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Camocim

Cidade Cearense
Disambig grey.svg Nota: Para o município pernambucano, veja Camocim de São Félix.

Camocim é um município brasileiro no estado do Ceará. Localiza-se na região intermediária de Sobral, fazendo fronteira com os municípios de Barroquinha, Bela Cruz, Granja e Jijoca de Jericoacoara. Seu clima é tropical semi-úmido, constitui uma região fisiográfica de caatinga arbustiva.[5] Com uma área de 1 124,782 km², sua população foi estimada em 63 661[2] habitantes, conforme dados do IBGE de 2019.

Município de Camocim
Vista da praia de Camocim

Vista da praia de Camocim
Bandeira de Camocim
Brasão de Camocim
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 29 de setembro
Fundação 29 de setembro de 1879 (140 anos)
Emancipação 17 de agosto de 1889 (130 anos)
Gentílico camocinense
Padroeiro(a) Bom Jesus dos Navegantes
CEP 62400-000
Prefeito(a) Monica Gomes Aguiar (PDT)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de Camocim
Localização de Camocim no Ceará
Camocim está localizado em: Brasil
Camocim
Localização de Camocim no Brasil
02° 54' 07" S 40° 50' 27" O02° 54' 07" S 40° 50' 27" O
Unidade federativa Ceará
Municípios limítrofes Norte – Oceano Atlântico
Sul – Granja
Leste – Jijoca de Jericoacoara e Bela Cruz
Oeste – Barroquinha
Distância até a capital 357 km
Características geográficas
Área 1 124,782 km² [1]
Distritos Amarelas e Guriú
População 63 661 hab. (CE: 23°) –  estimativa IBGE/2019[2]
Densidade 53 48 hab,/km²
Altitude 8 m
Clima Tropical As
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,620 (CE: 72°) – médio PNUD/2010[3]
PIB R$ 456 092,000 mil (CE: 30°) – IBGE/2010[4]
PIB per capita R$ 7 366 06 IBGE/2015[4]
Página oficial
Prefeitura camocim.ce.gov.br
Câmara camaracamocim.ce.gov.br

A antiga vila de Camocim foi fundada em 29 de fevereiro de 1879, e a cidade em 17 de agosto de 1889, emancipada de Granja. Vivenciou forte expansão econômica e verticalização no século XIX até o início do século XX, e em 2015 seu PIB figurava em 544,5 mil reais, estando entre as doze cidades brasileiras com população inferior a 100 mil habitantes mais desenvolvidas,[6] enquanto o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), em 2016, era de 0,620, considerado médio.

Detendo uma população em grande parte católica e evangélica, abriga a Igreja Matriz de Bom Jesus dos Navegantes, além de seis instituições de ensino médio, 39 de ensino fundamental, hospital e aeroporto.[7] Com sessenta quilômetros de extensão de praias, tem grande potencial turístico. Todos os anos, a Praia de Maceió e a Ilha da Testa Branca — também conhecida como Ilha do Amor —, ambas promulgadas Áreas de Proteção Ambiental (APA), recebem diversos visitantes devido suas belezas encantadoras.

HistóriaEditar

Primeiros povos e período colonialEditar

 
Mapa do litoral cearense, em 1629.

Antes do século XVI, o território no qual Camocim localiza-se atualmente, como a grande maioria do litoral brasileiro, era ocupado por povos indígenas, tais como Tabajaras, Tremembés, Jenipaboaçus e Cambidas.[8] O topônimo camocim, cambucy, camucym ou camotim vem do tupi-guarani e, segundo Silveira Bueno e Gonçalves Dias, significa "buraco ou pote para enterrar defunto". Provavelmente o nome do município é uma alusão ao ritual funerário dos Índios Tremembés.[9]

Os franceses foram os primeiros a praticar escambo com os povos nativos da região, antes mesmo das primeiras expedições portuguesas, que só chegaram ao local na segunda metade do século.[8] Ao chegarem, os portugueses tiveram como objetivo o reconhecimento de todo local, desde Tutóia, no Maranhão, aos limites entre Ceará e Rio Grande do Norte. Este mapeamento serviria para organizar os confrontos com os franceses que ocupavam o território maranhense.[10]

Diversas cartas topográficas, datadas no século XVII, já descrevem o rio Coreaú, na época chamado de Rio da Cruz pelos exploradores e de Croahiú pelos nativos. Em 1535 fundou-se a Capitania do Ceará, como parte da colonização portuguesa. Com a exploração do restante do país, a região foi desocupada pelos portugueses e sofreu várias invasões de corsários.[11] Conforme Pero Coelho de Sousa, que passou no território em direção a Ibiapaba em 1604, houve diversos conflitos e também intercâmbio entre os povos nativos e os europeus, tais como os franceses, neerlandeses e também ingleses.[10]

Em 1613, a área foi conquistada pelos neerlandeses, que permaneceram no solo até 1649. Nessa época surgiu a ideia da estruturação de uma fortaleza que protegeria os assentamentos portugueses de ataques e também impossibilitaria o escambo com outros povos.[12] Em 1700, o Padre Ascenço Gago ordena o aldeamento de tribos em Ibiapaba e Tabainha. A agricultura e pecuária foram inseridas às atividades locais em 1792, com a chegada de moradores de Tutóia, no Maranhão. Um desses migrantes, Gabriel Rodrigues da Rocha, tornou-se responsável pelo porto.[12]

Período imperial e republicanoEditar

 
Oficina da estação ferroviária. A vila se desenvolve rapidamente após a construção da ferrovia.

Em 1877, a região chamava-se Barra do Camocim e pertencia ao município de Granja. Em junho do ano seguinte, o conselheiro João Lins Vieira ordenou a construção de uma ferrovia na região, esta percorreria até Sobral e pretendia radicalizar os impactos da seca. Pela lei provincial n.º 1849, de 29 de fevereiro de 1879, foi intitulada somente como Camocim e declarada vila.[13] Em 26 de março, José Júlio de Albuquerque Barros deu inicio oficial a construção da ferrovia, que teve seu primeiro trecho, de 24,5 quilômetros, concluído em 15 de janeiro de 1881.[13]

O projeto chegou a Sobral em 31 de dezembro de 1882, com 128,9 quilômetros, nesta época foram trazidas da Filadélfia, Pensilvânia, cinco locomotivas e 52 carros.[14] Como consequência da linha férrea, houve o aumento do tráfego de pessoas e rapidamente a vila tornou-se a principal exportadora do Ceará. No dia 17 de agosto de 1889, o mesmo ano da proclamação da república, em virtude de uma boa economia Camocim foi elevada a cidade pela lei provincial n.º 2162. Em 11 de fevereiro do ano posterior foi criado o distrito de Guriú, e em 7 de junho de 1893 o de Barroquinha.[14]

Em maio de 1910, a empresa The South American Railway Construction Limited tornou-se responsável pela ferrovia.[15] A criação do Bloco Operário e Camponês na década de 20 proporcionou a expansão do comunismo até a região. Fundado em 1928, Camocim foi o primeiro município do interior do Ceará a deter a presença do Partido Comunista do Brasil. O jornalista Francisco Theodoro Rodrigues, principal responsável pela fundação partidária, chegou a cidade em 25 de março e, devido a repressão policial, foi condenado a três meses de prisão em 9 de abril, sendo levado ao Rio de Janeiro, onde permaneceria até 1935.[16]

Segundo relatório do delegado Faustino do Nascimento enviado ao interventor Manuel Fernandes Távora, outras cinquenta pessoas haviam sido presas por seguirem a mesma ideologia.[17] Em 24 de junho de 1936, dois militantes comunistas foram fuzilados pela polícia, este acontecimento tornou-se conhecido como Massacre de Salgadinho. Nessa época, a sigla possuía mais de oitocentos filiados. Segundo Theodoro Rodrigues, Júlio Veras, comandante da Força Pública e filho do opositor Thomaz Zeferino Veras, lhe impediu de desembarcar no Porto do Mucuripe. O mesmo só voltou a Camocim em 1945.[18]

"Os burguezes tem lançado mão de todos os meios para que eu abandone Camocim. Tem feito um boycote terrível ao humilde jornal que dirijo. Este boycote começou desde o momento que reconheceram que o mesmo jornal não elogiava Moreirinha, Mattos Peixoto, Washington Luís, Getúlio Vargas, Juarez e outros políticos [sic]".[19]

Com a urbanização, diversos distritos se tornariam municípios: Chaval, pela lei estadual nº 1153, em 22 de novembro de 1951 e Barroquinha, pela lei estadual nº 6553, em 1 de julho de 1963. Por ser considerada ramal, a ferrovia foi fechada em 24 de agosto de 1977 sob protestos; Já haviam ocorrido tentativas em janeiro de 1950, mas o fechamento só ocorreu 27 anos após. A última locomotiva em funcionamento foi a de nº 611, tendo como maquinista Raimundo Nonato de Castro.[15]

GeografiaEditar

De acordo com a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística vigente desde 2017, o município pertence a região geográfica intermediária de Sobral e imediata de Camocim.[20][21] Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, o município fazia parte do litoral de Camocim e Acaraú,[22] que por sua vez estava incluída na mesorregião do Noroeste Cearense.[23]

O município tem como limites o Oceano Atlântico ao norte; Granja ao sul; Barroquinha a oeste; Jijoca de Jericoacoara e Bela Cruz a leste. Com 1158 km², Camocim é a trigésima sexta maior cidade do Ceará em área territorial.[24] A vegetação de Camocim tem características semelhantes às de outras cidades litorâneas. O clima é tropical semi-úmido, com temperatura anual média de 26° C. O território é coberto pela caatinga arbustiva no interior, e por tabuleiros costeiros, mangue e coqueirais no litoral. O território possui altitude média de oito metros.[25]

ClimaEditar

Camocim possui clima tropical semi-úmido (tipo As, segundo a classificação climática de Köppen-Geiger),[26] com temperatura média anual em torno dos 26° C. Sem ter exatamente definidas as estações do ano, há a estação das chuvas, de janeiro a junho, julho é a transição da estação chuvosa para a seca, e a estação seca, de agosto a dezembro. O índice pluviométrico anual é superior a 1350 milímetros (mm).[26] A menor temperatura registrada no município foi de 25° C, enquanto a maior atingiu 35° C.[24] Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), o maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 98 mm em 1 de maio de 2008.[27][28]

Dados climatológicos para Camocim
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 31,2 30,7 29,7 29,5 29,8 30,5 31,2 31,3 31,7 31,6 31,6 31,5 31
Temperatura média (°C) 26,7 26,7 26 25,8 26,1 26,5 26,3 26,6 26,5 26,6 26,7 26,7 26,5
Temperatura mínima média (°C) 22,7 22,5 22,2 22,2 22,2 21,7 21,7 22,2 22,7 22,3 22,5 22,9 22,3
Precipitação (mm) 91 177 293 291 156 41 18 0 0 1 5 20 985,5
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET)[29][30]

HidrografiaEditar

O território de Camocim ocupa 10% do litoral cearense, aliás a principal forma de turismo são as praias.[31] As mais visitadas são a Praia do Maceió, que destaca-se pela beleza rústica: Areia clara e mar agitado, com ondas propícias para o banho e para a prática de esportes aquáticos, como surfe e kitesurf;[32] Praia das Barreiras, que fica a 3 quilômetros do centro e possui falésias com areia alaranjada; E a Ilha da Testa Branca, também conhecida como Ilha do Amor, localizada na frente do município.[33]

Camocim também tem outras praias: A Praia do Guriú, com águas calmas e mornas; Praia da Tatajuba, que possui dunas com um coqueiral; Praia das Imburanas e das Caraúbas, ambas quase desertas e utilizadas para ecoturismo; Praia de Barrinha, que contém dunas, ondas calmas e a Praia do Xavier como continuação; Praia Barra dos Remédios, onde ocorre o encontro do rio Coreaú com o mar.[34]

DemografiaEditar

Crescimento populacional
Censo Pop.
19003 844
192017 271349,3%
194027 64160,0%
195033 62621,7%
196028 963-13,9%
197035 73623,4%
198046 00428,7%
199151 03510,9%
200055 4488,6%
201060 1638,5%
Censos demográficos do IBGE.[35]

O censo brasileiro de 2010 apontou Camocim como o município mais populoso da microrregião que pertencia, com 60 158 habitantes, e o vigésimo terceiro mais populoso do Ceará. Destes, 74,2% viviam na zona urbana e 25,8% na rural, além disso, 410 migraram da região norte do país, 390 da sudeste, 78 do centro-oeste e 14 de outros países. Em termos de densidade populacional, o IBGE apontou 53,48 habitantes por quilômetro quadrado. Estima-se um crescimento de 5,4% para 2018. O eleitorado é formado por 64% da população, 38 243 camocinense.[36]

Os cidadãos de Camocim eram 49,49% do sexo feminino e 50,51% do sexo masculino. Em relação a idade, haviam 944 pessoas com menos de um ano, 9 266 com um a nove anos, 13 404 de dez a dezenove, 11 031 de vinte a vinte e nove, 8 888 de trinta a trinta e nove, 6 694 de quarenta a quarenta e nove, 4 187 de cinquenta a cinquenta e nove, 3 104 de sessenta a sessenta e nove, 1 770 de setenta a setenta e nove, 694 de oitenta a oitenta e nove, 165 de noventa a noventa e nove e 11 com cem anos ou mais. Os idosos de 70 anos ou mais representavam 4,3%, enquanto os entre 10 a 19 anos somavam 22,3% e eram maioria.[36]

No mesmo ano, 71,7% da população se declarou parda, 22,3% branca, 4,9% negra, 1% amarela e o restante 0,1% indígena. Apenas 9,1% trabalhavam. Entre os pardos, 17 608 não obtinham rendimento, 15 556 recebiam até um salário mínimo e 2 704 mais de um; Haviam 5 162 brancos sem rendimento, 4 611 com até um salário mínimo e 1 422 com mais de um. Os maiores salários da cidade eram obtidos por pessoas de pele clara; Entre os declarados negros, eram 1 081 sem rendimento, 1 166 ganhavam até um salário e 170 mais de um; Entre as pessoas amarelas, eram 271 sem rendimento, 166 com até um salário mínimo e 54 com mais de um; Onze indígenas não ganhavam salário, 12 tinham até um salário e oito mais de um.[37]

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município foi de 0,620, considerado médio. A esperança de vida ao nascer era de 68,71 anos. Em 2010, 17,3% da população era analfabeta, 19 996 pessoas estavam frequentando a escola naquele ano. A taxa de escolarização era de 97,8, o 64.º melhor do estado. Em 2015, os alunos dos anos inicias do ensino fundamental obtiveram, em média, nota 5,8 e dos anos finais de 4,6 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). A taxa de mortalidade infantil média era de 10,34 para cada mil nascidos vivos.[37]

ReligiõesEditar




 

Religiões em Camocim

  Católicos (83.15%)
  Evangélicos (10.87%)
  Espíritas e outros (1.48%)
  Sem religião (4.50%)

O catolicismo apostólico romano é predominante em Camocim, 50 032 habitantes, que representam 83,15% do todo, se declaram católicos. É notável que este porcentual vem decrescendo, uma vez que os evangélicos já somam 6 477 pessoas, 10,87% do todo. A igreja matriz do município teve sua construção iniciada em 1880 e concluída em 1882, por José Privat. A mesma desabou em 11 de abril de 1909, sendo reconstruída na gestão do Padre José Augusto da Silva e concluída em 27 de julho de 1913, recebeu a benção do bispo sobralense Dom José Tupinambá da Frota, em dezembro de 1917.[38]

Existem outras diversas igrejas católicas, como a Igreja de São Pedro, inaugurada em 29 de junho de 1942 e abençoada pelo Padre Inácio Nogueira Magalhães, e a Igreja de São Francisco. Segundo o Correio da Semana, há registros de intolerância religiosa em 21 de setembro de 1934, mas atualmente o município abriga diversas igrejas, como Assembleia de Deus, Igreja Universal e Batista. No censo de 2010, 12 pessoas (0,02%) se declararam ortodoxas, 79 (0,13%) espíritas, 446 (0,7%) testemunhas de Jeová.[38]

Ainda em 2010, treze pessoas (0,02%) eram esotéricas; A Loja Maçônica de Camocim foi fundada por João Batista Gizzi, na década de 1920. Cento e oito habitantes (0,18%) seguiam os ensinamentos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que teve origem em 1830, nos Estados Unidos. Quarenta e quatro (0,07%) seguiam outras religiões cristãs. Além disso, 2 717 (4,5%) não tinham religião, 96 (0,16%) múltiplas religiões e 135 (0,2%) não souberam informar.[38]

EconomiaEditar

Em 2014, o município possuía o 32º maior Produto interno bruto (PIB) do estado. Em 2015, Camocim ficou em 57ª posição, com renda per capita de R$ 8716,75 e renda média mensal de 1.3 salários mínimos. No município prevalece o setor primário; Na agricultura destaca-se a extração de sal marinho, a pesca, além da colheita de caju, arroz sequeiro, mandioca e feijão; Na pecuária encontra-se a criação de bovinos, suínos e avícola. A comercialização de leite tornou-se abundante na década de 80, a mesma empregou diversos trabalhadores rurais até 1990, mas entrou em declínio com o surgimento da indústria Lassa, em Sobral.[39][40]

No município também há a presença do setor secundário e terciário. Duas das primeiras empresas que estiveram em Camocim foi a Saboaria Stella, pertencente ao italiano João Baptista Gizzi, e a Booth Line, uma empresa inglesa de rebocadores, que surgiu em 1935. Na atualidade a Democrata Nordeste Calçados é uma das principais empresas do município. Ela se originou em 1983, em Franca, São Paulo, e chegou em 1997 na cidade. Segundo dados de 2006, a Democrata emprega mais de 500 funcionários que produzem mais de sete mil pares de sapatos por mês.[41][42]

PolíticaEditar

 Ver artigo principal: Lista de prefeitos de Camocim

O Poder Legislativo é exercido pela câmara de vereadores, enquanto o Poder Executivo é exercido pela prefeitura, auxiliada pelas secretarias. Em junho de 2019 contava com onze secretarias. A câmara municipal localiza-se no Edifício José Hindemburg Sabino Aguiar — de estilo art déco, construído em 1930 e arquitetado por José Privat —, na Praça Severino Morel. Com o surgimento do Estado Novo em 1937, as câmaras municipais foram fechadas por Getúlio Vargas.[43]

Após a deposição de Vargas em 1945, começam as legislaturas, em geral de quatro anos. Na legislatura atual, de 2016 a 2020, quinze parlamentares compõe a câmara municipal, sendo treze homens e apenas duas mulheres: Maria Iracilda Rodrigues (22 de setembro de 1964), desde 2008,[44] e Lúcia Sousa Melo Freitas, desde 2012, ambas do Partido Democrático Trabalhista (PDT).[45] Foram mais de 130 candidatos, cem desses obtiveram menos de 1% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. O presidente é César Veras (4 de agosto de 1972), do PDT.[46]

Desde 1919 até a atualidade já passaram pela prefeitura 27 pessoas, cinco destas foram reeleitas: Francisco Othon Coelho (dezembro de 1945 e de 1948 a 1950), Setembrino Fontenele Veras (1951–1954 e 1967–1970), Sérgio Lima Aguiar (1997–2000 e 2001–2004) e Francisco Maciel de Oliveira (2005–2008 e 2009–2012). Na última eleição, Mônica Gomes Aguiar obteve 50,33% dos votos válidos e tornou-se a primeira mulher a ser reeleita em Camocim, de 2013 a 2016 e de 2017 até 2020. A segunda colocada, Euvaldete Ferro (PMDB), recebeu 46,72% dos votos. A primeira mulher eleita no município foi Ana Maria Beviláqua Moreira Veras, de 1983 a 1988.[47]

SubdivisõesEditar

Em 1933, conforme a planta elaborada pelo engenheiro José Rodrigues da Silva, Camocim possuía vinte e nove ruas e seis praças. Em 1 de agosto do mesmo ano, o decreto n.º 26 do interventor Gentil Barreira, estabeleceu trinta e uma ruas. No dia 31 de julho de 1968, continha cinco distritos, depois da lei estadual n.º 8339 anexar Barroquinha e Bitupitá ao município. Desde 1991 possui três distritos: Amarelas e Guriú, além da sede. Em julho de 2019, haviam mais de setenta ruas e quatro avenidas. Os bairros da zona urbana encontram-se na tabela abaixo.[48]

Bairros Bairros
Apossados Brasília
Boa Esperança Cafundó
Centro Cidade com Deus
Coqueiros Cruzeiro
Jardim das Oliveiras Nossa Senhora de Fátima
Olho D'água Olinda
Rodagem do Lago São Francisco
São Pedro Tapete Verde

Filhos notóriosEditar

MídiaEditar

  • Rádio Pinto Martins (FM)
  • Rádio Meio Norte (FM)
  • Rádio União (FM)
  • TV Camocim - afiliada à (RedeTV!)

Referências

  1. IBGE (1 de julho de 2015). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 2 (R.PR-2/16). Consultado em 4 de janeiro de 2016 
  2. a b «Estimativa populacional 2019 IBGE». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de agosto de 2019. Consultado em 30 de setembro de 2019 
  3. «Ranking IDH-M Ceará». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 9 de setembro de 2013 
  4. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2010-2013». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 30 de julho de 2016 
  5. «Fisiografia» (PDF). Ipece. 1 de fevereiro de 2006. Em cena em 09:17. Consultado em 12 de junho de 2019 
  6. AZEVEDO, Rita (23 de novembro de 2015). «As 50 cidades pequenas mais desenvolvidas do Brasil». Consultado em 12 de junho de 2019 
  7. «Camocim - Anuário do Ceará». Consultado em 12 de junho de 2019 
  8. a b Sebok, Lou (1974). Atlases published in the Netherlands in the rare atlas collection. Ottawa, Canadá: [s.n.] 132 páginas. Consultado em 3 de junho de 2018 
  9. Aragão, R. Batista (1994). Indios do Ceará & topônimos indígenas. Fortaleza: Barraca do Escritor Cearense. 159 páginas. Consultado em 3 de junho de 2018 
  10. a b Girão, Raimundo (1962). Pequena História do Ceará. Fortaleza: Editora Instituto do Ceará. p. 33-38. 338 páginas. Consultado em 4 de junho de 2018 
  11. «Camocim, Litoral do Ceará». Ceará Turismo. Consultado em 4 de junho de 2018 
  12. a b «Camocim». Natur Turismo. Consultado em 4 de junho de 2018 
  13. a b «Camocim -- Estações Ferroviárias do Estado do Ceará». Consultado em 5 de junho de 2018 
  14. a b «Camocim - A-Brasil.com - Central de Reservas de Hotéis e Apartamentos». Consultado em 3 de junho de 2018 
  15. a b «Estrada de Ferro de Sobral foi marco no desenvolvimento». Diário do Nordeste. 24 de março de 2018. Consultado em 6 de junho de 2018 
  16. Santos 2011, p. 25: "1927 já é registrado em Fortaleza, e no início de 1928, finca suas bases em Camocim".
  17. Santos 2011, p. 10: "as décadas de 20 a 50, nosso recorte temporal, tempo este, também, que coincide com a maior atuação da militância comunista".
  18. Santos 2011, p. 80: "1936 foi marcado pela reação policial face às tentativas frustradas dos 'levantes comunistas', de 1935 no Recife e no Rio de Janeiro".
  19. Ribeiro, Francisco Moreira. O PCB no Ceará: ascensão e declínio - 1922-1947. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará (UFC). p. 7. 170 páginas. Consultado em 18 de julho de 2019 
  20. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2017). «Divisão Regional do Brasil». Consultado em 9 de fevereiro de 2018. Cópia arquivada em 9 de fevereiro de 2018 
  21. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2017). «Base de dados por municípios das Regiões Geográficas Imediatas e Intermediárias do Brasil». Consultado em 9 de fevereiro de 2018 
  22. «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  23. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1990). «Divisão regional do Brasil em mesorregiões e microrregiões geográficas» (PDF). Biblioteca IBGE. 1: 39–41. Consultado em 10 de fevereiro de 2018. Cópia arquivada (PDF) em 10 de fevereiro de 2018 
  24. a b «Clima característico em Camocim, Brasil durante o ano». WeatherSpark. Consultado em 6 de junho de 2018 
  25. «Clima: Camocim: Climograma, Temperatura e Tabela climática». Consultado em 6 de junho de 2018 
  26. a b «Camocim, Brazil Köppen Classification» (em inglês). Weatherbase. Consultado em 6 de junho de 2018 
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  28. «Camocim registra maior precipitação em 24h». Diário do Nordeste. 18 de fevereiro de 2018. Consultado em 9 de junho de 2018 
  29. «NORMAIS CLIMATOLÓGICAS DO BRASIL». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 10 de junho de 2018 
  30. «Camocim, Ceara, Brazil Weather Averages». Consultado em 10 de junho de 2018 
  31. «Camocim». RDC. Consultado em 9 de junho de 2018 
  32. «Praia do Maceió». Praia do Maceió - Camocim. 20 de novembro de 2013. Consultado em 5 de junho de 2016 
  33. «Praias de Camocim: Onde A Natureza Mostra Seus Encantos». Ceará Praias. 28 de abril de 2016. Consultado em 9 de junho de 2018 
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BibliografiaEditar

Ligações externasEditar