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The Silence of the Lambs
O Silêncio dos Inocentes (PRT/BRA)
Pôster promocional
 Estados Unidos
1991 •  cor •  118 min 
Direção Jonathan Demme
Produção Kenneth Utt
Edward Saxon
Ron Bozman
Roteiro Ted Tally
Baseado em O Silêncio dos Inocentes
de Thomas Harris
Elenco Jodie Foster
Anthony Hopkins
Scott Glenn
Ted Levine
Gênero Suspense
Drama
Terror
Música Howard Shore
Cinematografia Tak Fujimoto
Edição Craig McKay
Distribuição Orion Pictures
Lançamento Estados Unidos 14 de fevereiro de 1991
Brasil 17 de maio de 1991
Portugal 6 de setembro de 1991
Idioma inglês
Orçamento US$ 19 milhões [1]
Receita US$ 272.7 milhões [1]
Cronologia
Hannibal (2001)

O Silêncio dos Inocentes[2][3] (no original em inglês, The Silence of the Lambs) é um filme americano de 1991 do gênero suspense, drama e terror, dirigido por Jonathan Demme e estrelado por Jodie Foster, Anthony Hopkins, Ted Levine e Scott Glenn. Escrita por Ted Tally, com base no livro homônimo publicado em 1988 por Thomas Harris, a película é o segunda a apresentar o Dr. Hannibal Lecter, um brilhante psiquiatra e assassino canibal em série, antecedido por Manhunter (1986). No filme, Clarice Starling, uma jovem estagiária do FBI, pede ajuda do prisioneiro Dr. Lecter para prender outro serial killer, conhecido apenas como "Buffalo Bill".

O Silêncio dos Inocentes foi lançado em 14 de fevereiro de 1991 nos Estados Unidos e arrecadou mais de 130 milhões de dólares durante sua exibição no país. Em todo o mundo, sua bilheteria alcançou 272.742.922 de dólares. Foi um de apenas três filmes (sendo os outros dois Aconteceu naquela noite e Um Estranho no Ninho) na história do cinema a ser galardoado com os prêmios Oscar nas cinco categorias principais: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz e Melhor Roteiro Adaptado; permanece, então, como o mais recente e último filme a vencer tais categorias. Foi também o primeiro filme amplamente considerado como um filme de terror, a vencer o Oscar de Melhor Filme, e o terceiro desse gênero a ser indicado, depois de O Exorcista (1973) e Tubarão (1975). O filme é considerado "culturalmente, historicamente e esteticamente" importante pela Biblioteca do Congresso e foi escolhido para ser preservado no National Film Registry em 2011. Uma sequência titulada Hannibal foi lançada em 2001 com Hopkins reprisando seu papel, seguido por dois prelúdios: Dragão Vermelho de 2002 e Hannibal: A Origem do Mal de 2007.

Índice

EnredoEditar

  Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

Clarice Starling é uma jovem agente do FBI escalada para entrevistar um criminoso terrível, inteligente e violento, com a intenção de capturar um assassino em série que está solto, matando mulheres. Como elemento de ligação entre os crimes, apenas uma inusitada pista: casulos de uma mariposa tropical eram encontrados no interior dos corpos das vítimas.

O assassino sequestra a filha de uma senadora, Ruth Martin e, com isso, todo o aparato policial é mobilizado para sua captura.

Para fazer o perfil psicológico do sequestrador, Clarice serve-se de um sociopata, Hannibal Lecter, condenado à prisão perpétua por nove assassinatos e detido há mais de oito anos.

Tem início um jogo de pistas e enigmas que elevam a tensão do filme, onde Hannibal, um ex-psiquiatra que se tornara canibal, consegue engendrar uma espetacular fuga.

O sequestrador que acredita ser uma transexual que, insatisfeita com sua forma física, planeja construir para si uma segunda pele feminina, servindo-se das peles de suas vítimas. Sua última vítima era justamente a filha da senadora, que é aprisionada num poço aberto no porão de uma velha casa.

Seguindo as pistas do psiquiatra-canibal, Clarice passa a concentrar suas investigações na primeira vítima do serial-killer: aquela que despertara sua cobiça deveria viver próximo a ele. Com isso, ela descobre a residência atual de um ex-vizinho dessa vítima e, já indo embora, vê uma mariposa exótica voando no interior da residência, indicando ser aquele o verdadeiro homicida. Tem início uma das sequências mais tensas do cinema, que ocorre na escuridão dos porões da casa do assassino.

O filme encerra, com a cena de Hannibal Lecter livre, nas ruas do Haiti, indo atrás do Dr. Chilton, o diretor do seu antigo sanatório.

  Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.

ProduçãoEditar

DesenvolvimentoEditar

O enredo de The Silence of the Lambs foi baseado no romance homônimo, de Thomas Harris, escrito em 1988, sendo este o segundo longa-metragem em que a personagem Hannibal Lecter aparece; o primeiro foi em Manhunter (1986). Antes que o livro fosse lançado, a Orion Pictures já havia negociado com Gene Hackman para que ele dirigisse, estrelasse no papel do detetive Jack Crawford e adaptasse o romance em cinema. O acordo foi feito a fim de que ele pudesse dividir o custo dos direitos autorais de quinhentos mil dólares com o estúdio. O próximo passo para os produtores foi adquirir os direitos para o nome "Hannibal Lecter", que estava sob domínio do produtor de Manhunter, Dino De Laurentiis. Devido ao fracasso financeiro de seu filme, De Laurentiis concedeu os direitos da personagem para Orion Pictures gratuitamente.

Em novembro de 1987, Hackman contratou Ted Tally para escrever a adaptação; sua escolha foi com base em seu trabalho em White Palace e pelo fato de que o roteirista já havia discutido muitas vezes com Harris a possibilidade de uma adaptação de seu livro. Contudo, na ocasião em que argumentista já estava na metade do primeiro rascunho do roteiro, o diretor se retirou do projeto, visto que lho achou "violento"; ele recuperou seu dinheiro investido e a Orion Pictures iniciou a procura por um novo cineasta, apesar de que o co-fundador do estúdio, Mike Medavoy, assegurou a Tally que ele continuaria a composição enquanto a companhia cuidaria do financiamento e do substituto. Depois de muita pesquisa, o trabalho ficou sob a responsabilidade de Jonathan Demme. O que lhe atraiu para o projeto foram as dimensões das personagens e uma trama com "tantos temas complicados e interessantes". Ele estava particularmente interessado na figura da personagem Clarice Starling e gostou da ideia de uma "heroína", dado que mulheres em missões perigosas chamavam-lhe muita atenção. Demme afirmou que elas são desemparadas numa sociedade dominada pelos homens e que é mais difícil para as mulheres alcançarem o que querem do que para eles. Uma vez que o argumento já estava finalizado, o cineasta leu o rascunho, aprovou o projeto e conheceu Tally em maio de 1989, e as gravações começaram em novembro daquele ano.

Seleção de elencoEditar

A primeira escolha de Demme para o papel de Clarice foi a atriz Michelle Pfeiffer, com quem trabalhara na comédia Married to the Mob (1988); no entanto, ela agradeceu-lhe a oportunidade e não aceitou a função porque considerou o enredo muito violento e afirmou que foi uma decisão difícil, "uma vez que fiquei nervosa sobre o assunto". Depois de ter lido o romance e obtido informações de que a produção do filme tinha sido aprovada, Jodie Foster interessou-se imediatamente pelo papel. Todavia, apesar de sua vitória no Oscar 1989 por seu desempenho no filme The accused (1988), Demme não estava convencido de que ela fosse a escolha certa; por outro lado, a Orion Pictures mostrou interesse em lha contratar. As atrizes Meg Ryan, Geena Davis e Melanie Griffith também foram consideradas para o papel, mas acharam a trama "muito ruim", enquanto Emma Thompson e Kim Basinger fizeram testes. A atriz-mirim Masha Skorobogatov conseguiu o papel da jovem Clarice.

O cineasta queria que Sean Connery fizesse o papel do psicopata Lecter, porém ele recusou porque achava que as personagens eram "repulsivas". Além disso, atores conhecidos na época como Al Pacino, Dustin Hoffman e Morgan Freeman interessaram pelo papel, mas Demme queria outro artista. Derek Jacobi e Daniel Day-Lewis também foram considerados, mas a eventual escolha por Anthony Hopkins se baseou em sua interpretação no filme The Elephant Man (1980). A companhia cinematográfica, no entanto, achava que ele não era conhecido o suficiente para conseguir um papel principal no filme. Dessa maneira, ela e o diretor fizeram um acordo: o ator estrelaria como Lecter se Foster interpretasse Clarice.

Scott Glenn conseguiu o papel de Jack Crawford — o qual inicialmente seria de Hackman. Glenn passou quatro dias em Quantico, Virgínia, com o chefe da Unidade de Ciência do Comportamento do Federal Bureau of Investigation (FBI) John E. Douglas, no qual baseou sua personagem. O ator também escutou uma gravação de áudio em que duas adolescentes foram torturadas e estupradas pelos assassinos em série Lawrence Bittaker e Roy Norris, o que fez com que ele chorasse e até mudasse seu conceito liberal com relação à pena de morte. Foster também conheceu Douglas para se preparar para o papel. Com base em sua carreira no teatro, Anthony Heald foi escolhido para interpretar Frederick Chilton. Brooke Smith estava no começo de sua carreira, e teve de engordar mais de dez quilos para desempenhar o papel da vítima Catherine Martin.

Chris McGinn representou a vítima na autópsia, em cuja boca a equipe de detetives encontra uma Acherontia styxa. McGinn teve que treinar seu pescoço para que ela pudesse abrir sua mandíbula e distender um pouco sua garganta. Edward Saxon, um dos produtores do filme, fez uma aparição como "a cabeça decapitada" que Clarice encontra no armazém de Buffalo Bill, ao passo que Kenneth Utt, outro produtor, interpretou o Dr. Akin. Os cineastas George A. Romero e Roger Corman também fizeram aparições como agentes do FBI: o primeiro aparece por volta de 1h 13m, como um dos funcionários em Memphis que separa Clarice de Hannibal, enquanto o segundo se apresenta em aproximadamente 1h 1m, como Hayden Burke, o diretor do FBI. O roqueiro Chris Isaak e o ator Charles Napier retrataram policiais. Demme procurou enfatizar de todas as formas como uma mulher (Clarice) lutou contra todos os homens para salvar outra (Catherine).

FilmagensEditar

As filmagens iniciaram-se em 15 de novembro de 1989 e foram concluídas em 1.º de março de 1990. Ocorreram principalmente em Pitsburgo e arredores, ao passo que algumas cenas foram registradas no norte da Virgínia Ocidental.

Receção e repercussãoEditar

O filme foi amplamente aclamado aquando da sua estreia. Os atores principais, Jodie Foster, Anthony Hopkins e Ted Levine foram igualmente bastante elogiados pelas suas atuações, sendo que o papel do psiquiatra canibal desempenhado por Hopkins recebeu o título de 'maior vilão da história', enquanto que o da jovem agente do FBI, Clarice Starling, desempenhado por Foster ocupa o 6º lugar na lista de 'maiores heróis', pelo American Film Institute[4]. O filme ocupa atualmente a 74ª posição na lista dos 100 melhores filmes de sempre.[5] O site Rotten Tomatoes relata que 95% de 84 críticos de cinema atribuíram ao filme uma avaliação positiva, com uma pontuação média de 8.7 de 10. O site ainda escreveu "O tenso e inteligente thriller do diretor Jonathan Demme balança entre o estudo psicológico e o horror total, beneficiando com as atuações excepcionais de Hopkins e Foster".[6] O site Metacritic concedeu ao filme uma pontuação de 85 de 100.[7]

Devido à elevada qualidade das atuações, da direção de Demme, assim como por outros fatores largamente mencionados como a cinematografia, a trilha sonora e o enredo, o Silêncio dos Inocentes é extensamente citado como sendo um dos melhores filmes de sempre[8][9][10]. O sucesso do filme deu surgimento aos restantes livros escritos por Thomas Harris, assim como os filmes da franquia Hannibal, incluíndo uma série televisiva.

ElencoEditar

  • Jodie Foster como Clarice Starling
    • Masha Skorobogatov como jovem Clarice Starling
  • Anthony Hopkins como Dr. Hannibal Lecter
  • Scott Glenn como Jack Crawford
  • Ted Levine como Jame "Buffalo Bill" Gump
  • Anthony Heald como Dr. Frederick Chilton
  • Brooke Smith como Catherine Martin
  • Kasi Lemmons como Ardelia Mapp
  • Frankie Faison como Barney Matthews
  • Diane Baker como Senadora Ruth Martin
  • Tracey Walter como Lamar
  • Charles Napier como Tenente Boyle
  • Danny Darst como Sargento Tate
  • Ales Coleman como Sargento Jim Pembry
  • Dan Butler como Roden
  • Paul Lazar como Pilcher
  • Ron Vawter como Paul Krendler
  • Roger Corman como Diretor do FBI Hayden Burke
  • George A. Romero Agente do FBI lotado em Menphis (não creditado)
  • Chris Isaak como Comandante da SWAT
  • Harry Northup como Sr. Bimmel

Principais prêmios e indicaçõesEditar

Oscar 1992 (EUA)[11]

Premiação Categoria Indicado/Indicada Resultado Especificação
Oscar 1992 Melhor Filme Edward Saxon, Kenneth Utt, Ron Bozman Venceu
Melhor Diretor Jonathan Demme Venceu
Melhor Ator Anthony Hopkins Venceu
Melhor Atriz Jodie Foster Venceu
Melhor Roteiro Adaptado Ted Tally Venceu Adaptado de O Silêncio dos Inocentes de Thomas Harris
Melhor Edição Craig McKay Indicado
Melhor Som Tom Fleischman e Christopher Newman Indicado

Globo de Ouro 1992 (EUA)

  • Vencedor na categoria de Melhor Atriz em Cinema - Drama (Jodie Foster).
  • Indicado também nas categorias de Melhor Diretor - Cinema (Jonathan Demme), Melhor Filme - Drama, Melhor Ator em Cinema - Drama (Anthony Hopkins) e Melhor Roteiro - Cinema (Ted Tally).

BAFTA 1992 (Reino Unido)

  • Venceu nas categorias de Melhor Ator (Anthony Hopkins) e Melhor Atriz (Jodie Foster).
  • Foi também indicado nas categorias de Melhor Fotografia (Tak Fujimoto), Melhor Direção (Jonathan Demme), Melhor Edição (Craig McKay), Melhor Filme, Melhor Trilha Sonora Original (Howard Shore), Melhor Roteiro Adaptado (Ted Tally) e Melhor Som.

Festival de Cinema de Berlim 1991 (Alemanha)

Prêmio César 1992 (França)

  • Indicado na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

Prêmio Edgar 1992 (Edgar Allan Poe Awards, EUA)

  • Vencedor na categoria de Melhor Filme.

NYFCCA 1991 (New York Film Critics Circle Awards, EUA)

  • Venceu nas categorias de Melhor Ator (Anthony Hopkins), Melhor Atriz (Jodie Foster), Melhor Diretor (Jonathan Demme) e Melhor Filme.

People's Choice Award 1992 (EUA)

  • Venceu na categoria de Filme Dramático Favorito.

Saturn Awards 1992 (EUA)

  • Venceu nas categorias de Melhor Ator (Anthony Hopkins), Melhor Filme de Horror, Melhor Maquiagem, Melhor Roteiro (Ted Tally).
  • Foi indicado também nas categorias de Melhor Atriz (Jodie Foster), Melhor Figurino, Melhor Diretor (Jonathan Demme) e Melhor Música (Howard Shore).

Academia Japonesa de Cinema 1992 (Japão)

  • Indicado na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

Referências

Ligações externasEditar