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Francisco Franco

ditador espanhol
(Redirecionado de General Franco)
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Disambig grey.svg Nota: Para o escultor português, veja Francisco Franco de Sousa.
Francisco Franco
Caudilho da Espanha
Período 1 de Outubro de 1936
até 20 de Novembro de 1975
Antecessor Manuel Azaña Díaz (Presidente da República Espanhola, de 10 de Maio de 1936 a 28 de Fevereiro de 1939)
Sucessor Juan Carlos I a título de Rei de Espanha
Presidente do Governo da Espanha
Período 30 de Janeiro de 1938
até 8 de Junho de 1973
Antecessor Juan Negrín
Sucessor Luis Carrero Blanco
Dados pessoais
Nome completo Francisco Paulino Hermenegildo Teódulo Franco Bahamonde Salgado-Araujo y Pardo de Lama
Nascimento 4 de dezembro de 1892
Ferrol, Galiza
Espanha
Morte 20 de novembro de 1975 (82 anos)
Madrid, Espanha
Nacionalidade espanhol
Progenitores Mãe: María del Pilar Bahamonde Pardo de Andrade
Pai: Nicolás Franco Salgado-Araújo
Alma mater Academia de Infantaria de Toledo
Cônjuge Carmen Polo de Franco
Filhos Carmen Franco
Partido FET y de las JONS//Movimiento Nacional
Religião Católico
Profissão Militar
Assinatura Assinatura de Francisco Franco
Serviço militar
Lealdade Flag of Spain (1785–1873, 1875–1931).svg Reino da Espanha
Flag of Spain (1945–1977).svg Estado Espanhol
Serviço/ramo Forças Armadas da Espanha
Anos de serviço 1907-1975
Graduação Capitão-General dos exércitos de terra e ar
Conflitos Guerra do Rif
Revolução de 1934
Guerra Civil Espanhola
Guerra de Ifni

Francisco Franco GColTEGCBTO (Ferrol, 4 de dezembro de 1892Madrid, 20 de novembro de 1975) foi um militar, chefe de Estado e ditador espanhol.[1] Conhecido como "Generalíssimo" ou simplesmente Franco, integrou o golpe de Estado na Espanha em julho de 1936 contra o governo da Segunda República, que deu início a Guerra Civil Espanhola.[2] Foi nomeado como chefe supremo da tropa sublevada em 10 de outubro de 1936, exercendo como chefe de Estado da Espanha desde o final do conflito até seu falecimento em 1975, e como chefe de Governo entre 1938 e 1973.

Em 1912 foi colocado em Marrocos onde iniciou uma carreira notável de promoções meteóricas por feitos, valentia e coragem em combate. Franco conquistou rapidamente o respeito das tropas indígenas, que o reconheciam como um líder honesto, sensato e equilibrado, que seguia os regulamentos, tendo ficado conhecido como um purista do cumprimento das regras[3] Em 1926, com apenas 33 anos, foi promovido a General tendo-se tornado no General mais jovem de toda a Europa. Embora fosse católico e de convicções monárquicas, Franco evitou sempre envolver-se em qualquer tipo de conspirações políticas mantendo sempre uma postura profissional e apolítica até 1936.

A 13 de Julho de 1936, na sequência de um preríodo turbulento, em que foram assassinadas centenas de pessoas, sobretudo religiosos, forças policiais assassinam o líder do Partido Monárquico espanhol, José Calvo Sotelo, o que desencandeia um golpe militar liderado pelo General Emílio Mola. A sublevação falha, dando-se início a uma sangrenta guerra civil. Franco que estava colocado nas Canárias toma o partido dos sublevados e viaja para o Norte de África para liderar as tropas de Marrocos. Devido ao seu enorme prestígio consegue o apoio de Adofo Hitler e Mussolini. Franco acaba por assumir a liderança das tropas sublevadas e leva-las à vitória em 1939, após um processo sangrento, com milhares de mortos, e atrocidades cometidas pelas duas partes da contenda.

Ao contrário de Hitler e Mussolini, o governo Franco, devido à teórica neutralidade na Segunda Guerra Mundial, resistiu ao conflito. Mas o líder fascista liderava um país industrialmente atrasado, bem mais pobre que outras nações europeias. A partir da década de 1960, a Espanha passou por um período de forte crescimento econômico, o que elevou sua popularidade.[4] Este crescimento, contudo, foi acompanhado por um aumento no aparato repressivo do Estado franquista, perseguindo dissidentes e ativistas, ao mesmo tempo que implementou uma política de repressão cultural no seu país. A posição ferrenha contra o comunismo trouxe de volta parte do apoio internacional e na década de 1970 a Espanha já era uma das nações que mais cresciam, economicamente, na Europa. Isso não impediu que, ainda em meados dos anos 70, a oposição interna pedisse com mais veemência sua renúncia, apoiada pela comunidade internacional.

Depois de um governo de quase quarenta anos, Franco restaurou a monarquia em 1975 e deixou o Rei Juan Carlos I como seu sucessor. Juan Carlos liderou a transição para a democracia, deixando a Espanha com seu atual sistema político. Durante o seu mandato à frente do exército espanhol e da Chefia do Estado, especialmente durante a Guerra Civil e os primeiros anos do seu regime, tiveram lugar múltiplas violações dos direitos humanos, segundo assinalam numerosas pesquisas históricas e denúncias de pessoas.[5] A cifra total de vítimas mortais durante seu governo varia em torno de 400 mil mortes,[6][7][8][9][10] na maioria em campos de concentração, execuções extrajudiciais ou em prisões.[11][12][13]

Infância e formação militarEditar

Nasceu a 4 de Dezembro de 1892 na cidade galega de Ferrol, local de uma importante base naval, que havia sido a pátria dos Franco desde 1730. Herdou uma forte tradição dos seus antepassados que durante seis gerações tinham sido oficiais de marinha, tendo alguns deles chegado ao posto de Almirante. O seu pai, Nicolás Franco Salgado-Araujo foi oficial da administração naval e no final da carreira alcançou o posto de Intendente Geral (equivalente a vice almirante). A sua mãe Maria do Pilar Bahamonde y Pardo de Lama-Andrade filha de um alto oficial do corpo de intendência naval, descendia de uma longa linhagem de oficiais de marinha.[14]

Em 1907 inciou os seus estudos militares na Academia de Infantaria de Toledo tendo-se graduado como Alferes com apenas desasete anos.[15] Quando ingressou na academia, com apenas 14 anos era um dos cadetes mais jovens, a maioria dos cadetes tinha entre 16 e 18 anos. Devido à sua tenra idade, baixa estatura (em adulto apenas alcançou 1,67m) e extrema magreza, ficou conhecido como "franquito", e foi vitima preferencial de praxes militares por parte dos cadetes mais veteranos. Mais tarde Franco recordaria aquela época da sua vida como um "verdadeiro calvário" e criticou duramente a falta de disciplina da academia, bem como a irresponsabilidade dos directores ao juntarem cadetes de idades tão distintas.[16]

Guerra do Rif, Franco torna-se o general mais jovem da EuropaEditar

Em 1912 é colocado em Marrocos onde incía uma carreira notável de promoções meteóricas por feitos, valentia e coragem em combate. Franco conquistou rapidamente o respeito das tropas indigenas, que o reconheciam como um líder honesto, sensato e equilibrado, que seguia os regulamentos, tendo ficado conhecido como um purista do cumprimento das regras[3] No início de 1914, com 22 anos, é promovido a Capitão, tendo-se tornado no capitão mais jovem do exército espanhol.[17] As tropas indigenas diziam que Franco tinha «baraka», uma espécie de benção divina que lhe permitia escapar ileso dos combates mais sangrentos. Dos 42 oficiais regulares colocados em Marrocos em 1912, apenas sete continuavam vivos em 1915, Franco era um deles.[18] Contudo em 1916, na batalha de El Biutz, Franco acaba por ser ferido em combate, trespassado por uma bala que o atinge no ventre e sai pelas costas.[19]. Nessa época, sem antibióticos, em Marrocos, uma ferida desta natureza significava morte certa, mas Franco, que era conhecido por ter uma saúde de ferro, sobrevive miraculosamente[20] e é  condecorado com Cruz de Maria Cristina de Primeira Classe.[21]

Após uma estada de três anos em Oviedo, onde conheceu a sua futura mulher, Carmen Polo, Franco é convidado pelo então tenente-coronel Millán Astray para regressar a Marrocos e criar um corpo de elite de voluntários estrangeiros, para combater nas guerras do Norte de África. A Legião foi criada por Decreto Real de 28 de Janeiro de 1920, com o nome de Tercio de Extranjeros (Terço de Estrangeiros). Millán Astray era na época um heroi militar, ferido por 4 vezes na guerra de Marrocos, onde perdeu o braço esquerdo e o olho direito, muito popular mas sem as qualidades de um organizador, é assim que Franco, com reconhecidas habilidades para preparar e disciplinar torpas, recebe o segundo posto de comando.[22] Em pouco tempo, sob o comando de Millán Astray e de Francisco Franco "La Legion" ganhou a fama de ser a unidade mais bem preparada e mais resistente do exército espanhol.[22]

Em 1923, casou-se com Carmen Polo, de uma família da burguesia das Astúrias, tendo tido o Rei Afonso XIII como padrinho.

Destinado novamente a Marrocos com a patente de tenente-coronel, assumiu o comando da Legião Espanhola em 1923 e participou activamente no desembarque na baía de Alhucemas e na reconquista do Protectorado que culminaram com a derrota de Abd o-Krim e a ocupação e pacificação total da zona espanhola do Protetorado. Nenhum outro oficial se havia notabilizado tanto como Franco e como reconhecimento Franco é promovido a General de Brigada, com apenas 33 anos tornando-se assim no general mais jovem de qualquer exército da Europa e convertendo-se no general mais célebre do exército espanhol.[23]

Director Geral da Academia Geral MilitarEditar

Em 1927 o ditador Miguel Primo de Rivera apercebendo-se que a desunião existente entre os vários corpos de oficiais do exército, com as suas várias academias, era um foco de instabilidade política, resolve promover uma unificação de todas as academias militares criando a Academia Geral Militar em Saragoça elegendo Franco para dirigi-la. Era o reconhecimento de que Franco para além da sua extraordinária bravura no campo de batalha, possuía também qualidades mentais de organização e liderança. Nesta escolha pesou também o facto de Franco nunca ter participado em conspirações ou movimentações políticas. Primo de Rivera considerou que Franco era o homem ideal para imbuir os jovens militares de espírito patriótico, profissionalizar o exército, retirando-lhe a carga política.[24]

Em 12 de abril de 1931 celebraram-se as eleições municipais, onde os monárquicos obtiveram uma clara vantagem, mas os republicanos ganharam nas grandes cidades. Embora os republicanos não tivessem ganho as eleições a nível nacional conseguiram no entanto passar a ideia que nas cidades havia mais consciencia política e como tal eram os legítimos vencedores. Os monárquicos abandonaram o seu Rei, o General Sanjurjo, chefe da Guarda Civil anunciou que os homems que estavam baixo o seu comando não participariam em qualquer tipo de confrontos para defender o seu Rei. Os republicanos sairam à rua a celebrar a pretensa vitória e o Rei Afonso XIII decidiu abandonar o país, sem renunciar aos seus direitos, com o intuito de evitar uma guerra civil.[24] Franco ficou horrorizado, pensava que a maioria dos espanhois seguiam apoiando a coroa, embora nas grandes cidades não fosse assim, e considerou a declaração da república uma usurpação, uma espécie de pronunciamento pacífico.[24]

Não obstante os seus sentimentos monárquicos, no dia 15 de Abril de 1931, Franco dirigiu-se aos seus cadetes para lhes anunciar a proclamação da república, destacando a necessidade de manter a disciplina e o respeito pelos poderes recem instituídos.[25] Desde o advento da república Franco manteve sempre a sua linha de profissional obediente disciplinado e apolítico, independente dos seus sentimentos pessoais, e manteria esta sua conduta de fidelidade ao poder instituído por toda a sua vida até ao estalar da guerra civil.[26]

Um General votado ao ostracismoEditar

 
Franco em 1930.

A 30 de Outubro de 1931, Manuel Azaña, na qualidade de Ministro da Guerra, ordena o encerramento da Academia Geral Militar, deixando Franco desolado. Franco, embora desolado, acatou as ordens e num discurso de despedida voltou a fazer um apelo aos seus cadetes que actuassame sempre com disciplina, sobre tudo nas ocasiões em que o pensamento e o coração não estavam em sintonia com as ordens de uma autoridade superior imbuída de erros, terminando o seu discurso com um "Viva Espanha" em vez de um mais político "Viva a República"[27]

Manuel Azana não gostou do discurso de Franco e reprendeu-o oficialmente, algo que nunca lhe havia ocorrido ao longo da sua carreira. Franco desagradado escreveu a Azana e chegou a encontrar-se pessoalmente com ele, tendo lembrado que jamais se havia envolvido em política e que sempre fora um profissional disciplinado e apolítico. Contudo após o encerramento da Academia Geral Militar, Franco esteve oito meses sem qualquer cargo, tendo passado esse período retirado nas sua casa nas Astúrias.[28] Após um longo período de inactividade Franco acaba por ser destacado para os governo militar da Corunha e mais tarde das Baleares.

A 10 de Agosto de 1932 da-se o pronunciamento fracassado do general Sanjurjo ('Sanjurjada'), o único pronunciamento militar ocorrido até o estalar da guerra civil. O General Sanjurjo é detido em Huelva, quando tentava fugir para Portugal. Julgado e condenado à morte, o Presidente da República comuta-a em cadeia perpétua. Franco evitou qualquer envolvimento na Sanjurjada o que lhe valeu o reforço do reconhecimento como militar apolítico.[29]

Em 1933, perante uma forte contestação contra a governação da esquerda o presidente Alcalá Zamora nomeia Alejandro Lerroux com a missão de prepara um governo de base social mais alargada e mais moderado. Lerroux chama imediatamente Franco e convida-o para o cargo de Ministro de Guerra. Franco tinha credenciais militares impares e tinha sempre mantido uma postura profissional e apolítica, contudo Franco declinou o convite.[30]

Da Revolta das Astúrias a Chefe do Estado MaiorEditar

Em Novembro de 1933 uma coligação liderada pela Confederação Espanhola de Direitas Autônomas ganha as eleições sem contudo alcançar maioria parlamentar necessária para poder formar governo. A esquerda republicana pediu ao presidente Alcalá Zamora que anulasse as eleições, não por considerar que tivessem sido fraudulentas mas sim com o argumento que a República era um projecto da esquerda e como tal não podia ser governada pela direita.[31]

Em Outubro de 1934 a esquerdas liderada pelo PSOE e pela UGT, desencadeiam uma greve geral e uma insurreição a nível nacional. O motivo é a não aceitação da entrada para o governo de três ministros do La CEDA, o partido mais votada nas eleições. Os revolucionários tiveram maior exito nas Asturias onde pilharam e saquearam Oviedo, roubaram bancos e assassinaram entre 50 e 100 civis inocentes.[32] Entre as vítimas encontram-se 34 padres, homens de negócios, agentes policiais e seis estudantes seminaristas, com idades compreendidas entre os 18 e os 21 anos, que mais tarde, em 2019, viriam a ser beatificados na Catedral de Oviedo.[33] O Ministro Diego Hidalgo apressou-se a tentar sufocar a revolta e para tal nomeou Franco como seu assessor pessoal. Franco recomendou a mobilização das tropas de Marrocos. O ministro Hidalgo queria enviar Franco para o teatro de operações nas Asturias mas o Presidente Alcalá Zamora insistiu para que as operações fossem lideradas por um militar completamente identificado com os princípios liberais e a escolha acabou por cair sobre o General Lopez de Ochoa um liberal maçom.[32] Sob as orientações de Franco desde Madrid, a revolta foi esmagada tendo a esquerda feito uma campanha na imprensa internacional, com o apoio de Willi Münzenberg, o primeiro chefe da Internacional Comunista, denunciando atrocidades e maus tratos. Contudo a repressão, para os padrões europeus da época, foi relativamente suave.[34] Os líderes da revolta foram tratados com benevoléncia, os Socialistas não foram proscritos, e a maioria dos deputados de esquerda pôde voltar a ocupar os seus assentos no Parlamento.[34] Franco foi condecorado com a Gran Cruz do Mérito Militar e foi nomeado Comandante Chefe das Tropas de Marrocos.[34]

Quando José María Gil-Robles ocupou o Ministério da Guerra, foi nomeado Chefe do Estado-Maior Central (1935).

 
Francisco Franco junto ao presidente Dwight Eisenhower dos Estados Unidos.

A Guerra de 1936 a 1939Editar

Em 1936 a esquerda republicana forma a Frente Popular e autoproclama-se vencedora de um processo eleitoral fraudulento e pleno de irregularidades.[35] Em 18 de Julho de 1936 da-se um golpe militar liderado pelo General Emílio Mola, que falha, dando-se início a uma sangrenta guerra civil. Franco que estava colocado nas Canárias toma o partido dos sublevados e viaja para Marrocos para liderar as tropas de Marrocos. Cruzou o Estreito de Gibraltar com meios precários (aviões cedidos por Mussolini e Hitler e navios de pouca tonelagem)[36] e avançou até Madrid por Mérida, Badajoz e Talavera de la Reina. Apoderou-se rapidamente da direcção militar e política da guerra (Setembro de 1936), e em 1 de Outubro de 1936 converteu-se em Chefe do Estado, chefiando igualmente o Governo. Em Abril de 1937 uniu os falangistas da Falange Espanhola das Juntas de Ofensiva Nacional-Sindicalista, FE de las JONS, e colocou-se à frente da nova organização como seu Chefe Nacional Caudilho. Anos mais tarde, disse que apenas prestaria contas da sua atividade "perante Deus e perante a História".

Pós guerraEditar

Terminada a guerra civil espanhola empreende a reconstrução do país.[37] Recebeu o Grande-Colar da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito a 30 de Junho de 1939.[38] Não só não quer contar com os vencidos para esta tarefa, mas também a repressão e os fuzilamentos se prolongam durante, pelo menos, um lustro. Cria um estado católico, autoritário e corporativo que recebe o nome de franquismo.

  Aqueles que me pressionam para aliar-me à Alemanha estão errados, muito errados. Os ingleses não se renderão; lutarão sempre e, se forem expulsos da Grã-Bretanha, continuarão a lutar no Canadá. Farão com que os norte-americanos os sigam. A Alemanha ainda não ganhou a guerra.  

—Franco, após a Queda da França em 1940.[39]

Apesar das suas estreitas relações com a Alemanha e a Itália,mantém a neutralidade espanhola durante a Segunda Guerra Mundial.Terminada esta,os vencedores isolam o regime franquista.Contudo,este foi se consolidando na base da promulgação das novas Leis Fundamentais: criação das Cortes Espanholas(1942), o Foro dos Espanhóis (1945),Lei do Referendo Nacional(1945), Lei da Sucessão na Chefia do Estado(1947) etc.

Em 1953 são restabelecidas as relações diplomáticas com os Estados Unidos e, em 1955, o regime de Franco é reconhecido pela Organização das Nações Unidas.[36] Recebeu a Banda das Três Ordens a 14 de fevereiro de 1962. Em 1966 promulga uma nova lei fundamental às já existentes, a (Lei Orgânica do Estado) e três anos mais tarde apresenta às Cortes, como sucessor a título de Rei, o Príncipe Juan Carlos, neto de Afonso XIII. Em Junho de 1973 cede a presidência do Governo ao seu mais directo colaborador, Luis Carrero Blanco. A morte deste num atentado, poucos meses depois, é o princípio da decomposição do regime.

Sob sua liderança, a economia espanhola inicialmente sofreu. Ao fim da década de 1950, Franco substituiu os ministros ideológicos por tecnocratas apolíticos que implementaram diversas reformas. Assim, a economia do país prosperou pelos próximos anos no que ficou conhecido com o "Milagre Espanhol". Ao mesmo tempo, a repressão política se intensificou e opositores eram cassados sem misericórdia. Qualquer voz dissidente ou movimento antigovernista era reprimido com brutalidade. Isso gerou um fluxo emigratório, com milhares de pessoas deixando o país para outros cantos da Europa e para a América do Sul. A economia, contudo, continuou no caminho do crescimento especialmente devido ao capital estrangeiro. Empresas multinacionais abriram fábricas na Espanha, puxando o desemprego para baixo. Essas empresas viam benefícios em fazer negócios em solo espanhol devido a mão de obra barata, ausência de leis trabalhistas (como o direito a greve) e outras despesas (como seguro de saúde para trabalhadores). Quando Franco morreu, a Espanha era a economia que mais crescia na Europa Ocidental. Ao mesmo tempo, a disparidade entre ricos e pobres, apesar de ter encolhido bastante, continuava alta para os padrões europeus na década de 1970.[40]

 
Franco e sua esposa, Carmen Polo.

Apesar do autoritarismo do seu regime, apoio no Mundo Ocidental para a Espanha cresceu após a segunda grande guerra, principalmente devido ao seu cunho anticomunista, que agradava os Estados Unidos e sua política de contenção. Ainda no âmbito externo, tentou inicialmente preservar o império colonial espanhol. Contudo, após fracassos militares e diplomáticos, foi pressionado pela ONU e teve que abrir mão dos poucos territórios ultramarinos que o país ainda possuía (como Guiné Equatorial e Ifni).[40]

Internamente ainda teve que lidar com movimentos que buscavam autonomia para diversas regiões na Espanha além de mais tarde ser responsabilizado pela morte de 23 mil pessoas.[41] Opositores e separatistas foram reprimidos na Catalunha e no País Basco. Outras regiões, como a Galiza, também viram sua autonomia diminuir. Repressão cultural e linguística também ocorreu.

Franco morre após longa doença num hospital de Madrid, em 20 de novembro de 1975.[37][42] Foi sepultado no Vale dos Caídos. Em 24 de outubro de 2019, o corpo de Franco foi exumado e seus restos mortais foram transladados para o cemitério de Mingorrubio.

LegadoEditar

Ele governou a Espanha com punho de ferro por quase quarenta anos, se tornando um dos ditadores mais notórios da Europa ocidental.[carece de fontes?]

O legado de Franco, na Espanha e pelo mundo, permanece controverso. Seu regime foi caracterizado por violações constantes de direitos humanos e seu autoritarismo fascista era reconhecido e desdenhado.[43] Franco serviu de modelo para vários ditadores anticomunistas na América do Sul. Augusto Pinochet, por exemplo, era um grande admirador de Franco.[44] Para muitos espanhóis, ele era um déspota sanguinário, mas para outros ele salvou a Espanha do caos e a colocou no caminho da prosperidade.[45][46]

LiteraturaEditar

 
Um estátua de Franco removida em 2008 pelo Governo espanhol.

Com seu próprio nome, em 1922 editou o livro (despretensiosamente verídico) o «Diario de una bandera». Com o pseudónimo de Jaime de Andrade, escreveu a novela «Raza», que em 1942 inspirou o filme com o mesmo título. Também com pseudónimo, só que de Jakim Boor, publicou uma série de artigos antimaçónicos e anti-semíticos no boletim então já da Falange Espanhola Tradicionalista (Falange), o diário «¡Arriba!», publicados todos eles mais tarde no livro «Masonería».

Mais tarde, já no governo, em 1940 decretaria que todos os maçons de seu país estavam condenados a 10 anos de prisão.[47]

No livro Origem,[48] o escritor Dan Brown cita, em várias passagens, características do Governo Franquista na Espanha, citando, inclusive, o Valle de los Caídos, local onde está o corpo do Ditador Espanhol.

Cronologia sumáriaEditar

 
Antigo Túmulo de Francisco Franco no Vale dos Caídos.
caçaHitlerRevolução de 1934 (Espanha)Legião Estrangeira EspanholaCeutaPrimeira Guerra Mundial 

A barra verde simboliza o intervalo de tempo em que foi Chefe do Estado.

Ver tambémEditar

Referências

  1. Encyclopædia Britannica: Or, A Dictionary of Arts, Sciences, and Miscellaneous Literature, Enlarged and Improved (em inglês). [S.l.]: Archibald Constable. 1823. 484 páginas 
  2. Payne (2000), p. 67
  3. a b Payne & Palacios 2014, p. 39.
  4. Reuter, Tim (19 de maio de 2014). «Before China's Transformation, There Was The "Spanish Miracle"». Forbes. Consultado em 30 de dezembro de 2017 
  5. El Norte de Castilla «El Norte de Castilla: «Garzón recibe 130.000 nombres de desaparecidos». www.nortecastilla.es » Acessado em 6 de fevereiro de 2012
  6. Sinova, J. (2006) La censura de prensa durante el franquismo [The Media Censorship During Franco Regime]. Random House Mondadori. ISBN 84-8346-134-X.
  7. Lázaro, A. (2001). «James Joyce's Encounters with Spanish Censorship, 1939–1966». Joyce Studies Annual. 12: 38. doi:10.1353/joy.2001.0008 
  8. Rodrigo, J. (2005) Cautivos: Campos de concentración en la España franquista, 1936–1947, Editorial Crítica. ISBN 8484326322
  9. Gastón Aguas, J. M. & Mendiola Gonzalo, F. (eds.) Los trabajos forzados en la dictadura franquista: Bortxazko lanak diktadura frankistan. ISBN 978-84-611-8354-8
  10. Duva, J. (9 de novembro de 1998) "Octavio Alberola, jefe de los libertarios ajusticiados en 1963, regresa a España para defender su inocencia". Diario El País
  11. Hugh Thomas, La guerre d'Espagne, Robert Laffont, 2009, págs.209 y 711.
  12. Richards, Michael (1998) A Time of Silence: Civil War and the Culture of Repression in Franco's Spain, 1936–1945, Cambridge University Press. ISBN 0521594014. p. 11.
  13. Jackson, Gabriel (2005) La república española y la guerra civil RBA, Barcelona. ISBN 8474230063. p. 466.
  14. Payne & Palacios 2014, p. 14.
  15. Payne & Palacios 2014, p. 27.
  16. Payne & Palacios 2014, p. 24.
  17. Payne & Palacios 2014, p. 40.
  18. Payne & Palacios 2014, p. 41.
  19. Payne & Palacios 2014, p. 42.
  20. Payne & Palacios 2014, p. 43.
  21. Payne & Palacios 2014, p. 44.
  22. a b Payne & Palacios 2014, p. 53.
  23. Payne & Palacios 2014, p. 70.
  24. a b c Payne & Palacios 2014, p. 77.
  25. Payne & Palacios 2014, p. 90.
  26. Payne & Palacios 2014, p. 95.
  27. Payne & Palacios 2014, p. 98.
  28. Payne & Palacios 2014, p. 99.
  29. Payne & Palacios 2014, p. 103.
  30. Payne & Palacios 2014, p. 109.
  31. Payne & Palacios 2014, p. 110.
  32. a b Payne & Palacios 2014, p. 117.
  33. De La Cueva, Julio. "Religious Persecution, Anticlerical Tradition and Revolution: On Atrocities against the Clergy during the Spanish Civil War." Journal of Contemporary History 33, no. 3 (1998): 355-69. [1].
  34. a b c Payne & Palacios 2014, p. 120.
  35. Payne & Palacios 2014, p. 135.
  36. a b Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome InfoEscola
  37. a b Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome UOL - Educação
  38. «Cidadãos Estrangeiros Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Francisco Franco Bahamonde". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 27 de novembro de 2014 
  39. Garza, Hedda. Os Grandes Líderes: Franco. Pág. 75, Editora Nova Cultural, 1987, Adicionado em 5 de setembro de 2019.
  40. a b «"Francisco Franco - Military Leader, Dictator, General"». www.biography.com . Biography.com. Página acessada em 27 de janeiro de 2017.
  41. «El Gobierno responde que decir "el franquismo solo fusiló a 23.000, y no por capricho" no es delito». www.lainformacion.com 
  42. «Hoje na História: 1975 - Morre o ditador espanhol Francisco Franco». Opera Mundi. Consultado em 27 de abril de 2016 
  43. «Franco in Spain were also Fascist» 
  44. Cedéo Alvarado, Ernesto (4 de fevereiro de 2008). «Rey Juan Carlos abochornó a Pinochet». Panamá América. Consultado em 4 de abril de 2016 
  45. Luis Gomez and Mabel Galaz, «La cosecha del dictador». www.elpais.com , El País, 9 de setembro de 2007 (em castelhano)
  46. Churchill, Winston. "The gathering storm", Houghton Mifflin, 1948, p. 221
  47. «As Raízes do Anti-Maçonismo, por Marco Mendes, Construtores da Virtude n.º 5». www.construtoresdavirtude.com.br 
  48. Fernandes, José Carlos. «A "Origem" é a Volta a Espanha de Dan Brown». Observador. Consultado em 14 de outubro de 2018 

BibliografiaEditar

  • Fernandez, Luis Suarez. Franco, Editorial Ariel;
  • Montalbán, Manuel Vázquez. Autobiografia do General Franco, Editora Scritta.
  • Payne, Stanley G.; Palacios, Jesus (2014). Franco: Una Biografía Personal y Política  (em espanhol). Barcelona: Espasa Libros. ISBN 9788467009927 *

Ligações externasEditar