 1872, os pardos eram 38,3% da população, os brancos 38,1% e os pretos 19,7%. Em 1940, a população parda havia se reduzido para 21,2%, a preta para 14,6% e a branca aumentado para 63,8%.[51] Esse processo de "branqueamento" tem várias explicações. Primeiro, a grande imigração trouxe milhões de europeus para o Brasil nas décadas antecedentes. As taxas de reprodução dos não brancos eram menores do que dos brancos. A miscigenação aumentou, gerando uma prole de pele mais clara.[52] E, por fim, muitas pessoas que, nos censos anteriores, se classificavam como "pretas" migraram para a categoria "parda", assim como muitos que se diziam "pardos" migraram para a categoria "branca". Este fenômeno estava associado à ascensão social de pessoas de pele mais escura que foram "migrando" para as categorias mais claras de cor, uma vez que, no Brasil, a classe social interfere na classificação racial.[53]

O demógrafo Giorgio Mortara calculou que, do censo de 1872 ao de 1940, 59 mil brasileiros anualmente "passaram" da categoria parda para a branca. Assim, no censo de 1940, pelo menos 4 milhões de pessoas classificadas como brancas foram classificadas como pardas nos censos anteriores ou descendiam destas.[54]

 
Quadrilha junina em Belém, na Paraíba. Nesse estado, a maioria da população é de cor parda.

Por outro lado, do censo de 1950 ao de 1991, a população branca caiu constantemente e a parda cresceu. Em 1950, os pardos eram 29,5% mas, em 1991, 42,4%. Os brancos, por outro lado, diminuíram de 61,7% para 51,6% e os pretos de 11% para 5%. As taxas de fecundidade e mortalidade não são suficientes para explicar essa brusca alteração. O que houve nesse período foi uma grande "emigração" de "pretos" para a categoria "parda". Das pessoas de 14 a 19 anos de idade que, em 1950, se classificaram como "pretas", cerca de 38% se reclassificaram como pardas ou brancas no censo de 1980. Era o ideal do "branqueamento", com raízes no período colonial, ainda persistindo no imaginário brasileiro.[54]

Entre 1991 e 2000, os pardos decresceram de 42,4% para 38,5%. Em 2010, aumentaram para 43,1%. O contínuo crescimento da população parda durante o século XX é descrito por alguns como o fenômeno da "pardização" do Brasil.[55] Para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o crescimento das pessoas que se dizem pardas ou pretas reflete a "revalorização da identidade de grupos raciais historicamente discriminados".[56]

Porém, na Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio de 2011, a tendência histórica se alterou: só a população preta é que vem aumentando, entre 2009 e 2011 cresceu de 6,9% para 8,2%, enquanto a população parda e branca diminuiu nesse período.[57]

Pardos como negros: a metodologia do IBGE e críticas

Nos últimos anos, diversos estudos publicados no Brasil sobre indicadores socioeconômicos vêm agregando as categorias parda e preta numa categoria única denominada "negra".[58] Frequentemente, afirma-se que essa metodologia foi adotada pelo IBGE,[59] porém essa informação é incorreta. O IBGE, que é o órgão responsável pelas pesquisas censitárias no Brasil, considera as categorias "preta" e "parda" como separadas: o Manual do Recenseador, com orientações para o censo de 2020, deixa claro que pardo não se confunde com negro ou preto.[39]

De fato, a soma de pretos e pardos como negros não tem relação com o IBGE, mas sim com trabalhos de sociólogos, do Movimento Negro e institutos de pesquisa.[60] Na década de 1970, os sociólogos Carlos Hasenbalg e Nelson do Valle Silva utilizaram dados do censo para produzir estatísticas sobre a desigualdade racial no Brasil. Eles chegaram à conclusão de que pretos e pardos estavam em pior situação socioeconômica que brancos. Nessas pesquisas, os dois sociólogos separaram a população em "brancos" e "não brancos", essa última categoria juntando os pretos e pardos. Embora eles não explicassem o motivo dessa junção, ela pode ser explicada pelo pequeno número de pretos na sociedade brasileira, em comparação ao número maior de pardos (segundo o censo de 2010, apenas 7,4% dos brasileiros são pretos, comparados a 43,2% de pardos e 47,9% de brancos).[60]

Após as publicações de Hasenbalg e Silva na década de 1970, praticamente todos os estudos sobre desigualdade racial no Brasil passaram a reunir pretos e pardos sob uma mesma categoria, mas denominando-a "não brancos" ou "pretos e pardos".[60]

A decisão de juntar pretos e pardos como "negros" partiu do Movimento Negro. Para alguns militantes desse movimento, o maior índice de pobreza entre os pardos prova que essa população é vista como negra pelos outros. Ademais, alegam que haveria no Brasil uma "vergonha" dos pardos em se assumirem como negros, portanto a junção de pretos e pardos contribuiria para o aumento da conscientização em torno da identidade racial dessas pessoas.[60]

Porém, a consagração desse modelo que separa o povo brasileiro somente entre "brancos" e "negros" apenas ocorreu na metade da década de 1990, quando passou a ser adotado por pesquisadores do IPEA, órgão ligado ao governo federal, na época sob a presidência de Fernando Henrique Cardoso. Ao invés de utilizarem a nomenclatura "não brancos", os pesquisadores do IPEA preferiram renomear a soma de pretos e pardos como "negro", em sintonia com o defendido pelo Movimento Negro.[60]

Essas discussões raciais, contudo, tinham pouca relevância na vida prática dos brasileiros, até a adoção das quotas raciais pelas universidades públicas, a partir de 2001. A adoção das quotas fez a discussão racial transcender os meios acadêmicos e chegar à esfera pública, uma vez que passou a ser necessário definir quem é negro no Brasil, problema este que sempre se soube que seria de difícil solução.[61] Essas discussões suscitam inúmeras polêmicas, como acusações de "fraudes" nas cotas, denúncias de que pardos estão sendo injustamente desclassificados de concursos ou casos de gêmeos univitelinos sendo classificados como racialmente diferentes por bancas incumbidas de verificar a raça dos candidatos.[60][62][63][64]

Segundo uma fonte, a junção de pretos e pardos como negros não está relacionada a questões de ordem racial, cultural, de cor, genética ou antropológica, mas apenas a avaliação das "condições de vida" dos brasileiros. A explicação por quem defende essa metodologia é que os indicadores de condição de vida dos pardos e dos pretos são parecidos e que a origem da palavra "negro" faz com que ela possa ser usada em outros contextos e não só quando se trata de populações africanas.[65]

Porém, esta decisão tem causado muitas polêmicas, pois não é um consenso geral na sociedade brasileira. Os brasileiros, geralmente, utilizam-se dos mais variados "termos raciais" para denominarem uns aos outros numa perspectiva multirracial. Entre os brasileiros, a "raça" de um indivíduo é baseada mais na aparência e alguns critérios subjetivos do que propriamente na ancestralidade. Isto gera, obviamente, equívocos e ambiguidades, porém é um traço da cultura brasileira que não pode ser ignorado. Os enganos causados pelo desconhecimento dessa metodologia são grandes, sendo cometidos até por jornais e políticos.[66]

Essa metodologia de considerar todos os pardos como "negros" que vem sendo adotada pelo IBGE[67] também é criticada por alguns estudiosos. Para o sociólogo Demétrio Magnoli, os pardos são um grupo mestiço, que não se vê nem como branco, nem como negro, mas como um grupo separado.[68] Já o geneticista da Universidade Federal de Minas Gerais Sérgio Pena mostra, por meio de estudos genéticos, que, no Brasil, existem pardos e até negros que têm ancestralidade predominantemente europeia,[69] enquanto outros têm ancestralidade indígena, não fazendo sentido que todos sejam classificados sob a mesma categoria de "negros".[70] Por sua vez, o cientista político e historiador José Murilo de Carvalho classifica essa metodologia como "genocídio racial estatístico", uma vez que a categoria "parda" sempre incluiu muitos brasileiros mestiços de índios, predominantes nos estados do Norte, os quais estão sendo excluídos das estatísticas com essa nova metodologia. Ainda segundo Murilo de Carvalho, essa metodologia de dividir a população brasileira somente entre "brancos" e "negros" passou a ser adotada por certos grupos após campanha "liderada por ativistas do movimento negro, sociólogos, economistas, demógrafos, organizações não-governamentais, órgãos federais de pesquisa", numa tentativa de copiar o modelo de classificação racial norte-americano para a realidade brasileira.[71]

De uma penada, ou de uma somada, excluem do mapa demográfico brasileiro toda a população descendente de indígenas, todos os caboclos e curibocas. Escravizada e vitimada por práticas genocidas nas mãos de portugueses e bandeirantes, a população indígena é objeto de um segundo genocídio, agora estatístico. A não ser pelos trezentos e tantos mil índios, a América desaparece de nossa composição étnica. Restam Europa e África.
- José Murilo de Carvalho, historiador.[71]
Consequências da metodologia

Uma consequência dessa nova metodologia que reúne pardos e pretos como negros é que na lei nº 12.990/2014, que reserva 20% das vagas nos concursos públicos federais para candidatos "negros", os "pardos", juntos aos "pretos", estão explicitamente sendo contados como "negros" e, portanto, fazendo jus a concorrer às vagas reservadas para os negros. Embora o texto da lei fale que basta a "autodeclaração" do candidato como preto ou pardo para concorrer às vagas,[72] haja vista supostas "fraudes" nas autodeclarações terem ocorrido, uma Instrução Normativa do Ministério do Planejamento e Gestão (MPOG) de 2016 estabeleceu que todos os candidatos cotistas, em concursos de âmbito federal, deverão ser submetidos a uma "comissão", com o objetivo de averiguar a sua aparência física ("aspectos fenotípicos do candidato, os quais serão verificados obrigatoriamente com a presença do candidato").[73]

Outra consequência é o possível uso da soma de pretos e pardos como negros para produzir estatísticas enganosas. Segundo a jurista Roberta Kaufmann, existe uma "grotesca manipulação dos índices relacionados aos negros". Ela cita que muitos ativistas contam os pardos como negros para dizer que a maioria da população brasileira é negra, mas excluem os pardos quando afirmam, por exemplo, que há apenas 3% de negros nas universidades brasileiras.[74] O escritor Leandro Narloch denomina essa estratégia de "pardo de Schrödinger", que ocorre quando os pardos ora são contados como negros e ora não, fato que produz dados estatísticos conflitantes, como em relação ao número da população carcerária ou de vítimas de homicídios.[75] Por exemplo, quando brancos, pretos e pardos são contados separadamente, encontra-se que a maioria dos presos no Brasil são pardos (43,7%) ou brancos (35,7%), sendo os pretos uma minoria (17%);[76] por sua vez, quando pretos e pardos são contados juntos, encontra-se uma maioria de presos "negros".[77]

Comparação com os Estados Unidos

O antropólogo Kabengele Munanga afirma que a reunião de "pretos" e "pardos" sob a mesma categoria de "negros", que vem sendo adotada recentemente no Brasil, é uma tentativa dos brasileiros de copiar os Estados Unidos: "Trata-se, sem dúvida, de uma definição política embasada na divisão birracial ou bipolar norte-americana, e não biológica", afirmou ele.[78] O antropólogo Antonio Risério explica que, por pressão dos movimentos negros e racialistas, tem-se tentando impor no Brasil uma visão racial norte-americana, em oposição à brasileira, o que, segundo ele, é algo negativo: "E a importação desse modelo dicotômico falsifica a realidade brasileira. A experiência histórica de um povo não pode ser substituída pela experiência histórica de outro".[79]

A divisão birracial dos Estados Unidos tem origem na "regra de uma gota" ("one-drop rule"), que foi um conceito racista que imperou no país durante a maior parte do século XX.[80] Com o objetivo de garantir a "pureza racial" dos brancos americanos, os americanos de ascendência mestiça passaram a ser contados como "negros". Em consequência, os mestiços não poderiam fazer sexo ou se casar com brancos e, assim, se garantia a "pureza racial" dos brancos.[81] Em 1920, a categoria "mulato", que existia nos Estados Unidos desde 1840, foi excluída do censo, o que forçou os mestiços a se identificarem como negros, criando-se dois polos antagônicos (brancos versus negros). Porém, juridicamente, o conceito da "regra de uma gota" já não existe há muito tempo nos Estados Unidos. Desde o ano 2000, os americanos podem escolher mais de uma "raça" com o qual se identificam ao responderem o censo, e o número de americanos que se identificam como "mestiços" tem crescido exponencialmente.[82][83] Ademais, devido ao aumento da população oriunda de países da América Latina, onde a miscigenação sempre foi muito intensa,[84] uma identidade "brown" (parda) está cada vez mais presente nos Estados Unidos atuais.[85]

A divisão da população somente entre "brancos" e "negros" apenas existiu nos Estados Unidos.[86] Na África do Sul, a categoria intermediária dos mestiços ("coloured") sempre existiu, mesmo durante o regime do Apartheid.[87] Em Angola, os descendentes mistos de negros e brancos são chamados de "cabritos", "mestiços" ou "mulatos" e nos países de língua espanhola, termos que traduzem uma miscigenação, como "mestizo", "mulato" e "moreno", também são amplamente usados pela população.[84][88]

Ademais, a história da miscigenação no Brasil e nos Estados Unidos foi muito diferente. Nos Estados Unidos, os colonos europeus chegavam com suas famílias inteiras, trazendo esposas, o que limitou o processo de miscigenação. Ademais, as leis anti-miscigenação nos Estados Unidos impediam que as pessoas pudessem escolher livremente seus parceiros sexuais.[89] No Brasil, por outro lado, os colonos portugueses quase sempre chegavam sozinhos, sem trazer esposas, o que os empurrou para um processo de mestiçagem com as mulheres indígenas e africanas. Além do mais, a ausência de leis anti-miscigenação no Brasil facilitou o contato sexual entre pessoas de origens étnicas diferentes.[90] Estudos genéticos mostram essa diferença: em geral, os brancos americanos são mais europeus que os brancos brasileiros, assim como os negros americanos são mais africanos que os negros brasileiros. Segundo estudo genético de 2015, o americano branco médio tem 98,6% de ancestralidade europeia, 0,19% africana e 0,18% indígena, o negro médio tem 73,2% de ancestralidade africana, 24% europeia e 0,8% indígena e o latino médio tem 65,1% de ancestralidade europeia, 18% indígena e 6,2% africana.[91] Já no Brasil, segundo estudo de 2014, o branco médio tem 84,6% de ancestralidade europeia, 9,7% africana e 5,6% indígena, o negro médio 53,6% africana, 38,1% europeia e 8,3% indígena e o pardo médio 64,7% de ancestralidade europeia, 25,3% africana e 10% indígena, estando o pardo geneticamente mais próximo dos europeus do que dos africanos, portanto.[92]

Embora a maioria dos norte-americanos considerados negros tenham significativa ancestralidade europeia, eles mantiveram uma ancestralidade predominantemente africana: apenas 1% dos negros americanos têm 50% ou mais de ancestralidade europeia,[93] diferentemente dos pardos brasileiros, cuja ancestralidade é majoritariamente europeia, com uma média de 59% de ancestrais oriundos da Europa, segundo estudo genético de 2019. Portanto, a realidade racial dos norte-americanos é bastante diferente da dos brasileiros, porquanto os primeiros são muito menos miscigenados que os segundos.[94]

Ancestralidade genética de brasileiros e norte-americanos
Nacionalidade Cor/Etnia Europeia Africana Indígena
Brasileiros[92] Brancos 84,6% 9,7% 5,6%
Pardos 64,7% 25,3% 10%
Negros 38,1% 53,6% 8,3%
Norte-Americanos[91] Brancos 98,6% 0,19% 0,18%
"Latinos" 65,1% 6,2% 18%
Negros 24% 73,2% 0,8%

Segundo o sociólogo Reginald Daniel da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, os Estados Unidos têm abandonado a rígida estratificação de "brancos" e "negros" e estão cada vez mais parecidos com o Brasil em seu modelo de classificação racial: "Com a imigração latina e o crescimento de casamentos inter-raciais, cada vez mais americanos se veem como multirraciais". Já no Brasil, tem acontecido o caminho inverso: "cresce no país o número de pessoas que se identificam como pretas ou negras e repelem termos que designam grupos intermediários, como pardo ou mestiço", explicou ele.[95]

Como os pardos se veem

De acordo com uma pesquisa, quando solicitados a se classificarem racialmente da maneira que bem entenderem, 43% dos entrevistados previamente classificados como pardos continuam a dizer que são pardos e 38% optam por dizer que são morenos. Apenas 3% dizem que são negros e 1% pretos. O resultado está na tabela a seguir:[96]

Como os pardos se classificam racialmente, quando solicitados a fazê-lo espontaneamente[96]
Respostas Porcentagem
Brancos 0%
Pardos 43%
Pretos 1%
Mulatos 8%
Mestiços 7%
Negros 3%
Morenos 38%

Segundo um outro estudo, quando a categoria "parda" é eliminada, deixando apenas as categorias "branca" e "preta" como opção, cerca de 40% dos pardos optam por dizer que são brancos, o que desconstrói a falácia de que os pardos podem ser classificados como "negros de pele clara".[96]

Conforme outro estudo, os pardos são o grupo com maior "fluidez racial" no Brasil. No período analisado de nove meses, entre 2002 e 2014, 22,9% dos brasileiros "mudaram" de raça. Do total dos pardos, 19,6% se reclassificaram como brancos e 8% como pretos, na segunda entrevista (72% permaneceram pardos). Os dados são oriundos da Pesquisa Mensal de Emprego, do Enem e da RAIS/MTE. [97]

Segundo o pesquisador do IBGE José Luiz Petruccelli, os pardos "normalmente são as pessoas que se classificam como ‘morenas’ ou ‘mulatas’, mas isso depende na região", afirma.[98]

Incidência do racismo

Segundo pesquisas, a grande maioria dos pardos brasileiros nunca foi vítima de racismo. Segundo pesquisa do Datafolha, de 2019, 18% dos entrevistados pardos relataram já terem sido vítimas de racismo, um número mais próximo dos brancos (11%) e bastante inferior ao dos pretos (55%). O resultado está na tabela abaixo:

Você já sofreu preconceito por causa da sua cor ou raça?[99]
Cor do entrevistado Presença na amostra Já sofreu Nunca sofreu
Pardo 40% 18% 82%
Branco 33% 11% 89%
Preto 16% 55% 45%
Amarelo 4% 9% 91%
Indígena 2% 30% 70%
Outro 5% - -
Total 100% 22% 78%

Uma pesquisa anterior também encontrou números semelhantes: 16% dos pardos entrevistados foram vítimas de racismo, comparado a 36% dos pretos.[100]

Reinterpretações do conceito

 
Nascimento de caboclo representado no Monumento aos Bandeirantes, em Santana de Parnaíba, São Paulo.

O conceito de miscigenação em si não contém nenhum sentido político. Porém, atualmente, há grupos que entendem que este conceito deve ser reinterpretado, embora reconheçam que a miscigenação é um traço marcante da sociedade brasileira.

A partir da década de 1990, os movimentos sociais de cunho racial começam a ter maior visibilidade sociopolítica. Alguns destes grupos passam a adotar uma retórica birracial, pleiteando um rótulo único para os não brancos num esquema similar ao estadunidense. As alegações destes grupos são que os indicadores socioeconômicos entre os não brancos são bastante similares, e que uma categoria única facilitaria a implementação de políticas públicas de inclusão social.[101] Refutam a ideia de "pureza racial" e dizem que o termo "negro" se referiria a uma classe social, e não propriamente a uma "raça", nos moldes convencionais.

Porém, há grupos que são críticos a esta visão birracial da sociedade, pois alegam que há um percentual significativo de "brancos" pobres que não serão beneficiados por políticas públicas específicas para determinadas "raças".[102] Além disso, dizem que as pessoas têm o direito de se autodeclararem da forma que bem entenderem, e que a imposição de identidades arbitrárias fere o direito a liberdade de expressão, bem como gera constrangimentos desnecessários.

O movimento de mestiços, por sua vez, opõem-se à inclusão dos pardos na categoria "negra" por entenderem que pardo refere-se à identidade mestiça e que esta é distinta daquelas que lhes deram origem.[103]

O termo "moreno"

No Brasil, o termo "moreno" é o mais usado quando as pessoas classificam sua cor de pele. Segundo pesquisa do Datafolha de 1995, 43% dos brasileiros classificaram espontaneamente sua cor como "morena" e suas variações ("morena clara" e "morena escura"). O termo "pardo", adotado oficialmente pelo IBGE, foi usado por apenas 6% dos entrevistados.[104]

O termo "moreno" não existe apenas no Brasil. Ele também é amplamente usado em outros países da América Latina para designar a cor da pele das pessoas.[105]

Estudos genéticos

Estudos genéticos mostram que os pardos brasileiros têm ancestralidades europeia, africana e indígena. De acordo com um estudo genético de 2014, os brasileiros que se classificaram como pardos apresentaram 64,7% de ancestralidade europeia, 25,3% africana e 10% indígena. Por sua vez, os que disseram ser brancos tiveram 84,6% de ancestralidade europeia, 9,7% africana e 5,6% indígena e os negros 53,6% africana, 38,1% europeia e 8,3% indígena. De maneira geral, os brasileiros, sejam pardos, brancos ou negros, apresentam as três ancestralidades (europeia, africana e indígena), variando apenas o grau. Ademais, os pardos têm mais ancestralidade europeia do que africana ou indígena.[106][107]

De acordo com um estudo genético de 2011, realizado com pessoas de cinco estados, em quatro deles os brasileiros de cor parda apresentaram ancestralidade predominantemente europeia, acima de 59%, sendo a única exceção o Rio Grande do Sul, onde os pardos tiveram praticamente a mesma proporção de mistura europeia e africana. No estado do Pará, os pardos tiveram o dobro de ancestralidade indígena (20,9%) em relação à ancestralidade africana (10,6%), enquanto que nos outros estados a ancestralidade africana foi maior que a indígena. Os resultados estão na tabela a seguir:[108]

Ancestralidade genética dos brasileiros de cor parda (de 2011)[108]
Estado Indígena Africana Europeia
Bahia 11,9% 28,8% 59,3%
Rio Grande do Sul 15,4% 42,4% 42,2%
Pará 20,9% 10,6% 68,6%
Ceará 12,8% 14,4% 72,8%
Rio de Janeiro 8,7% 23,8% 67,5%

Segundo estudo genético de 2007, realizado no Rio de Janeiro, os pardos apresentaram 68,1% de ancestralidade europeia, 23,6% africana e 7,3% indígena. O geneticista Sergio Pena concluiu: "Salta aos olhos que a ancestralidade africana dos indivíduos pardos (0,236) é intermediária entre a dos brancos (0,069) e pretos (0,509), estando de fato mais próxima dos primeiros do que dos últimos. Assim, pela análise desta amostra, não há qualquer fator que justifique a agregação proposta de pardos e pretos em negros". [109][110]

Conforme estudo genético de 2019, que analisou o DNA de 9.834 pessoas de seis cidades brasileiras, o brasileiro de cor parda apresentou 59% de ancestralidade europeia, 26,4% africana e 11,4% indígena. A proporção de ancestralidade africana variou de 20% em Porto Alegre a 32,8% em Salvador e a proporção de ancestralidade europeia variou de 58,1% em Salvador a 67,9% em Belo Horizonte, ao passo que a ancestralidade indígena foi desde 7,4% em Salvador a 17% em Porto Alegre. Os resultados estão na tabela a seguir:

Ancestralidade genética dos brasileiros de cor parda (de 2019)[94]
Cidade Indígena Africana Europeia
Salvador 7,4% 32,7% 58,1%
Vitória 12,2% 21,4% 64%
Belo Horizonte 7,7% 23,1% 67,9%
Rio de Janeiro 14,9% 23% 58,6%
São Paulo 15% 29,4% 53,8%
Porto Alegre 17% 20,2% 56,7%
Total 11,4% 26,4% 59%

Legislação sobre multirracialidade

Nunca houve no Brasil leis que proibissem casamentos mistos, a miscigenação ou que instituíssem entre os brasileiros segregação racial institucionalizada. Também nunca foi implantada no Brasil a chamada One-Drop Rule ("Regra de uma gota"), um tipo de regra que vigorava nos Estados Unidos até ser considerada inconstitucional pela Suprema Corte, e que considerava todos os que tivessem "sangue preto" (ou seja, que tivessem um ascendente qualquer preto, por mais remoto que fosse) como pretos, sem que essas pessoas tivessem a possibilidade de se autoidentificarem ou não como pretos.

De acordo com a Constituição Republicana de 1891:[111]

Art° 72 A Constituição assegura a brasileiros e a estrangeiros residentes no País a inviolabilidade dos direitos concernentes à liberdade, à segurança individual e à propriedade, nos termos seguintes:
$1º- Ninguém pode ser obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.
$2º- Todos são iguais perante a lei.
A República não admite privilégios de nascimento, desconhece foros de nobreza e extingue as ordens honoríficas existentes e todas as suas prerrogativas e regalias, bem como os títulos nobiliárquicos e de conselho.

O Estado Republicano brasileiro sempre reconheceu, formalmente, a igualdade entre os seus cidadãos.

Demografia

Por região

 
Mapa dos municípios do Brasil, mostrando que a maior concentração de pardos se dá no Norte e no Nordeste do país (censo de 2010)

As regiões do Brasil por porcentagem de indivíduos pardos, segundo dados de 2009:[112]

  1. Região Norte – 71,2%
  2. Região Nordeste – 62,7%
  3. Região Centro-Oeste – 50,6%
  4. Região Sudeste – 34,6%
  5. Região Sul – 17,3%

Por estado

 
Estados de acordo com a percentagem de pardos em 2009

Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2009,[113] dos dez estados brasileiros com maior população parda, cinco estavam na Região Norte e cinco na Região Nordeste:

  1. Amazonas – 77,2%
  2. Pará – 72,6%
  3. Piauí – 69,9%
  4. Tocantins – 68,8%
  5. Maranhão – 68,6%
  6. Alagoas – 67,7%
  7. Acre – 67,7%
  8. Sergipe – 67,1%
  9. Amapá – 66,9%
  10. Ceará – 66,1%

Por município

Segundo dados do recenseamento de 2000 feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,[114] dos dez municípios brasileiros com maior população parda, oito estavam na Região Nordeste e dois na Região Norte:

  1. Nossa Senhora das Dores (Sergipe) – 98,16%
  2. Santo Inácio do Piauí (Piauí) – 96,90%
  3. Boa Vista do Ramos (Amazonas) – 92,40%
  4. Belágua (Maranhão) – 90,85%
  5. Itacuruba (Pernambuco) – 90,05%
  6. Monte Alegre de Sergipe (Sergipe) – 90,03%
  7. Pracuuba (Amapá) – 89,99%
  8. Ipubi (Pernambuco) – 89,93%
  9. Floresta do Piauí (Piauí) – 89,37%
  10. Pinhão (Sergipe) – 87,51%

Bibliografia

  • Viana, Larissa. "O idioma da mestiçagem. As irmandades de pardos na América Portuguesa". Editora Unicamp. 2007.

Ver também

Referências

  1. «À flor das águas: a imagem do Recife em Josué de Castro» (PDF). UFRPE. Consultado em 16 de junho de 2019 
  2. «O inventor do Sertão – Luiz Gonzaga». GGN. Consultado em 16 de junho de 2019 
  3. «O Brasil já teve seu "Obama"». 22 de novembro de 2008. Consultado em 21 de julho de 2014. Peçanha era mulato – sua mãe era negra – e a imprensa da época constantemente fazia charges e anedotas referentes à cor de sua pele. 
  4. Peter M. Beattie (2001). «"The Tribute of Blood: Army, Honor, Race, and Nation in Brazil, 1864-1945". ISBN 0-8223-2743-0,9780822327431. pp. 7.» (em inglês). Duke University Press. Consultado em 3 de setembro de 2008 
  5. «Revista de História». 16 de setembro de 2011. Consultado em 19 de julho de 2014. Arquivado do original em 5 de agosto de 2014. A última campanha publicitária da Caixa Econômica Federal, em comemoração aos seus 150 anos, pôs um ator branco interpretando o escritor (e mulato) Machado de Assis (1839-1908). 
  6. Companhia das Letras (ed.). «MACHADO DE ASSIS». Consultado em 21 de julho de 2014. Seu pai, Francisco José de Assis, era “pardo” e neto de escravos; sua mãe, Maria Leopoldina Machado, era açoriana. 
  7. Márcia de Almeida Gonçalves (2005). UERJ/PUC-Rio, ed. «Mestiço, pobre, nevropata: biografia e modernidade no Machado de Assis de Lúcia Miguel Pereira» (PDF). Consultado em 21 de julho de 2014. Cópia arquivada (PDF) em 1 de junho de 2020 
  8. MSN, ed. (15 de dezembro de 2012). «Juliana Paes, a musa brasileira». Consultado em 19 de julho de 2014. A sua família tem descendência árabe, negra e indígena. 
  9. Márvio dos Anjos (1 de maio de 2014). «"Neymar não se acha negro": canalhice ou desinformação?». Consultado em 19 de julho de 2014 
  10. José Eustáquio Diniz Alves (28 de junho de 2010). EcoDebate, ed. «A definição de cor/'raça' do IBGE». Consultado em 21 de julho de 2014 
  11. Ediciones Universidad de Salamanca (ed.). «Lingüística y literatura: Memoria del 56.º Congreso Internacional de Americanistas». Consultado em 16 de junho de 2019 
  12. «Bethânia lança disco e se prepara para 50 anos de carreira». A Tarde. Consultado em 16 de junho de 2019 
  13. Revista Época, ed. (19 de agosto de 2011). «Marina Silva deixa o PT». Consultado em 21 de julho de 2014 
  14. CartaCapital, ed. (5 de outubro de 2010). «Voto em Marina não é ecológico, mas também não evangélico». Consultado em 21 de julho de 2014. Ao mesmo tempo, é mestiça, não está à vontade com a “alta cultura”, tem gostos populares e se sabe desprezada pela elite tradicional. 
  15. O Globo, ed. (5 de setembro de 2012). «Duas caras novas para apagar a fama de clube racista do Zenit». Consultado em 19 de julho de 2014. Mulato Hulk e negro Witsel são os reforços de peso de um elenco formado só por brancos 
  16. GQ, ed. (26 de dezembro de 2012). «Débora Nascimento é nossa primeira capa de 2013». Consultado em 19 de julho de 2014. A beleza morena, algo exótica (é filha de pai negro e mãe descendente de italianos e índios), a levou para a África do Sul. Com 19 anos, sozinha e deprimida na Cidade do Cabo, engordou 20 quilos. 
  17. Revista Tpm, ed. (19 de dezembro de 2011). «Gaby Amarantos». Consultado em 21 de julho de 2014. Filha de ribeirinhos e descendente de escravos por parte de pai e de portugueses pela mãe, Gaby ralou muito antes de ter seu talento reconhecido além das fronteiras do norte do país. 
  18. MdeMulher, ed. (12 de junho de 2011). «No auge do sucesso, top Adriana Lima completa 30 anos». Consultado em 21 de julho de 2014. Com DNA brasileiríssimo (ela tem no sangue descendência francesa, índia, portuguesa e japonesa), surpreendeu o mercado de moda brasileiro, que, na maioria esmagadora dos casos, privilegia modelos do Sul do país, de origem ítalo-alemã. 
  19. Cultura Mix (ed.). «Fernando Henrique Cardoso». Consultado em 20 de julho de 2014. FHC, como é conhecido o ex-presidente Fernando Henrique é descendente de uma família de militares revolucionários e de uma escrava 
  20. José Eustáquio Diniz Alves. UFRJ, ed. «Qual a cor do presidente Lula?» (PDF). Consultado em 21 de julho de 2014. É o que aconteceu a pouco tempo atrás com o jogador Ronaldo, que se declarou da cor branca, enquanto os seus pais disseram que ele era pardo. 
  21. Míriam Leitão (29 de maio de 2005). «Ronaldinho acha que é Branco». Consultado em 21 de julho de 2014 
  22. Raça Brasil (ed.). «Ser negro é uma questão da cor da pele?». Consultado em 21 de julho de 2014. Arquivado do original em 27 de julho de 2014 
  23. Raça Brasil (ed.). «COM VOCÊS, VANESSA DA MATA». Consultado em 21 de julho de 2014. Arquivado do original em 14 de abril de 2015. Algumas contradições, porém, permeiam a vida e a personalidade dessa filha de judeu ítalo-português com mestiça de negros e índios. 
  24. a b IBGE, ed. (2009). «Tabela 1.2 - População residente, por cor ou raça, segundo a situação do domicílio e o sexo - Brasil» (PDF). Consultado em 21 de julho de 2014. Arquivado do original (PDF) em 24 de setembro de 2015 
  25. a b Da redação (7 de maio de 2013). «Qual a diferença entre preto, pardo e negro?». Educação, portal Terra. Consultado em 6 de dezembro de 2016 
  26. «Manual do IBGE» (PDF) 
  27. IBGE, ed. (2006). «Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios» (PDF). Consultado em 21 de julho de 2014 [ligação inativa] 
  28. IBGE, ed. (2000). «Cor e raça» (PDF). Consultado em 16 de setembro de 2016. Cópia arquivada (PDF) em 5 de agosto de 2003 
  29. IBGE, ed. (2006). «PNAD» (PDF). Consultado em 16 de setembro de 2016. Cópia arquivada (PDF) em 5 de dezembro de 2007 
  30. Prof. Sergio Danilo Pena (Universidade Federal de Minas Gerais ) (11 de setembro de 2009). «Do pensamento racial ao pensamento racional». Instituto Ciência Hoje. Consultado em 16 de setembro de 2016. Cópia arquivada em 16 de setembro de 2016 
  31. Sérgio D. J. Pena, Giuliano Di Pietro, Mateus Fuchshuber-Moraes, Julia Pasqualini Genro, Mara H. Hutz, Fernanda de Souza Gomes Kehdy, Fabiana Kohlrausch, Luiz Alexandre Viana Magno, Raquel Carvalho Montenegro, Manoel Odorico Moraes, Maria Elisabete Amaral de Moraes, Milene Raiol de Moraes, Élida B. Ojopi, Jamila A. Perini, Clarice Racciopi, Ândrea Kely Campos Ribeiro-dos-Santos, Fabrício Rios-Santos, Marco A. Romano-Silva, Vinicius A. Sortica, Guilherme Suarez-Kurtz (& editor Henry Harpending) (16 de fevereiro de 2011). «The Genomic Ancestry of Individuals from Different Geographical Regions of Brazil Is More Uniform Than Expected» (em inglês). PMC / Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos (NIH/NLM). Consultado em 16 de setembro de 2016. Cópia arquivada em 16 de setembro de 2016 
  32. Jocélio Teles dos Santos. DE PARDOS DISFARÇADOS A BRANCOS POUCO CLAROS: CLASSIFICAÇÕES RACIAIS NO BRASIL DOS SÉCULOS XVIII-XIX. Página 131
  33. http://www.culturabrasil.org/zip/carta.pdf
  34. Diogo de Vasconcelos, História das Minas Gerais, testamento do coronel reproduzido, volume 1, testamento do Coronel Salvador Furtado Fernandes de Mendonça, por volta de 1725)
  35. Gentios Brasílicos: Índios Coloniais em Minas Gerais Setecentista. Tese de Doutorado em História, IFCH-Unicamp, 2003, 401p; http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000295347
  36. Gentios Brasílicos: Índios Coloniais em Minas Gerais Setecentista. Tese de Doutorado em História, IFCH-Unicamp, 2003, 401p; http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000295347
  37. Gentios Brasílicos: Índios Coloniais em Minas Gerais Setecentista. Tese de Doutorado em História, IFCH-Unicamp, 2003, 401p; http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000295347
  38. a b c d e «Cor e hierarquia social no Brasil escravista:o caso do Paraná, passagem do século XVIII para o XIX» (PDF). 2011. Consultado em 21 de julho de 2012 
  39. a b c d MANUAL DO RECENSEADOR PARTE 2
  40. (em português)Ciência Hoje - Livro explica surgimento do Homo brasilis Arquivado em 7 de outubro de 2008, no Wayback Machine.
  41. A.J.R RUSSEL-WOOD (2005). Escravos e Libertos no Brasil Colonial. [S.l.]: Civilização Brasileira. pp. ––– 
  42. JANAÍNA SANTOS BEZERRA. A FRAUDE DA TEZ BRANCA: A integração de indivíduos e famílias pardas na elite colonial Pernambucana (XVIII)
  43. «Índios» 
  44. Sérgio D.J. Pena; Maria Cátira Bortolini. «Pode a genética definir quem deve se beneficiar das cotas universitárias e demais ações afirmativas?» 
  45. «Os frutos da miscigenação» 
  46. a b Schwarcz, Lilia Moritz. História do Brasil Nação - 1808-2010. Volume I
  47. A face visível da desigualdade
  48. Sérgio D. J. Pena. «Para remover a palavra raça dos prontuários médicos no Brasil» 
  49. «Identidade Nacional e Identidade Mestiça» 
  50. http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/caracteristicas_raciais/notas_tecnicas.pdfinserir fonte aqui
  51. «Tendência Demográficas» (PDF). 2000. Consultado em 21 de julho de 2012. Arquivado do original (PDF) em 13 de agosto de 2011 
  52. Thomas E. Skidmore (1989). Preto no Branco - Raça e Nacionalidade no Pensamento Brasileiro. [S.l.]: Companhia das Letras. pp. 391– 
  53. http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/rev_inf/vol11_n1_1994/vol11_n1_1994_1artigo_3_17.pdf Categorias do Censo e Classificação Subjetiva de Cor no Brasil
  54. a b COSTA, Albertina de Oliveira e AMADO, Tina. Alternativas Escassas - Saúde, Sexualidade e Reprodução na América Latina. Editoria Nova Fronteira, 1994.
  55. MAGNOLI, Demétrio. Uma Gota de Sangue, Editora Contexto 2008 (2008)
  56. http://saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&busca=1&idnoticia=774 IBGE detecta mudanças na família brasileira
  57. http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/09/21/numero-de-pardos-diminui-apesar-do-alto-crescimento-na-primeira-decada-do-milenio.htm Número de pardos inverte tendência e cai, aponta IBGE; percentual de negros sobe
  58. IBGE usa classificação de cor preta; grupo negro reúne pretos e pardos... - Veja mais em https://vestibular.uol.com.br/noticias/redacao/2013/05/03/ibge-usa-classificacao-de-cor-preta-grupo-negro-reune-pretos-e-pardos.htm?cmpid=copiaecola
  59. "Estatísticas mostram que Brasil não pode importar discurso racial dos EUA".
  60. a b c d e f O PARDO COMO DILEMA POLÍTICO
  61. Oliveira, Cleuci (8 de junho de 2017). «'Race fraud': how a college quota scandal exposed Brazil's historic racial tensions». The Guardian. Inequality. Consultado em 21 de dezembro de 2018 
  62. Candidato a concurso que se declarar negro terá de provar presencialmente
  63. «Gêmeo idêntico é impedido de ser cotista» 
  64. Monteiro, Caroline (13 de julho de 2017). «Cotas em concursos: como definir quem é negro?». Nova Escola. notícias. Consultado em 21 de dezembro de 2018 
  65. «Cópia arquivada». Consultado em 21 de setembro de 2010. Arquivado do original em 17 de outubro de 2010 
  66. Lauro Stocco (2006). Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, ed. «Preconceito, branqueamento e anti-racialismo: porque e como utilizar a categoria negro nas políticas de ação afirmativa» (PDF). Consultado em 12 de agosto de 2014 
  67. Educação reforça desigualdades entre brancos e negros, diz estudo
  68. MAGNOLI, Demétrio. Uma Gota de Sangue, Editora Contexto 2008 (2008))
  69. DNA de negros e pardos do Brasil é muito europeu
  70. Muitas cores, um povo
  71. a b Genocídio racial estatístico
  72. LEI Nº 12.990, DE 9 DE JUNHO DE 2014
  73. Candidato a concurso que se declarar negro terá de provar presencialmente
  74. «A Desconstrução do Mito da Raça e a Inconstitucionalidade de Cotas Raciais no Brasil» (PDF). 2007. Consultado em 27 de junho de 2018 
  75. Não, o Brasil não é o país mais racista do mundo
  76. Massa carcerária brasileira é formada na maioria por homens, jovens, pardos e com baixa escolaridade
  77. Qual o perfil da população carcerária brasileira
  78. https://revistacult.uol.com.br/home/colorismo-e-o-mito-da-democracia-racial/
  79. Preto Básico
  80. Obama and mixed race in America
  81. Christine B. Hickman (1997), The Devil and the One Drop Rule: Racial Categories, African Americans, and the U.S. Census, The Michigan Law Review Association, pp. 81–84 
  82. The End of the “One-drop” Rule?: Hypodescent in the Early 21st century
  83. United States Census Bureau
  84. a b ‘Mestizo’ and ‘mulatto’: Mixed-race identities among U.S. Hispanics
  85. LATINOS AND THE CATEGORIES OF RACE
  86. «Mixed Race America – Who Is Black? One Nation's Definition». www.pbs.org. Frontline. Not only does the one-drop rule apply to no other group than American blacks, but apparently the rule is unique in that it is found only in the United States and not in any other nation in the world. 
  87. «What's in a name? Racial categorisations under apartheid and their afterlife» (PDF). Transformation. 2001. ISSN 0258-7696. Cópia arquivada (PDF) em 8 de novembro de 2006 
  88. [https://pdfs.semanticscholar.org/ae01/3615463d4d26960e71bd49e0e223fbf00260.pdf Race in Latin America]
  89. «Preserving Racial Identity: Population Patterns and the Application of Anti-Miscegenation Statutes to Asian Americans, 1910-1950». SSRN 283998  
  90. Darcy Ribeiro (2003). O Povo Brasileiro. [S.l.]: Companhia de Bolso. pp. 435– 
  91. a b The Genetic Ancestry of African Americans, Latinos, and European Americans across the United States
  92. a b Exploring the Distribution of Genetic Markers of Pharmacogenomics Relevance in Brazilian and Mexican Populations
  93. Henry Louis Gates, Jr., In Search of Our Roots: How 19 Extraordinary African Americans Reclaimed Their Past, New York: Crown Publishing, 2009, pp. 20–21.
  94. a b https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6522012/ Context-dependence of race self-classification: Results from a highly mixed and unequal middle-income country
  95. EUA caminham para modelo brasileiro de identificação racial, diz sociólogo americano
  96. a b c BAILEY, Stanley R. (2009), Legacies of race: identities, attitudes and politics in Brazil , Stanford, Stanford University Press.
  97. SENKEVICS, Adriano Souza. (2017), “De brancos para negros? Uma análise longitudinal da reclassificação racial no Enem 2010-2014”. Trabalho apresentado na 38ª. Reunião Nacional da Anped, 1-5 de out., São Luís, MA.
  98. Qual a diferença entre preto, pardo e negro?
  99. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs de nome datafolha2019
  100. Fry, Peter. A persistência da raça. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2005, p. 220.
  101. «Argumentos favoráveis às políticas afirmativas na educação brasileira» 
  102. Ronaldo Vainfas. «Colonização, miscigenação e questão racial: notas sobre equívocos e tabus da historiografia brasileira» (PDF) 
  103. «Políticas Públicas de Eliminação da Identidade Mestiça e Sistemas Classificatórios de Cor, Raça e Etnia» 
  104. Brasil quer ser chamado de moreno e só 39% se autodefinem como brancos
  105. Evelyn Nakano Glenn (2009). Shades of Difference: Why Skin Color Matters. [S.l.: s.n.] 
  106. Exploring the Distribution of Genetic Markers of Pharmacogenomics Relevance in Brazilian and Mexican Populations
  107. DNA de negros e pardos do Brasil é 60% a 80% europeu
  108. a b Pena, Sérgio D. J.; Di Pietro, Giuliano; Fuchshuber-Moraes, Mateus; Genro, Julia Pasqualini; Hutz, Mara H.; Kehdy, Fernanda de Souza Gomes; Kohlrausch, Fabiana; Magno, Luiz Alexandre Viana; Montenegro, Raquel Carvalho; Moraes, Manoel Odorico; de Moraes, Maria Elisabete Amaral; de Moraes, Milene Raiol; Ojopi, Élida B.; Perini, Jamila A.; Racciopi, Clarice; Ribeiro-dos-Santos, Ândrea Kely Campos; Rios-Santos, Fabrício; Romano-Silva, Marco A.; Sortica, Vinicius A.; Suarez-Kurtz, Guilherme (2011). Harpending, Henry, ed. «The Genomic Ancestry of Individuals from Different Geographical Regions of Brazil is More Uniform Than Expected». PLoS ONE. 6 (2): e17063. Bibcode:2011PLoSO...6E7063P. PMC 3040205 . PMID 21359226. doi:10.1371/journal.pone.0017063 
  109. DO PENSAMENTO RACIAL AO PENSAMENTO RACIONAL
  110. Self-reported skin color, genomic ancestry and the distribution of GST polymorphisms
  111. «Constituição Republicana de 1891» 
  112. «Síntese dos Indicadores Sociais 2010» (PDF). Tabela 8.1 - População total e respectiva distribuição percentual, por cor ou raça, segundo as Grandes Regiões, Unidades da Federação e Regiões Metropolitanas - 2009. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 19 set. 2010. Arquivado do original (PDF) em 22 de agosto de 2011 
  113. «Síntese dos Indicadores Sociais 2010» (PDF). Tabela 8.1 - População total e respectiva distribuição percentual, por cor ou raça, segundo as Grandes Regiões, Unidades da Federação e Regiões Metropolitanas - 2009. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 19 set. 2010. Arquivado do original (PDF) em 22 de agosto de 2011 
  114. «www.sidra.ibge.gov.br». Consultado em 22 de janeiro de 2010. Arquivado do original em 24 de setembro de 2015 

Ligações externas