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Disambig grey.svg Nota: se procura o programa de televisão, veja Fanzine (programa de televisão).

Um fanzine (aglutinação de e magazine ou zine) é uma publicação não profissional e não oficial, produzido por entusiastas de uma cultura particular fenômeno (como um gênero literário ou musical) para o prazer de outros que compartilham seu interesse. O termo foi cunhado em outubro 1940 por Russ Chauvenet e popularizado dentro de fãs de ficção científica, posteriormente adotado por outras comunidades.[1][2] Fanzines podem ser dedicados a uma determinada franquia, podendo trazer informações e até mesmo fanfics.[3]

Normalmente, editores, escritores e outros contribuidores de artigos ou ilustrações para fanzines não são pagos. Fanzines são tradicionalmente divulgados gratuitamente ou por um custo nominal para custear as despesas postais ou de produção. As cópias muitas vezes são oferecidas em troca de publicações similares, ou por contribuições de arte, artigos ou cartas, que são então publicadas.

Alguns fanzines são digitados e fotocopiados por amadores que utilizam equipamentos caseiros. Alguns fanzines têm se desenvolvido em publicações profissionais (às vezes, conhecidas como prozines), e muitos escritores profissionais foram publicados pela primeira vez em fanzines; alguns continuam a contribuir para eles depois de estabelecer uma reputação profissional. O termo "fanzine", por vezes, é confundido com a expressão "revista de fãs" (fan magazine),[4] mas a última expressão, na maioria das vezes, refere-se a publicações comercialmente produzidos para (em vez de por) fãs.

Embora essa manifestação midiática seja comumente relacionada aos jovens, há produtores e leitores de fanzines em quase todas as faixas etárias.

O termo fanzine deu origem a outros neologismos: zine, corruptela difundida pelo movimento punk,[5] semiprozine, fanzine de qualidade profissional,[6][nota 1] adzine, criado com a junção das palavras advertising (publicidade) e zine, um fanzine criado para anunciar outros fanzines,[1][7]splitzine, um fanzine dividido em dois, slimzine, um fanzine pequeno, graphzine, um fanzine com dedicado a artes gráficas e ilustrações,[8] fanálbum, um álbum de quadrinhos independente,[9][10] sendo álbum, um termo para histórias em quadrinhos publicado no formato de livro, podendo ser uma edição encadernada[11][12] ou um romance gráfico.[13] Uma biblioteca de fanzines é chamada de fanzinoteca[1] ou fanzineteca.[14] Um editor de fanzines pode ser chamado de fanzineiro ou faneditor.[15] Hoje, graças ao advento da editoração eletrônica e da autopublicação, muitas vezes há poucas diferenças entre a aparência de um fanzine e uma revista profissional.[16]


Índice

CaracterísticasEditar

Fanzines são publicações não-profissionais produzidas por seguidores de um fenômeno cultural específico (como um gênero literário, musical ou histórias quadrinhos) para outros que tenham os mesmos interesses.Sao feitas para homenagear o artista ou banda.


Sua vantagem indiscutível é ter especialistas em um determinado assunto, publicando de forma livre e direta, sem vínculos ou interesses com terceiros. A esta "ausência de restrições editoriais" (o editor normalmente dá liberdade de expressão), devemos acrescentar outra vantagem para um autor de fanzines: "A possibilidade de se ser conhecido por um grupo de aficcionados mais ou menos amplo e ser descoberto por um editor profissional que a qualquer momento possa dar-lhe a tão esperada oportunidade profissional". Com isso, o fanzine é" ao mesmo tempo um bom campo de tiro e uma plataforma de lançamento imbatível para o campo profissional". Com isso, o fanzine é "ao mesmo tempo um bom terreno e uma imbatível plataforma de lançamento para o campo profissional".[17]


Os problemas endêmicos dos fanzines são a sua dependência de colaboradores altruístas em trabalho não remunerado a ser obtido tempo livre e alcançar o público alvo. Ao contar com o tempo e os esforços abnegados de seus criadores eles não costumam durar muito tempo, porque esses não recebem qualquer compensação monetária.


É possível que, se o trabalho realizado for sobre um campo muito específico, no qual não há publicações comerciais, ele possa continuar cobrindo uma lacuna e até se tornar profissional.

HistóriaEditar

 
Página do fanzine "Science Fiction: The Advance Guard of Future Civilization", trazendo o conto ilustrado The Reign of the Superman de Jerry Siegel e Joe Shuster, 1933

As origens das publicações de fãs são obscuras, mas podem ser traçadas, pelo menos, de volta aos grupos literários do século XIX nos Estados Unidos que formaram Amateur Press Associations (APA)[18] para publicar coleções de histórias, poesia e comentários amadores, como a United Amateur, que teve o escritor H.P. Lovecraft como membro.[19]

Quando Hugo Gernsback publicou a primeira revista pulp de ficção científica, Amazing Stories, em 1926, permitiu que a sessão de cartas divulgasse endereços de leitores, que passaram a trocar correspondências.[20] O nome pulp veio do material usado nessas revistas, a polpa de celulose, um material barato assim como o papel jornal.[8]

Em 1929, aos 14 anos, Jerry Siegel criou um dos candidatos a primeiro fanzine de ficção científica dos Estados Unidos, Cosmic Stories, um publicação produzida de forma amadora pelo próprio Siegel usando uma máquina de escrever e um hectógrafo,[21] contudo, não há registros se a revista chegou a ser comercializada.[8]

Em 1930, a Science Correspondence Club produziria The Comet em Chicago.[8][22] O fanzine era editado por Raymond A. Palmer e Walter Dennis.[1] Não havia muita profissionalização ou estudo do que estava acontecendo à época. O termo fanzine, cunhado para designar essas publicações amadoras, só surgiria em outubro de 1940, assim denominado por Russ Chauvene.[1]

 
Capa do fanzine Futuria Fantasia de Ray Bradbury, 1939

As histórias em quadrinhos eram citadas e discutidas já no final dos anos 1930 nos fanzines de ficção científica. A primeira versão do Superman (um vilão careca) apareceu em 1933 na terceira edição do fanzine Science Fiction: The Advance Guard of Future Civilization, de Jerry Siegel e Joe Shuster, num conto ilustrado chamado The Reign of the Superman. Mais tarde, o personagem seria reformulado como um herói para o formato de histórias em quadrinhos.[20] O repórter Forrest Ackerman foi uma homenagem a um colaborador de mesmo nome, que mais tarde ser tornaria um editor de quadrinhos e ficção científica.[20]

As revistas eram distribuída através dos correios para outros fãs de ficção científica, numa época em que essas histórias ainda eram considerados um gênero inferior e marginalizado da literatura.[21] Em 1936, surge aquele que é visto como o primeiro fanzine de histórias em quadrinhos foi The Fantasy World, editado por David Kyle,[9][23] que continha histórias em quadrinhos produzidas pelo próprio Kyle.[24]

Em 1937, surge a Fantasy Amateur Press Association (Associação de Impressa Amadora de Fantasia), criada por Donald A. Wollheim. Uma Amateur Press Association (APA)[25] é conhecida por produzir apazines, fanzines apenas para um pequeno grupo membros, um contraponto aos genzines, fanzines para o público em geral.[26] Em um apazine, os membros são obrigados a enviar uma quantidade de material para continuar recebendo a publicação.[27]

Em outubro de 1947, Malcolm Willits e Jim Bradley lançaram The Comic Collector's News, o primeiro fanzine sobre quadrinhos.[28] Em 1952, Ted White havia mimeografado um panfleto de quatro páginas sobre o Superman, e James Taurasi emitiu, durante um curto período, o Fantasy Comics. Em 1953, Bhob Stewart publicou The EC Fan Bulletin,[23] um fanzine sobre a editora EC Comics, notória pelos quadrinhos de terror e ficção científica. Poucos meses depois, Stewart, White e Larry Stark produziram Potrzebie, planejado como um jornal literário de comentário crítico sobre a EC por Stark. Entre a onda de fanzines sobre a EC que se seguiu, o mais conhecido era Hoo-Hah!, de Ron Parker.[29]

Depois disso, surgiram fanzines dos seguidores das revistas satíricas editadas por Harvey Kurtzman: Mad (que passou a ser o foco da EC após ser perseguida pelas histórias de terror e ficção científica),[30] Trump e Humbug. Editores destes fanzines incluíram futuras estrelas do quadrinhos underground como Jay Lynch e Robert Crumb.[31]


 
Fanzines diversos

Em 1955, o Prêmio Hugo, premiação para obras de fantasia e ficção científica, incluiu uma categoria para fanzines[32] e em 1984, uma para semiprozines, essa categoria foi mantida até 2008.[33]

Em 1960, Richard e Pat Lupoff lançaram seu fanzine de ficção científica e quadrinhos, Xero.[8][34] Na segunda edição, The Spawn of M.C. Gaines, de Ted White, foi o primeiro de uma série de artigos analíticos e nostálgicos sobre quadrinhos por Lupoff, Don Thompson, Bill Blackbeard, Jim Harmon e outros sob o título All In Color For A Dime. Em 1961, surge Alter Ego, de Jerry Bails, dedicada aos heróis fantasiados, tornou-se um ponto focal para fandom des quadrinhos de super-heróis[23] e é, assim, às vezes erroneamente citado como o primeiro fanzine de quadrinhos.[29]

O uso dos fanzines foi marcante na Europa, especialmente na França. Em 1962, foi lançado o fanzine Giff-Wiff do Club des bandes dessinées.[1] O fanzine contou a presença de entusiastas dos quadrinhos como o jornalista Francis Lacassin e o diretor Alain Resnais.[8][35]

Posteriormente, tornou-se uma revista profissional e o clube mudou o nome para Centre d'études des littératures d'expression graphique.[34] Os fanzines também foram importantes durante os movimentos de contracultura de 1968.[36]

Em meados da década de 1960, vários fãs de ficção científica e quadrinhos reconheceram um interesse compartilhado pelo rock, dando origem a fanzines de rock. Paul Williams e Greg Shaw foram dois fãs do ficção científica transformados em editores de fanzines de rock. Crawdaddy! de Williams (1966) e os dois fanzines criados por Shaw, Mojo Navigator (1966) e Who Put the Bomp (1970), estão entre os fanzines de rock mais importantes.


Os fanzines também são geralmente (de forma errônea) indicados como tendo aparecido no movimento punk, devido ao uso marcante de fanzines pelo movimento. Essas publicações começaram ser conhecidas apenas como "zines".[5]

Às vezes, as editoras de quadrinhos profissionais fizeram insinuações para o fandom através de prozines, neste caso revistas similares aos fanzines lançadas pelas principais editoras. The Amazing World of DC Comics e a revista FOOM da Marvel começaram e cessaram a publicação na década de 1970.[37] Com um preço significativamente maior do que os quadrinhos padrão do período (o do AWODCC era de 1,50 dólares estadunidenses, o do FOOM era de 75 centavos), cada revista de órgão interno durou um breve período de anos. Desde 2001, na Grã-Bretanha, foram criados vários fanzines que contêm quadrinhos infantis dos anos 1970 e 1980 (por exemplo, Solar Wind, Pony School etc.). Estes adotam um estilo de narração em vez de personagens específicos de suas fontes, geralmente com um toque consciente ou irônico.

O psicólogo Fredric Wertham publicou, em 1973, o livro The World of Fanzines,[22] onde afirma que eles são "válidos e construtivos". Ironicamente, anos antes, o médico havia publicado Seduction of the Innocent (1954), onde afirmava que os quadrinhos, sobretudo os da EC, eram má influência aos jovens.[38]

 
Esquema de mini-fanzine de 8 páginas no formato A7, produzido com uma folha de papel sulfite no formato A4.


Em 1974, foi lançado o primeiro Role-playing games ou RPG de mesa,[nota 2] Dungeons & Dragons, criado por criado por Gary Gygax e Dave Arneson.[41] O sucesso do jogo também impulsionou o surgimentos de fanzines, em 1975, foi lançado o apazine Alarums and Excursions, publicado até os dias atuais.[42] O fanzine britânico Aslan (1988-1991) [43] foi responsável pela popularização da modalidade de freeform role-playing game no Reino Unido.[44]



 
The Papercut Zine Library em Cambridge, Massachusetts.

No Japão, o equivalente dos fanzine são os dōjinshis, publicações independentes vendidas em convenções como a Comiket.[45] embora muitas publicações sejam fanfics[3][46] ou revistas dedicadas a uma determinada franquia de anime (animação japonesa)[47] ou videogames, existem também muitas obras autorais.[3] A palavra deriva dos termos dōjin (同人, palavra japonesa que designa um grupo de pessoas com o mesmo interesse - ou, de forma mais coloquial, uma "turma"?) e shi (誌, uma forma mais comprimida de "zasshi", ou "revista"?).[48][49] O termo dōjin também é usado para música e videogames independentes (dōjin soft).[50]



Em 1989, surge a primeira fanzinoteca, a Fanzinothèque de Poitiers, na França.[8][15] Uma série de importantes bibliotecas públicas e acadêmicas possuem um acervo de fanzines e outras publicações independentes.[51]

Com o progresso da tecnologia dos computadores pessoais e a impressão profissional, a tecnologia dos fanzines também progrediu.[16]Fanzines iniciais eram ou datilografados em uma máquina de escrever manual ou redigidos à mão e impressos utilizando técnicas de reprodução primitivas. Apenas um pequeno número de cópias podia ser feita em um momentoː por isso, a circulação era extremamente limitada.[52] Com o advento da internet no início do século XXI, muitos fanzines acabaram migrando para os websites, e-zines ou webzines, netzines[9] e bloges.[15][53]

Fanzines no BrasilEditar

No Brasil, o termo fanzine é genérico para toda produção independente. Houve uma distinção entre fanzines (feitos por fãs) e produção independente (produção artística inédita), mas a disseminação do termo "fanzine" fez com que toda a produção independente no Brasil fosse denominada fanzines.[2][16][15][54][55]

Os primeiro fanzines do país surgiram no 1965, são eles: O Cobra, Órgão Interno da 1.ª Convenção Brasileira de Ficção Científica, realizada entre 12 e 18 de Setembro de 1965 em São Paulo, lançado pela recém-fundada Associação Brasileira de Ficção Científica.[8][56] e Ficção (Boletim do Intercâmbio Ciência-Ficção Alex Raymond), fanzine dedicado as histórias em quadrinhos criado por Edson Rontani em 12 de Outubro de 1965 em Piracicaba, em São Paulo.[8] Este fanzine trazia textos informativos e uma interessante relação de publicações brasileiras de quadrinhos desde 1905.[1] Ainda em 1965, a Associação Brasileira de Ficção Científica publicaria o Dr. Robô.[56] Na época, o termo que definia produção independente era "boletim".[8][57][2] Em 23 de abril de 1968, Agenor Ferreira lança o Boletim do Herói,[22] na década seguinte, o fanzine mudou de nome para Boletim dos Quadrinhos e teve 28 edições.[8]


Nas década de 1970 e 1980, surgem os fanzines de rock, divulgando bandas de gêneros como punk, heavy metal e rockabilly.[1] Paralelo aos fanzines, surgiram nos anos 70, as publicações de poesia marginal da chamada Geração mimeógrafo.[1]

A poetisa Cecília Fidelli foi uma ativista de destaque deste gênero. Outras pioneiras de publicações alternativas foram a hoje jornalista do Estado de São Paulo Sílvia Herrera que publicava o Criminal Insane. Com a colaboração da musicista, escritora e tradutora Wildie Garden (na epoca sob o pseudonimo Daisy), também criadora da cooperativa e distribuidora alternativa underground e mais tarde do primeiro e-zine, eliminado pela ação de hackers e deturpadores de artes que proíbem mulheres na cena underground.


No estado do Rio Grande do Sul, Oscar Kern foi o criador do fanzine de histórias em quadrinhos Historieta em 1972. Ele continha artigos, republicações de histórias brasileiras e revelação de novos talentos. Foi o primeiro a ser vendido em banca de jornal pela Press Editorial, Kern também criou o Confraria dos Dinossauros com Valdir Damaso, fanzine que republicava histórias da Era de Ouro dos Quadrinhos.[58] A esses fanzines com quadrinhos de décadas anteriores, deu-se o nome de "fanzines de nostalgia", muitos desses fanzines reproduziam histórias em quadrinhos antigas sem autorização dos detentores dos direitos autorais,[1] sendo portando exemplos de fanálbuns.[9] Em 1974, Edson Rontani lança o Fanzine,[1] em 1976, Aimar Aguiar lança Nostalgia dos Quadrinhos.[2] Nesse período, fanzines sobre quadrinhos foram divulgados na coluna "Notícias em quadrinhos" publicada na contracapa das revistas da EBAL de Adolfo Aizen[58][59] e na revista Eureka da Editora Vecchi.[60]

Cesar R.T. Silva publicou (juntamente com José Carlos Neves e Mário Dimov Mastrotti) o fanzine Hiperespaço[2] desde outubro de 1983,[8] abrindo caminho para o aumento de fãs de ficção científica no país. Em 1985, com a fundação do Clube de Leitores de Ficção Científica em São Paulo, foi lançado o Somnium, fanzine (e, em alguns momentos, um semiprozine) com notícias do Clube e do gênero no Brasil e no mundo, além de contos, resenhas e ilustrações. Outro fanzine de ficção científica a surgir na década de 1980 foi o Megalon, criado por Marcello Simão Branco[2] e Renato Rosatti em 1987.[57]

Na década de 1980, jogadores de RPG de mesa fotocopiavam livros importados e distribuíam entre si, esse período do RPG no país ficou conhecido como Geração Xerox.[61] Ainda na década de 1980, surgem os fanzines O Lobinho de Raul Veiga, editado nos Estados Unidos e considerado o primeiro fanzine brasileiro feito em xerografia, HQ de Deodato Filho (mais conhecido posteriormente como Mike Deodato), Notícias dos Quadrinhos de Ofeliano de Almeida, Marca de Fantasia de Henrique Magalhães, Tchê de Denilson Rosa dos Reis,[62] Gang Portela de Watson Portela, Quadrinhos Magazine de Gonçalo Júnior,[2] o fanzine de reportagem Quadrix, de Worney Almeida de Souza;[16] e os fanzines de nostalgia O Grupo Juvenil, de Jorge Barwinkel, que teve o nome inspirado na revista O Globo Juvenil,[1] suplemento no formato tabloide lançado pelo jornal O Globo em 1937, inspirado nos suplementos que publicava as pranchas dominicais.[63] O Pica-Pau de Armando Sgarbi, Fanzim de Aníbal Cassal, Jornal da Gibizada de Valdir Dâmaso, O Quero-Quero de Cláudio Dilli.[2]


Surgem também os fanzines de associações, como o o Jornal da AQC[2] (sigla para Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo) e o Informativo Abrademi criado pela Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações (Abrademi), lançado em abril de 1984,[8] em agosto do mesmo ano, o Quadrix abrigou edições especiais produzidas Abrademi, em novembro do mesmo ano, a entidade lançou aquele que é considerado o primeiro fanzine dedicado a anime e mangá do Brasil, o Clube do Mangá, inspirado no dōjinshi Bokuju Itteki, uma publicação do artista japonês Shotaro Ishinomori, publicado antes de ser famoso.[64][65] O Quadrix também foi responsável pela republicação da tira brasileira A Garra Cinzenta[1] de Francisco Armond (roteiro) e Renato Silva.[66] Em 1985, Rontani lança um fanzine do gênero nostalgia intitulado Fanzine Rontani.[1]


Em 1987, Douglas Quinta Reis, Mauro Martinez dos Prazeres e Walder Mitsiharu Yano fundam a gibiteria Devir Livraria,[67] no início da década de 1990, a Devir torna-se uma editora de quadrinhos e RPG de mesa,[68] Douglas Quintas Reis foi responsável pelo boletim Recado.[69] A princípio o boletim consistia de uma folha no formato A4 fotocopiada, mais tarde passou a ter quatro páginas no formato A5.[70]

Em 1993, surge o Informativo de Quadrinhos Independentes de Edgard Guimarães, cujo objetivo era listar as publicações brasileiras independentes, sendo portanto um adzine, a proposta foi ampliada e passou a abrigar também matérias, resenhas e publicações de quadrinhos autoriais, Edgard também imprimia e vendia fanzines de outros autores[8] no chamado Projeto Independente.[60]

O fanzine mudou de nome para Quadrinhos Independentes, posteriormente, QI - Quadrinhos Independentes e, finalmente, QI.[55] Ainda em 1993, a Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo adiciona a categoria fanzine no Prêmio Angelo Agostini,[71] em 2011, foi criada uma categoria específica para lançamentos de quadrinhos independentes.[72]

Em 1994, surge o fanzine de RPG Pergaminho, coeditado pelo cearense J.J. Marreiro, onde publicava a HQ Zhorn,[73] dois anos depois, lançou o fanzine de quadrinhos Manicomics em parceria com Daniel Brandão e Geraldo Borges[74]

Em 1997, surge o fanzine Tsunami de Denise Akemi, publicação inspirada nos dōjinshis que ganharia versões em bancas nas editoras Brainstore e Trama.[75]

Inspirados na Comiket, surgiram no país convenções de fanzines ligados a eventos de anime/mangáː é o caso da "Fanzinecon"[76] realizada na Animecon[77] e Fanzine Expo, realizada no Anime Friends.[78]

Em 2006, a Prefeitura de São Paulo lança o projeto Fanzines nas Zonas de Sampa, que consiste de uma série curso gratuitos sobre a confecção de fanzines e quadrinhos.[79]

Em 2012, o dia 12 de outubro foi escolhido pelo professor universitário e fanzineiro, Gazy Andraus, para ser o Dia Nacional dos Fanzines,[80][81] embora ainda comemora-se o "Dia Mundial dos Fanzines" no dia 29 de abril, tal qual em Portugal.[82]

CatálogosEditar

Em 1995, é lançado o livro Almanaque De Fanzines: O Que São, Por Que São, Como São de Bia Albernaz e Maurício Peltierl.[2][83][84]

Diante da grande produção de fanzines no Brasil, diversas iniciativas vêm sendo tomadas com o objetivo de registrar a produção nacional. Foi criada a Fanzinoteca de São Vicente, que se tornou a segunda maior fanzinoteca do mundo por seu acervo de edições catalogadas. Em 2004, foi lançado o Catálogo oficial da Fanzinoteca de São Vicente contendo dados de mil fanzines nacionais.[85]

Em 2011, foi lançado o Anuário de Fanzines, Zines e Publicações Alternativas, obra que catalogou 120 títulos independentes produzidos no país,[86] no mesmo ano, também foi lançado o documentário Fanzineiros do século passado de Márcio Sno.[57] Em 2015, Sno publicou o livro O universo paralelo dos zines.[87]

Fanzines em PortugalEditar

 Ver artigo principal: Banda desenhada em Portugal

O primeiro fanzine de Portugal é O Melro, uma revista em quadrinhos lançada em 1944 por José Garcês,[1] em 1972, surgem os fanzinesArgon,[9] Saga,[10] Quadrinhos, Copra, P.Druillet - P.Caza, Orion, Ploc! e Yellow Kid,[9] no ano seguinte, Aleph, propagado como o primeiro dedicado aos estudos sobre quadrinhos.[88] Ainda nos anos 70, foram publicados os fanzines Impulso, Hic!, O Estirador e Boletim, esse último editado pelo Clube Português de Banda Desenhada.[89][1]

Na década de 1980, surgem os títulos Comicarte, Hyena, Ruptura, Original, Eros, Dossier Top Secret, Cruzeiro do Sul, Clubedelho, Nemo, Ritmo e Banda.[1] Em 1997 é lançado o livro Dédalo dos Fanzines: O Catálogo das Publicações Amadoras de Banda Desenhada em Portugal de Leonardo de Sá e Geraldes Lino.[90] No dia 29 de abril, comemora-se no país, o "Dia Mundial dos Fanzines".[82]

Ver tambémEditar

Notas

  1. No Brasil, se popularizou o termo prozine, mas ele, na verdade, se refere a revistas profissionais.
  2. A expressão possui duas traduções no Brasil, "jogo de interpretação de papéis" ou "jogo de representação".[39][40]

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Bibliografia
Web

Ligações externasEditar

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