Velho Chico (telenovela)

telenovela brasileira
Velho Chico
Informação geral
Formato Telenovela
Gênero drama
Duração 60 minutos[1]
Criador(es) Benedito Ruy Barbosa
Desenvolvedor(es) Benedito Ruy Barbosa
Edmara Barbosa
Bruno Luperi
País de origem Brasil
Idioma original português
Produção
Diretor(es)
Diretor(es) de criação Luiz Fernando Carvalho
Roteirista(s) Luis Alberto de Abreu
Elenco
Tema de abertura "Tropicália", Caetano Veloso & Orquestra Sinfônica de Heliópolis
Localização
Exibição
Emissora original Rede Globo
Formato de exibição 1080i (HDTV)
Transmissão original 14 de março – 30 de setembro de 2016
Episódios 172

Velho Chico é uma telenovela brasileira produzida pela Rede Globo e exibida de 14 de março a 30 de setembro de 2016, com 172 capítulos[3][4] substituindo A Regra do Jogo e sendo substituída por A Lei do Amor.[5] Foi a 10.ª "novela das nove" exibida pela emissora. Criada por Benedito Ruy Barbosa, é escrita com Edmara Barbosa e Bruno Luperi, com a colaboração de Luis Alberto de Abreu, direção de Carlos Araújo, Gustavo Fernandez, Antônio Karnewale, Philippe Barcinski e Luiz Fernando Carvalho, também diretor artístico.[6][7][8][9][10]

Na primeira fase, contou com as participações de Rodrigo Santoro, Tarcísio Meira, Rodrigo Lombardi, Fabiula Nascimento, Chico Díaz, Cyria Coentro, Carol Castro e Umberto Magnani.[2]

Na segunda fase, contou com as participações de Domingos Montagner, Camila Pitanga, Antônio Fagundes, Christiane Torloni, Marcelo Serrado, Lucy Alves, Irandhir Santos e Dira Paes.[2]

ProduçãoEditar

Em 2009, Benedito Ruy Barbosa entregou à direção da Rede Globo a sinopse de uma trama sobre o Rio São Francisco; porém em 2012, após avaliação da emissora, a história foi engavetada por ser considerada política demais. Benedito esperava levar a história no ano seguinte na faixa das 21 horas, e Eriberto Leão estava cotado para o papel de protagonista.[11] Primeira opção de Benedito para o papel de protagonista, mas atuando na telenovela das 18 horas, Eriberto acabou sendo substituído por Rodrigo Santoro na 1.ª fase.[12][13][14]

Em 2015, o projeto é aprovado para às 18 horas, substituindo Êta Mundo Bom!. Rogério Gomes foi anunciado para dirigir a trama, mas a pedido do autor e devido ao êxito da reprise de O Rei do Gado, Luiz Fernando Carvalho foi convidado para a direção; embora fosse orientado a não ousar tanto esteticamente do mesmo modo que em Hoje É Dia de Maria.[15][16][17][18][19] Posteriormente, a história foi deslocada para ser exibida às 21 horas, substituindo A Regra do Jogo, na vaga que era de Maria Adelaide Amaral, devido aos temas pesados abordados pelas telenovelas até então já aprovadas e/ou exibidas, além da impossibilidade da trama já aprovada abordar a temática política, pelo fato de ser ano eleitoral.[20][21][22][23]

Dividida em duas fases,[24] teve direção de fotografia de Alexandre Fructuoso e figurino de Thanara Schönardie.[25]

O processo criativo da equipe e dos atores durou apenas três meses e foi todo realizado no TVliê, o espaço colaborativo de criação de Luiz Fernando Carvalho, que funcionou entre 2013 e 2017, no Projac, conhecido como Galpão.[26][27]

Cenografia e figurinosEditar

Embora ambientada na Bahia, teve parte das cenas iniciais gravada em outras locações do Nordeste brasileiro, como Baraúna no Rio Grande do Norte e São José da Tapera e Olho d'Água do Casado em Alagoas e Canindé de São Francisco em Sergipe. As tomadas aéreas que representam a cidade fictícia da trama são de outro município alagoano: Piranhas. No estado onde se passa a novela, um casarão da Ilha de Cajaíba, em São Francisco do Conde, o município de Cachoeira e o Raso da Catarina foram usados como locações.[5][28] No total, cerca de 562 cenas foram gravadas nas locações nordestinas, em que cerca de 60 a 70% do elenco é formado por atores da região.[29][30][31]

A cenografia foi feita com peças reaproveitadas, provindas de objetos reciclados, como lâmpadas incandescentes utilizadas em refletores antigos reconstruídos.[32] O figurino da primeira fase foi composto por roupas reais de moradores das locações, através da troca de roupas usadas em troca de novas aos moradores.[33] Passando por descoloração de tecidos, tingimento e envelhecimento natural, o figurino dos personagens sertanejos são feitos em tons pastéis, enquanto os de Salvador são inspirados na Tropicália.[34]

Escolha do elencoEditar

O elenco foi selecionado a partir de uma pesquisa extensa de atores nordestinos e marcou a estreia em novelas de Lucy Alves, Marina Nery, Barbara Reis, Diyo Coelho, Xangai, Veronica Cavalcanti, Lee Taylor, Zezita de Matos, Mariene de Castro, Yara Charry, Raiza Alcântara, Lucas Veloso, Sueli Bispo e do comediante Ivann Gomes.[35][36][37] Renato Góes, depois de ter participado de duas novelas das seis, Cordel Encantado e Joia Rara, foi convidado para interpretar Santo dos Anjos na primeira fase.

A primeira fase registrou a volta do ator Rodrigo Santoro à dramaturgia da Rede Globo.[38] Tarcísio Meira, em apenas dois capítulos, teve uma atuação marcante assim como a atriz Selma Egrei, que participou das duas fases da novela.

Luiz Fernando Carvalho desejava uma atriz espanhola para o papel de Iolanda, mas devido à grande importância da personagem para a história, Carol Castro e Christiane Torloni foram convidadas para interpretar a personagem.[39][40][41][42] Antes de Castro, Ana Paula Arósio foi convidada para o papel, mas as negociações com a emissora não avançaram.[43][44] Com o não de Arósio, Maria Fernanda Cândido foi convidada para interpretar a personagem, que também recusou o papel.[45] Letícia Sabatella havia acertado de interpretar Maria Tereza, mas devido a compromissos com o teatro e cinema, Camila Pitanga assumiu o papel.[46][47]

Morte de Umberto MagnaniEditar

O ator Umberto Magnani, que interpretava o padre Romão, sofreu um acidente vascular encefálico (AVE) enquanto se preparava para gravar a trama na tarde de 25 de abril, no Projac.[48] Ele foi internado no Hospital Vitória, perto do complexo da emissora na Barra da Tijuca, em coma profundo. Ana Júlia, filha de Magnani, informou que o ator passou por uma cirurgia de seis horas e teve uma parada cardíaca. Como o personagem era considerado importante para a história, diversas cenas tiveram que ser reescritas.[49] A época, sem condições de retornar à trama, Magnani foi substituído por Carlos Vereza, que passou a interpretar o padre Benício.[50] Magnani acabou falecendo dois dias depois.[51]

Morte de Domingos MontagnerEditar

Faltando apenas duas semanas para o capítulo final, em 15 de setembro, o ator Domingos Montagner, que interpretava o protagonista Santo, morreu após se afogar no rio São Francisco, localizado na Região de Canindé de São Francisco, em Sergipe.[52] O acontecimento se deu após uma gravação para a novela, em que estavam presentes Gabriel Leone e Camila Pitanga.[53] Montagner foi nadar no São Francisco com Pitanga e acabou sendo arrastado por uma forte correnteza. Marcelo Serrado, que havia finalizado uma cena na região de Alagoas, ajudou nas buscas.[54] O ator foi encontrado quatro horas depois, sem vida.[55][56][57][58] Enquanto Montagner estava desaparecido, a direção da Globo solicitou que as gravações de Velho Chico—que iriam até o dia 18 de setembro—fossem paralisadas. Com a confirmação da morte do ator, a equipe técnica e o elenco que estavam gravando no Nordeste foram chamados para retornar ao Rio de Janeiro.[59] O canal também solicitou que a produção da trama não comentasse sobre o assunto com a imprensa.[60]

Benedito Ruy Barbosa lamentou a morte de Montagner e afirmou, em entrevista ao UOL, sobre a indefinição a respeito do desfecho do personagem do ator na trama: "É muito difícil ter que trocar um ator como ele por qualquer outro, não deve ser a solução. Ao mesmo tempo, tenho que fazer justiça a ele e ao trabalho maravilhoso que ele vinha fazendo".[61] Consultado pelo blog de Patrícia Kogut, do jornal O Globo, Benedito afirmou não saber o que iria fazer, mas que sua pretensão era de homenagear Montagner.[62]

Com a suspensão das gravações da trama, haviam somente cinco capítulos prontos para serem exibidos e no mesmo dia, havia uma indefinição se a trama permaneceria no ar ou se o final seria adiantado.[63] No entanto, o capítulo 167 foi levado ao ar, sem exibir cenas com o personagem "Santo"—que já estava definido antes da morte do ator[64]—e encerramento em silêncio.[65] No dia seguinte, foi definido que o reinício dos trabalhos seria no dia 18 de setembro e que a trama irá encerrar na data prevista, 30 de setembro.[66] O UOL revelou que também foi definido que a história do personagem de Montagner iria ser levada até o fim, sem substituição, morte ou viagem[67]; a solução encontrada foi filmar as cenas a partir da perspectiva em primeira pessoa de Santo, sem falas do personagem. O elenco voltaria a Sergipe no sábado, 17.[54] Outra parte do elenco permaneceu em Alagoas, que manteve o cronograma de gravações definido por Luís Fernando Carvalho.[67][68][69] O ritmo acelerado seria consequência dos atrasos de gravação provocados pelo diretor artístico da trama.[70][nota 1]

ExibiçãoEditar

Velho Chico estreou em 14 de março de 2016, uma segunda-feira, substituindo A Regra do Jogo no horário das 21h. De acordo com o Sistema de Classificação Indicativa Brasileiro, a trama é exibida como "Não recomendada para menores de 12 anos".[71] Em 5 de agosto, não houve exibição do capítulo por conta da transmissão da Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016.[72] Assim, a novela que teria 173 capítulos, terminou com um a menos.[4]

Exibição internacionalEditar

No dia 14 de janeiro de 2017 a trama passou a ser exibida pela Globo Portugal no horário das 20h[73], chegando a liderar a audiência da TV paga em seu último mês de exibição.[74] O último capítulo foi exibido em 26 de maio de 2017, sendo substituída por Sol Nascente.

Apesar da exibição em Portugal, Velho Chico ficou de fora do catálogo internacional apresentado ao MIPCOM, ocorrido em Cannes em outubro de 2017. A emissora argumentou que "outros critérios estratégicos [...] são levados em conta na hora de montar o catálogo de licenciamento internacional, como o timing, o mix de conteúdos e as necessidades do mercado naquele momento", além de destacar sua qualidade e a indicação ao Emmy Internacional, sem descartar uma futura adição ao catálogo.[75] Esses itens foram mencionados em crítica da jornalista Cristina Padiglone, afirmando que "é quase uma contradição imaginar que o enredo não tenha apelo internacional e que, inscrito no Emmy Internacional, na categoria de novelas, esteja entre os cinco finalistas desse segmento", opinando que a emissora deveria comercializar a trama internacionalmente.[76]

EnredoEditar

Primeira faseEditar

A trama se inicia no final da década de 1960, quando Afrânio, filho do poderoso Coronel Jacinto é obrigado a retornar de Salvador para a fictícia cidade de Grotas de São Francisco, local próximo ao Rio São Francisco, para assumir o lugar do pai, que comandava a política e a economia da cidade. Apaixonado por Iolanda uma atraente cantora de origem espanhola, mas obrigado pela amargurada mãe Encarnação, que ainda sofre pela perda de seu filho mais velho, morto nas águas do São Francisco, Afrânio parte numa viagem pela região para reafirmar alianças que seu pai mantinha.[77] Em sua viagem, conhece Leonor, filha do coronel Argelino e de Zilu, que acaba por lhe atiçar o desejo, e se envolvendo cada vez mais, o pai da moça obriga a se casarem. Leonor é recebida com desprezo por Encarnação, pelo fato de vir de uma classe baixa, ou seja, incapaz para ser esposa de seu filho, o jovem Coronel Saruê. Quando Maria Tereza nasce, Encarnação espalha que nem para dar um filho homem, Leonor serve.

Rival da família Sá Ribeiro, já que o Coronel Jacinto ambicionava suas terras, o capitão Ernesto Rosa, homem justo casado com Eulália, mas sem filhos, adota Luzia, bebê abandonada no meio da plantação de algodão. Na mesma época, acolhem o casal de retirantes, Belmiro e Piedade, pais de Bento e Santo. Com o passar do tempo e crescendo juntos, Luzia passa a nutrir uma paixão por Santo, que nem desconfia dos sentimentos da irmã de criação.

É numa procissão de São Francisco de Assis, sob as águas do Velho Chico, que os caminhos de Santo e Maria Tereza se cruzam. Mas o amor do filho do retirante com a filha do coronel é descoberto, e Maria Tereza é mandada para um internato em Salvador. Apesar de enviar cartas para o amado, em que revela estar grávida, estas são interceptadas por Luzia, ainda apaixonada por Santo. Ao mesmo tempo que Miguel nasce, fruto de um amor proibido, Belmiro é morto por Cícero, empregado do coronel Afrânio, ao mesmo tempo, Ernesto também é assassinado nos cais do rio. O assassinato de Belmiro e de Ernesto aumenta a rivalidade entre as duas famílias e Bento jura fazer vingança. O povo também fica inconformado e o delegado da cidade aconselha Afrânio a sair de Grotas por um tempo. Logo após o nascimento do filho, Maria Tereza volta para a fazenda de seu pai, onde acaba se casando com o jovem deputado Carlos Eduardo, embora espere um dia reencontrar seu grande amor para viverem felizes.[78][79][80][81]

Segunda faseEditar

Trinta anos se passaram, e Maria Tereza deixa Brasília e retorna para Grotas de São Francisco com Carlos Eduardo, agora um político ambicioso. O retorno é para comemorar o aniversário de cem anos da avó Encarnação, e reencontra o pai, Afrânio, e a madrasta Iolanda. Ela passa a comandar a exportação de frutas da família em Salvador, mas constata que a centenária está triste por não receber a visita do neto Martim, que deixou a fazenda do pai após uma desavença no passado. A festa de Encarnação tem outro desfalque: Miguel, que ainda está na França estudando agronomia orgânica. A volta do rapaz para cuidar da fazenda do avô é temida por Carlos Eduardo, que receia sua aproximação com o pai biológico. Santo desconhece a existência de Miguel, fruto de seu relacionamento com Maria Tereza, já que as cartas interceptadas por Luzia o impediram de viver essa paternidade. Com o caminho livre, Luzia se casou com ele, e tiveram as meninas Olívia e Isabel. Santo fundou uma cooperativa que luta pelos interesses dos pequenos produtores. No decorrer dos anos, Eulália morre e a fazenda Piatã passou a ser comandada por Piedade, mãe de Santo e Bento, este que se formou em direito e se tornou vereador em Grotas contra a vontade de Afrânio. O reencontro entre Santo e Maria Tereza acontece nas margens do Rio São Francisco, e ambos percebem que ainda se amam e a reaproximação entre eles afetará a vida de quase todos em Grotas.

ElencoEditar