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Ver artigo principal: Espiritismo

Uma série de críticas ao Espiritismo, religião também chamada de Doutrina Espírita ou Kardecismo, contestam a sua caracterização como um movimento científico[1][2][3][4] ou cristão.[5][6][7]

Por outro lado, uma série de críticas positivas ressaltam o Espiritismo como um sistema que contribui com a ciência[8][9][10] e que promove uma ampla rede de caridade e filantropia.[8][11][12][13][14]

No século XIX, o código penal de 1890 proibia a prática do espiritismo no Brasil e punia com até 6 meses de prisão quem praticasse o crime. Apesar de ser tolerada socialmente, especialmente após a atuação da Federação Espírita Brasileiria nas primeiras décadas do século XX, a prática só deixou de ser proibida oficialmente com a promulgação do código penal de 1940.[15][16]

Allan Kardec tentou, sem sucesso, qualificar o espiritismo como ciência.[17] Alexander Moreira de Almeida[18] e outros parapsicólogos ligados ao espiritismo[19][20] ainda tentam essa legitimação,[21][22][23][24] chegando a denominar a abordagem de Kardec como "revolucionária".[25] No entanto, o consenso científico atual considera a parapsicologia uma pseudociência,[26] desconsiderando os supostos fenômenos paranormais que fundamentam o espiritismo, como mediunidade, reencarnação, obsessão, mesas girantes, sessão espírita, psicografia, psicopictografia, tiptologia, dentre outros. Os críticos das pseudociências chegam a definir a parapsicologia como "perversão", pois os parapsicólogos alegam que a ciência não pode ser a única privilegiada que está fora das explicações que eles defendem.[27] Allan Kardek já fez declarações controversas, etnocêntricas e racistas em várias de suas obras ainda no Século XIX contra chineses e africanos,[28][29][30] sendo amplamente criticado no meio católico mais tradicionalista por conta disso.[31]

Críticas negativasEditar

Joseph McCabeEditar

Segundo Joseph McCabe, citando as alegações de Arthur Conan Doyle sobre a confirmação por cientistas dos supostos fenômenos espirituais durante 30 anos, os médiuns enganaram os pesquisadores. Ele considera que tais enganos resultaram na linguagem arrogante da literatura espiritualista.[32]

Padre QuevedoEditar

 
O Padre Quevedo foi conhecido no Brasil por sua oposição ao Espiritismo.[33]

Óscar González-Quevedo, parapsicólogo e padre católico, afirma que as manifestações espíritas são obras da mente humana inconsciente, apesar de não ter feito nenhum estudo aprofundado sobre o assunto.[33]

Críticas positivasEditar

Marcel Souto MaiorEditar

Em entrevista concedida em 2013, o jornalista Marcel Souto Maior - biógrafo de Allan Kardec e Chico Xavier -, resumiu sua avaliação sobre o Espiritismo: "O espiritismo aumenta, sim, a responsabilidade de todos nós diante da vida, ao nos tirar do próprio umbigo e nos colocar em contato com o outro. Estas são as principais lições do espiritismo pra mim. Hoje luto para ser menos egoísta e mais tolerante, apesar de não me considerar espírita".[14]

Maria Lúcia VannuchiEditar

Em artigo publicado na revista Estudos de Sociologia, a socióloga e historiadora Maria Lúcia Vannuchi[34] comenta que no movimento espírita "As ações filantrópicas praticadas, não raro preenchem lacunas deixadas pela inoperância do setor público; respondem a demandas não atendidas por órgãos governamentais".[11]

Ver tambémEditar

Referências

  1. Brandon, Ruth (1983). The Spiritualists: The Passion for the Occult in the Nineteenth and Twentieth Centuries (em inglês). Nova Iorque: Prometheus Books. 315 páginas. ISBN 0-87975-269-6. Consultado em 13 de Abril de 2015 
  2. Maarten Boudry (2013). Philosophy of Pseudoscience: Reconsidering the Demarcation Problem (em inglês). Chicago: University of Chicago Press. 464 páginas. ISBN 022605182X. Consultado em 21 de fevereiro de 2015  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda)
  3. A impostura científica em dez lições. São Paulo: UNESP. 2004. 453 páginas. ISBN 8571395217. Consultado em 21 de fevereiro de 2015  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda)
  4. Costa, Antonio Luiz M. C. «Errar é científico, insistir no erro é esotérico». CartaCapital 
  5. Lewgoy, Bernardo (2006). «Representações de ciência e religião no espiritismo kardecista: Antigas e novas configurações» (doc). Porto Alegre. Civitas – Revista de Ciências Sociais. 6 (2): 151-167. ISSN 1519-6089. Consultado em 21 de fevereiro de 2015 
  6. Por que a igreja condenou o espiritismo. Col: Volume 1 de Vozes em defesa da fé: Caderno. Petrópolis: Editora Vozes. 1960. 47 páginas. Consultado em 21 de fevereiro de 2015  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda)
  7. Espiritismo: orientação para os católicos. São Paulo: Edições Loyola. 1991. 203 páginas. ISBN 8515004585. Consultado em 21 de fevereiro de 2015  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda)
  8. a b Moreira-Almeida, Alexander (2008). Allan Kardec and the development of a research program in psychic experiences. Proceedings of the Parapsychological Association & Society for Psychical Research Convention. Winchester, UK.
  9. Moreira-Almeida A, Lotufo Neto F.Spiritist Views of Mental Disorders in Brazil. Transcult Psychiatry. 2005;42(4):570-95.
  10. Lucchetti G, Daher JC Jr, Iandoli D Jr, Gonçalves JP, Lucchetti AL. Historical and cultural aspects of the pineal gland: comparison between the theories provided by Spiritism in the 1940s and the current scientific evidence.. Neuro Endocrinol Lett. 2013;34(8):745-55.
  11. a b Maria Lúcia Vannuchi. Um olhar sociológico sobre o espiritismo: trajetórias, ideias e práticas. Estudos de Sociologia (UNESP). Araraquara v.18 n.34 jan.-jun. 2013
  12. Alice Beatriz da Silva Gordo Lang. Espiritismo no Brasil. Cadernos CERU (USP), série 2 v. 19, n. 2, dezembro de 2008.
  13. AubrÈe, M. & Laplantine, F. (1990). La table, le livre et les esprits (The table, the book, and the spirits). Paris: Editions Jean-Claude Lattès.
  14. a b Manoel Fernandes Neto. Exclusivo: Marcel Souto Maior fala sobre a biografia de Allan Kardec. Revista NovaE (online). 2013-10-10. Página visitada em 15/04/2015.
  15. Giumbelli, Emerson (2008). «Nação espírita». Revista de História da Biblioteca Nacional. Consultado em 8 de setembro de 2015 
  16. «Evolução histórica do Direito Penal». Consultado em 8 de setembro de 2015 
  17. Castellan, 1962
  18. Almeida, 2004
  19. Cunha, 2012
  20. Goulart, 2014
  21. Moreira-Almeida et. al. 2005
  22. Orsi, 2015a
  23. Orsi, 2015b
  24. Tuffani, 2015
  25. Alexander Moreira-Almeida (2 de setembro de 2008). «Spiritism: The Work of Allan Kardec and Its Implications for Spiritual Transformation». Metanexus Institute (em inglês). Consultado em 6 de setembro de 2015. Cópia arquivada em 29 de novembro de 2014. In his revolutionary approach to spirituality 
  26. Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2014
  27. Goode, Erich. Paranormalism and Pseudoscience as Deviance. In: Pigliucci e Boudry, 2014. p.143-163. "Many observers refer to the field as a "pseudoscience". When mainstream scientists say that the field of parapsychology is not scientific, they mean that no satisfying naturalistic cause-and-effect explanation for these supposed effects has yet been proposed and that the field's experiments cannot be consistently replicated." (p. 158)
  28. O Livro dos Espíritos pág 188; 190
  29. QU'EST-CE QUE LE SPIRITISME ? pág 131 . "Un Chinois, par exemple, qui a suffisamment progressé, et ne trouve plus dans sa race un milieu correspondant au degré qu'il a atteint, s'incarnera chez un peuple plus avancé."
  30. A Gênese "32. Não foi, portanto, uniforme o progresso em toda a espécie humana. Como era natural, as raças mais inteligentes adiantaram-se às outras, mesmo sem se levar em conta que muitos Espíritos recém-nascidos para a vida espiritual, vindo encarnar na Terra com os primeiros aí chegados, tornaram ainda mais sensível a diferença em matéria de progresso. Fora, com efeito, impossível atribuir-se a mesma ancianidade de criação aos selvagens, que mal se distinguem do macaco, e aos chineses, nem, ainda menos, aos europeus civilizados." Página 195.
  31. Allan Kardec, um racista brutal e grosseiro
  32. McCabe, Joseph (12 de junho de 1920). «Scientific Men and Spiritualism: A Skeptic's Analysis». The Living Age: 652-657. Consultado em 14 de abril de 2015 
  33. a b Richard Simonetti. «Padre Quevedo». Portal do Espírito: A sua referência sobre Doutrina Espírita na Internet. Consultado em 21 de fevereiro de 2015 
  34. Maria Lúcia Vannuchi - Instituto de Ciências Sociais - Universidade Federal de Uberlândia. Página visitada em 16/04/2015.

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar