Histórico das Organizações Trotskistas no Brasil

Entre 1928 e 1968, ocorreu uma sucessão de três organizações distintas de trotskistas no Brasil. Tratam-se de organizações distintas, pois os dirigentes e maior parte dos militantes das organizações antecessoras romperam com o trotskismo, o que exigiu duas refundações do movimento. A partir do 1968, começam a surgir diversas cisões nas organizações trotskistas, e estas novamente passam por diversas cisões. Em 2017, foram identificadas 30 organizações que reivindicavam o legado de Leon Trotsky atuando no Brasil.

Primeira Geração: 1927 a 1936Editar

Em 1927, Mário Pedrosa foi enviado para a União Soviética, pelo PCB, para fazer um curso na Escola Leninista. No entanto, uma doença o obrigou a interromper a viagem na Alemanha, onde teve contato com as críticas de Trotsky à política do Partido Comunista da União Soviética e da Internacional Comunista e iniciou uma intensa correspondência com o amigo Lívio Xavier que se tornou, a partir de então, o elo de ligação com o grupo de jovens intelectuais comunistas que tinham divergências com a política do PCB, pelo menos a partir de 1928.

Em julho de 1929, retornou ao Brasil e organizou esse grupo em uma agremiação chamada Grupo Comunista Lenine (GCL). Esta organização incluía intelectuais como Rodolfo Coutinho e Lívio Xavier que foram signatários do panfleto da Oposição Sindical que criticara a política sindical do PCB e sua falta de centralismo democrático. Esse grupo já havia saído do PCB na “Cisão de 1928”. Outra cisão ocorreu em 1929, que incluiu alguns sindicalistas, como Joaquim Barbosa (secretário do PCB para assuntos sindicais), João da Costa Pimenta (veterano sindicalista, avô de Rui Costa Pimenta, que futuramente seria dirigente do Partido da Causa Operária), Leonel Pessoa (ex-cadete, expulso do Exército por participar da Revolta da Vacina em 1904, que na época trabalhava como operário gráfico), João Dalla Dea (operário gráfico) e Hilcar Leite[1] [2]. Em janeiro de 1931, foi fundada a Liga Comunista, que seria a organização na qual militaram os comunistas que não tinham espaço no PCB.

Em 8 de maio de 1930, os primeiros trostskistas do Brasil começaram a publicar o jornal "A Luta de Classe", que foi publicado, muito provavelmente, até agosto de 1939. Esse jornal teve periodicidade irregular, com edições impressas até o n.º 33, e mimeografadas entre os nºs 34 e 49.

Com o trabalho político, outros quadro se aproximaram da Liga Comunista, tais como: Mário Dupont, José Auto, Manuel Medeiros, Raquel de Queiroz; Mirno Tibor e Azis Simão (estudantes), Arnaldo Tommasini; Ariston Rusciolelli, Lelia e Fúlvio Abramo (comerciários); L. Mássara e Fernando Bertolotti (contadores), Mário Colleoni (metalúrgico) e Josefina Mendez (operária têxtil)[3]. Em 1930, o Grupo Comunista Lenine, seguindo a tendência dos agrupamentos que se aproximavam do que seria mais tarde a IV Internacional, passou a adotar a denominação de Liga Comunista (Oposição bolchevista-leninista)[4].

Em 1930, Mário Pedrosa e Lívio Xavier publicaram um ensaio que viria a se tornar a primeira contribuição marxista para o estudo da história do modo de produção capitalista em terras brasileiras: "Esboço de uma análise da situação econômica e social do Brasil".

No dia 31 de janeiro de 1931, a Liga Comunista passou a se denominar como Liga Comunista Internacionalista e a trabalhar pela criação da IV Internacional, ou seja, deixou de ter militantes que atuavam dentro do PCB para fazer oposição ao estalinismo. O ato de fundação ocorreu na Associação dos Empregados do Comércio e contou com as presenças de Aristides Lobo, Benjamin Péret (poeta francês), Manuel Medeiros, Mário Pedrosa, Lívio Xavier, Salvador Pintaúde, João Mateus. Depois aderiram ao grupo: os húngaros: Rudolf Josip Lauff e Anton Mácek, o italiano Goffedo Rosini e brasileiros, como: Paschoal Petraccone (editor que, junto com Salvador Pintaúde, colaborava com a tradução de obras estrangeiras), Lívio Abramo (jornalista, desenhista e gravador); e Nestor Reis (médico)[5].

Em 1933, Pedrosa funda e coordena a Casa Editora Unitas, que publicaria uma coletânea de textos de Trotski: "Revolução e contra-revolução na Alemanha".

Em março de 1933, a Liga tinha 54 militantes no Rio de Janeiro e em São Paulo[2].

Também em 1933, a Liga Comunista Internacionalista participou da fundação da Frente Única Antifascista, que reuniu militantes anarquistas, socialistas e comunistas na luta comum contra os integralistas. Essa Frente publicaria o semanário antifascista "O Homem Livre", dirigido por Pedrosa e Geraldo Ferraz. Em 7 de outubro de 1934 a Frente participaria da Batalha da Praça da Sé, um enfrentamento com os integralistas.

Nessa época, os trotskistas dirigiam alguns sindicatos em São Paulo, como os: dos Comerciários, dos Bancários e dos Trabalhadores Gráficos.

Durante a repressão desencadeada após o fracasso do Levante Antifascista de 1935, foi morto o militante Manuel Medeiro, enquanto que Mário Pedrosa, Fúlvio Abramo, Mariano e Inês Besouchet se exilaram na Bolívia[2].

Em 1936, Liga Comunista Internacionalista, passou a adotar a denominação de Partido Operário Leninista (POL).

Segunda Geração: 1939 a 1951Editar

Em abril de 1939, o POL e o dirigentes do Comitê Regional do PCB, como Hermínio Sachetta e Heitor Ferreira Lima uniram-se num Comitê Pró-Reagrupamento da Vanguarda Revolucionária do Brasil. Em agosto de 1939, numa reunião em Guarulhos foi fundado Partido Socialista Revolucionário (PSR), seção brasileira da IV Internacional, ao qual também se juntariam: Plínio Gomes de Mello, Vítor de Azevedo, José Stacchini, Patrícia Galvão, Alberto Luiz da Rocha Barros, Florestan Fernandes, Maurício Tragtenberg, Leôncio Martins Rodrigues, Luiz Alberto Moniz Bandeira, Edmundo Moniz, Bóris Fausto e Ruy Fausto[6].

Com o início da II Guerra, tem início a primeira grande cisão dos trostkistas a nível internacional, envolvendo a questão da defesa ou não da União Soviética na hipótese de guerra conta países capitalistas, nesse contexto, formaram-se duas frações:

  1. a majoritária liderada por liderada por James Patrick Cannon, dirigente do Socialist Workers Party (SWP) dos Estados Unidos, que se posicionava a favor da defesa da União Soviética;
  2. a minoritária, liderada por Max Shachtman, James Burnham, Martin Abern, C. R. L. James, Nathan Gould e Farrell Dobbs, que entendiam que a União Soviética não deveria ser apoiada na guerra contra a Finlândia, pois havia se degenerado a tal ponto que não mereceria qualquer tipo de defesa.

Nesse contexto, Trotsky foi favorável à posição majoritária e convocou a Conferência de Emergência da IV Internacional (maio de 1940), enquanto que Pedrosa se colocou a favor da posição minoritária, o que levaria à sua ruptura com a IV Internacional[4].

Por outro lado, Sachetta se colocou favorável a posição majoritária e passou a ser o principal dirigente trotskista no Brasil.

Em 1951, antes do III Congresso da IV Internacional, Sacchetta e Stachini afastaram-se do PSR. Sacchetta passou a entender que era impossível continuar a defender a União Soviética como um “estado operário degenerado” e entra em uma nova etapa da militância que levaria a fundação da Liga Socialista Independente, que tinha como principal referência Rosa Luxemburgo[6].

Terceira Geração: 1952 a 1964Editar

Nesse contexto, PSR praticamente deixou de existir e o Bureau Latino-Americano da IV Internacional, dirigido pelo argentino Juan R Posadas, enviou o argentino Guillermo Marcelo Almeyra Casares para reorganizar os trotskistas no Brasil, que nessa tarefa contou com a ajuda de José Maria Crispim (recentemente expulso do PCB) e Leôncio Martins Rodrigues.

Em novembro de 1952, o grupo, que também contava com Jorge Milano, Sebastião Simões de Lima, Bóris, Ruy Fausto, Milton Camargo e Antônio Pinto de Freitas[7], fundaram o Partido Operário Revolucionário Trotskista (POR-T) que começou a publicar o jornal Frente Operária, que seria publicado até 1990[6].

Estima-se que durante a década de 1950, o POR-T chegou a contar com cerca de 100 militantes, que atuavam nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Na década de 1960, passou a atuar nos estados de Pernambuco[8], Paraíba, Ceará (no início de 1965 [2]) e Rio Grande do Sul.

Em 1962, POR-T estruturou-se no Rio Grande do Sul e inicialmente agrupou integrantes da juventude comunista como: Luiz Paulo Pilla, Vito Letizia e Deivis Hutz[9].

O POR-T contou em seus quadros com o operário químico Olavo Hanssen, que foi assassinado, em 9 de maio de 1970, pela ditadura civil e militar instalada em 1964[10] [11].

1976: Surgimento da Organização Socialista InternacionalistaEditar

No início de 1966, durante a V Conferência Nacional do POR-T, foi divulgado o documento "Criticar, Planejar e Construir o Partido Coletivamente", assinado por diversos militantes, que foi o início de uma ruptura com o posadismo.

Esse documento foi assinado por: Maria Hermínia Tavares de Almeida, José Leão de Carvalho, Fábio Munhoz, Antônio Carlos Leal Campos e Gilvan Rocha.

A partir de agosto de 1967, Fábio Munhoz, Mtnos Abdala Calil e Júlio Calasso, já afastados do POR-T, começaram a publicar o Jornal "Chispa", apresentado como Órgão do Movimento por uma Nova Internacional Comunista, esse será, em 1º de maio de 1968, o núcleo fundador do Movimento Estudantil 1º de Maio (ME 1º de Maio), ao qual também se juntariam: Luiz Araújo, Arkan Simaan, Otaviano de Fiori, Gabriela Rabelo e Francisco Solano.

Em 1968, surgiram outras cisões do POR-T:

  • o Grupo Trotskista Revolucionário, no Rio Grande do Sul, que teria curta duração;
  • a Liga Socialista Internacionalista, que depois adotaria a denominação de Movimento Comunista Internacionalista;
  • a Fração Bolchevique Trotskista (FBT), que aglutinava principalmente militantes do Rio Grande do Sul, e que também teve atuação em São Paulo, Pernambuco, Paraíba e Ceará[2].

A FBT teve sua origem em um documento, publicado em abril de 1968, pela Fração Universitária do POR-T.

Em julho de 1968, alguns militantes gaúchos que formariam a FBT foram a São Paulo para fazer contatos com o ME 1º de Maio, foi uma primeira tentativa de unificação que não deu resultados naquele momento.

Entre julho e agosto de 1968, a FBT foi fundada em uma Conferência, nas proximidades de Porto Alegre, que contou com a participação de: Vito Letizia, Vera Lúcia Stringhini, Deivis Hutz, Luiz Castilhos, além de Leal Campos e Márcia Almeida, que moravam em São Paulo mas não se articulavam no ME 1º de Maio.

Em agosto de 1968, o POR-T se mostrou favorável à invasão soviética da Checoslováquia, enquanto que o ME 1º de Maio se posicionou contra.

No final de 1968, Solano e Gabriela foram para o exílio na França, onde se aproximaram de militantes da Organização Comunista Internacionalista, liderada por Pierre Lambert, que era vinculada ao Comitê Internacional da IV Internacional (CI-QI) e, posteriormente, ao Comitê para a Reconstrução da Quarta Internacional (CORQUI), fundado em julho de 1972.

O CI-QI foi originado de uma cisão com o Secretariado Internacional da Quarta Internacional (SI-QI), organização à qual o POR-T estava vinculado no momento de sua fundação. A causa fundamental da cisão foi a rejeição à política do entrismo defendida por Michel Pablo, dirigente do SI-QI.

Por sua vez, em 1962, Posadas já tinha se separado do SI-QI e tinha formado a IV Internacional Posadista, à qual o POR-T passou a pertencer.

Em 1963, ocorreu um Congresso que unificou o SI-QI e maioria das seções do CI-QI, que formaria o Secretariado Unificado da IV Internacional (SU-QI), entretanto, as seções francesa (OCI) e britânica Socialist Labour League (SLL) do CI-QI não participaram dessa unificação, circunstância que daria continuidade ao CI-QI.

Em outubro de 1969, Vito Letizia (FBT) fez uma viagem à Europa, na qual fez contato com organizações posadistas na Itália e na Inglaterra e também com organizações trotskistas não posadistas como a OCI, na França, e SLL, na Inglaterra.

Nesse contexto, merece destaque a reunião realizada com a OCI, na qual Stephan Just representou a organização francesa e que contou também com a participação de Francisco Solano do ME 1º de Maio. Foi um importante passo na ruptura da FBT com o posadismo e se confirmaria na II Conferência da FBT que se realizaria em fevereiro de 1970, em Canelas, no Rio Grande do Sul. Essa Conferência contou com a presença de mais de 30 militantes. Nessa época, ex militantes do POR-T de Fortaleza e Recife já tinham se juntado à FBT.

Entre abril e maio de 1970, a FBT foi desarticulada no Rio Grande do Sul devido a diversas prisões.

No dia 03 de novembro de 1970, foi publicado o Jornal 1º de Maio - Setor Operário e o ME 1º de Maio passou a se denominar como Organização Comunista 1º de Maio (OC 1º de Maio). Nessa etapa, a organização já estava mais adaptada à conjuntura de forte repressão.

Em 1971, foi formado um Comitê de Unificação, para preparar a unificação entre a OC 1º de Maio e a FBT. Durante o processo de unificação, militantes dos dois grupos vão entrar em contato com outras organizações trostskistas na América Latina, como o Política Obrera (dirigido por Jorge Altamira) e o Partido Revolucionário dos Trabalhadores (La Verdade) (dirigido por Nahuel Moreno) da Argentina (que em 1972, passaria se denominar como Partido Socialista dos Trabalhadores), e o Partido Operário Revolucionário da Bolívia, dirigido por Guilhermo Lora.

Por outro lado, entre 1969 e 1971: Solano, Gabriela, Arkan, Vitor Paes de Barros Leonardi, Paulo Rodolfo Rodrigues Pereira e Deivis Hutz, brasileiros exilados na França, ingressaram na OCI. Em 1972, esses militantes começariam a publicar a Revista Outubro e formaria um grupo político com o mesmo nome.

Nesse momento, os militantes da FBT e da OC - 1º de Maio, principalmente Júlio Tavares e Arnaldo Schreine já estavam se aproximando do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (La Verdade) (PRT-LV), organização argentina vinculada ao SU-QI, portanto, rival do CI-QI, ao qual estava vinculado o Grupo Outubro.

Em abril de 1972, o Política Obrera e o POR Boliviano realizaram a I Conferência Latino-americana pela Reconstrução da IV Internacional, para a qual foram convidados representantes da OCI, da OC 1º de Maio e da FBT. A principal questão foi em torno da política do POR Boliviano durante o golpe de Hugo Banzer contra o General Torres em agosto de 1971. Nesse contexto foi elaborado um documento pela maioria da OC 1º de Maio e da FBT que criticava a política adotada pelo POR Boliviano, por ter defendido uma frente com o General Torres contra o golpe, o que era considerada uma capitulação ao nacionalismo burguês. Luiz Araújo, representante da OC 1º de Maio discordou desse documento, que foi defendido na Conferência por Paulo Eduardo Aguiar, representante da FBT. Política Obrera defendeu a política do POR Boliviano, enquanto que a OCI se mostrou favorável às crítica apresentadas por Aguiar.

Depois da Conferência, a FBT sofre mais um duro golpe da repressão que interrompe sua atuação.

No final de 1972, o Grupo Outubro começa a se organizar no Brasil, dirigido por Solano que começa a aglutinar estudantes secundaristas. No final de 1972, Deivis Hutz e Vito Letizia, logo após a saída da prisão, manifestam acordo com o CORQUI.

A OC 1º de Maio, que nessa época contava em seus quadros com Júlio Turra, em sua 1º Conferência realizada no início de 1973, confirmou sua adesão à CORQUI.

Em outro movimento, o que restou da FBT se aproximou do Grupo Outubro e da Organização da Mobilização Operária (OMO), que contava, entre seus militantes, com Paulo Skromov, ex-estudante de História da USP[12], que se exiliou na Argentina em novembro de 1973, onde teve contato com o Política Obrera. Em dezembro de 1974, foi realizada em Tramandaí, praia próxima à Porto Alegre, uma reunião que unificou a OMO, o Grupo Outubro e a FBT na Organização Marxista Brasileira (OMB). Naquele momento, a OMB contava com cerca de sessenta militantes, dentre eles Markus Sokol, Arlete Sampaio e Maria Laura, a maioria oriunda da OMO.

Entre maio e julho de 1976, ocorreu a unificação entre a Frente Estudantil Socialista (FES), ligada à OC 1º de Maio, e a Tendência pela Aliança Operária Estudantil (TAOE), ligada à OMB. Dessa fusão, surgiu a corrente estudantil Liberdade e Luta (Libelu).

Em novembro de 1976, quando ocorreu uma reunião na cidade de Praia Grande/SP na qual foi decidida a fusão entre a Organização Marxista Brasileira (OMB) e a Organização Comunista 1° de Maio, que deu origem à Organização Socialista Internacionalista (OSI). No dia 1º de maio de 1978 saiu a primeira edição do Jornal "O Trabalho", nome que seria posteriormente adotado pela OSI[9] [13] [14].

1978: Surgimento da Convergência SocialistaEditar

 Ver artigo principal: Convergência Socialista

No início da década de 1970, existiam diversos brasileiros exilados no chile. Em 1972, por intermédio de Mário Pedrosa, Hugo Blanco e Peter Camejo (dirigente do Socialist Workers Party (SWP) dos Estados Unidos), diversos desses exilados no Chile entraram em contato com o Secretariado Unificado da Quarta Internacional (SU-QI) e formaram o grupo Ponto de Partida. Dentre esses, podem-se citar: Jorge Pinheiro, Maria José Lourenço (ex-militantes do Movimento Nacionalista Revolucionário), Ênio Bucchioni (ex-militante da Ação Popular, AP) e Túlio Quintiliano (ex-militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, PCBR).

Nessa época, a SU-QI, estava dividida entre a maioria, que defendia que os militantes participassem de guerrilhas e a minoria (Fração Leninista Trotskista, FLT), que eram contra a participação em movimentos guerrilheiros. Hugo Blanco e Peter Camejo eram adeptos da FLT e influenciaram o grupo Ponto de Partida a ter a mesma posição[15].

No final de 1973, após a derrubada de Salvador Allende: Jorge Pinheiro, Maria José Lourenço, Valderez Duarte e Waldo Mermelstein, buscaram asilo na Argentina, onde, em dezembro de 1973, após contatos com o Partido Socialista dos Trabalhadores, organização alinhada com a FLT do SU-QI, dirigida por Nahuel Moreno, fundaram a Liga Operária (LO). Em 1974, esses militantes retornaram ao Brasil e ex-militantes da FBT, organização já bastante desarticulada pela repressão, se juntaram à LO[9].

A LO começa a publicar o jornal "Independência Operária"[16].

Apesar do nome, a atuação da LO se concentou no Movimento Estudantil, sendo assim, iniciou sua atuação na PUC-SP, na USP e na UFF em Niterói. Em agosto de 1975, atingiu a marca de cerca de 50 militantes e, em março de 1976, começou a atuar na Unicamp (Campinas) e na Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), onde conseguiu a adesão de seu centésimo militante: Celso Brambilla, ex-presidente do DCE da UFSCAR. O nome utilizado para atuar no movimento estudantil era o de: Tendência Alicerce, que em 1980, elegeu Henrique Carneiro como presidente da União Municipal de Estudantes Secundaristas de São Paulo. Em 1981, Henrique seria eleito como presidente da União Paulista de Estudantes Secundaristas.

Nos dias anteriores ao 1º de Maio de 1977, militantes da LO, dentre eles: Celso Brambilla, Márcia Basseto Paes e José Maria de Almeida, na época um operário metalúrgico de apenas 19 anos, foram presos durante uma panfletagem, a ação teve repercussão pois ocorreram diversas mobilizações estudantis contra as prisões. No final de 1977, a LO já contava com cerca de 250 militantes[15].

Em março de 1978, a LO criou o criou o Movimento Convergência Socialista (MCS), que pretendia reunir diversos agrupamentos políticos e sociais que lutavam pelo fim do regime autoritário norteados pelos ideários socialistas e desse modo conseguiu aglutinar o Conselho de Redação do Jornal Versus, que era publicado desde 1975. No dia 19 de agosto, ocorreu a I Convenção Nacional do MCS.

No dia 1º de maio de 1978, a LO passou a se denominar como Partido Socialista dos Trabalhadores (PST)[17].

Em janeiro de 1979, foi realizado o "IX Congresso dos Metalúrgicos, Mecânicos e Eletricistas do Estado de São Paulo", na cidade de Lins, no qual foi aprovada uma moção favorável à construção de um "Partido dos Trabalhadores". A partir desse momento, o MCS passou a trabalhar para a implementação dessa proposta. Teve considerável influência durante a redação da Carta de Princípios do Partido dos Trabalhadores em fevereiro de 1979[18]. Tendo, naquele momento, sido representada por Robson Camargo.

No início de 1979, o PST passou a se denominar como "Convergência Socialista".

No âmbito internacional, em 1979, ocorreu a ruptura definitiva entre a Fração Bolchevique Internacional do Secretariado Unificado da Quarta Internacional (SU-QI), liderada por Nahuel Moreno e o SU-QI. A ruptura teve causa o apoio dado pela maioria do SU-QI, liderada por Ernest Mandel, à Frente Sandinista, enquanto que Moreno se opunha à Frente Sandinista devido aos conflitos com a Brigada Simón Bolívar, que era composta por militantes ligados aos morenista. Nesse contexto, Pierre Lambert apoiou as teses de Nahuel Moreno, o que se refletiu numa aproximação entre a OSI (lambertista) e a CS (morenista). No entanto, essa aproximação foi rompida em 1981, devido às críticas de Moreno ao apoio da OCI (dirigida por Lambert) ao governo, de François Miterrand. Em janeiro de 1982, os morenistas formavam sua própria versão da Quarta Internacional a Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI).

Vide: Ruptura de Nahuel Moreno com a SU-QI.

No âmbito nacional, as divergências entre CS e OSI tinham como foco o fato da CS ter uma avaliação negativa da figura de Lula, enquanto que a OSI tinha uma avaliação mais positiva do líder sindical.

Em 1989, o PT passou a administrar diversas prefeituras e a CS passou a se opor a essas administrações. Além disso, a crise do ideário socialista, agravado pela Queda do Muro de Berlin em 1989, gerou um giro à direita no PT, o que dificultou ainda mais a permanência da CS no PT. No dia 9 de maio de 1992, o Diretório Nacional “cassou a condição de tendência da CS e estabeleceu um prazo de quinze dias para que ela revisse suas posições”[19].

Em junho de 1992, a CS deu início ao processo que resultaria na fundação do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, em julho de 1994[16].

1979: Surgimento da Democracia SocialistaEditar

Na segunda metade da década de 1970, militantes do Partido Operário Comunista-Combate (POC), exilados na França aproximaram-se organicamente da Liga Comunista Revolucionária, seção francesa do Secretariado Unificado da Quarta Internacional (SU-QI), estabelecendo um vínculo estreito com o trotskismo.

Em 1977, começou a ser publicado o Jornal "Em Tempo", que circulou até 1995[20] e defendia a construção de um partido independente da classe trabalhadora. Era editado por uma cisão à esquerda do grupo que editava o jornal "Movimento", influenciado pelo PC do B, que defendia uma frente política democrática em conjunto com o MDB. Participavam dessa cisão: ex-militantes da Ação Popular Marxista Leninista (AP-ML) e dois ex-militantes do Comando de Libertação Nacional (Colina). Após disputas o jornal seria controlado por militantes trotskistas que fundariam a Democracia Socialista.

Em 22 de dezembro 1979, cerca de 25 militantes, em sua maioria de Minas Gerais e do Rio Grande dos Sul, reuniram-se em São Paulo para fundar a organização Democracia Socialista (DS), denominação estava em sintonia com o documento “Democracia socialista e ditadura do proletariado”, elaborado por Ernest Mandel dirigente do Secretariado Unificado da Quarta Internacional (SU-QI). Dentre seus fundadores, podem-se citar: Raul Pont, Virgílio Guimarães, João Machado, Aloísio Marques, Joaquim Soriano, Flávio Andrade e Robson Aires.

Tratava-se da fusão de dois grupos:

  1. o "Centelha", que atuava no Movimento Estudantil em Minas Gerais; e
  2. a "Tendência Socialista" do MDB no Rio Grande do Sul, que se denominava como Peleia no Movimento Estudantil[21].

Parte desses militantes eram oriundos do Partido Operário Comunista-Combate (POC) ou do Comando de Libertação Nacional (Colina)[22].

Os dois grupos:

  • defendiam o socialismo democrático e tinham críticas ao estalinismo, ao reformismo do PCB e ao vanguardismo armado;
  • valorizavam a democracia exigida na organização interna e defendia a construção de um partido revolucionário no Brasil com capacidade de se enraizar na classe trabalhadora;
  • eram críticos do varguismo, pois seria uma experiência de organização trabalhista sem independência de classe.

A DS:

  • participou ativamente dos processos de fundação do PT e da CUT[23];
  • caracterizava as outras organizações trotskistas que atuavam no seio do PT: OSI e CS, como organizações marcadas pelo sectarismo;
  • em 1981, realizou o seu I Congresso, a partir do qual passou a se denominar como: "Organização Revolucionária Marxista – Democracia Socialista" (ORM-DS).

Entre 1979 e 1982, outros dois grupos de origem trotskista se juntaram à DS:

  1. a Organização Revolucionária dos Trabalhadores (ORT), formada por ex-militantes da Liga Operária, dentre eles Júlio Tavares; e
  2. o Comitê de Ligação dos Trotskistas Brasileiros (CLTB), originado de uma cisão da OSI, ocorrida em 1978, denominada como Fração Operária Trotskista (FOT), que, na época, era liderado por Paulo Skromov. A FOT tinha como objetivo “romper com o círculo vicioso da pequenez” das organizações trotskistas e, desse modo promover uma reunificação de trotskistas, partindo do balanço de que o histórico desta tradição revolucionária teria promovido muitas “cisões irresponsáveis” ao longo dos trinta anos anteriores. Segundo a avaliação do CLTB, o fracasso do trotskismo decorria da composição social era “essencialmente pequeno burguesa” de seus militantes, o que dificultava sua formulação capaz de inserção nos setores populares.

Em 1984, ocorreu no II Congresso da ORM-DS, no qual ficou decidida a filiação ao Secretariado Unificado da Quarta Internacional (SU-QI).

Depois da formação da Articulação dos 113, que ocorreu em meados de 1983, a DS buscou aliar-se ao Partido Revolucionário Comunista (PRC) e ao Movimento Comunista Revolucionário (MCR) na luta interna dentro do PT. Em dezembro de 1987, foi realizado o V Encontro Nacional do PT, a chapa formada pela aliança DS, PRC e MRC alcançou 20% dos votos, enquanto que a chapa da Articulação, obteve 57% dos votos.

Em 1988, para adaptar-se à regulamentação de tendências do PT, a ORM-DS voltou a se denominar apenas como "DS" e passa a afirmar que o PT seria um Partido Revolucionário em Construção[19].

Em 2001, chegou a contar com 2.000 militantes.

A partir de 2003, com a expulsão de Heloísa Helena do PT, perdeu diversos militantes, que passaram a se dedicar à construção do PSOL.

Situação de 2017 até os dias atuaisEditar

Em 2017, pelo menos trinta grupos, se reivindicavam como reais defensoras das ideias de Leon Trotsky no Brasil:

Nome Histórico Sites / Órgãos de Imprensa Matriz Contexto Partidário Dirigente
Democracia Socialista (DS) vide: Surgimento da Democracia Socialista Democracia Socialista / Jornal Em Tempo - Acervo Digital Mandelismo corrente interna do PT Raul Pont;
O Trabalho (OT) No dia 1º de maio de 1978, a Organização Socialista Internacionalista (OSI) publicou a primeira edição do Jornal "O Trabalho", nome que seria posteriormente adotado pela OSI. Dentre as cisões dessa organização, merecem destaque: Jornal O Trabalho Lambertismo Corrente interna do PT Markus Sokol (economista )
Combate Pelo Socialismo Oriunda de uma cisão da corrente petista "O Trabalho", no plano internacional, segue as posições de Sthéphany Just, que, em 1984, por ocasião do XXVIII Congresso do Partido Comunista Internacionalista (França), discordou das posições de Pierre Lambert, relativas à aliança com o Partido Socialista de François Mitterrand.

Em 1985, Sthéphane Just e seus apoiadores foram excluídos do PCI e formaram uma nova organização na qual não existem "militantes profissionais", ou seja, os militantes devem se sustentar com seu trabalho, nos setores público ou privado. A corrente "Combate pelo Socialismo" segue a mesma política, da organização liderada por Sthéphany Just, de não remunerar seus dirigentes.

Combate Pelo Socialismo Lambertismo corrente interna do PT Heitor Cláudio
Corrente Posadista Diferentemente de outras correntes trotskistas, valoriza a contribuição do nacionalismo burguês à luta anti-imperialista que se concatena com a luta anticapitalista. Portanto, atuando no Brasil defendem o legado de Getúlio Vargas como a legislação trabalhista, a proteção à indústria nacional e as estatais.

Entendem que a China seria um caso de Estado Operário Burocratizado, mas não de Capitalismo de Estado, enquanto que Cuba seria um Estado Operário Autêntico e Internacionalista, pois apoiou processos revolucionários em diversos países.

Têm referência política e ideológica no ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, que teria defendido a construção de uma "Quinta Internacional".

Os posadistas também apoiaram criticamente o nacionalismo revolucionário de Juan Domingo Perón na Argentina.

Publicaram o Jornal "Revolução Socialista", até, pelo menos, janeiro de 2012[25].

Posadismo corrente interna do PT Beto Almeida (jornalista).
Partido da Causa Operária (PCO) Oriunda de uma cisão da OSI (O Trabalho) em 1979, começou a publicar o Jornal Causa Operária em junho de 1979. Em 1992, rompe definitivamente com o PT, após se opor a diversas medidas de seus prefeitos eleitos. Conseguem registrar o PCO em 1996, quando lança as primeiras candidaturas.

Dentre as cisões dessa organização, merecem destaque, as que ocorreram em:

Página do PCO Jornal Causa Operária Youtube Lambertismo Partido Próprio Rui Costa Pimenta
Liga Bolchevique Internacionalista (LBI) Oriunda de uma cisão da Causa Operária, seu Congresso de Fundação ocorreu em junho de 1995. Sua principal característica é a visão negativa dos processos de restauração do capitalismo no Leste Europeu e na União Soviética, exaltados pelos morenistas. Em 2010, sofreu uma cisão, que deu origem à "Liga Comunista" que, em 2015, se fundiria com outras organizações para dar origem à Frente Comunista dos Trabalhadores. Site Lambertismo Não se filia a nenhum partido, defende o voto nulo Cândido Alvarez
Luta Pelo Socialismo (LPS) Surgiu de uma cisão do PCO. A partir de outubro de 2015[27], começou a publicar o jornal "Gazeta Operária", que em abril de 2017, tinha o seguinte Conselho Editorial: Adilson Rosa, Alejandro Acosta, Cláudio Mortari, Florisvaldo Lopes, Marcos W Lima, Maria de Lourdes Sarmento, Pedro Paulo Pinheiro, Roberto Francisco Pereira, Robson Gomes Silva e Rosane Maria Cordeiro[28]. Posteriormente, sofreu uma cisão, que deu origem a outro grupo que publica o Jornal "Gazeta Revolucionária", que, em janeiro de 2020, tinha o seguinte conselho editorial: Acosta Gonçalves, Florisvaldo Gomes, Paulo Santos e Mendes Lopes[29] e mantém um Canal no Youtube chamado "Gazeta Revolucionária" [30] Luta Pelo Socialismo - Gazeta Operária Lambertismo Apoiam candidatos filiados ao PT
Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) Após sair do Partido dos Trabalhadores, em meados de 1992, a Convergência Socialista (CS) deu início à formação de um novo partido, juntamente com outros pequenos grupos de extrema-esquerda que, na época, formavam a chamada Frente Revolucionária (FR), que, além da CS, contava com outras organizações, tais como:
  1. O Partido da Frente Socialista (PFS), antes denominado como Partido da Libertação Proletária (PLP)[31];
  2. o Movimento Socialista Revolucionário;
  3. a Democracia Operária, formada principalmente por bancários de Porto Alegre, um dos seus líderes era Victor Hugo Ghiorzi;
  4. Liga, formada por militantes que romperam com o PT em no início de 1993, tais como: Júnia Gouveia, Celso Lavorato, Edmilson Araújo, Rômulo Rodrigues, Santiago, Henrique Martins e Lays Machado;
  5. Grupo Independente de Diadema; e
  6. Coletivo Luta de Classes, dentre os seus dirigentes, podem-se citar: Carlos Bauer e Magno de Carvalho.

E militantes independentes, tais como: Edinaldo Leite, Luiz Alvez, Dário e Ênio Bucchioni.

Em 5 de março de 1993, o Grupo Independente de Diadema e o Coletivo Luta de Classes romperam com a FR, que passou a se denominar como Frente Socialista Por um Partido Revolucionário.

Entre 3 e 5 de julho de 1994, a FR reuniu em um Congresso para fundar o PSTU[32].

É a seção da Liga Internacional dos Trabalhadores no Brasil. No plano internacional tiveram uma avaliação bastante otimista da derrubada dos Estados Operários Burocratizados no Leste Europeu e na União Soviética.

Dentre suas cisões, podem-se citar:

  1. em 1997, a expulsão da TPI, liderada por Maria José Lourenço;
  2. em 1999, a exclusão do grupo liderado pelo sindicalista Claudionor Brandão, que deu origem à Liga Estratégia Revolucionária (LER-QI), que, a partir de abril de 2015, passou a se denominar como Movimento Revolucionário dos Trabalhadores[33];
  3. em 2000, a exclusão da TCR, que deu origem ao Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), atualmente Movimento Terra Livre, dentre os líderes dessa corrente, destacavam-se: Robério Paulino e Martiniano Cavalcante;
  4. em 2001, a saída de Lindberg Farias, que deixou o partido por defender o apoio à candidatura de Lula à presidência da República em 2002;
  5. em 2003, o grupo Socialismo e Liberdade (C-SOL), rompeu com o PSTU, para ajudar a fundar o PSOL; e
  6. em 2016, a ruptura do Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista (MAIS)[34].
Site - Opinião Socialista - youtube Morenismo Partido próprio José Maria de Almeida
Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista (MAIS) Oriundo de uma cisão do PSTU tornada pública em julho de 2016, quando 739 militantes assinaram o Manifesto “Arrancar alegria ao futuro”,[35] [36] e posteriormente fundaram o Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista.[37] [38] [39] Os dissidentes criticam o sectarismo do PSTU que isolava aquela organização dos demais militantes de esquerda. Nesse contexto, foram contrários à bandeira de ordem "Fora Todos", utilizada pelo PSTU durante o processo de destituição de Dilma Roussef.

Também se tratava de um organização de tradição morenista, em face da formação de maior parte de sua militância.

Em 4 de agosto de 2017, o MAIS oficializou seu pedido para se tornar uma "corrente interna no PSOL", de acordo com decisão tomada no congresso da organização, que aconteceu dos dias 27 a 30 de julho, em São Paulo.[40]

Nos dias 29 e 30 de abril de 2018, ocorreu o Congresso de Fusão entre o MAIS e a "Nova Organização Socialista", que deu origem à organização "Resistência"[41] [42] [43].

No dia 15 de maio de 2018, o "Movimento de Luta dos Trabalhadores" (MLT), realizou um "Congresso Extraordinário". que aprovou sua incorporação à "Resistência", que foi oficializada no dia 24 de junho de 2018[44] [45].

Entre os dias 25, 26 e 27 de maio de 2018, foi realizada uma Conferência Nacional do "Movimento Luta Pelo Socialismo" (M-LPS), que era uma organização formada a partir de uma cisão da Esquerda Marxista, portanto de tradição lambertista, que aprovou a sua incorporação na "Resistência"[46].

Esquerda Online Morenismo corrente interna do PSOL Gibran Jordão e Valério Arcary
Movimento Esquerda Socialista (MES) Oriunda de uma cisão da Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST), reunindo inicialmente, principalmente militantes no Rio Grande do Sul. No campo internacional, tem proximidade com o Secretariado Unificado (SU-QI). Saiu do PT em 2003, sendo uma das fundadoras do PSOL[47]. Site - Revista Movimento Morenismo corrente interna do PSOL Luciana Genro
Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST) Oriunda de uma cisão da Convergência Socialista, foi o setor da CS que decidiu aceitar a regulamentação de tendências e continuar no PT, tem vinculação internacional com a Unidade Internacional dos Trabalhadores (UIT-QI). Saiu do PT em 2003, sendo uma das fundadoras do PSOL[47]. Site - - Jornal Combate Socialista - Revista Correspondência Internacional Morenismo corrente interna do PSOL João Batista (Babá)
Luta Socialista Fundada em 25 de junho de 2015, oriunda de uma cisão da Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST) Site Morenismo corrente interna do PSOL Douglas Diniz
Esquerda Marxista Oriunda de uma cisão da Corrente O Trabalho (OT), que ocorreu em 2006. É a seção brasileira da Corrente Marxista Internacional. Seus militantes organizaram o Movimento das Fábricas Ocupadas, em Joinville, a partir de 31 de outubro de 2002, antes da cisão com OT. Diferentemente das correntes morenistas, têm uma visão mais positiva de Hugo Chávez e de Fidel Castro. Em abril de 2015, decidiu sair do PT[48]. Em setembro de 2015, pediu integração ao PSOL [49]. Em fevereiro de 2017, a Executiva Nacional do PSOL integrou a Esquerda Marxista como Tendência Interna do PSOL[50].

Dentre suas cisões, pode-se citar o "Movimento Luta Pelo Socialismo" (M-LPS), que, em no final de maio de 2018, aprovou a sua incorporação na "Resistência", outra corrente interna do PSOL.

Site - Jornal Foice e Martelo Youtube Lambertismo corrente interna do PSOL Serge Goulart
Comuna Em 2003, Heloísa Helena, então militante da Democracia Socialista (DS) foi expulsa do PT. Isso causou uma cisão na DS e muitos militantes saíram daquela corrente para fundar o PSOL. Parte desse militantes, formaram uma corrente denominada como: Liberdade Vermelha, que incluía militantes como João Machado Borges Neto, Heloísa Helena e Luiz Felipe Bergmann. Em 2005, ocorreu uma unificação entre a Liberdade Vermelha e uma corrente denominada como Marxismo Revolucionário Atual que deu origem à Liberdade e Revolução, organização que também contava com militantes como: Flávio Serafini, Carlinhos Campos e Maria da Consolação, que, em dezembro de 2005, se incorporaria no Enlace, que também contava com militantes como: José Correa, Gilberto Maringoni e Berna Menezes.

Em 2011, o Enlace sofreu uma cisão que daria origem a uma corrente denominada como Fortalecer o PSOL, os militantes dessa cisão não queriam manter vínculos com o Secretariado Unificado da IV Internacional.

Entre 4 e 6 de outubro de 2013, o Enlace se unificou com a c-Sol e Luta Vermelha, para formar uma nova corrente denominada como: Insurgência[51], que posteriormente, sofreria cisões, que dariam origem às seguintes organizações:

  1. Comunismo e Liberdade, em 29 de março de 2016.
  2. "Comuna", em fevereiro de 2017;
  3. Subverta, em março de 2017[52], liderada por Talíria Petrone e Flávio Serafini;
  4. Insurgência, que permaneceu existente.

Em 2019, o Comunismo e Liberdade se dissolve e grande parte de seus militantes ingressa na Comuna.

Mandelismo corrente interna do PSOL João Machado, Flávio Sofiati, Vinícius Almeida,
Insurgência Vide Histórico de "Comuna", dentre suas lideranças, podem-se citar: Antônio Henrique Lemos Leite Filho, Renato Roseno, Fernando Silva (Tostão), José Correa Leite, Ana Cristina Carvalhaes, Isa Penna, Chico Carneiro e Nadja Carvalho Site Mandelismo corrente interna do PSOL Henrique Lemos
Subverta Vide Histórico de "Comuna" Site Mandelismo corrente interna do PSOL Talíria Petrone
Comunismo e Liberdade Vide Histórico de "Comuna" Mandelismo corrente interna do PSOL
Liberdade, Socialismo e Revolução Surgiu da unificação entre duas correntes, denominadas como: Coletivo Liberdade Socialista (CLS) e o Socialismo Revolucionário (SR), no dia 22 de maio de 2009. Filiada ao Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores (CIT)[53]. Trata-se de um grupo distinto dos demais, pois está vinculado a uma organização internacional que tem como principal organização o "The Militant", organização trotskista britânica[54].

As discussões para a unificação tiveram início em julho de 2008. O SR foi fundado em 1996 e participou da fundação do PSOL e era a seção brasileira do CIT. O CLS era oriundo de uma cisão do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL)[55].

Site - Revista Ofensiva Socialista - corrente interna do PSOL André Ferrari
Liga Socialista Oriunda de uma cisão da Esquerda Marxista em 2012, em um contexto no qual seus integrantes eram contrários à permanência no PT. Foi fundada em uma conferência realizada em Juiz de Fora/MG, nos dias 21 e 22 de janeiro de 2012. No âmbito internacional, vincula-se à Liga pela Quinta Internacional[56]. Site Lambertismo - Péricles de Lima
Reagrupamento Revolucionário Formada por militantes que romperam com o Coletivo Lênin em 16 de julho de 2011[57]. Depois, esses militantes estreitaram laços com trotskistas dos Estados Unidos que tinham rompido com a Tendência Bolchevique Internacional (TBI) em 25/09/2008[58].

Por sua vez, o Coletivo Lênin era a nova denominação do Coletivo Comunista Internacionalista, fundado em outubro de 2006, no Rio de Janeiro, que manteve laços com a TBI até agosto de 2010[59].

Site - - Márcio Torres
Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT) Oriundo da exclusão, em 1999, do grupo liderado pelo sindicalista Claudionor Brandão, que deu origem à Liga Estratégia Revolucionária (LER-QI), que, a partir de abril de 2015, passou a se denominar como Movimento Revolucionário dos Trabalhadores[60] [61]. É a seção da Fração Trotskista pela Quarta Internacional no Brasil[62].

Dentre seus militantes, destacam-se: Diana Assunção, Carolina Cacau, Maíra Machado, Danilo Magrão e Flávia Valle.

Esquerda Diário - Youtube Ideias de Esquerda - Youtube Esquerda Diário - Seus militantes se candidatam pelo PSOL Gilson Dantas
Nova Organização Socialista (NOS) Oriunda da fusão, decidida entre 25 e 27 de março de 2016, entre correntes denominadas como: Movimento ao Socialismo (MAS), Reage Socialista, e Coletivo Resistência Socialista (CRS). O MAS era formado por dissidentes do PSTU, o CRS era oriundo de uma cisão da C-SOL (grupo que saiu do PSTU em 2003, para fundar o PSOL). Nos dias 29 e 30 de abril de 2018, ocorreu o Congresso de Fusão entre a NOS e o Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista, que deu origem à organização "Resistência". Morenismo corrente interna do PSOL Yousseff Ghamoum
Tendência Proletária Organização criada no segundo trimestre de 2015. Morenismo corrente interna do PSOL Gabriel Sales Custódio
Frente Comunista dos Trabalhadores Fundada em setembro de 2015, a partir da fusão dos seguintes grupos:
  1. Liga Comunista, uma cisão da LBI, que ocorreu em 2010;
  2. Fração Operária do Coletivo Lênin, organização formada por ex militantes do PSTU;
  3. Espaço Marxista; e
  4. Tendência Revolucionária.

Internacionalmente, é vinculada ao Comitê de Ligação pela Quarta Internacional (CLQI).

Lambertismo Militantes filiados ao PT -
Movimento Revolucionário Socialista Findado em uma reunião realizada entre 7 e 9 de junho de 2013, a partir da fusão de quatro organizações, então denominadas como:
  1. Alternativa Revolucionária Socialista (ARS);
  2. Corrente de Esquerda Revolucionária de Luta e Socialista (CERLUS);
  3. Movimento Revolucionário (MR); e
  4. Práxis Revolucionária Socialista (PRS)[63].

É a seção brasileira do Comitê Revolucionário Quarta Internacional (CRQI).

Site Correio dos Trabalhadores Morenismo - Johny Silva
Coletivo Tribuna Classista Formada por ex-militante do Partido da Causa Operária, tentam construir uma organização alinhada com Jorge Altamira, dirigente do Partido Obrero da Argentina, que desse modo seria a seção brasileira do Coordenação para a Refundação da Quarta Internacional (CR-QI). Altamirismo - - Fredy Zapelone[64]
Alicerce - - Mateus Ballardin
Partido Operário Revolucionário Oriundo de uma cisão da Causa Operária, quando essa organização ainda era uma corrente interna do PT. Realizou seu 1º Congresso no inínicio de junho de 1989, em Diadema/SP. Na época, um de seus principais militantes era o vereador Manoel Boni, expulso do PT por apoiar a ocupação do Buraco do Gazuza. No âmbito internacional, participa do Comitê de Enlace pela Reconstrução da Quarta Internacional[65] [66] [67]. Jornal Massas POR Lorismo Não filiada a nenhum partido, defende o voto nulo nas eleições
Transição Socialista Trata-se da denominação, adotada pelo Movimento Negação da Negação (MNN), a partir de outubro de 2017. O MNN, tem suas origens remotas em 2005 e se trata de uma corrente de esquerda fortemente antipetista, que defende com veemência a prisão de Lula. Sua organização de juventude, chama-se Território Livre. Edita o jornal o Corneta, voltado para o movimento operário[68] [69]. Transição Socialista - O Corneta - Território Livre - -
Liga Quarta-Internacionalista do Brasil Oriunda de uma cisão do Partido da Causa Operária, em julho de 1994, por opor-se ao chamamento ao voto em Lula feito pelo PCO. Inicialmente, chamava-se "Luta Metalúrgica" e reunia, principalmente, militantes em Volta Redonda/RJ. Em abril de 1996, adotou a denominação de "Liga Quarta-Internacionalista do Brasil". Publica o jornal: "Vanguarda Operária". No âmbito internacional, participa da Liga pela Quarta Internacional[70] [71]. página principal Altamirismo Não filiada a nenhum partido, defende o voto nulo nas eleições -

Referências

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  3. A Oposição de Esquerda no Brasil, acesso em 03/01/2020.
  4. a b Mário Pedrosa político (2): do Grupo Comunista Lenine à IV Internacional e exílio (1929-1945), acesso em 02 de janeiro de 2010.
  5. MÁRIO PEDROSA, LÍVIO XAVIER E AS ORIGENS DO MARXISMO NO BRASIL, acesso em 31 de dezembro de 2019.
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  7. História do trotskismo no Brasil (1952-1964), acesso em 04 de janeiro de 2019.
  8. Dentre os ex-militantes do POR-T em Pernambuco, destaca-se Paulo Roberto Pinto, que foi assassinado, em 1963, na cidade de Itambé/PE. Em Pernambuco, o POR-T conseguiu incorporar diversos militantes de um grupo de dissidentes do PCB denominado como "Vanguarda Leninista", que ajudavam na organização das Ligas Camponesas, dentre eles Gilvan Rocha.
  9. a b c Reorganização do movimento trotskista no Brasil, acesso em 04 de janeiro de 2020.
  10. OLAVO HANSSEN, acesso em 11 de janeiro de 2019.
  11. Também pode-se citar Rui Osvaldo Pfutzenhauter (assassinado em São Paulo em 1972) como outro militante do POR-T morto durante a ditadura instalada em 1964.
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  21. Entrevista: Raul Pont fala sobre a história do jornal Em Tempo, acesso em 09/01/2020.
  22. A trajetória da Democracia Socialista: da fundação ao PT, acesso em 09/01/2020.
  23. Democracia Socialista: 40 anos!, acesso em 09 de janeiro de 2010.
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  30. Canal Gazeta Revolucionária no Youtube, acesso em 14/01/2020.
  31. E antes como Coletivo Gregório Bezerra (CGB), uma organização formada por militantes que acompanharam Luiz Carlos Prestes, na época de sua ruptuta com PCB.
  32. As origens e ideologia do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), acesso em 16 de janeiro de 2019.
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