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Arquitetura gótica

estilo arquitetônico
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Arquitetura gótica é um estilo arquitetónico que segundo pesquisas, é evolução da arquitetura românica e que precede a arquitetura renascentista. Foi desenvolvida no norte da França durante a Alta Idade Média (800–1300) entre os anos 1050 e 1100, originalmente chamando-se "Obra Francesa" (Opus Francigenum), embora a Catedral de Dublim na Irlanda fundada no ano 1030 já possa ser classificado como pre-gótico. O termo "gótico" só apareceu na época do Iluminismo nos séculos XVII e XVIII como um insulto estilístico, já que para os iluministas a arte gótica era bárbara, sendo tipicamente Medieval. A palavra gótico é em referência aos godos, povo bárbaro-germano.[1]

Suas características mais proeminentes incluíam o uso da abóbada em cruzaria e do arcobotante, que permitia que o peso do teto fosse contrabalançado por contrafortes do lado de fora do edifício, dando maior altura e mais espaço para janelas.[2] Outra característica importante foi o uso extensivo de vitrais, e a rosácea, para trazer luz e cor para o interior. Outra característica era o uso de estatuária realista no exterior, particularmente sobre os portais, para ilustrar histórias bíblicas para os paroquianos em grande parte analfabetos. Todas essas tecnologias existiam na arquitetura românica, mas eles foram usados ​​de formas mais inovadoras e mais extensivamente na arquitetura gótica para tornar os edifícios mais altos, mais leves e mais fortes.

O primeiro exemplo notável geralmente considerado é a Abadia de Saint-Denis, perto de Paris, cujo coro e fachada foram reconstruídos com traços góticos. O coro foi concluído em 1144. O estilo também apareceu em algumas arquiteturas cívicas do norte da Europa, notadamente em prefeituras e edifícios universitários. Um revivalismo gótico começou em meados do século XVIII na Inglaterra, espalhou-se pela Europa do século XIX e continuou, em grande parte por estruturas eclesiásticas e universitárias, até o século XX.

O estilo gótico ficou marcado em muitas catedrais europeias, entre elas a de Notre-Dame, Chartres, Colônia, Amiens e Santa Maria del Fiore, a maioria classificada como Patrimônio Mundial da UNESCO, todas construídas entre os séculos XII e XIV. Muitas catedrais góticas caracterizam-se pelo verticalismo e majestade denominando-se, durante a Idade Média, como supremacia e influência para a população. O surgimento do estilo gótico está ligado com a substituição do trabalho servil para o trabalho livre nesse setor da sociedade medieval, que deve ter estimulado a criatividade dos construtores da época.

Índice

NomeEditar

A arquitetura gótica era conhecida durante o período como opus francigenum ("obra franco-francesa");[3] o termo "arquitetura gótica" originou-se no século XVI e era originalmente muito negativo, sugerindo algo bárbaro. Giorgio Vasari usou o termo "estilo bárbaro alemão" em sua obra de 1550 Vidas dos Artistas para descrever o que era agora considerado o Estilo Gótico.[4] Na introdução do livro, ele atribuiu várias características arquitetônicas aos "Godos" que foram responsáveis pela destruição de edifícios antigos depois que conquistaram Roma, e erigindo novos neste estilo.

HistóriaEditar

Por volta do século X o continente europeu estava em crise e o poder real estava enfraquecido, consequentemente sucedido pelo feudalismo. A França estava ameaçada de invasão e o povo buscou refúgio nas poucas e precárias fortalezas que no país se encontravam.

Durante este período foram criadas esculturas, pinturas e outros meios artísticos, exibindo o pânico pressentido pela população. Séculos depois, como a profecia católica não se realizou, ocorreram uma série de fatos históricos, tais como a construção das primeiras universidades (na década de 1080), as Cruzadas e o enfraquecimento do feudalismo. Neste período surge um novo estilo artístico, arquitetônico e cultural, baseado nos estilos romanos, mas que se mistura com as novas tendências e necessidades: o Opus Francigenum ("Estilo francês").[5][6]

Origens - Gótico Primitivo (1130-1200)Editar

O estilo gótico originou-se na região de Ile-de-France (Ilha de França, em francês), no norte da França, na primeira metade do século XII. Uma nova dinastia de reis franceses, os Capetianos, subjugaram os senhores feudais e se tornaram os governantes mais poderosos da França, com sua capital em Paris. Eles se aliaram aos bispos das principais cidades do norte da França e reduziram o poder dos abades e mosteiros feudais. Sua ascensão coincidiu com um enorme crescimento da população e da prosperidade das cidades do norte da França. Os Reis Capetianos e seus bispos queriam construir novas catedrais como monumentos de poder, riqueza e fé religiosa.[7]

A igreja que serviu de modelo principal para o estilo foi a Abadia de Saint-Denis, que foi reconstruída pelo abade Suger, primeiro no coro e depois na fachada (1140-44); Suger era um aliado próximo e biógrafo do Rei Francês Luís VII, que foi um fervoroso Católico e construtor, e o fundador da Universidade de Paris. Suger remodelou o deambulatório da Abadia, retirou os recintos que separavam as capelas e substituiu a estrutura existente por imponentes pilares e abóbadas em cruzaria. Isto criou baías mais altas e mais largas, nas quais ele instalou janelas maiores, que enchiam o fim da igreja com luz. Logo depois, ele reconstruiu a fachada, acrescentando três portais profundos, cada um com um tímpano, um arco cheio de esculturas ilustrando histórias bíblicas. A nova fachada era ladeada por duas torres. Ele também instalou uma pequena rosácea circular sobre o portal central. Este projeto tornou-se o protótipo de uma série de novas catedrais francesas.[8]

A Catedral de Sens (iniciada entre 1135 e 1140) foi a primeira catedral a ser construída no novo estilo (Saint-Denis era uma abadia, não uma catedral). Outras versões do novo estilo logo apareceram na Catedral de Noyon (iniciada em 1150), na Catedral de Laon (iniciada em 1165) e na mais famosa de todas, a Catedral de Notre-Dame de Paris, onde a construção havia começado em 1160.[9]

O estilo gótico também foi adaptado por algumas ordens monásticas francesas, notavelmente a Ordem Cisterciense de São Bernardo de Claraval. Foi usada em uma forma austera sem ornamento na nova Abadia Cisterciense de Fontenay (1139-1147) e na igreja da Abadia de Claraval, cujo local agora é ocupado por uma prisão francesa.[10]

O novo estilo também foi copiado fora do Reino da França no Ducado da Normandia. Os primeiros exemplos do gótico normando incluíam a Catedral de Coutances (1210-1274), a Catedral de Bayeux (reconstruída a partir do estilo românico no século XII), a Catedral de Le Mans (reconstruída a partir do românico do século XII) e a Catedral de Rouen. Através do domínio da dinastia Angevina, o novo estilo foi introduzido na Inglaterra e se espalhou para os Países Baixos, à Alemanha, à Espanha, ao norte da Itália e à Sicília.[2][11] O estilo Gótico não substituiu imediatamente o românico em toda a Europa.[7] O românico tardio continuou a florescer no Sacro Império Romano sob o comando dos von Hohenstaufen e a Renânia.

Gótico Clássico (1190-1240)Editar

Do final do século XII até meados do século XIII, o estilo Gótico se espalhou da Île-de-France para aparecer em outras cidades do norte da França. Novas estruturas no estilo incluíram a Catedral de Chartres (iniciada em 1200),a Catedral de Bourges (1195 a 1230), a Catedral de Reims (1211-1275) e a Catedral de Amiens (iniciada em 1250).[12] Em Chartres, o uso dos arcobotantes permitiu a eliminação do nível da tribuna, o que permitiu arcadas e naves muito mais altas, e janelas maiores. O tipo inicial de abóbada em cruzaria usado em Saint-Denis e Notre-Dame, com seis partes, foi modificado para quatro partes, tornando-se mais simples e mais forte. Amiens e Chartres estavam entre os primeiros a usar o arcobotante; os contrafortes foram reforçados por um arco adicional e com uma arcada de apoio, permitindo ainda maior altura e paredes e mais janelas. Em Reims, os contrafortes receberam maior peso e força pela adição de pesadas pinças de pedra no topo. Estes eram frequentemente decorados com estátuas de anjos, e tornaram-se um elemento decorativo importante do Alto Gótico. Outro elemento prático e decorativo, a gárgula, apareceu; era uma bica ornamental que canalizava a água do telhado para longe do edifício. Em Amiens, as janelas da nave foram ampliadas, e uma fileira adicional de janelas de vidro transparente (a claire-voie) inundou o interior com luz. As novas tecnologias estruturais permitiram a ampliação dos transeptos e dos coros no extremo leste das catedrais, criando o espaço para um anel de capelas bem iluminadas.[12]

Gótico Rayonnant (1240-1370)Editar

O próximo período foi denominado Rayonnant ("Radiante"), descrevendo a tendência para o uso de mais e mais vitrais e menos alvenaria no desenho da estrutura, até que as paredes parecessem inteiramente feitas de vidro. O exemplo mais célebre foi a capela de Sainte-Chapelle, a capela anexada à residência real no Palais de la Cité. Um elaborado sistema de colunas exteriores e arcos reduziu as paredes da capela superior a uma estrutura fina para as enormes janelas. O peso de cada uma das empenas de alvenaria acima da arquivolta das janelas também ajudava as paredes a resistir ao impulso e a distribuir o peso.[13]

Outro marco do Gótico Rayonnant são as duas rosáceas no norte e no sul do transepto da Catedral de Notre Dame. Enquanto as rosáceas anteriores, como as da Catedral de Amiens, eram emolduradas por pedra e ocupavam apenas uma parte da parede, essas duas janelas, com um delicado quadro de renda, ocupavam todo o espaço entre os pilares.[13]

Gótico Flamboyant (1350-1450)Editar

O estilo Gótico Flamboyant (também chamado de "Flamejante") apareceu na segunda metade do século XIV. Seus traços característicos incluíam uma decoração mais exuberante, já que os nobres e os cidadãos ricos de cidades predominantemente do norte da França competiam para construir igrejas e catedrais cada vez mais elaboradas. Ele tomou o nome dos desenhos sinuosos e flamejantes que ornamentavam as janelas. Outras novidades incluem o arc en accolade (arco de cinta), uma janela decorada com um arco, pináculos de pedra e escultura floral. Ele também contou com um aumento no número de nervuras, ou abóbadas em cruzaria, que suportou e decorou cada abóbada do teto, tanto para maior apoio e efeito decorativo. Exemplos notáveis ​​de Gótico Flamboyant incluem as fachada ocidentais da Catedral de Rouen e de Sainte-Chapelle de Vincennes, em Paris, ambas construídas na década de 1370; e o Coro da Abadia do Mont Saint Michel (cerca de 1448).[14]

Elementos do Estilo GóticoEditar

Até a atualidade, a arquitetura gótica ficou conhecida por ser encontrada com mais frequência nas grandes catedrais e em outros estabelecimentos eclesiásticos construídos ainda no início do período medieval, período em que exerciam grande influência em toda Europa. Durante o período gótico — séculos XII a XV — o poder religioso buscava converter sua importância para as estruturas de igrejas, catedrais e abadias através da grandiosidade dimensional presente na arquitetura gótica.[15][16][17][18]

Como a arquitetura gótica foi uma evolução da arquitetura românica, foram desenvolvidos elementos que ajudaram nas construções góticas, como o arco de ogiva (ou quebrado) e a abóbada de cruzaria, que tornaram-se as principais características do estilo arquitetônico. Geralmente, a fachada das estruturas góticas busca seguir a verticalidade e a leveza e no interior, busca um ambiente iluminado.[19][20]

PlantaEditar

A planta da catedral gótica baseava-se no modelo da antiga basílica romana, que era um mercado público combinado e um tribunal; que também foi a base da planta da catedral românica. A catedral tem a forma de uma cruz latina. A entrada é tradicionalmente no extremo oeste, tem três portais decorados com escultura, geralmente com uma rosácea, e é ladeado por duas torres. A nave longa, onde a congregação adorava, ocupa o extremo oeste. Este é geralmente dividido a partir da nave por fileiras de pilares, que suportam o telhado, ladeado por um ou dois corredores, chamados collaérals (colaterais). Normalmente há pequenas capelas nos dois lados, colocadas entre os contrafortes, que fornecem apoio adicional às paredes.

A catedral geralmente tem um transepto, um cruzamento, aproximadamente no meio, que às vezes se projeta para fora a alguma distância, e em outros casos, como Notre-Dame, é mínimo. O croisée ou cruzamento do transepto, é o centro da igreja, e é cercado por pilares particularmente maciços, que às vezes apoiam uma torre de lanterna, que traz a luz no centro da catedral. As fachadas norte e sul do transepto apresentam frequentemente rosáceas, como na Notre-Dame de Paris.

A leste do transepto está o coro (onde está localizado o altar) onde acontecem as cerimônias e onde somente o clero era permitido. Esse espaço cresceu muito no século 12, quando as cerimônias se tornaram mais elaboradas. Atrás do coro está uma única ou dupla passagem chamada de deambulatório. No extremo leste da igreja está a abside, geralmente na forma de um semicírculo e a cabeceira. Geralmente há uma capela ali dedicada à Virgem Maria, que pode ser muito grande. Ao redor da cabeceira geralmente há várias outras capelas menores.[21]

As primeiras catedrais góticas tinham quatro níveis, do chão ao teto. No térreo havia duas fileiras de grandes arcadas com grandes pilares, que recebiam o peso das abóbadas do teto. Acima deles estavam os tribunos, uma seção de aberturas em arco, dando mais apoio. Acima deles estava o triforium (trifório), uma seção de pequenos arcos. No nível superior, um pouco abaixo das abóbadas, estavam as janelas superiores, a principal fonte de luz para as Catedrais. As paredes inferiores foram apoiadas por maciços contreforts (ou contrafortes) colocados diretamente contra eles, com cumes na parte superior, o que proporciona peso adicional.

Mais tarde, com o desenvolvimento do arcobotante, os suportes afastaram-se das paredes e as paredes foram construídas muito mais altas. Aos poucos, as tribunas e o trifório desapareceram, e as paredes acima das arcadas foram ocupadas quase inteiramente por vitrais.[22]

O braço oriental mostra uma diversidade considerável. Na Inglaterra, geralmente é longo e pode ter duas seções distintas, tanto o coro quanto o presbitério. Muitas vezes é quadrado ou tem uma proeminente Lady Chapel, uma capela dedicada à Virgem Maria. Na França, o extremo leste é muitas vezes poligonal e cercado por uma passarela chamada deambulatório e, às vezes, um anel de capelas chamado de "chevet". Embora as igrejas alemãs sejam frequentemente semelhantes às da França, na Itália, a projeção oriental além do transepto é geralmente apenas uma capela absidal com o santuário, como na Catedral de Florença.[23][24]

Outra característica do estilo gótico, doméstico e eclesiástico, é a divisão do espaço interior em células individuais de acordo com as nervuras e abóbadas do edifício, independentemente de a estrutura ter ou não um teto abobadado. Esse sistema de células de tamanho e forma variados, justapostos em vários padrões, foi novamente totalmente único na antiguidade e no início da Idade Média e os estudiosos, inclusive Frankl, enfatizaram a natureza matemática e geométrica desse design. Frankl, em particular, pensou neste layout como "criação por divisão" em vez de "criação por adição" do românico. Outros, nomeadamente Viollet-le-Duc, Wilhelm Pinder e August Schmarsow em vez disso, propuseram o termo "arquitetura articulada".[25] A teoria oposta, sugerida por Henri Focillon e Jean Bony, é de "unificação espacial", ou da criação de um interior que é feito para causar sobrecarga sensorial através da interação de muitos elementos e perspectivas.[26] Partições interiores e exteriores, muitas vezes extensivamente estudadas, foram encontrados, às vezes, com certas características, tais como vias de acesso à altura da janela, que fazem a ilusão de espessura. Além disso, os pilares que separam as ilhas acabaram deixando de fazer parte das paredes, se tornando objetos independentes que se sobressaem da própria parede do corredor.[27][28]

O arco ogival e a abóbada em cruzariaEditar

 Ver artigos principais: Arco ogival e Abóbada em cruzaria

Tanto o arco ogival (também chamado de arco cruzado ou arco quebrado) quanto a abóbada em cruzaria tinham sido usados ​​na arquitetura românica, mas os construtores góticos os refinaram e os usaram com efeito muito maior. Eles fizeram as estruturas mais leves e mais fortes, e assim permitiram as grandes alturas e extensões de vitrais encontrados em catedrais góticas.[2]

Na arquitetura românica, os arcos arredondados das abóbadas de barril que sustentavam o telhado pressionavam diretamente as paredes com peso esmagador. Isso exigia colunas maciças, paredes grossas e pequenas janelas, e limitava naturalmente a altura do prédio.[29] O arco ogival ou quebrado, introduzido durante o período românico, era mais forte, mais leve e levava o impulso para fora, em vez de diretamente para baixo.[2]

A abóbada de cruzaria aproveitou a força do arco ogival. A abóbada era sustentada por nervuras finas ou arcos de pedra, que se estendiam para baixo e para fora, para se agruparem em torno de pilares de sustentação ao longo do interior das paredes. As antigas abóbadas em cruzaria, usadas em Notre-Dame, Noyon e Laon, foram divididas pelas nervuras em seis compartimentos e só conseguiram atravessar um espaço limitado. Na construção posterior da catedral, o desenho foi melhorado, e as abóbadas de cruzaria tinham apenas quatro compartimentos e podiam cobrir uma extensão maior; uma única abóbada podia atravessar a nave, e menos pilares eram necessários. A abóbada de quatro partes foi usada em Amiens, Reims e as outras catedrais posteriores e, eventualmente, nas catedrais da Europa.[2]

No período posterior do estilo gótico, as abóbadas em cruzaria perderam sua simplicidade elegante, e foram carregadas com reforços adicionais, desenhos esculturais e, às vezes, pingentes e outros elementos puramente decorativos.[2][30]

ArcobotantesEditar

 Ver também: Arcobotante e Contraforte

Outra característica importante da arquitetura gótica foi o arcobotante, projetado para suportar as paredes por meio de arcos conectados a contra-suportes fora das paredes. Os arcobotantes existiam em formas simples desde os tempos romanos, mas os construtores góticos elevaram seu uso a uma arte refinada, equilibrando o impulso do teto interno contra o contra-impulso dos contrafortes. As primeiras catedrais góticas, incluindo Saint-Denis e Notre-Dame em seus estágios iniciais, não possuíam arcobotantes. Suas paredes eram apoiadas por pesados ​​pilares de pedra colocados diretamente contra as paredes. O telhado era sustentado pelas nervuras das abóbadas, que eram empacotadas com as colunas abaixo.

No final do século XII e início do século XIII, os contrafortes ficaram mais sofisticados. Novos arcos levavam o impulso do peso inteiramente para fora das paredes, onde era recebido pelo contra-impulso das colunas de pedra, com os pináculos colocados no topo para decoração e peso adicional. Graças a este sistema de contrafortes externos, as paredes poderiam ser mais altas e mais finas, e poderiam suportar grandes vitrais. Os próprios contrafortes passaram a fazer parte da decoração; os pináculos tornaram-se cada vez mais ornamentados, tornando-se cada vez mais elaborados, como na Catedral de Beauvais e na Catedral de Reims. Os arcos tinham um propósito prático adicional: eles continham canais de chumbo que transportavam a água da chuva para o telhado; isso era expulso pela boca das gárgulas de pedra colocadas em fileiras nos contrafortes.[31]

Nos últimos períodos góticos, os arcobotantes tornaram-se extremamente ornamentados, com uma grande quantidade de decoração não funcional na forma de pináculos, arcos curvos, contra-curvas, estátuas e pingentes ornamentais.

Altura e verticalidadeEditar

Uma característica importante da arquitetura da igreja gótica é sua altura, tanto absoluta quanto proporcional à sua largura, a verticalidade sugerindo uma aspiração ao céu. A altura crescente das catedrais no período gótico era acompanhada por uma proporção crescente do muro dedicado às janelas, até que, no final do gótico, os interiores se tornaram como gaiolas de vidro. Isto foi possível graças ao desenvolvimento do arcobotante, que transferiu o impulso do peso do telhado para os suportes fora das paredes. Como resultado, as paredes gradualmente se tornaram mais finas e mais altas, e a alvenaria foi substituída por vidro. A elevação de quatro partes das naves das primeiras catedrais, como Notre-Dame (arcada, tribuna, trifório e claire-voie) foi transformada como no coro da Catedral de Beauvais: as arcadas muito altas, um trifório fino e janelas altas até o teto.[32]

A Catedral de Beauvais chegou ao limite do que era possível com a tecnologia gótica. Uma parte do coro desmoronou em 1284, causando alarme em todas as cidades com catedrais muito altas. Painéis de especialistas foram criados em Siena e Chartres para estudar a estabilidade dessas estruturas.[33] Apenas o transepto e coro de Beauvais foram concluídos, e no século XXI as paredes do transepto foram reforçadas com vigas cruzadas. Nenhuma catedral construída desde então excedeu a altura do coro de Beauvais.[32]

Uma seção do corpo principal de uma igreja gótica geralmente mostra a nave como consideravelmente mais alta do que larga. Na Inglaterra, a proporção às vezes é maior que 2:1, enquanto a maior diferença proporcional alcançada é na Catedral de Colônia, com uma proporção de 3,6:1. A mais alta abóbada interna fica na Catedral de Beauvais a 48 metros (157 pés).[23]

Vitrais e IluminaçãoEditar

Uma das características mais proeminentes da arquitetura gótica era o uso de vitrais, que cresciam em altura e tamanho, enchendo as catedrais de luz e cor. Historiadores como Viollet-le-Duc, Focillon, Aubert e Max Dvořák afirmaram que esta é uma das características mais universais do estilo gótico.[34]

Ensinamentos religiosos na Idade Média, particularmente os escritos do religioso Pseudo-Dionísio, um místico do século VI cujo livro, A Hierarquia Celestial, era popular entre os monges na França, pois ensinava que toda a luz era divina. Quando o Abade Suger ordenou a reconstrução da Basílica de Saint-Denis, ele instruiu que as janelas do coro admitissem o máximo de luz possível.

Muitas igrejas românicas anteriores tinham vitrais, e muitas tinham janelas redondas, chamadas oculi, mas essas janelas eram necessariamente pequenas, devido à espessura das paredes. As decorações interiores primárias das catedrais românicas foram pintadas com murais. No período gótico, as melhorias nas arcadas e arcobotantes permitiram que as muralhas da Catedral fossem mais altas, mais finas e mais fortes, e as janelas eram consequentemente consideravelmente maiores. As janelas das igrejas no final do período gótico, como a Sainte Chapelle em Paris, enchiam a parede inteira entre as nervuras de pedra. Janelas enormes também eram um elemento importante da York Minster e da Catedral de Gloucester.[24]

A principal ameaça às janelas da catedral era o vento; as molduras precisavam ser extremamente fortes. As primeiras janelas estavam encaixadas em aberturas cortadas na pedra. Os pequenos pedaços de vidro colorido foram unidos com pedaços de chumbo, e suas superfícies foram pintadas com rostos e outros detalhes; então as janelas foram montadas nos caixilhos de pedra. Finas barras verticais e horizontais de ferro, chamadas de vergettes ou barlotierres, foram colocadas dentro da janela para reforçar o vidro. Para obter-se um vitral na época, era necessário que um artesão realizasse um processo de coloração da peça de vidro. Durante este processo, o vidro cru era misturado a outros componentes químicos que determinavam a respectiva tonalidade, durante a fase de derretimento. Este processo mantinha o vidro com um tom de cor sem que bloqueasse os raios solares. Após este procedimento o vidro era aquecido e moldado.[35]

As histórias contadas no vidro eram geralmente episódios da Bíblia, mas às vezes também ilustravam as profissões das guildas que financiavam as janelas, como os vendedores, os pedreiros ou os fabricantes de barris.[36]

Grande parte dos vitrais nas catedrais góticas de hoje datam de restaurações posteriores, mas algumas catedrais, como a Catedral de Chartres e a Catedral de Bourges, ainda têm muitas de suas janelas originais.[36]

Assim como os vitrais, as rosáceas visam estabelecer um ambiente iluminado no interior das estruturas góticas, porém possuem algumas características diferentes. Estão localizadas, geralmente, em um local alto nos estabelecimentos eclesiásticos, geralmente em regiões próximas ao portal da fachada principal a Oeste ou mesmo no transepto, em pelo menos um de seus extremos. As rosáceas fazem alusão à personagens cristãos como Jesus Cristo (que é representado pelo sol) e Maria (representada pela rosa).[37]

Portais e TímpanoEditar

As antigas catedrais góticas tradicionalmente têm sua entrada principal no extremo oeste da igreja, em frente ao coro. Baseado no modelo da Basílica de Saint-Denis e da Notre-Dame de Paris, há geralmente três portas com arcos pontiagudos, ricamente preenchidos com esculturas. O tímpano, ou arco, sobre cada porta é preenchido com estátuas realísticas que ilustram histórias bíblicas, e as colunas entre as portas são muitas vezes também cheias de estátuas. Seguindo o exemplo de Amiens, o tímpano sobre o portal central representava tradicionalmente o Juízo Final, o portal da direita mostrava a coroação da Virgem Maria e o portal da esquerda mostrava as vidas dos santos que eram importantes na diocese.[38]

A iconografia da decoração escultural na fachada não foi deixada para os artistas. Um decreto do Segundo Concílio de Niceia, em 787, estabeleceu as regras: "A composição das imagens religiosas não deve ser deixada à inspiração dos artistas; é derivada dos princípios estabelecidos pela Igreja Católica e pela tradição religiosa. Somente a arte pertence ao artista, a composição pertence aos Padres".[39]

Os portais e interiores eram muito mais coloridos do que são hoje. Cada escultura no tímpano e no interior era pintada pelo peintre imagier, ou pintor de imagens, seguindo um sistema de cores codificado no século XII: amarelo, chamado gold, simbolizava inteligência, grandeza e virtude; branco, chamado argent, simbolizava pureza, sabedoria e correção; preto, ou sable, significava tristeza, mas também vontade; verde, ou sinopole, representava esperança, liberdade e alegria; vermelho ou guelues significava caridade ou vitória; azul ou azure simbolizava o céu, fidelidade e perseverança; e violeta, ou pourpre era a cor da realeza e soberania.[40]

Torres e pináculosEditar

O projeto para a Basílica de Saint-Denis pedia duas torres de igual altura na fachada oeste, e esse plano geral foi copiado em Notre-Dame e na maioria das primeiras catedrais. As torres de Notre-Dame de Paris, de 69 metros de altura (226 pés), deveriam ser vistas em toda a cidade; elas eram as torres mais altas de Paris até a conclusão da Torre Eiffel em 1889. Uma competição informal mas vigorosa começou no norte da França para as torres mais altas de catedrais.[41]

Para tornar as igrejas mais altas e proeminentes, e visíveis à distância, os construtores "herdeiros" frequentemente acrescentavam uma flèche (uma "agulha" de estilo único, usualmente feito de madeira e coberto com chumbo), ao topo de cada torre, ou, como em Notre-Dame de Paris, no centro do transepto. Mais tarde, ainda no período gótico, torres mais massivas foram construídas sobre o transepto, rivalizando ou ultrapassando em altura as torres da fachada.

As torres eram geralmente a última parte da catedral a ser construída. Elas foram construídas, em muitas vezes, anos ou décadas após o resto do edifício. Às vezes, quando as torres eram construídas, os planos mudavam ou o dinheiro acabava. Como resultado, algumas catedrais góticas tinham apenas uma torre, ou duas torres de diferentes alturas ou estilos. Por outro lado, a Catedral de Laon, iniciada pouco antes de Notre-Dame, ostentava cinco torres; dois na fachada, dois no transepto e uma na lanterna central. Outros dois foram planejados, mas não construídos. A Abadia de Saint-Étienne, em Caen, originalmente construída em estilo românico, foi reconstruída com nove torres góticas no século XIII.

A competição informal pela igreja mais alta da Europa continuou por todo o período gótico, às vezes com resultados desastrosos. A Catedral de Beauvais tinha a torre mais alta (153 metros ou 512 pés), concluída em 1569, por um breve período, até que sua torre desabou num vendaval em 1573. A Catedral de Lincoln (159,7 metros ou 524 pés) também teve o recorde de 1311 até 1549 até que sua torre também desmoronou. Hoje, a torre de catedral mais alta da França é a da Catedral de Rouen, e a Catedral de Colônia (151 metros ou 495 pés) é a catedral mais alta da Europa.

A Antiga Catedral gótica de São Paulo (1087–1314) foi a catedral mais alta da Inglaterra até ser destruída pelo Grande Incêndio de Londres em 1666. Hoje, a torre gótica e pináculo mais altas combinadas do Reino Unido pertence à Catedral de Salisbury (123 metros ou 404 pés), construído entre 1220 e 1258.

Na Itália, a torre, se presente, é quase sempre separada do edifício, como na Catedral de Florença, e é frequentemente vindo de uma estrutura anterior. Na França e na Espanha, duas torres na frente são a norma. Na Inglaterra, na Alemanha e na Escandinávia, este é frequentemente o arranjo, mas uma catedral inglesa também pode ser encimada por uma enorme torre no cruzamento. Igrejas menores geralmente têm apenas uma torre, mas isso também pode ser o caso em edifícios maiores, como a Catedral de Salisbury ou a Catedral de Ulm em Ulm, Alemanha, concluída em 1890 e possuindo a torre mais alta do mundo,[42] ligeiramente superior à da Catedral de Lincoln, a mais alta torre que foi realmente concluída durante o período medieval, a 160 metros (520 pés).[43]

Escultura e decoraçãoEditar

 Ver também: Gárgula e Escultura gótica

Os exteriores e interiores das catedrais góticas, particularmente na França, eram profusamente ornamentados com escultura e decoração sobre temas religiosos, destinados à grande maioria dos paroquianos que não sabiam ler. Eles foram descritos como "Livros para os pobres". Para adicionar ao efeito, todas as esculturas nas fachadas foram originalmente pintadas e douradas.[44]

Cada característica da catedral tinha um significado simbólico. Os principais portais da Notre-Dame de Paris, por exemplo, representavam a entrada para o paraíso, com o juízo final representado no tímpano sobre as portas, mostrando Cristo rodeado pelos apóstolos, e pelos signos do zodíaco, representando os movimentos dos céus. As colunas abaixo do tímpano estão na forma de estátuas de santos, literalmente colocando-as como "os pilares da igreja".[45]

Cada santo tinha seu próprio símbolo: um leão alado representava São Marcos; uma águia de quatro asas significava São João, o Apóstolo; e um touro alado simbolizava São Lucas. Anjos esculpidos tinham funções específicas: às vezes como arautos, soprando trompete; segurando colunas, como anjos da guarda; segurando coroas de espinhos ou cruzes, como símbolos da crucificação de Cristo; ou oscilando um recipiente com incenso, para ilustrar sua função no trono de Deus. A decoração floral e vegetal também era muito comum, representando o Jardim do Éden; as uvas representavam os vinhos da Eucaristia.[45]

O tímpano sobre o portal central na fachada oeste da Notre-Dame de Paris ilustra vividamente o Juízo Final, com figuras de pecadores sendo levados para o inferno e bons cristãos levados para o céu. A escultura do portal da direita mostra a coroação da Virgem Maria, e o portal da esquerda mostra a vida dos santos que eram importantes para os parisienses, particularmente Santa Ana, a mãe da Virgem Maria.[46][47]

Os exteriores das catedrais e outras igrejas góticas também foram decoradas com esculturas de uma variedade de fabulosos e assustadores Grotescos ou monstros. Estes incluíam a quimera (uma criatura híbrida mítica que geralmente tinha o corpo de um leão e a cabeça de uma cabra), e a Estirge ou Estrige, uma criatura parecida com uma coruja ou um morcego, que se dizia que comia carne humana. A estirge apareceu na literatura romana clássica, sendo descrita pelo poeta romano Ovídio (que era amplamente lido na Idade Média) como um pássaro de cabeça grande com olhos paralelepípedos, bico voraz e asas brancas acinzentadas.[48] Eles faziam parte da mensagem visual para os adoradores analfabetos, símbolos do mal e do perigo que ameaçavam aqueles que não seguiam os ensinamentos da igreja.[49]

As gárgulas, que foram acrescentadas à Notre-Dame por volta de 1240, tinham um propósito mais prático. Eram as calhas da chuva da catedral, projetadas para dividir a torrente de água que escorria do telhado depois da chuva, projetando-a o mais longe possível dos contrafortes e das paredes e janelas, de modo a não desgastar a argamassa que liga a pedra. Para produzir muitos riachos finos em vez de uma torrente de água, um grande número de gárgulas foi usado, o que fez com que eles também fossem projetados para serem um elemento decorativo da arquitetura. A água da chuva corria do telhado para calhas de chumbo, depois para os canais nos contrafortes, depois para um canal cortado na parte de trás da gárgula e para fora da boca, longe da catedral.[44]

Uma opinião bastante controversa é de que as gárgulas serviam para proteger os templos e durante o período da noite criavam vida. Este obscuro boato colaborou para que as pessoas passassem a acreditar que as gárgulas serviam também para afastar os maus espíritos, imagem que se consagrou e é recitada pelos guias de turismo em toda a Europa.[50]

Muitas das estátuas, particularmente os grotescos, foram removidos da fachada nos séculos XVII e XVIII, ou foram destruídos durante a Revolução Francesa. Eles foram substituídos por figuras em estilo gótico, projetadas por Eugène Viollet-le-Duc, durante a restauração do século XIX. Figuras semelhantes aparecem nas outras catedrais góticas da França.

Outra característica comum das catedrais góticas na França eram os labirintos no chão da nave perto do coro, que simbolizava a difícil e muitas vezes complicada jornada de uma vida cristã antes de alcançar o paraíso. A maioria dos labirintos foram removidos no século XVIII, mas alguns, como o da Catedral de Amiens, foram reconstruídos, e o labirinto da Catedral de Chartres ainda existe essencialmente em sua forma original.[51]

Outros elementos arquitetônicosEditar

 Ver também a categoria: Elementos da arquitetura gótica

A arquitetura gótica possui outros elementos arquitetônicos, onde alguns possuem uma função em seu posicionamento mas outros servem como decoração. A Arcada, por exemplo, não possui uma função específica, servindo apenas como elemento arquitetônico decorativo. As arcadas, como o próprio nome revela, são arcos ogivais (na arquitetura gótica) posicionados em sequência, geralmente próximo aos claustros. Não possuem vitrais, rosáceas e nem qualquer outro tipo de elemento à base de vidro, o que possibilita a penetração dos raios solares como em qualquer outro local aberto.

O Florão está situado em uma extremidade exterior e elevada dos edifícios góticos e, como o próprio nome revela, o elemento representa uma flor e possui apenas utilidades decorativas. O Capitel é a extremidade superior de uma coluna, pilar ou pilastra e possui utilidades decorativas e técnicas, como o sustento e a transmissão de força para o fuste. O Tramo é formado por uma abóbada e seus elementos de descarga de peso; no sentido transversal é formado por dois arcos torais ou dobrados, longitudinalmente por dois arcos formeiros que separam a nave principal das laterais e por arcos cruzeiros que formam as arestas ou nervuras da abóbada. Já o Cogulho é representado por uma pedra que faz alusão à folhas estilizadas.[52]

Gótico FrancêsEditar

A partir do século XII, o estilo gótico espalhou-se do norte da França para outras regiões francesas e gradualmente para o resto da Europa. Era muitas vezes levado pelos artesãos altamente qualificados que haviam treinado na Ile-de-France e depois levado seus artesanatos para outras cidades. O estilo foi adaptado aos estilos e materiais locais.

Na Normandia, as novas naves eram geralmente muito longas, às vezes com mais de cem metros e, a partir da longa tradição românica, as paredes eram mais grossas que no norte da França e tinham arcadas menores. Os interiores eram mais estreitos do que no norte, e recebiam uma forte sensação de verticalidade por vãos longos e estreitos e arcos de lancetas. Rosáceas eram raras, substituídas no exterior por um grande compartimento em tiers point. As fachadas tinham menos decoração escultural; a decoração no interior era, em grande parte, de formas geométricas. O gótico normando também costumava apresentar uma profusão de torres, lanternas e pináculos (torres e pináculos às vezes tinham setenta metros de altura). A Catedral de Bayeux, a Catedral de Rouen e a Catedral de Coutances são exemplos notáveis ​​do gótico normando.[53]

Na Borgonha, que tinha uma longa tradição de Estilo Românico, um zimbório era frequentemente incluído, e as catedrais frequentemente tinham uma passagem estreita no comprimento da catedral ao nível dos vitrais. como na Catedral de Auxerre.

No sudoeste da França, as paredes eram mais grossas, com aberturas estreitas e dobradas com arcos. O arcobotante raramente era usado, substituído por pilares pesados ​​com capelas entre eles.[53]

No sul da França, as catedrais góticas eram frequentemente construídas com tijolos e azulejos em vez de pedra. Eles geralmente tinham paredes grossas e janelas estreitas, e eram apoiados por pilares pesados ​​em vez de arcobotantes. A forma da torre da Catedral de Toulouse foi copiada por várias catedrais no sul. Elas geralmente tinham uma nave única ou dois ou três de altura igual. Algumas catedrais góticas do Midi assumiram uma forma incomum: a Catedral de Albi (1282–1480) foi originalmente construída como fortaleza e depois convertida em catedral; uma de suas características mais distintas é o seu interior colorido e teto pintado.[53]

A fachada da Catedral de Toulouse é incomum: é a combinação de dois edifícios inacabados da catedral, iniciada no século XIII e no final colocadas juntas. A Catedral de Toulouse não possui arcobotantes; é apoiada por contrafortes maciços da altura do edifício, com capelas entre elas.

Gótico InglêsEditar

 Ver artigo principal: Arquitetura gótica na Inglaterra

O estilo gótico foi importado muito cedo para a Inglaterra, em parte devido à estreita ligação com o Ducado da Normandia, que até 1204 ainda era governado pelos reis da Inglaterra. O primeiro período é geralmente chamado de Gótico Inglês Inicial, e foi dominante de 1180 a 1275. A primeira parte da grande catedral inglesa, que caracterizou o novo estilo, foi o coro da Catedral de Canterbury, iniciado por volta de 1175. Foi criado por um mestre de obras francês, Guilherme de Sens. Ele adicionou vários toques originais, incluindo um pavimento de mármore colorido, colunas duplas nas arcadas e colonettes (tipo de coluna) esbeltas acopladas que alcançavam até as abóbadas, design emprestado da Catedral de Laon.[54] A Abadia de Westminster começou a ser reconstruída dentro desse período, entre 1245 e 1517. A Catedral de Salisbury (1220–1320) é também um bom exemplo do gótico inicial, com exceção de sua torre e pináculo, que foram adicionadas em 1320.[55]

O segundo período do gótico inglês é conhecido como Gótico Decorado. Costuma-se dividir em dois: o estilo "Geométrico" (1250-90) e o estilo "Curvilíneo" (1290-1350), este semelhante ao estilo Rayonnant francês, com ênfase nas formas curvilíneas, particularmente nas janelas. Nesse período, o entalhe em pedra atingiu seu auge, com janelas e capitéis elaboradamente esculpidos, muitas vezes com motivos florais, ou com um toque simbólico, um arco esculpido sobre uma janela decorada com pináculos e um florão, ou um elemento floral esculpido.[55]

As abóbadas em cruzaria do Gótico Decorado tornaram-se extremamente ornamentadas, com uma profusão de nervuras que eram puramente ornamentais. As abóbadas eram frequentemente decoradas com pingentes de pedras suspensas. As colunas também se tornaram mais ornamentais, como na Catedral de Peterborough, com as nervuras se espalhando para cima.[55]

O Gótico Perpendicular (c. 1380-1520) foi a fase final do gótico inglês, que durou até o século XVI. Como o nome sugere, sua ênfase estava em linhas horizontais e verticais claras, encontrando-se em ângulos retos. Colunas se estendiam para cima até o teto, dando ao interior a aparência de uma gaiola de vidro e pedra, como na nave da Catedral de Gloucester. O Arco Tudor apareceu, mais largo e mais baixo e muitas vezes enquadradas por molduras, que foi usada para criar janelas maiores e equilibrar os elementos verticais robustos. O desenho das abóbadas de arcos tornou-se ainda mais complexo, incluindo a abóbada em leque com pingentes usada ​​na capela de Henrique IV na Abadia de Westminster (1503–07).[55][23][56]

Uma característica distintiva das catedrais inglesas é sua extensão extrema e sua ênfase interna na horizontal, que pode ser enfatizada visualmente como muito ou mais do que as linhas verticais. Cada catedral inglesa (com exceção de Salisbury) tem um extraordinário grau de diversidade estilística, quando comparada com a maioria das catedrais francesas, alemãs e italianas. Não é incomum que todas as partes do edifício tenham sido construídas em um século diferente e em um estilo diferente, sem nenhuma tentativa de criar uma unidade estilística. Ao contrário das catedrais francesas, as catedrais inglesas se espalham pelos seus locais, com transeptos duplos se projetando robustamente e uma Capela de Virgem Maria sendo acrescentada em uma data posterior, como na Abadia de Westminster. Na frente oeste, as portas não são tão significativas quanto na França; a entrada congregacional usual é através de uma varanda lateral. A janela oeste é muito grande e nunca uma rosácea, a qual é reservada para os frontões do transepto. A frente oeste pode ter duas torres, como uma catedral francesa, ou nenhuma. Há quase sempre uma torre no cruzamento e pode ser muito grande e encimada por um pináculo. O distintivo extremo leste inglês é quadrado, mas pode assumir uma forma completamente diferente. Tanto interna como externamente, a pedra é muitas vezes ricamente decorada com esculturas, particularmente os capitéis.[23][56]

Gótico do Norte EuropeuEditar

Entre os séculos XIII e XVI, as catedrais góticas foram construídas na maioria das grandes cidades do norte da Europa. Na maior parte, eles seguiram o modelo francês, mas com certas variações, dependendo das tradições locais e dos materiais disponíveis. As primeiras igrejas góticas na Alemanha foram construídas por volta de 1230 e incluíam a Igreja de Nossa Senhora (cerca de 1233-1283) em Tréveris, declarada a mais antiga igreja gótica na Alemanha,[57] e a Catedral de Friburgo, que foi construída em três estágios, a primeiro começando em 1120, embora ainda existam as fundações da catedral original. É conhecida por sua torre de 116 metros, a única torre gótica da Alemanha que foi concluída na Idade Média (1330).

Praga, na região da Boêmia dentro do Sacro Império Romano, era outro centro florescente da arquitetura gótica. Carlos IV da Boêmia era rei da Boêmia e do Sacro Império Romano e tinha gostos monumentais. Ele começou a construção da Catedral de São Vito de Praga, em estilo gótico, em 1344, bem como um palácio gótico, o Castelo de Karlstein na Boêmia Central, e edifícios góticos para a nova Universidade de Praga. A nave da Catedral de Praga apresentava a abóbada de filete, um tipo decorativo de abóbada em que as nervuras cruzavam em um padrão de malha, semelhante às abóbadas da Catedral de Bristol.e outras igrejas inglesas. Seus outros projetos góticos incluíam a ricamente decorada Capela da Santa Cruz, dentro do Castelo de Karlstein (1357-1367), e o coro da Catedral de Aachen, iniciado em 1355, que foi construído no modelo de Sainte-Chapelle, em Paris.[58] A arquitetura gótica na Alemanha e os reinos do Sacro Império Romano geralmente seguiam a fórmula francesa, mas as torres eram muito mais altas e, se completadas, eram muitas vezes encimadas por enormes pináculos a céu aberto. O caráter distintivo do interior das catedrais góticas alemãs é sua amplitude e abertura. As catedrais alemãs e tchecas, como as francesas, tendem a não ter transeptos que projetam maciçamente. Existem também muitas igrejas-salão (Hallenkirchen) sem janelas de clerestório.[23][24] A Catedral de Colônia fica atrás da Catedral de Milão, a maior catedral gótica do mundo. A construção começou em 1248 e levou, com interrupções, até 1880 para completar - um período de mais de 600 anos. Tem 144,5 metros de comprimento, 86,5 m de largura e duas torres de 157 m de altura.[59]

O Gótico de tijolos (em alemão: Backsteingotik; em polonês: Gotyk ceglany) é um estilo específico comum no norte da Europa, especialmente no norte da Alemanha, na Polônia e nas regiões ao redor do Mar Báltico, sem recursos de rochas naturais. Os principais exemplos de gótico de tijolos incluem a Igreja de Santa Maria, em Danzigue (1379–1502),[60] a Basílica de Santa Maria, em Cracóvia (1290–1365) e o Castelo de Malbork (século XIII).

A Catedral de Santo Estêvão, em Viena (1339 a 1365), tem a característica distintiva de um telhado policromado. Outra variação regional é o estilo Gótico Brabantino, encontrado na Bélgica e na Holanda. É caracterizado pelo uso de arenito ou calcário de cor clara (o que permitia ricos detalhes) mas era propenso à erosão. As características incluíam colunas com folhagem de repolho esculpida, janelas arqueadas cujos pontos chegavam até às abóbadas e, às vezes, um teto de madeira. Exemplos incluem a Igreja de São Bavão, em Haarlem, Holanda, originalmente construída como uma catedral católica (agora é uma igreja protestante) e a Igreja de Nossa Senhora Abençoada do Sablon, em Bruxelas (século XV).

Gótico do Sul EuropeuEditar

Variações surpreendentemente diferentes do estilo gótico surgiram no sul da Europa, particularmente na Espanha e em Portugal. Exemplos importantes de gótico espanhol incluem a Catedral de Toledo, a Catedral de León e a Catedral de Burgos. A característica distintiva das catedrais góticas da Península Ibérica é a sua complexidade espacial, com muitas áreas de diferentes formas levando umas às outras. Eles são comparativamente largos, e muitas vezes têm arcadas muito altas encabeçadas por baixos clerestórios, dando uma aparência espacial semelhante ao Hallenkirche da Alemanha, como na Igreja do Mosteiro da Batalha em Portugal.

Muitas das catedrais são completamente cercadas por capelas. Como as catedrais inglesas, cada uma delas é muitas vezes estilisticamente diversa. Isso se expressa tanto na adição de capelas quanto na aplicação de detalhes decorativos extraídos de diferentes fontes. Entre as influências na decoração e na forma estão a arquitetura islâmica e, no final do período, detalhes renascentistas combinados com o gótico de uma maneira distinta. A fachada oeste, como na Catedral de León, tipicamente se assemelha a uma fachada oeste francesa, mas mais ampla em proporção à altura e muitas vezes com maior diversidade de detalhes e uma combinação de intrincados ornamentos com amplas superfícies planas. Na Catedral de Burgos há torres de estilo alemão. A linha do telhado tem frequentemente parapeitos perfurados com comparativamente poucos pináculos. Muitas vezes há torres e cúpulas de uma grande variedade de formas e invenções estruturais que se elevam acima do telhado.[23]

Nos territórios sob o domínio da Coroa de Aragão (Aragão, Catalunha, Roussillon na França, as Ilhas Baleares, a Comunidade Valenciana, além de outros nas ilhas italianas), o estilo gótico suprimiu o transepto e fez os corredores laterais quase tão altos quanto o nave principal, criando espaços mais amplos e com poucos ornamentos. Existem dois estilos góticos diferentes nas terras aragonesas: o gótico catalão e o gótico valenciano, que são diferentes daqueles do Reino de Castela e da França.

As amostras mais importantes do estilo gótico catalão são as catedrais de Girona, Barcelona, Perpinhã e Palma (em Maiorca), a Basílica de Santa Maria del Mar (em Barcelona), a Basílica del Pi (em Barcelona) e a igreja de Santa Maria de l'Alba em Manresa.

Os exemplos mais importantes do estilo gótico valenciano no antigo Reino de Valência são a Catedral de Valência , a Llotja de la Seda (Patrimônio Mundial da Unesco), as Torres de Serranos, as Torres de Quart, o Mosteiro de São Jerônimo de Cotalba, em Alfauir, o Palácio de Benicarló em Gandia, o Mosteiro de Santa María de la Valldigna, a Basílica de Santa Maria, em Alicante, a Catedral de Orihuela, a Catedral de Castelló e o El Fadrí, a Catedral de Segorbe, dentre outras.

ItáliaEditar

Por paísEditar

Referências

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