Agricultura no Brasil

Mapa ilustrativo da agricultura no território brasileiro, com as atividades predominantes.
Mapa da utilização da terra no Brasil em 1977.

A agricultura no Brasil é uma das principais bases da economia do país desde os primórdios da colonização até o século XXI, evoluindo das extensas monoculturas para a diversificação da produção. A agricultura é uma atividade que faz parte do setor primário onde a terra é cultivada e colhida para subsistência, exportação ou comércio.

Inicialmente produtora de cana-de-açúcar, passando pelo café, a agricultura brasileira apresenta-se como uma das maiores exportadoras do mundo em diversas espécies de cereais, frutas, grãos, entre outros. Desde o Estado Novo, com Getúlio Vargas, cunhou-se a expressão que diz ser o "Brasil, celeiro do mundo"[nota 1] — acentuando a vocação agrícola do país.[5] Apesar disto, a agricultura brasileira apresenta problemas e desafios, que vão da reforma agrária às queimadas; do êxodo rural ao financiamento da produção; da rede escoadora à viabilização econômica da agricultura familiar: envolvendo questões políticas, sociais, ambientais, tecnológicas e econômicas.

Segundo resultados de pesquisa feita pelo IBGE, no ano de 2008, apesar da crise financeira mundial, o Brasil teve uma produção agrícola recorde, com crescimento na ordem de 9,1% em relação ao ano anterior, motivada principalmente pelas condições climáticas favoráveis. A produção de grãos no ano atingiu a cifra inédita de cento e quarenta e cinco milhões e quatrocentas mil toneladas.[6] Essa produção foi a maior já registrada na história; houve aumento, em relação ao ano anterior, de 4,8% da área plantada que totalizou sessenta e cinco milhões, trezentos e trinta e oito mil hectares. A safra recorde rendeu cento e quarenta e oito bilhões de Reais, tendo como principais produtos o milho (com crescimento de 13,1%), a soja (crescimento de 2,4%).[6]

Para Norman Borlaug, Nobel da Paz de 1970, em visita ao Brasil em 2004, o país deve se tornar o maior destaque na agricultura. Enquanto os Estados Unidos já exploram toda a sua área agricultável, o Brasil ainda dispõe de cerca de cento e seis milhões de hectares de área fértil a expandir - um território maior do que a área de França e Espanha somadas.[7]

HistóriaEditar

 Ver artigo principal: História da agricultura no Brasil
Carta a El Rei D. Manuel (versão integral, no Wikisource)

Mas, a terra em si, é de muito bons ares, frios e temperados como os de Entre-Doiro e Minho, porque nesse tempo de agora, assim os achávamos, como os de lá. Águas são muitas, infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem!

Dos indígenas com sua agricultura primordial ao mais incrementado processo do agronegócio de exportação, o Brasil vem expandindo sua vocação agrícola, a ponto de ter na agricultura um dos principais itens de sua economia, com possibilidade de expansão sobretudo pela melhoria da qualidade produtiva.[9]

PrimórdiosEditar

 
Frutas brasileiras, por Albert Eckhout durante o domínio holandês em Pernambuco.

A agricultura era uma prática conhecida pelos nativos, que cultivavam a mandioca, o amendoim, o tabaco, a batata-doce e o milho, além de realizarem o extrativismo vegetal em diversos outros cultivares da flora local, como o babaçu ou o pequi, quer para alimentação quer para subprodutos como a palha ou a madeira, e ainda de frutas nativas como a jabuticaba, o caju, cajá, goiaba e muitas outras.

Com a chegada dos europeus, os indígenas não apenas receberam-nos, como influenciaram os que chegavam: O português passara "a nutrir-se de farinha de pau, a abater, para o prato, a caça grossa, a embalar-se na rede de fio, a imitar os selvagens na rude e livre vida", no dizer de Pedro Calmon[10]

Até a introdução do cultivo de exportação, o extrativismo do pau-brasil foi a primeira razão econômica da posse das novas terras por Portugal.[11]

As queimadasEditar

 
Queimadas são um dos problemas ainda presentes na agricultura brasileira.

Uma das práticas usadas pelos indígenas, na abertura dos aceiros para o cultivo era a da queimada. Isto possibilitava, além da rápida limpeza do terreno, o aproveitamento das cinzas como adubo e cobertura.

Ao contrário do que preconizam os estudiosos e pessoas que, como Monteiro Lobato, abordaram a prática como um legado nocivo dos índios, as queimadas que estes realizaram ao longo de cerca de doze mil anos de sua presença nas atuais terras do Brasil mantiveram a natureza em equilíbrio - o que deixou de ocorrer, entretanto, com a incorporação da limpeza do terreno pelo fogo à cultura europeia introduzida a partir de 1500: a divisão da terra em propriedades, o cultivo monocultor, etc., que dizimaram a flora nativa.[12]

O manejo dos índios não era baseado apenas no fogo: a formação das roças em locais escolhidos permitia a interação com a natureza circundante, sua preservação, obtendo em troca a caça e a proteção contra pragas. Algo que foi perdido, como constatou Darcy Ribeiro, ao afirmar: "Assim passaram milênios até que surgiram os agentes de nossa civilização munidos, também ali, da capacidade de agredir e ferir mortalmente o equilíbrio milagrosamente logrado por aquelas formas complexas de vida"[12]

Brasil Colônia: a monocultura da canaEditar

 Ver artigo principal: Ciclo da cana-de-açúcar
 
O açúcar atraiu o colonizador, fez virem os escravos da África e provocou a invasão do território.A imagem retrata um engenho holandês, na obra Historia Naturalis Brasiliae, de 1648.

Logo após o a chegada dos portugueses, as riquezas naturais da terra não se revelaram promissoras, até a implementação da produção de cana-de-açúcar na região Nordeste, especialmente em Pernambuco. Isto obrigou os portugueses a introduzirem a mão de obra escrava, capaz de realizar as duras tarefas de cultivo da monocultura, sistema muitas vezes chamado de plantation. Essa fonte de riqueza, entretanto, não serviu para a promoção do desenvolvimento técnico ou social.[13]

A concentração da riqueza e a formação de latifúndios geraram um sistema social quase feudal - diverso do que ocorreu, por exemplo, na América do Norte, onde a terra foi dividida em pequenas propriedades. A economia brasileira era em sua maior parte dependente da exportação do açúcar, que a despeito de ser trinta por cento mais barato que o produzido noutras partes, não possuía acesso aos mercados, vindo a declinar na segunda metade do século XVII. Muitas regiões produtoras, então, passaram a diversificar a produção, passando ao plantio do algodão, como em Pernambuco, ou, na Bahia, do tabaco ou do cacau - embora o legado negativo desse período tenha permanecido: a estrutura social arcaica e a baixa tecnologia agrícola.[13]

Mão de obra escravaEditar

 Ver artigo principal: Escravidão no Brasil
 
Na ilustração de "O Fazendeiro do Brasil", de 1806, José Mariano da Conceição Veloso descreve etapas e ferramentas usadas no cultivo do índigo, no Brasil.

O trabalho do indígena, tentado inicialmente pelos colonos, não se revelou producente. Leis proibiam sua escravização, embora nos rincões estas não fossem respeitadas. Entretanto, mesmo estes trabalhadores forçados, se rebelavam, fugiam ou simplesmente morriam. Os colonos passaram a exigir, então, a vinda dos africanos.[14]

No primeiro século após o Descobrimento a população cativa já superava a de homens livres. Tão necessária era sua força de trabalho na agricultura que Antonil assim descreveu: "os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles, no Brasil, não é possível fazer, conservar ou aumentar fazenda, nem ter engenho corrente"[15]

Os escravos foram, ainda, os responsáveis pelo desbravamento das novas fronteiras agrícolas, no oeste cafeeiro paulista. Ao final do II Reinado o Brasil já respondia por mais da metade da produção mundial deste grão que, assim, substituía na agricultura o papel anteriormente representado pela cana-de-açúcar.[14]

A Lei Áurea, segundo João Ribeiro, "mais que todas humana e cristã, ameaçava o trabalho e feria gravemente os interesses dos agricultores; ainda havia no Brasil mais de setecentos mil escravos (…) Muitos dos agricultures passaram-se para o partido republicano ou ficaram indiferentes ao ataque das instituições…"[16] Feita sem seguir a uma distribuição de terras aos ex-cativos, a Abolição acabou provocando o êxodo rural, tanto dos trabalhadores quanto de proprietários arruinados, por um lado. Por outro, foi a raiz de problemas futuros, como a favelização dos centros urbanos, da violência e pobreza.[17]

Brasil Império: domínio do caféEditar

 Ver artigo principal: Ciclo do café
 
Plantação brasileira de café, no começo do século XX.

Ainda no final do período colonial o café foi introduzido no país. Mas foi somente após a independência que a produção se consolidou na região Sudeste, sobretudo no estado de São Paulo. A exportação, que no começo do século XIX era de 3.178 sacas de 60 kg, passou a 51.361.000 sacas, nas décadas de 1880 e 1890 - saltando de dezenove por cento para cerca de sessenta e três por cento do total da exportação do país.[13]

Esse enorme peso econômico fez surgir uma nova oligarquia dominante no Brasil, os chamados Barões do Café. Apressou, ainda, os movimentos de imigração, com o fim da escravidão, atingindo seu ápice nas chamadas política do café-com-leite e política dos governadores, esta última no governo Campos Sales, até a crise de 1929 encerrar este ciclo na década de 1930 e com a industrialização do país - com o capital oriundo do excedente cafeeiro.[18]

 
Ensacamento para exportação, no auge do ciclo do café.

A imigração europeia se acentuou com a produção do café no oeste paulista, com a chegada ao país sobretudo de italianos. A riqueza gerada pelo produto acentuou as diferenças entre as regiões brasileiras, especialmente o Nordeste.[13]

Além do café outras culturas tiveram crescimento ainda no século XIX, como o fumo e o cacau, na Bahia, e a borracha na Amazônia: em 1910 a borracha representava em torno de quarenta por cento das exportações. O algodão assistiu um crescimento temporário, durante a Guerra de Secessão, nos Estados Unidos da América.[13]

Problemas internacionaisEditar

A produção brasileira de café, já no começo do século XX, excedia a demanda mundial. Isto fez ocorrer o conhecido Convênio de Taubaté, onde o Estado passou a adquirir a produção excedente, que era destruída; novas mudas foram proibidas de serem plantadas - com o objectivo de manter um preço mínimo rentável do produto.[13]

Também a borracha sofreu com a concorrência externas: a Inglaterra, em 1870, contrabandeou mudas da seringueira e em 1895 tinha início a plantação de mudas na Ásia. Nas décadas de 1910 e 1920 essa concorrência praticamente fez sucumbir a produção brasileira.[13]

Surgimento das escolas de AgronomiaEditar

Ainda no Império teve lugar, na Bahia, ao surgimento da primeira escola destinada à formação de profissionais agrônomos. No ano de 1875 foi fundado, no povoado de São Bento das Lages, o primeiro curso, na cidade de Cruz das Almas.[19] Em 1883, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, o segundo curso foi criado.[20]

O reconhecimento do curso somente se deu trinta e cinco anos após a criação do primeiro colégio, com o decreto 8.319/1910. A profissão de engenheiro agrônomo só veio a ser reconhecida em 1933 e atualmente são cerca de setenta faculdades de agronomia regulares no país. O dia 12 de outubro, quando foi promulgado o decreto, passou a ser o "Dia do Engenheiro Agrônomo".[20]

O registro profissional é feito junto aos Conselhos Regionais de Engenharia e Arquitetura, integrados nacionalmente pelo CONFEA;[21] os alunos dos cursos de Agronomia, por sua vez, integram a Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil.

Diversificação agrícola: anos 1960 a 1990Editar

 
O ex-ministro, Luís Fernando Cirne Lima, fundador da Embrapa, em palestra pelos 35 anos da entidade. Brasília, 2008, José Cruz/ABr.

Durante o regime militar foi criada em 1973 a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), com o objetivo de diversificar a produção agrícola. O órgão foi responsável pelo desenvolvimento de novos cultivares, adaptados às condições peculiares das diversas regiões do país. Teve início a expansão das fronteiras agrícolas para o cerrado, e latifúndios monocultores com a produção em escala semi-industrial de soja, algodão e feijão.[13]

Dentre os pesquisadores da Embrapa que possibilitaram a incrementação da revolução verde na agricultura brasileira, destaca-se a pesquisadora tcheca-brasileira Johanna Döbereiner que, com suas pesquisas sobre os microrganismos fixadores de nitrogênio, por sua amplitude mundial, rendeu-lhe, em 1997, a indicação para receber o Prêmio Nobel de Química.[22]

Em 1960 eram quatro os principais produtos agrícolas exportados; no começo da década de 1990 estes passaram a dezenove. O avanço nestes trinta anos incluiu o beneficiamento: nos anos 60 os produtos não beneficiados eram oitenta e quatro por cento do total exportado, taxa que caiu a vinte por cento, no começo da década de 90.[13]

As políticas de fomento agrícola incluíam créditos subsidiados, perdão de dívidas bancárias, e subsídios à exportação (que, em alguns casos, chegou a cinquenta por cento do valor do produto).[13]

Mecanização: os anos 1990Editar

 
Colheita mecanizada de cana de açúcar no Paraná.

A partir de 1994, com a estabilização monetária do Plano Real, o modelo agrícola brasileiro passou por uma radical mudança: o Estado diminuiu sua participação e o mercado passou a financiar a agricultura que, assim, viu fortalecida a cadeia do agronegócio, desde a substituição da mão de obra por máquinas (houve uma redução da população rural brasileira, que caiu de vinte e um milhões e setecentas mil, em 1985, para dezessete milhões e novecentas mil pessoas em 1995), passando pela liberação do comércio exterior (diminuição das taxas de importação dos insumos), e outras medidas que forçaram os produtores brasileiros a se adaptarem às práticas de mercado globalizado. O aumento da produtividade, a mecanização (com redução dos custos) e profissionalização marcam esse período.[13]

Infraestrutura agrícolaEditar

Dentre os principais itens infraestruturais que demandam atenção pela atividade agrícola estão o transporte, os estoques reguladores, armazenagem, política de preço mínimo, defesa fitossanitária, entre outros.

Escoamento da produçãoEditar

 
Transporte da safra por rodovias: exemplo de atraso na infraestrutura do Brasil.

O transporte das safras é um dos problemas estruturais enfrentados pela agricultura, no Brasil.

Pedro Calmon registrava que, desde o Império, "o escoamento das safras é difícil" e indicava que "os velhos projetos de estradas de ferro ou caminhos carroçáveis, ligando o litoral às montanhas centrais (…) a que resistem os estadistas forrados de ceticismo, que repetem Thiers, quando, em 1841, achava que as vias férreas não convinham à França".[23]

No Brasil não existe uma política de armazenamento da safra nas propriedades. A maioria do transporte é feito em rodovias, a grande parte em más condições de tráfego, através de caminhões. O custo do transporte, em geral recaindo sobre o produtor, é elevado e não obedece aos princípios de logística.[24]

Na safra 2008/2009, por exemplo, a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG) denunciava o estado precário das estradas da região Centro-Oeste, algumas com problemas desde 2005 e, a despeito de solicitações às entidades governamentais, nada havia sido feito.[25]

A despeito disto, o governo federal elaborou, em 2006, um Plano Nacional de Logística e Transportes, destinado a proporcionar um melhor escoamento da produção.[26] A falta de investimentos no setor, entretanto, continua a ser o principal problema na logística de escoamento.

Estoques reguladores e preço mínimoEditar

Um bom exemplo da necessidade da formação de estoques reguladores está na produção de álcool combustível a partir da cana-de-açúcar. A grande variação de preços ao longo do ano-safra, que variam por razões climáticas e fitossanitárias, justificam a formação de estoques.[27]

Os estoques também visam assegurar estabilidade aos rendimentos dos agricultores, além de impedir a flutuação de preços entre-safras. Até a década de 1980 havia no país a implantação da chamada Política de Garantia de Preços Mínimos, que perdeu importância na política agrícola a partir dos anos 90, com a globalização. O principal efeito é a instabilidade de preços dos produtos agrícolas.[28]

A composição de estoques, no plano nacional, compete à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).[29]

ArmazenagemEditar

 Ver artigo principal: Armazenagem agrícola no Brasil
 
Caminhões transportando safra de soja, revelam falta de silos.Roosevelt Pinheiro/ABr.

A armazenagem agrícola é uma das etapas da produção da agricultura do país que apresentam necessidades de investimento e ampliação, a fim de acompanhar o desenvolvimento do setor. Dentre as ações logísticas da produção, a capacidade de armazenagem brasileira, em 2003, era de 75% da produção de grãos,[30] quando o ideal é que seja 20% superior à safra.[31]

A produção, por falta de armazéns e silos, precisa ser comercializada rapidamente. Segundo dados da Conab, apenas 11% dos armazéns estão nas fazendas (enquanto na Argentina esse total é de 40%, na União Europeia de 50%, no Canadá chega a 80%). Isto força o agricultor a servir-se dos serviços de terceiros, para estocar sua produção. Fatores sazonais, como a quebra de safras e defasagem cambial descapitalizam o produtor, e este não consegue investir na construção de silos. Com estes pode negociar sua produção em condições mais favoráveis, e não quando da colheita, apenas. A situação brasileira permite dizer que os caminhões se transformam em "silos sobre rodas".[31]

Solos brasileirosEditar

 Ver artigo principal: Carta de Solos do Brasil
 
Solo regolítico, em rocha granulítica, Leblon, RJ.

O programa de mapeamento e classificação dos solos do país teve início em 1953, com a elaboração da Carta de Solos do Brasil, resultando na publicação do primeiro mapa pelo IBGE no ano de 2003. O conhecimento dos solos foi um dos fatores que permitiram a ampliação produtiva da agricultura, no período a partir de 1975. O Centro-Oeste teve sua expansão efetivada graças ao uso da tecnologia; a região é constituída principalmente por latossolos, tem-se que estes tipos de solo favorecem a mecanização desde o preparo do terreno até a colheita, em face da qualidade do relevo, embora sejam pobres em nutrientes.[32]

A classificação dos solos do país, seu estudo e sistematização são capitaneados pela Embrapa Solos, contando ainda com a participação de diversas entidades, no passado e no presente, tais como o Projeto RADAM, a Universidade Rural (atual UFRRJ) e diversos cursos de Agronomia.[33]

ModalidadesEditar

Agricultura irrigadaEditar

 Ver artigo principal: Irrigação no Brasil
 
Arrozal gaúcho: onde primeiro se fez irrigação no Brasil.

As primeiras experiências de irrigação no Brasil ocorreram no Rio Grande do Sul, para o cultivo do arroz; o primeiro registro data de 1881, com a construção da barragem de Cadro, teve seu início em 1903. Entretanto, a prática só veio a se ampliar nos últimos trinta anos do século XX.[34]

Enquanto nas regiões Sul e Sudeste a irrigação desenvolvia-se paulatinamente pela iniciativa privada, na região Nordeste era incentivada por órgãos oficiais, como o DNOCS e a CODEVASF, a partir da década de 1950. Em 1968 foi instituído o Grupo Executivo de Irrigação e Desenvolvimento Agrário (GEIDA), que dois anos depois veio a instituir o Programa Plurianual de Irrigação (PPI). A maioria dos recursos foram destinados ao Nordeste.[34]

Essas iniciativas burocráticas federais, entretanto, não obtiveram o sucesso esperado. A partir de 1985 foi dada nova orientação e, em 1996, um novo direcionamento foi buscado, a fim de ampliar o uso da irrigação na agricultura, com o Projeto Novo Modelo da Irrigação, que contou com a participação de mais de mil e quinhentos especialistas do país e do estrangeiro.[34]

O potencial de irrigação no Brasil, segundo o Banco Mundial é de cerca de vinte e nove milhões de hectares. No ano de 1998 havia, entretanto, somente 2,98 milhões.[35]

No final da última década do século XX o país tinha a irrigação de superfície como a principal forma (59%), seguida pela aspersão (35%) e, por último, a irrigação localizada. A Região Sul apresentava a maior área irrigada (mais de um milhão e cem mil ha), depois o Sudeste (oitocentos e noventa mil ha) e Nordeste (quatrocentos e noventa mil ha).[35]

Presentemente, o marco regulatório da atividade encontra-se em tramitação no Congresso Nacional, através do Projeto de Lei 6.381/2005,[34] que visa substituir a Lei 6.662/1979, que disciplina a Política Nacional de Irrigação.[36] A Política Nacional de Recursos Hídricos é disciplinada pela Lei 9.433/1997, e gerenciada pelo Conselho Nacional.[34]

Agricultura familiarEditar

 Ver artigo principal: Agricultura familiar
 
Hortas, em regime de agricultura familiar. ABr/Antonio Cruz.

A agricultura familiar, assim considerada a que emprega apenas o núcleo familiar (pai, mãe, filhos e, eventualmente, avós e tios) nas lides da terra,[37] podendo empregar até cinco trabalhadores temporários,[38] é responsável direta pela produção de grande parte dos produtos agrícolas brasileiros. Responde, assim, pela produção de 84% da mandioca, 67% do feijão e 49% do milho.[37]

Na década de 1990 a agricultura familiar apresentou um crescimento de sua produtividade na ordem de 75%, contra apenas 40% da agricultura patronal. Isso deve-se, em grande parte, à criação do PRONAF (Programa Nacional da Agricultura Familiar), que abriu uma linha especial de crédito para o financiamento do setor. Segundo o Censo Agropecuário de 1995/96, do IBGE, havia no país 4.339.859 estabelecimentos familiares no país, com área até 100 ha.[38]

Até 2009 foram realizadas seis edições da Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária, sendo as quatro primeiras edições em Brasília e as duas últimas no Rio de Janeiro. Seu objetivo é divulgar a importância do setor para a economia brasileira, pois responde por 70% dos alimentos consumidos no pais, o que perfaz um total de 10% do PIB.[39]

Extrativismo vegetalEditar

 Ver artigo principal: Extrativismo no Brasil
 
Mulheres colhem babaçu, no Maranhão.

A colonização do país iniciou-se com o extrativismo vegetal: a exploração da madeira do pau-brasil, chamado pelos nativos de ibirapitanga, e que acabou dando o nome à terra descoberta pelos portugueses.[40]

Existem no Brasil quarenta e nove reservas extrativistas e sessenta e cinco florestas protegidas por lei federal, com o intuito de preservar o ambiente natural, nas quais é incentivada a prática do extrativismo vegetal como modo de interagir com o meio, sem degradá-lo.[41]

Por falta de incentivo governamental as reservas extrativistas vêm se tornando inviáveis economicamente. O caso da borracha natural é um caso típico: no Acre cerca de quatro mil famílias teriam abandonado a atividade, conforme revelado por políticos do estado no início de 2009. A seringueira vem sendo cultivada, após ter passado por aclimatação, com grande sucesso, no estado de São Paulo, onde mais de trinta e seis mil hectares foram plantados com a árvore - enquanto o Acre conta com pouco mais de mil hectares.[42]

A despeito disso, o pesquisador Alfredo Homma, que há mais de três décadas estuda o ambiente amazônico, assinala que a prática é inviável economicamente, em longo prazo. Para tanto ressalta exemplificando que para extrair o látex de quatrocentas e cinquenta árvores um seringueiro deve dispor de uma área superior a trezentos hectares, quando as mesmas plantas podem ser cultivadas em igual número numa área equivalente a um campo de futebol. O cultivo de áreas já degradadas com árvores nativas deve ser uma solução economicamente viável, segundo o estudioso, como já vem sendo feito em várias culturas que tiveram aumento da demanda, a exemplo do cupuaçu e do jaborandi.[41]

Segundo o IBGE, no ano de 2003 a produção do extrativismo vegetal apresentou os seguintes dados: o setor não madeireiro, que representa 35% do extrativismo, produziu um valor de quatrocentos e quarenta e nove milhões de Reais, com os seguintes produtos principais: piaçava (27%), babaçu (amêndoa - 17%), açaí (16%), erva-mate (14%), carnaúba (8%) e castanha-do-pará (5%). Já o setor madeireiro representa 65% do extrativismo no país.[43]

Cultivo orgânicoEditar

 
Cultivo orgânico de berinjela.José Cruz/ABr.

A chamada Agricultura orgânica visa a produção de alimentos sem uso de fertilizantes, agrotóxicos, agroquímicos, etc. O Censo Agrícola de 2006 do IBGE reportou a existência de noventa mil estabelecimentos do tipo no Brasil, o que perfaz 2% do total; destes, entretanto, apenas 5106 possuem o certificado de produção orgânica.[44]

Os orgânicos estão presentes sobretudo nas pequenas e médias propriedades, e a maioria dos produtores estão organizados em associações ou cooperativas. O estado com maior número de produtores é a Bahia (223), seguido por Minas Gerais (192), São Paulo (86), Rio Grande do Sul (83), Paraná (79), Espírito Santo (64) e outros.[44]

O programa Organics Brasil, constituído em 2005, visa promover as exportações do setor.[44]

AgronegócioEditar

 Ver artigo principal: Agronegócio no Brasil
 
Maquinário na produção de soja.

Durante as duas décadas finais do século XX, o Brasil assistiu a uma brutal evolução na sua produção agrícola: em uma área praticamente igual à do início dos anos 80, a produção praticamente dobrou no final do século.

Em 2010, a OMS aponta o país como o terceiro maior exportador agrícola do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e União Europeia.[45][46]

Vários fatores levaram a este resultado, tais como a melhoria dos insumos utilizados (sementes, adubos, máquinas), as políticas públicas de incentivo à exportação, a diminuição da carga tributária (como, por exemplo, a redução do imposto de circulação, em 1996), a taxa de câmbio real que permitiu estabilidade de preços (a partir de 1999), o aumento da demanda dos países asiáticos, o crescimento da produtividade das lavouras[45] e outros componentes, como a intercessão governamental junto à OMC para derrubar barreiras comerciais existentes contra produtos brasileiros em países importadores.[47]

Esta evolução do setor permitiu que a agricultura passasse a representar quase um terço do PIB nacional. Esta avaliação leva em conta não somente a produção campesina em si mesma, mas de toda a cadeia econômica envolvida: desde a indústria produtora dos insumos até aquela envolvida no seu beneficiamento final, transporte, etc.[47]

Enquanto a agricultura propriamente dita apresentou, no período de 1990 a 2001 uma queda na oferta de empregos, o setor do agronegócio praticamente triplicou a oferta de empregos (que saltou de trezentos e setenta e dois mil para um milhão e oitenta e dois mil, no interregno). O número de empresas era, em 1994, de dezoito mil, e em 2001 saltou para quase quarenta e sete mil. Já a relação emprego/produtividade na agricultura apresentou um crescimento expressivo, oposto à diminuição do número de trabalhadores. [48]

O setor agrícola brasileiro possui possibilidades de ampliar a produção existente. Para tanto, há que se considerar as áreas em que pode haver expansão da fronteira agrícola, bem como o incremento daquelas subexploradas. Fatores que limitam essa expansão vão desde o surgimento de pragas em virtude das monoculturas, infraestruturais (vide a seção sobre o transporte), os problemas ambientais gerados por práticas como o desmatamento, etc.[47]

Agronegócio por regiõesEditar

As Regiões do Brasil possuem ampla diversidade climática e, portanto, apresentam vocação agrícola e industrial com problemáticas bastante diferenciadas, trazendo assim participações bem distintas no agronegócio.

No ano de 1995, as regiões brasileiras participavam, percentualmente, da seguinte forma no total do volume do setor: Norte – 4,2%; Nordeste – 13,6%; Centro-Oeste – 10,4%; Sudeste – 41,8%; e Sul – 30,0%, dados estes que revelam a concentração nestas duas últimas regiões de mais de setenta por cento de todo o montante do agronegócio brasileiro. Este quadro vem se alterando, com a pequena e gradual ampliação das regiões Centro-Oeste e Norte.[49]

Região SulEditar
 Ver artigo principal: Agricultura no Sul do Brasil
 
Parreiral gaúcho.
 
Macieiras em Santa Catarina
 
Plantação de soja no Rio Grande do Sul
 
Pés de tabaco no Rio Grande do Sul
 
Plantação de trigo no Paraná

Nos estados do Sul brasileiro (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná) houve considerável participação das cooperativismo. Os produtos de maior representatividade no PIB agrícola do país são a avicultura e o arroz irrigado, que lidera, e posições estáveis com o milho e o feijão - havendo perdido as posições que ocupava no ranking nacional em produtos como soja, trigo, cebola, batata e outros.[50] É, ainda, a maior produtora de tabaco no país que, por sua vez, é o maior exportador mundial.[51]

A vocação agrícola no Sul, incrementada a partir da década de 30, coincidiu com a integração com os setores industriais da região. Enquanto nos demais estados as indústrias tenderam, na atualidade, à importação dos insumos, Santa Catarina mantém um elevado grau de interdependência do setor industrial com o agrícola.[52]

No Rio Grande do Sul, sobretudo, é importante a participação do chamado agronegócio familiar, derivado sobretudo do modelo de colonização ali verificado, com expressiva representatividade no PIB agrícola daquele estado. Outro fator importante é que este modelo proporciona um elevado grau de fixação do homem no campo, bem como a interação entre os pequenos produtores.[53]

No ano de 2004 a região respondia com 14,4% da produção frutícola, ocupando o terceiro lugar do país.[54]

Em 2020, o Sul produziu 32% do total nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas. Foram 77,2 milhões de toneladas, perdendo apenas para o Centro-Oeste. Paraná (14,9%) e Rio Grande do Sul (14,3%) são o 2º e 3º maior produtores do país.[55]

O Rio Grande do Sul é maior produtor de arroz do País, com 70,5% da produção do Brasil, perto de 7,3 milhões de toneladas em 2020. Santa Catarina é o segundo maior produtor nacional.[56]

O Rio Grande do Sul é o maior produtor de tabaco do Brasil, e é o maior exportador mundial.[57] O Brasil é o segundo maior produtor mundial e líder em exportação de tabaco desde os anos 90, com 98% da produção brasileira sendo realizada na Região Sul. [58]

A região Oeste do Paraná é hoje o principal polo transformador de grãos em proteína animal do País. [59]

Na soja, o Paraná e o Rio Grande do Sul estão entre os maiores produtores do país, com cerca de 16% da produção nacional para cada um, perdendo apenas para o Mato Grosso que tem 27% da produção. O Paraná produziu, em 2020, 19,8 milhões de toneladas, e o Rio Grande do Sul, 19,3 milhões de toneladas. [60]

Sobre a cana-de-açúcar, o Paraná era, em 2017, o quinto maior produtor de cana, terceiro de açúcar e quinto de álcool do país. Colheu cerca de 46 milhões de toneladas de cana neste ano. O setor sucroalcooleiro do Estado tem 25 usinas e emprega cerca de 55 mil pessoas. As regiões de Umuarama, Paranavaí, Maringá e Jacarezinho concentram a produção.[61] O Brasil é o maior produtor mundial, com 672,8 milhões de toneladas colhidas em 2018. [62]

A Região Sul é a maior produtora de cevada do Brasil. Na década de 1990, o estado do Rio Grande do Sul foi o maior produtor (66,8% da produção total do país), no entanto, na década seguinte o Paraná passou a ocupar esta posição (49,8% da produção). No período de 2007-2011, 55,0% da área de cultivo concentrou-se no Paraná (62,6% da produção), 42,4% no Rio Grande do Sul (34,9% da produção) e 2,6% em Santa Catarina (2,5% da produção). [63] O estado do Paraná colheu 219,2 mil toneladas em 2019, 60% da produção nacional. Além do clima mais frio exigido pela cevada, a vantagem dos produtores do Paraná é a proximidade com a maior maltaria da América Latina, pois a cevada é cultivada em escala comercial exclusivamente para uso na fabricação de malte, principal matéria prima da indústria cervejeira. Porém, o Brasil está longe de ser auto-suficiente na produção de cevada para malte. O mercado brasileiro consome, em média, 1,5 milhão de toneladas por ano. O Brasil produz 335 mil toneladas, próximo de 22%. A maior parte, 73%, vem da Argentina e Uruguai. [64]

O Rio Grande do Sul também é o maior produtor nacional de trigo, outra cultura que exige climas frios, com 2,3 milhões de toneladas em 2019. [65] O Paraná é o 2º maior produtor, com uma produção quase idêntica ao Rio Grande do Sul. Em 2019, os 2 estados colheram juntos cerca de 85% da safra do Brasil, mas mesmo assim, o país é um dos maiores importadores globais do cereal, tendo importado cerca 7 milhões de toneladas neste ano, para atender a um consumo de 12 milhões de toneladas. [66] A maior parte do trigo que o Brasil importa vem da Argentina. [67]

Em 2017, o Paraná era o 2º maior produtor de milho do país com 41,5 milhões de toneladas; em terceiro, o Rio Grande do Sul, com 35,3 milhões. [68]

Desde 2006, o Paraná lidera a produção de feijão no Brasil. [69] O Brasil é o 3º maior produtor de feijão do mundo, com uma safra anual de cerca de 3 milhões de toneladas, 11% da produção mundial. Em 2018, a Região Sul foi o principal produtor de feijão com 26,4% do total, seguida pela Centro-Oeste (25,4%), Região Sudeste (25,1%), Nordeste (20,6%) e Norte (2,5%). O Estado do Paraná lidera o ranking dos principais produtores nacionais com 18,9% do total produzido. [70]

O Rio Grande do Sul é responsável por 90% da produção nacional de uvas, e elabora 90% do vinho produzido no país, 85% do espumante, e 90% do suco de uva, principalmente na área de Caxias do Sul e arredores. [71]

Os três Estados do Sul do país são responsáveis por 95% da produção nacional de maçã, e Santa Catarina aparece no topo da lista de produção, disputando com o Rio Grande do Sul. A região de São Joaquim é responsável por 35% do plantio nacional de maçã[72] O Rio Grande do Sul colhe 45% das maçãs brasileiras, e é o maior exportador de maçãs do país. A região dos Campos de Cima da Serra, no entorno de Vacaria, é o grande destaque: concentra 88% da produção gaúcha e 37% da nacional.[73]

No café, o Paraná é o estado produtor localizado mais ao sul do país. Já foi o maior estado produtor do Brasil: em 1962, o Paraná respondeu por 58% da produção nacional, mas em 2017, teve só 2,7% do total produzido no país. A cultura do café foi substituída por outras culturas de plantio, e o foco do Estado atualmente tem sido investir em grãos de café especiais, mais caros. [74][75]

Em 2018, Rio Grande do Sul e Paraná foram os 3º e 4º maiores produtores de tangerina do Brasil. [76] O Rio Grande do Sul também é responsável por 19% da produção de caqui do Brasil, sendo o 2º maior produtor nacional. [77]

Em 2019, no Brasil, havia uma área total produtora em torno de 4 mil hectares de morango. Rio Grande do Sul e Paraná eram o 3º e 4º maiores produtores do país, com área aproximada de 500 ha plantados.[78]

Região SudesteEditar
 Ver artigo principal: Agricultura no Sudeste do Brasil
 
Plantação de cana, em Avaré, São Paulo.

Em 1995 o Sudeste (composto pelos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo), era responsável pela maior participação no montante do agronegócio do país, mas em tendência de queda face a expansão das fronteiras agrícolas e à instalação de indústrias noutras regiões.[49]

O Sudeste é o maior produtor nacional de frutas, com 49,8% do total nacional, em dados de 2004.[54] A região concentra 60% das empresas de software voltadas para o agronegócio, segundo levantamento efetuado pela Embrapa Informática Agropecuária (situada em Campinas/SP).[79] Quanto à exportação, o setor do agronegócio ocupava a segunda posição nacional, no período de 2000 a maio de 2008, ficando atrás da Região Sul; o Sudeste representou 36% do montante exportado de 308 bilhões de dólares - os produtos que mais se destacaram no comércio exterior na região foram o açúcar (17,27%), café (16,25%), papel e celulose (14,89%), carnes (11,71%) e hortifrutícolas (com destaque para o suco de laranja) com 10,27%.[80]

Em 2020, Minas Gerais era o maior produtor de café arábica do país, com 74% do total nacional (1,9 milhão de toneladas, ou 31,2 milhões de sacas de 60 kg). Já o Espírito Santo era o maior produtor de café conillon, com participação de 66,3% do total (564,5 mil toneladas, ou 9,4 milhões de sacas de 60 kg).[81] Em 2017, Minas respondia por 54,3% da produção nacional total de café (1º lugar), Espírito Santo respondia por 19,7% (segundo lugar) e São Paulo, 9,8% (terceiro lugar).[82]

O Sudeste é responsável pela maior parte da produção de cana-de-açúcar do país, concentrada no estado de São Paulo, na Zona da Mata Mineira e no Norte Fluminense. Em 2020, São Paulo continuava sendo o maior produtor nacional, com 341,8 milhões de toneladas, responsável por 51,2% da produção. Minas Gerais era o terceiro maior produtor de cana, sendo responsável por 11,1% do total produzido no País, com 74,3 milhões de toneladas.[83] A área no entorno de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, vem sofrendo com a decadência desta atividade: no início do século XX, Campos possuía 27 usinas funcionando, e ao longo do século, foi uma das maiores produtoras do Brasil, porém, em 2020, apenas duas usinas de açúcar operavam na cidade.[84] O estado, que colhia cerca de 10 milhões de toneladas nos anos 1980, [85] colheu 1,8 milhões de toneladas na safra de 2019/20. O Espírito Santo colheu quase 3 milhões de toneladas no mesmo ano. [86]

Sobre a laranja, São Paulo é o principal produtor do país e responsável por 77,5% do total nacional. Em 2020, a produção foi estimada em 13,7 milhões de toneladas, ou 334,6 milhões de caixas de 40,8 kg. Em sua maior parte é destinada à industrialização e exportação do suco.[87]

Já o cultivo da soja apresenta crescente avanço, pois é largamente utilizada na indústria de óleos e de rações para animais, sendo uma grande parte exportada. Porém, não está entre os maiores produtores nacionais deste grão. Na safra 2018/2019, Minas Gerais colheu 5 milhões de toneladas (7º lugar no país), e São Paulo, 3 milhões. [88]

Minas Gerais é o 2º maior produtor de feijão do Brasil, com 17,2% da produção nacional em 2020. Além disso, é um dos maiores produtores nacionais de sorgo: Goiás e Minas Gerais respondem por 74,8% da produção brasileira do cereal.[89] Está, também, em 3º lugar na produção nacional de algodão.[90]

O estado de São Paulo concentra mais de 90% da produção nacional de amendoim, sendo que o Brasil exporta cerca de 30% do amendoim que produz.[91]

São Paulo também é o maior produtor nacional de banana, com Minas Gerais em 3º lugar e Espírito Santo em 7º lugar. O Brasil já foi o 2º maior produtor mundial da fruta, estando em 3º lugar atualmente, perdendo apenas para Índia e Equador.[92][93]

Em 2018, São Paulo e Minas Gerais foram os maiores produtores de tangerina do Brasil. [94] O Espírito Santo foi o maior produtor de mamão. [95] Sobre o caqui, São Paulo é o maior produtor do país com 58%, Minas está em 3º lugar com 8%, e Rio de Janeiro em 4º lugar com 6%.[96]

Em 2019, no Brasil, havia uma área total produtora em torno de 4 mil hectares de morango. O maior produtor é Minas Gerais, com aproximadamente 1.500 hectares, cultivado na maioria dos municípios do extremo sul do Estado, na região da Serra da Mantiqueira, sendo Pouso Alegre e Estiva os maiores produtores. São Paulo estava em 2º lugar com 800 hectares, com produção concentrada nos municípios de Piedade, Campinas, Jundiaí, Atibaia e municípios próximos.[97]

O Sudeste é o maior produtor de limão do país, com 86% do total obtido em 2018. Só o estado de São Paulo produz 79% do total. [98]

Sobre a cenoura, o Brasil ocupava em 2016 o quinto lugar no ranking mundial, com uma produção anual próxima de 760 mil toneladas. Em relação às exportações deste produto ,o Brasil ocupa a sétima posição mundial. Minas Gerais e São Paulo são os 2 maiores produtores do Brasil. Entre os polos de produção em Minas Gerais, estão os municípios de São Gotardo,Santa Juliana e Carandaí. Em São Paulo, os municípios produtores são Piedade, Ibiúna e Mogi das Cruzes.[99] Já a batata tem como principal produtor nacional o estado de Minas Gerais, com 32% do total produzido no país. Minas Gerais colheu, em 2017, cerca de 1,3 milhão de toneladas do produto. São Paulo detém 24% da produção. [100][101][102]

Região NordesteEditar
 Ver artigo principal: Agricultura no Nordeste do Brasil
 
Plantação de palma em Urandi, Bahia.

No Nordeste brasileiro, região formada por nove estados (Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão) 82,9 % da mão de obra do campo equivale à agricultura familiar.[103]

A região é a maior produtora nacional de banana, respondendo pelo montante de 34% do total.[104] Lidera, ainda, a produção da mandioca, com 34,7% do total.[105]

Um dos grandes problemas da região são as estiagens prolongadas, mais fortes nos anos em que ocorre o fenômeno climático do El Niño. Isso provoca o êxodo rural, a perda de produção, minimizados seus efeitos por meio de ações governamentais de emergência, através da construção de açudes e outras obras paliativas, como a transposição do Rio São Francisco. As piores secas dos últimos anos foram as de 1993, 1998 e 1999, a primeira considerada a pior em cinquenta anos.[106]

 
Coqueirais na área metropolitana do Recife, em Pernambuco.

Em 2017, a Região Nordeste foi a maior produtora de coco do país, com 74,0% da produção nacional. A Bahia produziu 351 milhões de frutos, o Sergipe, 234 milhões, e o Ceará 187 milhões. Porém, o setor vem sofrendo forte concorrência e perdendo mercado para Indonésia, Filipinas e Índia, os maiores produtores mundiais, que chegam a exportar água de coco para o Brasil. Além dos problemas climáticos, a baixa produtividade dos coqueiros na Região Nordeste é o resultado de fatores relacionados à variedade de coco explorada e ao nível tecnológico empregado nas regiões litorâneas. Nessas áreas, ainda predomina o sistema de cultivo semiextrativista, com baixa fertilidade e sem adoção de práticas de manejo cultural. Os três estados que possuem as maiores produções, Bahia, Sergipe e Ceará, apresentam rendimento três vezes menor que o de Pernambuco, que está em 5º na produção nacional. Isso porque grande parte dos coqueirais desses três estados estão localizados em zonas litorâneas e cultivados em sistemas semiextrativistas.[107]

 
Início de produção de caju no sertão do Ceará.

A produção de caju no Brasil é realizada quase que exclusivamente no Nordeste. A área ocupada com cajueiros no Brasil em 2017 foi calculada em 505,5 mil ha; desse total, 99,5% está localizado no Nordeste. Os principais produtores dessa região são o Ceará (61,6% da área nacional), Rio Grande do Norte e Piauí. Porém, o Brasil, que em 2011 era o quinto maior produtor mundial de castanha de caju, em 2016, caiu para a 14ª posição, com 1,5% do volume total de castanha produzido no mundo. O Vietnã, a Nigéria, a Índia e a Costa do Marfim foram os maiores produtores mundiais de castanha de caju em 2016, com 70,6% da produção global. Nos últimos anos, tem ocorrido acirramento da concorrência com alguns países africanos, onde programas governamentais têm impulsionado a expansão da cultura e da capacidade de processamento. Estima-se que em 295 mil toneladas por ano a capacidade instalada de processamento de castanha de caju no Nordeste, porém, a Região só conseguiu produzir em torno de um quarto dessa quantidade. Dentre os principais produtores mundiais, o Brasil é o que possui a menor produtividade. Diversos fatores são apontados como causa da baixa produtividade e da queda na produção brasileira de castanha de caju. Um dos motivos é que a maior parte dos pomares está em fase de declínio natural da produção. Além disso, os cajueirais gigantes, que são maioria na Região, são explorados de forma quase extrativista, com baixa utilização de tecnologia.[108]

Na produção de cacau, por um longo tempo, a Bahia liderou a produção brasileira. Hoje, disputa com o estado do Pará a liderança da produção nacional. Em 2017 o Pará obteve a liderança pela primeira vez. Em 2019, os paraenses colheram 135 mil toneladas de cacau, e os baianos, 130 mil toneladas. A área de cacau da Bahia é praticamente três vezes maior do que a do Pará, mas a produtividade do Pará é praticamente três vezes maior. Alguns fatores que explicam isto são: as lavouras da Bahia são mais extrativistas, e as do Pará tem um estilo mais moderno e comercial, além dos paraenses usarem sementes mais produtivas e resistentes, e à sua região propiciar resistência à vassoura-de-bruxa. [109]

Em 2018, o Nordeste estava em 3º lugar entre as regiões que mais produzem cana-de-açúcar no país. O Brasil é o maior produtor mundial, com 672,8 milhões de toneladas colhidas neste ano. O Nordeste colheu 45,7 milhões de toneladas, 6,8% da produção nacional. Alagoas é o maior produtor, com 33,3% da produção nordestina (15,2 milhões de toneladas). Pernambuco é o 2º maior produtor do Nordeste, com 22,7% do total da região (10,3 milhões de toneladas). A Paraíba tem 11,9% da produção nordestina (5,5 milhões de toneladas) e a Bahia, 10,24% da produção (4,7 milhões de toneladas). [110]

A Bahia é o 2º maior produtor de algodão do Brasil, só perdendo para o Mato Grosso. Em 2019, colheu 1,5 milhão de toneladas do produto.[111][112][113]

Na soja, o Brasil produziu perto de 120 milhões de toneladas em 2019, sendo o maior produtor mundial. O Nordeste produziu, em 2019, perto de 10,7 milhões de toneladas, ou 9% do total brasileiro. Os maiores produtores do Nordeste foram a Bahia (5,3 milhões de toneladas), o Maranhão (3 milhões de toneladas) e o Piauí (2,4 milhões de toneladas).[114]

Na produção de milho, em 2018 o Brasil era o 3º maior produtor mundial, com 82 milhões de toneladas. O Nordeste produziu cerca de 8,4% do total do país. A Bahia foi o maior produtor nordestino, com 2,2 milhões de toneladas. O Piauí foi o 2º maior produtor do Nordeste, com 1,5 milhão de toneladas, e o Maranhão foi o 3º maior, com 1,3 milhão de toneladas. [115][116]

Em 2018, a Região Sul foi o principal produtor de feijão com 26,4% do total, seguida pela Centro-Oeste (25,4%), Região Sudeste (25,1%), Nordeste (20,6%) e Norte (2,5%). Os maiores produtores do Nordeste foram o Ceará, a Bahia, Piauí e Pernambuco.[117][118]

A Bahia é o segundo maior produtor de frutas do país, com mais de 3,3 milhões de toneladas ao ano, ficando atrás apenas de São Paulo. O norte baiano é uma dos principais fornecedores de fruta do país. [119] O Estado é um dos principais produtores nacionais de dez tipos de frutas. De acordo com o Censo do IBGE de 2017, a Bahia liderava a produção de amêndoa de cacau, cajarana, coco, fruta do conde ou pinha, graviola, umbu, jaca, licuri, manga e maracujá e está em segundo lugar no cultivo de atemoia, cupuaçu, lima e limão e terceiro em banana, carambola, goiaba, mamão, melancia, melão, pitanga, romã e uva de mesa. Ao todo, 34 produtos da fruticultura baiana têm importante participação na economia nacional. [120]

O Rio Grande do Norte é o maior produtor de melão do país. Em 2017 produziu 354 mil toneladas, distribuídas entre as cidades de Mossoró, Tibau e Apodi. [121] A região Nordeste respondeu por 95,8% da produção do país em 2007. Além do Rio Grande do Norte, que em 2005 produziu 45,4% do total do país, os outros 3 maiores do país foram Ceará, Bahia e Pernambuco. [122]

Na produção de mamão, em 2018 a Bahia foi o 2º maior estado produtor do Brasil, quase empatando com o Espírito Santo. O Ceará ficou em 3º lugar e o Rio Grande do Norte em 4º lugar. [123]

A Bahia era o maior produtor de manga do país em 2019, com produção de cerca de 281 mil toneladas por ano. Juazeiro (130 mil toneladas por ano) e Casa Nova (54 mil toneladas por ano) ocupam o topo da lista das cidades brasileiras que lideram o cultivo da fruta. [124]

Na produção de banana, em 2018 a Bahia foi o 2º maior produtor nacional. Pernambuco ficou em 5º lugar. [125]

Sobre o abacaxi, em 2018 a Paraíba foi o 2º maior estado produtor do Brasil. [126]

Região NorteEditar
 Ver artigo principal: Agricultura no Norte do Brasil
 
Oficina de horticultura, Manacapuru, Amazonas.
 
Açaizeiros no Pará

A região Norte (composta pelos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) tem como principal característica a presença do bioma amazônico, em que a floresta tropical é marcante (e, por sua presença em parte do estado do Maranhão, este é incluído nas ações de governo nesta região). O grande desafio da região é aliar a rentabilidade e produtividade com a preservação da floresta.[127]

A região já foi responsável, por um breve período, pela produção do mais importante produto de exportação brasileiro, no final do século XIX e começo do XX, durante o chamado Ciclo da borracha, em que o extrativismo da seringueira gerou o avanço das fronteiras nacionais (conquista do Acre), até o contrabando da árvore pela Inglaterra e sua aclimatação em países asiáticos.[128]

Antigamente foi a segunda maior produtora nacional de banana, respondendo por 26% do total.[104] Em 2018, não respondia nem por 13%: o Pará, maior estado do Norte na produção desta fruta, ocupava a 6ª colocação nacional, e os outros estados não estavam entre os 10 maiores.[129] O Norte é a segunda na produção de mandioca (com 25,9% do total), ficando atrás somente do Nordeste.[105] Na produção de frutas ocupava a penúltima posição, responde por 6,1% da produção nacional, à frente apenas da região Centro-Oeste.[54]

Em 2019, o Pará produzia 95% do açaí no Brasil. O estado tem cerca de 50 empresas que comercializam mais de 1,2 milhão de toneladas do fruto para outros estados. O valor da comercialização passa de US$ 1,5 bilhão, cerca de 3% do PIB do estado. O segundo maior produtor de açaí do Brasil é o Amazonas (52 mil toneladas), seguido por Roraima ((3,5 mil toneladas).[130]

Em 2018, o Pará foi o maior produtor brasileiro de abacaxi.[131]

Na produção de cacau, o Pará vem disputando com a Bahia a liderança da produção brasileira. Em 2017 o Pará obteve a liderança pela primeira vez. Em 2019, os paraenses colheram 135 mil toneladas de cacau, e os baianos, 130 mil toneladas. A área de cacau da Bahia é praticamente três vezes maior do que a do Pará, mas a produtividade do Pará é praticamente três vezes maior. Alguns fatores que explicam isto são: as lavouras da Bahia são mais extrativistas, e as do Pará tem um estilo mais moderno e comercial, além dos paraenses usarem sementes mais produtivas e resistentes, e à sua região propiciar resistência à vassoura-de-bruxa. [132] Rondônia é o 3º maior produtor de cacau do país, com 18 mil toneladas colhidas em 2017. [133]

O Pará é o 2º maior produtor brasileiro de pimenta-do-reino, com 34 mil toneladas colhidas em 2018. [134]

O Pará também é um dos maiores produtores brasileiros de coco. Em 2019, era o 3º maior produtor do país, com 191,8 milhões de frutos colhidos, perdendo apenas para a Bahia e o Ceará. [135]

Região Centro-OesteEditar
 
Plantação de soja em Brasnorte, Mato Grosso
 
Plantação de sorgo em Goiás
 
Alho irrigado (Catalão-GO).

Há cerca de trinta anos a região era quase desconhecida em seu potencial econômico. O principal bioma é o cerrado, cuja exploração foi possível graças às pesquisas para adaptação de novos cultivares de vegetais como o algodão, girassol, cevada, trigo, etc. - permitindo que, em 2004, viesse a se tornar a responsável pela produção de 46% da soja, milho, arroz e feijão produzidos no país.[136]

Essa é a região onde a fronteira agrícola brasileira teve maior expansão. Em as três últimas décadas do século XX sua agricultura teve um crescimento de cerca de 1,5 milhão de toneladas de grãos por safra, saltando de uma produção de 4,2 milhões para 49,3 milhões de toneladas, em 2008 - um crescimento superior a mil e cem por cento.[137]

A área cultivada na região, que compreende os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e o Distrito Federal em 2008 era de quinze milhões e cem mil hectares, tendo avançado nos primeiros anos do século XXI, sobretudo sobre áreas anteriormente dedicadas à pecuária. Dentre os principais fatores que levaram a esse crescimento conta-se a abertura de estradas, que facilitou o escoamento da produção.[137]

Na fruticultura a participação da região, em dados de 2004, aponta o último lugar no país, com 2,7% do total produzido.[54]

Em 2020, o Centro-Oeste produzia 46% dos cereais, leguminosas e oleaginosas do país: 111,5 milhões de toneladas.[138]

No anos de 2020, o Mato Grosso liderava como maior produtor nacional de grãos do país, com uma participação de 28,0%, com Goiás (10,0%) em 4º lugar, e Mato Grosso do Sul (7,9%) em 5º lugar. [139]

Mato Grosso é o maior produtor de soja do Brasil, com 26,9% do total produzido em 2020 (33,0 milhões de toneladas), e o 3º maior produtor de feijão, com 10,5% da produção brasileira. [140]

Goiás é o 2º maior produtor de cana-de-açúcar do país, 11,3% da produção nacional, com 75,7 milhões de toneladas colhidas na safra 2019/20. [141] Mato Grosso do Sul está em quarto lugar, com cerca de 49 milhões de toneladas colhidas. O Mato Grosso colheu 16 milhões de toneladas, estando em 6º lugar. [142][143]

Goiás tem a liderança nacional na produção de sorgo: produziu 44% da produção brasileira da cultura no ciclo 2019/2020, com safra de 1,09 milhão de toneladas. [144][145]

Em 2017, o Mato Grosso era o maior produtor de milho do país com 58 milhões de toneladas; em quarto lugar, Goiás, com 22 milhões. [146]

O Mato Grosso é também o maior produtor de algodão do Brasil, com cerca de 65% da produção nacional (1,8 dos 2,8 milhões de toneladas colhidos no país). Goiás está em 4º lugar. [147][148]

Principais produtosEditar

Dada a sua grande variedade climática e extensão territorial, o país possui variadas áreas especializadas em determinados cultivos - por vezes dentro dum mesmo estado da federação - como, por exemplo, na Bahia, em que se tem o cultivo de soja e algodão, na sua região oeste, de cacau, no sul, frutas, no Médio São Francisco, feijão em Irecê, etc. Também um produto agrícola encontra áreas distintas no território nacional - como por exemplo o arroz, que é plantado no Rio Grande do Sul, no sul do Maranhão e Piauí, em Sergipe e nas regiões Norte e Centro-Oeste.

Alguns produtos, como o trigo, arroz e feijão,[149] não tem produção suficiente para atender à demanda interna; outros, como a soja, são quase que exclusivamente produzidos para exportação (a soja é o principal produto exportado pelo agronegócio brasileiro[150]). Por ordem alfabética, os principais produtos agrícolas do Brasil são:

AlgodãoEditar

 
Algodão, plantado na região de cerrado da Bahia.

Dos anos 1960, quando teve início a mecanização agrícola do país, até o começo do século XXI, a área plantada com algodão decresceu, os preços caíram, mas a produção aumentou substancialmente.[151]

A partir da década de 1990 o pólo produtor deslocou-se das regiões Sul e Sudeste para a Centro-Oeste e Oeste da Bahia. A produção deixou de atender apenas à demanda interna, e passou-se a exportar o produto, desde 2001[151][152]

Com o ingresso do Brasil no mercado exportador de algodão, logo surgiu o embate com os Estados Unidos, que com os subsídios e taxações às importações do produto, mantinham o preço do produto artificialmente baixo no mercado internacional. A demanda brasileira foi levada à OMC no ano de 2002 e, com os recursos impetrados pelos estadunidenses, as sanções foram finalmente decididas em 2009.[153][154] Essa ação marcou a história do agronegócio brasileiro, nas palavras do ex-Ministro da Agricultura Marcus Vinicius Pratini de Moraes: "…(a vitória na OMC foi) um dos momentos mais importantes do agronegócio brasileiro. Mostramos ao mundo que, além de competitivos, somos fortes.", no livro publicado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, a entidade privada dos produtores que, junto ao Governo do Brasil, ingressou na OMC com o processo contra os subsídios estadunidenses, intitulada "A Saga do Algodão: das primeiras lavouras à ação na OMC".[155]

Em termos de produção por estado, em 2019 o Mato Grosso era o maior produtor do Brasil, com cerca de 65% da produção nacional (1,8 dos 2,8 milhões de toneladas colhidos no país). A Bahia é o 2º maior produtor. [156][157]

ArrozEditar

 
Colheita de arroz, Rio do Sul, Santa Catarina.

De exportador do grão o Brasil passou, na década de 1980, a importar o produto em pequenas quantidades para atender à demanda interna. Na década seguinte tornou-se um dos principais importadores, atingindo no período de 1997-1998 a dois milhões de toneladas, equivalentes a 10% da demanda. Uruguai e Argentina são os principais fornecedores do cereal para o país.[158]

Em 1998 foi plantada uma área total de três milhões e oitocentos e quarenta e cinco mil hectares, havendo uma redução, estimada em 2008, para dois milhões e oitocentos e quarenta e sete mil hectares; a produção, entretanto, saltou de onze milhões e quinhentas e oitenta e duas mil toneladas para, estimadas, doze milhões e cento e setenta e sete mil toneladas, no ano de 2008. [159]

O Rio Grande do Sul é maior produtor de arroz do País, com 70,5% da produção do Brasil, perto de 7,3 milhões de toneladas em 2020. Santa Catarina é o segundo maior produtor nacional.[160]

CaféEditar

 
Cafezal florido, Minas Gerais.

O cultivo iniciou-se no Brasil em 1727 e já em 1731 o país exportava o produto. Sua evolução como item do comércio exterior brasileiro atingiu o ápice em 1929, quando representava 70% de tudo que o país exportava. Embora sua participação tenha diminuído, com a diversificação da produção, em 2008 o café representou 2,37% das exportações do Brasil e 0,5% do PIB. Entre 2006 e 2009 exportou uma média de vinte e oito milhões e trezentos mil sacas do produto ao ano, o que faz do país o maior exportador mundial. Sua produção anual é de cerca de cem milhões de sacas, 25% do que é produzido no planeta.[161]

A produção estimada para 2009 é de mais de trinta e nove milhões de sacas, sendo o maior produtor o estado de Minas Gerais (mais da metade do produzido no país). O cultivo ocupa uma área de dois milhões e trezentos mil hectares, com cerca de seis bilhões e quatrocentos mil pés.[161]

O melhor café do país é produzido na cidade baiana de Piatã, onde o grão adquire um sabor especial e único - segundo concurso que avalia o café gourmet, em novembro de 2009. As condições de altitude e clima permitiram à cidade da Chapada Diamantina ter outros três produtores entre os dez melhores do Brasil.[162]

Em 2020, Minas Gerais era o maior produtor de café arábica do país, com 74% do total nacional (1,9 milhão de toneladas, ou 31,2 milhões de sacas de 60 kg). Já o Espírito Santo era o maior produtor de café conillon, com participação de 66,3% do total (564,5 mil toneladas, ou 9,4 milhões de sacas de 60 kg).[163] Em 2017, Minas respondia por 54,3% da produção nacional total de café (1º lugar), Espírito Santo respondia por 19,7% (segundo lugar) e São Paulo, 9,8% (terceiro lugar).[164]

Cana-de-açúcarEditar

 
Canavial em São Paulo.

A cana-de-açúcar ocupa a terceira posição entre as culturas cultivadas no Brasil, quanto à área (ficando atrás da soja e do milho). O país é o maior produtor mundial, tendo colhido na safra 2007/2008 493,4 milhões de toneladas, dos quais foram produzidos 31 milhões de toneladas de açúcar e 22,5 milhões de metros cúbicos de álcool.[165] Em números, o setor representa 1,5% do PIB; na exportação de etanol atinge a marca de 5 bilhões de litros, e de açúcar destina ao comércio externo 20 milhões de toneladas.[166]

A área cultivada, entre 1987 e 2008 evoluiu de 4,35 milhões de hectares para 8,92 milhões hectares; no período a produtividade saltou de 62,31 t/ha, para 77,52 t/ha.[165]

As principais regiões produtoras são a Centro-Sul e Norte/Nordeste, que colheram, respectivamente, na safra 2007/2008, 431,225 milhões de toneladas e 57,859 milhões de toneladas.[165]

Em 2018 o Brasil produziu 672,8 milhões de toneladas. O Sudeste é responsável pela maior parte da produção de cana-de-açúcar do país, concentrada no estado de São Paulo, na Zona da Mata Mineira e no Norte Fluminense. Em 2020, São Paulo continuava sendo o maior produtor nacional, com 341,8 milhões de toneladas, responsável por 51,2% da produção. Minas Gerais era o terceiro maior produtor de cana, sendo responsável por 11,1% do total produzido no País, com 74,3 milhões de toneladas.[167] A área no entorno de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, vem sofrendo com a decadência desta atividade: no início do século XX, Campos possuía 27 usinas funcionando, e ao longo do século, foi uma das maiores produtoras do Brasil, porém, em 2020, apenas duas usinas de açúcar operavam na cidade.[168] O estado, que colhia cerca de 10 milhões de toneladas nos anos 1980, [169] colheu 1,8 milhões de toneladas na safra de 2019/20. O Espírito Santo colheu quase 3 milhões de toneladas no mesmo ano. [170] Goiás é o 2º maior produtor de cana-de-açúcar do país, 11,3% da produção nacional, com 75,7 milhões de toneladas colhidas na safra 2019/20. [171] Mato Grosso do Sul está em quarto lugar, com cerca de 49 milhões de toneladas colhidas. O Mato Grosso colheu 16 milhões de toneladas, estando em 6º lugar. [172][173] O Paraná era, em 2017, o quinto maior produtor de cana, terceiro de açúcar e quinto de álcool do país. Colheu cerca de 46 milhões de toneladas de cana neste ano. O setor sucroalcooleiro do Estado tem 25 usinas e emprega cerca de 55 mil pessoas. As regiões de Umuarama, Paranavaí, Maringá e Jacarezinho concentram a produção.[174] [175] Em 2018, o Nordeste estava em 3º lugar entre as regiões que mais produzem cana no país. O Nordeste colheu 45,7 milhões de toneladas, 6,8% da produção nacional. Alagoas é o maior produtor, com 33,3% da produção nordestina (15,2 milhões de toneladas). Pernambuco é o 2º maior produtor do Nordeste, com 22,7% do total da região (10,3 milhões de toneladas). A Paraíba tem 11,9% da produção nordestina (5,5 milhões de toneladas) e a Bahia, 10,24% da produção (4,7 milhões de toneladas). [176]

FeijãoEditar

 
Feijão irrigado em Avaré, São Paulo.

O Brasil era o maior produtor mundial do feijão, respondendo por 16,3% do total produzido, que foi de 18,7 milhões de toneladas no ano de 2005, segundo a FAO. Historicamente o grão é produzido por pequenos agricultores, sendo que nas últimas duas décadas cresceu o interesse por parte de integrantes do agronegócio, o que gerou o aumento expressivo da produtividade (em alguns casos superando os três mil quilos por hectare).[149]

A área cultivada com feijão sofreu uma redução, no período de 1984-2004, de cerca de vinte e cinco por cento. Isto, entretanto, não resultou na diminuição da produção, que teve aumento de dezesseis por cento no período. É cultivado em todo o país, havendo portanto, dadas as diferenças climáticas, safras durante todo o ano.[149]

Apesar de sua posição de liderança entre os produtores, com safras equivalendo a três milhões de toneladas ao ano, a produção do feijão não é suficiente para atender à demanda interna. Com isso, o Brasil importa cem mil toneladas ao ano do produto[149]

Desde 2006, o Paraná lidera a produção de feijão no Brasil. [177] Em 2018, o Brasil era o 3º maior produtor de feijão do mundo, com uma safra anual de cerca de 3 milhões de toneladas, 11% da produção mundial. Em 2018, a Região Sul foi o principal produtor de feijão com 26,4% do total, seguida pela Centro-Oeste (25,4%), Região Sudeste (25,1%), Nordeste (20,6%) e Norte (2,5%). O Estado do Paraná lidera o ranking dos principais produtores nacionais com 18,9% do total produzido. [178]

Floricultura e paisagismoEditar

 
Exemplar de rosa brasileira, em Brasília-DF.

Importante mercado representa a produção de flores e paisagismo no país, onde por volta de três mil e seiscentos produtores dedicam-se ao cultivo, numa área de 4.800 ha.[179]

O setor possui grande capacidade de expansão no mercado interno, onde o consumo per capta é pequeno. Emprega cerca de cento e vinte mil pessoas, dos quais 80% de mulheres, e cerca de 18% da agricultura familiar.[180]

Os produtores de quinze estados estão representados pelo Instituto Brasileiro de Floricultura (IBRAFLOR), que tem apoio governamental como entidade informativa e fomentadora.[181]

A floricultura teve início ainda na década de 1870, com o filho de Jean Baptiste Binot, que viera ao país a fim de ornamentar o Paço Imperial, cujo orquidário é reconhecido internacionalmente. Em 1893 foi fundada uma empresa para a produção de flores de outras espécies pelos germanos Dierberger, de onde saíram os Boettcher, pioneiros na produção de rosas.[180]

O amadorismo dirigiu a produção de flores no Brasil, até quando os imigrantes holandeses fundaram, em 1948 uma cooperativa em Holambra, cidade que até hoje capitaneia o setor.[180]

Desde 2000 a produção integra as políticas públicas, com implantação do Programa de Desenvolvimento de Flores e Plantas Ornamentais do Ministério da Agricultura. O maior produtor é o estado de São Paulo, seguido por Santa Catarina, Pernambuco, Alagoas, Ceará, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Goiás, Bahia, Espírito Santo, Amazonas e Pará.[180]

Frutas e culturas perenesEditar

 
Plantação de pinhas em sistema irrigado, às margens do Rio São Francisco, na Bahia.

As principais frutas cultivadas economicamente no Brasil são, em ordem alfabética: abacaxi, Abiu, açaí, acerola, ameixa, amora, araticum-do-brejo, atemóia, bacaba, bacuri, banana, biribá [desambiguação necessária], cajá, caju, camu-camu, caqui, carambola, castanha-do-pará, citros (laranja, limão, lima, etc), coco, cupuaçu, figo, framboesa, fruta-pão, goiaba, graviola, jambo, kiwi, maçã, mamão, manga, mangaba, mangostão, maracujá, mirtilo, muruci, nectarina, patauá, pequiá, pêra, pêssego, Physalis, pinha, rambutã, sapota, sapoti, seriguela, sorva, tucumã, umbu, uva, e ainda melancia, melão, morango e noz comestível.[182]

O setor fruticultor produziu, em 2002, em valor bruto, nove bilhões e seiscentos milhões de dólares - total este que corresponde a dezoito por cento da agropecuária brasileira. A produção nacional é superior a trinta e oito milhões de toneladas, cultivadas em três milhões e quatrocentos mil hectares. As exportações do setor tiveram crescimento, entre 1990 e 2003 de 183% no valor, 277% na quantidade e também no superávit gerado, este em 915%.[183]

A importância do setor reflete-se também na geração de emprego e renda: para cada dez mil dólares investidos na produção de frutas, são gerados três empregos diretos e dois indiretos.[183]

O Brasil é o terceiro maior produtor de frutas do mundo, ficando atrás da China (produz cento e cinquenta e sete milhões de toneladas) e da Índia (com cinquenta e quatro milhões). Laranja e banana respondem, juntas, por sessenta por cento da produção total de frutas, no país. [54]

A fim de incrementar a participação brasileira no mercado frutícola mundial, foi criada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), o IBRAF e o supermercado Carrefour uma parceria para a realização do Brazilian Fruit Festival, com edições em vários países como Polônia e Portugal, ocorridos nos anos de 2004 a 2007.[54][184]

BananaEditar

 
Plantação de bananas em projeto de irrigação, Rio S. Francisco, Bahia.

A banana é produzida em todo o território do país. Na fruticultura ocupa o segundo lugar entre as frutas produzidas e consumidas no Brasil.[104] No ano de 2003 o país cultivou quinhentos e dez mil hectares com a fruta, que produziram seis milhões e meio de toneladas. Por ordem decrescente, os maiores produtores foram São Paulo (com um milhão, cento e setenta e oito mil toneladas), Bahia (setecentas e sessenta e quatro mil toneladas) e Pará (seiscentas e noventa e sete mil toneladas).[185]

No ano de 2004 a banana produzida no Brasil atingiu um total de seis e meio milhão de toneladas, o que a torna a segunda fruta mais colhida no país, atrás somente da laranja.[54]

Em dados da FAO, ocupa o país o terceiro lugar em volume de produção da fruta, ficando atrás da Índia (produz 16 milhões de toneladas) e do Equador (com seis e meio milhões de toneladas). A produtividade brasileira é considerada baixa - doze e meia toneladas por hectare, enquanto na Costa Rica, por exemplo, esta alcança quarenta e seis toneladas e seiscentos quilos por hectare.[186]

Em 2018, São Paulo era o maior produtor nacional de banana, seguido por Bahia, Minas Gerais, Santa Catarina e Pernambuco.[187][188]

CacauEditar

 
Cacaueiro em Ilhéus, Bahia.

O cacau já foi um dos principais produtos agrícolas exportados pelo Brasil, e teve uma relevante importância econômica para a Bahia. Sua produção, entretanto, foi decaindo paulatinamente. Embora produzida em estados como Espírito Santo, Pará e Rondônia, a Bahia em 2002 representava 84% da área colhida no país, segundo o IBGE. Neste ano havia mais de quinhentos e quarenta e oito mil hectares plantados com a cultura.[189]

De exportador, o Brasil passou a importar o cacau no ano de 1992, matéria-prima para a fabricação do chocolate. Segundo a FAO o país, entre 1990 e 2003, caiu da nona para a décima sétima posição no ranking dos principais produtores mundiais.[189]

O cacau baiano é o maior exemplo de como uma praga e a ausência de cuidados fitossanitários pode afetar a produção de uma cultura. No caso a incidência da doença chamada vassoura-de-bruxa foi a responsável direta pela queda da produção, iniciada no ano de 1989.[190] Essa decadência brutal da produção perdurou até 1999, quando variedades resistentes foram introduzidas. A despeito disto, em 2007 a produção baiana voltou a declinar, ao passo em que a paraense aumentou sua participação.[191][192]

Hoje, a Bahia disputa com o estado do Pará a liderança da produção nacional. Em 2017 o Pará obteve a liderança pela primeira vez. Em 2019, os paraenses colheram 135 mil toneladas de cacau, e os baianos, 130 mil toneladas. A área de cacau da Bahia é praticamente três vezes maior do que a do Pará, mas a produtividade do Pará é praticamente três vezes maior. Alguns fatores que explicam isto são: as lavouras da Bahia são mais extrativistas, e as do Pará tem um estilo mais moderno e comercial, além dos paraenses usarem sementes mais produtivas e resistentes, e à sua região propiciar resistência à vassoura-de-bruxa. [193]

Laranja (citros)Editar

 Ver artigo principal: Produção de laranja no Brasil
 
Laranjal, em S. Paulo.

Os citros equivalem ao gênero citrus e outros afins, e dizem respeito a uma gama variada de espécies de laranjas, limas, tangerinas, limões, etc., dos quais a de maior importância agrícola é a laranja.[194]

No ano de 2004 o Brasil produziu dezoito milhões e trezentas mil toneladas em laranja, o que equivale a quarenta e cinco por cento do total em frutas colhido naquele ano, o que torna a fruta o principal cultivo do setor frutícola.[54]

O estado de São Paulo responde, sozinho, com um total de 79% de toda a produção de laranja no país, que por sua vez é o maior produtor e exportador de suco de laranja, responsável por metade da produção mundial, dos quais 97% são destinados à exportação.[195]

Brasil e Estados Unidos da América são os maiores produtores mundiais de citros, com 45% do total, em que ainda se destacam África do Sul, Espanha e Israel, para a laranja dita in natura e tangerinas.[194]

O suco de laranja brasileiro equivale a 80% das exportações mundiais, a maior fatia de um produto agrícola brasileiro.[45]

Silvicultura e madeiraEditar

 Ver artigo principal: Eucalipto no Brasil
 
Plantação de pinus para produção de celulose, Bocaina do Sul, Santa Catarina.

Dados comparativos da exploração florestal no Brasil, entre os anos de 2003 e 2002 apontam um crescimento da silvicultura (florestamentos e reflorestamentos) sobre a participação da exploração das florestas pelo extrativismo: o setor silvícola, que em 2002 representava 52% da produção, passou a ser de 65% - ao passo em que o extrativismo diminuiu de 48% para 35%.[43]

Os eucaliptos são a espécie mais utilizada em reflorestamentos no país, e seu cultivo é destinado sobretudo para a produção de chapas de madeira e de celulose.[196] Em 2001 o país tinha três milhões de hectares cultivados com essa árvore; outros um milhão e oitocentos mil hectares estavam reflorestados com pinus,[197] espécies climaticamente mais adaptadas ao cultivo no Sul e Sudeste, e usadas para a produção de celulose, placas, móveis e chapas.[198]

Nos últimos anos, o uso de espécies nativas tem sido promovido como altenativa ao eucalipto e ao pinus, espécies estrangeiras. Em 2007, foi lançado o Plano Nacional de Silvicultura com Espécies Nativas e Sistemas Agroflorestais (PENSAF), numa ação integrada entre os Ministérios do Meio Ambiente (MMA) e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), entre outros.[199]

Em 2003 o país produziu dois milhões,cento e quarenta e nove mil toneladas de madeira para carvão vegetal; 75% desse total foi produzido em Minas Gerais. Já o carvão produzido a partir do extrativismo somou dois milhões, duzentas e vinte e sete toneladas, sendo a maior parte (35%) oriunda do Pará. A madeira para a produção de lenha totalizou quarenta e sete milhões, duzentos e trinta e dois mil metros cúbicos, sendo o estado maior produtor a Bahia.[43]

O Brasil é o sétimo maior produtor mundial de celulose de todos os tipos, e o maior em se tratando de celulose de fibras curtas. No ano de 2005 o país exportou cinco milhões e duzentas mil toneladas das seis milhões produzidas, que geraram uma receita de três bilhões e quatrocentos milhões de dólares. [200]

No ano de 2006 foi aprovada a Lei de Gestão de Florestas Públicas, que estimula a produção de madeira legalizada, objetivando diminuir o desmatamento ilegal, e estimulando o setor madeireiro a explorar a atividade de forma sustentável. [201]

HorticulturaEditar

A produção brasileira de hortaliças, no ano de 2004, foi estimada em onze bilhões, seiscentos e noventa e seis milhões de Reais, ocupando uma área cultiva de setecentos e setenta e seis mil hectares com uma produção de dezesseis milhões, oitenta e seis mil toneladas. As principais regiões produtoras foram a Sul e Sudeste, com 75% do total produzido, ficando o Nordeste e Centro-Oeste com os demais 25%. Este setor do agronegócio emprega entre oito a dez milhões de trabalhadores.[202]

O setor conta com pesquisas feitas pela seção olerícola da Embrapa, com sede no Distrito Federal, criada em 1978 e em 1981 denominada de Centro Nacional de Pesquisa de Hortaliças (CNPH).[203] O Centro conta com uma área de mil, duzentos e quatro hectares, com laboratórios, prédios administrativos e de apoio, sendo cento e dez hectares dedicados à produção experimental de hortaliças, dos quais dezoito voltados à chamada produção orgânica.[204]

No ano de 2007 o Brasil exportou trezentas e sessenta e seis mil, duzentas e treze toneladas de olerícolas, que renderam um montante de duzentos e quarenta milhões de dólares. Dentre estes, treze mil toneladas de batata, vinte mil toneladas de tomate, trinta e sete mil toneladas de cebola, duzentas e quatro mil toneladas de melão, trinta e três mil toneladas de melancia. Outras hortaliças exportadas foram o morango, gengibre, ervilhas, pepinos, capsicum, mostardas, cenoura, alho, milho-doce e outras.[205]

TomateEditar

 
Plantação de tomate, Arandu, SP.

A produção do tomate brasileira ocupa a sexta posição mundial e a primeira da América do Sul, no ano 2000. A produção de 1999 atingiu a marca recorde de um milhão, duzentas e noventa mil toneladas de tomate para a produção de polpa para a indústria de alimentos.[206]

No ano de 2005 a produção do país passou para três milhões e trezentas mil toneladas, ocupando a nona posição mundial (atrás de China, EUA, Turquia, Itália, Egito, Índia, Espanha e Irã, o Brasil com 3% da produção global.) Os estados maiores produtores, em 2004, foram Goiás (com oitocentas e setenta e uma mil toneladas), São Paulo (setecentas e quarenta e nove mil toneladas), Minas Gerais (seiscentas e vinte e duas mil), Rio de Janeiro (duzentas e três mil) e Bahia (cento e noventa e três mil). [207]

O avanço da cultura na região do cerrado goiano e mineiro fez a região saltar de 31% para 84% da produção nacional brasileira, entre os anos de 1996 a 2001, com o desenvolvimento de variedades híbridas desenvolvidas para esse ambiente, aumentando a produtividade.[208] A produção por regiões foi, em 2007, a seguinte: Sudeste plantou vinte e dois mil, quatrocentos e quarenta e dois hectares, produzindo um milhão, quatrocentas e quarenta e duas mil toneladas; Centro-Oeste, com dez mil, quatrocentos e oitenta e seis hectares, colhendo oitocentas e trinta e cinco mil, novecentas e oitenta e oito toneladas; Sul, nove mil, quatrocentos e quarenta hectares, resultando em quinhentas e dezessete mil, quatrocentas e cinquenta e três toneladas; Nordeste, doze mil, oitocentos e setenta e oito hectares, colhendo quinhetas e dezessete mil, quatrocentas e cinquenta e três toneladas; e Norte, com mil e vinte e nove hectares, resultando em oito mil e setenta e quatro toneladas produzidas, segundo o IBGE.[209]

CebolaEditar

 
Réstia de cebola roxa.

A cebola é um dos principais produtos da horticultura brasileira, não pela lucratividade mas por servir de sustento e motivo de fixação das famílias na terra, pois os pequenos agricultores, nos próprios imóveis ou em forma de parceria com grandes proprietários, são responsáveis por mais da metade da produção do país.[210]

A região com maior produtividade da cebola compreende as cidades de Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco - cidades vizinhas, separadas pelo Rio São Francisco: ali a olerícola é irrigada, resultando numa produtividade de vinte e quatro toneladas por hectare, contra a média brasileira de dezessete toneladas.[210] No ano de 2006 a produção das duas cidades (duzentas mil toneladas) superou a de outros estados, ficando atrás somente de Santa Catarina (trezentas e cinquenta e cinco mil toneladas).[211]

MandiocaEditar

O Brasil é o segundo produtor no ranking mundial, com 12,7%, embora exporte apenas meio por cento do que produz - mercado este formado pela Venezuela (maior importadora, com 31,4% das vendas externas), seguida por Argentina, Colômbia, Uruguai e EUA; a média exportada em 2000 e 2001 foi de treze milhões e cem mil toneladas ao ano, gerando receita acima de seiscentos milhões de dólares.[105]

O cultivo dá-se em todas as regiões do país, visando tanto o consumo humano quanto animal; no primeiro caso a produção divide-se em mandioca in natura, das espécies comestíveis, e para a produção de farinha e fécula. Essa cadeia produtiva gera cerca de um milhão de empregos diretos,[105] em um total estimado de dez milhões de empregos para a cadeia produtiva.[212]

Em 2002 previu-se uma produção nacional de vinte e dois milhões e seiscentas mil toneladas da raiz, sendo cultivados um milhão e setecentos mil hectares. Os estados maiores produtores são o Pará (17,9%), Bahia (16,7%), Paraná (14,5%), Rio Grande do Sul (5,6%) e Amazonas (4,3%) - que juntos respondem por quase sessenta por cento do total produzido.[105]

MilhoEditar

 
Milharal, São Paulo.

A produção brasileira dá-se, basicamente, em duas épocas ao ano: a safra, propriamente dita, durante os períodos de chuva, e a chamada "safrinha" - ou "de sequeiro" - durante a estiagem. O primeiro caso ocorre, na Região Sul, do final de agosto; no Sudeste e Centro-Oeste, em outubro e novembro; no Nordeste, no início do ano. A segunda safra é feita nos estados de Paraná, São Paulo e no Centro-Oeste com o milho cultivado fora do tempo, nos meses de fevereiro e março.[213]

No ano de 2006 a área plantada com o seu cultivo no Brasil foi de cerca de treze milhões de hectares, com uma produção superior a quarenta e um milhões de toneladas - produtividade considerada aquém da capacidade.[213]

O país foi, ainda em 2006, o terceiro maior produtor mundial (atrás dos Estados Unidos da América e da China), sendo responsável por 6,1% do milho produzido no globo. [214]

Em 2017, o Mato Grosso era o maior produtor de milho do país com 58 milhões de toneladas; o Paraná era o 2º maior produtor com 41,5 milhões de toneladas; em terceiro, o Rio Grande do Sul, com 35,3 milhões; em quarto lugar, Goiás, com 22 milhões. [215]

Em 2020, o Brasil já era o maior exportador mundial de milho. [216]

SojaEditar

 Ver artigo principal: Soja no Brasil

Sua introdução deu-se no ano de 1882, e a partir do começo do século XX a produção destinava-se à forragem animal. A partir de 1941 a produção de grãos superou a forrageira, até tornar-se o principal objetivo da cultura, adaptada ao país sobretudo após estudos do Instituto Agronômico de Campinas.[217]

No ano de 2003 o país teve uma produção de cinquenta e dois milhões de toneladas, o que correspondeu a 26,8% da produção do mundo.[217] Na safra 2007/2008 a produção foi sessenta milhões e cem mil toneladas.[218]

O Brasil produziu perto de 120 milhões de toneladas em 2019, sendo o maior produtor mundial. Mato Grosso era o maior produtor de soja do Brasil, com 26,9% do total produzido no ano (33,0 milhões de toneladas).[219] O Paraná e o Rio Grande do Sul estão entre os maiores produtores do país, com cerca de 16% da produção nacional para cada um, perdendo apenas para o Mato Grosso que tem 27% da produção. O Paraná produziu, em 2020, 19,8 milhões de toneladas, e o Rio Grande do Sul, 19,3 milhões de toneladas. [220] Goiás é o 4º maior estado produtor do país, com 12,46 milhões de toneladas. [221]

TabacoEditar

O Brasil é segundo maior produtor mundial de tabaco, e o maior exportador de fumo desde 1993, com o faturamento de cerca de um bilhão e setecentos milhões de dólares. O maior produtor voltado para o mercado externo é o Rio Grande do Sul,[222] e a Região Sul responde por 95% da produção nacional, que exporta entre 60-70% do que produz.[223]

ProblemasEditar

Concentração fundiáriaEditar

Desde suas origens o Brasil possuiu uma grande concentração de terras, primeiro no sistema conhecido por sesmarias, que vigeu até 1822, e que deu origem aos atuais latifúndios.[224] Em 1850 (mesmo ano da lei que proibia o tráfico negreiro) foi promulgada a Lei de Terras, que manteve o sistema de concentração da terra em latifúndios e que permaneceu até 1964, quando a ditadura preparou o Estatuto da Terra. O custo elevado da produção agrícola na Colônia e Império contribuiu para a formação de latifúndios e no país nunca houve uma grande reforma agrária, que somente passou a integrar a política oficial e legal do país após a Constituição de 1988.[225]

Dos cerca de trinta e um milhões de brasileiros que vivem na faixa de pobreza, mais da metade está na zona rural. Nos últimos vinte e cinco anos do século XX cerca de trinta milhões de moradores do campo abandonaram ou perderam suas terras, criando um déficit de cerca de quatro milhões e oitocentas mil famílias sem terra. Neste tempo, a grande maioria dos recursos de financiamento foi dirigido para as oligarquias e grandes proprietários, atendendo ao modelo de exploração intensiva das propriedades, formação de grandes monoculturas e áreas de pastagens, que com o esgotamento da chamada revolução verde, acabou por revelar uma série de problemas como o uso excessivo de agrotóxicos, irrigação e desmatamento descontrolados, agressão à cultura nativa, dentre outros.[226]

Com a redemocratização o país teve, entre 1985 e 1988, quase nove mil conflitos sociais no meio rural, com o assassinato de 1.167 pessoas por questões agrárias.[226] Neste período teve início um confronto que gerou, de um lado, os sindicatos, movimentos sociais e a Igreja Católica (então no país orientada pela chamada "opção preferencial pelos pobres", com as comissões pastorais) e, do outro, os grandes proprietários, reunidos na União Democrática Ruralista - a UDR - cujo representante maior era Ronaldo Caiado.[227] A mais famosa vítima desses conflitos foi o sindicalista Chico Mendes, no Acre, em 1988.

 
Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), principal grupo representante dos trabalhadores sem terra, durante o encerramento do 5º Congresso do MST em Brasília, em 2007.

Segundo o pesquisador Bernardo Mançano, da UNESP, os censos rurais realizados desde 1940 apontavam para a concentração da terra, somente possível de ser revertida com o fim do êxodo rural e assentamento anual de cento e cinquenta mil famílias. Durante o Governo Itamar Franco, o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) realizou cerca de cem mil assentamentos anuais; nesta administração foi instituído o rito sumário de desapropriação, vencendo um dos principais obstáculos para a medida, que era a sua demora.[228]

Os conflitos atingiram seu ápice em 1996 com o chamado Massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, quando o então governador Almir Gabriel ordenou a desocupação de uma estrada ocupado por sem-terras. A chacina daí decorrente - dezenove mortos e cinquenta e um feridos - expôs ainda mais o problema agrário no país, e o desrespeito aos direitos humanos vivido.[229]

Em artigo de 1996, a economista Maria da Conceição Tavares, uma das maiores críticas do Governo Fernando Henrique Cardoso, alertava que "a importância de uma reforma agrária aumentou muito e a disputa pela terra, se não forem regulados rapidamente as relações de "domínio" da propriedade rural, levará a enfrentamentos crescentes".[230]

Em 1998 os movimentos sociais na luta pela terra provocaram cerca de quinhentas ocupações de fazendas que consideravam improdutivas. Como reação às invasões, o Presidente FHC editou a Medida Provisória 2.027-38, que continha a proibição de destinar para a reforma agrária toda terra que fosse ocupada.[228]

Trabalho escravo e infantilEditar

 
Fiscais do Ministério do Trabalho e agentes da Polícia Federal em carvoaria clandestina, locais onde mais ocorrem situações de trabalho ilegal.

No Brasil ainda se verificam situações de trabalho escravo e infantil. Segundo dados do Departamento de Trabalho do governo dos Estados Unidos da América, o país ocupa o terceiro lugar no mundo em ocorrências dessas modalidades ilegais de trabalho (junto a Índia e Bangladesh, empatados), sendo que o setor de agronegócio responde com oito das treze atividades em que tais irregularidades têm maior incidência, com destaque para a pecuária e os cultivos de sisal, cana-de-açúcar, arroz, tabaco e carvão vegetal. A despeito dessa posição, o país teve sua atuação no combate dessa situação elogiada, sendo que no período 1995-2009 cerca de trinta e cinco mil trabalhadores foram libertados das condições aviltantes de trabalho.[231]

Para o Presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Ministro Lélio Bentes, a Organização Internacional do Trabalho - OIT - reconhece o empenho brasileiro no combate às práticas criminosas de trabalho, que passam pela aplicação de multas; dentre as causas aponta a pobreza e a desinformação, ressaltando que para a solução definitiva mister a constante fiscalização das propriedades, e ainda a possível aprovação de Projeto de Emenda à Constituição (PEC), que prevê a perda do imóvel para os proprietários flagrados em situação irregular.[232]

Impactos ambientaisEditar

 
Voçoroca no estado de São Paulo.

No Brasil o setor agropecuário e o desmatamento respondem por 75% das emissões de gases responsáveis pela mudança do clima. Em razão disto, algumas iniciativas vêm sendo adotadas, com objetivo de minimizar esse impacto, sobretudo pela redução do desmatamento para a expansão agrícola e pecuária: a chamada "Moratória da Soja", o Zoneamento Agroecológico da Cana-de-açúcar, e o uso da fertirrigação nesta última, são exemplos dessas ações.[233]

Erosão do soloEditar

Um dos problemas enfrentados pela agricultura brasileira é a falta de cuidados referentes ao uso do solo e controle da erosão. Uma grande parte das regiões Sudeste e Nordeste do país é de formações rochosas graníticas e de gnaisse, sobre as quais assenta-se uma camada de regolito, bastante suscetível à erosão e formação de voçorocas. Autores, como Bertoni e Lombardi Neto, apontam essa condição como um dos maiores riscos ambientais do país, e grande parte delas são decorrentes da ação humana.[234]

A erosão impõe a reposição de nutrientes ao solo, em consequência da perda dos mesmos, e ainda provoca perda da estrutura, textura, e diminuição das taxas de infiltração e retenção de água.[235]

Os procedimentos usados comumente no preparo do plantio, como a aração e uso de herbicidas para o controle das ervas daninhas acabam por deixar o solo exposto e suscetível à erosão - quer pelo carregamento da camada superficial (e mais rica em nutrientes), quer pela formação das voçorocas. A terra levada pela água, assim, provoca o assoreamento de rios e reservatórios, ampliando deste modo o impacto negativo no ambiente. Uma das soluções é o chamado plantio direto, prática ainda pouco divulgada no país.[236]

Uso de agrotóxicosEditar

Existem quatro mil tipos de agrotóxicos, que resultam em cerca de quinze mil formulações distintas, dos quais oito mil estão licenciadas no Brasil. São produtos como inseticidas, fungicidas, herbicidas, vermífugos, e ainda solventes e produtos para higienização de instalações rurais, dentre outros. Seu uso indiscriminado provoca o acúmulo dessas substâncias no solo, água (mananciais, lençol freático, reservatórios) e no ar - e são largamente utilizados para manter as lavouras livres de pragas, doenças, espécies invasoras, tornando assim a produção mais rentável.[237]

O Brasil apresenta uma taxa de 3,2 kg de agrotóxicos por hectare - ocupando a décima posição mundial, para alguns estudos, e a quinta, em outros. O estado de São Paulo é o maior consumidor, no país, sendo também o maior produtor (com cerca de 80% da produção nacional). Para o controle dos efeitos danosos ao meio ambiente do uso dessas substâncias é preciso a educação do agricultor, a prática do plantio direto, e ainda o esforço de órgãos tecnológicos como a EMBRAPA, com o desenvolvimento de espécies mais resistentes, de técnicas que minimizem a dependência aos produtos, do controle biológico de pragas, entre outros.[237]

No ano de 2007 os produtos que apresentaram maior índice de contaminação por agrotóxicos foram tomate, alface e morango, sendo o agricultor o principal afetado. Isso decorre porque é baixa a conscientização do produtor e poucos são os que cumprem as determinações legais para o uso dessas substâncias, como a de Equipamento de Proteção Individual (EPI).[238]

Segundo informações da Anvisa com base em dados da ONU e Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, as lavouras brasileiras utilizam pelo menos dez tipos de agrotóxicos considerados proibidos em outros mercados, como União Europeia e Estados Unidos.[239]

TransgênicosEditar

 
Brasília, 2007: manifestantes pedem liberação de milho transgênico.Antonio Cruz/ABr.

O país ocupa a terceira posição mundial no uso de sementes transgênicas. As principais culturas que usam dessa biotecnologia são a soja, o algodão e, desde 2008, o milho.[240]

Diversas ONGs nacionais ou internacionais brasileiras, como o Greenpeace, MST ou Contag, manifestaram-se contrários ao cultivo de plantas geneticamente modificadas no país, expondo argumentos como a desvalorização destes no mercado, a possibilidade de impacto ambiental negativo, a dominação econômica pelos grandes empresários, dentre outros.[241] Entidades ligadas ao agronegócio, entretanto, apresentam resultados de estudos efetuados pela Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), nos anos de 2007 e 2008, tendo como resultado "vantagens socioambientais observadas nos demais países que adotaram a biotecnologia agrícola há mais tempo"[240]

No país a Justiça Federal decidiu que alimentos que contenham mais de 1% de transgênicos em sua composição devem, nos seus rótulos, expor a informação em destaque, a fim de informar o consumidor.[242]

Dados estatísticosEditar

Indicadores estatísticos
 
Área cultivada. 65 338 804 ha[6]
Terra cultivável (% de área terrestre) 31%
População rural 5 965 000 famílias
Principais produtos cana-de-açúcar, café, soja, milho.
Produção
grãos (2008) 145,4 mi ton[6]
Principais itens
Cana e derivados (2007/08) 493,4 mi ton
Soja (2008) 59,2 mi ton[6]
Milho (2008) 58,9 mi ton[6]
Participação na economia - 2008
Valor da safra R$ 148,4 bi[6]
Participação no PIB 4,53%[243]
PIB Agronegócio (Indústria e comércio rurais, pecuária e agricultura) 26,46%[243]

Viviam, em 2004, em áreas rurais não metropolitanas, segundo o IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD 2004), 5.965.000 famílias em todo o Brasil.[244]

A participação da agricultura para o PIB brasileiro cresceu, no período compreendido de 2001 a 2004, passando de 8,4% para 10,1% - incremento que foi favorecido pelos preços favoráveis de commodities e do câmbio.[244]

Em 2006 foram cultivados sessenta e dois milhões e trezentos mil hectares do território.[245] Aproximadamente três milhões e seiscentos mil ha foram irrigados, responsáveis por 69% de todo o consumo de água doce no Brasil.[246]

A área total cadastrada oficialmente como destinada à agricultura perfaz um total de trezentos e sessenta milhões de hectares, que não é toda ela agricultável. Cerca de vinte e nove milhões e meio de hectares estariam aptos ao uso da irrigação.[246]

Da área cultivada em 2006, 4,8% foi destinada à fruticultura, responsável por 16,8% do rendimento da safra daquele ano, e que tem como principais produtos a laranja, banana e uva (57% da produção em frutas); outros produtos integram a produção frutífera nacional, com menor expressão, como a manga, maçã, mamão e abacaxi.[245]

O eucalipto, árvore introduzida da Austrália e adaptada ao Brasil, é o principal item das culturas de florestamento, ocupando uma extensão de três milhões de hectares no país, destinada à produção de celulose e para a metalurgia (ferro-gusa).[246]

Em 2005, a agricultura brasileira ocupava o primeiro lugar na produção e exportação de açúcar (42% da produção mundial), etanol (51%), café (26%), suco de laranja (80%) e tabaco (29%); segundo maior produtor e exportador de soja em grãos (35% da produção mundial) e soja em farelo (25%); no milho era o quarto maior produtor, e terceiro maior exportador (com 35% da produção), segundo dados da USDA’s Foreign Agricultural Service and Global Trade Information Services data[247]

Segundo relatório da OMC referente a 2010, apesar de 80% da produção de grãos estar em áreas temperadas, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de exportação em produtos como açúcar, café, suco de laranja, tabaco e álcool; e o segundo lugar em soja e milho.[45]

Dentre os produtos do agronegócio a soja é o líder na balança comercial agrícola. No período compreendido entre agosto de 2007 e julho de 2008 as exportações agrícolas renderam ao país sessenta e oito bilhões e cem milhões de dólares, que fizeram o setor apresentar um superávit (diferença entre o valor importado e o exportado) de cinquenta e sete bilhões e trezentos milhões de dólares, no período.[150]

No ano de 2008 o maior mercado consumidor dos produtos agrícolas brasileiros foi a União Europeia. A China, entretanto, foi o país que, individualmente, teve maior participação como importador, com um montante de 13,2% no total, seguido pelos Países Baixos (com 9,5%) e Estados Unidos da América (8,7%).[150]

Ver tambémEditar

Notas e referências

Notas

  1. A expressão, cunhada na Era Vargas,[1] com a expansão do agronegócio brasileiro vem sendo largamente utilizada para designar a vocação agrícola do país.[2] Ganhou maior força quando usada pelo Presidente Luis Inácio Lula da Silva, em discurso ,[3] e por vezes é questionada como algo vantajoso[4]

Referências

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  3. [2] Arquivado em 7 de julho de 2011, no Wayback Machine. (página acessada em 2 de outubro de 2009)
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  60. IBGE prevê safra recorde de grãos em 2020
  61. Paraná deve colher até 46 milhões de toneladas de cana-de-açúcar
  62. Produção de cana de açúcar no Nordeste
  63. A Cevada no Brasil
  64. Maior produtor de cevada, Paraná registra alta de 32% na safra... - Veja mais em https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/03/09/agronegocio-safra-cevada-alta-pr.htm?cmpid=copiaecola
  65. IBGE prevê safra recorde de grãos em 2020
  66. Rio Grande do Sul deve superar Paraná na produção de trigo em 2019... - Veja mais em https://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2019/11/21/rio-grande-do-sul-deve-superar-parana-na-producao-de-trigo-em-2019.htm?cmpid=copiaecola
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  74. O café brasileiro na atualidade
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  82. A Reivenção da cafeicultura no Paraná
  83. IBGE prevê safra recorde de grãos em 2020
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  93. Custo de produção de banana no sudeste paraense
  94. Produção brasileira de tangerina em 2018
  95. Produção brasileira de mamão em 2018
  96. Caqui – Panorama nacional da produção
  97. Qual o panorama da produção de morango no Brasil?
  98. Produção brasileira de limão em 2018
  99. CENOURA:Produção, mercado e preços
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  109. Pará retoma liderança na produção brasileira de cacau, com a união de agricultores
  110. Produção de cana de açúcar no Nordeste
  111. Segundo maior produtor de algodão do país, Bahia tem previsão de 15% de crescimento da safra
  112. Produção de grãos cresce 14% e Piauí se consolida como 3º maior produtor do Nordeste
  113. MT segue como líder isolado na produção de algodão e safra sobe para 65% em 2017/18
  114. Brasil deve colher maior produção de soja da história, diz Conab
  115. Produção de Milho no Nordeste
  116. Produção de grãos cresce 14% e Piauí se consolida como 3º maior produtor do Nordeste
  117. Feijão - Análise da Conjuntura Agropecuária
  118. Produção de grãos cresce 14% e Piauí se consolida como 3º maior produtor do Nordeste
  119. Cultivo de manga é destaque no norte da Bahia; estado é o 2º maior produtor de frutas do país
  120. Dez tipos de frutas da Bahia estão entre as mais produzidas no país
  121. Cana de açúcar e melão lideram produção no RN
  122. Sistema de Produção de Melão
  123. Produção brasileira de mamão em 2018
  124. Cultivo de manga é destaque no norte da Bahia; estado é o 2º maior produtor de frutas do país
  125. Produção brasileira de banana em 2018
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