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Daniela Mercury

cantora luso-brasileira
Daniela Mercury
Daniela no evento de revezamento da tocha olímpica em Brasília, em 2016.
Informação geral
Nome completo Daniela Mercuri de Almeida Verçosa[1][2]
Nascimento 28 de julho de 1965 (53 anos)
Origem Salvador, BA
Nacionalidade brasileira
portuguesa [3][4]
Gênero(s) axé
samba-reggae
MPB
Ocupação(ões)
Instrumento(s) voz
percussão
Extensão vocal mezzo soprano
Período em atividade 1986 – presente
Gravadora(s)
Afiliação(ões) Companhia Clic
Banda Eva
Influência(s)

Daniela Mercuri de Almeida Verçosa OMC (Salvador, 28 de julho de 1965), mais conhecida como Daniela Mercury, é uma cantora, compositora, bailarina, instrumentista e produtora musical luso-brasileira.[3][4] Em sua carreira solo, Mercury vendeu mais de vinte milhões de discos em todo o mundo.[6] Vencedora de um Grammy Latino com seu álbum Balé Mulato - Ao Vivo, recebeu também seis Prêmio da Música Brasileira, um prêmio pela APCA, três prêmios Multishow e dois prêmios pelo VMB, de melhor videoclipe e fotografia. Na televisão foi jurada e mentora dos talent shows Popstars, Superstar e The Voice Kids Portugal.[7] Daniela é licenciada em dança pela Universidade Federal da Bahia, tendo iniciado seus estudos nessa arte desde os quatro anos de idade, tornando-se posteriormente professora de jazz, dança moderna e ballet clássico, além de ter se especializado e atuado em outros gêneros, como dança afro e dança contemporânea. Começou a cantar profissionalmente aos quinze anos, mesma idade em que subiu em um trio elétrico pela primeira vez, integrando a carreira de cantora e bailarina.[8][9][10]

Lançou seu álbum homônimo em 1991, seguido por O Canto da Cidade no ano seguinte, alavancando sua carreira como artista nacional e levando o gênero musical axé music à evidência. Com o passar dos anos, lançou vários álbuns, gerando grandes singles como Swing da Cor, O Canto da Cidade, À Primeira Vista, Rapunzel, Nobre Vagabundo, Ilê Pérola Negra (O Canto do Negro), Mutante, Maimbê Dandá, Levada Brasileira, Oyá Por Nós, entre outros. Gravou um DVD comemorativo de 25 anos do Cirque du Soleil e fez parte do Festival Internacional de Jazz de Montreal.[11] Além disso, participou do álbum de Alejandro Sanz e cantou com Paul McCartney, na Noruega durante a entrega do Prêmio Nobel da Paz.

Em 2013, Daniela lançou em parceria com a esposa Malu Verçosa, com quem casou-se em Portugal no mesmo ano,[4] seu primeiro livro, Daniela e Malu: Uma História de Amor.

Índice

BiografiaEditar

Daniela Mercury é filha de Liliana Mercuri de Almeida, uma assistente social de ascendência italiana, e António Fernando de Abreu Ferreira de Almeida,[4] um mecânico português. A cantora cresceu no bairro de Brotas com os quatro irmãos: Tom, Cristiana, Vânia (que também é cantora) e Marcos. Quando tinha oito anos de idade começou a estudar dança. Aos treze, após assistir a um show de Elis Regina, decidiu se tornar cantora, e, aos quinze, começou a se apresentar em bares.

CarreiraEditar

1986–1990: Bloco Eva e Companhia ClicEditar

Daniela foi backing vocal da Banda Eva de 1986 a 1988, quando o grupo ainda era um bloco carnavalesco que se apresentava nos cinco dias do carnaval, fazendo base para os vocais principais de Luiz Caldas, Marcionílio e Ricardo Chaves, respectivamente os vocalistas do bloco naqueles anos. Em 1988, a cantora tornou-se backing vocal da banda de Gilberto Gil e, em seguida, nos anos de 1989 e 1990, gravou dois álbuns como vocalista da banda Companhia Clic, com a qual lançou as canções Pega que Oh! e Ilha das Bananas, que fizeram algum sucesso nas rádios da Bahia. Logo no início da década de 1990, Mercury decidiu partir para a carreira solo.

1991–94: Daniela Mercury e O Canto da CidadeEditar

O primeiro álbum de Daniela, o homônimo Daniela Mercury, foi lançado em 1991 pela gravadora Eldorado. Deste, foram lançadas para as rádios as canções Swing da Cor, o primeiro single de Daniela a chegar ao topo da parada brasileira, e Menino do Pelô, ambas gravadas com o bloco afro Olodum. No ano seguinte, desligou-se da gravadora e desde então produz os próprios álbuns para depois negociar a distribuição com as gravadoras que estejam interessadas.[12] Em 1992, apresentou-se no projeto "Som do Meio-Dia" no Museu de Arte de São Paulo. O show reuniu mais de trinta mil espectadores, o que acabou por deixar o trânsito engarrafado nas imediações do local. Após quarenta minutos de show, Daniela foi retirada do palco por representantes da secretaria de turismo de São Paulo que, preocupados com a estrutura do museu, obtiveram uma ordem da polícia militar para retirá-la do local.[13]

Logo após o show, Daniela foi contratada pela gravadora Sony Music, que lançou o seu segundo álbum solo, O Canto da Cidade em 1992. O álbum vendeu mais de dois milhões de cópias no Brasil, fazendo com que Daniela se tornasse a segunda intérprete feminina a atingir tal feito, e produziu sucessos como O Mais Belo dos Belos, Batuque, Você Não Entende Nada e a faixa-título O Canto da Cidade. Todos alcançaram o topo da parada oficial. As canções Só Pra Te Mostrar, um dueto com Herbert Vianna, e Bandidos da América fizeram relativo sucesso nas rádios brasileiras, atingindo as posições de número nove e 21 na parada, respectivamente. O álbum rendeu também o especial de fim de ano O Canto da Cidade na Rede Globo, onde foram mescladas apresentações de um show gravado na praça da Apoteose no Rio de Janeiro com videoclipes gravados com Caetano Veloso, Herbert Vianna e Tom Jobim. O especial, até então inédito em vídeo, foi lançado em um box (CD remasterizado e DVD) O Canto da Cidade - 15 Anos em 2008, para comemorar os quinze anos do lançamento do álbum. Em julho de 1993, Daniela foi uma das principais atrações brasileiras no prestigiado Festival de Jazz de Montreux, na Suíça.[12]

Alguns[quem?] consideram que o álbum O Canto da Cidade foi o precursor do movimento samba-reggae, logo chamado de axé music, que, em seguida, ganhou força em todas as regiões do país e permitiu que outros artistas do gênero tivessem destaque no cenário musical brasileiro. Acredita-se que, também, a partir deste álbum, o carnaval da Bahia passou a ter divulgação maciça na mídia. Daniela experimentou durante este período, um auge de popularidade pouco visto na história da indústria musical brasileira, sendo apelidada de "furacão da Bahia" e "rainha do axé".[12]

1994–99: Música de Rua e Feijão com ArrozEditar

 
Daniela Mercury se apresentando em Santa Cruz, em Portugal, em agosto de 2005

Daniela lançou seu terceiro álbum intitulado Música de Rua em 1994, pela Sony Music. As críticas foram duras, afirmando que a cantora copiara a fórmula do álbum anterior. No entanto, este álbum vendeu mais de um milhão de cópias e produziu dois singles que alcançaram o topo da parada, Música de Rua e O Reggae e o Mar, e um que chegou no sexto lugar, Por Amor ao Ilê. Naquele mesmo ano, gravou com Ray Charles um comercial da Cerveja Antarctica para promover a Copa Mundial de Futebol da FIFA.[14] Em 1996, lançou o quarto álbum, Feijão com Arroz. Produzido por Alfredo Moura, maestro e compositor brasileiro, reconhecido por Caetano Veloso como o urdidor da axé music, foi muito bem recebido por ambos crítica e público, sendo considerado pelo site AllMusic, o melhor da carreira da cantora. Os arranjos e a produção esmerada colaboraram para mostrar ao grande público um lado da cantora até então desconhecido. Entre as canções lançadas, como Nobre Vagabundo e Rapunzel, está o single que alcançaria o primeiro lugar das paradas, À Primeira Vista. As vendas de Feijão com Arroz chegaram perto de dois milhões de cópias, fazendo deste o segundo álbum mais vendido de toda sua carreira.[carece de fontes?]

O álbum ajudou a impulsionar a carreira internacional da cantora. Em Portugal tornou-se um dos mais vendidos de todos os tempos.[15] Na França, vendeu cerca de trezentas mil cópias, com Daniela apresentando-se no teatro La Cigale em julho de 1997.[16] Nesse mesmo ano, a cantora apresentou-se para três mil pessoas no Festival de Artes Latinas do Lincoln Center Em Nova Iorque.[17] Foi também em 1997 que a cantora decidiu levar seu bloco - o tradicional Crocodilo - para o circuito então alternativo da Barra. A decisão, de início considerada ousada, acabou por tornar o circuito Barra-Ondina o principal do carnaval de Salvador. Em 1998, fez uma participação especial ao lado de Alceu Valença na telenovela Mandacaru, da extinta TV Manchete, onde interpretaram os cangaceiros Lampião e Maria Bonita.[18] Nesse mesmo ano lançou seu primeiro álbum gravado inteiramente ao vivo, Elétrica. Este álbum, produziu o número oito Trio Metal,[necessário esclarecer] de autoria de Alfredo Moura, Renan Ribeiro, Marcelo Porciúncula e Daniela. No mesmo ano, Daniela participou da coletânea Tropicália - 30 anos, na qual interpretou Alegria, Alegria, uma das canções de assinatura de Caetano Veloso. Também em 1998, o videoclipe de Rapunzel foi exibido nos intervalos dos jogos da Copa do Mundo de Futebol na França. A cantora foi eleita a artista do verão pelo canal France 2, o maior canal público francês.[19]

Em 1999 foi lançada a coletânea Swing Tropical, último álbum pela Sony Music, que continha os maiores sucessos até então, e uma regravação de País Tropical, com o Olodum e com direção e produção de Alfredo Moura, um dos maiores sucessos de Jorge Ben Jor no final dos anos 60. Ainda em 1999, Daniela fundaria um dos principais trios elétricos do carnaval de Salvador, o Trio Techno. A cantora recebeu muitas críticas, chegando a ser vaiada pelo público, que desaprovava a fusão com a música eletrônica. No entanto, aos poucos foi conseguindo agradar e todo ano, desde então, o trio é acompanhado por uma enorme multidão no percurso Barra-Ondina, passando a ser o carnaval de Salvador repleto de DJs em blocos e camarotes.[20]

2000–04: Sol da Liberdade, Sou de Qualquer Lugar e Carnaval EletrônicoEditar

 
Daniela Mercury em 2003.

Daniela lançou quatro álbuns pela BMG de 2000 a 2004, período em que aos poucos foi propositalmente abandonando o rótulo axé music, dando lugar à sua versatilidade. O primeiro deles foi Sol da Liberdade, em 2000, que vendeu quase um milhão de cópias e produziu dois números um: Ilê Pérola Negra (O Canto do Negro) e a regravação de Como Vai Você de Antônio Marcos. A música Sol da Liberdade conta com a participação de Milton Nascimento, e Dara com a participação da cantora beninense Angélique Kidjo. A outra canção lançada, Santa Helena, atingiu a posição de número 26, a pior da carreira de Daniela até então. O álbum inovou por fundir os tambores do samba-reggae sempre presentes na musica de Daniela com a música eletrônica. O disco foi elogiado pela critica e a turnê foi a mais bem sucedida da cantora até então, chegando a receber uma elogiosa crítica do The New York Times, quando de sua passagem por Nova Iorque.[21] No dia 12 de janeiro de 2001, a cantora se apresentou na noite de abertura do Rock in Rio III para um público de 160 mil pessoas, com sua turnê Sol da Liberdade.[22]

Daniela confirmou que permaneceria na linha de fusão com música eletrônica em 2002, ao lançar Sou de Qualquer Lugar. O álbum vendeu apenas metade do que o anterior, mas produziu o single que chegou ao primeiro lugar das paradas, Mutante, escrito por Rita Lee e Roberto de Carvalho. As outras duas canções lançadas, Beat Lamento e Estrelas, um dueto com Toni Garrido, atingiram posições bem inferiores na parada brasileira para os padrões de Daniela: números quinze e vinte, respectivamente. O álbum foi recebido com críticas negativas por parte da mídia.[23] Por romper com os paradigmas e mergulhar em projetos tão díspares quanto instigantes, Daniela certa vez declarou:

Se invisto sempre no samba-reggae, dizem que sou repetitiva, "axezeira". Se parto para a MPB como fiz no Clássica, me acusam de prepotente. Se flerto com a eletrônica, me lançam pedras, afirmando que estou perdida. Eu sou uma cantora de música popular brasileira e tenho o direito de experimentar. Não sou acomodada. Tenho atitude e sei o que quero.
Original {{{{{língua}}}}}: [24]
— Daniela Mercury

No mesmo ano, a cantora foi convidada para representar o Brasil na cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz, onde cantou com Paul McCartney a canção Let It Be.[25]

A cantora lançou seu segundo álbum ao vivo em abril de 2003, MTV Ao Vivo - Eletrodoméstico, gravado em 23 e 24 de janeiro daquele ano na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador. A performance do show foi lançada em DVD, o primeiro de Daniela, com as participações de Carlinhos Brown, Olodum, Ilê Aiyê. As vendas foram inferiores às dos álbuns anteriores, porém duas das três canções lançadas experimentaram relativo sucesso: Meu Plano, de Lenine, e Dona da Banca, que atingiram as posições de número onze e dezessete na parada brasileira, respectivamente. Em 2004, Daniela lançou Carnaval Eletrônico, o último através da BMG, que se fundiria à Sony em agosto daquele ano. Para a gravação do álbum, Daniela convidou influentes DJs e produtores de música eletrônica, além de Gilberto Gil, Carlinhos Brown e Lenine. O lançamento coincidiu com a comemoração dos cinco anos da formação do Trio Techno. O disco vendeu 190 mil cópias e produziu um single que chegou ao primeiro lugar das paradas, Maimbê Dandá (o último da cantora no país), canção ganhadora do troféu Dodô e Osmar. A outra canção lançada deste álbum, Vou Batê Pra Tu, atingiu a posição de número 76 na parada do Brasil, tornando-se a canção de pior desempenho na parada. Ainda em 2004 participou das gravações do DVD MTV ao Vivo, de Ivete Sangalo, interpretando com ela um dueto na canção Pan-americana. Também esteve presente nas gravações do DVD comemorativo dos 25 anos da Banda Eva, interpretando com Saulo Fernandes a canção Anjo. No dia 5 de junho de 2004, se apresentou na penúltima noite do Rock in Rio Lisboa, com sua turnê Carnaval Eletrônico.[26]

2005–08: Clássica e Balé MulatoEditar

 
Daniela Mercury se apresentando em Goiânia, em 16 de setembro de 2007, na inauguração do Parque Flamboyant, em show que marcou os quinze anos do álbum O Canto da Cidade

Em 2005, Daniela lança o terceiro álbum ao vivo, Clássica. Gravado em 2004 em São Paulo, a apresentação do álbum foi lançada em CD e DVD através da Som Livre. No álbum, interpreta canções de bossa nova, jazz e música popular brasileira.[27] No mesmo ano, Daniela troca de gravadora e lança seu oitavo álbum de estúdio, Balé Mulato, através da EMI.[28] O álbum foi muito bem recebido pelos críticos, que chegaram a compará-lo com Feijão com Arroz.[29] Foi incluída, no álbum, a canção "Olha o Gandhi Aí", vencedora do Troféu Band Folia, como melhor música.[30] No ano seguinte, "Levada Brasileira", outra canção do mesmo álbum, conseguiria repetir o feito.[31] Ainda em 2005, Daniela, católica devota, foi desconvidada de um concerto de Natal no Vaticano devido à sua posição favorável ao uso de preservativos como forma de prevenção à AIDS.[32][33][34][35] No entanto, de acordo com uma matéria publicada no site do Centro de Mídia Independente, a cantora foi desconvidada do evento porque iria se pronunciar a favor do uso de preservativos para o público durante a performance no evento.[36]

Em 2006, a cantora lançou, também através da EMI, o DVD Baile Barroco, gravado ao vivo no carnaval de Salvador do ano anterior. Este DVD conta com as participações especiais de Gilberto Gil, Luiz Caldas e Ricardo Castro, numa inovadora performance em que a cantora substitui a banda pelo pianista de música clássica. A proposta causou certa polêmica Brasil afora. Os defensores das tradições do carnaval baiano acusaram-na de querer "elegantizar" o popular.[37] Em agosto, Daniela também esteve presente nas gravações do DVD Beth Carvalho Canta o Samba da Bahia.[38] Em 17 de setembro deste mesmo ano, gravou Balé Mulato - Ao Vivo no Farol da Barra, em Salvador. A performance do show foi lançada nos formatos de DVD e CD.[39] O show contou com as participações especiais da Banda Didá e das cantoras Gilmelândia e Mariene de Castro. Coube, ao cineasta pernambucano Lírio Ferreira, a direção de imagens do DVD.[40] Balé Mulato - Ao Vivo venceu o Grammy Latino de melhor álbum brasileiro de música regional ou de raízes, o primeiro de Daniela após quatro indicações frustradas.[41]

Em 2007, Daniela foi escolhida para participar de um álbum de tributo ao maestro italiano Ennio Morricone.[42] Também gravou, com Zé Ramalho, o dueto "Procurando a Estrela", que fez parte da trilha sonora da novela Caminhos do Coração da Rede Record, e foi convidada para cantar "Cidade Maravilhosa" e "Aquarela do Brasil" no final da cerimônia de abertura dos XV Jogos Pan-Americanos e dos III Jogos Parapan-Americanos, ambos realizados no Rio de Janeiro.[43] No mesmo ano, participou das gravações do DVD Cidade do Samba, onde interpretou, com João Bosco, a canção "De Frente Para o Crime". No primeiro semestre do ano seguinte, fez participações nos DVDs Ao Vivo em Copacabana de Claudia Leitte - onde cantou com ela "Cidade Elétrica", música de trabalho de Claudia,[44][45][46] e Cheiro Acústico da Banda Cheiro de Amor, onde chamou a atenção da mídia pela performance sensual de "Uma Noite e Meia", sucesso de Marina Lima, ao lado da vocalista da banda Alinne Rosa (a apresentação terminou com um selinho entre as duas cantoras).[47][48] A Sony BMG relançou, em formato de box, o álbum O Canto da Cidade e o especial exibido pela Rede Globo em dezembro de 1992.[49]

2009–13: Canibália e Cabeça de nós todosEditar

 
Daniela Mercury se encontrando com Garibaldi Alves Filho, o presidente do Senado brasileiro, durante a Comissão de Educação, Cultura e Esporte em abril de 2008.

Em 19 de novembro de 2007,[50] a cantora lançou "Preta", que conta com a participação especial de Seu Jorge. A canção, que é fortemente influenciada pelo samba, foi uma das mais tocadas do país durante o carnaval. Para o carnaval de 2009, Daniela gravou a canção "Oyá Por Nós", que escreveu com Alfredo Moura e Margareth Menezes. O tema, baseado na canção "Keto de Yansã", foi primeiramente usada por Moura na cerimônia de doutoramento honoris-causa de Gilberto Gil na Universidade de Aveiro em Portugal. Depois disso, Moura usou o tema numa peça em Viena, na Áustria, na Faculdade de Ciências Musicais. Um ano depois, mostrou o tema para Daniela, que não o conhecia e ela quis imediatamente grava-lo para lançar no Carnaval. Ainda em 2009, a revista Rolling Stone Brasil nomeou Daniela como uma das 100 maiores artistas da música brasileira de todos os tempos.[51][52][53] Dos nomes escolhidos pelo júri especializado, apenas 16 eram mulheres. Para finalizar 2009, Daniela lançou o seu novo álbum intitulado Canibália, em novembro. O álbum marca sua volta ao estúdio depois de cinco anos. Preparado lentamente há quase três anos, Canibália chegou às lojas com cinco capas - projeto de Gringo Cardia - e cinco diferentes sequências musicais.[54][55]

 
Daniela e Tito Paris na festa do 35º aniversário da independência de Cabo Verde em 2010.

Canibália, segundo a cantora, é um extenso projeto que combina música, dança, vídeo e artes plásticas - várias expressões de arte contempladas por ela. Em 2009, sua turnê batizada pelo título do novo álbum começou por São Paulo, três meses depois de a própria artista ter cancelado a estreia marcada para 17 de abril de 2009. O motivo defendido foi a prorrogação do lançamento do CD, ocorrido no final do ano. Canibália já viajou por várias cidades brasileiras e também no exterior. A obra homenageia Carmen Miranda, no seu centenário, com músicas como "Tico-Tico no Fubá" e "O que é que a Baiana Tem?". Para o carnaval de 2010, Daniela gravou "Andarilho Encantado", música lançada oficialmente no projeto especial da cantora Pôr do Som, show que a artista comanda há anos sempre no primeiro dia do ano no Farol da Barra, em Salvador. Também em 2010, ano em que o trio elétrico completa 60 anos e o axé music 25, a mídia aventou a possibilidade dela rodar um filme documentário sobre essa invenção do carnaval baiano, o axé music, com destaque para os percussionistas.[56][57]

Já em 2012, a cantora baiana havia despertado a atenção da escritora e feminista norte-americana Camille Paglia, a qual declarou, ao jornal inglês The Independent, que tinha uma "queda" pela estrela baiana.[58][59][60][61][62][63][64] Paglia declarou, a uma emissora de televisão canadense, que está "apaixonada por uma superestrela brasileira. Estou acompanhando seu trabalho. Ela é a Daniela Mercury. Na verdade, isso tem sido bem importante. Esse é o ponto em que estou na minha vida".[65] Em entrevista à revista brasileira Veja, a intelectual revelou que pretende escrever dois livros sobre a cantora baiana.[66] Em fevereiro de 2013 a cantora foi convidada para uma entrevista ao programa Leading Women, da CNN Internacional, e foi anunciada pela emissora como a "Madonna brasileira". A atração destaca as mulheres mais influentes do mundo em suas áreas de atuação.[67]

No final de 2013, lança o álbum Daniela Mercury & Cabeça de Nós Todos, em parceria com o grupo Cabeça de Nós Todos, contando com canções como "Couchê", "Alma Feminina", "Paula e Bebeto", "Aquele Abraço" e "Cheia de Graça" são algumas das faixas que estão sendo apresentadas neste trabalho da artista. É um álbum urbano, de pop-rock, que não dispensa a assinatura rítmica de Daniela; ainda, lança em parceria com a esposa Malu Verçosa o livro Daniela e Malu, Uma História de Amor, que conta a história do relacionamento das duas desde o momento da amizade até o casamento.[68]

2014–17: Vinil Virtual e O Axé, a Voz e o ViolãoEditar

 
Daniela na Fifa Fan Fest, Taguatinga, DF, 2014.

Em 2014, foi mentora no The Voice Kids (versão do The Voice tradicional para crianças) de Portugal por ser muito conhecida em terras portuguesas.[69] No mesmo ano, lançou o single "A Rainha do Axé (Rainha Má)", um ijexá eletrônico que fala da força da mulher, de amor e fé que foi cantada pelos foliões durante o carnaval de Salvador de 2015. Em novembro de 2015, Daniela lançou o álbum Vinil Virtual, com 15 faixas, sendo 10 feitas sozinha por Daniela e as outras 5 em parceria com outros compositores, produzido por Daniela e Yacoce Simões. Há duas escritas com Marcelo Quintanilha, duas com seu filho Gabriel Póvoas e uma com Simões. "Os compositores que mandaram canções para mim não traduziram o que eu queria dizer nesse momento". Daniela musicou dois poemas escritos para sua esposa, "Maria Casaria" e "Sem Argumento".[70][71][72][73][74]

Ainda em novembro do mesmo ano, a artista gravou seu sexto DVD da carreira. O Axé, a Voz e o Violão, foi gravado no palco do Teatro Castro Alves, em Salvador. Mais de 4 décadas se passaram desde que a artista pisou pela primeira vez no palco sagrado do TCA. A obra é uma coprodução da editora e produtora de Daniela, a Páginas do Mar, e o Canal Brasil, e foi lançada em outubro de 2016. Daniela toca músicas apenas com voz e violão, indo desde sucessos de seu repertório a uma versão de "Como Nossos Pais".[75] Com o toque do violão de Alexandre Vargas, Daniela trouxe para o formato acústico sucessos da MPB e do axé music. O registro do show foi viabilizado através de parceria da empresa da artista, Páginas do Mar, com o Canal Brasil. A capa foi criada pelo Estúdio Roda sobre foto de Célia Santos.[76]

Em novembro de 2016, o jogo eletrônico Watch Dogs 2, da Ubisoft, incluiu na trilha sonora a música Rapunzel, de Daniela, sendo executável no rádio dos veículos ou no smartphone do protagonista.[carece de fontes?]

2017–presente: Tri EletroEditar

Em outubro de 2017, lança o videoclipe da música "Banzeiro" carro chefe do EP TriEletro lançado no mesmo ano, e trazendo ainda "Samba Presidente" e "Eletro Ben Dodô" nas plataformas digitais, sem versão em cd físico.

FilantropiaEditar

 
Daniela Mercury no Prêmio Bravo! Prime de Cultura, 2009

Atenta à realidade social brasileira e com grande desejo de contribuir para a preservação das nossas matrizes culturais, Daniela criou, em 2008,o seu Instituto Sol da Liberdade. Hoje, o ISL realiza, em parceria com o UNICEF e a ESPN Brasil, o projeto Caravana da Música. A Caravana da Música é um projeto itinerante que percorre o Brasil desde 2007, visitando uma cidade a cada mês. As cidades a serem visitadas são indicadas pelo UNICEF, de acordo ao IDH (índice de desenvolvimento humano) e ao IDI (índice de desenvolvimento da infância). Em cada uma das cidades visitadas, a Caravana da Música ergue uma grande infraestrutura onde oferece a 3000 crianças uma vivência inédita com a dança, a música, o teatro, a construção de instrumentos, a arte circense e outras diversas experiências artísticas. Além de atender às crianças, a Caravana da Música oferece também formação em Arte Educacional para 250 professores da rede pública de cada um dos municípios visitados. A Caravana da Música já atendeu diretamente mais de 50 mil crianças e 30 mil professores. Considerando que cada professor da rede pública formado pela Caravana se transforma em um multiplicador da Arte Educacional, a estimativa é que a Caravana da Música já tenha atingido, indiretamente, mais de meio milhão de brasileirinhos. Toda a ação da Caravana da Música pelo interior do país é registrada pela equipe da ESPN Brasil que, mensalmente, exibe um documentário sobre a atuação do projeto. O documentário é exibido no Brasil e em mais 157 países.

Além de presidir o Instituto Sol da Liberdade, Daniela é ainda embaixadora nacional da boa vontade do UNICEF, título que recebeu em 1995, quando se tornou a segunda personalidade brasileira a receber tal honra. Ela também já participou de vários shows beneficentes em prol das crianças, dentre eles o Criança Esperança da UNICEF/Rede Globo e o Teleton da AACD/SBT. Parte dos direitos do álbum Elétrica de 1998 foram doados à UNICEF. É também embaixadora do Instituto Ayrton Senna. Daniela também já participou de outros projetos beneficentes, não ligados diretamente às crianças. Em 7 de outubro de 2003, participou do show Solidariedade Brasil-Noruega em prol do Fome Zero no Teatro Nacional, em Brasília. É ligada também à ONG América Latina em Ação Solidária (ALAS), tendo participado em setembro de 2007 de uma campanha publicitária promovendo ajuda aos desabrigados pelo terremoto no Peru. Em 2013 foi convidada pra participar da campanha mundial da ONU, Free & Equal (Livres e Iguais), juntamente com Ricky Martin e outros artistas internacionais. 

Vida pessoalEditar

 
Daniela e sua esposa Malu Verçosa participam do XII Seminário LGBT na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Em 1984, aos dezenove anos de idade, casou-se com o engenheiro eletrônico Zalther Portela Laborda Póvoas. Um ano mais tarde, em 3 de setembro de 1985, deu à luz Gabriel Póvoas, o primeiro filho. No ano seguinte, nasceu Giovana. Em 1996, Mercury e Póvoas se separaram. Em 1996, foi apontada pela imprensa rosa como a pivô da separação de Chico Buarque e Marieta Severo. Em entrevista à revista IstoÉ, Daniela declarou que "foi uma leviandade o que fizeram, uma irresponsabilidade que causou um grande tumulto na minha vida e na vida dos dois. Foi desagradável demais. Foi uma inconsequência que não fez bem para ninguém".[77] Em 2007, a coluna "Retratos da Vida", do jornal carioca Extra, divulgou que Daniela Mercury estaria namorando uma arquiteta residente da cidade de Nova Iorque.[78]

Daniela foi casada durante três anos com o publicitário italiano Marco Scabia, de quem se separou no final de 2012.[79][80] Em 3 de abril de 2013, Daniela postou foto no site de redes sociais Instagram com sua esposa, a jornalista Malu Verçosa. A cantora declarou publicamente o seu relacionamento homoafetivo com a frase: "Malu agora é minha esposa, minha família, minha inspiração pra cantar".[81]

DiscografiaEditar

FilmografiaEditar

Televisão
Ano Título Personagem Nota
1992 O Canto da Cidade Ela mesma Especial de fim de ano
1997 Mandacaru Maria Bonita Episódio: "12 de agosto de 1997"
1998 Dona Flor e Seus Dois Maridos Esmeralda Episódio: "1 de maio de 1998"
2002 Popstars Mentora assistente Temporada 1
2006 Dança Comigo Jurada especial Episódio: "17 de junho de 2016"
2007 Paraíso Tropical Ela mesma Episódio: "20 de setembro de 2007"
2014 The Voice Kids Portugal Jurada / Mentora
2016 Superstar Jurada / Mentora Temporada 3[82]
2018 Segundo Sol Ela mesma Episódio: "15 de maio de 2018"
Cinema
Ano Título Personagem Nota
2005 Chame Gente - A História do Trio Elétrico Ela mesma Documentário
2017 Axé: Canto do Povo de um Lugar[83] Ela mesma Documentário

TurnêsEditar

  • Turnê Swing da Cor (1991–92)
  • Turnê O Canto da Cidade (1992–94)
  • Turnê Música de Rua (1995–96)
  • Turnê Feijão com Arroz (1996–99)
  • Turnê Sol da Liberdade (2000–01)
  • Turnê Sou de Qualquer Lugar (2002–04)
  • Turnê Carnaval Eletrônico (2004–06)
  • Turnê Balé Mulato (2006–09)
  • Turnê Canibália / Turnê Canibália Ritmos do Brasil (2009–13)
  • Turnê Couché (2013)
  • Turnê Pelada (2014)
  • Turnê Baile da Rainha Má (2015–16)
  • Turnê A Voz e o Violão (2016–18)
  • Turnê Tri Eletro (2018)

Prêmios e indicaçõesEditar

Grammy Latino

Ano Nomeação Categoria Resultado
2004 Carnaval Eletrônico Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro Indicado
2006 Baile Barroco Melhor Vídeo Musical - Versão Longa Indicado
2007 Balé Mulato - Ao Vivo Melhor Álbum de Música Regional ou de Raízes Brasileiras Venceu

Ver tambémEditar

Referências

  1. Daniela Mercury e Malu Verçosa se casam no civil
  2. «Daniela Mercury - Site Oficial - Com fotos, músicas (letras, MP3, vídeo clipes) e muito mais!». Site oficial. Consultado em 15 de dezembro de 2009. Arquivado do original em 23 de Janeiro de 2009 
  3. a b «Daniela Mercury gostava de casar em Portugal». 11 de abril de 2013. Cópia arquivada em 8 de dezembro de 2018 
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